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Carro de som será julgado no quesito Samba-Enredo, intérpretes opinam sobre mudança no regulamento em São Paulo

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O carnaval de São Paulo tem passado por meses de conversas visando mudanças no regulamento, a cada ciclo definem algum quesito. Um dos que já foi ajustado foi o quesito Samba-Enredo junto com os profissionais de som das escolas, os presidentes, e, claro, representantes da Liga-SP. A inclusão foi do carro de som, que agora será julgado no quesito samba-enredo.

Desde o fim dos anos 80 desfilando em carro de som, Douglinhas Aguiar, que faz dupla com Serginho do Porto na Águia de Ouro, comentou um pouco sobre o processo que foi realizado para a mudança no quesito.

AguiaDeOuro et Douglinhas
Fotos de Fábio Martins/CARNAVALESCO

“Participei, fui um dos convidados a fazer parte da comissão. Cada escola mandou um representante para montar uma comissão e discutirmos, não é um quesito tão fácil, mas acho que o caminho está certo, conseguimos dar um norte para esse quesito. Estava todo mundo reclamando, não estava agradando ninguém na verdade, e ano que vem o carro de som será avaliado”.

Outro nome bem experiente do carnaval de São Paulo, Ernesto Teixeira, dos Gaviões da Fiel, está desde 1984 na agremiação, e em conversa com o site CARNAVALESCO, aprovou mudanças que estão sendo feitas no carnaval visando 2024.

“Positividade para todo mundo que está nos ouvindo. Estamos acompanhando, todas as mudanças são bem-vindas, o carnaval precisa crescer, ser arejado, tenho acompanhado através da comissão de carnaval dos Gaviões, da qual faço parte, e a gente torce para que essas decisões realmente quando colocadas em prática tragam a transformação que o carnaval precisa”.

Ernesto Teixeira ainda completou falando sobre o contexto geral das mudanças: “Participei através da diretoria de comissão dos Gaviões, como intérprete, é importante, não só a ala musical, não só samba-enredo, como o aspecto da dança que já acontece no casal de mestre-sala e porta-bandeira com a própria bateria, devido ao grande crescimento, emparelhamento dos quesitos, é preciso mecanismos que ajudem a diferenciar uma escola da outra, o que não significa que uma escola vai ser pior, uma escola vai ser melhor. Esse é o detalhe”.

Os ajustes no regulamento também geram adaptações das escolas, o Vai-Vai está de volta para o Grupo Especial, após vencer o Grupo de Acesso I pela segunda vez. Pois o intérprete Luiz Felipe, nascido em 1994, quando Douglinhas e Ernesto já cantavam por suas respectivas agremiações, tem feito seu nome desde que assumiu o microfone oficialmente em 2020 e revelou reforços no carro de som para o próximo carnaval.

VaiVai et LuizFelipe

“Participei um pouco, deixamos os órgãos mais competentes da escola participar. O Rio de Janeiro, se não me é engano, já é julgado, e aqui não seria diferente, demorou para acontecer isso. Agora é aperfeiçoar mais do que já estávamos, fizemos duas contratações para a ala musical, Thiago de Xangó e a Karina Salles, esposa dele. Vamos trabalhar firme para tirar nota máxima em tudo, inclusive no carro de som”.

Outro nome que está há um longo tempo na estrada como intérprete paulista, Darlan Alves, vai estrear na Terceiro Milênio em 2024, onde disputará o Grupo de Acesso I. São 20 anos, e muitas mudanças no regulamento de lá para cá, e em conversa com o carnavalesco deixou sua análise.

Milenio et DarlanAlves

“Na verdade, já venho de uma fase do carnaval, onde praticamente tinha um critério de julgamento que avaliava outros critérios. Vai ter uma adaptação, já que ele está aí, temos que nos adaptar e trabalhar mais, onde vamos fazer de tudo para cumprir o critério. E trazer as notas para que a escola juntamente com os outros quesitos, a gente possa gabaritar, trazer 40, ou 30 que a escola precise”.

