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‘Não queremos mais um Nordeste de estereótipos’, diz enredista da Mocidade Alegre

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Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A Mocidade Alegre lançou o enredo para o Carnaval 2027. De forma inédita, a agremiação do bairro do Limão levará para a avenida um tema de vertente nordestina, desafiando-se a contar novas histórias. O título do enredo é “Sete Anos de Mar, Sete Léguas de Encanto: A Nau que venceu o Diabo sob a bênção do sagrado manto”, assinado pelo carnavalesco Caio Araújo e pelo enredista Léo Antan. O anúncio ocorreu durante a Festa da Vitória, realizada na Arena Morada, no último domingo. A noite também contou com as campeãs dos grupos de Acesso 1 e 2 (Morro da Casa Verde e Tucuruvi), além de intérpretes convidados do Rio de Janeiro. O cantor Igor Sorriso demonstrou grande conhecimento do repertório da Morada do Samba e, para comemorar o título, cantou quase todos os sambas dos carnavais vencedores da escola. O carnavalesco Caio Araújo e o enredista Léo Antan concederam entrevista ao CARNAVALESCO e falaram sobre o enredo da Mocidade Alegre para o Carnaval 2027.

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Surgimento do enredo

De acordo com Caio, o desejo da presidente foi um dos motivos para a temática nordestina entrar em cena na Mocidade Alegre no próximo carnaval.

“Neste ano, eu e o Léo queríamos testar algo diferente na Mocidade. Esse também era um desejo da nossa presidente: desenvolver um enredo de temática nordestina. Começamos a refletir sobre qual Nordeste queríamos retratar. O Léo iniciou uma pesquisa em busca de histórias que ainda não conhecíamos e acabamos encontrando a Nau Catarineta”, contou.

O enredista Léo Antan disse que o tema surgiu em uma troca de ideias com Allan Barbosa, membro da equipe de criação do Salgueiro.

“A ideia surgiu em uma conversa com o Allan Barbosa, que também integra a equipe do Salgueiro. Na verdade, era uma história que eu já conhecia. Esse enredo nasce um pouco do universo de Mário de Andrade. Para buscar um bicampeonato, fomos atrás de outro Mário. Durante suas viagens pelo Nordeste, Mário de Andrade registrou a Nau Catarineta, uma manifestação popular ligada ao fandango e à marujada, especialmente na cidade de Cabedelo, na Paraíba. A história é inspirada em um poema ibérico de origem popular, anônimo, e não se sabe ao certo se os fatos realmente aconteceram”, revelou.

Explicando o enredo, Léo resumiu a história da Nau Catarineta, fio condutor do tema. “A lenda fala sobre uma embarcação que se perdeu durante uma viagem de Pernambuco para Portugal. A tripulação passou sete anos e um dia à deriva no oceano, até que já não havia mais alimento. Nesse momento, o capitão decide sortear uma pessoa para servir de alimento aos demais tripulantes. É então que o diabo aparece para tentar a tripulação, oferecendo a chegada em terra firme em troca das almas de todos. O capitão resiste à tentação e se lança ao mar. No instante em que ele pula, um anjo e Nossa Senhora o salvam e, finalmente, a embarcação consegue chegar a Portugal. Essa história se transforma em marujada, chegança e fandango, recebendo diferentes nomes pelo país. É um enredo extremamente popular e festivo, como a Mocidade Alegre aprecia. Queremos abordar esse universo de forma popular, mas sem cair em estereótipos”, explicou.

Nordeste diferente

Segundo Léo Antan, o objetivo da escola é mostrar um Nordeste diferente, sem recorrer a estereótipos, como o mandacaru e o cangaço.

“Temos uma musicalidade e uma origem diferentes para este enredo. Toda a apresentação foi pensada a partir dessa ideia. Vamos utilizar a rabeca, instrumento semelhante ao violino. Estamos olhando para esse universo porque 2027 marca o centenário de Ariano Suassuna, um dos autores que escreveram sobre a Nau Catarineta. A história aparece citada em A Pedra do Reino, uma das obras mais importantes de Suassuna. Estamos explorando elementos do Nordeste que fogem da estética tradicional do cangaço”, declarou.

