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‘Vai pensando que a gente só reza’, escola do Padre chega no Grupo de Acesso I e quer mais; Conheça a história

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Há tempos é visto que a Dom Bosco de Itaquera é uma escola de samba diferente, desde o seu lema ‘Vai pensando que a gente só reza’, presidida pelo Padre Rosalvino, a agremiação é o inverso da maioria que tem uma obra social a partir do samba, pois a Dom Bosco tem uma escola de samba oriunda da obra social. Após o acesso, conversamos com personagens da escola de samba fundada em 5 de fevereiro de 2000, que nos contaram um pouco sobre a história e ligação com a comunidade de Itaquera.

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Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

História através dos personagens

A partir da sua obra social, a Dom Bosco de Itaquera, fundada pelo padre salesiano Rosalvino Moran Vinãyo, foi ganhando espaço e subindo divisão por divisão, em 2010 já estava no Grupo de Acesso II, onde batia na trave para subir à segunda divisão. O intérprete Rodrigo Xará contou sobre sua chegada na Dom Bosco e mais detalhes sobre a agremiação.

“É meu segundo ano, é uma escola totalmente diferente. Já começa pelo Padre que é nosso presidente, a obra social. Nós somos um projeto da obra social Dom Bosco, a escola de samba é um projeto. É meu segundo ano, vim a convite do Danilo, do Carlos, e a comunidade é maravilhosa, não tenho nem o que falar, eles abraçam o projeto, cantam mesmo, então só agradecer, estou muito feliz”.

Um dos membros da comissão artística que geriu o projeto da azul, amarelo e branco, Alexandre Callegari explicou sobre o projeto para o site CARNAVALESCO.

Alexandre DomBosco

“A Dom Bosco é uma escola basicamente nova, diferente, temos um Padre como presidente, viemos fazendo esse trabalho aí, como sempre falamos, a Dom Bosco não é uma escola que tem uma obra social, é uma obra social que tem uma escola de samba. Isso é muito bonito, pois fazem com que pessoas se envolvam, pessoas da comunidade, trabalhem em prol da escola, por conta da obra social, então é um trabalho maravilhoso que eles fazem em Itaquera. Tenho maior orgulho de participar de tudo isso, o Padre Rosalvino está aqui, feliz, conseguimos esse acesso inédito, resultado histórico para a Dom Bosco, só agradecer”.

Chegada na escola

Dois personagens da Dom Bosco de Itaquera contaram um pouco sobre o contato com a comunidade oriunda de uma obra social, primeiramente Alexandre falou da sua ligação com o carnavalesco Danilo Dantas.

“Particularmente comecei no carnaval desde pequeninho, venho de São Bernardo do Campo, quando tinha nossa escola lá. Através do convite do Danilo (Dantas), nos conhecemos em 2018, vim ajudar ele aqui. Quando ele iniciou na Dom Bosco, e aí começou eu trabalhar junto com ele. Vim acabar fazendo o trabalho na Dom Bosco, trabalho maravilhoso, muito importante, não só para mim, mas para a escola, toda comissão artística. Fizemos uma divisão, cada um cuidou de uma parte, e isso foi o principal e fundamental para conseguir o resultado que conseguimos”.

MestreBola DomBosco

Enquanto o Mestre Bola comemorou bastante o acesso no terceiro ano na comunidade: “Cheguei em 2019, esse foi o terceiro carnaval, que não teve em 2020, sentimento é de gratidão, e de alívio também, dois anos batendo na trave, maravilhoso, não tem o que falar, só agradecer”.

Saldo da temporada de 2023

O intérprete Rodrigo Xará era um dos mais entusiasmados no desfile das campeãs, aparecendo até mesmo em uma alegoria. Após o desfile que consagrou o vice-campeonato e o acesso da comunidade, comentou sobre a relação e a importância do acesso.

“Ano passado doeu, acho que foi a única escola de todos os grupos que gabaritou, infelizmente, costumo dizer que estava tão bom que esquecemos da hora, mas em nenhum momento abaixamos a cabeça, aguardamos, trabalhamos e sabíamos que viríamos forte. E graças a Deus deu tudo certo. Estamos aqui agora, para nós é um orgulho, estar dentre as grandes do carnaval de São Paulo, mas vamos vir muito forte para o ano que vem”.

