O Império Serrano tem um novo nome confirmado em sua equipe para 2024. O diretor de carnaval Jeferson Carlos reforça o Reizinho de Madureira para conduzir a construção do próximo desfile da escola, que vai buscar o retorno à elite. Ele é um dos diretores gerais de harmonia do Paraíso do Tuiuti, no Grupo Especial, e foi da direção da Vigário Geral no último desfile, na Série Ouro.
Foto: Pedro Siqueira/Divulgação
Jeferson Carlos tem vasta experiência como diretor de carnaval, com passagens pela Estação Primeira de Mangueira, Caprichosos de Pilares, União do Parque Curicica e Unidos de Bangu. Como diretor de barracão, ele trabalhou na Grande Rio e na Unidos de Padre Miguel, sempre alcançando boas colocações.
“Trabalhar no Império Serrano é motivo de orgulho para qualquer profissional. É uma grande escola, tradicional e que vem passando por um processo de reformulação. Agradeço a confiança do presidente Flávio França para poder estar neste projeto que vai buscar o acesso ao Grupo Especial”, destaca o diretor.
Em 2024, o Império Serrano vai desfilar na Série Ouro, na sexta-feira ou sábado de carnaval. A escola vem montando a sua equipe visando a disputa do título e, consequentemente, a vaga na elite da folia carioca.
A União de Maricá segue reforçando a sua equipe para o Carnaval 2024. E mais um grande nome chega para somar no projeto da escola que vai estrear na Série Ouro. Trata-se do carnavalesco André Rodrigues, que também vai desenvolver o desfile da Portela, no Grupo Especial.
Foto: Emerson Pereira/Divulgação
Neste ano, André Rodrigues foi carnavalesco da Beija-Flor de Nilópolis e da Acadêmicos de Niterói. Em sua trajetória, o profissional também trabalhou na Mocidade Unida da Mooca, de São Paulo, e Acadêmicos do Sossego. Ele comenta sobre a sua chegada na escola maricaense:
“É muito bom ser reconhecido e receber esse convite. Entendo Maricá como um mundo de possibilidades que iremos criar juntos. Fico feliz de já encontrar na casa amigos e profissionais que fiz nesta minha curta jornada, além de conhecer novas pessoas que me trouxeram conforto e segurança no empenho de fazer um belo carnaval”, afirma André Rodrigues.
Com a chegada do carnavalesco, a União de Maricá vai estruturando ainda mais o seu time para 2024. A escola já contratou o diretor de carnaval Wilsinho Alves, o coreógrafo Patrick Carvalho, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Fabrício Pires e Giovanna Justo e o intérprete Nino do Milênio, que vai dividir o microfone oficial com Matheus Gaúcho.
O Acadêmicos de Niterói terá uma nova dupla para defender o seu primeiro pavilhão na Marquês de Sapucaí. João Oliveira e Duda Martins formam o novo 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira da Caçulinha da Série Ouro. No carnaval de 2023 participaram do desfile da Niterói na última alegoria, representando a Viradouro, escola que ambos defendem o terceiro pavilhão.
Foto: Divulgação/Acadêmicos de Niterói
Duda Martins começou a dançar aos cinco anos de idade. Fez parte do projeto de casais de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos do Viradouro, onde ganhou o concurso para o cargo de terceira porta-bandeira. Tem passagens pela Independentes de Olaria, Cacique de São José, Lins Imperial e atualmente é terceira porta-bandeira da Viradouro.
“É uma grande responsabilidade defender o primeiro pavilhão da Niterói. Confesso que sonhava com isso a bastante tempo, aliás, qual porta-bandeira não sonha em ser primeira, não é mesmo?! Fico muito feliz com essa oportunidade, me sinto confiante e a cada dia que passa me apaixono mais pela arte de mestre-sala e porta-bandeira. O convite foi surpreendente, por um minuto achei que estava em um sonho, aceitei o cargo, confiante que posso ir muito além do que eu imagino”, revelou Duda.
João Oliveira também fez parte do projeto de casais da Unidos do Viradouro e através do concurso tornou- se 3° mestre-sala da agremiação. Defendeu nota por cinco anos na G.R.E.S Independentes de Olaria, carregando a felicidade do primeiro título e a nota máxima para a agremiação, entre alguns prêmios. Tem passagens pelo Cacique de São José, Lins Imperial e atualmente é o terceiro mestre-sala da Viradouro.
