O boêmio bairro de Vila Isabel tem recebido um espetáculo a céu aberto durante as quartas-feiras. Com Tinga levantando o público presente e a força do canto da comunidade, a Vila Isabel fez mais um grande ensaio de rua na última noite. Agora, a Azul e Branca se prepara para mostrar a força de seu chão no ensaio técnico da Marquês de Sapucaí, no dia 3 de fevereiro.
Com a reedição de ‘Gbalá’ e sob o comando do carnavalesco Paulo Barros, a escola do bairro de Noel será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. No ensaio desta quarta, a comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas, ensaiaram separadamente e não marcaram presença. Para o diretor de carnaval da escola, Moisés Carvalho, a comunidade foi o destaque da noite.
“Mais uma vez, nossa comunidade deu um show. Todos os segmentos mostraram a força de ‘Gbalá’ e levantaram o público com uma energia incrível. Acredito que estamos no caminho certo para um ótimo carnaval”, afirmou Moisés.
Destaque da noite junto a comunidade, Tinga encerrou o ensaio praticamente ovacionado pelos torcedores e o público presente. Durante toda a apresentação, o intérprete interagiu com os componentes e buscou levantar ainda mais o canto e a alegria do chão da Vila. Segundo ele, a escola está feliz com o enredo e o samba de Martinho da Vila, o que contagia ainda mais o torcedor. Para o ensaio técnico na Passarela do Samba, a expectativa é de um grande desfile.
“É importante demais a Vila Isabel trazer esse tema e este grande samba do Martinho. Vamos continuar ensaiando para que no grande dia possamos ir atrás do nosso sonho mais uma vez. Está maravilhoso. As crianças e toda a comunidade está feliz. Isso é importante e, com certeza, vai emocionar a todos na Marquês de Sapucaí. Vamos fazer um grande desfile. Agora é força total para o ensaio técnico, porque a comunidade vai ‘descer’ em peso para cantar e vibrar com a gente. Vamos fazer bonito na Sapucaí, assim como fizemos no ano passado – só esperamos que não caia aquela água toda (risos)”, comentou o intérprete.
Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO
Harmonia
O canto da comunidade também foi um dos destaques desta noite. A força do samba somada ao fenômeno Tinga engrandece a harmonia da escola. A evolução é perceptível a cada ensaio e destaca que os componentes estão felizes com o carnaval que a agremiação levará para a Passarela do Samba. Desde crianças até idosos, todos se unem em uma só voz para levantar o ‘Gbala’ pela avenida. O canto dos mais velhos, em especial aqueles que acompanharam o desfile de 1993, é ainda mais forte. A escola do bairro de Noel tem tudo para levantar a Sapucaí no ensaio técnico e, aos poucos, caminha em busca da nota dez do quesito.
Um dos membros da comissão de harmonia da Vila Isabel, Diego Mendes acredita em uma evolução gradativa no canto dos componentes. Ele destacou o trabalho realizado pelo segmento e a importância de Tinga para o sucesso do samba na Avenida.
“O canto da escola está chegando no nível que acreditamos ser o necessário para alcançar a nota dez. Com certeza, no dia do desfile chegaremos com ela em 100%. É um trabalho de formiguinha, que até o dia do desfile, com certeza, estaremos lá para alcançar a nota máxima. O canto da escola vem surpreendendo bastante, mesmo com esse calor todo a escola não deixou o canto cair. E falar do Tinga é ‘chover no molhado’. Ele faria o ‘Atirei o pau no gato’ virar samba e todo mundo cantaria. Estamos falando de um mestre do canto e uma das referências do carnaval. Com ele, temos a certeza que o canto não caíra em nenhum momento”, comentou Diego.
Evolução
O ensaio começou por volta das 22h e teve cerca de uma hora de duração. Apesar da Boulevard 28 de Setembro não ser uma via muito larga, a escola conseguiu evoluir bem e brincar carnaval. Alegre, a comunidade cantava, sambava e pulava. Algumas alas também utilizaram adereços de mão. A espontaneidade do componente durante o desfile é algo que chama a atenção.
Diego também falou sobre o preparo da escola para o carnaval. Segundo ele, a agremiação agora busca acertar detalhes técnicos para o ensaio na Marquês de Sapucaí e o grande dia do desfile.
“A escola já está praticamente toda definida, com entrega de fantasias e as camisas do ensaio técnico já chegam na próxima semana. Toda escola já está pronta, armada para trazer – além de um bom ensaio técnico – um espetáculo para quem vai assistir”, contou o membro da comissão de harmonia da escola.
Samba-enredo
Um samba curto e leve. Uma obra que já faz parte do cotidiano do torcedor da Vila Isabel há muitos carnavais e atravessa gerações. Com esses temperos especiais o grande samba de Martinho da Vila ganha ainda mais força, e praticamente descreve o que será apresentado pela Vila Isabel na Sapucaí. Para fechar com chave de ouro, a Swingueira de Noel, comandada pelo mestre Macaco Branco, e o carro de som, comandado por Tinga, levantam ainda mais a canção. Assim como nos outros ensaios, o refrão tem sido o ápice do canto.
Para o mestre de bateria, comandar a Swingueira na reedição de ‘Gbala’ é um privilégio. “Costumo dizer que é uma missão divina, na qual Deus deu a honra de poder representar o ‘Gbala’ na Avenida. Em 1993 eu era muito criança, e hoje estou tendo o privilégio de desfilar com esse samba maravilhoso. Você para para compreender a letra e entende tudo que o enredo da Vila quer falar. É um prazer imenso e um trabalho de comunidade”.
Outros destaques
Mais uma vez, a “Swingueira de Noel” deu um show na avenida – estranho seria se isso não acontecesse. Enquanto o tão sonhado dia não chega, os ritmistas ainda terão uma série de treinos: além dos ensaios de rua e de quadra, carro de som e bateria vão treinar no setor 11 da Sapucaí na próxima segunda-feira. Depois, o ensaio técnico do dia 3 de fevereiro será o esquenta final para o desfile da Swingueira de Noel, que contará com 278 ritmistas na Avenida.
Com os arranjos prontos desde maio do ano passado, Macaco Branco explicou que o samba reeditado facilita o trabalho desenvolvido pela bateria. Para ele, a Swingueira está pronta para buscar o gabarito do quesito na Quarta-Feira de Cinzas. O mestre também revelou que não gosta de guardar surpresas para o dia do desfile. O trabalho apresentado até aqui está, de fato, muito próximo do que será levado para o Sambódromo.
“Se o desfile fosse hoje, daria para representar bem a nossa escola. A cada ensaio a gente se diverte. Eu não gosto desse negócio de esconder. Quanto mais esconde, menos treina. A questão é fazer o que vai levar para a Avenida mesmo. No futebol tem muito isso – treino fechado e sem imprensa. Temos que praticar bastante, até porque são 300 músicos amadores, uma galera que pega no instrumento uma vez por semana. A gente tem que formar e ensinar para que o ritmo fique cada vez mais ‘azeitado’”, explicou o mestre de bateria.
Não são apenas os sambistas que já estão contando os dias para o maior espetáculo da Terra. Um dos principais pontos turísticos do mundo, a Praia de Copacabana, na Zona Sul, entrou no clima da folia com um cronômetro gigantesco para marcar a contagem regressiva para o Rio Carnaval 2024.
Foto: Divulgação/Rio Carnaval
A iniciativa, inédita na folia carioca, é liderada pelo diretor de Marketing da Liesa, Gabriel David: “O mundo está ansioso para a chegada do desfile das escolas de samba na Sapucaí. Então, pensamos: ‘por que não acompanhar cada minuto dessa contagem regressiva?'”, ressaltou.
