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TV Brasil mostra flashes do desfile das escolas de samba mirins do Rio

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TV Brasil exibe flashes do desfile das escolas de samba mirins do Carnaval do Rio de Janeiro nesta terça (21), direto da Marquês de Sapucaí. O canal público também traz entradas do jornalismo com informações sobre a apuração do Grupo Especial da folia de São Paulo, do Sambódromo do Anhembi. Os conteúdos integram a programação ao vivo da emissora pública na faixa Carnavais do Brasil.

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Integrantes da escola de samba mirim Herdeiros da Vila desfilam no Sambódromo da Marquês de Sapucaí (Fernando Frazão/Agência Brasil)

A diversão na TV Brasil começa mais cedo nesta terça (21), às 13h, com os blocos e trios elétricos de Salvador. Os apresentadores Anna Karina de Carvalho e Morillo Carvalho assumem o comando da festa, às 15h. A atração temática recebe no estúdio a atriz Quitéria Chagas, Rainha de Bateria da Império Serrano, e o cantor e compositor Bruno Galvão.

O desfile das agremiações do Grupo Mirim do Rio de Janeiro começa às 15h45 na Passarela do Samba carioca. Ao todo, a folia da garotada na folia reúne 16 escolas formadas pelas novas gerações de sambistas. Cerca de 25 mil crianças devem percorrer a Avenida até o final da noite.

A festa reúne as escolas Miúda da Cabuçu, Tijuquinha do Borel, Ainda Existem Crianças de Vila Kennedy, Império do Futuro, Golfinhos do Rio de Janeiro, Filhos da Águia da Portela, Corações Unidos do Ciep, Herdeiros da Vila, Infantes do Lins, Mangueira do Amanhã, Estrelinha da Mocidade, Nova Geração do Estácio, Petizes da Penha, Inocentes da Caprichosos, Aprendizes do Salgueiro e Pimpolhos da Grande Rio.

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Integrantes da escola de samba mirim Herdeiros da Vila desfilam no Sambódromo da Marquês de Sapucaí (Fernando Frazão/Agência Brasil)

A emissora também apresenta notícias direto do Anhembi com as novidades sobre a apuração das notas das agremiações do Grupo Especial das escolas de samba de São Paulo. A reportagem da TV Brasil conta a expectativa e revela a emoção do resultado com a comemoração da grande campeã da folia paulista.

À noite, a partir das 20h, após a pausa de uma hora para o telejornal Repórter Brasil, a dupla de apresentadores Clarice Basso e Thiago Pimenta assume o comando da faixa Carnavais do Brasil. Eles mostram mais detalhes da animação para a folia no Nordeste e em outras capitais da festa momesca.

Atrações diárias na telinha do canal público

Nos próximos dias, a TV Brasil acompanha a alegria dos foliões nos blocos de rua em várias cidades do país, a festa momesca nos trios e palcos nordestinos. A programação especial ao vivo é ancorada por duplas de apresentadores da própria emissora no estúdio do canal no Rio de Janeiro.

As transmissões tem a participação de convidados e mostra conteúdos temáticos em diversos horários para todos os gostos, além de entradas ao vivo do jornalismo. A festa da cultura popular ganha as telas com flashes e informações da festa momesca nos quatro cantos do território nacional.

O canal ainda faz um especial com a repercussão do resultado da folia carioca após a apuração do desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro na quarta (22), às 18h. Os destaques do próximo fim de semana são o desfile das escolas de samba da Série Prata do Rio de Janeiro, na sexta (24) e no sábado (25), e o Desfile das Campeãs de São Paulo, também no sábado (25). As duas transmissões começam às 21h30.

A diversão dos cortejos em capitais da folia como Olinda, Recife e Salvador tem destaque na telinha, assim como os bloquinhos que arrastam multidões nas metrópoles carioca e paulista. No nordeste brasileiro, astros se apresentam nos tradicionais circuitos Barra-Ondina, Campo Grande e nos shows do Pelourinho, na Bahia, e mobilizam a população no Marco Zero e na Praça do Arsenal, em Pernambuco.

TV Brasil valoriza o conteúdo regional e a diversidade das manifestações da expressão popular. Os blocos afro baianos se intercalam às coreografias de frevo e maracatu pernambucano. Para participar da cobertura, basta utilizar a hashtag #CarnavaisdoBrasil nas redes sociais.

