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Histórico! Com homenagem à bailarina Mercedes Baptista, Salgueiro é primeira escola de samba a se apresentar no Theatro Municipal

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Na celebração dos 70 anos de uma grandiosa história, o Salgueiro se apresentou no Theatro Municipal, na noite desta segunda-feira, sendo a primeira vez que uma escola de samba se exibiu neste espaço tão rico para a cultura carioca e nacional. O espetáculo “Mercedes Baptista – 100 anos” prestou homenagem à primeira bailarina negra a integrar o corpo de baile de um dos teatros mais importantes do país. A apresentação foi coreografada por Marcella Gil, Patrick Carvalho e Carlinhos Salgueiro e faz parte do projeto contemplado pelo edital Municipal em Cena, da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.

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Fotos: Luan Costa/Site CARNAVALESCO

Integrantes da escola interpretaram a importante personagem em quatro momentos, da infância à sua chegada ao Salgueiro. Vale destacar que toda produção e concepção do espetáculo, assim como o elenco, foi formado por profissionais da vermelho e branco. Antes da apresentação, a escola exibiu a exposição Sal70 anos, que reuniu peças do acervo da agremiação, fantasias e fotografias com curadoria de Eduardo Pinto, diretor cultural e de destaques, e de Belizário Távora.

Nascido e criado em comunidade, Patrick Carvalho é coreógrafo da comissão de frente do Salgueiro e colaborou para a realização desse espetáculo. Ele, que assim como Mercedes Baptista, é um bailarino negro, destacou o pioneirismo dela e disse que retratar sua história sempre gera um frio na barriga. O coreógrafo ressaltou ainda que o Salgueiro é a escola certa para apresentar essa história dentro do Theatro Municipal, afinal, a vida de ambos se entrelaçaram lá passado. Patrick revelou também que a comissão de frente de 2022, em que a bailarina Ingrid Silva representou Mercedes, foi a mais especial de sua vida.

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“Só de ser Mercedes é muito importante. Eu conversei muito com a Ingrid. Quando ela chegou aqui falou assim: ‘Patrick, quando a gente começa a falar ou fazer ou representar qualquer coisa de Mercedes Baptista, a gente sempre se coloca no lugar do frio na barriga, porque ela foi tão importante que o que a gente faz, parece até ser muito pequeno, mas o importante é fazer’. Tinha que ser o Salgueiro, não tinha como ser outra escola para chegar aqui no Theatro Municipal e colocar um espetáculo sobre a Mercedes. E o legal desse espetáculo é que tem coisas da Mercedes, tem muitas inspirações nossas para apresentar a Mercedes. A gente continua com as nossas ideias, inspirados. É o legado. Aquela comissão de frente de 2022, talvez, tenha sido uma de maior importância da minha vida. Todo mundo elogia a do Tuiuti (2018), em que eu conto uma história, mas a Mercedes é diferente. Só existe um Patrick Carvalho, porque existe uma Mercedes Baptista, só existe Ingrid Silva porque existiu uma Mercedes. Hoje é para mostrar que a Mercedes foi, mas o legado inteiro dela está aqui com a gente, não pode parar não”, disse Patrick.

André Vaz, presidente do Salgueiro, aproveitou para agradecer à Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, ele também ressaltou que é uma emoção muito grande comemorar o centenário de Mercedes Baptista e os 70 anos da escola.

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Foto: Anderson Borde/Divulgação Salgueiro

“A emoção é grande, esse é um projeto incentivado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, comemorando cem anos de Mercedes, primeira bailarina negra, sua relação com o Salgueiro e os 70 anos da escola. É uma data especial, um ano especial para gente, comemorando nosso aniversário e ao mesmo tempo tendo a honra de estar presente no lugar mais sagrado que a cultura tem no Brasil, que é o Theatro Municipal”, disse.

Recém chegado na escola, o diretor de carnaval Wilsinho Alves destacou a importância desse momento para a cultura do Rio de Janeiro, ele aproveitou para parabenizar Luciane Malaquias e Victor Brito, responsáveis pela produção do projeto. Wilsinho ressaltou ainda a grandeza do Salgueiro e a importância de unir o popular com o erudito, segundo ele, é um marco para o carnaval.

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“A gente tem que enaltecer a grandeza do Salgueiro fazendo 70 anos, a diretoria da escola que teve essa iniciativa de apresentar esse projeto, está de parabéns, a Lu e ao Vitor que foram os executores do projeto junto com toda a equipe. Quando a gente vê uma escola de samba dentro do Municipal temos a real grandeza da dimensão dessa escola. Eu já tive aqui com a Vila Isabel quando fiz nesse salão o lançamento do enredo sobre o Theatro Municipal, mas pela primeira vez uma escola vai se apresentar homenageando Mercedes Baptista aqui dentro. É uma oportunidade única, é um marco para o carnaval e para as escolas de samba como um todo”, afirmou o diretor.

Coube a Milton Cunha, grande comandante da noite, sempre carismático e esbanjando simpatia, aproveitou para fazer uma crítica. Segundo ele, a cultura popular é pouco valorizada no Brasil, e, portanto, momentos como esse, em que uma escola da grandeza do Salgueiro pisa em um templo como o Theatro Municipal, deve ser enaltecido e parabenizado.

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“Eu acho que o Brasil valoriza pouco a sua cultura popular. Cada vez que a cultura popular invade esses templos tipo Academia Brasileira de Letras, Theatro Municipal, é interessante, engraçado e empoderamento. Muito aqui para nós o samba nunca precisou desse tipo de referência para existir e arrasar. Quem ganha é o templo Theatro Municipal, porque o samba, a escola e a comunidade são muito maiores, mas é muito lindo ver um cenário tão lindo quanto esse, alegórico, carnavalesco, com touros no teto, uma coisa tão João Trinta e aí Salgueiro aqui dançando, cantando uma mulher negra maravilhosa, a frente de seu tempo, como essa escola. Eu acho que é um orgasmo, acho que é uma apoteose, eu acho que é o momento fabuloso que já abre a folia 2024, a folia do ano do veado”, destacou.

Marcella Gil, coreógrafa do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, foi uma das responsáveis por coreografar o espetáculo, ela conta que foi prazeroso contar um pouco da história de Mercedes. Ela explicou que o projeto estava previsto para 2021, mas por conta das restrições impostas pela pandemia, ele foi adiado e agora pôde enfim ser aberto ao público.

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“A história de Mercedes é maravilhosa, uma negra, uma mulher que correu atrás, que lutou, que conquistou um espaço. Uma mulher que em todas as fases da vida dela trouxe mudança, conquista e deixou para gente hoje um legado gigantesco. Eu brinco que a gente fez uma colcha de retalhos, eu fiz uma parte, o Patrick outra e o Carlinhos finalizou. Na primeira fase dela como bailarina clássica, eu chamei uma primeira bailarina aqui do Theatro, ela dançou a parte clássica, não foi muito difícil. Eu simplesmente adaptei o material humano que eu tinha para caber dentro de um espetáculo, daqui pra frente eu espero que esse espetáculo tenha sido um sucesso absoluto. Essa história, na verdade, deveria ter sido contada em 2021, no centenário da Mercedes Baptista, mas com a pandemia e as restrições todas a gente não conseguiu, mas hoje estamos aqui”, comentou Marcella.

Maria Augusta, carnavalesca do Salgueiro nos títulos de 1971 e 1974, é testemunha da história e conta que se sentiu representada durante o espetáculo. Para ela, o que chamou mais atenção foi o alto nível da apresentação, Maria disse ainda o show desta noite foi um passo para a integração da cultura popular à cultura erudita.

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“Eu estou muito emocionada porque pra mim foi uma revisão da minha vida. Mexeu muito comigo e gostei muito da qualidade. Isso para mim talvez seja o mais importante, porque o lugar não é só o Theatro Municipal, é o Assyrio que é um requinte. Fazer um show contando a história do Salgueiro é inédito nas escolas de samba e é um passo de integração da nossa cultura popular à cultura erudita. Isso para mim não tem preço, é maravilhoso”, disse Maria Augusta.