Os quesitos que foram debatidos até o momento são Samba-Enredo, Enredo, Fantasias, Alegoria, por último Mestre-sala e Porta-bandeira. As conversas continuam e só serão oficializadas cada mudança nos quesitos após todos serem debatidos.

Subsecretária que batalhou pelos desfiles de Brasília, se emociona e promete crescimento: ‘Ano que vem será muito melhor’

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Enfim, aconteceram os tão sonhados desfiles das escolas de samba de Brasília. Datas marcantes ficam para a história, mas este último final de semana é aquele que se pendura em um quadro. É assim que Sol Montes, subsecretária de difusão e diversidade cultural, está sentindo. É claro que ninguém faz nada sozinho. Os apoios, parceiros e projetos são de suma importância. Mas quem toma as rédeas, liderança e iniciativas, tenha um reconhecimento maior no futuro.

sol montes

Sol Montes  expressou seus sentimentos em relação aos desfiles das escolas de samba de Brasília. No final de tudo, após o fim do desfile da grande campeã, Asa Norte, era nítida a felicidade e emoção estampada no rosto da idealizadora. “Foi tudo lindo. Até superou as expectativas. O comprometimento, o brilho nos olhos e o capricho das escolas fez com que a gente acreditasse que ano que vem vai ser muito melhor”, disse.

Sonho realizado

Sol é reconhecida como a ‘guerreira’ por ter corrido atrás e ter colocado tudo em prática. Recebeu grandes homenagens e realizou discursos antes e depois dos desfiles, além de ter sido a inauguradora da passarela no ritual de lavagem, realizado na última sexta-feira. “Eu só carrego sonhos, mas ninguém faz nada sozinho. A gente vai construindo um tijolinho de cada vez e por isso que deu esse resultado”

O próximo ano

Vale ressaltar que os desfiles aconteceram em um lugar improvisado. Já foi falado que o sonho dos desfilantes de Brasília é construir um Sambódromo próprio. Antigamente, havia o ‘Ceilambódromo’, na região de Ceilândia (DF). Mas por algumas questões deixou de existir. Entretanto, para Sol Montes, o sucesso foi tanto que se deve pensar em outro local para realizar os desfiles de 2024. “Eu tenho certeza que não vai caber esse tamanho ano que vem (passarela Marcelo Sena). A gente vai ter que pensar em um lugar muito maior, porque as pessoas vão acreditar ainda mais que é possível”, completou.

De fato, a passarela Marcelo Sena é relativamente pequena, apesar de ter sido bem estruturada e em um local provisório. É um lugar que comporta 6 mil pessoas e tem uma pista de 220 metros. Foi improvisada no Eixo Cultural Ibero-americano de Brasília.

Riotur abre inscrições para blocos de rua do Carnaval 2024

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Os blocos de carnaval que querem desfilar pelas ruas do Rio de Janeiro no ano que vem já podem se inscrever na RioTur, a empresa municipal de turismo. O cadastro é a primeira fase do processo de validação dos desfiles. A portaria que regulamenta todas as etapas também está disponível no site RioTur no espaço carnaval de rua 2024.

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Foto; Divulgação/Riotur

As inscrições vão até 1º de agosto. A portaria inclui também as normas técnicas sobre o uso de veículos, delimitação de espaço dos blocos, direitos autorais e exposição de marcas de patrocinadores dos blocos.

A prefeitura pede que os foliões façam o cadastro para organizar a estrutura da festa. Como a distribuição de banheiros e do serviço de limpeza urbana.

Este ano, 450 blocos desfilaram pela cidade, durante os períodos de pré e pós-carnaval.

De acordo com estimativas da RioTur, dos cercas de R$ 4,5 bilhões gerados pelo carnaval deste ano, aproximadamente R$ 1,2 bi se deve ao Carnaval de rua.