A faixa Carnavais do Brasil é conduzida em esquema de rodízio pelos apresentadores Anna Karina de Carvalho, Bia Aparecida, Bruno Barros, Clarice Basso, Eliane Benício, Luciana Valle, Marília Arrigoni, Morillo Carvalho, Munike Moret, Priscila Rangel, Tâmara Freire e Tiago Alves. Além dos apresentadores, a produção tem a participação de convidados no estúdio para ilustrar a transmissão e comentar as performances.

Durante cerca de dez dias, a programação destaca o que de mais importante acontece no carnaval pelo país. A iniciativa reúne profissionais da própria TV Brasil, canal gerido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e de afiliadas que integram a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).

A programação Carnavais do Brasil exibe, ao vivo e em rede nacional, a festa de cores, ritmos e diversidade com muito axé, samba, frevo e maracatu. A faixa mostra toda a riqueza cultural de Salvador nos circuitos Barra-Ondina e Campo Grande, além de shows do Pelourinho, em parceria com a TVE da Bahia, e as apresentações musicais do Marco Zero e da Praça do Arsenal, no Recife, junto com a TV Pernambuco.

A visibilidade da folia popular também ganha as ondas da Rádio Nacional que forma a EBC junto com a própria TV Brasil e outros veículos públicos como a Rádio MEC e a Agência Brasil. A tradicional emissora tem programação própria e também entra em rede com a TV Brasil. Já a agência de notícias prepara cobertura jornalística sobre a alegria momesca e registra as imagens dos festejos da cultura tradicional.

Brava gente! Abre-alas nilopolitano homenageou indígenas e negros como heróis nacionais pela independência

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A Beija-Flor de Nilópolis desconstruiu a fantasia histórica em seu abre-alas nesta segunda-feira, no segundo dia de desfile do Grupo Especial, ao recontar a história do Brasil com uma visão dos povos oprimidos. A escola refez o quadro ‘Independência ou morte!’, de Pedro Américo, e contou a história do país sem a fantasia de que todos são iguais.

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Os carros da Azul e Branca eram dourados, com estátuas de indígenas e negros. Um dos carros carregam os dizeres “Brava Gente” com um dragão em sua frente. Os componentes estavam fantasiados de guerreiros indígenas e africanos, portando lanças em suas mãos.

“Houve um apagamento desses heróis na história do Brasil, ate porque, a independência foi totalmente militar e a beijar-flor vem mostrando isso na avenida”, disse Renato, chefe de cozinha, orgulhoso por desfilar pela primeira vez na escola.

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A Beija-Flor trouxe em seu enredo uma crítica ao apagamento da história dos povos negros e indígenas no Brasil. A escola mostra esses povos como verdadeiros heróis no dia de 2 de julho e cantou pelo reconhecimento dessa história na avenida.

Maicon Martins desfila na escola há quinze anos e relatou que fazer parte do abre alas é mais do que desfilar, é representar a própria história. “Minha família é constituída de pretos e indígenas. São pessoas apagadas da história do país, sendo que são os heróis que não foram mostrados”.

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“Os verdadeiros heróis são indígenas e negros”, relata Isabela Clementino, enfermeira e apaixonada pela Beija-Flor desde os quinze anos. A escola deu voz aos excluídos em seu desfile desta segunda.

Bateria da Beija-Flor denuncia o racismo na história do país

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A bateria da Beija-Flor representou, nesta segunda-feira, a lei dos vadios e capoeira. A lei enquadrava pessoas sem trabalho que pudesse comprovar. “De um modo oculto, existe uma visão ainda desta lei na sociedade. Por exemplo, se um homem negro estiver andando na rua de madrugada vai ser confundido com um marginal”, disse Marlon Victor, diretor de chocalhos, que além de ritmista, é homem negro e advogado.

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Os ritmistas usaram um paletó bege, com detalhes prata e dourado. Por baixo, uma blusa branca de gola azul e, na cabeça, um chapéu bege e dourado com uma flor e penas azuis.

“Eu sou servidor público federal, e ja senti isso na pele. Eu não fui preso, mas ja fui oprimido por não conseguir provar que sou servidor federal”, relatou William Marques, servidor federal, ritmista negro da azul e branca da baixada. “A bateria é a lei e os vagabundos e marginalizados ao mesmo tempo”, completou.