O cronômetro, instalado pelo Rio Carnaval, teve o financiamento da Ambev, uma das patrocinadoras do evento, promovendo a marca Brahma, com apoio da Prefeitura do Rio e do Governo do Estado.
Os cariocas e turistas que quiserem ficar de olho na contagem e tirar fotos, já entrando no clima do Carnaval, podem ir à Avenida Atlântica, na Praia de Copacabana, na altura do posto 3, onde o monumento está instalado.
A Inocentes de Belford Roxo dará vez e voz para uma parcela da população que muitas vezes é esquecida ou até relegada. A escola da Baixada Fluminense contará a história dos trabalhadores informais do Brasil, desde a sua origem nos tempos do Império. Ambulantes e camelôs serão levados para a Marquês de Sapucaí para serem homenageados como um povo de luta e suor ao ganharem a vida. Personagens importantes serão lembrados, como Silvio Santos, Anísio Abraão David, Rick Chesther, entre outros, que também foram ambulantes. A azul, vermelho e branco promete contar essa história com bastante alegria, apostando em um colorido diferenciado.
O carnavalesco Cristiano Bara explica que o atual enredo é, na verdade, uma segunda opção da escola, após problemas com o anterior. A ideia foi levada pelo presidente da agremiação, Reginaldo Gomes, para ele. Cristiano conta que já tinha uma pesquisa feita sobre o tema desde os tempos de Beija-Flor, e que se aprofundou na história para desenvolver o carnaval da Inocentes:
“Em um primeiro momento, a gente teve um problema com o outro enredo. Tivemos que deixar de fazer ele para fazer esse próximo. O presidente me sugeriu uma ideia, ele gostaria de fazer alguma coisa sobre o começo ambulante. A gente começou as pesquisas, e como eu já tinha feito uma pesquisa bem forte sobre o Debret em um período que eu passei na Beija-Flor, quando eu fui ao Maranhão junto com uma comissão. Eu sabia que ele tinha documentado o começo ambulante no Brasil colonial. Aí foi onde a gente encontrou o caminho, um gancho para a gente começar a contar nossa história”, falou o artista.
Na extensa pesquisa de enredo, mesmo já tendo conhecimento de algumas passagens, Cristiano se deparou com uma história que não sabia. Ele conta que Debret foi um artista tão importante da época, que realizou trabalhos estéticos para a corte, e que poderia ser chamado de carnavalesco. Além disso, ele também deu as primeiras cores para a bandeira do Brasil:
“A gente tem uma história bem curiosa. Na realidade, o Debret era o carnavalesco da época, porque ele que cuidava de todos os eventos da corte. Ele que cuidava da decoração dos eventos, da parte estética. Tem um historiador que mostra até que ele construía carros alegóricos quando fazia alguma festa. Foi ele quem desenhou a primeira bandeira do Brasil. O verde e amarelo da nossa bandeira foi o Debret que desenhou. Ele tinha consciência de que quando ele veio na viagem, quando ele corta o Atlântico e veio à costa brasileira, ele ficou encantado com tudo que ele viu, a exuberância do verde. Colocou o verde das matas e o amarelo ele justificou com o ouro, porque ele sabia de toda a riqueza. Como ele tinha um conhecimento da história do continente africano e do europeu, com a relação do português com o Brasil, ele sabia que muito ouro foi pra lá, dizendo que o país era um lugar que tinha muito minério e muita riqueza. É um fato bem curioso saber que ele pintou os mercadores, como a preta que vendia caju. E depois descobrir que ele foi quem pintou a nossa bandeira, que a gente tem tanto orgulho, é muito interessante dentro da história que a gente descobriu na pesquisa do enredo”, disse o carnavalesco.
O artista entende que o grande trunfo da Inocentes é um somatório de fatores, que passam por uma estética bonita, colorida e diferente, pelo samba-enredo de qualidade, e por um forte fator humano que faz tudo funcionar:
“Eu acho que é primar por uma boa estética visual. A gente tem um grande samba, feito pelo Cláudio Russo, que é um mago do samba-enredo. É um enredo alegre, divertido, colorido, com a cara da escola. A escola é tricolor. A gente vem com um desfile muito colorido porque o enredo nos permite isso. Até a parte histórica no início também tem um colorido muito legal, porque tem a exuberância da fauna, da flora, no abre-alas. A gente tem uma representação do azul do Oceano Atlântico que eles cortaram para chegar ao Brasil. Temos embarcações, alguns mercados, o colorido do ver-o-peso, com todas as garrafinhas que vende. A gente tem o açaí, a baiana que vende o acarajé no mercado do modelo, os quitutes. Temos um mercado de BH que tem o queijo, o doce de leite, a cachaça. O ponto alto é a estética unida com o humano, porque qualquer espetáculo de carnaval, se a gente não tiver o humano pra fazer virar a realidade tudo aquilo que a gente sonhou, não funciona. A gente tem um humano bom e um colorido diferente pra mostrar o carnaval. É uma grande viagem para mostrar o ambulante através do tempo”, afirmou Cristiano.
Bara relata de que forma trabalha com sua dupla, o carnavalesco Marco Antônio. Ele explica que não há uma divisão exata de tarefas. Os dois participam e decidem todos os aspectos do desfile em conjunto:
“A gente na verdade divide todas as ideias e conversa o tempo todo. Não temos uma divisão concreta, do tipo ‘você cuida disso, eu cuido daquilo’. Não tem isso, a gente divide todo o trabalho, da pesquisa, do desenvolvimento, as cores, a gente vai conversando. Eu já trabalhei há um tempo com o Marco, muitos anos atrás ele era carnavalesco e eu tinha um ateliê. Fiz fantasias protótipos para ele e a gente hoje uniu essa convivência boa do passado e que estamos mantendo aqui”, comentou Bara.
Cristiano explica de que forma trabalhou com Cláudio Russo, compositor que foi contratado para fazer o samba-enredo da escola. O carnavalesco afirma que passou todo o projeto do desfile para Russo, mas que nem seria necessário por conta de sua extrema qualidade na composição:
“A gente deu todas as diretrizes pro Cláudio. Na realidade, a gente já vinha desenhando o enredo, então a gente passou os desenhos de fantasia e de alegoria para ele ter consciência de tudo aquilo que a gente ia mostrar na parte estética, para que ele pudesse construir um grande samba. A gente tinha sinopse, o enredo todo direitinho, e fomos dando subsídios. Mas nem precisa muita coisa para Cláudio Russo fazer um grande samba. Ele é o mago do samba enredo no carnaval hoje”, disse o artista.
O carnavalesco relata as dificuldades que enfrenta ao realizar seu trabalho no barracão da escola, localizado na Via Binário, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. A precariedade da estrutura deixa tudo mais imprevisível, porém ele afirma que é possível administrar. Cristiano deixa um recado importante que tem tudo a ver com o enredo da Inocentes:
“Na realidade, eu já passei por todos os grupos. Há 13 anos eu já tinha feito a Inocentes, que era em outro barracão, que era aberto. Já passei por muitas dificuldades. Também já passei no Especial pela Beija-Flor e em São Paulo pela Vila Maria durante cinco anos. Então, a gente adquire experiência. É como se fosse um camaleão, se adaptando às cores do ambiente. É bem difícil. Já poderíamos ter uma cidade do samba da Série Ouro. Temos que lidar com as dificuldades. Se chove, molha tudo. Tenho um carro aqui, que tem uma baiana na frente toda de renda branca. A gente fica correndo para proteger. Quando para a chuva, ainda fica escorrendo água da laje. A gente vai administrando, é o que temos hoje para trabalhar. E vamos tentar entregar o melhor espetáculo possível na Sapucaí e mostrar que a gente é firme e forte, exatamente como os camelôs do nosso enredo. Eles acreditam e conseguem vencer no final. Temos vários exemplos para que a gente possa vencer as adversidades que temos no barracão”, afirmou Cristiano.
