Durante a live “Galera no CARNAVALESCO“, Guilherme Campagnuci, Leonardo Antan, Freddy Ferreira e Renata Campagnuci falaram sobre o enredo do Salgueiro para o Carnaval 2024. Escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “Hutukara”.
Durante a live “Galera no CARNAVALESCO“, Guilherme Campagnuci, Leonardo Antan, Freddy Ferreira e Renata Campagnuci falaram sobre o enredo do Salgueiro para o Carnaval 2024. Escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “Hutukara”.
Assumir completamente tudo o que a vida dos trópicos pode dar, sem preconceitos de ordem estética, sem cogitar de cafonice ou mau gosto, apenas vivendo a tropicalidade e o novo universo que ela encerra, ainda desconhecido” – (Breviário do Tropicalismo, Torquato Neto)

Carne de caju
O poeta sempre mira a própria terra ao trançar letras e alçar voos. Nada mais natural que ele e seus parceiros, além de outras inspirações, buscassem uma fruta nativa, farta e com certo capricho corporal para explodir em cores toda a revolução tropicalista. Pudera! A suculência agridoce que seduz os lábios, proclama a ciência, é mero penduricalho acessório. O fruto, no duro, está no alto, qual um cocar, black power ou coroa: a castanha. Mas quem é bobo de não se lambuzar com tudo?
No chão de inversões igualmente marcantes e da arte que passou a transgredir e realçar o profundo da brasilidade, nosso recado carnavalizado tá na mesa: o redemoinho antropofágico da Tropicália cravou os dentes também em carne de caju. Yes, nós temos pra chuchu! A partir dele, simbora abocanhar e sentir o país de tantas porções e sabores? Caldo de mel e travo, como o cotidiano, “a manhã tropical se inicia. Resplendente, cadente, fagueira, num calor girassol com alegria. Na geleia geral brasileira que o Jornal do Brasil anuncia…”.
Há um cajueiro de copa verdinha no lado esquerdo de todos os peitos, dizem. Pinta de rim, mas convite ao pecado. Caju-de-árvore, caju-anão, caju-rasteiro, caju grandão ou tímido, caju amarelo, rosado ou pra lá de vermelho. Protagonista de soneto composto, quiçá, na banheira de Vinicius: “consistência de caralho e carrega um culhão na natureza”. O materialismo elementar pelo avesso. Que mancha, que arde, que abunda! Que chove. Exagerado e a prumo. Tupi acayu a pau.
Cajuí or not cajuí, that is the question! Faremos dele carnaval!
Anacardium occidentale
E vamos de mergulho no passado contado em castanhas por tantos povos originários. Cada caju na cabaça, uma primavera. A tribo do indígena Porã, expulsa do lugar de origem, só encontrou felicidade quando floresceram as castanhas guardadas pelo sábio Tamandaré (seu avô), até então, perdidas. Veio a seguir o tempo de caju, de generosidade, já que a “noz que se produz”, além do beabá da Botânica, semeia fartura, lembrança e afeto. Nas cerimônias que envolvem o Torém, ritual sagrado dos Tremembés, os espíritos dos que cantaram para subir proseiam com os vivos. O entornar desbragado de mocororó, ou vinho de caju, hidrata a raiz das tradições – já que a festa esbarra na época de colheita.
Contam os sabidos que hordas do interior buscavam o litoral enfeitado pelas árvores abarrotadas. As ditas “Guerras do Caju” surgem assim, e antes de Cabral, mas ganharam adstringência quando as treze naus apontaram no horizonte. Aí, cresceu o olho gordo pra ordem de tonelada! O portuga logo melou os bigodões de interesse. O francês, mon amour, pôs na boca, manchou os bolsos e deu firma em célebre ilustração. Já ao dono real da terra… Bem, restou lutar – borduna em punho – contra as mumunhas do afanar institucionalizado, nosso amargor histórico.
