A Dragões da Real foi a encarregada de encerrar as apresentações do Grupo Especial no carnaval de São Paulo em 2023. A comunidade de Gente Feliz levou para a Avenida o enredo “Paraíso Paraibano – João Pessoa, a porta do sol das Américas” no sábado, dia 18 de fevereiro, com a estreia do consagrado carnavalesco Jorge Freitas e um samba aclamado por todos os componentes nas eliminatórias da escola. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, lideranças da Dragões comentaram a respeito do desfile.
Renato Remondini (Tomate) (presidente)
“Acho que a escola realmente fez o seu propósito, que era fazer um desfile livre, leve e solto, com as pessoas brincando na Avenida. A energia que a Dragões colocou naquela pista foi algo surreal, basta ver a resposta das arquibancadas e dos camarotes, achei que foi fantástico. A chuva não nos atrapalhou em nada plasticamente, até porque as plumas murcharam, mas isso é questão de fator de natureza mesmo. Acho que a chuva serviu de combustível gigantesco para o nosso povo, então a minha análise foi a melhor possível. Agora é esperar a apuração e ver o que Deus está guardando para a gente”.
Renê Sobral (intérprete)
“Foi um desfile maravilhoso, de entrega muito grande da nossa comunidade, da nossa bateria, de toda a nossa escola. Conseguimos entregar um belo espetáculo, e a chuva veio para lavar a nossa alma e a nossa Avenida. Estamos muito felizes com a energia do nosso povo, que contagiou as arquibancadas e todo o Anhembi. Foi um desfile histórico para a Dragões, um trabalho muito bonito e muito belo. Conseguimos fazer um carro de som muito bom, coeso e limpo. Estou muito feliz com todo o projeto da Dragões, e agora é só aguardar a apuração e, independente do resultado, a Dragões da Real permitiu a todos que assistiram apreciar um grande espetáculo. BELEZA, BELEZA, BELEZA!”.
A Mocidade Alegre foi a quinta escola a desfilar no Anhembi na segunda noite de desfiles. O enredo que a ‘Morada’ levou para a avenida foi o ‘Yasuke’. A agremiação do Limão entregou tudo, visualmente e musicalmente. Em conversa com o CARNAVALESCO, os integrantes se mostraram felizes com tal feito, pois mais uma vez a Mocidade promete ficar entre as primeiras ou até mesmo brigar pelo título.
Mestre Sombra
“Muito satisfeito, conseguimos executar tudo que ensaiamos junto com a bateria, entrosamento muito bom, nos conhecemos de outros carnavais e fica mais fácil de trabalhar. Estamos muito felizes, satisfeitos, com nosso trabalho, setor. Não tem como ter uma dimensão do desfile em um todo, mas nossa parte foi bem legal, e agora vamos aguardar, falar com direção, detalhes, partes da escola, mas todo mundo com semblante legal, satisfeito e foi muito bom, estamos na briga, A comunidade cantou muito, fica fácil trabalhar assim, com uma comunidade que canta e vibra junto com a gente, facilita nosso trabalho”, disse.
Solange Cruz (presidente)
“Somos suspeito para falar, estamos dentro do desfile, aparentemente foi tudo bem, expectativa é boa, estamos vendo o componente com sorriso no rosto no final da pista. É um sinal de um bom resultado, agora é aguardar terça-feira, aparentemente foi tudo muito bom. Dentro da média esperava, graças a Deus, tudo certinho. O que a gente ensaiou conseguimos executar. Acho que pelo retorno do público foi um sucesso. Galera batia palma onde tinha palma, galera cantava onde tinha que cantar. Sensacional”, declarou.