Bara cita sua longa experiência no espetáculo, mas afirma que o fator primordial para driblar as adversidades financeiras é o conjunto forte de trabalhadores que o ajudam, dando ideias boas e baratas, e também colocando a mão na massa para fazer o projeto ganhar vida:
“Esse ano farei 35 anos de carnaval. A gente acaba adquirindo experiência no caminho. Mas temos pessoas que trabalham com a gente que dão soluções muito legais também. Temos a Luana na decoração de alegorias. Temos a Maria que trabalha lá em Belford Roxo cuidando do ateliê. Temos um grupo unido para que a gente ache alternativas que tenham um visual muito bom, mas que não tenham um custo alto. É aquela velha brincadeira, de tirar da cabeça o que não se tem no bolso. A gente sabe da dificuldade, hoje as coisas estão muito caras. Mas conseguimos soluções muito legais para que a gente possa apresentar um grande espetáculo. As pessoas vão se encantar”, falou o carnavalesco.
Apesar de todas as dificuldades no processo de desenvolvimento das fantasias e alegorias, Cristiano procura não se deixar abater. O artista diz enxergar o carnaval de outra forma, dando ênfase ao sentimento verdadeiro por sua profissão:
“Eu não vejo carnaval como uma condição. Eu vejo como amor pela nossa profissão. A gente fica muito feliz com tudo que projetamos. Na verdade, a gente é vendedor de sonhos. E sonho não tem local, podemos sonhar em qualquer lugar. Ele pode se tornar uma realidade boa. Apesar de estarmos em um local ruim, a realidade que a gente apresentar na avenida será muito boa”, disse Bara.
O carnavalesco da escola explica que não tinha a intenção de trabalhar no desfile deste ano, mas acabou aceitando o pedido do amigo pessoal e presidente da Inocentes, Reginaldo Gomes. Por conta disso, ele prefere não dizer sobre o que será o seu futuro na folia carioca e deixa tudo em aberto:
“Na realidade, eu tinha uma ideia de não fazer carnaval por um ano para descansar. Eu estava morando em Arraial do Cabo. Aconteceu do Reginaldo ir lá. E eu já tinha trabalhado na Inocentes, sou amigo da família há 20 anos. Ele já tinha ido à São Paulo acompanhar um trabalho de um enredo sobre a China, que era maravilhoso. Ele me falou que a gente teria dificuldades por causa do tema. E me pediu para voltar para ajudar o Marco, fazer essa parceria, porque quanto mais gente melhor. Duas cabeças pensam melhor que uma só. Então, eu resolvi assumir essa volta para o carnaval. Se vou continuar aqui na Inocentes ou se vou alçar novos voos, vai depender de tudo que a vida promete para a gente. Não sabemos o amanhã. A gente sabe muito pouco de hoje. Não tenho uma ideia fixa do que vou fazer. Vou deixar o universo comandar tudo o que a gente precisa”, refletiu Cristiano.
Conheça o desfile da Inocentes
A Inocentes de Belford Roxo para 2024 vem com cerca de 2.200 componentes. Serão três carros alegóricos e três tripés, sendo um deles na comissão de frente e os outros dois ao longo do restante do desfile. A caçulinha da Baixada será a quarta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval da Série Ouro. O artista Cristiano Bara explicou os setores de seu trabalho para o site CARNAVALESCO:
Setor 1: “Começamos a contar nossa história a partir do convite de D. João VI para a Missão Francesa vir para o Brasil. Debret ficou responsável de pintar o cotidiano do povo no Brasil Império e aí ele volta pra França e depois documenta isso no livro. No primeiro momento que a gente tem no Brasil de documentação do mercado ambulante, a gente chama de trabalhadores de ganho, mas na verdade eram os escravos de ganho, pois trabalhavam para os seus senhores. Tudo que era produzido nas fazendas, ele pegava e colocava para o escravo vender durante a tarde, à noite. Criava galinha, botava no cesto e vendia. E o Debret se encantou com isso, olhando da janela do ateliê dele, que era no Catumbi. Ele via isso e começou a pintar, foram as melhores pinturas dele, essas são as mais requisitadas pelas pesquisas, todo mundo é encantado com elas. Então, a gente começa a caminhada do nosso enredo, o conhecimento dele sobre o continente africano, o continente europeu, já ele foi convidado pela Coroa Portuguesa para poder vir para o Brasil. Era uma missão que tinha a ideia de trazer o neoclassicismo para o Brasil, que já vinha há muito tempo com o Barroco, com os jesuítas. Os jesuítas vão e eles chegam à missão e começam a modificar a arquitetura no Rio de Janeiro, começam a mudar as características da cidade e sair do barroco para o neoclássico”.
Setor 2: “Com isso, a gente vai mostrando a evolução do comércio. Aí chega a influência de mercador chinês, árabe, judeu, cada um com sua área. O judeu tinha uma área de venda de utensílio para a cozinha, panela de cobre, talheres, já o árabe vendia utensílio para costura, linha, agulha, alfinete, fita métrica, para poder trabalhar esse momento. O chinês trazia os tecidos, e a gente tinha o nosso o Caxeiro Viajante, que era o que viajava no lombo do burro e que transportava tudo que ele vendia, era um comércio de quinquilharias, vamos dizer assim. Com essas influências a gente criou as nossas feiras livres, que era a banquinha que eles colocavam tudo isso, que depois foi se transformando e virou os mercados que a gente tem espalhado pelo país. A gente tem Ver-o-peso, que tem mais de 400 anos, que é no Pará, a gente tem o Mercado Municipal de São Paulo, a gente tem o de Belo Horizonte, Então, a gente fala desse momento dos mercados numa alegoria. A gente mostra o mercado modelo na Bahia, tudo isso é influência desses mercadores, junto com o que a gente já tinha com os nossos escravos, com a influência africana, e foi evoluindo até a criação do mercado”.
Setor 3: “Após isso, a gente já começa uma viagem para os tempos modernos, indo para o grande problema das grandes cidades, que culminou no Rio de Janeiro. A Guarda Municipal tinha que botar ordem na cidade, e virou o grande bicho papão desse camelô. Com esse problema, a gente desenvolve o enredo, mostrando tudo. Tem o cara que vende no plástico, com a cordinha, porque ele quer escapar do rapa, começa e vai funcionando, mas precisa de uma ordem. E essa ordem vem com a ideia de construir o Camelódromo. A gente fala dos produtos piratas, os produtos dos sacoleiros, que compravam no Paraguai e traziam, coisas do cotidiano. Mostra também o Mercadão de Madureira no final. A gente mostra que o forte lá é a procura por produtos religiosos. Temos um carro que tem um trem que leva da Central até Belford Roxo, sede da escola. Então, a gente passa por todos esses mercados que também movimentam o mercado ambulante, o mercado das feiras livres. Também falamos do Silvio Santos, que já na época do problema com a Guarda Municipal, ele vendia na hora do almoço deles, do Rick Chesther, que ficou tão famoso e foi fazer até palestra nos Estados Unidos, do Anísio, presidente de honra da Beija-Flor, que foi camelô, vendedor de bala. Depois foi para o jogo do bicho e se tornou importante para o nosso carnaval. O crescimento do espetáculo, em grande parte, é graças a ele, junto com os demais que fizeram parte da Liga. A gente faz essa homenagem”.