Seguindo a mesma linha, Caio Araújo valorizou as raízes nordestinas, mas ressaltou que a região deve ser explorada de outras maneiras.

“O enredo já é muito diferente porque toda a narrativa acontece no mar. Não temos a figura do sertão, da seca ou do calor intenso. Estamos desbravando novos caminhos e descobrindo esse universo juntos. Era muito importante para nós não apresentar mais um Nordeste reduzido a estereótipos. Isso também se reflete nas escolhas visuais do projeto. Vamos apresentar um Nordeste facilmente reconhecível pelo público do Anhembi, mas a partir de novas referências e novas formas de retratar as manifestações culturais desse povo. Aqui no Sudeste, pouca gente conhece a Nau Catarineta. O Nordeste é forró e xaxado, mas não se resume a isso. Existe uma riqueza muito maior, e a Mocidade Alegre quer mostrar justamente essa diversidade”, afirmou.

Emoção com o tema e o ineditismo na Mocidade

De acordo com Léo, vários enredos foram discutidos, pois, para definir um tema na Mocidade Alegre, é necessário emocionar a todos, além de apresentar uma narrativa muito bem construída.

“Trabalhamos em várias ideias antes de chegar a esta. Foi um ano difícil, porque, depois de uma vitória, o nível de exigência aumenta muito. Vivemos isso também no ano do enredo sobre Mário de Andrade. Perdemos a conta de quantos temas discutimos. Em nossas conversas, a presidente manifestou o desejo de falar sobre algo ligado ao Nordeste, e esta será a primeira vez que a Mocidade apresentará um tema totalmente nordestino. É algo inédito na história da escola. Conversei com Allan Barbosa, que tem uma verdadeira coleção de enredos, e ele sugeriu a Nau Catarineta. Lembrei imediatamente de Mário de Andrade. A partir daí, aprofundamos a pesquisa e percebemos que a história possuía uma riqueza visual muito grande, o que conquistou toda a diretoria”, contou.

Caio disse que se apaixonou rapidamente pela proposta, assim como a diretoria da agremiação, e ressaltou que o enredo traz algo inédito para a história da Mocidade Alegre.

“No momento em que o Léo me enviou a proposta do enredo, ela já me emocionou, assim como emocionou toda a diretoria. Ali percebemos que era a escolha certa para a busca do bicampeonato. Também acredito que este seja um momento importante para a Mocidade ousar e tentar algo diferente dentro de suas características. A religiosidade da escola e a resiliência da comunidade continuam presentes, mas agora abordadas de outra maneira. Este era o momento ideal para tentar fazer algo novo”, disse.

Espera por um grande samba

Com uma das melhores discografias do século, o sarrafo dos sambas da Mocidade Alegre está alto. A responsabilidade dos compositores que participam do concurso é enorme, e vencer representa uma conquista inesquecível.

Léo Antan espera que os autores saiam do óbvio e usou como exemplo a melodia do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense de 2023.

“Queremos criatividade e pedimos, com todo respeito, que os compositores evitem recorrer automaticamente à palavra ‘retado’. Nossa intenção é transmitir a imagem de um Nordeste alegre e festivo, fugindo também dos estereótipos nas letras dos sambas. Existem expressões muito associadas ao Nordeste que não precisam ser totalmente evitadas, mas devem ser usadas com inteligência. É impossível não lembrar do carnaval desenvolvido pelo Leandro na Imperatriz. Mesmo tratando do cangaço, um tema amplamente conhecido, o samba apresentava uma grande riqueza melódica e poética. Esperamos seguir um pouco desse caminho e acredito que a sinopse que estou preparando possa inspirar os compositores nesse sentido”, declarou.

Caio também quer um samba que fuja dos estereótipos e que seja alegre, elemento fundamental para mergulhar no enredo.