* Com informações da Agência Brasil

Mestre Átila é o novo comandante da bateria da Tradição

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Mestre Átila é o novo reforço que a Tradição aposta para voar alto no carnaval 2024. O mestre, que assume a bateria “Explosão de Elite”, chega na azul e branco de Campinho no momento em que a presidente Raphaela Nascimento reforça toda a estrutura e equipe da escola para uma nova Tradição.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Átila possui vasta experiência no carnaval. Comandou as baterias do Império Serrano, entre 2002 a 2009, e da Unidos de Vila Isabel, em 2010, sendo agraciado com diversas premiações, além de presidir a verde e branco da Serrinha, o Império Serrano, entre 2011 e 2014. O mestre também possui passagem à frente dos ritmistas da Acadêmicos do Sossego, Em Cima da Hora e Lins Imperial.

Com uma bela trajetória, o músico entra para o time do Condor com o objetivo de somar ao espetáculo que a presidente Raphaela Nascimento está preparando para o próximo desfile. Segundo a presidente, é uma honra ter um mestre com tanto talento musical.

“O mestre Átila é sinônimo de qualidade. Estou muito honrada e feliz em tê-lo conosco. Tenho certeza que a bateria Explosão de Elite estará em ótimo comando, pois é enorme o seu talento musical. É uma honra poder montar um time cada vez mais coeso com meus objetivos: uma escola forte e pronta para brilhar e fazer bonito em 2024”, afirmou a presidente.

Para o mestre de bateria, a Tradição é uma grande escola e merece grandes desfiles. “Fico honrado em fazer parte de uma escola com tantas histórias e carnavais inesquecíveis. A Tradição é uma grande escola e merece grandes desfiles, pois foi assim que ela começou: grandiosa. E, com a presidente Raphaela Nascimento, o Condor irá voar alto mais uma vez. Muito interessante a proposta da escola para 2024. Fiquei feliz com o convite e abracei com carinho a Explosão de Elite”, contou Átila.

A Tradição será a sétima escola a desfilar na sexta-feira, dia 16 de fevereiro do próximo ano, pela série prata do carnaval carioca.

Salgueiro: Edson Pereira vai deitar e rolar na plástica com o enredo para o Carnaval 2024

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Durante a live “Galera no CARNAVALESCO“, Guilherme Campagnuci, Leonardo Antan, Freddy Ferreira e Renata Campagnuci falaram sobre o enredo do Salgueiro para o Carnaval 2024. Escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “Hutukara”.

 

Leia a sinopse do enredo da Mocidade para o Carnaval 2024

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Enredo: “Pede caju que dou… pé de caju que dá!”

Assumir completamente tudo o que a vida dos trópicos pode dar, sem preconceitos de ordem estética, sem cogitar de cafonice ou mau gosto, apenas vivendo a tropicalidade e o novo universo que ela encerra, ainda desconhecido” – (Breviário do Tropicalismo, Torquato Neto)

logo mocidade24

Carne de caju

O poeta sempre mira a própria terra ao trançar letras e alçar voos. Nada mais natural que ele e seus parceiros, além de outras inspirações, buscassem uma fruta nativa, farta e com certo capricho corporal para explodir em cores toda a revolução tropicalista. Pudera! A suculência agridoce que seduz os lábios, proclama a ciência, é mero penduricalho acessório. O fruto, no duro, está no alto, qual um cocar, black power ou coroa: a castanha. Mas quem é bobo de não se lambuzar com tudo?

No chão de inversões igualmente marcantes e da arte que passou a transgredir e realçar o profundo da brasilidade, nosso recado carnavalizado tá na mesa: o redemoinho antropofágico da Tropicália cravou os dentes também em carne de caju. Yes, nós temos pra chuchu! A partir dele, simbora abocanhar e sentir o país de tantas porções e sabores? Caldo de mel e travo, como o cotidiano, “a manhã tropical se inicia. Resplendente, cadente, fagueira, num calor girassol com alegria. Na geleia geral brasileira que o Jornal do Brasil anuncia…”.