Magno Oliveira (diretor de harmonia)
“Primeiro lugar, agradecemos a Deus, chegar aqui com toda essa chuva, que judiou muito as escolas. Estava em muita fé de parar, não só para nós, mas para todas, o trabalho tem que ser grande, trabalhamos muito para fazer esse desfile, incessantemente, todos os dias que você possa imaginar, estávamos ensaiando, fazendo, dividimos a escola e canto. O resultado está aí, o desfile fizemos o que vai acontecer só na terça, mas temos a esperança e fé que Deus nos abençoe com o sonhado resultado, claro que grandes escolas já passaram, outras estão vindo. Temos muitos que respeitar, pois por um carnaval na rua não é fácil e a disputa é livre, colocamos nosso carnaval na rua, feliz, agradecer nossa comunidade, sensacional, vocês da imprensa, porque vocês que movem o carnaval de verdade. Passamos o ano inteiro vendo vocês que estão correndo junto com as escolas e só temos a agradecer”, avaliou.
Igor Sorriso (intérprete)
“Muito satisfeito, conseguimos executar tudo que ensaiamos junto com a bateria, entrosamento muito bom, nos conhecemos de outros carnavais e fica mais fácil de trabalhar. Estamos muito felizes, satisfeitos, com nosso trabalho, setor. Não tem como ter uma dimensão do desfile em um todo, mas nossa parte foi bem legal, e agora vamos aguardar, falar com direção, detalhes, partes da escola, mas todo mundo com semblante legal, satisfeito e foi muito bom, estamos na briga”, analisou.
A Águia de Ouro, que foi a penúltima escola a desfilar, cantou “Um Pedaço do Céu”. De fato, foi uma apresentação satisfatória da Pompeia, que caprichou tanto na estética como nos outros módulos. O trio de intérpretes e mestre Juca revelaram ao site CARNAVALESCO suas respectivas opiniões.
Intérpretes (Douglinhas Aguiar, Serginho do Porto e Chitão Martins)
“Eu acho que dentro daquilo que a gente ensaiou e proposta a escola fazer, a escola cumpriu a risca. De onde a gente eu estava, não percebi nenhuma falha de ala, bateria e acho que saí da alma com a alma lavada”, disse Douglinhas Aguiar
“Tudo que a gente queria fazer, fizemos. Sabemos que o nosso trabalho foi feito e agora fica nas mãos dos jurados”, completou Serginho do Porto.
“Foi uma emoção muito grande fazer um trabalho de um ano que passou muito rápido. A união é tão grande que passou rápido. Como eles falaram, acho que não houve nenhuma falha. Nossa parte a gente fez com alegria, emoção e acho que a gente queria passar isso para quem estava assistindo”, finalizou o cantor Chitão Martins.
Mestre Juca
“Acho que foi muito bom. Tudo que ensaiamos, conseguimos passar na avenida. A escola estava muito bonita, cantando e evoluindo muito bonita. O tempo que a gente se propôs a sair a gente saiu. É difícil porque todas as escolas estão muito bem, mas agora vamos esperar. A gente não sabe a cabeça dos jurados. Às vezes ele pega uma coisa que a gente não escutou, mas a verdade é que eu saio daqui satisfeito e com dever cumprido. A gente moldou todo o trabalho esse ano. Eu estou confiante”, declarou.
A TV Brasil exibe flashes do desfile das escolas de samba mirins do Carnaval do Rio de Janeiro nesta terça (21), direto da Marquês de Sapucaí. O canal público também traz entradas do jornalismo com informações sobre a apuração do Grupo Especial da folia de São Paulo, do Sambódromo do Anhembi. Os conteúdos integram a programação ao vivo da emissora pública na faixa Carnavais do Brasil.
Integrantes da escola de samba mirim Herdeiros da Vila desfilam no Sambódromo da Marquês de Sapucaí (Fernando Frazão/Agência Brasil)
A diversão na TV Brasil começa mais cedo nesta terça (21), às 13h, com os blocos e trios elétricos de Salvador. Os apresentadores Anna Karina de Carvalho e Morillo Carvalho assumem o comando da festa, às 15h. A atração temática recebe no estúdio a atriz Quitéria Chagas, Rainha de Bateria da Império Serrano, e o cantor e compositor Bruno Galvão.
O desfile das agremiações do Grupo Mirim do Rio de Janeiro começa às 15h45 na Passarela do Samba carioca. Ao todo, a folia da garotada na folia reúne 16 escolas formadas pelas novas gerações de sambistas. Cerca de 25 mil crianças devem percorrer a Avenida até o final da noite.