Presente em grandes momentos da história do Salgueiro, como no cinquentenário da agremiação, a premiadíssima porta-bandeira Marcella Alves revelou estar emocionada e feliz por estar presente também nesse grande momento que foi a homenagem à Mercedes Baptista. Ela ressaltou que o Theatro Municipal é uma casa do governo e deve promover cultura, sendo assim, nada melhor que o carnaval fazer parte disso.

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“Eu fiquei muito emocionada, muito feliz e aí tenho o privilégio de dizer que eu estive em grandes momentos da minha escola de coração, no cinquentenário, tive agora nos 70 anos e esse momento lindo que é a comemoração dos 100 anos da Mercedes Baptista, uma pessoa que foi de extrema importância. A gente poder estar aqui dentro do Municipal mostrando nossa arte, os bailarinos do samba, é um marco muito importante e uma felicidade muito grande eu estar sendo a principal defensora do pavilhão de Salgueiro neste momento”, pontuou Marcella.

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Sabrina Ginga, influencer, passista e Embaixadora da escola representou Xica da Silva, que marcou o início da trajetória de Mercedes Baptista na Academia do Samba. Para Sabrina, o espetáculo serviu para perpetuar o legado, a quem ela é muito grata por tudo que fez pelas pessoas negras no passado. A passista aproveitou para enaltecer as escolas de samba e dizer que a cultura popular é de extrema importância para nossa sociedade.

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“Eu me sinto extremamente lisonjeada e extremamente feliz em continuar o legado de dona Mercedes, que lutou pelo protagonismo das pessoas negras dentro dos dos espaços como um todo. Lutou pela nossa dignidade, pela nossa pela nossa saúde mental, física, lutou muito pela gente. A escola de samba que sustenta a cultura dessa cidade nunca tinha apresentado aqui, isso fala muita coisa sobre o racismo estrutural mesmo na cidade do Rio de Janeiro e no Brasil de maneira geral. É mais uma conquista, mais um passo e a continuação do legado de dona Mercedes”, garantiu a passista.

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Mangueira comemora 95 anos com show da cantora Alcione

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A Estação Primeira de Mangueira está em festa. São 95 anos de glórias e histórias de uma das mais importantes instituições culturais do Brasil. Um celeiro de bambas que despontou e inspirou lindas obras decantadas em todo o mundo.

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Foto: Divulgação/Mangueira

Dia 28 de abril é o dia daquela que tem as cores da rainha das flores, escolhida e nomeada pelo mestre Cartola, um dos fundadores da agremiação. Sua Quadra, o Palácio do Samba, será palco de uma grande comemoração em homenagem a esta tradicional senhora e respeitada escola de samba carioca, quando a agremiação irá lançar oficialmente seu enredo e logo para o carnaval de 2024, que tem como homenageada a grande diva mangueirense Alcione.

A programação inicia às 6h com a tradicional Alvorada e a distribuição de chocolate e biscoitos para as crianças, além do hasteamento das bandeiras do Brasil e da Estação Primeira, ao som do Hino Nacional e do Hino da Mangueira, a entrada é franca. Na parte da noite, às 20h o lançamento oficial do enredo para o carnaval de 2024, com direito a show dela, claro, a voz que guiará os caminhos da Mangueira no próximo carnaval: Alcione. Noite imperdível e você não pode ficar de fora! Além do show, teremos apresentação da equipe e a bateria nota máxima da Mangueira. Os ingressos para o show já estão disponíveis no site ingresso.mangueira.com.br.

Serviço:
Festa de 95 anos da Mangueira
Data: 28 de abril de 2023
Horário: 20h
Local: Palácio do Samba
Endereço: Rua Visconde de Niterói, 1072 – Mangueira
Ingressos pista: 2° Lote – R$40,00

Rio teve arrecadação recorde de ISS de turismo com o Carnaval 2023

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O Carnaval 2023 fez a Prefeitura do Rio arrecadar R$ 25,7 milhões em impostos sobre serviços (ISS) relacionados ao turismo. Foi o melhor resultado para o mês de fevereiro desde o início da série histórica da Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento (SMFP), iniciada em janeiro de 2011. Esta foi a segunda maior arrecadação de ISS de turismo do município, atrás apenas da Copa do Mundo de 2014, que teve a final no Maracanã e que rendeu R$ 26,1 milhões, apenas 1,7% acima de fevereiro deste ano.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Os dados foram compilados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação (SMDEIS), em parceria com a Riotur. O secretário Chicão Bulhões destaca o resultado de fevereiro: “Na comparação com último Carnaval realizado antes da pandemia, em 2020, a arrecadação de fevereiro foi 30,8% maior. E foi 40,9% superior à registrada em fevereiro de 2022, quando os desfiles das Escolas de Samba foram transferidos para abril, por causa da variante Ômicron, da Covid-19. Além disso, no ano passado, não houve o carnaval de rua, com os blocos oficiais”.

Os números estão em linha com o Carnaval de Dados, publicação elaborada também pela SMDEIS, em parceria com a Riotur e a Fundação João Goulart (FJG), que aponta a festa do Momo como o maior evento turístico do Rio, seguido pelo Réveillon. Comparando as duas últimas grandes festas, que atraem todos turistas de todo o mundo, o Carnaval 2023 arrecadou, em ISS de turismo, 47,3% mais que a virada do ano de 2022.

“É gratificante constatar que o Carnaval 2023 deixou números acima dos esperados. A Riotur trabalhou em parceria com diversos órgãos da Prefeitura para que a festa fosse um sucesso. O retorno é o fruto desse alinhamento, e ratifica a importância do Carnaval para a economia carioca”, destaca Ronnie Costa, presidente da Riotur.

Agora é Brasilândia! Carlos Júnior canta pela primeira vez com a comunidade da Rosas de Ouro: ‘Precisava desse calor humano’

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A Sociedade Rosas de Ouro está de cara nova no seu carro de som. Na tarde deste domingo, o intérprete Carlos Júnior foi apresentado e fez sua estreia com a comunidade da Brasilândia. Em evento na quadra, o cantor se divertiu com os componentes da Rosas de Ouro cantando sambas antigos e fazendo discursos emocionados. A “Feijoada em Azul e Rosa” também marcou a apresentação do novo mestre-sala, Uilian Cesário. O site CARNAVALESCO esteve presente na festa e conversou com o renomado e estreante intérprete na Roseira. * VEJA AQUI: CARLOS JR. CANTA SAMBAS DO ROSAS

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Fotos: Gustavo Lima/site CARNAVALESCO

Um novo desafio

‘Carlão’, como é popularmente conhecido no mundo do samba, começou sua trajetória como intérprete no Camisa Verde e Branco e construiu a maior parte de sua carreira no Império de Casa Verde, tendo também passagens em dois anos pelo Vai-Vai e, no último carnaval, desfilou pela Acadêmicos do Tucuruvi. O cantor falou sobre a nova casa.

“Eu sou um sambista e não sou um torcedor. No Rosas de Ouro nós estamos fazendo um contrato. Depois dessa pandemia eu sofri muito. Quando eu fui para o Tucuruvi, consegui me recuperar lá dentro com o amor das pessoas. Acho que fiquei muito tempo afastado disso. Eu fui atrás de desafios novos no Tucuruvi, já tinha um namoro com a Rosas de Ouro. É uma escola que sofre tanto e a comunidade não vai embora. Eu quero participar disso e quero conhecer. E também não vou ser hipócrita, aqui vai ser um lugar que vai me dar uma remuneração legal para eu criar meu filho, dar uma condição básica para a minha família. Ninguém vai ficar, mas eu vivo disso. Eu saí do Império, dei um retrocesso no dinheiro para cuidar da minha saúde no Tucuruvi e aqui no Rosas eu resolvi encontrar as três coisas. Pessoas, recursos e saúde”, declarou.