Há um cajueiro de copa verdinha no lado esquerdo de todos os peitos, dizem. Pinta de rim, mas convite ao pecado. Caju-de-árvore, caju-anão, caju-rasteiro, caju grandão ou tímido, caju amarelo, rosado ou pra lá de vermelho. Protagonista de soneto composto, quiçá, na banheira de Vinicius: “consistência de caralho e carrega um culhão na natureza”. O materialismo elementar pelo avesso. Que mancha, que arde, que abunda! Que chove. Exagerado e a prumo. Tupi acayu a pau.

Cajuí or not cajuí, that is the question! Faremos dele carnaval!

Anacardium occidentale

E vamos de mergulho no passado contado em castanhas por tantos povos originários. Cada caju na cabaça, uma primavera. A tribo do indígena Porã, expulsa do lugar de origem, só encontrou felicidade quando floresceram as castanhas guardadas pelo sábio Tamandaré (seu avô), até então, perdidas. Veio a seguir o tempo de caju, de generosidade, já que a “noz que se produz”, além do beabá da Botânica, semeia fartura, lembrança e afeto. Nas cerimônias que envolvem o Torém, ritual sagrado dos Tremembés, os espíritos dos que cantaram para subir proseiam com os vivos. O entornar desbragado de mocororó, ou vinho de caju, hidrata a raiz das tradições – já que a festa esbarra na época de colheita.

Contam os sabidos que hordas do interior buscavam o litoral enfeitado pelas árvores abarrotadas. As ditas “Guerras do Caju” surgem assim, e antes de Cabral, mas ganharam adstringência quando as treze naus apontaram no horizonte. Aí, cresceu o olho gordo pra ordem de tonelada! O portuga logo melou os bigodões de interesse. O francês, mon amour, pôs na boca, manchou os bolsos e deu firma em célebre ilustração. Já ao dono real da terra… Bem, restou lutar – borduna em punho – contra as mumunhas do afanar institucionalizado, nosso amargor histórico.

E nem falamos do holandês, outro que não marcou bobeira naquele fuzuê: Nassau tratou de legislar, pôs carimbo e remeteu aos seus o presentinho inflacionado. Velas ao vento na contramão, estava arranjada a invasão – o caju-desbravador a fazer epopeia e pose de Tupiniquim Caju Fruit Company – pelo inverso itinerário das grandes navegações. Retorno à vista! The Brazilian Way Of Life natural reverenciado com rapapés e incrementado do lado de lá do oceano por monarcas e súditos.

Caju-rei

Mas, se até o nada asseado D. João topava um banho de gato marotíssimo na antiga Praia do Caju (com a intenção de se curar das picadas por carrapatos), e Pedro II era retratado como Pedro Caju pelas charges dezenovistas… Quis o fruto erguer o seu reinado nas bandas de cá mesmo. Em Pirangi do Norte (quina litorânea superior do país), no ano da libertação dos escravos, um pescador de nome Luiz Inácio plantou o danado que vestiu a faixa de “Maior Cajueiro do Mundo”.

No lugar de subir, a galhada se espichou para os lados, com a aparição de novas raízes ao tocar o solo. Danou a crescer sem freios. O “polvo” potiguar de tentáculos cheirosos fez fama e enumera colheitas a sumir da memória, espécie de refazenda em trajetória interminável. Sobre o pescador homônimo de presidente, seguiu os dias sempre próximo à criação improvável. Certa vez, bastante velhinho, sentou-se prum descanso à sombra de uma das ramificações e nunca mais acordou. Ciclo vital aromatizado pela árvore-sentinela.

Tudo parecia mar calmo, só que pintou contestação. O típico duelo de meninotes de calça curta acerca de quem ostenta o tronco de destaque entre a molecada. Recentemente, o autocoroado “Cajueiro-Rei”, nas franjas do Delta do Parnaíba, tratou de reivindicar o alto da rampa de campeão da fita métrica. No caso deste, há, ainda, trágica lenda indígena a tiracolo: espalham nos arredores que – cercados por mar de cavalos-marinhos, peixes-bois, tartarugas e golfinhos – dois guerreiros lutaram pelo amor da cunhã-poranga Jacira. Culminou em tragédia acompanhada de milagre.