A festa reúne as escolas Miúda da Cabuçu, Tijuquinha do Borel, Ainda Existem Crianças de Vila Kennedy, Império do Futuro, Golfinhos do Rio de Janeiro, Filhos da Águia da Portela, Corações Unidos do Ciep, Herdeiros da Vila, Infantes do Lins, Mangueira do Amanhã, Estrelinha da Mocidade, Nova Geração do Estácio, Petizes da Penha, Inocentes da Caprichosos, Aprendizes do Salgueiro e Pimpolhos da Grande Rio.
Integrantes da escola de samba mirim Herdeiros da Vila desfilam no Sambódromo da Marquês de Sapucaí (Fernando Frazão/Agência Brasil)
A emissora também apresenta notícias direto do Anhembi com as novidades sobre a apuração das notas das agremiações do Grupo Especial das escolas de samba de São Paulo. A reportagem da TV Brasil conta a expectativa e revela a emoção do resultado com a comemoração da grande campeã da folia paulista.
À noite, a partir das 20h, após a pausa de uma hora para o telejornal Repórter Brasil, a dupla de apresentadores Clarice Basso e Thiago Pimenta assume o comando da faixa Carnavais do Brasil. Eles mostram mais detalhes da animação para a folia no Nordeste e em outras capitais da festa momesca.
Atrações diárias na telinha do canal público
Nos próximos dias, a TV Brasil acompanha a alegria dos foliões nos blocos de rua em várias cidades do país, a festa momesca nos trios e palcos nordestinos. A programação especial ao vivo é ancorada por duplas de apresentadores da própria emissora no estúdio do canal no Rio de Janeiro.
As transmissões tem a participação de convidados e mostra conteúdos temáticos em diversos horários para todos os gostos, além de entradas ao vivo do jornalismo. A festa da cultura popular ganha as telas com flashes e informações da festa momesca nos quatro cantos do território nacional.
O canal ainda faz um especial com a repercussão do resultado da folia carioca após a apuração do desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro na quarta (22), às 18h. Os destaques do próximo fim de semana são o desfile das escolas de samba da Série Prata do Rio de Janeiro, na sexta (24) e no sábado (25), e o Desfile das Campeãs de São Paulo, também no sábado (25). As duas transmissões começam às 21h30.
A diversão dos cortejos em capitais da folia como Olinda, Recife e Salvador tem destaque na telinha, assim como os bloquinhos que arrastam multidões nas metrópoles carioca e paulista. No nordeste brasileiro, astros se apresentam nos tradicionais circuitos Barra-Ondina, Campo Grande e nos shows do Pelourinho, na Bahia, e mobilizam a população no Marco Zero e na Praça do Arsenal, em Pernambuco.
A TV Brasil valoriza o conteúdo regional e a diversidade das manifestações da expressão popular. Os blocos afro baianos se intercalam às coreografias de frevo e maracatu pernambucano. Para participar da cobertura, basta utilizar a hashtag #CarnavaisdoBrasil nas redes sociais.
A faixa Carnavais do Brasil é conduzida em esquema de rodízio pelos apresentadores Anna Karina de Carvalho, Bia Aparecida, Bruno Barros, Clarice Basso, Eliane Benício, Luciana Valle, Marília Arrigoni, Morillo Carvalho, Munike Moret, Priscila Rangel, Tâmara Freire e Tiago Alves. Além dos apresentadores, a produção tem a participação de convidados no estúdio para ilustrar a transmissão e comentar as performances.
Durante cerca de dez dias, a programação destaca o que de mais importante acontece no carnaval pelo país. A iniciativa reúne profissionais da própria TV Brasil, canal gerido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e de afiliadas que integram a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).
A programação Carnavais do Brasil exibe, ao vivo e em rede nacional, a festa de cores, ritmos e diversidade com muito axé, samba, frevo e maracatu. A faixa mostra toda a riqueza cultural de Salvador nos circuitos Barra-Ondina e Campo Grande, além de shows do Pelourinho, em parceria com a TVE da Bahia, e as apresentações musicais do Marco Zero e da Praça do Arsenal, no Recife, junto com a TV Pernambuco.