Para os ritmistas, a lei sempre pesa para o lado mais fraco. A escola fez uma crítica ao fato do país criminalizar alguém antecipadamente pela classe social.

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“Na maioria dos casos, os crimes pesam mais para os pretos e pobres. O que acontece na zona sul não acontece na zona norte. A gente tem que lutar contra esse sistema. Eu sou negro, sou de familia pobre e sai desse sistema porque eu estudei e batalhei para conseguir ocupar esses lugares. Temos que lutar porque somos fortes”, disse Marlon.

A Beija-Flor foi a penúltima escola a apresentar nesse segundo dia de desfile. A azul e branca deu voz aos excluídos em seu desfile desta segunda.

Prestes a completar 10 anos na Viradouro, Zé Paulo é exaltado por componentes

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Por Diogo Sampaio
Prepare o seu coração, que lá vem a escola da emoção! Há quase uma década, o desfilante da Unidos do Viradouro escuta esse grito de guerra antes do começo de qualquer ensaio ou desfile.
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Contratado no ano de 2013 para comandar o carro de som da vermelha e branca a partir do Carnaval de 2014, o intérprete Zé Paulo Sierra está cada vez mais perto de alcançar uma marca histórica de ninguém menos que Dominguinhos do Estácio. O saudoso cantor é, até hoje, quem mais tempo ficou no cargo na escola. Foram 11 carnavais sendo o responsável pelo microfone oficial da agremiação.
Neste ano, Zé Paulo realizou seu nono desfile como intérprete oficial. E, se depender dos componentes, tem tudo para atingir e superar a marca de Dominguinhos.
Há 27 anos desfilando na Unidos do Viradouro, a instrumentista cirúrgica Cristiane Paixão, de 42 anos, acompanhou de perto toda a trajetória dos dois cantores na escola. “Eu vejo o Zé Paulo hoje como a cara da Viradouro. Não imagino outro intérprete assumindo a voz da minha escola, sabe? Eu, particularmente, acompanho o Zé desde a época da Mangueira, nossa coirmã. Sei dos problemas que ele passou, da recuperação, da vitória. Ele viveu isso tudo aqui na Viradouro”, pontuou.
Desfilando desde o Carnaval de 2020 na vermelha e branca, o contador Jessé da Luz, de 52 anos, não só corroborou com o discurso como também exalto o comprometimento de Zé Paulo com a Viradouro. “É comum você ver intérpretes indo de uma escola para outra, contrata aqui e ali, muda toda hora, não tem uma sequência, uma dedicação… Eu vejo no Zé Paulo esse compromisso. É um cara que veste a camisa e isso contribui para que desenvolva um grande trabalho. É um baita intérprete, diferenciado”, declarou.
O professor de inglês João Vitor Barcellos, de 23 anos, também chegou a pouco tempo na Viradouro. O desfile deste ano é apenas o segundo dele na agremiação. Porém, ele também não consegue imaginar outra pessoa no microfone oficial.
“A animação do Zé Paulo consegue consegue levantar a escola. O grito de guerra dá muita energia para gente que está desfilando. E ele é gente da gente também. Abraça, entra dentro das alas, pula… Viradouro sem Zé Paulo, acho que não dá não”, disparou o desfilante.
E na visão da diarista Viviane Soares, de 45 anos, a união Zé Paulo e Viradouro está muito longe de acabar. “Ele é maravilhoso. Com certeza, é um dos corações da escola. E o Zé Paulo ainda tem muitos anos pela frente na Viradouro. Afinal, esse casamento tem tudo haver, combinação perfeita”, afirmou a componente.

Abre-alas da Viradouro narrou o Turbilhão de Memórias na vida de Rosa Maria Egipcíaca

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A Unidos do Viradouro encerrou os desfiles do carnaval carioca trazendo para a avenida do samba o enredo “Rosa Maria Egipcíaca”, que foi a primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil. A escola do carnavalesco Tarcísio Zanon iniciou seu desfile com um grande carro abre-alas, que era constituído por três chassis, separados pela segunda ala “Resistência Courana”.