Após a disputa, o perdedor emboscou o seu rival e a amada durante passeio em que colhiam cajus. Duas flechadas, ambos mortos. Foi, então, que a tempestade plena de raios e trovões do dia seguinte produziu cena mágica: no exato lugar do enterro do casal, emergiu a planta de dimensão extraordinária. Alguém duvida?

O quiproquó dos cajueiros inspira torcidas organizadas, teorias rocambolescas que fazem biólogos rebolarem um bocado nas explicações, tal de “mede aqui, mede acolá” longe do apito final do juiz. Mas, enquanto não existe régua com o devido amém de ambos os lados, o jogo é bom para a castanha-commodity e seu pedúnculo popstar: seguem campeões de audiência junto a paladares gringos e nossos. Autênticos reis do mundo. Reis à caju.

Caju-brasuca

Entre pelejas e causos assim da sabedoria dos povos – com delírios por excesso de caju fermentado nas ideias ou verdades incontestes –, o filho legítimo dessa aldeia gigante grudou feito “noda”. Expressão de memória coletiva, nos lábios de mel da literatura, economia musculosa, holofote dos anjos ou demônios que nos conectam ao sentimento e calorzinho de nação. Castanha-mátria, caju-pátria. Confidentes dos profundos quintais interiores.

Nas curvas do destino e dos desatinos de Macunaíma, tão metáfora da rotina brasileira, ah!, lá está o caju a marcar e serpentear os seus passos contraditórios. Acompanhante-anti-herói-espelho-meu. Caju-brasuca também na corda bamba com pincel na mão: a feira modernista de Tarsila em contraste com a “cica” memorial da melancólica aquarela de Debret retratando a escravidão. Haja caju nas tantas camadas sobre tela! Telas, por óbvio, da mais pura vida real extraída do pé. Pede caju que dou, pé de caju que dá.

Dá em tela de caju-caipi-pop, virado pra dentro industrialmente, enquanto as pernocas não bambeiam: a própria enciclopédia dos amigos pós-doutores na disciplina língua enrolada. Consistente, cortadinho em rodelas, do prato e da polpa, sabor agreste e cerrado, que encanta o doce e o salgado. Para quem quebra castanha coletivamente – alegoria da roda cronológica –, gosto de pertencimento compartilhado e laço. Ou mero pedaço, vá lá.

Tela do caju-família. Vitamina, crendice e mistura que nos inflamam. Do refresco, do licor, do suco. “Goiabada para sobremesa…”. O acorde da viola sussurrando saudades. E até compota ajeitadinha, fita e tudo. Remedinho da mamãe. Receita passada como herança no caderninho amarelado que não se empresta nem ao melhor amigo. Sujeito-elo entre a rua e a varanda. Toalha de mesa estendida e água na boca. Pinga. A regar brincadeira popular ou manifestação religiosa: da quermesse à curimba, do sambão ao batidão na esquina de casa.

Tela do caju-moleque. Com travessa de cajuzinhos a perfumar a vivência dos experientes – “quando você ia aos cajus, eu já voltava com as castanhas assadas”. Virou também recado reto ao vacilão que resolve brigar de bobeira: “ei, vai tomar caju!”. E segue o bloco! Que contorna a praça e abraça o cajueiro central, debruçado na fuzarca tipo anfitrião namorador. Rostinhos colados à malemolência do cancioneiro, o fim do baile traz o beijo da morena tropicana, vejam só. Pele macia, saliva doce, sim, vou lhe desfrutar. “Ô, iô, iô, iô…”.

Geleia geral

Natural que a geleia geral de sabores acima tenha, de fato, a alma da Tropicália, e aí pensamos outra vez no poeta: “existirmos a que será que se destina?”. A dúvida existencialista diante da ambivalência do fruto-não-fruta parece extrato nosso chupado de canudinho com aquele barulhinho sacana. Ora, fundamentalmente, existimos a partir da cultura popular e da riqueza exuberante sobre a terra fértil, inda que descuidadas. Eis que o Brasilzão mira a água cristalina do Atlântico e lá está peladão e sem vergonha: é o próprio caju jamais proibido. Travesso no trato, travoso um tanto, “totoso” no total.