E nem falamos do holandês, outro que não marcou bobeira naquele fuzuê: Nassau tratou de legislar, pôs carimbo e remeteu aos seus o presentinho inflacionado. Velas ao vento na contramão, estava arranjada a invasão – o caju-desbravador a fazer epopeia e pose de Tupiniquim Caju Fruit Company – pelo inverso itinerário das grandes navegações. Retorno à vista! The Brazilian Way Of Life natural reverenciado com rapapés e incrementado do lado de lá do oceano por monarcas e súditos.
Caju-rei
Mas, se até o nada asseado D. João topava um banho de gato marotíssimo na antiga Praia do Caju (com a intenção de se curar das picadas por carrapatos), e Pedro II era retratado como Pedro Caju pelas charges dezenovistas… Quis o fruto erguer o seu reinado nas bandas de cá mesmo. Em Pirangi do Norte (quina litorânea superior do país), no ano da libertação dos escravos, um pescador de nome Luiz Inácio plantou o danado que vestiu a faixa de “Maior Cajueiro do Mundo”.
No lugar de subir, a galhada se espichou para os lados, com a aparição de novas raízes ao tocar o solo. Danou a crescer sem freios. O “polvo” potiguar de tentáculos cheirosos fez fama e enumera colheitas a sumir da memória, espécie de refazenda em trajetória interminável. Sobre o pescador homônimo de presidente, seguiu os dias sempre próximo à criação improvável. Certa vez, bastante velhinho, sentou-se prum descanso à sombra de uma das ramificações e nunca mais acordou. Ciclo vital aromatizado pela árvore-sentinela.
Tudo parecia mar calmo, só que pintou contestação. O típico duelo de meninotes de calça curta acerca de quem ostenta o tronco de destaque entre a molecada. Recentemente, o autocoroado “Cajueiro-Rei”, nas franjas do Delta do Parnaíba, tratou de reivindicar o alto da rampa de campeão da fita métrica. No caso deste, há, ainda, trágica lenda indígena a tiracolo: espalham nos arredores que – cercados por mar de cavalos-marinhos, peixes-bois, tartarugas e golfinhos – dois guerreiros lutaram pelo amor da cunhã-poranga Jacira. Culminou em tragédia acompanhada de milagre.
Após a disputa, o perdedor emboscou o seu rival e a amada durante passeio em que colhiam cajus. Duas flechadas, ambos mortos. Foi, então, que a tempestade plena de raios e trovões do dia seguinte produziu cena mágica: no exato lugar do enterro do casal, emergiu a planta de dimensão extraordinária. Alguém duvida?
O quiproquó dos cajueiros inspira torcidas organizadas, teorias rocambolescas que fazem biólogos rebolarem um bocado nas explicações, tal de “mede aqui, mede acolá” longe do apito final do juiz. Mas, enquanto não existe régua com o devido amém de ambos os lados, o jogo é bom para a castanha-commodity e seu pedúnculo popstar: seguem campeões de audiência junto a paladares gringos e nossos. Autênticos reis do mundo. Reis à caju.
Caju-brasuca
Entre pelejas e causos assim da sabedoria dos povos – com delírios por excesso de caju fermentado nas ideias ou verdades incontestes –, o filho legítimo dessa aldeia gigante grudou feito “noda”. Expressão de memória coletiva, nos lábios de mel da literatura, economia musculosa, holofote dos anjos ou demônios que nos conectam ao sentimento e calorzinho de nação. Castanha-mátria, caju-pátria. Confidentes dos profundos quintais interiores.
Nas curvas do destino e dos desatinos de Macunaíma, tão metáfora da rotina brasileira, ah!, lá está o caju a marcar e serpentear os seus passos contraditórios. Acompanhante-anti-herói-espelho-meu. Caju-brasuca também na corda bamba com pincel na mão: a feira modernista de Tarsila em contraste com a “cica” memorial da melancólica aquarela de Debret retratando a escravidão. Haja caju nas tantas camadas sobre tela! Telas, por óbvio, da mais pura vida real extraída do pé. Pede caju que dou, pé de caju que dá.
