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Série Barracões SP: Império de Casa Verde promete ‘retorno triunfal’ em enredo sobre balangandãs

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Após um 2025 com uma decepcionante décima primeira colocação, o Império de Casa Verde chega para 2026 com a autoestima renovada por conta do enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza. Abrindo o sábado do Grupo Especial, a agremiação resgata uma tradição recente de desfiles que abordam grupos minoritários na sociedade brasileira.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Para saber mais sobre o que virá no desfile do Tigre, o CARNAVALESCO entrevistou o carnavalesco Leandro Barboza e o enredista Tiago Freitas para a Série Barracões SP. É importante relembrar que, ao contrário do que acontece com as treze coirmãs do Grupo Especial, o Império de Casa Verde não utiliza o espaço destinado a ele na Fábrica do Samba — e, sim, mantém um espaço próprio ao lado da quadra da instituição, na Rua Brazelisa Alves de Carvalho.

Cultural até no início

Ao ser perguntado sobre como surgiu a ideia de falar dos balangandãs, o carnavalesco destacou que um evento, em especial, teve papel fundamental na concepção da temática:

“Eu e o Tiago já tínhamos uma ideia de fazer algo nessa linha. Aí, um grande amigo nosso, o Rodney William, estava na Bahia e falou que estava acontecendo uma exposição sobre o tema. Chamei o Tiago, fomos na hora e disse que era para a gente puxar essa ideia. O Rodney nos alimentou no início, com muito material de lá — já que ele tinha o conhecimento de várias pessoas. Em paralelo a isso, o Tiago começou a se aprofundar nas pesquisas. E, quando a gente apresentou na escola, deu tudo super certo. O presidente na época, o Alexandre, topou na hora a temática. A gente ficou em cima do muro ainda, porque tinham dois enredos patrocinados. Mas, um pouco depois do Carnaval, a gente já estava com esse enredo na gaveta, trabalhando. A demora para a divulgação foi pelo patrocínio desses dois outros enredos que estavam estudando a parte financeira”, revelou.

Início no campo

Com uma exposição como ponto de partida, foi possível começar a pesquisa no próprio evento. Tiago explica:

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“A gente faz essa prévia de pesquisa em cima do que tem lá em Salvador, que é a exposição ‘Dona Fulô e Outras Joias Negras’, que esteve em cartaz no Museu de Arte da Bahia (MAB). Eu já sabia que, para mim, dentro dos meus sentimentos de pesquisa, Fulô seria a condutora, a narradora do nosso enredo. A gente se aprofundou em quem foi Dona Fulô, apelido de Florinda Ana do Nascimento. A gente carrega toda a história dela dentro da nossa setorização, do envolvimento dela com a escola — no sentido figurado, é claro: como a narradora vai tocar a escola e como a escola vai tocar a narradora. Trabalhamos dessa maneira até chegar à condutora do enredo”, afirmou.

Dificuldades e destaques

O enredista também falou sobre a principal preocupação no desenvolvimento do enredo:

“Nosso principal desafio foi como não fazer isso se repetir ou ficar repetitivo por se tratar apenas de um elemento — os balangandãs. Para isso, fiz um desdobramento de pesquisa para que não ficasse cansativo para o público nem para o jurado. Encontramos saídas visuais e narrativas, quebrando um pouco da expectativa só do ouro. Essa foi minha maior dificuldade no começo”, comentou.

O trabalho dos ourives, iniciado graças às escravas de ganho, também foi destacado:

“Me chamou muita atenção os ourives que, clandestinamente, faziam esses trabalhos. A joalheria brasileira começa com eles, com esses negros que moldavam joias de forma clandestina. Pensar que com eles nasce a joalheria brasileira é muito forte. Por isso os ourives têm uma importância muito grande no nosso enredo”, afirmou.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Setorização

Para contar essa história, o Império terá divisão em cinco setores:

“Dividimos a escola em cinco setores. O Setor 1 é a comissão de frente, com Dona Fulô sonhando um sonho místico. A partir desse sonho, surge toda a narrativa. No Setor 2, as joias aparecem como amuleto espiritual. No Setor 3, como cofre ancestral, a riqueza no corpo. O Setor 4 traz as joias como reza e batuque, o afro-catolicismo. E o Setor 5 trabalha as joias como ganho de liberdade, mostrando as profissões que garantiram autonomia a essas mulheres”, detalhou.

Cores e materiais

Leandro destacou a predominância cromática e escolhas de materiais:

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“A escola vem com muito ouro, muito dourado. Cerca de 80% da escola é em ouro. Mas trazemos também um setor inteiro em prata e falamos das pedras preciosas, especialmente em azul. Estamos usando muito acetato, algo que não era comum no Império, além de bastante metal nas alas”, explicou.

Retomada

Leandro vê o desfile como continuidade temática:

“Esse desfile complementa 2023 e 2024. Seria nossa terceira apresentação nessa linha. A comunidade abraçou muito e estamos felizes com o resultado”, afirmou.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Tiago reforçou: “A comunidade se reconhece como ponto de negritude. A Casa Verde é um dos bairros mais negros de São Paulo e a resposta ao enredo foi imediata”, disse.

