A comissão de frente da Beija-Flor foi coreografada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, estreantes na escola, que conseguiram a nota máxima no quesito: quatro notas 10. Intitulada “Onde o povo fez História e a escola não contou”, questionava a Independência decretada por Dom Pedro I e botava o povo no centro da luta pela igualdade e pelo protagonismo na História do Brasil. Ao site CARNAVALESCO, no sábado das campeãs, Saulo Finelon comemorou a conquista.
“Para nós, o Carnaval 2023 teve um somatório maravilhoso. É a estreia na Beija-Flor e conseguimos alcançar a nota máxima. O projeto era bem audacioso e no fim cumprimos todas as exigências”, disse Finelon.
Jorge Teixeira compartilhou a missão que a dupla sentiu por conta das tecnologias necessárias. Durante a apresentação, as luzes da Sapucaí se apagavam e uma projeção acontecia em um telão circular que aparecia no elemento cenográfico, antes do povo ocupar o protagonismo na cena.
“Era um projeto que tinha muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, muita tecnologia. Existia todo um medo de como tudo isso ia se comportar na Avenida. E foi maravilhoso”, relatou Jorge.
O êxito de um quesito reflete na posição que a escola vai alcançar após a apuração. Além da Comissão de Frente, a Beija-Flor gabaritou em Bateria, Samba-Enredo e Evolução.
“A nota 40 representa o reconhecimento de um trabalho. É o projeto de um ano inteiro que foi bem realizado e reconhecido”, refletiu Teixeira.
Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO
A dupla foi contratada pela azul e branca de Nilópolis após coreografarem desde 2015 a Mocidade Independente. Jorge exaltou para o site CARNAVALESCO o carinho que a comunidade nilopolitana deu para ele e Saulo.
“É uma escola diferente. É uma comunidade muito forte e a gente precisava retribuir. Nós recebemos muito carinho e nos receberam muito bem. A única forma que nós tínhamos de retribuir essa comunidade é dando essa pontuação para eles. A gente ficou muito feliz”, completou Jorge Teixeira.
A Beija-Flor ficou em 4º lugar na corrida pelo título do Grupo Especial. O talento da dupla contribuiu enormemente para que a escola voltasse no Sábado das Campeãs.
O Império Serrano tem uma nova voz para 2024. Trata-se de Tem Tem Jr, que estava no carro de som da escola no desfile deste ano e foi promovido ao cargo de intérprete oficial. Nos últimos três carnavais, ele defendeu o primeiro microfone da Vigário Geral, na Série Ouro.
Fotos: Pedro Siqueira/Divulgação
Além de compor o Departamento Musical no último ciclo carnavalesco, Tem Tem Jr já havia passado pelo Império Serrano em 2018, sendo apoio de Marquinhos Art’Samba. Como intérprete oficial, ele defendeu escolas tradicionais, como Caprichosos de Pilares, Em Cima da Hora, Unidos de Bangu, dentre outras.
Tem Tem Jr nasceu num berço de sambistas. Ele é neto de Dinoel Sampaio, um dos compositores do clássico “A Lenda das sereias, rainhas do mar”, de 1976 e que foi reeditado em 2009, e filho do intérprete Tem Tem Sampaio, que por anos defendeu a Inocentes de Belford Roxo. Ele fala da responsabilidade de cantar no Império Serrano, garantindo muito empenho e dedicação para brilhar na Sapucaí:
“Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. Estou realizando um sonho ao ganhar essa oportunidade numa escola tão grande como o Império Serrano. Prometo me entregar de corpo e alma. Não venho para fazer uma simples passagem pela escola, pois já cantei aqui por dois anos como apoio e sei da grande cobrança que é cantar no Reizinho de Madureira. Quero fazer história e ficar por muitos anos”, projeta Tem Tem Jr.
Em 2024, o Império Serrano vai desfilar na Série Ouro, na sexta ou sábado de carnaval, na busca do retorno para o Grupo Especial.
A Imperatriz Leopoldinense, atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, fará no dia 16 de abril, a partir das 13h, em sua quadra de ensaios, a “Feijoada da Vitória”. O encontro terá o show da escola, além das apresentações da Viradouro e Vila Isabel.