“Esperamos um samba alegre, que apresente bem a narrativa do enredo e tenha força. Também queremos explorar caminhos diferentes dentro do universo nordestino. Nosso grande objetivo é encontrar um samba que conte a nossa história de forma marcante, mas que consiga escapar dos clichês mais comuns”, concluiu.

Jéssica Gioz celebra chegada à Dragões da Real e Rubens de Castro diz estar ‘rejuvenescido’ com nova parceria

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Foto; Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A Dragões da Real tem um novo casal para o Carnaval 2027. Rubens de Castro, que está há muitos anos na agremiação, agora ganha uma nova parceira: Jéssica Gioz. A dançarina ficou muito tempo no Império de Casa Verde e, no último carnaval, optou por ficar fora da passarela. A porta-bandeira chega para substituir Janny Moreno, que permaneceu quatro carnavais na escola. Rubens é o mestre-sala mais experiente do carnaval de São Paulo e, ao formar uma nova dupla, torna-se uma das apostas da Dragões da Real para vencer o Carnaval 2027.

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Uma nova parceria

A porta-bandeira não escondeu a felicidade ao falar sobre sua nova casa. “Estou muito feliz. Aqui é tudo muito leve. As pessoas são receptivas e carinhosas. Estou contente e realizada”, disse.

O mestre-sala, que desfilou com Janny Moreno nos últimos quatro carnavais, revelou que se sente renovado com Jéssica Gioz ao seu lado.

“Se alguém pensou que eu ia parar, vai ter que esperar um pouco mais. Hoje tenho ao meu lado uma mulher forte, e é isso que me encanta nela. No primeiro giro oficial dela pela escola, a energia que ela me passou por meio da bandeira me rejuvenesceu pelo menos uns seis anos. Ou seja, ainda vai demorar bastante para eu parar”, comentou.

Ciclos diferentes: descanso para um, intensidade para outro

Após a saída de Jéssica do Império em 2025, ela optou por ficar fora do carnaval durante um ano, a fim de se reorganizar e se sentir completa.

“Foi necessário. Senti falta em alguns momentos, mas foi muito importante. Hoje me sinto inteira. Precisei me reorganizar e buscar partes de mim que ficaram pelo caminho. Agora me sinto completa aqui”, revelou.

Para Rubens, o Carnaval 2026 foi intenso. Ele refletiu sobre o resultado da escola e destacou a importância de olhar para o futuro.

“O último carnaval foi muito forte e intenso. A escola fez um desfile marcante. Erros acontecem, e vence quem erra menos. Não podemos olhar para trás. É preciso seguir em frente e aproveitar esse novo enredo de Reinaldo”, afirmou.

Enredo incrível

Em relação ao enredo, que homenageará o cantor Reinaldo, Jéssica rasgou elogios.

“Achei incrível. Vai trazer ancestralidade, samba, pagode e orixá. Será uma mistura sensacional”, declarou.

Rubens seguiu a mesma linha e comemorou o tema da Dragões da Real, destacando a essência de Reinaldo.

“Poucos sabem que trabalhei em gravadora, e digo com convicção: Reinaldo não se vendeu. Ele se tornou conhecido fazendo samba no Cruz Esperança, no Camisa Verde e Branco, em botecos de esquina e em casamentos. Ficou famoso pelo povo, foi reconhecido pelos sambistas de verdade. Reinaldo é a África. Reinaldo é a raiz”, concluiu o mestre-sala.

Sonho histórico vira realidade: Tuiuti ganha nova quadra em projeto de R$ 14,7 milhões

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Foto: Rafael Catarcione/Divulgação Prefeitura do Rio

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, apresentou, neste sábado, o projeto da nova quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, em São Cristóvão, na região central da cidade. Com investimento estimado em R$ 14,7 milhões, a iniciativa prevê a construção de um espaço com capacidade para receber até 3 mil pessoas, destinado aos ensaios e ao desenvolvimento das atividades culturais, sociais e comunitárias da agremiação. As obras serão executadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura.