Destaques

Leandro apontou quesitos de atenção:
“A comissão de frente é uma grande aposta, com coreografia do Sérgio Cardoso. A bateria dispensa comentários. E fechamos o desfile com a Velha Guarda e figuras como as amas-de-leite”, destacou.

Tiago complementou de forma poética: “O começo e o final se conectam: é o sonho e a liberdade vencendo. O que não se contou na História estará na Avenida, de forma respeitosa e sagrada”, afirmou.

“Podem esperar o retorno de um Império triunfal, grandioso em chão, visual, fantasia e alegoria”, encerrou Leandro.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Tiago concluiu: “O Império está concentrado, ensaiando muito e vai surpreender. Será um desfile técnico e emocionante”.

Ficha técnica
Alegorias: 4 (abre-alas duplo), 1 tripé e elemento alegórico da comissão de frente
Alas: 18
Componentes: 1.800
Diretor de barracão: Ney Meirelles

Feminismo negro e ancestralidade guiam a Mocidade Unida da Mooca em sua chegada ao Grupo Especial

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A Mocidade Unida da Mooca, para 2026, fará sua estreia no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo apostando em um enredo de forte impacto social e simbólico. Com “Gèlèdés – Agbára Obìrin”, assinado pelo carnavalesco Renan Ribeiro, a escola levará para a Avenida uma narrativa que mergulha na potência do feminismo negro, na ancestralidade africana e na força espiritual e política das mulheres negras ao longo da história.

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A proposta une pesquisa acadêmica, militância, religiosidade e construção estética autoral, partindo do Instituto Gèlèdés e das reflexões de pensadoras como Sueli Carneiro, Conceição Evaristo e Maria Beatriz Nascimento. A MuM, conhecida pela força plástica e por enredos marcantes, promete uma abertura impactante na sexta-feira de Carnaval.

A escola, que inicia seus projetos a partir do samba-enredo, desenvolveu a temática por meio de um processo interno que priorizou originalidade estética, identidade conceitual e coerência narrativa, consolidando um desfile que pretende unir emoção, política racial e grandiosidade visual em sua estreia na elite do samba paulistano.

Para o Carnavalesco, a MuM abriu as portas de seu barracão para conversarmos com o artista Renan Ribeiro.

Chegada do tema

Renan contou como o tema chegou até a Mooca, escola que inicia seus projetos a partir do samba-enredo:

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Foto: Naomi Prado/CARNAVALESCO

“Antes de termos o Instituto Gèlèdés como homenageado, tínhamos três ideias, três temas, mas ainda não eram três enredos; eram três temáticas que nos agradavam. Começaram a ser construídos três sambas, um para cada tema. Para selecionar, houve uma eliminatória interna, e sentimos que um deles não iria avançar. O enredo não encaixava, o samba não tinha a que se adequar. Não estava perto daquilo que imaginávamos para uma estreia no Grupo Especial.

Os outros dois ganharam mais corpo, mas um começou a lembrar caminhos já trilhados pela escola. Desde a minha recontratação, eu, Rafael e a direção decidimos propor algo diferente: metodologia, estética e dinâmica internas novas. Não podíamos repetir.

A temática ligada ao feminismo negro ganhou mais liberdade e corpo. Dentro dela havia possibilidades de enredo. Mesclamos algumas ideias para construir o Gèlèdés”, relatou.

O enredo

O carnavalesco detalhou o desenvolvimento até a escolha final:

“A partir da pesquisa inicial sobre a sociedade africana Gèlèdés, um culto urbano feminino e secreto, nos ligamos automaticamente ao Instituto Gèlèdés, pelo ativismo do feminismo negro. Chegamos a Sueli Carneiro e a outras pensadoras como Helena Teodoro, Conceição Evaristo, Maria Beatriz Nascimento e Djamila Ribeiro.

Sabendo disso, sentei com a Thaísa e propus que ela pesquisasse livremente, tendo apenas a temática como limite. Quinze dias depois marcamos um encontro. Ela leu a pesquisa dela, eu li a minha — era a mesma coisa. Mesmo desenrolar, mesmo desfecho: o conceito de Agbára, essa energia que governa as mulheres negras. Em 20 minutos dissemos: temos um enredo.

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Foto: Naomi Prado / CARNAVALESCO

O presidente Rafael aprovou e seguimos para o próximo passo, já com samba e enredo definidos”, contou.

O que mais chamou atenção no tema

Renan destacou o ponto de partida conceitual:

“Uma frase da Thaísa foi o start: existe uma forma de organização que faz as mulheres negras caminharem para o mesmo lugar, mesmo sem acordo entre elas. Em contextos e épocas diferentes, as histórias se conectam.

Ela disse que toda mulher negra que cruza com outra na rua se olha, se reconhece. Perguntei a várias e todas confirmaram. Entendi que existe uma energia que governa essas mulheres. Chegamos ao Agbára Obìrin: a potência do feminino africano.

Paralelamente, textos de Sueli Carneiro trazem pontos importantes, como a ideia de que a fragilidade sempre foi atribuída à mulher branca. A mulher negra foi vista como resistente, sem direito à fragilidade.