Dá em tela de caju-caipi-pop, virado pra dentro industrialmente, enquanto as pernocas não bambeiam: a própria enciclopédia dos amigos pós-doutores na disciplina língua enrolada. Consistente, cortadinho em rodelas, do prato e da polpa, sabor agreste e cerrado, que encanta o doce e o salgado. Para quem quebra castanha coletivamente – alegoria da roda cronológica –, gosto de pertencimento compartilhado e laço. Ou mero pedaço, vá lá.
Tela do caju-família. Vitamina, crendice e mistura que nos inflamam. Do refresco, do licor, do suco. “Goiabada para sobremesa…”. O acorde da viola sussurrando saudades. E até compota ajeitadinha, fita e tudo. Remedinho da mamãe. Receita passada como herança no caderninho amarelado que não se empresta nem ao melhor amigo. Sujeito-elo entre a rua e a varanda. Toalha de mesa estendida e água na boca. Pinga. A regar brincadeira popular ou manifestação religiosa: da quermesse à curimba, do sambão ao batidão na esquina de casa.
Tela do caju-moleque. Com travessa de cajuzinhos a perfumar a vivência dos experientes – “quando você ia aos cajus, eu já voltava com as castanhas assadas”. Virou também recado reto ao vacilão que resolve brigar de bobeira: “ei, vai tomar caju!”. E segue o bloco! Que contorna a praça e abraça o cajueiro central, debruçado na fuzarca tipo anfitrião namorador. Rostinhos colados à malemolência do cancioneiro, o fim do baile traz o beijo da morena tropicana, vejam só. Pele macia, saliva doce, sim, vou lhe desfrutar. “Ô, iô, iô, iô…”.
Geleia geral
Natural que a geleia geral de sabores acima tenha, de fato, a alma da Tropicália, e aí pensamos outra vez no poeta: “existirmos a que será que se destina?”. A dúvida existencialista diante da ambivalência do fruto-não-fruta parece extrato nosso chupado de canudinho com aquele barulhinho sacana. Ora, fundamentalmente, existimos a partir da cultura popular e da riqueza exuberante sobre a terra fértil, inda que descuidadas. Eis que o Brasilzão mira a água cristalina do Atlântico e lá está peladão e sem vergonha: é o próprio caju jamais proibido. Travesso no trato, travoso um tanto, “totoso” no total.
Que mistério possui o torrão continental que goza flora pujante como fogos de artifício, e se entorpece da energia do povo na loucura de ser? Salada mista ardente de gritos ambulantes que vendem e consomem fertilidade, é mascate de prazeres até o talo. A alquimia desengonçada do rapaz metido a gato-mestre na barraca de caipirinha: “açúcar, dotô?”. Para esbanjar vida cajuína mergulhada em delirante cortejo made in sol e mar, desfile n’areia, curvas de sereia, sumo e pegada.
Um viva ao paraíso tropical que tudo dá e ao estado de festa indomável na relação entre gentes e chão – o melhor caju do pé de Brasil. Ou seria o melhor Brasil do velho cajueiro?
Alegria gaiteira, convenhamos, já muito experimentada no terreiro fervido dos independentes. Basta “olharmo-nos intacta retina”.
Na cabeça, uma estrela. No corpo suave, o rebolado passista e a pulsação do tambor. Que tal a deliciosa carne de carnaval, o salivar permitido, lamber os beiços longe de qualquer pingo de culpa?
Cá estou, “cajuinamente”, servida de bandeja com a dose de feitiço que me fez banquete desejado desde moça.