“Está na hora de erguer um novo palácio em São Cristóvão, que será a nova quadra do Paraíso do Tuiuti. O carnaval vai muito além do desfile das escolas de samba. O carnaval é identidade, pertencimento e transformação social. É uma manifestação cultural que movimenta a economia e muda a vida das pessoas, mostrando a força e a importância da cultura para a cidade do Rio”, declarou o prefeito Eduardo Cavaliere.

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A futura quadra será construída na Rua Carneiro Campos, nº 31, em uma área localizada entre a Praça Argentina, a Rua São Januário e a Rua Coronel Cabrita, próxima ao Morro do Tuiuti, onde a escola foi fundada. O terreno possui cerca de 2,2 mil metros quadrados e receberá uma estrutura com aproximadamente 2,4 mil metros quadrados de área construída, projetada para oferecer mais conforto, acessibilidade e melhores condições para o público e os integrantes da agremiação.

O empreendimento foi planejado em diferentes pavimentos, distribuídos de acordo com as necessidades da escola. O térreo concentrará a principal área de convivência, com uma quadra coberta de 1,2 mil metros quadrados destinada a ensaios e eventos.

“Este é mais um grande investimento para o Carnaval da cidade, uma indústria tão importante que gera emprego, renda e benefícios para o Rio de Janeiro. Nossa expectativa é entregar um equipamento de qualidade, com segurança, que possa atender não apenas às atividades do samba, mas também às ações sociais desenvolvidas pela comunidade”, disse o secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos.

Para garantir mais conforto ao público e aos integrantes da Tuiuti, o espaço contará com um telhado retrátil, que poderá ser aberto para melhorar a ventilação e reduzir o calor durante as apresentações. O setor ainda terá palco, loja, sala de troféus, cozinhas integradas aos bares, salas destinadas aos segmentos da escola e áreas de apoio ao público.

No pavimento inferior ficarão a bilheteria, a enfermaria, as áreas administrativas e o espaço destinado à ambulância. Já o pavimento superior reunirá 20 camarotes, camarote presidencial, varanda, palco da bateria, bares e espaços voltados aos segmentos da escola.

O projeto também prevê elevador, rampas de acesso e banheiros adaptados, garantindo acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

“Este é um momento histórico para o Tuiuti. Somos uma das escolas mais tradicionais do Carnaval carioca e ver a nossa velha guarda, os nossos componentes e toda a comunidade emocionados hoje mostra a importância dessa conquista. Me sinto muito feliz e orgulhoso por estar à frente da gestão que está tornando realidade esse sonho antigo da escola e da comunidade, garantindo ao Paraíso do Tuiuti o espaço que sempre desejou”, ressaltou o presidente do Paraíso do Tuiuti, Renato Thor.

Niterói anuncia a renovação do carnavalesco Tiago Martins para o Carnaval 2027

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A Acadêmicos de Niterói confirmou a renovação do carnavalesco Tiago Martins para o Carnaval de 2027. O profissional assinará seu quarto desfile pela azul e branca da Cidade Sorriso. Com mais de 20 anos de Carnaval, o artista foi campeão com a agremiação na Série Ouro em 2025 e assinou o desfile de estreia da escola no Grupo Especial em 2026.

“A Niterói é uma escola que me abraçou e me proporcionou grandes conquistas no Carnaval. Estou indo para o meu quarto ano e já adianto que todos podem aguardar um grande projeto, à altura do que a comunidade merece. Viemos de um Carnaval gigante e vamos provar, em 2027, que esta escola é especial”, disse o carnavalesco.

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Tiago é o segundo nome confirmado na equipe da escola para 2027. A agremiação também anunciou a chegada de Carlos Junior como intérprete oficial.