Na espiritualidade africana, a mulher tem papel de equivalência ou superioridade: yalorixás, yabás, lideranças femininas. A sociedade africana espelha esse divino”, explicou.

Desenvolvimento dos setores na Avenida

Renan detalhou a narrativa visual:

“A abertura é a construção do Agbára. Abrimos com a criação do mundo na perspectiva africana, ligada a Odudua, a mulher que cria o mundo. O abre-alas é um grande assentamento feminino.

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Foto: Naomi Prado / CARNAVALESCO

Depois atravessamos o oceano, chegando ao período da escravidão. O Agbára permanece vivo no Brasil. No setor seguinte, a mulher reconecta-se às raízes através do conceito de Mulheres Atlânticas, baseado em Maria Beatriz Nascimento.

No terceiro setor mostramos movimentos que comprovam essa força: Irmandade da Boa Morte, afoxés, quilombos, marisqueiras de Sergipe, Maria Felipa, Teresa de Benguela e militantes ligadas ao Instituto Gèlèdés. O enredo carrega forte mensagem política e social”, relatou.

Materiais nos carros alegóricos

O carnavalesco explicou as escolhas estéticas:

“Pensamos também nos critérios de julgamento, como diversidade entre alegorias. Priorizamos um trabalho artesanal.

No abre-alas usamos bambu e cestaria: oito caminhões de material e quase três meses de trabalho manual com artistas de Parintins. A iluminação é interna, como um abajur. O bambu traz rusticidade e elegância, que associo ao feminino.

O segundo carro destaca transparência, ferro aparente, movimento mecânico e artistas circenses — é um carro aquático.

No terceiro teremos chafariz e cascata de água, simbolizando limpeza espiritual.

O quarto homenageia o Instituto Gèlèdés: urbano, moderno, futurista, grafitado pelo artista Cabelo, com imagens de mulheres do feminismo negro”, contou.

Ficha técnica

4 carros alegóricos

2.000 componentes

19 alas

Diretor de barracão: Diego

Série Barracões SP: Milênio transformará Anhembi em poesia

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A Estrela do Terceiro Milênio se consolidou no Grupo Especial de São Paulo e, para 2026, investirá em cativar o público com emoção e criatividade. A comunidade do Grajaú será a quinta a cruzar o Anhembi no sábado de Carnaval com o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções”, assinado pelo carnavalesco Murilo Lobo. A agremiação apostará na força da palavra, na grandiosidade das composições e na emoção para reverenciar um dos maiores letristas da música brasileira, levando para a Avenida a trajetória, as parcerias e o legado de um artista que fez da poesia sua eternidade. Ao CARNAVALESCO, o artista Murilo Lobo discorreu sobre a proposta que será desenvolvida durante o desfile da agremiação.

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Chegada do tema

Murilo contou como surgiu a ideia do enredo e como ele foi aprovado pela diretoria e pelo homenageado.

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Foto: Naomi Prado/CARNAVALESCO

“O Alex me apresentou, em um dia, uma canção, parceria do César Rêvenil com João Nogueira, As Forças da Natureza, e falou: ‘Você já prestou atenção que essa letra é praticamente um enredo por inteiro?’.

E eu fui olhar aquele samba e realmente ele era fantástico. Questionei: quem escreveu isso? E vi lá o nome de Paulo César Pinheiro. Eu tinha assistido recentemente ao musical Clara, a guerreira, que tinha a cena do casamento deles e tudo mais, mas fui ligando os fatos e decidi pesquisar esse cara.

Tomei um choque. Primeiro pela história espetacular de vida, depois por uma obra incrível: mais de duas mil composições, mil e quinhentas gravadas, quinhentas parcerias, mais de 800 intérpretes o gravaram. São números superlativos. Para além disso, uma questão muito pessoal: das dez músicas que eu diria que são minhas prediletas de vida, seis eram de Paulo César Pinheiro e eu não sabia. A gente costuma se lembrar de quem canta as canções, mas esquece de quem doou a alma para escrevê-las.

Eu trouxe para a direção a ideia e todos tiveram a mesma reação de perguntar quem era. Fui mostrando as canções e todo mundo foi sentindo a mesma coisa: ‘Que bacana fazer um enredo tão necessário’. Mas surgiu a dúvida se ele aceitaria, por ser carioca.

Tentei contato por rede social, telefone… nada. Então procurei a Luciana Rabello, esposa dele. Escrevi uma carta me apresentando, falando da escola e da homenagem. Ela respondeu que achou linda a proposta e que consultaria o Paulo.

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Foto: Naomi Prado/CARNAVALESCO

Depois ela retornou dizendo que ele autorizava e que poderíamos ficar à vontade. No começo de dezembro fomos ao Rio conhecê-lo pessoalmente. Foi uma das maiores emoções da minha vida. Ele está com uma questão motora, mas com a mente perfeita. Vibrou o tempo todo. Foi lindo”, relatou.

Enredo desenvolvido em alegorias

O carnavalesco explicou como virão as quatro alegorias na Avenida e o contexto de cada uma.

A abertura terá Olodumarê, o criador, segurando um grande espelho com portas giratórias, simbolizando o dom divino refletido na obra do poeta.