Vai, batida mais quente, e vê se leva o aroma do sonhado reencontro comigo mesma: sou dádiva que se alastra igual caju. Sou o fruto mais doce e sexy da capital da folia. Sou quem morde o seu coração…
Carnavalesco: Marcus Ferreira
Enredo: Marcus Ferreira e Fábio Fabato
Sinopse: Fábio Fabato
Presidente de Honra: Rogério Andrade
Presidente: Flávio Santos
Vice-presidente: Luiz Claudio Ribeiro
A população de Maceió caiu no samba com a Beija-Flor de Nilópolis durante o São João Massayó deste ano, uma das principais festas juninas do Nordeste. A agremiação esteve entre as atrações do último sábado, no Polo Carlos Moura, no bairro do Jaraguá.

Prestes a mostrar a capital de Alagoas dentro do enredo de 2024, que vai abordar a história de Rás Gonguila, importante personagem da cultural local, a azul e branca caprichou na apresentação, com direito a passistas, bateria e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso.
A Beija-Flor será a segunda agremiação a desfilar pelo Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí, no domingo, dia 11 de fevereiro.
Os dias de descanso do sambista de Duque de Caxias já terminaram. A partir desta terça-feira, a quadra do Acadêmicos do Grande Rio retoma suas atividades visando o Carnaval 2024. A partir das 20h, os ritmistas comandados pelo mestre Fafá voltam a afinar seus instrumentos para dar início a mais um ciclo de preparação para o próximo desfile na Marquês de Sapucaí. É o próprio comandante que explica a antecedência com a qual os treinos acontecem.

“Para nós, o entrosamento cumpre um papel fundamental para a execução perfeita na Avenida. Quanto antes começarmos esse aquecimento, melhor. Logo teremos as outras etapas do pré-Carnaval, como a escolha do samba-enredo, e é preciso que estejamos preparados desde já para entrarmos no ritmo e desenvolvermos nosso trabalho com base na obra que levaremos para o desfile”, explica o mestre.
Mas não só a orquestra de Fabrício Machado vai entrar em cena na Grande Rio nesta terça. O chão da quadra também começa a ser riscado pelas alunas e alunos que desejam aprender ou aprimorar seu samba no pé. Comandado pelos premiados Marisa Furacão, Luciene Santinha e Avelino Ribeiro, o projeto Samba de Ouro terá periodicidade semanal, começando também nesta terça-feira, às 19h e promete formar novos talentos do Carnaval.
“Nossa bandeira é o samba. Queremos propagar essa arte e transmitir nossa paixão através dessa oficina. E, quem sabe, incorporar novos integrantes à nossa ala para o próximo desfile”, avisa a diretora da ala de passistas Marisa Furacão, que já foi ganhadora do Estandarte de Ouro e tem uma história de mais de duas décadas defendendo as cores da tricolor caxiense. Se esse era o incentivo que faltava, basta comparecer na quadra da Grande Rio na data e hora do projeto e se inscrever. Será cobrada uma taxa de inscrição no valor simbólico de R$ 15, sem pagamento de mensalidade. É possível obter mais informações pela página do Instagram @passistasdagranderiooficial.
O Acadêmicos do Grande Rio será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro de 2024, e levará para a Sapucaí o enredo “Nosso destino é ser onça”, dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.
A Liesa inicia na próxima terça-feira o processo de reserva de camarotes para os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial que acontecem no Sambódromo em 2024. Os interessados devem acessar o site reservas.riocarnaval.com.br e preencher o formulário, que estará disponível exclusivamente entre 9h e 11h.

Após realizar o envio com todos os dados solicitados, será encaminhado ao e-mail cadastrado um número de protocolo contendo a data e a hora registradas. Para definir os contemplados, será levada em consideração a ordem de chegada de cada solicitação, devidamente registrada no sistema, além do histórico financeiro apresentado em anos anteriores e da capacidade de cada setor.
Aqueles que tiverem as reservas confirmadas receberão o contrato por e-mail no dia 18 de julho e precisarão assinar e devolver à Central de Atendimento e Vendas da Liesa até o dia 24 do mesmo mês, junto com a documentação legal exigida. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 3190-2100.