Tom Maior transforma o pão em protagonista de desfile que sonha com a glória inédita

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Foto:s Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Por Gustavo Lima e Pedro Ribeiro

Do alimento mais presente na mesa dos brasileiros a símbolo de fé. É por meio dessa narrativa que a Tom Maior pretende buscar seu primeiro título no Grupo Especial de São Paulo. A escola da Zona Oeste apresentou oficialmente o enredo “Eu Sou o Pão da Vida”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Flávio Campello para o Carnaval 2027. A proposta da agremiação é contar a trajetória do pão ao longo da história da humanidade, explorando não apenas sua importância alimentar, mas também seus significados sociais, culturais e religiosos. O desfile percorrerá diferentes períodos históricos e civilizações, destacando a relação do alimento com o desenvolvimento dos povos e seu papel no combate à fome.

O lançamento do enredo aconteceu em um evento reservado para integrantes da comunidade, parceiros e profissionais da imprensa. Além da apresentação oficial do tema, a Tom Maior colocou em prática seu repertório de sambas históricos e apresentou novos integrantes da ala musical. Para revelar a narrativa do Carnaval 2027, a vermelho e amarelo montou um palco em formato de passarela que conduziu o público por diferentes épocas da história, da Antiguidade aos dias atuais. A encenação teve como ponto alto o ato final, em que o personagem central era um mendigo, interpretado pelo mestre-sala Ruhanan Pontes, que recebia o pão e encontrava nele um símbolo de acolhimento. Ao lado do carnavalesco Flávio Campello, a temática foi sendo revelada enquanto o vídeo oficial de divulgação era exibido. Após a apresentação, Flávio Campello conversou com o CARNAVALESCO sobre a construção do enredo. A Tom Maior será a quarta escola a desfilar no sábado de carnaval, dia 6 de fevereiro.

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Tema rico

O carnavalesco comentou a escolha do tema e disse que terá liberdade para desenvolver o desfile da escola no próximo carnaval.

“Nós tínhamos três propostas de enredo na escola e acabou surgindo o pão como a quarta proposta. A gente topou na hora. A partir do momento em que conversamos com a galera que estava chegando com essa ideia, percebemos que poderíamos construir esse enredo da maneira que queríamos, porque a nossa primeira preocupação é a liberdade, e eles nos deram isso. Isso facilita muito a construção de um projeto. O pão é um tema que não é tão inédito assim, mas o caminho que construímos para esse enredo foi pensado por uma vertente mais social e histórica, mostrando esse paralelo e a importância do pão na vida do povo. Afinal de contas, quem constrói a história da humanidade é o povo. Então, fazemos uma homenagem a esse alimento que não só sacia a nossa fome física, mas também a nossa fome espiritual. É um enredo que acabou se transformando, mais uma vez, em um grande presente para mim como carnavalesco, porque me dá inúmeras possibilidades de desenvolvimento”, contou.

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Promessa de investimento

Flávio Campello exaltou o presidente Carlão. De acordo com o profissional, o dirigente não mede esforços para ver uma Tom Maior visualmente impecável no Anhembi.

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“A gente começa contando, na abertura do nosso carnaval, a Revolução Francesa. Isso vai me render um visual incrível. Tenho certeza de que será algo surreal, com a proposta que a gente tem. O Carlão é um presidente que compra a ideia. É muito gostoso trabalhar na Tom Maior por isso. Ele pensa sempre no visual que esse enredo pode proporcionar e de que maneira esse carnaval pode ser conduzido. O Carlão tem uma preocupação com a avenida. Isso me deixa muito tranquilo para trabalhar, porque a gente gosta de luxo. Carnaval é isso. Acho que o Joãozinho Trinta, quando dizia que quem gosta de pobreza é o intelectual e que o povo gosta mesmo é de luxo, tinha total razão. Até porque eu acho que carnaval é isso: é para a gente poder mostrar uma realidade totalmente diferente daquela que o povo vive no dia a dia”, explicou.

Religiosidade dentro do enredo

Entrando em detalhes da narrativa, Flávio explicou a abordagem do tema, em que, além do lado social, o enredo irá abordar momentos importantes da presença do alimento na humanidade, especialmente dentro das religiões.