A visibilidade da folia popular também ganha as ondas da Rádio Nacional que forma a EBC junto com a própria TV Brasil e outros veículos públicos como a Rádio MEC e a Agência Brasil. A tradicional emissora tem programação própria e também entra em rede com a TV Brasil. Já a agência de notícias prepara cobertura jornalística sobre a alegria momesca e registra as imagens dos festejos da cultura tradicional.
A Beija-Flor de Nilópolis desconstruiu a fantasia histórica em seu abre-alas nesta segunda-feira, no segundo dia de desfile do Grupo Especial, ao recontar a história do Brasil com uma visão dos povos oprimidos. A escola refez o quadro ‘Independência ou morte!’, de Pedro Américo, e contou a história do país sem a fantasia de que todos são iguais.
Os carros da Azul e Branca eram dourados, com estátuas de indígenas e negros. Um dos carros carregam os dizeres “Brava Gente” com um dragão em sua frente. Os componentes estavam fantasiados de guerreiros indígenas e africanos, portando lanças em suas mãos.
“Houve um apagamento desses heróis na história do Brasil, ate porque, a independência foi totalmente militar e a beijar-flor vem mostrando isso na avenida”, disse Renato, chefe de cozinha, orgulhoso por desfilar pela primeira vez na escola.
A Beija-Flor trouxe em seu enredo uma crítica ao apagamento da história dos povos negros e indígenas no Brasil. A escola mostra esses povos como verdadeiros heróis no dia de 2 de julho e cantou pelo reconhecimento dessa história na avenida.
Maicon Martins desfila na escola há quinze anos e relatou que fazer parte do abre alas é mais do que desfilar, é representar a própria história. “Minha família é constituída de pretos e indígenas. São pessoas apagadas da história do país, sendo que são os heróis que não foram mostrados”.
“Os verdadeiros heróis são indígenas e negros”, relata Isabela Clementino, enfermeira e apaixonada pela Beija-Flor desde os quinze anos. A escola deu voz aos excluídos em seu desfile desta segunda.
A bateria da Beija-Flor representou, nesta segunda-feira, a lei dos vadios e capoeira. A lei enquadrava pessoas sem trabalho que pudesse comprovar. “De um modo oculto, existe uma visão ainda desta lei na sociedade. Por exemplo, se um homem negro estiver andando na rua de madrugada vai ser confundido com um marginal”, disse Marlon Victor, diretor de chocalhos, que além de ritmista, é homem negro e advogado.
Os ritmistas usaram um paletó bege, com detalhes prata e dourado. Por baixo, uma blusa branca de gola azul e, na cabeça, um chapéu bege e dourado com uma flor e penas azuis.
“Eu sou servidor público federal, e ja senti isso na pele. Eu não fui preso, mas ja fui oprimido por não conseguir provar que sou servidor federal”, relatou William Marques, servidor federal, ritmista negro da azul e branca da baixada. “A bateria é a lei e os vagabundos e marginalizados ao mesmo tempo”, completou.
Para os ritmistas, a lei sempre pesa para o lado mais fraco. A escola fez uma crítica ao fato do país criminalizar alguém antecipadamente pela classe social.
“Na maioria dos casos, os crimes pesam mais para os pretos e pobres. O que acontece na zona sul não acontece na zona norte. A gente tem que lutar contra esse sistema. Eu sou negro, sou de familia pobre e sai desse sistema porque eu estudei e batalhei para conseguir ocupar esses lugares. Temos que lutar porque somos fortes”, disse Marlon.
A Beija-Flor foi a penúltima escola a apresentar nesse segundo dia de desfile. A azul e branca deu voz aos excluídos em seu desfile desta segunda.
Prepare o seu coração, que lá vem a escola da emoção! Há quase uma década, o desfilante da Unidos do Viradouro escuta esse grito de guerra antes do começo de qualquer ensaio ou desfile.