“Sem dúvida é uma grande responsabilidade defender o primeiro Pavilhão. Estamos realizando mais um sonho, estrear na Série Ouro defendendo a nota. Estou muito honrado em defender o pavilhão da Azul e Branco de Niterói, escola pela qual criamos afeto já no seu primeiro desfile na Sapucaí, pois fizemos uma participação representando o carnaval de Niterói (representando a Viradouro), na última Alegoria da escola. Em uma mistura de destino e muito trabalho que chegamos muito confiantes”, finalizou João.
Montando seu time para 2024, a azul e branca da cidade sorriso já anunciou Tiago Martins como novo carnavalesco e Fábio Batista como coreógrafo da comissão de frente.
A força da torcida da Mocidade Independente de Padre Miguel é absurda. Não tenho dúvida que entre as pessoas nascidas nos anos 1980 e 1990 ela tem o maior número de apaixonados. É impressionante o volume de Independentes. Após passar por tempos difícies no início dos anos 2000 e até meados dos anos 2010 veio o ressurgimento. Porém, os dois últimos anos foram tenebrosos, inclusive, em 2023, a escola correu muito risco de ser rebaixada. O torcedor está machucado.
Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO
O resultado de 2022 e 2023 gerou pedidos de desculpas da direção. Na primeira vez, os componentes acreditaram e compraram a causa. Nada mudou, pelo contrário, infelizmente, piorou. Agora, o torcedor ainda machucado quer acreditar novamente. A paixão não tem limite e não pode ter mesmo. Porém, como confiar que será diferente?
É óbvio que a atual direção não tem nenhuma relação com as inúmeras penhoras que a Mocidade ainda passa, fruto de péssimas gestões anteriores. Os culpados seguem por aí, usaram e abusaram de benefícios, e deixaram dívidas e mais dívidas. É nítido também que essa direção tem totais condições de apoiar mais, principalmente, financeiramente. Querer é poder. É preciso respeitar quem não quer, mas também não é viável pedir racionalidade para torcedor.
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
O desfile de 2023 foi complicado demais. Até o momento da apuração, eu não tinha dúvida que a Mocidade, infelizmente, brigaria para ficar no Grupo Especial, inclusive, achava difícil permanecer. Afinal, em nenhum momento, cogitei o rebaixamento do Império Serrano. Por outro lado, eu sabia que a Verde e Branco da Zona Oeste tinha quesitos fortes, principalmente, seu casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo e Bruna, além da bateria, comandada por mestre Dudu. Eu também confiava no trabalho do carnavalesco Marcus Ferreira, no coreógrafo Paulo Pina e na categoria de Marquinho Marino, um dos melhores diretores de carnaval. Foi assim. O grupo todo salvou a Mocidade. Não sei se foi justo, mas o certo é afimar que os citados conseguiram manter a escola no Especial.
Casal da Mocidade impecável no Carnaval 2023. Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
Voltando ao resgate da Mocidade é preciso enaltecer a comunidade. Desde o título de 2017 é bonito e significativo assistir aos ensaios de rua na Vintém. Estão no hall dos melhores. Aí, a gente já esbarra em um entrave de 2023. A Mocidade começou a ensaiar na rua apenas em janeiro. Não pode. É custo? Ok, mas quem está no Grupo Especial tem que saber que ensaiar desde novembro, inicialmente, na quadra, e depois na rua, a partir de dezembro, é condição fundamental para realização de um bom desfile.
O título em 2017, junto com a Portela, devolveu o patamar de escola de samba que está sempre entre possíveis favoritas ao título. No início, mérito de Rodrigo Pacheco e Marquinho Marino. A dupla recuperou a escola. Houve um afastamento, muito falatório, acusações, e quem saiu perdendo foi a Mocidade.
No contexto do resultado foi fundamental as escolhas dos enredos, principalmente, a presença do jornalista Fábio Fabato, como enredista e autor da sinopses. Seus projetos foram essenciais para que grandes sambas-enredo fossem construídos. Por diversos anos consecutivos, a Mocidade entrou no ranking dos melhores sambas de cada carnaval.
Castorzinho é exemplo de ação perfeita do marketing da Mocidade. Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Acho desleal colocar a culpa dos resultados de 2022 e 2023 nos carnavalescos Fábio Ricardo e Marcus Ferreira. O primeiro veio de um bom desfile pela Unidos de Padre Miguel, enfrentou dificuldades não imaginadas na Mocidade e não suportou. Chegou até o fim, mas sem levar seu projeto para pista.