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É fato que uma novidade em uma escola de samba sempre atrai atenções maiores. O intérprete foi muito requisitado no evento. Foi alvo de muitos diálogos, fotos e comentou.

“Eu precisava desse calor humano. É como se fosse cada gota de remédio para mim. Eu fico muito feliz com esses abraços. Nada nessa vida é unanimidade, mas a gente quer adquirir essa confiança”, disse.

Samba preferido

Como dito anteriormente, Carlos Júnior cantou vários sambas antigos da Roseira. Porém tem um que cativa mais o intérprete.

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“É o samba de 1989. Eu cantava ele no quintal e foi o primeiro samba que veio no meu sentimento aqui e eu cantei. Minha mãe era viva nessa época. Eu gosto desse samba por causa dela. Era a época do vinil. Me lembrava do teatro, eu ficava imaginando as cortinas abrindo. Eu fazia teatro na minha escola. Esse é o primeiro samba da Rosas que eu me apaixonei”, comentou.

Substituindo um ícone

O intérprete anterior, Royce do Cavaco, fez uma grande história na agremiação. Colecionou inúmeros desfiles e tem uma grande identificação com a entidade. Teve passagens nos anos 80, 90 e, recentemente, de 2017 até 2023. Carlos Júnior falou sobre a grandeza de Royce e como é substituir o cantor na Roseira.

“Em uma sexta-feira teve uma pressão muito grande na diretoria daqui para publicar o vídeo. Eu trabalhei o dia inteiro e 2h da manhã eu fui para a Fábrica fazer aquele vídeo de apresentação e, quando eu saí, a primeira coisa que eu fiz foi ligar para o Royce. Nós tivemos uma conversa de irmão para irmão. Ele me falou palavras que eu fiquei uma hora chorando e disse que eu era a pessoa certa para ter vindo. E eu só posso responder que é impossível substituir o Royce. Eu fiquei ensaiando os sambas para cantar hoje e, essa semana, fiquei ouvindo todos os áudios do Royce. É um fenômeno. Eu não tenho equilíbrio emocional para cantar da forma que ele canta. Eu fiquei vendo os vídeos dos anos 80 e 90. É uma história eterna Royce e Rosas. Nem o Darlan e nem eu. Você vai fazer a vez. Eu venho atender uma geração nova que necessitava uma mudança, porque o Royce é insubstituível”, explicou.

Desfile de 2023

No carnaval de 2023 o Carlos Júnior desfilou pelo Tucuruvi após uma longa passagem no Império de Casa Verde. O cantor fez elogios à escola e avaliou sua participação como positiva.

“Eu tenho certeza que a gente fez um trabalho muito grande no Tucuruvi. Trabalhamos com som precário, mas com alegria e felicidade. A escola me fez ser mais trabalhador do que eu já estava. A gente cantou Bezerra da Silva. Se faltou alguma coisa, não foi pela parte musical. A bateria deu um show, quando passamos pela monumental foi um sacode. Eu vi com meus olhos. Teve escola grande com samba melhor que não teve isso. Quando a gente fez o primeiro ensaio técnico me deu a impressão de que voltaria para as campeãs, mas o segundo acho que não. Talvez o impacto que causamos acendeu as outras escolas, mas da parte musical não faltou nada”, finalizou.

Carnavalesco do Império da Tijuca diz que abordagens do enredo sobre Lia de Itamacará vão ser diferentes no Rio e em SP

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O Império da Tijuca apresentou no último domingo sua equipe de carnaval e o enredo “Sou Lia de Itamaracá curando a vida na beira do mar” com a sua tradicional Feijoada Imperial, no salão nobre do Tijuca Tênis Clube. Após um bom carnaval nesse ano, a escola do Morro da Formiga aposta novamente em um trabalho solo de Júnior Pernambucano para voltar ao Grupo Especial. O evento contou com a presença da própria Lia de Itamaracá, a Rainha da Ciranda. Houve também show com os segmentos, e apresentações dos grupos Casa do Saber Popular e Brincantes da Pedra Branca. * LEIA AQUI A SINOPSE

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Fotos: Augusto Werneck/Site CARNAVALESCO

Momentos antes da apresentação da equipe de carnaval, Lia de Itamaracá, contou ao site CARNAVALESCO sobre o sentimento de receber essa homenagem. Emocionada, ela não fez exigências em relação à construção do enredo.

“Quando o convite chegou para mim, eu não pensei três vezes. Não vai faltar nada (sobre mim no enredo). A escola de samba é uma união, todo mundo junta e dá as mãos, é como a ciranda”, disse Lia.

A apresentação iniciou com a Rainha da Ciranda junto com os grupos Casa do Saber Popular e Brincantes da Pedra Branca. As cirandas típicas de Pernambuco contagiaram o local. Os segmentos e o público presente abriram uma grande roda no centro do salão para celebrar o momento.

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Após o show começou a dança do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renan Oliveira e Laís Lúcia Ramos, ao som do samba de 2023 “As cores do Axé”. O espetáculo contou com sambas históricos interpretados pelo carro de som da agremiação e pela bateria “Sinfonia Imperial”. A ala de passistas, baianas e velha-guarda também se apresentaram.

Quarta colocada na Série Ouro no carnaval de 2023, a Verde e Branca do Morro da Formiga vem confiante para mais um ciclo. O enredo sobre Lia de Itamaracá é o pontapé inicial para a preparação de um grande desfile. Os segmentos estão trabalhando para que a tão sonhada volta ao Grupo Especial se torne realidade.

A ideia de homenagear Lia de Itamaracá partiu do carnavalesco Júnior Pernambucano. Nascido e criado em Pernambuco, o artista teve sua infância marcada pelas cirandas de Lia. Além do Império da Tijuca, a escola do Grupo de Acesso I paulista Nenê de Vila Matilde também irá contar a história da Rainha da Ciranda. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Júnior falou sobre a ideia do enredo e as diferenças em relação a abordagem da escola da Vila Matilde.

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“Eu sou pernambucano. Desde criança, meu sonho era realizar esse enredo. Desde pequeno, eu vi várias cirandas da Lia, ficou registrado na minha memória. É o mesmo pensamento em relação ao sentimento de infância. O Fábio Gouvêa, carnavalesco da Vila Matilde, também é pernambucano. Eu acredito que vão ser linhas diferentes, será uma grande homenagem a Lia”, disse Júnior.

O presidente Tê tem total confiança no trabalho de Júnior Pernambucano. Os dois trabalharam juntos no título da Série Ouro em 2013 e no desfile do Grupo Especial em 2014. Após o fim da dupla com Ricardo Hessez, Júnior terá mais uma vez o desafio de assinar um desfile sozinho.

“Eu não posso falar mal do Juninho. Ele sempre fez carnavais dignos de título. No primeiro ano em que ele trabalhou comigo, foi campeão, em 2013. No ano seguinte, em 2014, ele fez aquele grande carnaval, o “Batuk”, e fomos injustiçados. Agora foi a hora de trazê-lo de volta e dar continuidade ao trabalho que ele vinha fazendo”, expressou Tê.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renan Oliveira e Laís Lúcia Ramos, já começou a ensaiar para o ano que vem. Renan e Laís ganharam dois 9,9 e duas notas dez dos julgadores, no último carnaval. Mesmo considerando o resultado positivo, o foco do casal é melhorar ainda mais no próximo desfile.

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“Esse ano nós fizemos um dos nossos melhores desfiles juntos. A gente ficou muito feliz pela execução do trabalho. O importante para a gente foi ter treinado e conseguido executar a nossa proposta”, explicou Renan. ”Já começamos os nossos ensaios com todo amparo que a escola está dando para a gente, justamente para apresentar um carnaval diferente e superarmos o de 2023, e todos carnavais que já apresentamos anteriormente. Vai ser um carnaval inesquecível para nós dois, nós já colocamos isso como meta”, completou Laís.