▶️ Atrações:
🎤 Pagode do Mestre Lolo
💚 Show da Imperatriz
❤️ Show da Viradouro
💙 Show da Vila Isabel
▶️ Valores:
🎟️ Pista: R$ 20,00
🎟️ Mesa (4 lugares): R$ 130,00
🎟️ Camarotes ESGOTADOS
▶️ Feijoada:
🥘 Antecipado: R$ 30,00
🥘 No dia: R$ 35,00
☎️ Reserva: (21) 98317-6137
📅 16/04/2023
⏰ A partir das 12h
📍 Quadra da Imperatriz
Há tempos é visto que a Dom Bosco de Itaquera é uma escola de samba diferente, desde o seu lema ‘Vai pensando que a gente só reza’, presidida pelo Padre Rosalvino, a agremiação é o inverso da maioria que tem uma obra social a partir do samba, pois a Dom Bosco tem uma escola de samba oriunda da obra social. Após o acesso, conversamos com personagens da escola de samba fundada em 5 de fevereiro de 2000, que nos contaram um pouco sobre a história e ligação com a comunidade de Itaquera.
Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
História através dos personagens
A partir da sua obra social, a Dom Bosco de Itaquera, fundada pelo padre salesiano Rosalvino Moran Vinãyo, foi ganhando espaço e subindo divisão por divisão, em 2010 já estava no Grupo de Acesso II, onde batia na trave para subir à segunda divisão. O intérprete Rodrigo Xará contou sobre sua chegada na Dom Bosco e mais detalhes sobre a agremiação.
“É meu segundo ano, é uma escola totalmente diferente. Já começa pelo Padre que é nosso presidente, a obra social. Nós somos um projeto da obra social Dom Bosco, a escola de samba é um projeto. É meu segundo ano, vim a convite do Danilo, do Carlos, e a comunidade é maravilhosa, não tenho nem o que falar, eles abraçam o projeto, cantam mesmo, então só agradecer, estou muito feliz”.
Um dos membros da comissão artística que geriu o projeto da azul, amarelo e branco, Alexandre Callegari explicou sobre o projeto para o site CARNAVALESCO.
“A Dom Bosco é uma escola basicamente nova, diferente, temos um Padre como presidente, viemos fazendo esse trabalho aí, como sempre falamos, a Dom Bosco não é uma escola que tem uma obra social, é uma obra social que tem uma escola de samba. Isso é muito bonito, pois fazem com que pessoas se envolvam, pessoas da comunidade, trabalhem em prol da escola, por conta da obra social, então é um trabalho maravilhoso que eles fazem em Itaquera. Tenho maior orgulho de participar de tudo isso, o Padre Rosalvino está aqui, feliz, conseguimos esse acesso inédito, resultado histórico para a Dom Bosco, só agradecer”.
Chegada na escola
Dois personagens da Dom Bosco de Itaquera contaram um pouco sobre o contato com a comunidade oriunda de uma obra social, primeiramente Alexandre falou da sua ligação com o carnavalesco Danilo Dantas.
“Particularmente comecei no carnaval desde pequeninho, venho de São Bernardo do Campo, quando tinha nossa escola lá. Através do convite do Danilo (Dantas), nos conhecemos em 2018, vim ajudar ele aqui. Quando ele iniciou na Dom Bosco, e aí começou eu trabalhar junto com ele. Vim acabar fazendo o trabalho na Dom Bosco, trabalho maravilhoso, muito importante, não só para mim, mas para a escola, toda comissão artística. Fizemos uma divisão, cada um cuidou de uma parte, e isso foi o principal e fundamental para conseguir o resultado que conseguimos”.
Enquanto o Mestre Bola comemorou bastante o acesso no terceiro ano na comunidade: “Cheguei em 2019, esse foi o terceiro carnaval, que não teve em 2020, sentimento é de gratidão, e de alívio também, dois anos batendo na trave, maravilhoso, não tem o que falar, só agradecer”.
Saldo da temporada de 2023
O intérprete Rodrigo Xará era um dos mais entusiasmados no desfile das campeãs, aparecendo até mesmo em uma alegoria. Após o desfile que consagrou o vice-campeonato e o acesso da comunidade, comentou sobre a relação e a importância do acesso.
“Ano passado doeu, acho que foi a única escola de todos os grupos que gabaritou, infelizmente, costumo dizer que estava tão bom que esquecemos da hora, mas em nenhum momento abaixamos a cabeça, aguardamos, trabalhamos e sabíamos que viríamos forte. E graças a Deus deu tudo certo. Estamos aqui agora, para nós é um orgulho, estar dentre as grandes do carnaval de São Paulo, mas vamos vir muito forte para o ano que vem”.