RodrigoXara InterpreteDoMBosco

Mestre Bola, que comandou a Bateria Gloriosa no ano do acesso, fez sua análise sobre desempenho geral: “Foi tudo certinho, ala musical, bateria, casamento perfeito, foi muito bem, tranquilo”.

Por fim, Alexandre da comissão artística, aprovou todo desenvolvimento do trabalho e o enredo: “O enredo veio desde lá de trás, daí foi se trabalhando de que forma que íamos trabalhar Heitor Villa-Lobos, nós escolhemos a parte das obras e trouxemos para a avenida. É um trabalho muito bacana, bonito, não sei nem o que falar”.

Mirando 2024

Com o planejamento em andamento, os três personagens contaram o que esperar da Dom Bosco na próxima temporada, estreando no Grupo de Acesso I, vulgo segunda divisão do carnaval paulista. O intérprete Rodrigo Xará foi o primeiro a dizer sua previsão.

“Em 2024 estamos preparando um baita enredo, a Dom Bosco tem essa questão de enredo bem bacana, mesmo antes de eu entrar, e ano que vem vai vir um enredo que olha, promete muito, mas pode esperar que vamos vir forte no Acesso I, fazer um belo desfile com certeza”.

Mestre Bola foi rápido para avaliar o que espera da sua bateria: “Mais empenho, para agora, tentar manter os 40 pontos”.

Por fim, Alexandre já deu um pequeno spoiler dando a entender que o projeto já está em andamento para o próximo ano: “Um carnaval muito forte, vamos batalhar muito para que a gente se mantenha no grupo em primeiro lugar, pensamento primordial é se manter no grupo, vamos vir forte, canto forte que a escola tem, a evolução forte que escola tem. Trabalhar cada dia que passa, os detalhes, e de fato se manter no grupo, manter-se entre as grandes para que busque a ascensão mais rápida possível”.

Luto no samba! Morre Magrão, da Companhia dos Técnicos

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Faleceu no domingo, José Sartório, o Magrão, aos 64 anos, vítima de um infarto fulminante. Durante mais de 30 anos, ele ocupava o cargo de supervisor técnico na Companhia dos Técnicos, local em que são gravados os discos de sambas-enredo. Além de atuar também no Sambódromo, na direção de som, com os mestres de bateria.

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Foto: Reprodução de internet

O Magrão participou de ravações com artistas consagrados, Mana Caymmi Raimundo Fagner, Zeca Pagodinho, Maria Rita, Lulu Santos, Padre Fábio de Melo, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tom Jobim, e muitos outros.

Sambistas homenagearam Magrão nas redes sociais. Veja abaixo. 

Alemão do Cavaco: “Carambaaaaa Começar a semana assim, será bem difícil, nunca estamos preparados pra essa separação, mesmo que seja momentânea. Foram mais de 20 anos de amizade, parceria e muito carinho. Sempre que eu gravava no @ciadostecnicos , a única certeza é que ele estaria lá, feliz , com seu sorriso e pronto pra tudo.

Na marquês de Sapucaí, ele sempre no recuo do setor um, esperando que a bateria e o carro de som se posicionasse, pra ele prontamente nos atender. Nunca vi uma reclamação, nunca vi um corpo mole em seu trabalho, sempre recebido daquele jeito:
Alemaooooooo, ele fazia!

Vai em paz meu irmão, vai pra um lugar de luz e espero que com muitos dos nossos amigos sambistas e do bem! Te amo José Sartori! (Magrão)”.

Rafael Prates: “Grande irmão, amigo e ser humano incrível! Pronto pra tudo e pra todos… Obrigado Magro Descanse em paz meu amigo e parceiro de vida”.

Wic Tavares: “Mentiraaaaaa como assim”.

Igor Leal: “Ah meu Deus…”.