Pioneiro na criação de uma diretoria voltada para sustentabilidade, o Império Serrano vai inovar em seu ensaio técnico, no próximo sábado. Antes de rasgar o chão Marquês de Sapucaí com a força da sua comunidade, o Reizinho de Madureira vai apresentar o certificado de compensação de carbono do evento. Esta ação inovadora é viabilizada pela Atmmos.io, uma start-up emergente no cenário de inovação social carioca, especializada em soluções de sustentabilidade.
Com o apoio da empresa no ramo de tecnologia verde, o Império Serrano vai compensar as emissões de CO2 geradas pelo transporte dos participantes e pelo uso de energia elétrica durante a apresentação na Passarela do Samba.
Este evento reflete a vitalidade e criatividade do mercado de inovação do Rio de Janeiro, mostrando o espírito inovador do Império Serrano e da Atmmos.io. Juntos, as entidades estão redefinindo a abordagem de eventos culturais, harmonizando tradição com responsabilidade ambiental.
Segundo Diego Carbonell, diretor de sustentabilidade do Reizinho, a parceria será fundamental para essa nova visão da escola para as causas ambientais.
“Essa ação de compensação é um primeiro grande sinal de que o Império Serrano vem muito forte em suas iniciativas relacionadas à estratégia de sustentabilidade. Temos certeza que a visibilidade dessa ação impactará positivamente na conscientização, não só dos imperianos, mas de todo povo do samba”, disse.
Já para Augusto Veríssimo, CMO da Atmmos, a parceria é um reflexo da inovação e do potencial do Rio como um emergente no polo de tecnologia verde.
“Na Atmmos.io estamos orgulhosos de fazer parte desta transformação, trazendo soluções em sustentabilidade desenvolvidas aqui, no coração do Rio. Esta colaboração não é apenas um passo em direção a um futuro mais verde, mas também um exemplo de como a inovação local pode impactar positivamente a tradição e a cultura”, afirmou Augusto.
Os créditos de carbono viabilizados pela Atmmos.io beneficiam o projeto de conservação Jari Amapá na Amazônia, promovendo a proteção ambiental e o apoio às comunidades locais. Esta iniciativa não só compensa a pegada de carbono do Império, mas também lhe confere o selo ‘Compenso Carbono’, um símbolo do seu compromisso com um futuro mais sustentável e verde.”
No Carnaval 2024, o Império Serrano vai apresentar o enredo “Ilú-ọba Ọ̀yọ́: a gira dos ancestrais”, do carnavalesco Alex de Souza. A escola vai saudar os orixás, grandes reis e rainhas do Império de Oyó, seguindo a ordem do ritual do xirê.
Focada em seu desfile no dia 10 de fevereiro, a Unidos de Padre Miguel fará mais um ensaio de rua nesta sexta-feira, véspera de feriado de São Sebastião. Com concentração a partir das 20h, a direção convoca toda comunidade e segmentos do Boi Vermelho para mais um treino de harmonia e evolução, desta vez na Guilherme da Silveira, em Padre Miguel.
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO
Em 2024, a Unidos de Padre Miguel levará para a avenida o enredo “O Redentor do Sertão”, de autoria dos carnavalescos Edson Pereira e Lucas Milato. Vice-campeã em 2023, a vermelha e branca da Vila Vintém será a quinta agremiação a desfilar no sábado de carnaval, pela Série Ouro, do Rio de Janeiro, em busca do tão sonhado título e o acesso ao Grupo Especial.
A Caju Benefícios, empresa de tecnologia que oferece benefícios e soluções para RHs, fechou uma parceria inédita com a Mocidade Independente de Padre Miguel para o Carnaval 2024. Esta é a primeira ação da empresa em patrocínio de eventos para além do público B2B. Com a parceria, a Caju visa expandir a presença da marca para todo o Brasil através de uma experiência e narrativa conectada ao propósito da empresa – de levar sabor à vida profissional. Assim, busca se conectar com a audiência de forma leve e fluida e romper os padrões das comunicações de marca B2B.
Foto: Divulgação
Com o enredo “Pede caju que dou… Pé de caju que dá!”, a escola do carnavalesco Marcus Ferreira irá contar na Sapucaí tudo sobre a fruta do cajueiro, com suas histórias, curiosidades e lendas. O samba-enredo da verde e branco, que tem entre os compositores Marcelo Adnet, é um dos mais ouvidos nos canais oficiais do carnaval carioca e crescendo nas paradas dos streamings musicais – no Spotify, por exemplo, foi número 1 no Rio de Janeiro na última semana do ano e agora está na lista das músicas mais virais do Brasil.
A Caju entende a parceria como uma oportunidade única e autêntica para celebrar o carnaval de 2024 e engajar com os “cajuzetes”, como são chamados as centenas de milhares de usuários da Caju. “Hoje, temos mais de 30 mil empresas de todos os cantos do Brasil utilizando nossos produtos, em especial o cartão de multibenefícios. A brasilidade é muito presente nas nossas comunicações e no tom de voz, e sabemos que muitos dos nossos usuários se identificam com a gente por conta disso. Nada mais justo, então, do que aproveitarmos a maior festa brasileira para nos aproximar deles. O gancho com a Mocidade, que este ano tem como tema do samba-enredo o caju, foi a oportunidade perfeita”, diz Mariana Hatsumura, CMO da Caju.
Para Bryan Clem, diretor de marketing da Mocidade, a parceria casou perfeitamente com o enredo da agremiação. “Estamos muito felizes e satisfeitos com a parceria com a Caju Benefícios. A Mocidade fala sobre o Caju e a marca tem toda identidade aliada a nossa estratégia digital. Tenho a certeza que agregaremos muito mais na campanha deste samba, que virou hit do verão”, destaca.
Ativações da parceria
Para a parceria, os mascotes da Caju e da Mocidade farão uma série de conteúdos que serão publicados nas redes sociais. “É uma maneira de conectar a tradição do Carnaval, festa centenária, com toda a identidade e brasilidade que temos na nossa empresa”, diz Hatsumura. A Caju também estará presente no ensaio técnico da Mocidade que acontece no domingo na Sapucaí.
A Mocidade Independente de Padre Miguel será a primeira a entrar na Sapucaí na segunda-feira, dia 12 de fevereiro de 2024. Saiba mais sobre o desfile de 2024 neste link.
Um dos maiores cantores e compositores do Brasil confirmou presença no desfile do Paraíso do Tuiuti neste Carnaval. João Bosco, ao lado da filha Julia Bosco e de Moacyr Luz, visitou o barracão da agremiação, na Cidade do Samba, e conferiu detalhes com o carnavalesco Jack Vasconcelos do enredo sobre João Cândido. A canção “O mestre-sala dos mares”, de Bosco e Aldir Blanc, serviu de inspiração para a criação do tema da azul e amarelo.
Foto: Divulgação
“Ter o João Bosco com a gente é reverenciar a história do João Cândido. Muitos brasileiros só foram apresentados à heróica história de João Cândido quando, em 1974, João Bosco e Aldir Blanc compuseram o clássico ‘O Mestre-Sala dos Mares”, imortalizado na voz da Elis Regina. Nós vamos reverenciar, mais uma vez, a história e o legado de João Cândido na Avenida”, conta Jack.