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O primeiro carro da Viradouro foi chamado de “Turbilhão de Memórias”, retratando os devaneios que Rosa Maria teve com um afogamento, e fazia parte do setor “A Profecia das Águas”. O destaque central era Maurício Pina, com a fantasia “Delírios em Águas Profundas”. A alegoria trazia ainda 62 componentes como composições, que estavam vestidos como os “Peixes no Rebojo Marinho, Peixes Abissais e Vertigem Courana”.

A decoração do carro estava muito bem acabada, repleta de animais do fundo do oceano, como: polvos, tartarugas, peixes… Toda a fauna marinha foi retratada de forma criativa e original, com bastante flores e alguns chifres de marfim. Ao final da alegoria, uma grande escultura feminina entornava um jarro com flores e água em uma escultura de Rosa Maria na sua fase de menina. O carro foi todo confeccionado nas cores laranja, marrom e azul piscina.
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Desde criança desfilando pela Unidos do Viradouro, Kamilla Ramos, de 38 anos, também saiu como composição do abre-alas. Ela revelou que estava emocionada antes de entrar na avenida. “Eu já vim no caminho chorando. Tantos anos desfilando, mas na hora eu fico muito nervosa”. “Nossa escola está pronta, graças a Deus temos um suporte muito bom, então é entrar e desfilar. Vamos brigar…”.
Simone Moraes, de 30 anos, sai na Viradouro há seis anos e estava fascinada com a sua indumentária na concentração: “Está maravilhosa, belíssima. Representando o fundo do mar, falando da nossa Rosa Maria, na fase dela criança, quando ela atravessa o oceano. Achei bem representativo e interessante”. Na concentração, ela confessou que estava ansiosa para entrar na avenida: “Meu coração não está batendo, ele está sambando”.
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Égili Oliveira, de 42 anos, é professora de dança e rainha de bateria da Vigário Geral, ela desfilou na última parte do carro abre-alas da Viradouro. Égili reforçou a relevância de um enredo como Rosa Maria: “É de suma importância a escola trazer um enredo inovador, falando dessa mulher preta, que merece ter sua história contada no maior espetáculo da terra. Não só aqui, mas também em tantos outros lugares… Nós precisamos conhecer a história do nosso povo”.
Luiz Augusto, de 39 anos, esteve em seu terceiro carnaval na Viradouro, desfilando na parte traseira do carro abre-alas. “A gente vem representando a nação Courá, que é o início do primeiro setor da escola”. Ele se mostrou confiante com o desfile: “A escola está linda, preparada para brigar pelo título mais uma vez. Com esse enredo inovador, porque senão a gente acaba falando sempre das mesmas coisas, e a escola tem isso como diferencial, em trazer temas novos para gente ter um pouco mais de cultura”.

Casal de mestre-sala e porta-bandeira é abençoado na última alegoria da Viradouro

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Viradouro07Ao final do desfile, a Viradouro trouxe um sexto carro com a representação de Rosa Maria Egipcíaca santificada abençoando um casal de mestre-sala e porta-bandeira com o pavilhão da escola. Segundo a pesquisa de Luiz Mott, a homenageada profetizou que viraria enredo de uma escola de samba. Esta alegoria é a aclamação dela como Rosa Mística do Brasil.

Na frente do carro, estava escrito o nome da agremiação com botões de rosas amarelas, brancas e vermelhas. Predominantemente rosa, uma coroa dourada tomava conta da maior parte da alegoria com um botão da flor no meio da estrutura. Os baluartes vieram com o traje padrão sentados na base do carro. Já as outras pessoas da composição vieram como “Rosas do Jardim Celestial”.

Viradouro04 2Realizando seu sonho de desfilar na Sapucaí, Carol Philipsen, de 44 anos, ficou empolgada ao ver a sua fantasia e o carro. Ela veio de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, para sair pela Viradouro.

“Eu amei a fantasia. Eu estou sentindo uma empolgação. A emoção de ver o carro foi enorme. Eu não imaginava que ele era tão grande e tão lindo com tantas flores”, relatou a gaúcha.
Sua amiga, a engenheira civil Luciana Nunes, de 45 anos, também estreou na Avenida este ano. Acostumada a ver o desfile pelo camarote, desta vez trocou de lugar para ter essa nova experiência.

“Esse carro é lindo. Quando eu fui provar a fantasia, eu o vi pela primeira vez e já deu uma emoção diferente. Ele é lindíssimo e a fantasia também. Espero que sábado que vem a gente esteja novamente aqui”, projetou a engenheira.