União de Maricá renova com mestre de bateria para a Série Ouro

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A União de Maricá acertou a renovação com o mestre de bateria Paulinho Steves, que irá para o terceiro ano à frente da Maricadência. Filho do mestre Esteves, que ficou anos à frente da bateria da Estácio de Sá, Paulinho começou cedo no mundo do samba. Por influência do pai, foi componente da escola mirim Semetinha do Estácio, em 1996. De lá para cá, ele trabalhou na direção de bateria da Alegria da Zona Sul, União da Ilha do Governador e Grande Rio, Unidos de Padre Miguel e Porto da Pedra. Desde o desfile de 2022, o mestre comanda a Maricadência. Steves mostra felicidade em seguir à frente do segmento para a estreia na Sapucaí:

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Foto: Vinicius Lima/Divulgação

“Gostaria de agradecer à escola por confiar no meu trabalho à frente da bateria Maricadência. Este sonho, de chegar à Série Ouro, era um desejo de cada um de nós. Será a estreia da União de Maricá e a minha como mestre, na Sapucaí. Irei dar o meu melhor ao lado de todos os diretores e ritmistas. Somos uma família e será a maior experiência da minha vida”, afirma Paulinho, que completa fazendo uma menção especial:

“Queria agradecer a minha avó Creuza, que uma vez havia dito que iria me ver no comando da bateria da União de Maricá na Marquês de Sapucaí. Infelizmente, ela não está mais aqui, mas sei que está olhando por mim e muito feliz por realizar este sonho”, finaliza o mestre.

Paulinho Steves é o primeiro profissional com contrato renovado. Até o momento, a União de Maricá já contratou o diretor de carnaval Wilsinho Alves, o intérprete Nino do Milênio e o coreógrafo Patrick Carvalho.

Exposição no MIS-RJ mostra a origem da arte negra no carnaval

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A origem da arte negra no carnaval é o grande destaque da exposição “Nossas sensações não são nossas”, no MIS, Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. A mostra promove um encontro entre arte contemporânea, música e carnaval, exaltando a arte negra na festa popular. A mostra pode ser vista até 5 de maio, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. O Museu da Imagem e do Som fica na Lapa, região central da capital fluminense.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

A exposição, que faz a integração de obras do acervo do MIS, com as artistas da atualidade, leva o público a refletir sobre como uma criação do passado ainda pode repercutir no tempo presente.

E, a curadora Ana Paula Rocha, enfatiza que os artistas reverenciados na exposição – como Heitor dos Prazeres, Clementina de Jesus, Aracy de Almeida, Sinhô e o grupo Os Oito Batutas integrado por Pixinguinha, por exemplo – são homens e mulheres, todos negros, que tiveram a coragem de criar arte, fazer Carnaval e levar reflexões e felicidade para um Brasil extremamente racista e hostil.

A curadora explicou que os artistas negros do passado foram, muitas vezes perseguidos, evidenciando em suas músicas não só alegrias, mas práticas de exclusão. Já os artistas de hoje vêm para dialogar com essas obras, demonstrando muitas vezes ressonância entre essa produção e as suas próprias, fazendo ecoar imagens, sons e a mesma luta nos tempos atuais.

Segundo Ana Paula, o título da exposição é um trecho de um depoimento para posterioridade – projeto de memória do museu – de Alberto Ribeiro, um dos compositores da marchinha Chiquita Bacana. Ele comentou que a inspiração era fruto de experiências coletivas.

* As informações são da Agência Brasil

Mestre Vitinho segue à frente da bateria do Império Serrano para próximo carnaval

Pelo terceiro ano consecutivo, a Sinfônica do Samba será comandada pelo mestre de bateria Vitinho. Campeão da Série Ouro em 2022, ele foi um dos destaques do Reizinho de Madureira no último desfile, alcançando os 30 pontos.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Filho de Faísca e neto de Alcides Gregório, Vitinho faz parte da terceira geração de sua família no comando da premiada bateria do Império Serrano. Ele agradece a oportunidade de seguir com o trabalho na Sinfônica para o próximo ciclo carnavalesco:

“Estou muito feliz em poder continuar no Império. Aqui fui criado, pude crescer e irei para o terceiro desfile como mestre de bateria. O trabalho tem sido muito positivo e as notas dizem isso. Agradeço a oportunidade dada pelo Flavinho, nosso presidente eleito, e tenho convicção que faremos mais uma grande apresentação em 2024”, destaca Vitinho.