A “Sinfonia Imperial” também está se preparando para 2024. Comandada pelo mestre Jordan, a bateria do Império da Tijuca conseguiu três notas dez e um 9,9. Segundo o mestre, o público pode esperar novamente uma performance cheia de surpresas.

“Em relação ao nosso trabalho de 2023, eu tenho um saldo muito positivo. Graças a Deus, consegui alcançar o meu objetivo, que foi as três notas dez para a escola. Em 2024 vocês podem esperar que a Sinfonia virá com mais força ainda. Com um enredo desse, sobre a Lia de Itamaracá, com certeza virão surpresas por aí”, revelou Jordan.

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O carro de som imperial também está mantido para 2024. O intérprete Daniel Silva exaltou o trabalho feito para 2023 e fez projeções para o próximo carnaval.

“Foi o melhor possível. Logicamente que a gente treina e ensaia para alcançar o primeiro lugar. Mas é um degrau após o outro. Estamos felizes com o quarto lugar, a escola ensaiou bastante. Foi um desfile maravilhoso, graças a Deus e a essa comunidade incrível. Demos a largada para o carnaval de 2024, um enredo maravilhoso sobre a Lia de Itamaracá, que é um ícone da cultura nacional. Não só eu, como toda a escola e o carro de som, estamos empolgadíssimos, porque fazer uma homenagem a uma pessoa em vida é um sabor diferente”, disse Daniel.

Wander Pires fica emocionado em reestreia na Viradouro e diz: ‘maior homenagem da minha vida’

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Na noite do último domingo, em sua tradicional feijoada para São Jorge, a atual vice-campeã do Grupo Especial, Unidos do Viradouro, apresentou oficialmente sua equipe rumo ao carnaval de 2024. A estrela da noite foi o intérprete Wander Pires, principal novidade da escola na busca pelo tão sonhado campeonato, que escapou por um décimo no carnaval de 2023. A Vermelha e Branca de Niterói levará para a avenida no próximo carnaval o enredo “Arroboboi, Dangbé”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.

Além da apresentação da equipe, na feijoada de São Jorge, a Unidos do Viradouro também anunciou novidades voltadas para sua comunidade. Antes da apresentação da equipe do carnaval 2024, o presidente de honra da escola, Marcelo Calil, anunciou a retomada do Instituto Viradouro Pedro Leon Monassa Bessil, com atividades voltadas para a comunidade e a escola mirim da Vermelha e Branca, que desfilará no próximo carnaval.

Marcelinho Cali fala sobre chegada de Wander Pires: ‘O maior cantor do Grupo Especial’

Presidente da Viradouro, Marcelinho Calil abordou a chegada do intérprete Wander Pires, a principal contratação da escola para o carnaval de 2024. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Calil destacou a vontade de Wander no retorno ao microfone principal da Vermelha e Branca de Niterói.

Alex Fab, diretor de carnaval, e Marcelinho Calil, presidente da Viradouro

“O Wander é um cantor que dispensa comentários, estreia em 94 na Padre Miguel, faz 30 anos cantando ano que vem. Um cantor com uma qualidade absurda, um cara extremamente experiente, vivido e que está com um tesão enorme de cantar na Viradouro. É um casamento perfeito, tivemos um cantor de muito sucesso por aqui por 9,10 anos, uma pessoa muito querida, pelo qual temos muito carinho, que agora a gente abriu essa parceria, ele segue na Mocidade e a gente vai fazer nosso trabalho com o cantor que, para mim, é o maior cantor do Grupo Especial do Rio de Janeiro”, afirmou.

A chegada de Wander Pires à Unidos do Viradouro também representou o fim da parceria da escola com o cantor Zé Paulo Sierra, que ocupou o posto de cantor da escola por 10 anos. A saída de Zé, porém, se deu em comum acordo, com o desejo de sucesso mútuo de ambos os lados, como destaca o presidente da Viradouro, Marcelinho Calil.

“Eu não tenho problema nenhum em falar, o Zé é uma pessoa muito querida, um amigo, um profissional maravilhoso e eu desejo todo o sucesso do mundo para ele. Foi uma questão profissional, de trabalho e nós entendemos que seria melhor para escola e para ele seguir por outro caminho. Desejo todo o sucesso do mundo, é um amigo, uma pessoa por quem tem muito carinho e respeito, assim como tenho pelo Wander, uma pessoa que se tornou amiga, para mim, é o melhor cantor do Grupo, técnicamente, de voz e tenho certeza absoluta que com essa vontade que ele está aqui, com o compromisso que ele está com a Viradouro, a gente vai ter um caminho de muita alegria, de muita felicidade no próximo carnaval”, ressaltou.

Para o carnaval 2024, a Unidos do Viradouro apostará no enredo “Arroboboi, Dangbé”, sobre a energia do culto ao vodum serpente, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. O enredo é tratado pela escola como uma forma de apresentar na Marquês de Sapucaí uma parte ainda pouco retratada da África.

lorena erika
Lorena Raissa, rainha de bateria da Beija-Flor, esteve na quadra e encontrou Erika Januza, rainha da Viradouro

“O Tarcísio é um cara calmo, mas acho que ele já merece estar como um dos grandes carnavalescos do Grupo Especial, apresentou um carnaval incrível no ano passado, esse ano, junto ao João Gustavo Melo, nos propuseram o desfile do ‘Arroboboi, Dagbé’. A gente tem um desfile afrão, mas com uma vertente tão linda quanto a nagô, tão linda como os orixás, mas voltada para os voduns, especificamente para o vodun Dagbé, a serpente sagrada e seu legado, através de Ludovina Pessoa que, na transição atlântica África-Brasil, ela aqui instaura e como legado, o jeje, que é um candomblé mais fechado, um pouco menos conhecido, mas não menos importante. A gente vem com o respeito a essa representatividade, com a busca pela pluralização africana, a história nos mostrou sempre uma demonização de tudo que era afro e uma unificação de tudo que era afro. Um continente absurdamente grande e se fala que afro é tudo orixá, mas com todo o carinho e respeito aos orixás, obviamente não é. Buscamos trazer uma outra linhagem, outra etnia, que traz através dos voduns, um culto a essas divindades, com tanta beleza e admiração quanto os orixás. No final, vamos fazer uma grande homenagem, mas é importante para nós trazer essa mensagem de pluralização, de carinho e respeito a toda essa energia africana que vem nos abençoando. Muito carinho e respeito por esse enredo e tenho certeza que a escola fará um grande carnaval em 2024”, ressaltou Marcelinho Calil.

Rumo ao segundo carnaval solo na Viradouro, Tarcísio Zanon tem a missão de retratar uma ‘África diferente’ na Avenida

Responsável pela nota máximo nos quesitos que defendeu no carnaval de 2023, o carnavalesco Tarcísio Zanon segue na Viradouro para 2024. Com a missão de desenvolver o enredo “Arroboboi, Dangbé”, Zanon terá a missão de apresentar ao grande público, segundo ele, uma África diferente das que já foram retratadas na Sapucaí.

“Esse enredo tem a missão de trazer uma África diferente, que pouco foi retratada na avenida, tratando da religiosidade vodu mais especificamente. O enredo tem essa missão de desdemonizar essa religião, de desdemonizar a figura da serpente, justamente porque a gente sempre quando fala vodu, tem a imagem daqueles bonecos furados, que na verdade não são para o mal e sim para cura. Nós aprendemos lá no terreiro de Bogum, com o primeiro ogã da casa, que a palavra vodun significa ‘tudo de bom para você’. Nós temos essa missão de transformar as pessoas e trazer um novo olhar para essa religião e para essa divindade, que é a serpente adorada por esses povos, assim como em outros povos, outros animais são adorados”, contou.