Vale ressaltar que esse primeiro período de reservas será apenas para camarotes. Em breve, serão anunciados detalhes sobre reservas de frisas e vendas de ingressos de arquibancada.
Os desfiles do Grupo Especial acontecerão em 11 e 12 de fevereiro de 2024, com as seis melhores colocadas voltando para o Desfile das Campeãs no dia 17.
Após duas temporadas, o programa “Seleção do Samba”, da Globo, não deve ganhar uma nova edição este ano. A informação foi antecipada pelo diretor de marketing da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Gabriel David, em entrevista ao site CARNAVALESCO. Procurada, a Comunicação da Globo informou que “o projeto do carnaval Globeleza está em desenvolvimento”.

“A princípio, não vai acontecer o ‘Seleção do Samba’ este ano. É a primeira vez que falo sobre isso, mas não é algo 100% certo. Acho que não vai acontecer porque a Globo vem tendo problemas comerciais com o produto ‘Globeleza’. A gente está pensando como pode reformular. Lógico que não é algo formado só pelos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, mas entendemos que é preciso ter mudanças. Hoje, o carnaval já tem capacidade de desenvolver certas ideias próprias de outras formas, seja na internet ou em outras emissoras. Na transmissão dos desfiles, é incontestável a importância da Globo e a própria vontade deles de ter. Mas, no ‘Seleção do Samba’, a Globo quer dar uma recuada”, relatou Gabriel David.
O “Seleção do Samba” foi criado durante o auge da pandemia da Covid-19 para marcar o retorno das atividades nas agremiações. A primeira temporada exibiu, entre outubro e novembro de 2021, as finais de disputa de samba-enredo nas doze escolas do Grupo Especial do Rio para o Carnaval de 2022, sob o comando de Luís Roberto e comentários de Teresa Cristina e Milton Cunha. O programa fez tanto sucesso que, na ocasião, mais dois episódios foram feitos para apresentar as obras escolhidas pelas escolas da elite da folia paulistana, com a apresentação de Chico Pinheiro.
No ano seguinte, uma segunda temporada foi realizada com alterações no formato. O programa passou a ser apresentado por Milton Cunha e a ser gravado nas quadras das escolas, documentando o processo de escolha das obras e abordando um pouco da história das agremiações. Ao todo, seis episódios foram produzidos, sendo três dedicados as escolas cariocas e outros três para as de São Paulo.
Porém, o faturamento abaixo do esperado com o Carnaval de 2023 pesa contra a renovação da produção. De cinco cotas disponibilizadas para o mercado, apenas uma foi vendida, para a gigante brasileira Ambev, que escolheu estampar a marca da cerveja Brahma. Diante desse cenário aquém do esperado, Gabriel David relatou que a Liesa, junto da Globo, tenta encontrar soluções para atrair novamente os anunciantes para a folia.

“A relação da Liga com a Globo é muito boa, temos uma parceria de anos que é fundamental para o Carnaval. Vamos ter uma série de reuniões nos próximos meses, em que será conversado sobre o produto ‘Globeleza’, para entender como podemos evoluir. A ideia é voltar a se concentrar única e exclusivamente no desfile. Já os programas oriundos do Carnaval, nossa intenção é levar para outros lugares, não só a Globo. Até porque, ali a gente vai ter que entrar em uma disputa de horário e de visibilidade ao longo do ano, cujo resultado pode ficar aquém do que precisamos”, pontuou Gabriel David.
Enquanto o “Seleção do Samba” não deve ganhar uma nova edição, outra produção ligada ao Carnaval do Rio de Janeiro está garantida na televisão aberta. Idealizado pelo próprio Gabriel David, o “Samba Coração”, que estreou nas telas da Band em dezembro do ano passado, terá uma nova leva de episódios.