No último Carnaval, o Império Serrano apresentou o enredo “Lugares de Arlindo”, no Grupo Especial. A escola da Serrinha vai buscar a volta à elite no próximo ano, quando irá desfilar pela Série Ouro, na sexta-feira ou no sábado, na Marquês de Sapucaí.

Aclamado presidente, Flávio França comandará por três anos o Império Serrano

O Império Serrano conheceu o seu novo presidente na manhã deste domingo, 26, em Assembleia Geral realizada em sua quadra, em Madureira. Flávio França, o Flavinho, foi eleito o novo presidente da escola de samba para o triênio 2023-2026. Sua escolha foi por aclamação, pois somente a Chapa “Serrinha custa, mas vem” havia sido inscrita para participar do pleito.

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Foto: Emerson Pereira/Divulgação

Na composição da nova chapa, apenas duas mudanças em relação à atual diretoria administrativa do Reizinho de Madureira. Flávio França entra no lugar de Sandro Avelar à frente da presidência, com José Luiz Escafura tornando-se o novo vice-presidente de carnaval, cargo ocupado até então por Paulo Santi. Márcio Araújo, Wagner Rogério e Paula Maria seguem como vices financeiro, social e cultural, respectivamente.

Para o Conselho Deliberativo, Valdemir dos Santos Lino (Priminho) será o presidente e Wanderley Marzzano o vice. Já Oswaldo Pereira vai assumir a presidência do Conselho Fiscal, tendo Miltinho como vice.

A partir desta segunda-feira, terá início o processo de transição entre a gestão Sandro Avelar para a de Flávio França. O novo presidente será empossado no dia 21 de maio, em nova Assembleia Geral, dando início ao seu mandato de maneira oficial, que terá como objetivo reconduzir o Império Serrano ao Grupo Especial.

Artigo: ‘Vejo alguns sambistas que apontam excesso de enredos com temáticas afro, indígena ou nordestina; Em que mundo estão?’

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Confesso que tento entender pessoas que apenas curtem carnaval de escola de samba falarem em enredos repetitivos, desfiles iguais e outras narrativas que desfavorecem os artistas e a cultura popular. Agora, o que me revolta é ler opinião de “gente nossa” com as mesmas asneiras.

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Fotos: Riotur/Divulgação

Quando vejo essas pessoas escrevendo que não aguentam mais temática afro, nordestina e indígena, eu penso como elas descobriram essa paixão que dizem ter pelas escolas de samba. Não cabe gostar de carnaval e achar essas temáticas repetitivas e que deveriam ficar fora dos desfiles.

Desde que meu pai me apresentou ao mundo das escolas de samba, lá pelos meus 10 anos de idade, que aprendo constantemente com os enredos e desfiles. Como branco, privilegiado, fui criado no catolicismo, e, pela vivência no mundo do carnaval, sempre confrontei preconceitos sobre religião de matriz africana e escolas de samba. A minha infância e adolescência foi baseada nos ensinamentos dos artistas das escolas de samba. Agradeço e muito aos meus pais.

A minha formação adulta ainda recebe cada vez mais estimulos culturais e educacionais vindos dos saberes das escolas de samba. Acima de tudo, respeito e celebro, tudo que aprendi assistindo na Avenida aos desfiles ou vivendo nas quadras.

Por isso, fico revoltado, triste e decepcionado quando leio comentários absurdos de sambistas (não sinto bem em julgar quem é ou não sambista, aliás, eu detesto quem faz isso) que não entendem que o discurso de uma escola de samba está 100% baseado na cultura preta, popular, nos saberes e ensinamentos das religiões de matriz africana.

Melhor momento artístico do carnaval?

Não vejo problema na sinergia com a Academia e os intelectuais, pelo contrário, esse encontro gera conhecimento para os acadêmicos e para os componentes. Oportunidade de fazer o trabalho educacional, pouco valorizado, que acontece dentro das quadras. A escola de samba é tão forte que comporta gera saberes para todos. O repúdio fundamental é ao preconceito e aos malfeitos de quem tenta destruir nossa cultura.