A segunda alegoria trará um Brasil tropical em tons avermelhados, representando o sangue derramado na construção do país, com esculturas de negros e indígenas e referência ao Canto das Três Raças.

Outra alegoria abordará a relação entre Paulo César Pinheiro e Clara Nunes, com um altar sincrético reunindo santos católicos e orixás, inspirado no ambiente espiritual do casal e na canção Um Ser de Luz.

Já o último carro falará da consagração do poeta e do processo de criação, com esculturas, livros e um espelho onde o homenageado se vê refletido em sua própria obra.

Proposta diferenciada

A ideia é apresentar um carnaval inovador na história da escola.

“É um carnaval com 8 alegorias. O julgamento mudou, então podemos apresentar não só os quatro carros, mas também quadripés alegóricos.

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Foto: Naomi Prado/CARNAVALESCO

Os nossos quadripés têm cerca de 9 metros de altura. Estamos tentando trazer um carnaval diferente, com 128 esculturas. Um carnaval escultural”, explicou.

O projeto aposta em recortes digitais, acetatos e volumes, além de uma paleta harmonizada com as cores da escola.

Os casais

Murilo também revelou a concepção dos casais.

O primeiro casal virá representando o Deus Apolo, simbolizando a música e a poesia, e a musa inspiradora do poeta.

O segundo casal representará a literatura e o poeta autodidata, inspirado na formação intelectual de Paulo César Pinheiro através dos livros.

Baianas, bateria e passistas

As baianas virão inspiradas em Bodas de Ouro, com referências a Ivone Lara, alianças e pautas musicais.

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Foto: Naomi Prado/CARNAVALESCO

A bateria representará O Besouro, o Cordão de Ouro, musical criado pelo compositor.
As passistas virão como Clara Nunes, simbolizando a primavera, enquanto os passistas masculinos representarão o poeta beija-flor.

Ponto alto do desfile

“O ponto alto será o impacto da emoção, da beleza e do lirismo. É um projeto diferente, um conjunto alegórico bem diverso”, afirmou.

Ficha técnica

4 carros alegóricos
3 quadripés
16 alas
1.600 componentes
1 elemento alegórico (Comissão de Frente)
Diretor de barracão: Joinha

Carnaval: 5 curiosidades sobre a data

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Uma das festas mais populares do mundo, o Carnaval tem suas origens na Antiguidade pré-cristã e foi incorporado, delimitado e datado pelo calendário do cristianismo. “Antes de sua validação pela Igreja, era um período de festas profanas, invernais, regidas pelo ano lunar. Os povos pagãos realizavam rituais, utilizavam fantasias e máscaras, dançavam para seus deuses – essa manifestação destacava a sobrevivência humana em face aos rigores do frio e aos riscos da morte por enfermidades ou por violência”, explica Ana Beatriz Dias Pinto, especialista em comportamento humano e professora da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

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Foto: Divulgação/PG1 Comunicação

Confira 5 curiosidades que ajudam a entender o Carnaval:

Qual o significado da palavra Carnaval?

Para alguns, o nome da expressão latina carne vale! (adeus, car-ne!), anunciaria entrada na abstinência quaresmal. Em Roma, com os povos pagãos, havia uma festa, a Saturnália, na qual um carro no formato de navio abria caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras em honra ao imperador. A origem da palavra carnaval seria carrum navalis (carro naval). Essa interpretação é contestada pela Igreja (que passou a realizar procissão semelhante, mas para seus santos). Atualmente, a etimologia mais aceita liga a palavra carnaval à expressão carne levare, ou seja, afastar a carne, do latim levare, “tirar, sustar, afastar”. No início do cristianismo, no hemisfério norte, a manifestação de sobrevivência ao inverno através de comilanças pantagruélicas era um último momento de consumo de carne e de festejos antes do período de abstinência e de conversão à qual a Quaresma convidava. Portanto, sair às ruas para dançar, festejar os Santos, beber e comer carne era uma oportunidade de alegria, que só voltaria com a Páscoa (40 dias depois).

O que inspirou os desfiles de Carnaval?

As procissões inspiraram os desfiles de Carnaval. Elas consistem em marchas solenes de caráter religioso, organizadas pela Igreja Católica, geralmente pelas ruas de uma cidade. Os padres e outros clérigos saem paramentados, carregando imagens, crucifixos, à frente de andores, estandartes, pálios ricamente decorados, velas, lanternas, archotes, cruzes alçadas, lampadários e bastões. Eles são levados por fiéis, também paramentados, das diversas irmandades e confrarias, religiosos e religiosas, e pelos leigos, em geral, formados em duas ou mais alas. As procissões rezam e entoam cantos, hinos e motetos, acompanhadas por fanfarras, bandas, música de instrumentistas, corais e cantores. Além do som de sinos ou matracas, e até de rojões, dependendo do caráter da procissão. Nas procissões há cumprimento de promessas e alguns andam de pé descalço, carregam pedras, andam um trecho de joelhos… As passeatas e manifestações de rua, de operários, estudantes e grevistas, por exemplo, adotaram a liturgia católica das procissões e saem com seus símbolos, estandartes, cantos e palavras de ordem (às vezes desordem) ao mesmo estilo.