“Temos confirmado a segunda temporada do ‘Samba Coração’ na Band. É um programa apresentando por sambistas, que tem sido super fundamental para gente. Além disso, temos vários programas no YouTube que estão ganhando cada vez mais espaço. E agora, espero eu, que as escolas de fato possam entrar no streaming. Estou aguardando muito esse momento, sei que algumas agremiações tem se movimentado para isso e acho que isso vai dar um resultado muito fundamental no Carnaval”, destacou o diretor de marketing.
No Carnaval de 2023, a Liesa passou a transmitir os ensaios técnicos das escolas na Marquês de Sapucaí, ao vivo, por meio do seu canal no YouTube, o Rio Carnaval. Diante dos bons resultados, surgiram especulações de que a Liga poderia fazer o mesmo nos desfiles oficiais ou então vender os direitos de transmissão. O modelo seria similar ao da Copa do Mundo de 2022, no qual a Globo detinha a exclusividade na TV aberta e paga, enquanto a empresa LiveMode, que na época fechou parceria com o streamer Casemiro, ficou com as plataformas digitais.
“Não existe a vontade da Liga, hoje, de fechar com um streaming com exclusividade. A gente entende a TV aberta como algo extremamente importante para o nosso produto, mas é óbvio que existe de uma forma antenada a necessidade de reacts para o Carnaval, de interações com os youtubers e os stremers. No entanto, para isso, precisaria de uma readaptação no nosso contrato e na nossa relação com a Globo. Esse é um dos tópicos que a gente vem conversando, porque isso não traz visibilidade só para o Carnaval, mas fortalece o produto que está sendo transmitido pela Globo”, afirmou Gabriel David ao site CARNAVALESCO.
O diretor de marketing da Liesa ainda ressaltou que, dentro dos atuais moldes da parceria com a Globo, já estão sendo exploradas outras plataformas, mas que o trabalho ainda precisa evoluir. “A gente já fez um pouco dessa modernização, tentou fazer na verdade, no último Carnaval, com o Multishow. Porém, precisa ser um pouco melhor elaborado. Espaços como o Globoplay, por exemplo, podem ser melhor usados pelas escolas de samba para fazer documentários, minisséries, que contem a história do Carnaval, do processo criativo, de bastidores”, avaliou.
As escolas da Superliga, que administra as séries Prata e Bronze, definiram na noite de segunda-feira, no Baródromo, a ordem dos desfiles para o Carnaval 2024. As agremiações da Bronze vão se apresentar nos dias 12 e 13 de fevereiro (segunda e terça-feira gorda de folia) e as da Série Prata nos dias 16 e 17 de fevereiro (sexta e sábado das campeãs). Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o novo presidente da Liga, Pedro Silva, falou sobre a chegada no comando dos grupos.

“É uma satisfação enorme. Ano passado, eu tive o privilégio de trabalhar na Liga-RJ. Foi grande escola e uma experiência de introdução. Esse ano, chego na Superliga com proposta de capacitação, inovação e equidade. Temos agora a junção com as escolas que estavam na Livres. O que deixa a Intendente com o potencial magnífico. Escolas com tradição. Vai ser um trabalho maravilhoso esse ano”.
Para o desfile de 2023, as escolas tiveram uma estrutura muito melhor de pista para o desfile. Pórém, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, após o carnaval deste ano, indicou que seria construído um Sambódromo 2 em outra área. O presidente da Superliga revelou que o “sarrafo da infraestrutura terá que crescer em 2024”.

“Falar dessa estrutura antes tenho que parabenizar o presidente Clayton Ferreira (agora está em Brasília como secretário da Frente Parlamentar do Carnaval). Agora, nós temos que subir o sarrafo. O local dos desfiles ainda não está definido. Vamos aproximar esse bate-papo com a Prefeitura do Rio. Temos um trabalho de entender quais são os problemas de infraestrutura da Superliga e das escolas. O certo é que o nível tem que ser dali para cima em estrutura”.