Viradouro05 2A fantasia das integrantes da alegoria tinha uma cabeça de penas rosadas e o vestido branco era preenchido por rosas roxas, rosas, brancas e alaranjadas. O visual era complementado por fitas na cabeça e nas bainhas. As componentes disseram que a fantasia era leve e confortável.

“O carro é maravilhoso e representa exatamente a nossa escola, o brilho da nossa escola. É uma emoção poder fazer parte de um espetáculo maravilhoso. É a emoção de poder defender a nossa escola. É uma emoção muito grande. É muito importante para nós que fazemos parte da escola completarmos esse processo”, comentou Andreia Ladislau, de 48 anos, em seu nono ano de vermelho e branco.

Em cima da rosa central do carro, um casal de mestre-sala e porta-bandeira dançou sob as mãos bentas de santa aclamada. Como destaque central, esteve a ativista e empreendedora antirracista Luana Génot representando o “Legado de Rosa Maria Egipcíaca”.

Fotos: desfile da Viradouro no Carnaval 2023

Bateria da Viradouro representa o Padre “Xota Diabos”, responsável pela proteção e compra da alforria de Rosa Maria

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Viradouro01 4 Última escola a desfilar nesta noite de Segunda-feira, a Unidos do Viradouro pisou forte na Marquês de Sapucaí para falar de “Rosa Maria Egipcíaca”, autora de ‘Sagrada Teologia do Amor Divino das Almas Peregrinas’, que é o mais antigo livro escrito por uma mulher negra na história do Brasil. A Vermelho e Branco de Niterói deu início à sua passagem na avenida do samba abordando “A Profecia das Águas”, que era o primeiro setor do desfile.

Em seguida, veio o setor “Auri Sacra Fames – A Febre do Ouro”. A bateria de mestre Ciça foi a décima ala da escola e estava inserida no terceiro setor, denominado “Ventanias, Visões e Possessões”. A fantasia da Furacão Vermelho e Branco representava o “Padre Francisco Gonçalves Lopes: o Xota Diabos”, enquanto Ciça encarnou o “Tutor Espiritual” de Rosa Maria, que a transformou em um artífice na santificação. A rainha de bateria Érika Januza desfilou simbolizando as vozes das almas que a courana ouvia e as chamava de “afecto”.

Vini Lemos, de 43 anos, já desfila na escola há 33 carnavais, sendo 26 deles na bateria. Ele explicou o significado da fantasia: “Nós vamos falar da religiosidade da Rosa Maria, o nosso mestre vem de cardeal mor. E nós estamos como os padres sacerdotes, que eram chamados de ‘Xota Diabo’, os exorcistas”. Vini, que é um dos mestres da bateria da Cubango, veio tocando caixa na Furacão, e comentou sobre o peso da roupa: “Estou achando leve, gostosa. Olha que eu sou calorento… É uma bata, e a gente está super à vontade”.

Viradouro02 4Cristiano Nascimento tem 44 anos e viveu seu primeiro desfile pela Unidos do Viradouro. “Eu desfilei por doze anos na Portela, aí me mudei para São Gonçalo… E a Viradouro é a escola que eu queria desfilar, e graças a Deus hoje eu estou aqui fazendo parte da Furacão Vermelho e Branco”. Ele elogiou o trabalho da diretoria: “O presidente investiu na escola, e se papai do céu permitir, com certeza a gente vai trazer esse caneco aí”.

Reinaldo Silveira, de 39 anos, completou neste ano seu décimo carnaval na escola de Niterói, e estava satisfeito com a fantasia da bateria: “bonita e confortável”. Ele ainda enalteceu o trabalho do carnavalesco Tarcísio Zanon: “Estou achando impecável. Tanto as fantasias, quanto os carros alegóricos. Acho que a gente está no mesmo clima do ‘Ensaboa’ e do ‘Brilho no Olhar’ também. Viemos para ficar entre as três primeiras”.

Há dez anos tocando cuíca na Viradouro, Waldir Braga, de 76 anos, também gostou da roupa: “É confortável. Não é pesadona, não. Quando a gente forma a bateria fica muito bonito o conjunto completo”. Ele garante que a escola veio para disputar o título e estará no desfile das campeãs, no próximo sábado.