Os blocos, maracatus, cordões e vários grupos carnavalescos construíram suas coreografias, apresentações e forma de desfiles sobre o modelo das procissões. Há até estudos antropológicos sobre essa contribuição da sagrada procissão ao desfile do Carnaval.

O que o Carnaval representa hoje em dia?

“Com o Carnaval, as pessoas expressam a esperança, a chegada de tempos melhores (primavera no Hemisfério Norte) e a oportunidade de extravasar antes de iniciar um período mais introspectivo e reflexivo para os cristãos, por ocasião da Quaresma (um período de 40 dias de orações e jejum em preparação para a Páscoa)”, conta a especialista.

Quando é comemorado o Carnaval?

Em algumas localidades, como na Europa, o “tempo” do Carnaval começa no Dia de Reis (Festa da Epifania) e acaba na Quarta-feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma. Ainda é assim na Itália, no famoso Carnaval de Veneza, onde após a Festa de Epifania começam as apresentações de bandas de flautas e tamborins com desfiles de máscaras. No Brasil, é celebrado na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas (sofrendo variações a depender da região onde é celebrado).

O Carnaval fora de época é uma festa católica?

Sim, é mesmo – em tese. O nome que se dá ao carnaval fora de época é micareta, que significa literalmente “meio da Quaresma”. E não tem nada a ver com careta, cara feia ou máscaras. O nome micareta deriva da festa católica francesa, chamada de micarême. Ela acontecia na França, desde o século XV, bem no meio do período de quarenta dias de penitência da Igreja Católica. No meio da Quaresma havia uma suspensão do jejum, da abstinência e uma pequena celebração. “A introdução da micareta, da micarême, como festa urbana ocorreu primeiramente em capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Desde os anos 1990 a micareta vem se espalhando por várias capitais e cidades brasileiras, como Curitiba, com bloquinhos que se reúnem em praças centrais e mesmo no Largo da Ordem”, afirma. As micaretas também ocorrem em países como Itália, Canadá e Portugal. Hoje, no Brasil, uma micareta é essencialmente um carnaval fora de época, pois perdeu seu sentido religioso. É muito comum na Bahia, onde diversas cidades definem datas para as suas micaretas ao longo de todo ano.

Protagonismo feminino reinventa o Carnaval no Brasil

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O Carnaval se formou a partir do encontro de diferentes influências históricas e sociais. Desde o início, as mulheres colaboraram para a transformação dessa expressão cultural em patrimônio coletivo. Nomes como Tia Ciata e Dona Ivone Lara foram essenciais para fortalecer o samba e definir os caminhos do Carnaval no Brasil. Pensando nisso, a Disal, referência no mercado editorial, apresenta uma seleção com obras fundamentais para compreender a importância da atuação feminina na maior festa popular do país.

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Foto: Divulgação/DISAL

As chamadas tias baianas, matriarcas negras, muitas vindas da Bahia para o Rio de Janeiro no final do século XIX, desempenharam um papel fundamental na formação do Carnaval urbano. Essas mulheres foram responsáveis não apenas pela preservação da memória cultural, mas também pela criação de redes de sociabilidade que fortaleceram o samba e o Carnaval.

No início do século XX, Tia Ciata foi uma das principais articuladoras da vida cultural negra no Rio de Janeiro. Suas referências vinham do samba de roda, originário do recôncavo baiano, onde nasceu, além dos conhecimentos sobre ervas e culto aos orixás. A matriarca abriu o quintal de sua casa, na Praça Onze, para que músicos pudessem cantar e tocar, em um período em que o samba era proibido por lei. Acredita-se ter sido ali o surgimento de “Pelo Telefone”, considerada a primeira música de samba gravada, de autoria de Donga.

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Tia Ciata. Foto: Divulgação/DISAL

Décadas depois, Dona Ivone Lara rompeu barreiras sendo a primeira mulher a integrar a ala de compositores do Império Serrano. A artista dedicou-se à enfermagem por 37 anos antes de iniciar sua carreira na música, aos 56 anos, consolidando-se como uma das maiores referências do samba, atuando como compositora e cantora. Sua trajetória não apenas redefiniu a participação feminina na criação musical do Carnaval, como também abriu espaço para novas gerações de compositoras e intérpretes.

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Dona Ivone Lara. Foto: Divulgação/DISAL

“Registrar em livros as histórias das mulheres que marcaram o carnaval é uma forma de manter viva a memória dessas trajetórias tão potentes. Quando valorizamos essas narrativas, garantimos que novas gerações conheçam, reconheçam e se inspirem na força, na criatividade e na resistência dessas mulheres, que ajudaram a construir não só a festa, mas também a nossa cultura e identidade”, explica Clineia Candia, pedagoga e parceira da Disal.