O segundo é um grande artista, torcedor declarado, e que foi essencial para Mocidade não despencar esse ano. O trabalho de Marcus Ferreira recebeu o reconhecimento do torcedor Independente. Chegou a ganhar um prêmio Estandarte de Ouro, do jornal O Globo, por conseguir tirar da cabeça o que não tinha no bolso. A torcida é que tenha estrutura para conseguir, enfim, tocar tudo o que sonha para a Estrela Guia.
A direção ainda passará por uma eleição presencial. Faz parte da democracia. Como também faz parte, infelizmente, o falatório repleto de acusações que só minam a escola e afetam o sentimento de quem realmente ama a agremiação. O componente espera que o processo eleitoral previsto para esse mês passe o mais rápido possível e a Mocidade escreva novas páginas.
O que esperar para 2024?
Zé Paulo Sierra veio para o lugar de Nino do Milênio. Era um sonho antigo da Mocidade e do próprio Zé. Não sei se o momento é o adequado. Torço que sim. Lamento a saída do Nino que é um profissional sério, dedicado e que trabalhou demais para o Carnaval 2023. Por outro lado, imagino que Zé Paulo mexerá demais com o coração dos torcedores.
A direção de carnaval ainda me preocupa. Marquinho Marino saiu (bom para ele que vai respirar novos ares, mas péssimo para agremiação que perde um dos melhores diretores de carnaval). Ainda não se sabe se a escolha do novo diretor será prata da casa ou virá de fora. Talvez, a melhor solução seja pegar em casa, afinal, o mercado de direção de carnaval está fechado. A escola confirmou que o coreógrafo Paulo Pina segue no comando da comissão de frente. O artista merece. A direção de harmonia de 2023 saiu, mas ainda não foi divulgado quem entra. Os demais segmentos seguem para 2024. O Independente não vai parar de acreditar, afinal, a estrela nunca para de brilhar.
A Estação Primeira de Mangueira lamentou a morte de Tancredo Augusto de Oliveira Silva, de 38 anos, passista da escola, que estava desaparecido desde o temporal que caiu no Rio de Janeiro, na noite de quinta-feira, e que fez o sambista cair no canal do Rio Joana, no Maracanã, Zona Norte do Rio.
Tancredo Augusto de Oliveira Silva tinha 38 anos. Foto: Reprodução redes sociais
Os Bombeiros encontraram o corpo de Tancredo Augusto de Oliveira Silva neste domingo e a família fez o reconhecimento.
“Com um sentimento de profunda tristeza, lamentamos o falecimento de nosso passista Tancredo Augusto.
Sempre alegre e muito querido, Tancredo fez sua história na Estação Primeira de Mangueira, onde, desde criança construiu seu caminho no carnaval e na vida.
Sua partida precoce deixará muita saudade. Em nome da presidenta Guanayra Firmino e sua diretoria, nossos sentimentos aos amigos e familiares”, publicou a Mangueira, nas redes sociais.
Segundo a Defesa Civil, os trabalhos para encontrar o homem começaram na noite do mesmo dia. Houve buscas pelas galerias pluviais, com o apoio de mergulhadores do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS). Além de barcos, motos-aquáticas e drones, guarda-vidas fizeram uma varredura da saída do Rio Joana para a Baía de Guanabara.
No dia do acidente, segundo a Polícia Militar, uma equipe do Programa Bairro Presente do 6º BPM (Tijuca) estava em uma cabine próxima à Universidade do Estado do Rio (UERJ) quando foi informada de que dois homens teriam caído no Rio Joana. Os militares acionaram o Corpo de Bombeiros que, com auxílio de uma corda, conseguiram resgatar uma das vítimas. Entretanto, Tancredo não conseguiu ser socorrido a tempo e foi arrastado pela correnteza.
Roberto Moreira Junior, mestre Neno, faleceu neste domingo, vítima de infarto fulminante, ele foi um consagrado comandante de bateria do Camisa Verde. Neno comandou a Furiosa da Barra por 20 anos, o auge esteve na primeira passagem de 1990 até 2005, onde conquistou seis títulos. Mas, além disso, marcou pela sua bateria diferenciada, arrojada e conquistou muitos fãs, e claro, discípulos.
Foto: Reprodução redes sociais
A história não era somente no carnaval, o músico fez parte da banda dos sambistas Bezerra da Silva, Branca de Neve e Reinaldo. Ou seja, atuou com grandes nomes do samba e pagode. Atualmente seguia em atividade, comandava a Batucada Nossa Tradição, que foi fundada em 2022 por ex-ritmistas do Camisa Verde e Branco.