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Carnavalesco Tarcisio Zanon

A ideia do enredo da Viradouro para o carnaval de 2024 surgiu ainda durante a pesquisa da obra de Rosa Maria Egipcíaca, enredo da escola no último carnaval. O carnavalesco Tarcísio Zanon revelou que foi apresentado a história ao pesquisar sobre a religiosidade da homenageada no carnaval de 2023.

“A ideia do enredo nasce intuitiva com uma pesquisa que estava fazendo sobre o acotundá, que era a religiosidade de Rosa no Daomé, com um livro do Aldair Rodrigues e do Moacir Maia (“Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário”), de Minas Gerais, que traz as sacerdotisas voduns e me dá inspiração para pesquisar esse assunto. Nós fomos à Bahia, conhecemos o terreiro de Bogum, um terreiro centenário, trazido por Ludovina e a partir daí, começamos a desenvolver esse enredo”, disse.

Além da história de Dagbé, o enredo da Viradouro também abordará a saga de Ludovina, africana que parte rumo ao Brasil em uma missão espiritual. A história foi apresentada ao carnavalesco da Viradouro, Tarcísio Zanon, durante sua viagem à Bahia.

“A figura da Ludovina, que eu não conhecia, uma mulher para época, conhecida como de partido alto, que veio para cá com uma missão espiritual de abrir três casas e veio como uma rainha também, consegue cumprir parte da sua missão, deixando para suas ancestrais outras partes. Uma mulher que veio com uma missão e conseguiu realizar, dentro de toda dificuldade. A sinopse vai revelar mais, porém é uma parte bem emocionante que descobrimos lá na Bahia”, revela Zanon.

Diretor de carnava, Alex Fab aposta no entrosamento entre Wander Pires e Ciça

No carnaval de 2023, um dos quesitos em que a Unidos do Viradouro foi descontada pelos julgadores foi Harmonia. Justamente pensando nisso, a escola promoveu mudanças em seu carro de som para 2024, com a chegada de Wander Pires. Para o diretor de carnaval da Vermelha e Branca, Alex Fab, o talento individual da dupla será potencializado pelo coletivo da escola.

“O Ciça é um ícone do carnaval, é uma resenha muito agradável, muitas histórias, tem uma qualidade técnica indiscutível e Wander da mesma forma. A gente tem dois grandes astros do Carnaval, e aí Deus nos dê a sapiência para que a gente possa trabalhar. É esse grande encontro, a gente vai trabalhar muito pra essa sintonia para que nos permita uma harmonia nota dez, tanto no quesito propriamente dito harmonia quanto na no dia a dia, no trabalho, como um todo. A gente caminha muito bem porque são dois grandes profissionais desprovidos de vaidades, no sentido de ter o bem comum, o bem maior. A Viradouro potencializa o potencial de cada um, mas sempre pensando na coletividade”, comentou.

Com o enredo “Arroboboi, Dagbé”, a escola espera repetir o sucesso do carnaval de 2023 no quesito samba-enredo, no qual garantiu a nota máxima. O diretor de carnaval Alex Fab revela, em entrevista ao CARNAVALESCO, que a disputa de samba para 2024 sofrerá alterações, em busca da melhor decisão.

“No dia 2 de maio, nós vamos estar na quadra da Viradouro para recebermos os compositores para entrega da Sinopse com as primeiras explicações. A gente vai trazer pessoas que nos ajudam e nos ajudaram na pesquisa, tem o Gustavo, tem a direção da casa, a presidência da casa, que mergulha também muito forte na questão do nosso enredo. Nós trazer algumas pessoas também que tem esse fundamento porque esse enredo também é para quebrar alguns paradigmas. Vamos anunciar nesse dia algumas alterações no concurso e é interessante que todos os compositores estejam presentes, até aqueles que entregam o samba no dia, é importante que estejam aqui porque nós vamos anunciar algumas mudanças pontuais da disputa de samba-enredo pra sempre melhorar para eles o processo e também melhorar pra escola”, ressaltou Alex Fab.

Wander Pires se emociona na ‘maior homenagem de sua vida’

Sem sombra de dúvida, a noite de domingo, na quadra da Viradouro foi dele, Wander “A voz” Pires. Em sua apresentação oficial como intérprete da escola, o cantor recebeu diversas homenagens pelo público presente. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Wander comentou sobre o sentimento de retorno à escola de Niterói.

“O sentimento é muito grande, estou maravilhado, ocorreu tudo bem, como pedimos a Deus. Estou muito feliz, nossos diretores fazendo por onde para tudo dar certo. É uma das maiores emoções que já tive em toda minha vida, até comparei com o momento que fui escolhido como intérprete oficial da Mocidade, na época, ou quando eu voltei para a Mocidade. Foi uma das maiores emoções da minha vida, inigualável. Me sinto em uma equipe de campeão, é muito orgulho para mim ser chamado para trabalhar nessa equipe de vencedores, guerreiros, espero um dia me tornar um deles”, salientou o cantor.

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Fotos de Gabriel Gomes/Site CARNAVALESCO

No carnaval de 2024, Wander fará uma inédita parceria com o experiente mestre Ciça, comandante da Furacão Vermelho e Branco. Para Wander, a parceria será ‘maravilhosa’. O sentimento é compartilhado por Ciça.

“A parceria vai ser maravilhosa, pois era um sonho trabalhar com ele. Uma vez nós quase trabalhamos juntos na Grande Rio, mas não aconteceu, pois eu já estava fechado com a Imperatriz, não deu. Agora, nós conseguimos estar juntos aqui na Viradouro para fazer um carnaval maravilhoso e vamos buscar o título”, disse Wander.

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“O Wander é um craque, um ícone, vai ser muito fácil trabalhar junto dele”, concluiu Ciça, que já iniciou os ensaios de bateria rumo ao carnaval 2024. “A gente vai reduzir a bateria mais ainda, queremos fazer uma seleção mais elaborada, mais profunda para termos uma bateria com um pouco mais de qualidade, que é o nosso dever fazer isso. Eu gosto de trabalhar cedo”, explicou.

Vídeos: Intérprete Carlos Jr. canta os sambas-enredo históricos da Rosas de Ouro

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Sinopse do enredo do Império da Tijuca para o Carnaval 2024

Enredo: Sou Lia de Itamaracá, cirandando a vida na beira do mar

logo imperiodatijuca enredo2024

ARGUMENTO:

Lia da pedra que canta

Cantora ícone da cultura popular brasileira, Lia de Itamaracá completará 80 anos no próximo dia 12 de janeiro de 2024. De carreira, são mais de seis décadas a serviço de ritmos que sintetizam as mais genuínas manifestações artísticas de seu Pernambuco: frevo, maracatu, coco de roda e, mais que tudo, ciranda – o ritmo e a dança que lhe deram fama e que ela mesma levou para a ilha, tornando-se marca da cultura local. São as águas do mar, do rio e do mangue, as areias brancas e os altos coqueirais de Itamaracá que inspiram Lia, também compositora e dançarina. Chamada por muitos de entidade, pelo porte imponente, pele preta retinta, vestidos multicoloridos e sorriso largo, é ela a soberana da gente simples da ilha que tanto ama.

Mora com o marido Toinho numa casa em Jaguaribe, o mesmo bairro no qual viveu a vida toda, para onde sempre volta depois de suas apresentações, finalizadas com uma grande roda de brincantes. Ali foi cozinheira de bar e merendeira de escola pública; ali ouviu ciranda pela primeira vez; e ali decidiu que seu destino era ser cantora. Uma mulher que não esconde a idade e que, justamente por isso, não aparenta o tempo que tem. Uma artista com pressa e vontade de viver: “Se quiserem fazer alguma homenagem para mim, façam comigo viva. Depois que eu morrer, não adianta. Quero estar aqui, para que eu possa ver e aproveitar”, costuma dizer em entrevistas.