O movimento dessas e outras mulheres foi essencial para preservar o samba e abrir caminhos para que o gênero se estruturasse e ganhasse visibilidade. Conheça mais sobre as mulheres que colaboraram com o desenvolvimento do Carnaval:

Tia Ciata – A grande mãe do samba

Em Tia Ciata, A Grande Mãe Do Samba, somos convidados a um passeio de volta ao início do século XX e à Pequena África, região no centro do Rio de Janeiro que foi palco de transformações que marcaram a cultura de todo o país. Como guias desse passeio, temos a graciosa personagem fictícia Boneca e ninguém menos do que o próprio Nei Lopes, que se torna também personagem e trava com Boneca um delicioso diálogo sobre música, religião, tradição, Carnaval e muito mais.

Disponível em: https://www.disal.com.br/produto/9925805-Tia-Ciata-A-Grande-Mae-DoSamba

Dona Ivone Lara E O Sonho De Sambar E Encantar

A biografia ilustrada mostra como a música popular brasileira é celebrada tanto pelas lindas canções como pelas histórias inspiradoras de grandes artistas. A trajetória da dama do samba brasileiro se inicia com um contato musical desde a infância, passa pela carreira de mais de trinta anos na área da saúde e culmina com o reconhecimento na música como cantora e compositora. Com texto e ilustrações leves e divertidas, a vida, a arte e os sonhos da sambista vão envolver os leitores.

Disponível em: https://www.disal.com.br/produto/9926674-Dona-Ivone-Lara-E-O-Sonho-De-SambarE

Canto de rainhas

Canto De Rainhas: o poder das mulheres que escreveram a história do samba”, do jornalista Leonardo Bruno, reúne histórias de grandes mulheres que se dedicaram a esse gênero musical, romperam as barreiras do machismo e do racismo tão entranhadas entre nós até hoje e conquistaram definitivamente o público. Ao acompanhar as trajetórias dessas artistas, o autor constrói um panorama da música brasileira nas últimas décadas e das conquistas das mulheres na área.

Disponível em: https://www.disal.com.br/produto/9338272-Canto-DeRainhas

Jovem Chiquinha Gonzaga, A – 2ª Ed

Chiquinha Gonzaga foi uma pioneira na defesa da cultura nacional e uma mulher adiante do seu tempo. Este livro narra a infância e a juventude dessa brasileira, nascida no Rio de Janeiro em 1847, filha de um rígido militar e de uma modesta mestiça. Lutando contra todas as adversidades, foi em busca de seus sonhos, consagrando-se como um dos grandes nomes da música popular brasileira.

Disponível em: https://www.disal.com.br/produto/5796423-Jovem-Chiquinha-Gonzaga-A-2aEd

Carnaval de Rua do Rio 2026 na palma da mão

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Com expectativa de reunir cerca de 6 milhões de foliões nas ruas, o Carnaval de Rua do Rio de Janeiro 2026 contará com um importante aliado para quem quer curtir a festa com mais planejamento, segurança e informação. A Riotur, em parceria com a Dream Factory, empresa responsável pelo apoio à operação logística do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro, apresenta o aplicativo Blocos do Rio 2026, já disponível gratuitamente para os sistemas Android e iOS.

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Foto: Divulgação/Ipê Amarelo

Desenvolvido para ser o principal guia oficial do folião, o app reúne a programação completa dos desfiles, serviços e mapas interativos, além de trazer novas funcionalidades de integração com o Metrô Rio, com o Centro de Operações e Resiliência (COR) da Prefeitura do Rio e ainda campanhas de conscientização à população que estará nas ruas brincando a folia de Momo.

Com gestão editorial da Riotur, o aplicativo traz informações detalhadas sobre todos os blocos oficiais do Carnaval de Rua, com segmentação por perfil, como blocos tradicionais, megablocos, infantis, religiosos e LGBTQIAPN+, estimativa de porte, além de filtros por data, horário e região da cidade. O público também pode acessar mapas com a localização dos desfiles, montar uma agenda personalizada para organizar o roteiro da folia, compartilhar a programação com amigos e consultar telefones úteis e serviços essenciais, como hospitais, postos de atendimento de saúde montados especialmente para o Carnaval e delegacias.

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Foto: Divulgação/Ipê Amarelo

“O Carnaval de Rua do Rio é um evento de grande escala, espalhado por toda a cidade, e a integração de informações é fundamental para que o folião aproveite melhor a festa. Neste ano, conseguimos dar um salto importante ao reunir, em um só ambiente, dados de programação, mobilidade urbana, serviços e informações operacionais, sempre com foco na segurança, no conforto e na experiência de quem vai brincar o Carnaval”, diz Fernanda Cozac, diretora de marketing da Dream Factory.

Pensando na mobilidade urbana e no deslocamento dos foliões, o Blocos do Rio 2026 passa a contar com integração direta com o Metrô Rio. O aplicativo exibe todas as estações da cidade, indicadas também no mapa de localização dos blocos, e informa, na descrição dos grandes e megablocos, qual é a estação mais próxima para chegada e retorno do público. Além disso, o app permite acesso direto à página especial de Carnaval do Metrô Rio, onde estão disponíveis informações atualizadas sobre funcionamento das linhas, horários, operação especial e orientações ao público durante o período da festa. Em um movimento de integração entre plataformas, essa página do Metrô Rio também oferece um botão para download direto do aplicativo Blocos do Rio 2026.