Baianas da Viradouro celebram fantasia em homenagem à Sant’Ana, a avó de Jesus

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Por Diogo Sampaio

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As baianas da Unidos do Viradouro tiveram a missão de representar na Avenida a Sant’Ana, mãe de Nossa Senhora e avó de Jesus Cristo. Em tons suaves de rosa, azul e ouro, o figurino possuía uma estética barroca. No costeiro, as senhoras traziam uma bebê Maria de pele negra, assim como a tradição de muitas sociedades africanas, em que as mães levam seus filhos por onde forem, como forma de proteção e afeto.

Repleto de adornos e com camadas de tecido, era de se imaginar que este figurino fosse pesado. No entanto, a aposentada Benedita Ferreira, de 73 anos, garantiu que a fantasia é uma das mais leves que já desfilou.

“A fantasia é levíssima! Além disso é muito bonita e confortável. Muito boa, de verdade. É o primeiro ano que faço esse tipo de elogio para uma fantasia”, declarou Benedita, que está há 15 anos na Viradouro, sendo sete deles desfilando na ala das baianas.

Assim como a colega de ala, a também aposentada Ângela Lúcia, de 70 anos, foi só elogios a indumentária. “Essa roupa leve dá para gente fazer todo o movimento que uma baiana faz, todo giratório, para esquerda, para direita… É uma bailarina, né?! Somos chiquérrimas!”, declarou a baiana, que está há cinco anos na escola.

Viradouro03 2De família descendente do sacerdote Aarão, Sant’Ana era esposa de um santo: São Joaquim. Ele, por sua vez, era descendente da família real de Davi. Nesse casamento estava composta a nobreza da qual Maria seria descendente e, posteriormente, Jesus.

Retratada no enredo da Viradouro por ser uma figura de devoção da homenageada Rosa Maria Egipcíaca por ela, a história de Sant’Ana é desconhecida por muitos. Exceção a isso, a professora de artes visuais Juciara Muniz, de 62 anos, que é baiana há seis anos na vermelha e branca de Niterói, assegurou ter ficado feliz pela escolha da avó de Jesus ser o tema do figurino da ala.

“Maravilhoso esta escolha de tema, é uma benção. Estou me sentindo agraciada. Eu já conhecia a história dela até porque a gente na arte tem que estudar muito sobre religião. Então, vamos pegando alguma coisa, adquirindo certos conhecimentos. Agora, ainda mais pessoas vão ficar conhecendo. Isso é muito bom!”, comemorou Juciara.

Tecnicamente perfeita, Viradouro apresenta grande conjunto estético e se aproxima do título do Grupo Especial

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Tecnicamente perfeito, assim pode ser definido o desfile da Unidos do Viradouro no carnaval de 2023. Sexta e última a desfilar na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, a Viradouro apresentou na Avenida Marquês de Sapucaí, o enredo “Rosa Maria Egipicíaca”, do carnavalesco Tarcísio Zanon. Em uma hora e sete minutos, a Vermelha e Branca se destacou pelo bom conjunto estético apresentado, emocionante comissão de frente e alto nível nos quesitos de chão. Primeiro casal realizou fortes apresentações diante dos julgadores e o enredo se desenvolveu bem na avenida. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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Comissão de Frente

Em seu primeiro trabalho na Unidos do Viradouro, o casal de coreógrafos Priscilla Motta e Rodrigo Negri apresentou a Comissão de Frente “Eis a flor no seu altar”, com a representação das diversas vidas da homenageada no enredo da escola, representada por uma bailarina. A apresentação dos bailarinos na avenida foi impactante, bem sincronizada e cumpriu o papel de passar a mensagem do enredo da escola. A dança foi realizada em cima de um elemento cenográfico, “Rosa Mística”, formado por troncos de árvores.