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“A gente fala de povos e civilizações que caminharam lado a lado com esse alimento. A gente fala do encontro de todas essas religiões que têm o pão como alimento sagrado. Na pesquisa, percebemos que isso não fica limitado apenas ao islamismo, ao judaísmo e ao cristianismo. Tem o budismo, tem o hinduísmo. Há tantas religiões que consideram o pão um alimento sagrado, cada uma com a sua cultura. Por exemplo, os hindus preparam um pão feito à base de arroz. Então, eles oferecem esse pão aos seus deuses. Se a gente parar para pensar, o pão tem uma história muito forte, tanto do ponto de vista histórico quanto religioso e espiritual. A gente vai unir esses dois caminhos para construir o nosso projeto de carnaval de 2027”, declarou.

Resultado almejado

Flávio relembrou o resultado do Carnaval 2026 e disse que quer brigar pelo título, que seria inédito para a Tom Maior.

“Por um décimo, a gente não esteve dentro do Desfile das Campeãs. Na verdade, empatamos no resultado final com a Barroca e, no critério de desempate, eles ficaram à nossa frente. Este ano, o presidente está com a mentalidade de realmente ir para cima, de lutar pelo título, até porque a escola ainda não tem essa estrela que ele tanto sonha conquistar. A gente está batalhando muito por isso, logicamente respeitando as coirmãs, que também trabalham pelo mesmo objetivo. A gente vai fazer um projeto para disputar esse título e trazer para a Tom Maior algo que ela ainda não tem em sua história: essa estrelinha dourada no pavilhão”, concluiu.

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Baródromo homenageia mestre Ciça em pintura para Copa 2026

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Foto: Divulgação/Baródromo

Copa do Mundo é sinônimo de camisas verde e amarelo, bandeiras nas janelas e ruas pintadas. E para manter essas tradições o Baródromo, bar reduto do carnaval, preparou uma pintura na rua em homenagem ao mestre Ciça, enredo campeão da Viradouro no carnaval deste ano.

“Estávamos buscando algo que remetesse a o carnaval e samba ao mesmo tempo e dessa forma chegamos a essa ideia de trazer o mestre Ciça levantando a taça de campeão da Copa”, explicou Felipe Trotta, proprietário do bar.

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A criação da arte foi de Antonio Vieira, ilustrador, muralista e artista visual, que criou os logos de enredo do próximo carnaval para as escolas Mocidade Independente de Padre Miguel, Imperatriz Leopoldinense, Paraíso do Tuiuti e Viradouro, escola do homenageado. A pintura foi realizada em parceria com Levi Cintra, carnavalesco, designer gráfico e produtor cultural.

“Criar uma imagem sobre um personagem do carnaval tão querido como o Ciça é muito fácil. Ele é uma figura simpática, divertida e que todos amam. Tanto que quando chamei o Levi para me ajudar a pintar, quando ele soube quem era, topou na hora!”, comentou Antonio Vieira.

O mestre de bateria esteve presente para conhecer a arte em sua homenagem e brincou: “Esse Ciça aí está mais bonito que eu”. E não escondeu a emoção: “mais uma homenagem pra mim e pro samba”.

Nos jogos do Brasil durante a Copa do Mundo o Baródromo terá telão e Roda de Samba com o Grupo Samba Enredo de Raiz, comandado por Igor Viana.

Viradouro celebra 80 anos e título de 2026 em homenagem na Câmara Municipal de Niterói

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Foto: Divulgação/Viradouro

A atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro, foi homenageada pela Câmara Municipal de Niterói em celebração aos seus 80 anos de história e pela conquista do título do Carnaval de 2026. A solenidade, realizada na sede do Legislativo municipal, reuniu representantes da agremiação, componentes, dirigentes e autoridades locais.

A iniciativa partiu do vereador Leonardo Giordano, presidente da Comissão de Comunicação e Cultura da Casa Legislativa. Durante a cerimônia, foi concedido o título de cidadão niteroiense ao presidente da escola, Marcelinho Calil. Mestre Ciça recebeu a Medalha José Clemente, a maior honraria concedida pela Casa.