Estamos aprendendo, como nunca, nos enredos propostos por Leandro Vieira, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, Tarcísio Zanon, Jack Vasconcelos, Annik Salmon e Guilherme Estevão, André Rodrigues, entre outros. Certamente, o momento dos artistas que produzem os desfiles é um dos melhores da história do carnaval. Posso colocar no momento patamar dos artistas que chegarem nos anos 1960.

Aqui, eu deixo um pensamento, que pretendo abordar em outro texto, não esperem de mim o cancelamento de ninguém, seja por questão política ou por falta de educação social. Como citei acima, cresci louvando os artistas do carnaval e minha memória afetiva ultrapassa limites que não são toleráveis para outras pessoas. É pessoal, e, como vivo no mundo político profisionalmente, também sei que muitos idolatrados, não “rezam a missa” como seus fãs de carteirinha acreditam.

Sinal de mudança 

É bom perceber que os presidentes estão “comprando” os enredos com discursos. Sinal de mudança. Acredito que não seja tão racional e mais passional, ou seja, estão percebendo os resultados e dando corda aos artistas. Não sei se a liberdade é 100%, mas isso agora não vem ao caso. Necessário é notar o entendimento que a sinalização de um grande enredo, pode gerar um grande samba e quem sabe um ótimo desfile.

Assim, eu torço e celebro que tenhamos mais e mais enredos de temáticas afro, indígena e nordestina. É a formação do povo brasileiro. Aliás, viva o povo! Ele é o dono do espétáculo!

Carnavalescos da Grande Rio dizem que enredo de 2024 começou a ser pensado em 2016: ‘Pensa o Brasil de hoje, terra indígena, tão complexo e diverso’

Artistas responsáveis pelo desfile da Grande Rio, os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora disseram que o enredo para o Carnaval 2024, “Nosso destino é ser onça”, começou a ser pensado em 2016, através do livro do escritor Alberto Mussa que “restaura” o mito tupinambá da criação do mundo, os artistas propõem uma reflexão sobre a simbologia da onça no cenário artístico-cultural brasileiro, tocando em temas como antropofagia e encantaria. A sinopse do enredo será divulgada em breve.

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Foto: Raphael Lacerda/Site CARNAVALESCO

“Começamos a pesquisar esse enredo em 2016. O livro de Alberto Mussa narra que a onça possui papel central na cosmovisão dos Tupinambá, dado que nos levou a pensar na importância dessa simbologia para as narrativas míticas de outras nações indígenas brasileiras e latino-americanas. Assim o enredo foi sendo costurado, pegada por pegada, caminhando pelos impérios sertanejos da Pedra do Reino, pela memória de alguns carnavais incríveis, pela utilização da onça enquanto símbolo de lutas do presente, vide a produção de uma série de artistas e coletivos contemporâneos. Não é um enredo preso ao passado, fora do tempo: é uma narrativa de eterna devoração, que salta para o futuro e pensa o Brasil de hoje, terra indígena, tão complexo e diverso em sua riqueza cultural”, destacou Haddad.

Sobre a proposta estética do desfile de 2024, Leonardo Bora adianta que o público verá na Avenida já pode ser percebido no cartaz de divulgação do enredo, elaborado pela dupla em parceria com o artista Aislan Pankararu.

“A arte de Aislan nos faz refletir sobre as ideias de cura, semeadura, floração, transformação. É interessante como a onça está diretamente associada a rituais xamânicos de cura, ocupando posição destacada em um sem fim de histórias, causos, mitos, narrativas de artistas tão expressivos como Rosa Magalhães e Guimarães Rosa. A gente está bebendo desse caldo, construindo um enredo que parte do mito tupinambá para visões e projeções muito contemporâneas – daí a importância do diálogo, já na arte de divulgação do enredo, com a produção de um jovem artista como Aislan Pankararu. Mais uma vez, não é algo óbvio, mas um cartaz com diferentes técnicas artísticas, como pintura, fotografia e bordado, algo que nos encanta bastante. Fazer arte, para nós, é provocar, instigar, gerar discussão, é movimento. Foi assim com Exu e será assim novamente”, demarca Bora.