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Na coreografia, em um primeiro momento, bailarinos com uma roupa azul e uma capa que conferia muito movimento entravam em cena juntamente com uma mulher representando Rosa Maria. A primeira cena da dança marcava a saída de Rosa da África para o Brasil. Em um segundo momento, os bailarinos saiam de cena pelo chão e deram lugares a um grupo de mulheres, que realizavam uma dança muito forte e posteriormente, subiam ventiladores e folhas de árvore e era formada a “ventania”. Logo depois, Rosa surge com um livro na mão, em representação ao livro que a homenageada escreveu. O ponto alto da dança, no entanto, se dava na aclamação de Rosa como santa, quando se trocava a bailarina que a representava e era elevada na cena uma mulher vestia roupas religiosas, de santa e surgiam rosas na lateral do tripé. A apresentação provocou aplausos do público nos três módulos de julgadores.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Em seu quinto carnaval na Unidos do Viradouro, o experiente casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Julinho Nascimento e Rute Alves, representaram “O Reino Místico das Lagoas de Uidá”, em um belo figurino em tons de azul e bege, inspirados na arte do Benim. Integrantes da primeira ala da escola, “A Menina Courá”, se deslocavam e tornavam-se os guardiões do casal na frente dos módulos de julgadores.

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Na avenida, a dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira da Viradouro foi glamourosa, forte e sincronizada. O casal contribuiu com maestria para a forte abertura da escola de Niterói. Na coreografia, o casal alternou momentos de muita garra e força, como nos fortes giros dados pela porta-bandeira na entrada nos módulos, com outros de maior delicadeza. O casal também trouxe referências da letra do samba-enredo da escola, como no “meu samba é manifesto”, onde ergueram os punhos e o no “Senti a alma daqueles, os mais oprimidos”.

Harmonia

O desempenho da Unidos do Viradouro no desfile de 2023 repetiu a excelência apresentada pela escola durante os ensaios de pré-carnaval. Do início ao fim do desfile da Vermelha e Branca, as alas da escola apresentaram um canto firme, linear e sem grandes variações de intensidade. O carro de som da escola, comandado pelo intérprete Zé Paulo Sierra, teve contribuição fundamental para o desempenho da escola no quesito. O intérprete principal interagia muito bem com a comunidade da escola e a bateria para sustentar a alta performance, apesar das características mais melodiosas do samba-enredo da Viradouro. O momento de canto mais intenso das alas se deu no final da obra, no trecho “Eu sou a santa que o povo aclamou”, que era cantado a plenos pulmões pela comunidade.

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Evolução

Fluído, linear e compacto, assim pode ser definido o desempenho da evolução da Unidos do Viradouro na avenida Marquês de Sapucaí. Ao longo de 1 hora e 7 minutos, a comunidade da escola pôde desfilar em ótimo ritmo, sem momentos de grande aceleração ou abertura de clarões. O forte desempenho no quesito também foi possível pela animação e leveza dos componentes da escola na Marquês de Sapucaí. A ala de passistas da escolas, fantasiadas de “Possessões e feitiçarias”, a ala 15, “A chama do sagrado coração” e ala dos compositores, de “A guarda do marujo”, podem ser destacadas no quesito pela empolgação e boa desenvoltura. As alas coreografadas da escola também se destacaram por belas coreografias.

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Enredo

Em seu desfile, a Unidos do Viradouro contou e cantou a história de Rosa Maria Egipcíaca, inspirado no livro de mesmo nome do autor Luiz Mott, divida em seis setores, 24 alas, seis alegorias e três tripés. Ao longo de seus setores, o desfile da escola perpassa pelas diversas fases da vida de Rosa. No primeiro deles, “A profecia das águas”, era representada a menina da nação Courá que vem ao Rio de Janeiro aos seis anos de idade. O segundo, “A Febre do Ouro”, a ida de Rosa às Minas Gerais, comprada como uma escravizada meretriz no auge do ciclo do ouro. “Ventania, Visões e Possessões”, o terceiro setor da escola partiu para a fase católica da homenageada, quando parte ao catolicismo, se encanta nas sessões de exorcismo e passa a ser olhada como feiticeira. Já no quarto setor, “A Flor do Rio”, Rosa chega às terras cariocas, passa a ser vista como santa e escreve um livro.

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No desfecho do desfile, a Unidos do Viradouro optou por dar um novo final a história de Rosa Maria Egipcíaca, a fim de carnavalizar a história e dar um desfecho mais digno à homenageada. No quinto setor, “A Derradeira Profecia”, a Vermelha e Branca aborda a profecia não cumprida de Rosa, em Portugal, de que o Rio de Janeiro se inundaria e ela se casaria com Dom Sebastião I, fundando um novo império. Por isso, no sexto setor, “Uma santa negra no céu”, a Viradouro retrata o legado de Rosa para o Brasil e a aclama como a santa do povo, recebendo a coroa da escola.