Em seu discurso, Marcelinho Calil destacou a importância da escola em sua trajetória pessoal e profissional, além de ressaltar os valores que considera fundamentais para o sucesso da agremiação.

“Agradecer à Viradouro por tudo. Aos nossos queridos profissionais. O primeiro dos sentimentos é a gratidão. Essa escola, nos últimos anos, alimentou muitas coisas importantes nas nossas vidas. Sem nunca deixar o lado competitivo vencer o lado humano. A materialização do título é de extrema importância. Foram três títulos nos últimos seis anos. Dessa forma, com a escola vindo do Acesso, é uma coisa nova. Junto à gratidão vem a coragem. É presente de uma forma muito viva. Procuro levar isso para minha vida. O terceiro sentimento é a lealdade. Somos leais a pessoas que são importantes na história da escola e não abandonamos ninguém. Essa escola e essa cidade sempre terão minha lealdade. Esse título de cidadão niteroiense está conectado com essa mistura de sentimentos”, afirmou o dirigente.

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Foto: Eduardo Carvalho/Ascom Neltur

Já mestre Ciça celebrou a homenagem e enalteceu os resultados alcançados pela escola nos últimos anos.

“Estou muito orgulhoso de receber essa homenagem. Em seis anos essa gestão conquistou três títulos. Apoiem muito mais, porque a Viradouro é uma escola séria”, declarou o mestre de bateria.

A homenagem reforçou a ligação histórica entre a Viradouro e a cidade de Niterói. A escola consolidou-se como uma das principais forças do carnaval carioca e vive um dos períodos mais vitoriosos de sua trajetória. Além da celebração pelos 80 anos, a cerimônia destacou a recente conquista do campeonato de 2026, resultado que reafirmou o protagonismo da vermelho e branco no cenário do samba.

Carlos Junior é o novo intérprete oficial da Acadêmicos de Niterói

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Foto: S1 Fotografia/Divulgação

A Acadêmicos de Niterói já tem uma nova voz para o Carnaval de 2027. A azul e branca da Cidade Sorriso anunciou Carlos Junior como seu intérprete oficial para o próximo desfile na Marquês de Sapucaí. O cantor é o primeiro nome confirmado na equipe da escola, que será a quinta agremiação a desfilar na sexta-feira de Carnaval pela Série Ouro.

Com 26 anos de carreira, Carlos Junior começou no samba como passista e, depois, ritmista. Como intérprete, iniciou sua jornada no Carnaval de São Paulo em 1999, ao compor sozinho seu primeiro samba e ser contratado para cantá-lo na avenida. Em sua trajetória, foi campeão diversas vezes em todos os grupos do Carnaval de São Paulo.

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Tem passagens por Império de Casa Verde, Camisa Verde e Branco, Tom Maior, Mancha Verde, Mocidade Unida da Mooca, Vai-Vai, Tucuruvi e Rosas de Ouro, onde completará quatro anos no Carnaval de 2027. No último Carnaval, cantou na cidade de Rio Claro pela Escola de Samba Samuca, que conquistou o título após dez anos. Também foi intérprete da Prova de Fogo, escola campeã do Grupo 2 da UESP em 2026, e estreou na Sapucaí pela Em Cima da Hora.

“Estou muito feliz pela possibilidade de estar mais um ano na Marquês de Sapucaí e em uma escola que tem a arte e a coragem como identidade, missão e mensagem. Mesmo diante de um resultado adverso, a Acadêmicos de Niterói virou uma marca histórica no carnaval brasileiro e em alguns cantos do mundo”.

O novo intérprete ainda reforçou a felicidade de cantar em uma escola com uma comunidade forte após o desfile de 2026.