O artista desfilará ao lado da família de Aldir Blanc na última alegoria do Tuiuti. A escola será a quinta a desfilar na segunda-feira de carnaval com enredo “Glória ao Almirante Negro!”, uma homenagem a João Cândido, marinheiro brasileiro que atuou na liderança da Revolta da Chibata.
Pela primeira vez, na Marquês de Sapucaí, cada escola de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, terá o controle total do sistema de iluminação de toda Avenida nos desfiles de 2024. Desde o fim do ano passado, as escolas estão em contato com a equipe que opera o sistema e nos próximos dias vão testar oficialmente, principalmente, em seus tripés e integrantes da comissão de frente. Nos dois últimos anos, a iluminação vem sendo utilizada na Avenida, mas com reclamações dos artistas e do público. Agora, o clima na maioria das escolas de samba é de encantamento com uma possibilidade artística.
Foto: Divulgação/RioLuz
A iluminação de LED que combina cores e luzes ritmadas com as baterias, alegorias e fantasias, promete ser um destaque em todas as escolas de samba deste ano. Além da comissão de frente, as escolas preparam projetos que vão integrar todo o desfile com o novo sistema de iluminação da Marquês de Sapucaí. Diferentemente do que é especulado nas redes sociais, esse ano nada será “feito de orelhada”, pelo contrário, cada agremiação terá autonomia para realizar o que desejar durante o seu desfile.
Todos os testes, que vão ser realizados nos próximos dias, sempre no horário da madrugada, será acompanhado pela equipe comandada por Césio Lima, uma das principais referências no país em iluminação. Para isso, foi montado um centro de controle no setor 10 da Marquês de Sapucaí.
Em matéria publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo site CARNAVALESCO é garantido que os setores das arquibanacada não vão ficar totalmente sem iluminação entre um desfile e outro. Ao longo das cabines dos jurados, localizadas nos setores 3, 6 e 10, os carnavalescos e coreógrafos poderão explorar todo sistema, inclusive, luzes coloridas de RGBW. A reportagem cita que vão ser utilizados 510 refletores direcionados para pista dos desfiles.
Agora, o mistério sobre quem vai usar o sistema de iluminação fica no ar. Como nas alegorias e fantasias, as agremiações do Grupo Especial guardam a sete chaves os segredos planejados para os desfiles do Carnaval 2024.
A série “Barracões” do site CARNAVALESCO viaja junto com a Pérola Negra ao Maranhão para conhecer as quebradeiras de coco babaçu. Carregando consigo a tradição de explorar o fruto do babaçueiro, árvore típica do Nordeste, essas mulheres guerreiras terão sua história contada no Sambódromo do Anhembi através do enredo “Pérola Negra no encanto do balaio das quebradeiras”, assinado pelo carnavalesco André Marins.
Fotos: Lucas Sampaio/CARNAVALESCO
A inspiração e o agradecimento das quebradeiras
O momento em que nasce o enredo costuma ter significado especial para os carnavalescos. Quando André Marins foi apresentado à história das quebradeiras de coco, as descobertas e contatos feitos ao longo do processo desenvolveram não apenas a ideia do tema que a Pérola Negra levará ao Anhembi, como também a maneira especial com que a história dessas mulheres será tratada.
“Eu estava procurando um enredo aonde eu tivesse uma cultura brasileira mesmo, alguma coisa que nunca tivesse passado na Avenida. Conversando com um amigo ele falou que tinha um enredo e apresentou a história das quebradeiras. Eu vi um documentário falando sobre elas e me encantei por causa da história, e enquanto fui criando mais conteúdo para o enredo eu fui descobrindo várias coisas. Quando se fala de pessoas que trabalham com esse tipo de material se imagina que é uma coisa sofrida, difícil, mas para elas isso é um prazer. Recebi um áudio em que a Rosalva, uma das quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, pede que não coloque nada sofrido porque elas têm prazer no que fazem. Elas não têm vergonha, não têm nenhum tipo de preconceito com isso que elas fazem. Pelo contrário, elas amam fazer o que fazem com o coco babaçu, e o enredo vem pegando por essa tangente. A gente mostra, é claro, a dificuldade de como foi e ainda é porque também não é fácil agora, mas que tenha essa questão de o brasileiro ter a certeza do que está fazendo”, relatou o artista.
Em áudio encaminhado pelo carnavalesco após a entrevista, a quebradeira de coco babaçu Rosalva expressa alegria pelo enredo escolhido pela Pérola Negra.
“Estou aqui com os olhos cheios de lágrimas porque é essa a nossa escolha de vida enquanto mulheres quebradeiras de coco, com toda a diversidade que nós temos. A mulher quebradeira de coco, com terra, sem-terra, acampada, ribeirinha, branca, preta. As quebradeiras de coco urbanas, que eu sou uma delas, não tenho terra também, então para quebrar coco eu preciso entrar na terra alheia. Isso é uma escolha de vida. Ser quebradeira de coco não é uma profissão, é um modo de vida, é um jeito nosso de viver. Defender o babaçu é a defesa de nós próprias, tem uma significação muito forte isso para nós. Especialmente agora, nesse momento de mudanças extremas climáticas em que o mundo está discutindo sustentabilidade, olhar para os babaçuais, olhar para as populações tradicionais que defendem as florestas de babaçu, a principal população tradicional, as quebradeiras de coco, que a gente dá a vida pra defender as palmeiras de babaçu, é também contribuir para esse socorro que o mundo está pedindo, que a gente precisa atender e que se faz mais urgente do que nunca. Lutar pelas florestas de babaçu, pela vida e a liberdade das quebradeiras de coco também significa lutar pela vida do meio ambiente como um todo. Muitíssimo obrigada pela sensibilidade e vamos juntos”, agradeceu.
A riqueza do coco babaçu
A Pérola Negra iniciará o desfile apresentando para o público as quebradeiras diante de uma floresta de babaçueiros, fazendo uso da comissão de frente e do carro Abre-alas para ilustrar diferentes situações vividas por essas mulheres. André Marins destaca que o desfile será interessante de se observar como um todo, e apontou alguns elementos de destaque existentes em cada segmento.
“Existem desde a comissão de frente no primeiro setor, que são as quebradeiras indo para a Avenida catar o coco. Elas vão simular essa catação, que é um ponto bem interessante. A gente tem uma história bem legal nela que tem quatro personagens, que virão bem lúdicos e bem coreografados pelo Ale, que é um grande coreógrafo. No Abre-alas a gente traz como se as quebradeiras estivessem indo para a floresta, com a liberação dos encantados e de Oxóssi para uma boa colheita. A gente vai ter uma brincadeira no Abre-alas que é como se as mulheres estivessem indo catar o coco babaçu na Avenida. Nós teremos um elemento na frente do carro que vai fazer essa performance. O coco babaçu é rico, rico mesmo. A gente traz nossa floresta em ouro por causa que ele é rico e a maioria na questão do ouro porque é para mostrar que ele realmente é uma fonte de renda preciosa. Do caule se faz carvão, das folhas se faz artesanato e a palha para colocar em cima das casas. Do coco surge o óleo, a farinha, o leite de babaçu. Tudo se aproveita dessa grande árvore e desse grande fruto, e a gente estará mostrando no nosso desfile toda essa parte que do que se pode fazer com o babaçu hoje”, detalhou.
Da cultura maranhense ao futuro do babaçu
A apresentação da Pérola Negra será dividida em quatro setores. Após abordar as tradições das quebradeiras, a escola explorará a cultura maranhense e o artesanato desenvolvido com as diferentes partes da planta. André Marins falou a respeito das nuances desses segmentos.