Pois não, Dona Lia de Itamaracá. Seja feita a vontade da Rainha da Ciranda, diz o Grêmio Recreativo Escola de Samba Educativa Império da Tijuca, a verde e branco do Morro da Formiga, que levará a sua história para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2024. Viva a ciranda, o samba, a cultura popular. Viva Lia de Itamaracá!

SINOPSE:

Eu sou lia

Na minha certidão de nascimento está escrito Maria Madalena Correia do Nascimento. Mas desde menina eu me chamo Lia. Meu lugar fica em Pernambuco, é cercado de água – mar de um lado, rio e mangue de outro – e traz a música no nome: Itamaracá é pedra que canta. Meu palco é na beira da praia, debaixo de sol ou de lua, ouvindo a pancada das ondas do mar, com o povo de mãos dadas, formando uma roda para cantar e dançar.

Essa é minha ilha, essa é minha ciranda, essa sou eu.
Eu sou Lia da beira do mar
Morena queimada do sal e do sol
Da Ilha de Itamaracá [1]

Águas da inspiração

Sou Lia, filha de Matilde e Severino, e também filha das águas. Água de mangue, rio e mar, que se abraçam em Itamaracá, ilha da minha vida. Mangue de Nanã, a velha iabá, que guarda os saberes ancestrais, soberana dos encontros entre rios e mares. Saluba! Rio de Oxum, senhora das águas doces e da fertilidade, bela guerreira coroada e ornada de ouro. Orá yê yê ô! Mar de Iemanjá, rainha tão linda, que serena as águas na beira da praia e faz o pranto sumir na imensidão salgada. Odoyá!

Quando eu era menina, a folia era na beira dos mangues e dos rios ali na Praia do Sossego. A molecada pra lá e pra cá, se metendo na lama pra catar caranguejo, siri e guaiamum, se pendurando nos galhos, tomando banho de rio e se escondendo do sol, que brilha quente o ano inteiro.

Mas o mar era diferente. Eu ouvia seu balanço, com as ondas quebrando nas areias branquinhas, e gostava da falta de silêncio do mar, como se ouvisse um chamado para ser artista. O mar da minha ilha é música para mim, com suas águas verdes, quentes e calmas, emolduradas por um céu azul infinito, sol de ouro e lua de prata.

Eu me perdia nas praias, me encostava nas jangadas e escrevia nas areias as letras que estavam na minha cabeça. As ondas vinham e apagavam tudo. Levavam as palavras embora e, no tempo e no ritmo delas, devolviam em forma de melodia. Hoje, toda vez que subo no palco, canto o mar dentro de mim.

O mesmo mar onde mora Janaína, rainha preta como eu, com seu adê prateado, vestido azul bordado de espuma, cabelos enfeitados de flores e corais. Mamãe sereia e mãe dos peixes, que nunca negou colo a esta filha devota de Nossa Senhora da Conceição e do Pilar. Por ela eu firmo ponto e ciranda; boto flores, espelho, perfume e colar no barquinho de oferendas. Por isso que não existe Lia sem mar.

Estava na beira da praia
Vendo o balanço do mar
Quando eu vi uma linda sereia
E eu comecei a cantar
Ô, Janaína, vem ver
Ô, Janaína, vem cá
Receber as flores
Que eu vou te ofertar [2]

Itamaracá: pedra que canta

Na língua dos nativos caetés, Itamaracá é pedra que canta. Ilha cheia de pés de coco e de cana, terra dos primeiros engenhos de açúcar. Lugar encantado, com sua gente simples e trabalhadora, reis e rainhas que ganham a vida com o próprio suor e que defendem a sua cultura. Pescador, marisqueiro, tirador de coco, barqueiro, catador de mangue. Cada um deles é um pouco de mim.

Itamaracá é uma ilha encantada
Lugar mais bonito que eu vi
Itamaracá é um reino encantado
E todos são reis por aqui
Ilha de sonho, de luz e de cor
Pedra que canta o amor [3]

Do meu tempo de menina, lembro como se fosse hoje das festas de Nossa Senhora do Pilar, padroeira de Itamaracá, e de Bom Jesus dos Passos. Os devotos saíam em procissão, carregando cada santo em um andor, até a igreja de São Paulo, na praia do Forte Orange. Uma semana depois, as imagens voltavam para suas igrejas nos barcos dos pescadores, em um cortejo pelo mar que o meu povo chama de “buscada”. Coisa mais linda era ver as pessoas na praia esperando os barquinhos enfeitados de flores e fitas.

Por isso eu nunca quis sair de Itamaracá. Aqui estão as mais doces lembranças que tenho de minha mãe, cozinheira de mão cheia, com quem aprendi a mexer tachos e panelas. A maior herança que ela me deixou foi saber fazer comida. Tanto que, por muitos anos, tirei meu sustento da cozinha. Como merendeira de escola pública, temperei com amor de mãe cada prato de arroz e feijão que eu servi para as crianças. Que saudade que eu tenho de ouvir aquela meninada na fila cantando: “Essa merenda quem me deu foi Lia”!

Dorme, dorme, pretinho
Que mamãe está pescando, pretinho
Dorme, dorme, Maria
Que mamãe está pescando, Maria
E vai trazer muitos peixes para ti
E vai carne de ostras para ti
Um jereré bem cheinho de siri
E vai trazer muitas conchas para ti [4]

Lia e sua musicalidade: nasce uma artista

E as festas de Itamaracá? Ai, mamãe, como era bom! Do Natal até as festas da padroeira, tinha reisado, fandango, pastoril e coco de roda na beira da praia; e maxixe, cavalo marinho e maracatu rural, o de baque solto, com os caboclos de lança. Depois vinham as festas juninas: São João, com suas fogueiras, São Pedro, padroeiro dos pescadores, e Santo Antônio, que socorre moças e rapazes em busca de um amor.

Ô moça namoradeira
É na porteira onde os pássaros cantavam
Ela chorava, se lamentava
Por ter perdido o amor que tanto amava [5]

Nesse tempo, ainda não tinha ciranda em Itamaracá. Nas festas, eu cantava de noite as loas das marujadas e as cantigas dos cordões azul e encarnado dos pastoris. No outro dia de manhã, lavando a roupa ou varrendo o terreiro do patrão, eu cantava de novo, bem alto, para que as pessoas na rua pudessem me ouvir.

Ali eu já tinha escolhido meu destino: ser cantora. Se hoje eu canto ciranda, aprendi ouvindo o mestre Antônio Baracho, grande brincante dos cavalos marinhos da Zona da Mata. E muito antes de eu gravar o primeiro disco, o Brasil já cantava os versos que me fizeram famosa. Toda vez que a canção tocava no rádio, a vizinhança logo gritava: “Corre, Lia, que tua música tá passando!”. Oxe, eu ia ligeiro, só para me ouvir cantar!

Eu estava na beira praia
Ouvindo as pancadas das ondas do mar
Esta ciranda quem me deu foi Lia
Que mora na Ilha de Itamaracá [6]

Foi quando começou a ter ciranda em Itamaracá. Comecei a fazer roda no Bar Sargaço, de Dona Creuza, onde eu era cozinheira. No Recife, criaram o Festival da Ciranda, e na primeira vez que a preta cirandeira subiu num palco, foi logo ganhando o primeiro lugar, num Pátio de São Pedro lotado de gente cirandando debaixo de um toró.

Olha eu vi uma preta cirandeira
Brincando com um ganzá na mão
Brincando ciranda animada
No meio de uma multidão
Menina eu parei fiquei olhando
A preta pegou a improvisar
Eu perguntei: “quem é essa negra?”
Sou Lia de Itamaracá [7]

No meu primeiro disco, botaram na capa: “Lia de Itamaracá – A Rainha da Ciranda”. Apareci na televisão e um tocador de tarol se apaixonou: Toinho Januário, meu marido, que divide os palcos e a vida comigo, na nossa casa pertinho do mar. Fiquei um tempo sem fazer disco, nem show. Mas tudo na minha vida aconteceu no tempo que mãe Iemanjá permitiu: depois vieram mais três discos, shows por todo o país, ciranda em Paris. Olha, que amostrada! Enfim, o reconhecimento que eu, como artista, sempre busquei.