O legado é mantido por seus filhos, Luís Felipe que comanda a bateria da Camisa 12, e mestre Neninho que é o comandante da bateria da Pérola Negra. Neno sempre acompanhou seus filhos, inclusive, neste último carnaval esteve presente na avenida. Os seus sobrinhos também são ativos dentro das baterias paulistanas como diretores e ritmistas.
O mercado do carnaval paulistano vai se agitando e as escolas vão fazendo suas movimentações, sejam de renovações ou contratações para a próxima temporada. Considerando apenas o Grupo Especial, seguem as últimas novidades de cada escola e toda atualização do Vai e Vem até o momento:
Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Águia de Ouro A Águia de Ouro não teve novidades divulgadas nas últimas semanas, por enquanto foram três situações definidas. Vai: Sidney França (carnavalesco) Renovação: Lysandra e João Carmago (casal), Ruy Oliveira (coreógrafo)
Barroca da Zona Sul Tem sido ativo em anunciar renovações de diversos setores da escola, por enquanto o saldo é o seguinte nos quesitos. Vai: Rodrigo Meiners (carnavalesco), Monalisa Bueno (porta-bandeira) e Marcão (diretor de carnaval) Vem: Pedro Alexandre ‘Magoo’ (carnavalesco) Renovação: Pixuleh (intérprete), Fernando Negão (mestre de bateria), Chris Brasil (coreógrafo), Marquinhos (mestre-sala)
Camisa Verde e Branco De volta ao Grupo Especial, o Camisa Verde e Branco não anunciou nenhuma novidade até o momento da matéria, mas postou que ‘em breve’ novidades com reações do carnavalesco Renan Ribeiro e do intérprete Igor Vianna.
Dragões da Real Renovada com a equipe inteira, Dragões da Real não tem mais o que anunciar dos principais cargos para 2024. Renovação: René Sobral (intérprete), Jorge Freitas (carnavalesco), Klemen Gioz (mestre de bateria), Ricardo Negreiros (coreógrafo), Rogério Félix (diretor de harmonia), Márcio Santana (diretor de carnaval), Janny Moreno e Rubens (casal)
Gaviões da Fiel Anunciou um trio comandando o time de artistas dos Gaviões da Fiel, e é um trio jovem, o Julio Poloni renovou. Já Rodrigo Meiners veio da Barroca da Zona Sul, e o Rayner Pereira terá primeira missão como carnavalesco. Mas por enquanto a única movimentação envolvendo Gaviões. Vai: André Marins (carnavalesco) Vem: Rodrigo Meiners (carnavalesco) e Rayner Pereira (carnavalesco) Renovação: Julio Poloni (carnavalesco)
Independente Tricolor Renovou com o time completo para a próxima temporada, depois de bater na trave do desfile das campeãs. Renovação: Pê Santana (intérprete), Amauri Santos (carnavalesco), Cassiano Andrade (mestre de bateria), Arthur Rozas (coreógrafo), Douglas Neto, Arnaldo, Aguinaldo e Douglas Silva (diretoria de harmonia), Luciana Moreira (diretor de carnaval), Thais Paraguassu e Jefferson Antony (casal)
Império de Casa Verde Divulgou rapidamente renovação de diversos quesitos, só não divulgou renovação dos diretores de carnaval e harmonia. No restante, tudo acertado oficialmente para 2024. Renovação: Tinga (intérprete), Leandro Barbosa (carnavalesco), Robson Zoinho (mestre de bateria), Anderson Rodrigues (coreógrafo), Rodrigo Antônio e Jéssica Gioz (casal)
Mancha Verde Sem novidades, a Mancha já trabalha no carnaval de 2024, foi a primeira a anunciar seu enredo e tem cronograma pronto para o próximo carnaval. Não divulgou oficialmente os mestres de bateria que assumiram, mas internamente já trabalham no projeto. Vai: Guma Sena (mestre de bateria) Vem: Cabral e Viny (mestres de bateria) Renovação: Fredy Viana (intérprete), André Machado (carnavalesco), Wender e Marcos (coreógrafos), Marquinhos, Bruno e Danilo (diretoria de harmonia), Paolo Bianchi (diretor de carnaval), Adriana Gomes e Marcelo Luiz (casal)
Mocidade Alegre Novidade foi a renovação da Natália Lago e a saída oficial da Karina que ficou ausente em 2023 devido sua maternidade, e a ideia era retornar em 2024, mas decidiu não ficar. Segue sem um anúncio oficial sobre as renovações no diretor de harmonia, Magno, e o coreógrafo Jhean Allex. Vai: Jefferson Gomes (mestre-sala) Renovação: Igor Sorriso (intérprete), Jorge Silveira (carnavalesco), Mestre Sombra (mestre de bateria), Junior Dentista (diretor de carnaval) e Natália Lago (porta-bandeira)