“O fato de poder servir a uma comunidade tão forte e emancipada como esta me deixa extremamente feliz e certo de que uma porta enorme está aberta novamente. Neste momento, só tenho gratidão a Deus, ao nosso presidente Wallace Palhares, ao nosso presidente de honra e a toda a comunidade por fazer parte deste time, levando amor ao nosso povo. Que venha 2027, porque quem for contra vai chorar. Tudo acontece no tempo de Deus. Finalmente chegou a minha hora, e espero, com a graça de Deus, corresponder à expectativa. Fogo neles”.

Salgueiro anuncia inscrições gratuitas para disputa de samba-enredo de 2027

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Foto: Divulgação/ Thaynara Andrade Salgueiro

A principal novidade anunciada para a disputa de samba-enredo do Salgueiro para o Carnaval 2027 foi a gratuidade das inscrições das obras concorrentes. Para o presidente André Vaz, a medida deve ampliar a participação dos compositores.

“É um enredo especial para o Salgueiro e para o carnaval. Confio na capacidade dos compositores do Salgueiro e de que eles vão nos entregar o melhor samba do Carnaval 2027”, afirmou.

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O diretor de carnaval, Wilsinho Alves, falou que a escola fez adaptações na disputa e cita que o concurso deve começar no dia 8 de agosto e a final será no dia 12 de setembro.

Salgueiro 2027: leia a sinopse do enredo

Unidos da Ponte mergulha na ancestralidade indígena e resgata a história de Tibira do Maranhão para o Carnaval 2027

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Foto: Divulgação

A Unidos da Ponte oficializa sua proposta artística para o Carnaval de 2027 levando para a Marquês de Sapucaí a diversidade sexual e de gênero presente nos povos originários, com o enredo “TYBYRAS”. Idealizado pelo carnavalesco Nícolas Gonçalves, o tema tem pesquisa do enredista Cleiton Almeida e propõe um mergulho profundo na história do Brasil para refletir sobre a diversidade sexual e de gênero que sempre existiu entre os povos indígenas, muito antes da imposição dos modelos binários ocidentais.

O enredo estabelece uma ponte entre o passado histórico e a luta contemporânea. O ponto de partida é o relato de 1614 do capuchinho francês Yves D’Évreux sobre o episódio de Tibira do Maranhão, um indígena tupinambá executado por missionários pela acusação de “sodomia”, tornando-se a primeira vítima fatal documentada da homofobia e transfobia no território brasileiro.

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Para o carnavalesco Nícolas Gonçalves, o desfile será uma celebração da liberdade e uma resposta direta às tentativas de apagamento histórico.

“Com ‘TYBYRAS’, a nossa escola assume o compromisso de dar luz a uma memória que tentaram silenciar por séculos. Não vamos apenas contar a história de Tibira; vamos mostrar que a nossa ancestralidade é plural, diversa e que a luta pela liberdade dos nossos corpos é, também, uma luta pelo nosso território. É um enredo que transborda vida, resistência e a potência de uma cultura que floresce apesar de toda violência imposta”, contou.

Identidade visual e parceria com Auá Mendes

A construção estética do desfile conta com a assinatura da multiartista e designer Auá Mendes, mulher trans, bissexual e indígena do povo Mura. A arte desenvolvida por ela integra a face de Tybyra à fauna e flora brasileiras, elementos que representam a extensão de sua identidade, mesclando símbolos da cultura indígena com as bandeiras dos movimentos sociais dissidentes de gênero.

Além da identidade visual, Auá desenvolveu um novo brasão temático para a Unidos da Ponte para 2027. A peça promove um encontro de etnias e culturas, apresentando uma releitura da coroa tradicional da agremiação, agora concebida como um manto tupinambá.

O enredista Cleiton Almeida reforça a relevância social da escolha.

“A Unidos da Ponte cumpre um papel muito importante ao dar luz à existência de Tibira, hoje reconhecido no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Celebramos tantas outras pessoas indígenas que viveram e vivem o prazer de suas naturezas e que continuam lutando pela liberdade de seus corpos e de seus territórios, é isso que queremos mostrar com o nosso enredo.”, afirmou.