Para chegar aqui atravessei um mar de fogo
Para chegar aqui atravessei um mar de fogo
Pisei no fogo, o fogo não me queimou
Pisei na pedra, a pedra balanceou [8]

Folias de Lia: o Carnaval abraça a rainha no cirandar do seu povo

Quem me vê assim, com esses vestidos bonitos, de brinco, colar e pulseira, lenço ou turbante na cabeça, deve pensar: “Lia gosta é muito de andar enfeitada”. Gosto não, adoro! Eu sou uma mulher vestida de cor. Cor é alegria, é axé; e meu amor pelas cores vem das memórias de infância e do Carnaval de Pernambuco.

Aprendi a amar a folia nas ruas de Recife e Olinda, com os clarins do frevo, o rufar das alfaias dos maracatus e o estalado do arco e flecha dos caboclinhos. Bonecos gigantes, papangus e blocos tradicionais como o Elefante e o Pitombeira dos Quatro Cantos. E tem ainda o Galo da Madrugada, maior bloco do mundo, que já me homenageou. Agora, que estou perto de completar 80 anos, meu coração quase não aguenta de felicidade quando eu soube que o Império da Tijuca vai contar minha história no palco sagrado do Carnaval do Rio de Janeiro. Vai ser uma honra pisar a Marquês de Sapucaí, fazer o povo do samba cirandar e mostrar o Carnaval da minha terra, num grande abraço de foliões.

É disso que eu gosto: de estar junto do povo! Porque minha ciranda não é só minha, ela é de todos nós. Música tocada no baque do surdo, com tarol, piston e ganzá. Dança de roda, com todo mundo de mãos dadas, sem distinção ou preconceito, um sentindo o calor do outro; fazendo da vida uma ciranda sem fim.

Minha ciranda não é minha só
Ela é de todos nós
A melodia principal quem
Guia é a primeira voz
Pra se dançar ciranda
Juntamos mão com mão
Formando uma roda
Cantando uma canção [9]

Carnavalesco: Júnior Pernambucano
Argumento e sinopse: Rodrigo Hilário

MÚSICAS CITADAS NA SINOPSE:
[1] Eu sou Lia (Paulo Viola do Recife)
[2] Janaína (Lia de Itamaracá)
[3] Itamaracá (Reginaldo Rossi)
[4] Dorme, pretinho (Lia de Itamaracá/Beto Hees; adaptação de Duerme, negrito/Mercedes Sosa)
[5] Moça namoradeira (Lia de Itamaracá)
[6] Quem me deu foi Lia (Baracho/Lia de Itamaracá/Teca Calazans)
[7] Preta cirandeira (Neris/Saúde)
[8] Mar de fogo (Ponto de Exu/Domínio público)
[9] Minha ciranda (Capiba)

REFERÊNCIAS:

1. BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Marcelo Henrique. O mito, a mulher, a ciranda: Lia de Itamaracá em livro-reportagem. UFPB. João Pessoa, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/
ASSUMPÇÃO, Michelle de. Lia de Itamaracá: Nas rodas da cultura popular. Cepe Editora. Recife, 2020.
CARVALHO, Hermínio Bello de. Lia de Itamaracá. O Pasquim (Edição 794). Rio de Janeiro, 1984. Disponível em: https://tinyurl.com/2wp6vvsv
CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro – 12ª edição. Global Editora. São Paulo, 2012.
FRANÇA, Déborah. Quem deu a ciranda de Lia? A história das mil e uma Lias da ciranda (1960-1980). UFPE. Recife, 2011. Disponível em: https://tinyurl.com/4hec4mvv
_______, Déborah. Histórias da ciranda: silêncios e possibilidades. UERJ. Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: https://tinyurl.com/bdawdyeu
OLIVEIRA, Leônidas. Ciranda pernambucana: uma dança e cultura popular. FAFIRE. Recife, 2007. Disponível em: https://tinyurl.com/2p8m7cst
OTELO, Renata & VIEIRA, Marcílio de Souza. A Mestra da Ciranda: Entrevista com Lia de Itamaracá. UESC. Florianópolis, 2016. Disponível em: https://tinyurl.com/3mukd58k

2. ENTREVISTAS E DOCUMENTÁRIOS

Eu sou Lia. Documentário (2008). 22 minutos. Disponível em: https://tinyurl.com/mry6eupv
Fantástico. Entrevista a Poliana Abritta. TV Globo (17/03/2019). Disponível em: https://tinyurl.com/4ny6maxh
Conversa com Bial. Entrevista a Pedro Bial. TV Globo (25/11/2019). Disponível em https://tinyurl.com/esywf4dn
Alma Preta Jornalismo. Entrevista a Lenne Ferreira (26/09/2021). Disponível em: https://tinyurl.com/yc8zhjwr
Cultura Livre. Entrevista a Roberta Martinelli. TV Cultura (28/05/2022). Disponível em: https://tinyurl.com/45fn4bp

Após Paraty, Tatuapé escolhe Mata de São João como enredo para o Carnaval 2024

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No dia de São Jorge, 23 de abril, como é tradicional para a comunidade da Zona Leste, a Acadêmicos do Tatuapé apresentou seu enredo para o carnaval de 2024: “Mata de São João – Uma joia da Bahia, símbolo de preservação! Entre cantos e tambores. Viva a Mata de São João!”. O site CARNAVALESCO marcou presença no evento e conversou com personagens sobre o que está por vir no próximo carnaval.

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Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Depois de cantar Paraty, a Tatuapé cantará sobre a Mata de São João. Será mais um enredo chamado como CEP, a agremiação da Zona Leste de São Paulo teve sucesso no bicampeonato com Zimbábue e Maranhão, depois o quarto lugar com Atibaia e Paraty. Um dos presidentes da escola, Eduardo Santos falou para o site CARNAVALESCO sobre a escolha para 2024.

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Logo do enredo do Tatuapé para o Carnaval 2024

“O importante é como a gente vai desenvolver o enredo. O fato de ser um enredo que, mais uma vez, homenageia uma cidade, não nos incomoda. Se não fosse, não nos incomodaria. O importante, para nós, não é o tema que a gente está lançando: é o que faremos com ele, o desenvolvimento que daremos. Partindo disso, não temos resistência alguma aos enredos que o pessoal chama de CEP [Cidade, Estado e País], nós fazemos homenagens a cidades com histórias maravilhosas, características principais e tudo que ela nos oferece para transformar em um grande desfile. É isso que faremos mais uma vez. Homenagear Mata de São João, Paraty, café ou Beth Carvalho, para nós, é só o tema: o importante é como vamos desenvolver isso”.

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Presidente Eduardo Santos

Carnavalesco e presidente contam sobre desenvolvimento do projeto

O carnavalesco Wagner Santos falou sobre as diferenças de abordagem no enredo para o carnaval de 2024: “Esse ano pretendo partir para um encaminhamento totalmente diferente. Para não ficar muito repetitivo, não se tornar um roteiro turístico de cidades, vamos partir para a história. Pois a Mata de São João, ela é muito Bahia, então nós vamos tratar, apresentar, mas com todo um espírito baiano. A cidade mantém as mesmas tradições que são mantidas na capital em Salvador, mantém as mesmas tradições e festividades acontecem na Mata de São João. Então vamos fazer um carnaval diferente, até porque a Bahia, é uma história à parte, ela te proporciona muitas coisas, muitos objetivos, formas, que você pode transformar isso em arte visual, cênica, e trazer grande impacto visual, essa é a ideia do enredo”.