O dirigente disse que sobre o acesso e rebaixamento do grupos de acesso vão ser decisões tomadas futuramente em reuniões plenárias com todos os presidentes das escolas de samba dos grupos envolvidos na Superliga.

“É um assunto que é delicidado. Quando falamos em diminuir tem a questão cultural. Se diminuir terá que criar outro grupo. O trabalho tem que ser feito com muito cuidado. Ouvindo prefeitura, escolas e opinião pública. Ainda não discutimos o regulamento. Inicialmente, vamos manter como foi em 2023 e a partir do segundo semestre vamos ver como ficará a questão do ano que vem”.

A apresentação do sorteio da ordem dos desfiles das séries Prata a Bronze foi de Valeska Reis e Robson Mendanha. Confira abaixo como foi cada dia e grupo.
Sexta-feira (16 de fevereiro)
1 – Tubarão de Mesquita
2 – Independentes de Olaria
3 – Abolição
4 – Vila Santa Tereza
5 – Renascer de Jacarepaguá
6 – União Cruzmaltina
7 – Tradição
8 – Lins Imperial
9 – Engenho da Rainha
10 – Acadêmicos do Cubango
11 – Alegria da Zona Sul
12 – Flor da Mina
13 – Leão de Nova Iguaçu
14 – Concentra Imperial
15 – Jacarezinho
16 – Dendê
Sábado (17 de fevereiro)
1 – Feitiço Carioca
2 – Praça da Bandeira
3 – Santa Marta
4 – Botafogo Samba Clube
5 – Santa Cruz
6 – Lucas
7 – Arrastão de Cascadura
8 – Vizinha Faladeira
9 – Império da Uva
10 – Barra da Tijuca
11 – União de Jacarepaguá
12 – Acadêmicos de Jacarepaguá
13 – Caprichosos
14 – Flamanguaça
15 – Rocinha
16 – Arame de Ricardo
Segunda-feira (12 de fevereiro)
1 – Raça Rubro-Negra
2 – Villa Rica
3 – Brás de Pina
4 – Bangay
5 – Império Ricardense
6 – Império de Nova Iguaçu
7 – Difícil é o Nome
8 – Alegria do Vilar
9 – Rosa de Ouro
10 – Cosmos
11 – Cidade de Deus
12 – Gato de Bonsucesso
13 – Unidos do Cabuçu
Terça-feira (13 de fevereiro)
1 – União do Parque Curicica
2 – Diversidade
3 – Jardim Bangu
4 – Siri de Ramos
5 – Imperadores Rubro-Negros
6 – Chatuba de Mesquita
7 – São Cristovão
8 – TPM
9º – Vicente de Carvalho
10 – Peixe
11 – Boi da Ilha
12 – Guerreiros Tricolores
O Carnaval no Brasil é uma festa culturalmente rica e vibrante, e as escolas de samba desempenham um papel central nessa celebração. O futebol, por sua vez, é uma paixão nacional e possui uma importância cultural significativa no país.

O futebol sempre foi a maior paixão dos brasileiros desde muito tempo. Não é à toa que recentemente vem se notando um movimento em torno dos sites de apostas que vem invadindo o cenário econômico e cultural brasileiros. Hoje as principais casas de apostas do mundo estão presentes no Brasil e o recente lançamento do 10bet no Brasil vem comprovar isso.
A combinação dessas manifestações populares resultou em enredos memoráveis que homenagearam times, jogadores icônicos e momentos históricos do esporte.
Carnaval e Futebol são paixões brasileiras
O Carnaval é uma festa marcada pela exuberância, criatividade e diversidade cultural, e o futebol, como um fenômeno sociocultural, desperta paixões intensas em todo o Brasil. A convergência dessas duas expressões populares resultou em enredos de escolas de samba que capturaram a imaginação do público, unindo a festividade carnavalesca e a devoção ao esporte. Nada mais lógico que a festa mais popular dos brasileiros incluísse o esporte que é paixão nacional entre seus principais temas.