Mestre Bola, que comandou a Bateria Gloriosa no ano do acesso, fez sua análise sobre desempenho geral: “Foi tudo certinho, ala musical, bateria, casamento perfeito, foi muito bem, tranquilo”.
Por fim, Alexandre da comissão artística, aprovou todo desenvolvimento do trabalho e o enredo: “O enredo veio desde lá de trás, daí foi se trabalhando de que forma que íamos trabalhar Heitor Villa-Lobos, nós escolhemos a parte das obras e trouxemos para a avenida. É um trabalho muito bacana, bonito, não sei nem o que falar”.
Mirando 2024
Com o planejamento em andamento, os três personagens contaram o que esperar da Dom Bosco na próxima temporada, estreando no Grupo de Acesso I, vulgo segunda divisão do carnaval paulista. O intérprete Rodrigo Xará foi o primeiro a dizer sua previsão.
“Em 2024 estamos preparando um baita enredo, a Dom Bosco tem essa questão de enredo bem bacana, mesmo antes de eu entrar, e ano que vem vai vir um enredo que olha, promete muito, mas pode esperar que vamos vir forte no Acesso I, fazer um belo desfile com certeza”.
Mestre Bola foi rápido para avaliar o que espera da sua bateria: “Mais empenho, para agora, tentar manter os 40 pontos”.
Por fim, Alexandre já deu um pequeno spoiler dando a entender que o projeto já está em andamento para o próximo ano: “Um carnaval muito forte, vamos batalhar muito para que a gente se mantenha no grupo em primeiro lugar, pensamento primordial é se manter no grupo, vamos vir forte, canto forte que a escola tem, a evolução forte que escola tem. Trabalhar cada dia que passa, os detalhes, e de fato se manter no grupo, manter-se entre as grandes para que busque a ascensão mais rápida possível”.
Faleceu no domingo, José Sartório, o Magrão, aos 64 anos, vítima de um infarto fulminante. Durante mais de 30 anos, ele ocupava o cargo de supervisor técnico na Companhia dos Técnicos, local em que são gravados os discos de sambas-enredo. Além de atuar também no Sambódromo, na direção de som, com os mestres de bateria.
Foto: Reprodução de internet
O Magrão participou de ravações com artistas consagrados, Mana Caymmi Raimundo Fagner, Zeca Pagodinho, Maria Rita, Lulu Santos, Padre Fábio de Melo, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tom Jobim, e muitos outros.
Sambistas homenagearam Magrão nas redes sociais. Veja abaixo.
Alemão do Cavaco: “Carambaaaaa Começar a semana assim, será bem difícil, nunca estamos preparados pra essa separação, mesmo que seja momentânea. Foram mais de 20 anos de amizade, parceria e muito carinho. Sempre que eu gravava no @ciadostecnicos , a única certeza é que ele estaria lá, feliz , com seu sorriso e pronto pra tudo.
Na marquês de Sapucaí, ele sempre no recuo do setor um, esperando que a bateria e o carro de som se posicionasse, pra ele prontamente nos atender. Nunca vi uma reclamação, nunca vi um corpo mole em seu trabalho, sempre recebido daquele jeito:
Alemaooooooo, ele fazia!
Vai em paz meu irmão, vai pra um lugar de luz e espero que com muitos dos nossos amigos sambistas e do bem! Te amo José Sartori! (Magrão)”.
Rafael Prates: “Grande irmão, amigo e ser humano incrível! Pronto pra tudo e pra todos… Obrigado Magro Descanse em paz meu amigo e parceiro de vida”.
A União de Maricá acertou a renovação com o mestre de bateria Paulinho Steves, que irá para o terceiro ano à frente da Maricadência. Filho do mestre Esteves, que ficou anos à frente da bateria da Estácio de Sá, Paulinho começou cedo no mundo do samba. Por influência do pai, foi componente da escola mirim Semetinha do Estácio, em 1996. De lá para cá, ele trabalhou na direção de bateria da Alegria da Zona Sul, União da Ilha do Governador e Grande Rio, Unidos de Padre Miguel e Porto da Pedra. Desde o desfile de 2022, o mestre comanda a Maricadência. Steves mostra felicidade em seguir à frente do segmento para a estreia na Sapucaí:
Foto: Vinicius Lima/Divulgação
“Gostaria de agradecer à escola por confiar no meu trabalho à frente da bateria Maricadência. Este sonho, de chegar à Série Ouro, era um desejo de cada um de nós. Será a estreia da União de Maricá e a minha como mestre, na Sapucaí. Irei dar o meu melhor ao lado de todos os diretores e ritmistas. Somos uma família e será a maior experiência da minha vida”, afirma Paulinho, que completa fazendo uma menção especial:
“Queria agradecer a minha avó Creuza, que uma vez havia dito que iria me ver no comando da bateria da União de Maricá na Marquês de Sapucaí. Infelizmente, ela não está mais aqui, mas sei que está olhando por mim e muito feliz por realizar este sonho”, finaliza o mestre.