Rosas de Ouro Silenciosa, em uma só movimentação de troca, já agitou o carnaval inteiro, saída do pesado nome, Royce do Cavaco, e junto o Hudson Luiz. Para a chegada de Carlos Jr, que estava na Tucuruvi, peso enorme, ou seja, movimentou nomes pesados do microfone paulistano. Vai: Royce do Cavaco e Hudson Luiz (intérpretes) e Everson Sena (mestre-sala) Vem: Carlos Jr (intérprete)
Tatuapé A agremiação renovou o time inteiro na última semana, começando pelo carnavalesco Wagner Santos, passando pelo casal Diego e Jussara, o coreógrafo Leonardo Helmer e o intérprete Celsinho. Pois a escola não parou, garantiu o Edu Sambista na diretoria de harmonia e o mestre Higor comandando a bateria. Renovação: Celsinho (intérprete), Wagner Santos (carnavalesco), Higor (mestre de bateria), Leonardo Helmer (coreógrafo), Edu Sambista (diretor de harmonia), Eduardo Santos, Erivelto Coelho, Higor Silva, Toninho, Edu Sambista e Wagner Santos (diretoria de carnaval), Diego e Jussara (casal)
Tom Maior Renovação em massa da Tom Maior para a próxima temporada, só não anunciou sobre o fico do Judson Salles que é o diretor de carnaval. Renovação: Gérson Silvestrone e Bruno Freitas (diretores de harmonia), Ruhanan e Ana Paula (casal), André Almeida (coreógrafo), Mestre Carlão (mestre de bateria) e Gilsinho (intérprete)
Tucuruvi O primeiro anúncio foi logo a saída do intérprete Carlos Jr, o que agitou bastante as redes da escola. Mas parou por aí até o momento… Vai: Carlos Jr (intérprete)
Vai-Vai Após retorno ao Grupo Especial, o Vai-Vai renovou sua equipe quase por completo. Restam detalhes sobre a diretoria de carnaval e de harmonia. Vem: Sidney França (carnavalesco) Renovação: Fabíola e Renato (casal), Robson Bernardino (coreógrafo), Tadeu e Beto (mestre de bateria) e Luiz Felipe (intérprete)
Após anunciar a chegada de sua dupla de carnavalescos para o próximo ano, a Em Cima da Hora foi buscar um novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Diego Falcão e Winnie Lopes terão a responsabilidade de conduzir o pavilhão Azul e Branco de Cavalcanti no Carnaval 2024, na Marquês de Sapucaí.
Foto: Divulgação
Formado na escola do mestre Manoel Dionísio, Diogo foi 1º mestre-sala da Portela por três anos, assim como na Porto da Pedra, além de uma longa passagem pela Cubango, passando também por Arranco, Unidos de Bangu e Caprichosos de Pilares. “O pavilhão da Em Cima da Hora tem muita tradição e vamos trabalhar forte para trazer as notas máximas”, disse.
Winnie Lopes chega à Em Cima da Hora após conduzir o pavilhão da União da Ilha de 2015 a 2021. Experiente, também passou por escolas como Inocentes de Belford Roxo, Unidos de Lucas, União de Jacarepaguá e Cabuçu. “Será uma experiência incrível e tenho certeza que a comunidade de Cavalcanti vai se sentir representada”, declarou a porta-bandeira.
A Azul e Branco de Cavalcanti vem trabalhando forte para montar uma equipe forte visando o próximo carnaval e, além de Diego Falcão e Winnie Lopes, anunciou a chegada dos carnavalescos Rodrigo Almeida e Ricardo Hessez, além das renovações do mestre de bateria Léo Capoeira e da diretora da ala das baianas, Sidnea de Freitas.
Para o carnaval de 2024, o sonho da GRES Portela está baseado no principal fator simbólico que dá consistência para ela ser o que é e chegar onde chegou: O Afeto. Ancestralidade cultuada no sagrado feminino, no terreiro da mãe de todas as outras que vieram depois, a Iyá centenária.
Foto: Divulgação
Baseado no romance “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves, o enredo traz uma outra perspectiva, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luiza Mahim. Essa poderia ser a história da mãe de qualquer um de nós, ou melhor dizendo, é a história das negras mães de todos nós.