“Já que a gente fala das quebradeiras do Maranhão, a gente passa pela cultura do Maranhão. A gente traz na nossa segunda alegoria um casarão maranhense com a questão do ofício do azulejo português. A gente traz essa cultura do Maranhão até mesmo para ter mais uma brincadeira que a gente faz com o Rei Sebastião, em que o babaçu se torna o grande Rei dessa cultura maranhense. As fantasias são de uma sobriedade em termos de estilo que é nobre. É uma roupa bem artesanal, toda voltada para a cultura maranhense. Foi elaborada a questão de estamparia de cores que trazem essa riqueza da cultura brasileira. Por exemplo, foi difícil a gente achar algumas coisas relacionadas aos azulejos, mas conseguimos construir como se fosse um cenário do casarão. Dentro desse ambiente todo há uma brincadeira muito grande não só com a ala das crianças, mas também uma performance em cima da segunda alegoria”, explicou.
O futuro das quebradeiras e do coco babaçu terá destaque especial no desfile através do último setor, passando pela Lei do Babaçu Livre e finalizando com uma alegoria carregada de referências tecnológicas.
“Passamos pela Lei que foi sancionada para as quebradeiras poderem usufruir do coco e entrarem dentro das fazendas para poder colher o babaçu, e trazemos no final essa questão do futuro, o que será do futuro delas e do futuro do babaçu. São várias pesquisas, não só no Brasil como no mundo inteiro. Em vários lugares do mundo fazem pesquisas sobre o coco babaçu, até no biodiesel. A gente traz esse futuro numa questão meio guerreira, com essas mulheres negras, indígenas, e brancas que são hoje está tudo misturado com essa brasilidade toda, para que o babaçu se torne cada vez mais conhecido”, explicou André.
Escola leve e alegre para desfilar no Anhembi
O trabalho de desenvolvimento do carnaval da Pérola Negra para 2024 envolveu aprendizados e a satisfação de levar uma história de luta carregada de muita alegria. Não é difícil traçar um paralelo entre a determinação das quebradeiras com a garra da comunidade da Vila Madalena. André Marins encerra a entrevista falando sobre o sentimento dos componentes ao verem o projeto em desenvolvimento e seu empenho de desenvolver um desfile agradável de se assistir e agregador a nível cultural.
“Desde o momento da apresentação do enredo até o desenvolvimento é o encanto que eles estão tendo com tudo que está acontecendo. Todos estão gostando da plástica, todos estão gostando da forma que está sendo dividido o enredo. É engrandecedor você ver que os componentes estão gostando daquilo que estão vendo, mesmo que não esteja tudo pronto. Ainda falta detalhezinhos para a gente terminar, mas é bom ver que eles estão bem animados, graças a Deus. A sensação que eu tenho é que a escola está leve, com uma proposta que vai desde a leveza e a alegria até para o futuro das crianças. Eu tentei usar de artifícios que eu sempre uso dentro do carnaval, que é trazer ambientes diferentes. O que você vai ver no Abre-alas você não vê na segunda alegoria, e na segunda alegoria você não vai ver a terceira alegoria. A questão que eu queria era trazer como se fosse um grande documentário, então cada um fala sobre si por exemplo”, concluiu.
O pedido de Rosalva, a quebradeira de coco
O pedido informado por André Marins feito pela quebradeira de coco Rosalva ocorreu em outro trecho do áudio encaminhado pelo carnavalesco. Ela relata o motivo de fazer tal pedido, falando um pouco sobre a realidade vivida por essas mulheres entre os estados do Maranhão, Piauí e Tocantins.
“Eu estava falando das companheiras fazendo a encenação da coleta do coco e estou aqui imaginando já a escola entrando. Eu só gostaria de pedir uma coisa, não sei se seria abuso meu, mas é um pedido muito especial porque é uma coisa que mexe muito com nós quebradeiras de coco. Que tudo que for pensado, discutido, apresentado construído junto com a gente sobre nós, sobre a nossa luta que a gente leve a nossa alegria, a nossa felicidade de ser mulher quebradeira de coco. Por que eu estou dizendo isso? Porque a mídia no geral, não é o caso da escola, mas a maioria das mídias quando vão falar trazem aquele senso da penosidade da lenda de que o coco é algo penoso, uma vida desgraçada, desprovida de tudo. O que traz a penosidade da nossa vida é a negação do Estado em não regularizar os nossos territórios, principalmente os territórios que estão em retomada e que estão em processo de titulação, que são os territórios quilombolas. Quando a gente tem o território livre, tem o babaçu livre, tem a água livre, tem a terra livre para se plantar e se colher, a gente tem fartura para vender, para comer, para ter uma alimentação saudável, para sermos pessoas com um nexo fundo com as suas águas, com as suas terras, com as suas mães d’águas, com os nossos encantados que estão nos rios, que estão nas nossas florestas. Dos meus maiores orgulhos o primeiro é de ser uma mulher preta e segundo de ser uma mulher preta, quebradeira de coco e filha de quem eu sou. Nós temos a Lei Babaçu Livre nas comunidades, mas eu tenho que roubar o coco em alguns municípios no Tocantins. Nós já temos a nível estadual no Piauí, mas a Lei não é cumprida, não é obedecida, e a gente precisa ter acesso a esse babaçu para a gente poder ter o alimento ou o complemento do nosso alimento. Para algumas famílias é o complemento, mas para muitas famílias o alimento total é o babaçu”, relatou Rosalva.
Ficha técnica
Enredo: “Pérola Negra no encanto do balaio das quebradeiras”
Diretor de barracão: João Ricardo Alexandre
Diretor de ateliê: Antônio Fernandes da Silva
1600 componentes
15 alas
3 alegorias + 1 tripé
Ordem de desfile: Quarta escola a desfilar no dia 11 de fevereiro pelo Grupo de Acesso 1
O lançamento do livro “Mestre-Sala e Porta-Bandeira, uma arte essencialmente nossa”, de Bruno Chateaubriand, foi realizado na última terça-feira, no hotel Fairmont, em Copacabana. O evento reuniu casais de mestre-sala e porta-bandeira de diversas escolas do Grupo Especial e da Série Ouro, que estiveram presentes para serem homenageados.
Fotos: Maria Clara/CARNAVALESCO
O livro aborda a importância da arte do mestre-sala e da porta-bandeira e como essa dança se destaca pelo seu alto grau de complexidade técnica, além de carregar um enorme poder simbólico. Cada passo, gesto, e até mesmo o posicionamento do pavilhão, são carregados de significados profundos que remetem a rica história e tradição do carnaval brasileiro.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, Bruno conta sobre como essa história começou, também comenta sobre o conteúdo do livro e o que podemos esperar dessa obra.
“A história do livro, ela começou de uma matéria minha na Veja Rio em 2022, e aí veio aquela coisa que jornalisticamente a gente fala, a gente vai abrindo novas camadas, a pesquisando e fui vendo que tem trabalho sim, mas tem trabalho muito mais de universitários, tem TCC, mas assim, obras publicadas tinha do Aydano André Motta das porta-bandeiras, ele falando de grandes nomes aí dessa arte, mas só porta-bandeira, e aqui a gente dá o lugar de fala também para os mestres-salas. A gente fala, por exemplo, dos casais que já têm mais de 50 anos e estão na ativa: Selminha, Claudinho, Julinho, Rute. Os quatro têm mais de 50 e representam grandes pavilhões: Beija-Flor e Viradouro. Fala da artesania, dos talabartes, como surgiu o talabarte, fala um pouquinho desse lugar também das ponteiras, dos mastros, dos sapatos, que os sapatos são super importantes para os meninos, para os homens. Tem todo esse cuidado, mas esse livro, ele é, como eu disse, é a primeira camada de um estudo, para abrir um debate e para a gente começar a democratizar ainda mais esse poder de fala deles, que eles não tenham medo de falar. E eu sou um canal, sou simplesmente um canal para eles”, citou Bruno.