Paulinho Steves é o primeiro profissional com contrato renovado. Até o momento, a União de Maricá já contratou o diretor de carnaval Wilsinho Alves, o intérprete Nino do Milênio e o coreógrafo Patrick Carvalho.
A origem da arte negra no carnaval é o grande destaque da exposição “Nossas sensações não são nossas”, no MIS, Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. A mostra promove um encontro entre arte contemporânea, música e carnaval, exaltando a arte negra na festa popular. A mostra pode ser vista até 5 de maio, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. O Museu da Imagem e do Som fica na Lapa, região central da capital fluminense.
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
A exposição, que faz a integração de obras do acervo do MIS, com as artistas da atualidade, leva o público a refletir sobre como uma criação do passado ainda pode repercutir no tempo presente.
E, a curadora Ana Paula Rocha, enfatiza que os artistas reverenciados na exposição – como Heitor dos Prazeres, Clementina de Jesus, Aracy de Almeida, Sinhô e o grupo Os Oito Batutas integrado por Pixinguinha, por exemplo – são homens e mulheres, todos negros, que tiveram a coragem de criar arte, fazer Carnaval e levar reflexões e felicidade para um Brasil extremamente racista e hostil.
A curadora explicou que os artistas negros do passado foram, muitas vezes perseguidos, evidenciando em suas músicas não só alegrias, mas práticas de exclusão. Já os artistas de hoje vêm para dialogar com essas obras, demonstrando muitas vezes ressonância entre essa produção e as suas próprias, fazendo ecoar imagens, sons e a mesma luta nos tempos atuais.
Segundo Ana Paula, o título da exposição é um trecho de um depoimento para posterioridade – projeto de memória do museu – de Alberto Ribeiro, um dos compositores da marchinha Chiquita Bacana. Ele comentou que a inspiração era fruto de experiências coletivas.
Pelo terceiro ano consecutivo, a Sinfônica do Samba será comandada pelo mestre de bateria Vitinho. Campeão da Série Ouro em 2022, ele foi um dos destaques do Reizinho de Madureira no último desfile, alcançando os 30 pontos.
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
Filho de Faísca e neto de Alcides Gregório, Vitinho faz parte da terceira geração de sua família no comando da premiada bateria do Império Serrano. Ele agradece a oportunidade de seguir com o trabalho na Sinfônica para o próximo ciclo carnavalesco:
“Estou muito feliz em poder continuar no Império. Aqui fui criado, pude crescer e irei para o terceiro desfile como mestre de bateria. O trabalho tem sido muito positivo e as notas dizem isso. Agradeço a oportunidade dada pelo Flavinho, nosso presidente eleito, e tenho convicção que faremos mais uma grande apresentação em 2024”, destaca Vitinho.
No último Carnaval, o Império Serrano apresentou o enredo “Lugares de Arlindo”, no Grupo Especial. A escola da Serrinha vai buscar a volta à elite no próximo ano, quando irá desfilar pela Série Ouro, na sexta-feira ou no sábado, na Marquês de Sapucaí.
O Império Serrano conheceu o seu novo presidente na manhã deste domingo, 26, em Assembleia Geral realizada em sua quadra, em Madureira. Flávio França, o Flavinho, foi eleito o novo presidente da escola de samba para o triênio 2023-2026. Sua escolha foi por aclamação, pois somente a Chapa “Serrinha custa, mas vem” havia sido inscrita para participar do pleito.
Foto: Emerson Pereira/Divulgação
Na composição da nova chapa, apenas duas mudanças em relação à atual diretoria administrativa do Reizinho de Madureira. Flávio França entra no lugar de Sandro Avelar à frente da presidência, com José Luiz Escafura tornando-se o novo vice-presidente de carnaval, cargo ocupado até então por Paulo Santi. Márcio Araújo, Wagner Rogério e Paula Maria seguem como vices financeiro, social e cultural, respectivamente.