Escolhemos este tema, que será contado através deste enredo, por entender a importância e a necessidade de celebrar e cultuar na arte, na cultura, junto do maior mecanismo de comunicação deste país (os desfiles das escolas de samba), a trajetória de uma negra matriarca que se confunde a tantas outras até os dias de hoje. Precisamos não apenas nos espelhar na história, mas principalmente valorizar as descendentes desses movimentos de coragem por amor à continuidade. Através de seu filho, Luiz Gama, sonhamos com uma carta onde o importante abolicionista responde a sua mãe sobre o legado da memória que ela deixou: o livro.
Afastados enquanto ele ainda era menino, o desenvolvimento demonstra o tamanho do orgulho que o mesmo sente das façanhas de sua heroína. Narrar essa história é como narrar a busca pelo sentido da nossa existência enquanto sujeitos negros ativos neste Brasil. Por que somos? Por que assim fazemos? Por quem lutamos? Em memória do que?
Nossos passos vêm de longe e necessitamos honrar cada pegada trilhada na dor que é ser uma negra na história afro-brasileira. Identidades plurais que são moldadas a todo tempo. A saga de uma mulher que se incorpora a tantas outras que lhe atravessam, ensinam e revigoram, em um legado de persistência na insistência de sobreviver. Inúmeras trajetórias diferentes, vivenciadas por gerações e gerações de escravizados ao longo dos anos, e sabemos, até hoje por todas as mulheres que nasceram com este defeito de cor.
“Em nós, até a cor é um defeito. Um imperdoável mal de nascença, o estigma de umcrime. Mas nossos críticos se esquecem que essa cor é a origem da riqueza demilhares de ladrões que nos insultam; que essa cor convencional da escravidão, tãosemelhante à da terra, abriga, sob sua superfície escura, vulcões, onde arde o fogosagrado da liberdade“. – Luiz Gama
A Carta
Minha mãe, aqui quem te escreve é Omodunte. Recebi a carta que me deixaste. Sim, estou de volta. Vim com o vento, tal qual um Abikú Fefee, inesperadamente. Lembrando das histórias que me contava, estou tal qual um pássaro, como se voasse, buscando em
minha cabeça cada lugar que pisou, capaz de ser você em cada encontro que tivesses nesses longos anos.
Até hoje quando repasso tuas memórias, procuro ter olhos de Daomé, olhos de jeje, olhos de águia (que era o espírito preferido da mãe de vossa mãe). Agarro-me ao poder de sentir o cheiro, de ouvir o som, de sentir a terra sob meus pés, de ver as famílias no mercado, os bichos que correm, o barulho das crianças e a calmaria no fim da tarde – mas nunca serei capaz de imaginar tudo o que sentiste na pele.
Sou capaz, minha mãe, de sentar à sombra de uma árvore qualquer e pensar ser uma gameleira, um Iroko, e dali mesmo ver a ti, sorrindo e brincando, com tua irmã Taiwo, como todo Ibeji deve ser. Ibejis, como bem me ensinou, trazem boa sorte e riqueza para a família em que nascem. E que sorte a tua ainda ter vivido e aprendido com as tuas mais velhas.
Luiza, minha mãe, todas as vezes que fui ao mar eu vislumbrava o manto de Iemanjá, enxergava as ondas tecer o pano que usava Durójaiyé, minha ancestral, raiz da nossa árvore. Todas as vezes que eu fui ao mar, imaginei a dor que passou. O mar deveria ser negro, se não pela quantidade dos nossos que a ele foram jogados, talvez pela solidão que ele causa em seu infinito incerto. A solidão, minha mãe, é negra feita a noite, mas a noite é uma mulher preta – e quem está com ela nunca está só.
Nesta carta eu te chamo pelo nome, Kheinde, teu verdadeiro nome, pois sei que muitos ainda vão lê-la e espero que não te confundam. Uma mulher negra pode ser feita de muitas outras, mas não pode ser confundida, pois cada uma carrega sua própria história e devem ter o direito de contá-las. Tanto não são iguais que, aposto, minha mãe, que muitas fizeram o mesmo ao chegar nos portos desta terra: jogaram-se ao mar. Muitas se jogaram para fugir, mas eu me vejo quando tu relata que pulaste nas águas não apenas em busca da liberdade, mas principalmente para guardar tua memória, fugindo do batismo, procurando preservar o mais precioso bem que te restava: a tua identidade.