Que mistério possui o torrão continental que goza flora pujante como fogos de artifício, e se entorpece da energia do povo na loucura de ser? Salada mista ardente de gritos ambulantes que vendem e consomem fertilidade, é mascate de prazeres até o talo. A alquimia desengonçada do rapaz metido a gato-mestre na barraca de caipirinha: “açúcar, dotô?”. Para esbanjar vida cajuína mergulhada em delirante cortejo made in sol e mar, desfile n’areia, curvas de sereia, sumo e pegada.

Um viva ao paraíso tropical que tudo dá e ao estado de festa indomável na relação entre gentes e chão – o melhor caju do pé de Brasil. Ou seria o melhor Brasil do velho cajueiro?

Alegria gaiteira, convenhamos, já muito experimentada no terreiro fervido dos independentes. Basta “olharmo-nos intacta retina”.

Na cabeça, uma estrela. No corpo suave, o rebolado passista e a pulsação do tambor. Que tal a deliciosa carne de carnaval, o salivar permitido, lamber os beiços longe de qualquer pingo de culpa?

Cá estou, “cajuinamente”, servida de bandeja com a dose de feitiço que me fez banquete desejado desde moça.

Vai, batida mais quente, e vê se leva o aroma do sonhado reencontro comigo mesma: sou dádiva que se alastra igual caju. Sou o fruto mais doce e sexy da capital da folia. Sou quem morde o seu coração…

Carnavalesco: Marcus Ferreira
Enredo: Marcus Ferreira e Fábio Fabato
Sinopse: Fábio Fabato
Presidente de Honra: Rogério Andrade
Presidente: Flávio Santos
Vice-presidente: Luiz Claudio Ribeiro

Beija-Flor leva o samba ao maior São João de Maceió

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A população de Maceió caiu no samba com a Beija-Flor de Nilópolis durante o São João Massayó deste ano, uma das principais festas juninas do Nordeste. A agremiação esteve entre as atrações do último sábado, no Polo Carlos Moura, no bairro do Jaraguá.

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Foto: Itawi Albuquerque/Secom Maceió.

Prestes a mostrar a capital de Alagoas dentro do enredo de 2024, que vai abordar a história de Rás Gonguila, importante personagem da cultural local, a azul e branca caprichou na apresentação, com direito a passistas, bateria e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso.

A Beija-Flor será a segunda agremiação a desfilar pelo Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí, no domingo, dia 11 de fevereiro.

Grande Rio começa ensaios de bateria para o Carnaval 2024

Os dias de descanso do sambista de Duque de Caxias já terminaram. A partir desta terça-feira, a quadra do Acadêmicos do Grande Rio retoma suas atividades visando o Carnaval 2024. A partir das 20h, os ritmistas comandados pelo mestre Fafá voltam a afinar seus instrumentos para dar início a mais um ciclo de preparação para o próximo desfile na Marquês de Sapucaí. É o próprio comandante que explica a antecedência com a qual os treinos acontecem.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação

“Para nós, o entrosamento cumpre um papel fundamental para a execução perfeita na Avenida. Quanto antes começarmos esse aquecimento, melhor. Logo teremos as outras etapas do pré-Carnaval, como a escolha do samba-enredo, e é preciso que estejamos preparados desde já para entrarmos no ritmo e desenvolvermos nosso trabalho com base na obra que levaremos para o desfile”, explica o mestre.

Mas não só a orquestra de Fabrício Machado vai entrar em cena na Grande Rio nesta terça. O chão da quadra também começa a ser riscado pelas alunas e alunos que desejam aprender ou aprimorar seu samba no pé. Comandado pelos premiados Marisa Furacão, Luciene Santinha e Avelino Ribeiro, o projeto Samba de Ouro terá periodicidade semanal, começando também nesta terça-feira, às 19h e promete formar novos talentos do Carnaval.