O livro conta com algumas entrevistas de personagens fundamentais que contribuíram para a construção da rica história da dança do mestre-sala e da porta-bandeira, entre os entrevistados destacados, temos alguns nomes notáveis como Helena Theodoro, Manoel Dionísio, Vilma Nascimento, o pesquisador Felipe Ferreira e a carnavalesca Maria Augusta.
Manoel Dionísio comentou sobre as danças dos mestres-salas e porta-bandeiras, abordando a relação entre esses profissionais e os coreógrafos, além de expor a sua visão sobre essa situação e como ela pode ser aprimorada.
“Olha, esse livro do Bruno, ele tem muito a ver com o carnaval em respeito a mestre-sala e porta-bandeira do nosso carnaval, mas eu espero que também esse livro incentive aos casais para dialogarem com os coreógrafos, porque eu não sei se são os coreógrafos ou se são eles mesmo que estão querendo mudar a história, porque do jeito que está não pode ficar. Esse livro dá um incentivo para que esses dançarinos do samba se conscientizem em dois momentos: Se posicionar mediante o seu coreógrafo, não é brigar com o coreógrafo, mas dialogar com ele, porque tem coisa que o coreógrafo manda fazer e que eles sabem que não devem fazer, mas porque que eles fazem? Porque se eles não fizerem o que o coreógrafo mandou, dependendo de como chegar no presidente ‘ah ele não quis me obedecer’, ele vai perder a escola dele. A coisa hoje está no comodismo. O mestre-sala está fazendo a coisa, mesmo errada que o coreógrafo manda fazer, mesmo errada eles fazem para não perder o espaço na sua escola de samba. Acho que esse quesito vai ser extinto, porque já tentaram tirar três vezes, eu participei das três, eu não sei se eu vou ter a oportunidade de participar da quarta vez”, comentou Manoel Dionísio.
Bruno também destacou sua preocupação com o formato atual das coreografias para mestre-sala e porta-bandeira, tanto no Grupo Especial quanto na Série Ouro. Ele também pontua sobre a diferença entre o que vem da quadra e o que é apresentado na passarela do samba, sugere que há uma necessidade de repensar e reavaliar essa abordagem, indicando que a metodologia de julgamento pode estar impondo um modelo específico aos casais.
“O formato, ele está muito engessado nos dois lugares, tanto no Grupo Especial quanto na Série Ouro. Você repara que hoje a metodologia de julgamento ela vem engessando a arte dos casais e isso a gente repara no desfile, porque quando você vai em uma quadra você vê uma porta-bandeira e um mestre-sala dançando de forma livre, respeitando a energia corporal individual deles, e quando você vai para a passarela do samba, aí já tem um ensaiador, já tem um coreógrafo e uma série de questões limitadores para aquele movimento. Vejo que existe aí hoje um movimento, inclusive, isso é um capítulo que na adaptação desse livro vai entrar: ‘o que vem da quadra e o que vem da passarela do samba, e está muito diferente’. Eu acho que isso precisa ser repensado no momento que você tem uma banca julgadora que vem toda de uma escola de um Theatro Municipal, não que isso não seja importante, as culturas se fundem, existe essa questão de você meio que se apropriar culturalmente de outros movimentos planetários, mas quando você fala de arte, a gente tem que tomar muito cuidado quando você se torna impositivo num lugar só, e isso que é a preocupação, quando você vê uma banca toda de julgadores de uma escola de um Theatro Municipal. Você está meio que impondo que os casais se engessem para aquele modelo e aquele movimento, mas isso é uma opinião muito individual minha. Eu acho que inclusive isso precisa ser repensado, precisa ser reavaliado e isso não é crítica, não estou fazendo jamais crítica a nada, eu acho que as coisas acontecem e a gente precisa repensar: ‘É por esse caminho? Qual o caminho?’, isso aqui tem uma importância tão grande, os casais são contratados para Europa, Estados Unidos, Canadá, para Ásia, pelo Brasil todo, então para onde vamos? Isso é muito importante”, abordou Bruno.
Entre os grandes nomes que estiveram presentes no lançamento, Selminha Sorriso foi um deles e suas palavras expressaram a alegria e a importância que ela atribui a esse projeto para a história do carnaval. Também enfatiza a relevância de tantas mulheres que passaram por esse caminho, deixando um legado muito importante de porta-bandeira.
“Eu me sinto lisonjeada não só em meu nome, mas em nome de todos os casais de todos os tempos. Imagina que quantas mulheres maravilhosas passaram por essa história e deixaram esse legado para que nós estivéssemos hoje elevando cada vez mais a arte do bailado da porta-bandeira. É um personagem tão importante, tão digno, tão maravilhoso ter recebido essa missão porque é uma missão você conduzir uma história de vida contida num pavilhão de uma escola de samba. Então, a minha mensagem para ele foi de gratidão em nome de todas e de todos nós, as mulheres que sofreram, as mulheres que lutaram, que sofreram perseguição, que foram discriminadas, porque eram sambistas, né? Porque eram mulheres, eram a maioria pretas e sambistas. Elas deixaram para nós muita coisa. Então, estar nesse livro eternizando a história delas, assim como as nossas, é uma razão de agradecimento, de emoção”, disse Selminha.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da atual campeã do carnaval, Imperatriz Leopoldinense, Phelipe Lemos e Rafaela Teodoro, abordaram a importância do livro para o futuro de quem deseja se tornar mestre-sala e porta-bandeira.
“Eu acredito que enriquece muito a nossa dança, não só para gente que está atuando, mas para inspirar jovens talentos, crianças, adolescentes. Eu já olhei rápido, com curiosidade, que a gente está doida para ler, né? Mas eu já estou aqui olhando os tópicos e eu vi que tem bastante coisa interessante sobre realmente a arte, porque às vezes a gente fica muito órfão das informações de o que é uma dança de mestre-sala e porta-bandeira, que muitos acham que é um giro, um rodopio, e vai muito mais além disso. E o Bruno foi muito feliz com tudo que os tópicos que eu já vi aqui, que ele colocou no seu livro para essa nova geração, para gente, para enriquecer cada vez mais a nossa arte, e é muito gratificante ter alguém que ama e que cuida do casal de mestre-sala e porta-bandeira, porque o Bruno é apaixonado pelos casais de mestre-sala e porta-bandeira e ter alguém que luta ao nosso favor, que briga, é muito legal”, revelou Rafaela Theodoro.
Em complemento, o mestre-sala, Phelipe, citou: “Eu acho que esse tipo de conteúdo é importante para que as novas gerações que estão vindo por aí possam ter base e conhecimento do que vão estar fazendo, não vão fazer por osmose ou simplesmente por paixão. Acho que a gente pode unir a paixão e o conhecimento na mesma intensidade. Então, parabéns para o Bruno por ter conseguido colher tanto conhecimento e colocar isso no livro para que a gente possa passar para as futuras gerações”.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Portela, Marlon e Squel, compartilharam a relevância do lugar de fala que o Bruno está disponibilizando para as pessoas envolvidas nessa expressão artística tão única e que na maioria das vezes é muito desvalorizada.