Luiza do Mahin, quando chegaste a Salvador, ela não salvava ninguém: corrompia corpos, cortava laços, rompia almas. Era muito pagã para a tua santidade de menina Jeje. Não há santos em Daomé que nomeiam meninas. Não nasceram divindades em Savalu. Ali surgiram forças, reis e rainhas que foi o que te ensinaram a cultuar e dos quais eu sou herdeiro.
Honrar quem veio antes é o que faço. Eu sou porque tu fostes, minha mãe.
Tu nunca estiveste só. O espírito da águia te levava às pessoas certas, às mulheres certas. Teu destino te levou ao encontro das tuas origens. Foste à Nega Florinda, sacerdotisa Vodunsí, que te acolheu e te protegeu com o amuleto que uniu tua alma à de tua irmã. Encontrou a Noche Nae, a rainha Agotimé, que te guiou até as Minas, no Maranhão, para conhecer e encontrar o teu próprio Vondun.
O destino te levou à Mãe Rosa, da irmandade negra no recôncavo de Todos os Santos, que foi quem te iniciou no caminho de volta para me encontrar. Todas essas mulheres fizeram um pouco de ti e um pouco de mim. Foram elas que te deram a liberdade através do ouro de Oxum, ouro que compou a tua alforria e fez de mim um negro livre. Sou filho dos muitos colos negros que te acolheram na vida.
O Xangô que carrego é a herança das tuas andanças por justiça. O meu senso é o seu, meu direito é o seu, minha lei é sua.
Hoje eu me vejo junto aos muçurumins na revolta dos malês, mas nunca como tu fizeste. A revolta que mudou os rumos deste país escravista, passou pelas tuas mãos, assim como imaginamos que tantas outras também partiram da tua inquietude justiceira. Tu mostrou pro Brasil que era possível ser livre fortalecendo outras mulheres nestas batalhas.
Há quem te chame de Rainha do Brasil. Do Brasil que você lutou para fazer! Eu não discordo! Os caminhos de uma nova nação no tabuleiro de ifá.
Foram nas tuas lutas por um lugar melhor que nos perdemos. Ouvi tuas histórias ainda menino e desde então és a minha maior heroína. A história da heroína que foi espelho para esta terra.
Soube que me procurava nos porões, nas ruas, nas valas, nas matas, nas praças, entre as barracas do mercado, entre os meninos que corriam no vento. Onde estava Luiz Gama, o teu filho?
Soube antes mesmo de tuas cartas porque eu sentia que tu não desistiria, assim como eu não desisti. Sabia porque sempre desconfiei, desde que me contou a história dos Abikús, de que éramos assim. Eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer… Pelo menos até que nos encontrássemos. E por isso não morremos, porque eu não deixarei tua história desaparecer.
Eu entendo quando retorna à mãe África procurando encontrar um caminho, uma solução, um conforto, um colo, na busca por este teu filho. Digo com convicção que me encontrou. Eu estava em África e no Brasil. Você estava em mim e eu em você. Como estamos e estaremos amanhã.
Retornou, me achou, e mesmo cega me viu onde ninguém mais poderia enxergar. Hoje agradeço à tua fé, é ela que nos une no amor.
Desejo que na misericórdia de qualquer um desses deuses dos homens, todas as mães pretas encontrem seus filhos para retornarem ao porto de sua África. Que elas ouçam e se inspirem nos teus passos, ainda que no futuro entendam que o maior defeito que não podem corrigir por seus filhos é o único que carregam de nascença, o defeito da cor. Um defeito para o olho de quem vê, que cerceará o destino delas, jogando sobre seus ombros todo o peso de uma sociedade inteira que julga os que assim vieram à terra. Amar demais não é defeito, buscar justiça é um direito.
Não te culpa pela violência do destino, não há força que nos defenda do defeito que – pra eles – carregamos, mas lutaremos inspirados em cada mulher, que forma cada outra mulher negra, corpos que fundaram essa nação.
Lutaremos, pois debaixo de nossas peles, sob a superfície escura, arde o fogo sagrado da justiça.
Luiza, minha mãe: seu corpo é o meu corpo, sua luta é minha luta, seu sangue é meu sangue, seu verbo é o meu verbo, sua voz é a minha, sua pele é a minha, seu coração é o meu, seu amanhã é o meu, o seu chão é o meu chão.
Eu honro a tua maior façanha que foi SOBREVIVER. Que Orgulho, Luiza Mahin.