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Arte: Divulgação/Ipê Amarelo

Outra novidade importante desta edição é a parceria com o Centro de Operações e Resiliência (COR), que amplia o acesso dos foliões a informações em tempo real. Pelo aplicativo Blocos do Rio 2026, o público pode baixar o app do COR e acompanhar as condições climáticas, alertas de estágio de calor e comunicados operacionais, fundamentais para quem vai circular por diferentes regiões da cidade durante os dias de Carnaval. Da mesma forma, o aplicativo do COR também direciona os usuários para o Blocos do Rio 2026, reforçando a integração dos serviços e garantindo que o folião esteja sempre bem informado.

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Arte: Divulgação/Ipê Amarelo

Também estão previstas veiculações de campanhas de conscientização à população, como “Quem samba cuida”, realizada pelo Iphan em parceria com a Riotur, sobre a importância da preservação do patrimônio histórico público durante a curtição da folia. A Secretaria de Políticas para Mulheres e Cuidados traz campanha de combate ao assédio e à violência contra a mulher.

No app, o público pode clicar na playlist da folia, seleção de músicas que embalam o carnaval do país, para todos os públicos.

Além do aplicativo, a programação completa dos blocos, notícias e atualizações sobre o Carnaval de Rua do Rio de Janeiro 2026 também estão disponíveis no site oficial www.carnavalderua.rio.

 

Ganzá, agogô e tamborim quadrado: Vila Isabel resgata sonoridade da época de Heitor dos Prazeres na Sapucaí

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A Unidos de Vila Isabel levará para a Marquês de Sapucaí, na terça-feira de Carnaval, três instrumentos que remetem diretamente à época de Heitor dos Prazeres: o ganzá, o agogô e o tamborim quadrado. Os instrumentos integrarão oficialmente a bateria da escola e serão inseridos em momentos específicos do samba, reforçando a proposta estética e histórica do desfile de 2026.

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

A iniciativa nasceu a partir das pesquisas realizadas pelo mestre de bateria Macaco Branco e sua diretora, Thalita Santos, durante o processo de imersão no universo do multiartista. A proposta não será apresentada como número especial, mas incorporada à formação tradicional da bateria, dialogando organicamente com a sonoridade da escola.

Segundo Thalita, a ideia surgiu após visitar uma exposição dedicada à trajetória de Heitor dos Prazeres.

“Quando o enredo foi lançado, veio imediatamente à minha cabeça a imagem daquela exposição, especialmente o tamborim quadrado. Em vários quadros do Heitor aparecem sambistas com ele nas mãos. Aquilo ficou muito forte para mim”, relembra.
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Foto: Rafael Arante/Divulgação Vila Isabel
A partir daí, a dupla iniciou a busca por quem pudesse produzir os instrumentos com fidelidade histórica. O responsável foi o luthier Samuel, de Minas Gerais, especializado na confecção artesanal de instrumentos tradicionais.

“Encontramos um luthier Samuel, de Minas Gerais. Ele já produz pandeiros sem tirante, aquela peça de metal que prende e afina a pele. Antigamente não existia isso. A afinação era feita no fogo, porque a pele era de couro. Os ritmistas, inclusive, levavam papel de jornal no bolso para aquecer o couro e evitar que o instrumento desafinasse durante o desfile. Era algo muito raiz”, explica a assistente de bateria.

Com o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal, a Unidos de Vila Isabel propõe uma celebração da ancestralidade africana, dos fundamentos do samba e da trajetória de Heitor dos Prazeres, ícone da cultura popular brasileira e personagem central na consolidação da identidade do samba carioca.

Série Ouro reforça protagonismo em sustentabilidade e transforma a Sapucaí em espaço de conscientização social

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A Série Ouro do Carnaval do Rio transforma a Marquês de Sapucaí, nos dias 13 e 14 de fevereiro, em um grande espaço de mobilização social. Além dos desfiles das escolas de samba, o público que passa pela Avenida e pelos acessos às arquibancadas e frisas terá contato com campanhas de conscientização e mobilização social, abordando temas como o combate ao racismo, o enfrentamento à violência contra a mulher, o cuidado com a juventude, a proteção de crianças e adolescentes, os direitos humanos e a valorização da cultura afro-brasileira.

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Foto: Divulgação/Liga-RJ

As ações integram o LIGA RJ Sustentável, projeto desenvolvido desde o ano passado e que consolidou a Série Ouro como referência nacional ao incorporar, de forma estruturada, práticas de impacto social, sustentabilidade e governança à organização do carnaval.

“Um evento desse porte tem alcance, visibilidade e responsabilidade. O carnaval é um espaço potente para dialogar com a população sobre temas urgentes, de forma direta, popular e acessível”, afirma Diego Carbonell, diretor de sustentabilidade da LIGA RJ.

Entre as iniciativas está a campanha “Carnaval sem racismo brilha mais”, integrada à ação “Nosso Rio Ancestral”, realizada em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, o Fórum Estadual dos Presentes a Iemanjá do Rio de Janeiro, a Rio-Urbe e o Instituto Casas Ancestrais. A mobilização prevê a distribuição de diversos materiais de conscientização, reforçando mensagens de enfrentamento ao racismo e de valorização das tradições afro-brasileiras.