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Na avenida, o enredo da Unidos do Viradouro se mostrou de maneira coesa, clara e linear. As alegorias da escola, somadas ao conjunto de fantasia cumpriram com maestria o papel de desenvolver com clareza a homenageada do enredo da Vermelha e Branca. Até mesmo os dois últimos setores da escola, quando Tarcísio Zanon e o enredista João Gustavo Melo partiram para o caminho da profecia de Rosa com sua aclamação ao fim, foi entendida com clareza na avenida.

Alegorias e Adereços

Para contar a história de Rosa Maria Egipcíaca, a Unidos do Viradouro levou para avenida seis alegorias e três tripés. O conjunto alegórico da escola impressionou pelo apuro estético, a boa escolha de cores e o apreço com o acabamento e detalhes. Os principais destaques da escola no quesito foram o primeiro tripé, “Uma gota se faz oceano”, no qual veio um grande tanque de água, os dois primeiros carros da escola, “Turbilhão de Memórias” e “O desaguar no Rio” e a quarta alegoria, “A batalha espiritual”, com tons fortes de vermelho, dourado e cinza. O último quarto da Vermelha e Branca, “A santa que o povo aclamou”, impactou o público pela presença do primeiro casal da escola, Julinho Nascimento e Rute Alves, e uma atriz interpretando a homenageando. Além disso, a sexta alegoria também tinha um letreiro com o nome da escola formado por flores.

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Fantasias

O conjunto de fantasias apresentado pela Unidos do Viradouro no carnaval de 2023 se destacou pela beleza estética, boa leitura da mensagem a ser transmitida e assertividade na variação de cores no decorrer do desfile. No primeiro setor da escola, se notou um predomínio das cores laranja, marrom e azul, ao tratar da saída de Rosa da África para o Brasil. Para tratar da ida da homenageada às Minas Gerais, as fantasias ganharam mais tons de dourado e vermelho, cor que também apareceu bastante no terceiro setor. Nos últimos setores, as fantasias da escola foram ganhados tons mais leves e claros, como rosa e azul no setor 5. A se destacar também no quesito o belo trabalho de maquiagem realizado pela escola em seus componentes. De maneira geral, as fantasias da Viradouro apresentaram muita regularidade. Mesmo assim, a ala de baianas da escola, representando “A devoção a Santana” e a primeira ala, “A menina Courá”, merecem grande destaque pelo primor estético e delicadeza nos detalhes.

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Samba-Enredo

Composto por Claudio Mattos, Dan Passos, Marco Moreno, Victor Rangel, Lucas Neves, Deco, Thiago Meiners, Valtinho Botafogo, Luis Anderson, Jefferson Oliveira e Bertolo, o samba-enredo da Unidos do Viradouro se provou e fez uma apresentação impecável na Marquês de Sapucaí. Superando algumas desconfianças por sua característica melodiosa, a obra sustentou perfeitamente o canto da comunidade viradourense. O trecho final do samba, “Eu sou a santa que o povo aclamou”, no qual a bateria realizava um “apagão”, juntamente com o refrão principal, foram os mais cantados pelas alas da Vermelha e Branca.

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Outros Destaques

A “Furacão Vermelho e Branco”, comandada pelo experiente Mestre Ciça, representou o Padre Francisco Gonçalves Lopes, “Xota Diabos”. O Mestre veio vestido de “Tutor Espiritual”. A rainha de bateria da escola, Érika Januza, vestiu uma bela fantasia prateada e vermelha intitulada “Afecto”. Ao longo da avenida, a “Furacão” apostou em bossas que levantaram o público, principalmente a realizada no refrão do meio do samba, em que ritmistas se abaixavam e permaneciam em pé somente os agogôs, atabaques e chocalhos. Outro ponto alto foi o apagão realizado no final do samba, no qual a comunidade cantava “Eu sou a santa que o povo aclamou”.

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No final do desfile da escola, a Viradouro trouxe de destaque diversas personalidades negras referências em suas funções, em um grupo chamado “O Brasil de muitas Rosas”. No grupo de convidadas, vieram personalidades como Luana Xavier, Luiza Brasil, Mariana Sena, Patrícia Costa e Salete Lisboa.