“Nossa bandeira é o samba. Queremos propagar essa arte e transmitir nossa paixão através dessa oficina. E, quem sabe, incorporar novos integrantes à nossa ala para o próximo desfile”, avisa a diretora da ala de passistas Marisa Furacão, que já foi ganhadora do Estandarte de Ouro e tem uma história de mais de duas décadas defendendo as cores da tricolor caxiense. Se esse era o incentivo que faltava, basta comparecer na quadra da Grande Rio na data e hora do projeto e se inscrever. Será cobrada uma taxa de inscrição no valor simbólico de R$ 15, sem pagamento de mensalidade. É possível obter mais informações pela página do Instagram @passistasdagranderiooficial.

O Acadêmicos do Grande Rio será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro de 2024, e levará para a Sapucaí o enredo “Nosso destino é ser onça”, dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

Reserva de camarotes para os desfiles do Grupo Especial no Carnaval 2024 começa na terça-feira

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A Liesa inicia na próxima terça-feira o processo de reserva de camarotes para os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial que acontecem no Sambódromo em 2024. Os interessados devem acessar o site reservas.riocarnaval.com.br e preencher o formulário, que estará disponível exclusivamente entre 9h e 11h.

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Foto: Divulgação/Riotur

Após realizar o envio com todos os dados solicitados, será encaminhado ao e-mail cadastrado um número de protocolo contendo a data e a hora registradas. Para definir os contemplados, será levada em consideração a ordem de chegada de cada solicitação, devidamente registrada no sistema, além do histórico financeiro apresentado em anos anteriores e da capacidade de cada setor.

Aqueles que tiverem as reservas confirmadas receberão o contrato por e-mail no dia 18 de julho e precisarão assinar e devolver à Central de Atendimento e Vendas da Liesa até o dia 24 do mesmo mês, junto com a documentação legal exigida. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 3190-2100.

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Vale ressaltar que esse primeiro período de reservas será apenas para camarotes. Em breve, serão anunciados detalhes sobre reservas de frisas e vendas de ingressos de arquibancada.

Os desfiles do Grupo Especial acontecerão em 11 e 12 de fevereiro de 2024, com as seis melhores colocadas voltando para o Desfile das Campeãs no dia 17.

Programa ‘Seleção do Samba’ não deve ganhar edição para o Carnaval 2024

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Após duas temporadas, o programa “Seleção do Samba”, da Globo, não deve ganhar uma nova edição este ano. A informação foi antecipada pelo diretor de marketing da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Gabriel David, em entrevista ao site CARNAVALESCO. Procurada, a Comunicação da Globo informou que “o projeto do carnaval Globeleza está em desenvolvimento”.

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Foto: Divulgação/TV Globo

“A princípio, não vai acontecer o ‘Seleção do Samba’ este ano. É a primeira vez que falo sobre isso, mas não é algo 100% certo. Acho que não vai acontecer porque a Globo vem tendo problemas comerciais com o produto ‘Globeleza’. A gente está pensando como pode reformular. Lógico que não é algo formado só pelos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, mas entendemos que é preciso ter mudanças. Hoje, o carnaval já tem capacidade de desenvolver certas ideias próprias de outras formas, seja na internet ou em outras emissoras. Na transmissão dos desfiles, é incontestável a importância da Globo e a própria vontade deles de ter. Mas, no ‘Seleção do Samba’, a Globo quer dar uma recuada”, relatou Gabriel David.

O “Seleção do Samba” foi criado durante o auge da pandemia da Covid-19 para marcar o retorno das atividades nas agremiações. A primeira temporada exibiu, entre outubro e novembro de 2021, as finais de disputa de samba-enredo nas doze escolas do Grupo Especial do Rio para o Carnaval de 2022, sob o comando de Luís Roberto e comentários de Teresa Cristina e Milton Cunha. O programa fez tanto sucesso que, na ocasião, mais dois episódios foram feitos para apresentar as obras escolhidas pelas escolas da elite da folia paulistana, com a apresentação de Chico Pinheiro.