O enredo da Portela para o próximo carnaval será “Um Defeito de Cor”, de André Rodrigues e Antônio Gonzaga, baseado na obra homônima da autora Ana Maria Gonçalves. O anúncio foi feito neste sábado, durante a feijoada da escola. Na ocasião, a Majestade do Samba apresentou oficialmente a equipe que fará o Carnaval 2024: a porta-bandeira, Squel Jorgea – que será par do mestre-sala, Marlon Lamar -; o diretor de carnaval, Junior Schall, o diretor de harmonia, Julinho Fonseca e a dupla de carnavalescos.
Carnavalesco Antônio Gonzaga e André Rodrigues. Foto: Divulgação/Portela
Para o carnaval de 2024, o sonho da Portela está baseado no principal fator simbólico que dá consistência para ela ser o que é e chegar onde chegou: O Afeto. Baseado no romance “Um Defeito de Cor”, da escritora Ana Maria Gonçalves, o enredo traz uma outra perspectiva da história, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luisa Mahim. Essa poderia ser a história da mãe de qualquer um de nós, ou melhor dizendo, é a história das negras mães de todos nós.
Antônio Gonzaga adianta que é um projeto dedicado a todas as mães e é uma forma de demonstração de afeto e gratidão por sua recém-chegada à escola, ao lado de André Rodrigues.
“Acreditamos que esse enredo é a nossa mais profunda manifestação de afeto nessa chegada. É um enredo que dedicamos a nossas mães, nossas avós e a cada mulher preta que carrega a força de sobreviver, ser e semear novas histórias. ‘Um Defeito de Cor’ é a história da luta preta no Brasil incorporada em uma mulher que enfrentou os maiores desafios imagináveis pra continuar viva e preservar suas heranças e raízes. A história de uma mãe, heroína, filha de África, que pariu a liberdade dessa nação. É uma honra imensa contar essa história e imaginar esse reencontro de Luísa com Luís Gama. Essa história fala de todos nós. É a nossa identidade construída no tempo”, frisa Gonzaga que aproveita a ocasião para agradecer a oportunidade de estar junto a comunidade portelense.
“Agradecemos imensamente a Portela por acreditar na ideia e nos receber com tanto carinho e entusiasmo. Vamos escrever juntos um novo capítulo no livro da Majestade do Samba. Agradecemos também a Ana Maria Gonçalves que nos deu o abraço e a honra de adaptarmos sua obra para o carnaval da Portela. É uma felicidade que não cabe em mim e tenham a certeza que eu e André trabalharemos incansavelmente pra ver o portelense feliz”, garante.
A carta
Através de seu filho, Luis Gama, sonhamos com uma carta onde o importante abolicionista responde sua mãe sobre o legado da memória que ela deixou: o livro. Narrar essa história é como narrar a busca pelo sentido da nossa existência enquanto sujeitos negros ativos neste Brasil. Por que somos? Por que assim fazemos? Por quem lutamos? Em memória do que?
A saga de uma mulher que incorpora-se a tantas outras que lhe atravessam, ensinam e revigoram, em um legado de persistência na insistência de sobreviver. Inúmeras trajetórias diferentes, vivenciadas por gerações e gerações de escravizados ao longo dos anos, e sabemos, até hoje por todas as mulheres que nasceram com este defeito de cor. Precisamos não apenas nos espelhar nesta
imagem mas, principalmente, valorizar as descendentes desses movimentos de coragem por amor à continuidade.
O título, “Um Defeito de Cor”, é baseado no artifício da dispensa do defeito de cor usado por negros no século passado que, quando acatado, os permitia exercer cargos de importância na religião, governo e na política. É justamente esta característica, a da cor, que posiciona os personagens do novo enredo da Portela para o próximo carnaval. Caminhos, histórias e consequências que apenas se explicam por serem vivenciadas por sujeitos negros no Brasil, conforme explica o carnavalesco André Rodrigues.
“O livro nos entrega uma história que entendemos que se confunde muito com a história de tantas outras mães negras que tem suas experiências maternas atravessadas pela questão racial; conseguimos compreender as marcas da violência histórica que justifica, inclusive, sobre as nossas experiências com as nossas mães”, diz Rodrigues, que emenda.
“A gente se coloca no lugar desse filho que compreende o tamanho da importância de sua mãe por ser uma mulher tão ativa buscando um Brasil melhor, buscando seu próprio reconhecimento, sua ancestralidade, sua identidade e, também, sua individualidade. Os reflexos que separam esses dois são, na verdade, resultados de um sistema racista e escravocrata. É uma verdadeira história de amor e reconhecimento. Puro Afeto”, finaliza.