Contratado no ano de 2013 para comandar o carro de som da vermelha e branca a partir do Carnaval de 2014, o intérprete Zé Paulo Sierra está cada vez mais perto de alcançar uma marca histórica de ninguém menos que Dominguinhos do Estácio. O saudoso cantor é, até hoje, quem mais tempo ficou no cargo na escola. Foram 11 carnavais sendo o responsável pelo microfone oficial da agremiação.
Neste ano, Zé Paulo realizou seu nono desfile como intérprete oficial. E, se depender dos componentes, tem tudo para atingir e superar a marca de Dominguinhos.
Há 27 anos desfilando na Unidos do Viradouro, a instrumentista cirúrgica Cristiane Paixão, de 42 anos, acompanhou de perto toda a trajetória dos dois cantores na escola. “Eu vejo o Zé Paulo hoje como a cara da Viradouro. Não imagino outro intérprete assumindo a voz da minha escola, sabe? Eu, particularmente, acompanho o Zé desde a época da Mangueira, nossa coirmã. Sei dos problemas que ele passou, da recuperação, da vitória. Ele viveu isso tudo aqui na Viradouro”, pontuou.
Desfilando desde o Carnaval de 2020 na vermelha e branca, o contador Jessé da Luz, de 52 anos, não só corroborou com o discurso como também exalto o comprometimento de Zé Paulo com a Viradouro. “É comum você ver intérpretes indo de uma escola para outra, contrata aqui e ali, muda toda hora, não tem uma sequência, uma dedicação… Eu vejo no Zé Paulo esse compromisso. É um cara que veste a camisa e isso contribui para que desenvolva um grande trabalho. É um baita intérprete, diferenciado”, declarou.
O professor de inglês João Vitor Barcellos, de 23 anos, também chegou a pouco tempo na Viradouro. O desfile deste ano é apenas o segundo dele na agremiação. Porém, ele também não consegue imaginar outra pessoa no microfone oficial.
“A animação do Zé Paulo consegue consegue levantar a escola. O grito de guerra dá muita energia para gente que está desfilando. E ele é gente da gente também. Abraça, entra dentro das alas, pula… Viradouro sem Zé Paulo, acho que não dá não”, disparou o desfilante.
E na visão da diarista Viviane Soares, de 45 anos, a união Zé Paulo e Viradouro está muito longe de acabar. “Ele é maravilhoso. Com certeza, é um dos corações da escola. E o Zé Paulo ainda tem muitos anos pela frente na Viradouro. Afinal, esse casamento tem tudo haver, combinação perfeita”, afirmou a componente.
A Unidos do Viradouro encerrou os desfiles do carnaval carioca trazendo para a avenida do samba o enredo “Rosa Maria Egipcíaca”, que foi a primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil. A escola do carnavalesco Tarcísio Zanon iniciou seu desfile com um grande carro abre-alas, que era constituído por três chassis, separados pela segunda ala “Resistência Courana”.
O primeiro carro da Viradouro foi chamado de “Turbilhão de Memórias”, retratando os devaneios que Rosa Maria teve com um afogamento, e fazia parte do setor “A Profecia das Águas”. O destaque central era Maurício Pina, com a fantasia “Delírios em Águas Profundas”. A alegoria trazia ainda 62 componentes como composições, que estavam vestidos como os “Peixes no Rebojo Marinho, Peixes Abissais e Vertigem Courana”.
A decoração do carro estava muito bem acabada, repleta de animais do fundo do oceano, como: polvos, tartarugas, peixes… Toda a fauna marinha foi retratada de forma criativa e original, com bastante flores e alguns chifres de marfim. Ao final da alegoria, uma grande escultura feminina entornava um jarro com flores e água em uma escultura de Rosa Maria na sua fase de menina. O carro foi todo confeccionado nas cores laranja, marrom e azul piscina.
Desde criança desfilando pela Unidos do Viradouro, Kamilla Ramos, de 38 anos, também saiu como composição do abre-alas. Ela revelou que estava emocionada antes de entrar na avenida. “Eu já vim no caminho chorando. Tantos anos desfilando, mas na hora eu fico muito nervosa”. “Nossa escola está pronta, graças a Deus temos um suporte muito bom, então é entrar e desfilar. Vamos brigar…”.