No ano seguinte, uma segunda temporada foi realizada com alterações no formato. O programa passou a ser apresentado por Milton Cunha e a ser gravado nas quadras das escolas, documentando o processo de escolha das obras e abordando um pouco da história das agremiações. Ao todo, seis episódios foram produzidos, sendo três dedicados as escolas cariocas e outros três para as de São Paulo.

Porém, o faturamento abaixo do esperado com o Carnaval de 2023 pesa contra a renovação da produção. De cinco cotas disponibilizadas para o mercado, apenas uma foi vendida, para a gigante brasileira Ambev, que escolheu estampar a marca da cerveja Brahma. Diante desse cenário aquém do esperado, Gabriel David relatou que a Liesa, junto da Globo, tenta encontrar soluções para atrair novamente os anunciantes para a folia.

gabriel david
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“A relação da Liga com a Globo é muito boa, temos uma parceria de anos que é fundamental para o Carnaval. Vamos ter uma série de reuniões nos próximos meses, em que será conversado sobre o produto ‘Globeleza’, para entender como podemos evoluir. A ideia é voltar a se concentrar única e exclusivamente no desfile. Já os programas oriundos do Carnaval, nossa intenção é levar para outros lugares, não só a Globo. Até porque, ali a gente vai ter que entrar em uma disputa de horário e de visibilidade ao longo do ano, cujo resultado pode ficar aquém do que precisamos”, pontuou Gabriel David.

Enquanto o “Seleção do Samba” não deve ganhar uma nova edição, outra produção ligada ao Carnaval do Rio de Janeiro está garantida na televisão aberta. Idealizado pelo próprio Gabriel David, o “Samba Coração”, que estreou nas telas da Band em dezembro do ano passado, terá uma nova leva de episódios.

“Temos confirmado a segunda temporada do ‘Samba Coração’ na Band. É um programa apresentando por sambistas, que tem sido super fundamental para gente. Além disso, temos vários programas no YouTube que estão ganhando cada vez mais espaço. E agora, espero eu, que as escolas de fato possam entrar no streaming. Estou aguardando muito esse momento, sei que algumas agremiações tem se movimentado para isso e acho que isso vai dar um resultado muito fundamental no Carnaval”, destacou o diretor de marketing.

No Carnaval de 2023, a Liesa passou a transmitir os ensaios técnicos das escolas na Marquês de Sapucaí, ao vivo, por meio do seu canal no YouTube, o Rio Carnaval. Diante dos bons resultados, surgiram especulações de que a Liga poderia fazer o mesmo nos desfiles oficiais ou então vender os direitos de transmissão. O modelo seria similar ao da Copa do Mundo de 2022, no qual a Globo detinha a exclusividade na TV aberta e paga, enquanto a empresa LiveMode, que na época fechou parceria com o streamer Casemiro, ficou com as plataformas digitais.

“Não existe a vontade da Liga, hoje, de fechar com um streaming com exclusividade. A gente entende a TV aberta como algo extremamente importante para o nosso produto, mas é óbvio que existe de uma forma antenada a necessidade de reacts para o Carnaval, de interações com os youtubers e os stremers. No entanto, para isso, precisaria de uma readaptação no nosso contrato e na nossa relação com a Globo. Esse é um dos tópicos que a gente vem conversando, porque isso não traz visibilidade só para o Carnaval, mas fortalece o produto que está sendo transmitido pela Globo”, afirmou Gabriel David ao site CARNAVALESCO.

O diretor de marketing da Liesa ainda ressaltou que, dentro dos atuais moldes da parceria com a Globo, já estão sendo exploradas outras plataformas, mas que o trabalho ainda precisa evoluir. “A gente já fez um pouco dessa modernização, tentou fazer na verdade, no último Carnaval, com o Multishow. Porém, precisa ser um pouco melhor elaborado. Espaços como o Globoplay, por exemplo, podem ser melhor usados pelas escolas de samba para fazer documentários, minisséries, que contem a história do Carnaval, do processo criativo, de bastidores”, avaliou.