Enredos das escolas de samba homenagearam times e jogadores
Os enredos que exploraram o futebol nas escolas de samba apresentaram uma diversidade de abordagens. Alguns enredos focaram em homenagear times e jogadores específicos. E para começar não podia faltar o maior de todos: o Rei Pelé. O enredo “Salgueiro: O Reino das Minas do Rei Pelé”. Também não podia faltar uma homenagem a um dos jogadores que mais fez a alegria da torcida nos estádios do mundo, Garrincha, que jogou no Botafogo de 1953 a 1965. Através do seu relacionamento com Elza Soares, o craque chegou a se arriscar como compositor ao escrever duas letras de samba para a voz de Elza: “Receita de balanço” e “Pé redondo”. O alegre enredo “Mangueira Apresenta: Garrincha, A Alegria do Povo”, de 1980, que exaltou costumes e tradições brasileiras, entre eles o futebol, mas infelizmente contrastou com a figura apática do jogador que demonstrava cansaço em virtude das desventuras que passou no extracampo.
Além deles, outros craques foram exaltados no carnaval brasileiro:
Entre os times, alguns dos principais foram homenageados com enredos de emocionar
qualquer torcedor:
A Unidos da Tijuca homenageou o gigante da colina Vasco da Gama em 1998 com “De Gama a Vasco, a Epopeia da Tijuca”.
Em 2003 a também tricolor Acadêmicos da Rocinha (RJ) comemorou os 100 anos do tricolor carioca com “Cem anos de um clube tantas vezes campeão”, apesar das cores da escola serem diferentes do verde, grená e branco do Fluminense.
Já a Estácio de Sá levou o enredo do Flamengo para Marquês de Sapucaí duas vezes, em 1995 e em 2022. Se no carnaval de 1995, a Estácio de Sá homenageou o Flamengo e sua história centenária com o “É mengo tengo No meu quengo é só Flamengo Uh! Tererê Sou Flamengo até morrer”, em 2022 o enredo exaltou as conquistas recentes do rubro negro com “Cobra Coral, Papagaio-vintém. #VESTIRUBRONEGRO não tem pra ninguém”.
É claro que o carnaval paulista não podia deixar de exaltar o segundo time brasileiro com maior torcida. Em 2020 a Gaviões da Fiel veio com “Corinthians… Minha vida, minha história, meu amor”. Também a escola de samba Mancha Verde não deixou por menos e comemorou o centenário do poderoso Palmeiras em 2015: “Quando surge o Alviverde Imponente… 100 anos de lutas e glórias”.
No Rio Grande do Sul, os times gaúchos foram exaltados no carnaval. Em 2013 Unidos de Vila Isabel falou das histórias dos estádios do Grêmio: “O Sentimento Não Termina”. No mesmo ano, a Império da Zona Norte contou a história dos ex-presidentes do Inter Fernando Caravalho e Vitorio Piffero, multi campeões pelo Internacional com “Um país, um povo, um clube, dois homens e muitos sonhos: Fernando Carvalho e Vitorio Piffero, ninguém foi mais longe que eles”. Além disso, houve enredos que recriaram momentos históricos do esporte, como “Imperatriz Leopoldinense: O Reino do Futebol”.
De uma forma geral, todas representações utilizaram uma variedade de recursos narrativos, como alegorias, fantasias e coreografias, para transmitir a emoção e a grandiosidade do futebol.
Além de unir duas maiores alegrias do povo brasileiro e com isso promover a felicidade e alegria das respectivas torcidas, as escolas de samba que falaram de futebol em seus enredos, causaram um impacto significativo na sociedade ao promover a valorização da cultura popular e estimular o orgulho das comunidades envolvidas. Além disso, essas representações proporcionaram uma oportunidade para discutir questões sociais mais amplas, como racismo, inclusão e identidade nacional, por meio da lente do futebol.