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Carnavalesco Wagner Santos

No sexto carnaval consecutivo na Acadêmicos do Tatuapé, Wagner Santos reforçou sobre o enredo que irá apresentar em 2024: “Não é simplesmente para dar aquela coisinha muito roteiro turístico, vamos apresentar espetáculos existentes na cidade, tudo de uma forma muito baiana, raiz baiana, vamos manter as raízes africanas, e as festividades, a religiosidade é muito importante na questão da Bahia, no estado todo, também culinário, diversos aspectos, músicas, danças, todos os tipos de espetáculo existentes na grande Bahia. É uma formação só, falar de Mata de São João, e retratando os principais atrativos turísticos na cidade, mas você misturando isso com muita festividade, alegria, e que realmente é o espírito baiano”.

Um dos presidentes da agremiação, Eduardo Santos, falou sobre a parte plástica que está esperando para 2024. Claro, são muitos meses antes, e o projeto ainda está em andamento, como o próprio ressaltou.

“Tenho certeza absoluta que o Wagner e a equipe dele vão transformar esse tema em uma plástica maravilhosa. A Tatuapé vem com fantasias e carros maravilhosos, como sempre vem, bem como o samba. Isso é o desenvolvimento do enredo. O tema não é uma questão que define o que vamos desenvolver, embora seja importante. O desenvolvimento é o passo posterior à negociação, e agora vamos desenvolver da melhor maneira possível e transformar isso no melhor desfile da nossa vida”.

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Por fim, Eduardo Santos falou sobre os contatos iniciais com o município baiano, antes mesmo do carnaval de Paraty. Mas disse que ainda tem muito a desenvolver nos próximos meses para chegar no carnaval de 2024.

“Não é que o projeto todo estava pronto, é que o cronograma inteiro foi feito com antecedência. Já tínhamos alguns primeiros contatos antes mesmo do desfile de 2023, embora ainda não estivesse fechado. Isso ajuda bastante. É a partir de agora que vamos, definitivamente, colocar tudo no papel, a ideia vai virar desenho, depois vai virar piloto, e depois vem alegoria, fantasia e samba. É assim que a gente faz”.

Celsinho Mody aprova enredo e fala sobre samba-enredo

Renovado e feliz na comunidade da Zona Leste de São Paulo, Celsinho Mody vai para mais um carnaval no carro de som da Acadêmicos do Tatuapé. Em conversa com o site CARNAVALESCO, falou um pouco sobre a percepção dele do enredo para 2024 e a escolha de CEP.

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Intérprete Celsinho Mody

“É uma honra, estamos há oito anos nos tratando com muito carinho e respeito. Renovamos nossos votos de felicidade, tanto eu muito feliz como a escola muito feliz. Então vamos por um carnaval de muita conectividade, todo mundo emanado, coligado, em um tema que a diretoria deu abertura para a escola escolher, e a escola escolheu. Vocês viram a repercussão que foi. Uma escola que gosta de africanidade, e o CEP é uma característica que a comunidade gosta. Pessoal fala que a importância de uma escola de samba é contar história do Brasil, e essa foi a forma que encontramos de acrescentar com a história do Brasil. Sabe que depois do carnaval encontrei umas crianças que me falaram que responderam à prova falando de Paraty com o samba-enredo do Tatuapé. Para mim isso é muito gratificante, é o intuito real da escola de samba, passar cultura. Me sinto honrado em participar de uma escola de samba que está preocupada com fundamento”.

Sobre o quesito dele, o samba-enredo, Celsinho Mody ressaltou que ainda aguarda o direcionamento da diretoria sobre o sistema que será para o desenvolvimento da melodia. Mas ressaltou que confia plenamente no trabalho da agremiação e explicou um pouco como funcionam as etapas na Tatuapé.

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“Não tenho dúvidas que o samba vai ser maravilhoso, que a escola tem um crivo muito bom. E o crivo da escola aqui são as pessoas, você vê que ninguém sabe qual vai ser o samba do Tatuapé. Mas a galera daqui já sabe, todo esse pessoal que você viu lá embaixo, dificilmente você vê em outras escolas, é o pessoal da comunidade daqui. Eles votam, escolhem o samba, quando tem junção falam a parte que querem, e a diretoria abraça isso, potencializa o pedido da comunidade. Que é o nosso papel, potencializar as melodias, letras, tenho certeza que vira um grande samba, não sei como será o formato, a diretoria ainda vai passar, mas tenho certeza que será um grande samba e olha, uma comunidade feliz é 50% do caminho andado”.

O presidente Eduardo Santos disse sobre o samba-enredo: “A gente ainda não definiu se vai ter disputa de samba, vamos começar a definir a partir de agora. Acho que a gente não deve mudar muito aquilo que a gente sempre fez. Nós abandonamos a eliminatória tradicional, de quadra aberta, há muito tempo – e não vamos voltar a isso pelo menos por enquanto. Pode ser que tenhamos alguma mudança mesmo tendo um processo interno de escolha, mas isso ainda não está definido. Vamos definir na próxima semana e todo mundo vai ficar sabendo”.

Alegria também em Mata de São João

O secretário de Turismo e Cultura da Mata de São João, Alexandre Rossi, marcou presença no evento da Acadêmicos do Tatuapé, fez um discurso no palco e falou com o site CARNAVALESCO sobre o contato rápido com a agremiação que deu casamento perfeito para o enredo em 2024.

“Foi um contato muito rápido! O Paulinho, meu amigo de Paraty, quando eu contei pra ele a história do nosso município, que remete à colonização do Brasil, de Garcia d’Ávila, do gado, do petróleo e do turismo, disse que eu poderia contar tudo isso para o pessoal da Tatuapé. Fiz isso às oito horas da manhã de um dia, e, às dez da manhã, o Higor [Silva, um dos presidentes e mestre de bateria da escola] já me mandou o projeto pronto. Tomei um susto! Ele disse que não tinha tempo a perder. Ele pegou um avião e ficou três dias com a gente. Ele me encantou! Ele gostou muito do que viu lá, e eu gostei da pegada da Tatuapé, da sustentabilidade e da reciclagem. Esse foi um gancho fenomenal para que a gente fechasse a parceria”.

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Um dos motivos da união entre Mata de São João e Paraty foi justamente a forma que a Tatuapé aborda temas CEP no carnaval paulista. Assim surgiu a conexão, como contou o secretário Alexandre Rossi.

“Ajuda saber que a Tatuapé é uma escola acostumada a falar de locais. A Tatuapé tem a mesma pegada de Paraty e de Mata de São João com a sustentabilidade e com toda a história que temos. Garcia d’Ávila, por exemplo, tinha o maior latifúndio do mundo, que ia do Piauí até o Maranhão. Eu já estou visualizando os carros alegóricos com Garcia d’Ávila, com caramuru, e Catarina Alves Paraguassu. Agora é com eles, vou deixar eles criarem essa história”.

O apoio da cidade e de outras vias para patrocinador do carnaval da Acadêmicos do Tatuapé vai sendo construído como explicou o secretário da Mata de São João.

“Estamos entrando com um apoio no Fundo Municipal de Turismo, diretamente da Prefeitura, e outros projetos através da Lei Rouanet. Já estamos com uma carta de intenção da PetroReconcavo, empresa que explora o petróleo na nossa região. Aqui em São Paulo, também temos a Lei de Incentivo do ISS. O Tivoli tem um espaço na Praia do Forte e, também, em SP, o Tivoli Mofarrej”.

Encerrando com alegria, Alexandre Rossi mostrou otimismo com o enredo desenvolvido em conjunto, fez até trocadilho sobre o que está por vir na parceria.

“Nada acontece por acaso. Nós estamos na Tatuapara, o tatu bola. Eles são o Tatuapé, o caminho do tatu. De Tatuapara para Tatuapé, a gente vai ser campeão”.