Simone Moraes, de 30 anos, sai na Viradouro há seis anos e estava fascinada com a sua indumentária na concentração: “Está maravilhosa, belíssima. Representando o fundo do mar, falando da nossa Rosa Maria, na fase dela criança, quando ela atravessa o oceano. Achei bem representativo e interessante”. Na concentração, ela confessou que estava ansiosa para entrar na avenida: “Meu coração não está batendo, ele está sambando”.
Égili Oliveira, de 42 anos, é professora de dança e rainha de bateria da Vigário Geral, ela desfilou na última parte do carro abre-alas da Viradouro. Égili reforçou a relevância de um enredo como Rosa Maria: “É de suma importância a escola trazer um enredo inovador, falando dessa mulher preta, que merece ter sua história contada no maior espetáculo da terra. Não só aqui, mas também em tantos outros lugares… Nós precisamos conhecer a história do nosso povo”.
Luiz Augusto, de 39 anos, esteve em seu terceiro carnaval na Viradouro, desfilando na parte traseira do carro abre-alas. “A gente vem representando a nação Courá, que é o início do primeiro setor da escola”. Ele se mostrou confiante com o desfile: “A escola está linda, preparada para brigar pelo título mais uma vez. Com esse enredo inovador, porque senão a gente acaba falando sempre das mesmas coisas, e a escola tem isso como diferencial, em trazer temas novos para gente ter um pouco mais de cultura”.
Ao final do desfile, a Viradouro trouxe um sexto carro com a representação de Rosa Maria Egipcíaca santificada abençoando um casal de mestre-sala e porta-bandeira com o pavilhão da escola. Segundo a pesquisa de Luiz Mott, a homenageada profetizou que viraria enredo de uma escola de samba. Esta alegoria é a aclamação dela como Rosa Mística do Brasil.
Na frente do carro, estava escrito o nome da agremiação com botões de rosas amarelas, brancas e vermelhas. Predominantemente rosa, uma coroa dourada tomava conta da maior parte da alegoria com um botão da flor no meio da estrutura. Os baluartes vieram com o traje padrão sentados na base do carro. Já as outras pessoas da composição vieram como “Rosas do Jardim Celestial”.
Realizando seu sonho de desfilar na Sapucaí, Carol Philipsen, de 44 anos, ficou empolgada ao ver a sua fantasia e o carro. Ela veio de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, para sair pela Viradouro.
“Eu amei a fantasia. Eu estou sentindo uma empolgação. A emoção de ver o carro foi enorme. Eu não imaginava que ele era tão grande e tão lindo com tantas flores”, relatou a gaúcha.
Sua amiga, a engenheira civil Luciana Nunes, de 45 anos, também estreou na Avenida este ano. Acostumada a ver o desfile pelo camarote, desta vez trocou de lugar para ter essa nova experiência.
“Esse carro é lindo. Quando eu fui provar a fantasia, eu o vi pela primeira vez e já deu uma emoção diferente. Ele é lindíssimo e a fantasia também. Espero que sábado que vem a gente esteja novamente aqui”, projetou a engenheira.
A fantasia das integrantes da alegoria tinha uma cabeça de penas rosadas e o vestido branco era preenchido por rosas roxas, rosas, brancas e alaranjadas. O visual era complementado por fitas na cabeça e nas bainhas. As componentes disseram que a fantasia era leve e confortável.
“O carro é maravilhoso e representa exatamente a nossa escola, o brilho da nossa escola. É uma emoção poder fazer parte de um espetáculo maravilhoso. É a emoção de poder defender a nossa escola. É uma emoção muito grande. É muito importante para nós que fazemos parte da escola completarmos esse processo”, comentou Andreia Ladislau, de 48 anos, em seu nono ano de vermelho e branco.
Em cima da rosa central do carro, um casal de mestre-sala e porta-bandeira dançou sob as mãos bentas de santa aclamada. Como destaque central, esteve a ativista e empreendedora antirracista Luana Génot representando o “Legado de Rosa Maria Egipcíaca”.