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Rosas de Ouro anuncia Carlos Jr. como novo intérprete para o Carnaval 2024

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A Rosas de Ouro anunciou na manhã deste sábado a contratação do intérprete Carlos Jr. Ele estava no Tucuruvi no Carnaval 2023. Confira abaixo o vídeo da escola.

‘Nosso destino é ser onça’ é o enredo da Grande Rio para o Carnaval de 2024

Uma Grande Rio que volta a aprender com a sabedoria das florestas, a mergulhar nas cosmovisões dos povos originários e a passear, encantada, por causos, lendas, matas e giras: eis a proposta do enredo “Nosso destino é ser onça”, mais uma criação autoral dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. Guiados pela narrativa mítica de “Meu destino é ser onça”, livro do escritor Alberto Mussa que “restaura” o mito tupinambá da criação do mundo, os artistas propõem uma reflexão sobre a simbologia da onça no cenário artístico-cultural brasileiro, tocando em temas como antropofagia e encantaria. A sinopse do enredo será divulgada em breve.

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Pôster ilustrativo do enredo elaborado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora com a colaboração do artista Aislan Pankararu.

Essa “proposta de devoração”, como denominam os carnavalescos, vem sendo pesquisada há 7 anos, como destaca Haddad: “Começamos a pesquisar esse enredo em 2016. O livro de Alberto Mussa narra que a onça possui papel central na cosmovisão dos Tupinambá, dado que nos levou a pensar na importância dessa simbologia para as narrativas míticas de outras nações indígenas brasileiras e latino-americanas. Assim o enredo foi sendo costurado, pegada por pegada, caminhando pelos impérios sertanejos da Pedra do Reino, pela memória de alguns carnavais incríveis, pela utilização da onça enquanto símbolo de lutas do presente, vide a produção de uma série de artistas e coletivos contemporâneos. Não é um enredo preso ao passado, fora do tempo: é uma narrativa de eterna devoração, que salta para o futuro e pensa o Brasil de hoje, terra indígena, tão complexo e diverso em sua riqueza cultural.”

Sobre a proposta estética do desfile de 2024, Leonardo Bora adianta que o público verá na Avenida já pode ser percebido no cartaz de divulgação do enredo, elaborado pela dupla em parceria com o artista Aislan Pankararu. “A arte de Aislan nos faz refletir sobre as ideias de cura, semeadura, floração, transformação. É interessante como a onça está diretamente associada a rituais xamânicos de cura, ocupando posição destacada em um sem fim de histórias, causos, mitos, narrativas de artistas tão expressivos como Rosa Magalhães e Guimarães Rosa. A gente está bebendo desse caldo, construindo um enredo que parte do mito tupinambá para visões e projeções muito contemporâneas – daí a importância do diálogo, já na arte de divulgação do enredo, com a produção de um jovem artista como Aislan Pankararu. Mais uma vez, não é algo óbvio, mas um cartaz com diferentes técnicas artísticas, como pintura, fotografia e bordado, algo que nos encanta bastante. Fazer arte, para nós, é provocar, instigar, gerar discussão, é movimento. Foi assim com Exu e será assim novamente”, demarca Bora.

Aislan Pankararu, o artista a que Leonardo Bora faz referência e cujo trabalho não apenas inspirou, mas pode ser visto na peça de divulgação do enredo, é nascido em Petrolândia, Pernambuco. Ele é originário do povo Pankararu e formado em Medicina. Segundo Aislan, seu trabalho nasce “da memória de suas origens, da necessidade de entrar em contato e expressar a sua ancestralidade.” Já o livro que orienta a construção do enredo foi publicado originalmente em 2009 e se trata de um experimento literário do escritor Alberto Mussa, que, a partir da leitura crítica dos relatos de cronistas como André Thevet e Hans Staden, propôs a restauração do mito tupinambá, narrativa fantástica que explica a importância das ideias de devoração e transformação para os povos originários brasileiros. Os carnavalescos exaltam a troca com o autor: “As conversas com Alberto Mussa foram muito importantes para a expansão do nosso olhar criativo, algo em permanente processo. Apostamos em um samba forte, valente, com a ‘pegada’ de que os torcedores tricolores tanto gostam. É por essa trilha que estamos seguindo”, destaca Haddad.