“Eu sou muito grata por toda a possibilidade que existe quando a pessoa nos dá o direito de falar, quando a gente tem o poder da fala, esse lugar de fala que é nosso, quando tem alguém interessado pela nossa arte, toda vez que isso acontece é para a gente celebrar, é para a gente agradecer que alguém se interessou pela nossa arte, pela nossa cultura, é uma arte tão desvalorizada, as pessoas não nos reconhecem enquanto artistas, enquanto trabalhadores, então quando uma pessoa chega com essa disposição em nos mostrar, em nos enaltecer, falar da nossa história, é sempre um dia de celebração e eu sou muito grata ao Bruno por esse momento”, compartilhou Squel.
O mestre-sala também expressou sua gratidão ao Bruno por registrar essa história em um livro, facilitando para todos que desejam conhecer mais sobre o trabalho de ser mestre-sala e porta-bandeira.
“É um registro extremamente importante, como a minha porta-bandeira colocou, a gente luta muito, é um trabalho árduo, é um trabalho onde duas pessoas trazem 40, 50 pontos para uma escola de samba, um exército de milhares e milhares de torcedores e quando a gente tem pessoas como o Bruno que nos enaltece, registra essa história em livro para ficar eternamente para todos que queiram, para todos que possam conhecer um pouquinho e ver o tanto como é trabalhoso ser mestre-sala e porta-bandeira, isso para a gente é de um prazer inestimável. Então eu estou extremamente feliz, nós estamos muito felizes e a gente tem certeza e espera que isso só seja o primeiro de muitos”, abordou Marlon.
Estreando em 2024 na Série Ouro, Laye Ribeiro, porta-bandeira da escola União do Parque Acari, comentou sobre a sua felicidade de fazer parte de um evento que lança um livro que luta pelos casais de mestre-sala e porta-bandeira. Ela também revelou um pouquinho sobre a sua preparação para o desfile desse ano.
“Foi como eu falei para o Bruno ainda pouco, é maravilhoso ter alguém que luta por nós casais, sabe? O evento é maravilhoso, eu estou mega feliz de estar participando, é o primeiro ano do União do Parque Acari na Série Ouro. Estou muito feliz por estar aqui. Saindo daqui, por exemplo, hoje saindo daqui eu estou indo direto para a Sapucaí para ensaiar. Eu e o Vinícius a gente tem se dedicado muito, a gente tem batalhado bastante, a gente tem o apoio da nossa coreógrafa Vânia Reis e assim, a gente está lutando muito para alcançar o almejado em trazer as notas máximas para a escola”, comentou Layne.
O casal da Mocidade, Diogo Jesus e Bruna Santos, expressaram a importância do livro na preservação e resgate da tradição do mestre-sala e porta-bandeira, garantindo que a dança desses casais seja sempre lembrada e documentada para as futuras gerações.
“A dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira já vem de uma tradição. Então ele está falando no livro sobre essa tradição, de quando começou, falando agora da nova roupagem do casal de mestre-sala e porta-bandeira, mesmo que continue com a mesma tradição, mas que tem tido a sua inovação, então é muito importante ele estar fazendo esse livro para a gente sempre ser lembrado e é sempre bom ter registrado essa nossa história”, revelou Bruna Santos.
“Para a gente é uma importância enorme, porque é um resgate de uma história, uma continuação também de uma história. O Bruno está vindo com a edição desse livro, espero que não acabe por aí, espero que venham outras edições, venham novos escritores e novas contações de história, e que nunca acabe. E é isso, a nossa dança é essa”, comentou Diogo Jesus.
Marcinho Siqueira, mestre-sala da Vila Isabel, compartilhou sua perspectiva sobre o momento atual, destacando a necessidade de retomar aspectos importantes e relevantes da arte do mestre-sala e porta-bandeira que ao longo do tempo foram um pouco esquecidos.
“A gente se vê num momento em que a gente precisa retomar certas, como é que eu vou dizer, partes importantes e relevantes da nossa arte que foram com o passar do tempo um pouco deixadas de lado, né? Deixadas de lado. Então eu acho que o livro serve muito para poder ensinar quem está chegando agora e relembrar quem já está fazendo a arte de muita coisa que a gente deixou de lado com o passar do tempo e a gente retomar isso acho que é importante”, compartilhou Marcinho Siqueira.
A porta-bandeira da Inocentes de Belford Roxo, Jaçanã Ribeiro, expressou a sua emoção em finalmente ter um livro para contar a história de mestre-sala e porta-bandeira, porque sempre foi muito grande a carência de literatura e informações sobre esse tema, o que torna o trabalho do Bruno importante para preencher essa lacuna e preservar a memória dessa tradição.
“Bem, eu acho que está sendo uma suma importância para gente ter essa literatura salvaguardada, né, pelo Bruno Chateaubriand, contando um pouco da importância do casal de mestre-sala e porta-bandeira, e que pouca gente já sabe, né, porque carnaval é aquela coisa mista de N coisas, são passistas, musas, bateria, baianas, que são as mães do carnaval, e para as pessoas entenderem um pouquinho da nossa história, o que significa mestre-sala e porta-bandeira, o que é realmente mestre-sala e porta-bandeira numa escola de samba, e está sendo muito grandioso para gente. Hoje está sendo um momento, assim, pra guardar na memória, porque é bem emocionante a gente ter uma coisa para contar e que realmente, porque não tem muitas coisas que são referentes a mestre-sala e porta-bandeira, quase não se tem literatura”, citou Jaçanã.
Bruno compartilhou com o CARNAVALESCO o que podemos esperar na continuação do livro em 2025. Ele planeja lançar a segunda parte que incluirá fotos e mais dez capítulos. Também mencionou que já tem esses capítulos prontos, mas que não será um livro muito extenso, sua intenção é proporcionar uma leitura que seja rápida e que permita aos leitores concordar, discordar, questionar e buscar compreensão sobre os temas abordados.
“Em 2025 vem a segunda parte com fotos e mais dez capítulos. Eu estou com esses capítulos prontos, mas eu não queria um livro grosso, eu não queria um livro gigantesco, eu queria um livro que fosse acessível, que não fosse passando aquela mensagem: ‘ah é um livro intelectualizado demais, pretensioso demais’. Não, é um livro para que eles possam olhar aquilo ali rapidamente, fazer aquela leitura rápida e com aquilo falar assim: ‘Mas eu concordo com isso? Eu discordo disso, isso aqui não é assim, qual é a nomenclatura disso?’. Não existe nomenclatura para muita coisa ainda, né? Então, inclusive, ano passado na transmissão da Série Ouro na Band, eu citei uma coisa, falei assim: ‘ah a pegada de segurança’, ninguém tinha falado de pegada de segurança ainda. Aí depois tiveram porta-bandeiras que vieram falar comigo: ‘Não, mas aquilo não era pegada de segurança, a pegada de segurança é assim’. É estimular exatamente esse lugar, porque eu perguntava; ‘Qual é o nome disso?’ no simpósio que a gente fez ano passado aqui e eu falava: ‘eu chamo de pegada de segurança’, aí as porta-bandeiras falavam: ‘ah não, tá certo, é pegada de segurança’, mas esse ano eu venho com uma nova nomenclatura, pegada de mão invertida, exatamente para estimular, para que eles ajudem a colocar no papel uma nomenclatura. Já existe um sindicato, acho que pouca gente sabe disso. Existe um sindicato que protege a dança dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. Tem todo o movimento que existe uma associação também dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. Tem todo o movimento já acontecendo, mas eu acho que a gente precisa sair um pouco da cadeira e falar: ‘Vamos contribuir um pouco mais com isso aqui? Vamos fazer mais isso?’ E o objetivo é esse”, afirmou Bruno.