Para o Conselho Deliberativo, Valdemir dos Santos Lino (Priminho) será o presidente e Wanderley Marzzano o vice. Já Oswaldo Pereira vai assumir a presidência do Conselho Fiscal, tendo Miltinho como vice.
A partir desta segunda-feira, terá início o processo de transição entre a gestão Sandro Avelar para a de Flávio França. O novo presidente será empossado no dia 21 de maio, em nova Assembleia Geral, dando início ao seu mandato de maneira oficial, que terá como objetivo reconduzir o Império Serrano ao Grupo Especial.
Confesso que tento entender pessoas que apenas curtem carnaval de escola de samba falarem em enredos repetitivos, desfiles iguais e outras narrativas que desfavorecem os artistas e a cultura popular. Agora, o que me revolta é ler opinião de “gente nossa” com as mesmas asneiras.
Fotos: Riotur/Divulgação
Quando vejo essas pessoas escrevendo que não aguentam mais temática afro, nordestina e indígena, eu penso como elas descobriram essa paixão que dizem ter pelas escolas de samba. Não cabe gostar de carnaval e achar essas temáticas repetitivas e que deveriam ficar fora dos desfiles.
Desde que meu pai me apresentou ao mundo das escolas de samba, lá pelos meus 10 anos de idade, que aprendo constantemente com os enredos e desfiles. Como branco, privilegiado, fui criado no catolicismo, e, pela vivência no mundo do carnaval, sempre confrontei preconceitos sobre religião de matriz africana e escolas de samba. A minha infância e adolescência foi baseada nos ensinamentos dos artistas das escolas de samba. Agradeço e muito aos meus pais.
A minha formação adulta ainda recebe cada vez mais estimulos culturais e educacionais vindos dos saberes das escolas de samba. Acima de tudo, respeito e celebro, tudo que aprendi assistindo na Avenida aos desfiles ou vivendo nas quadras.
Por isso, fico revoltado, triste e decepcionado quando leio comentários absurdos de sambistas (não sinto bem em julgar quem é ou não sambista, aliás, eu detesto quem faz isso) que não entendem que o discurso de uma escola de samba está 100% baseado na cultura preta, popular, nos saberes e ensinamentos das religiões de matriz africana.
Melhor momento artístico do carnaval?
Não vejo problema na sinergia com a Academia e os intelectuais, pelo contrário, esse encontro gera conhecimento para os acadêmicos e para os componentes. Oportunidade de fazer o trabalho educacional, pouco valorizado, que acontece dentro das quadras. A escola de samba é tão forte que comporta gera saberes para todos. O repúdio fundamental é ao preconceito e aos malfeitos de quem tenta destruir nossa cultura.
Estamos aprendendo, como nunca, nos enredos propostos por Leandro Vieira, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, Tarcísio Zanon, Jack Vasconcelos, Annik Salmon e Guilherme Estevão, André Rodrigues, entre outros. Certamente, o momento dos artistas que produzem os desfiles é um dos melhores da história do carnaval. Posso colocar no momento patamar dos artistas que chegarem nos anos 1960.
Aqui, eu deixo um pensamento, que pretendo abordar em outro texto, não esperem de mim o cancelamento de ninguém, seja por questão política ou por falta de educação social. Como citei acima, cresci louvando os artistas do carnaval e minha memória afetiva ultrapassa limites que não são toleráveis para outras pessoas. É pessoal, e, como vivo no mundo político profisionalmente, também sei que muitos idolatrados, não “rezam a missa” como seus fãs de carteirinha acreditam.
Sinal de mudança
É bom perceber que os presidentes estão “comprando” os enredos com discursos. Sinal de mudança. Acredito que não seja tão racional e mais passional, ou seja, estão percebendo os resultados e dando corda aos artistas. Não sei se a liberdade é 100%, mas isso agora não vem ao caso. Necessário é notar o entendimento que a sinalização de um grande enredo, pode gerar um grande samba e quem sabe um ótimo desfile.
Assim, eu torço e celebro que tenhamos mais e mais enredos de temáticas afro, indígena e nordestina. É a formação do povo brasileiro. Aliás, viva o povo! Ele é o dono do espétáculo!