O público jovem também é foco das ações. A Secretaria Municipal da Juventude Carioca promove a campanha “Festejar sim, exagerar não”, dentro da iniciativa CarnaJuv, com a distribuição de milhares de materiais informativos e a passagem de faixa na Avenida, incentivando uma folia com mais responsabilidade.

Outra frente importante envolve a proteção de crianças e adolescentes. A Riotur, o Ministério Público do Trabalho e a RIOinclui levam à Sapucaí a campanha “Todo mundo contra o trabalho infantil”, com alertas sobre trabalho infantil, violência e abuso sexual, além de orientações para denúncias pelo Disque 100.

No eixo de enfrentamento à violência de gênero, o Programa Empoderadas, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, realiza a campanha “No ritmo da folia, nossa voz é respeito”, com a distribuição de materiais de conscientização, como ventarolas, tatuagens e adesivos, além da exibição de faixa na pista da Marquês de Sapucaí.

Ainda no eixo de cuidado com as mulheres, a programação inclui a distribuição de centenas de doleiras, produzidas a partir de resíduo têxtil, em parceria com o Instituto Por Elas, como ação de proteção às mulheres durante o carnaval.

Uma das frentes consolidadas do projeto é a parceria com a Secretaria de Estado da Mulher, que trata de uma das pautas permanentes da LIGA RJ. O trabalho contínuo no combate à importunação sexual, à violência e ao feminicídio já rendeu à entidade o selo Empresa Amiga da Mulher, sendo a única liga carnavalesca do país a possuir um selo relacionado a essa pauta.

Para a secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar, a presença em um evento popular amplia o alcance das políticas públicas. “O Carnaval é uma das maiores manifestações culturais do nosso estado, e estar ao lado da LIGA RJ nesse momento é estratégico para fortalecer a rede de proteção às mulheres. Queremos que cada foliã saiba que não está sozinha. Além das ações presenciais, disponibilizamos o app Rede Mulher, que facilita o acesso à informação, aos canais de denúncia e aos serviços de acolhimento. Nosso compromisso é garantir que a alegria do Carnaval seja vivida com respeito e segurança para todas.”

As ações realizadas na Sapucaí fazem parte de uma agenda contínua. Ao longo do último ano, o LIGA RJ Sustentável implementou gestão de resíduos em grandes eventos, como o Esquenta Carnaval, compensou as emissões de carbono do último Carnaval e promoveu ações de educação ambiental. Nesse percurso, o projeto também desenvolveu iniciativas de valorização de passistas, com a realização de ensaios fotográficos com meninas das comunidades das escolas da Série Ouro, e investiu na formação contínua por meio da concessão de bolsas de idiomas para jovens foliões de todas as agremiações, além de bolsas de graduação e pós-graduação voltadas à formação de mestres de bateria.

Mais do que números ou relatórios, a proposta da LIGA RJ é usar a força do carnaval — um evento popular, acessível e de enorme alcance — para levar temas fundamentais a milhares de pessoas, com linguagem direta e próxima do público. A Avenida se transforma, assim, em um espaço de conscientização, reflexão e estímulo à mudança de comportamento, reforçando o papel do Carnaval como ferramenta de transformação social.

Enredo em três atos: Criatividade ganha nota própria e quesito passa por revolução estrutural para o Carnaval 2026

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Esqueça a antiga divisão “meio a meio” que dominou a avaliação das histórias contadas na Marquês de Sapucaí nos últimos anos. A Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA) reescreveu as regras para o quesito Enredo no Manual do Julgador de 2026, transformando a avaliação em uma equação de três variáveis. Se antes o julgamento era binário, agora o carnavalesco terá que preencher três requisitos distintos para alcançar a nota 10, sob o olhar atento de um corpo de jurados ampliado para 06 avaliadores.

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A mudança é drástica e promete alterar a estratégia de barracão: o quesito abandona a soma simples de dois subquesitos de valor igual (Concepção e Realização) utilizada em 2025, para adotar uma estrutura tripartida com pesos diferenciados.

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Nova Matemática da Narrativa

Para o Carnaval de 2026, a nota final será a soma das seguintes fatias.

1. Realização (O Peso Pesado – 4,5 a 5,0 pontos): Continua sendo a alma do quesito. É aqui que se julga se o público e o jurado entenderam a história através das fantasias e alegorias e se houve a “carnavalização” do tema. Uma novidade no texto exige a “integração das soluções apresentadas para alegorias e fantasias dentro dos seus setores”;
2. Concepção (O Alicerce – 2,7 a 3,0 pontos): O desenvolvimento teórico e o argumento perdem peso na nota final (antes valiam até 5,0). O julgador avaliará a clareza e a coesão do roteiro, com um alerta inédito no manual: a roteirização não deve ser confundida com “cronologia”, dando liberdade para narrativas não lineares;
3. Criatividade (A Novidade – 1,8 a 2,0 pontos): A grande estrela do novo manual. A criatividade deixa de ser apenas um item diluído nos outros conceitos e ganha um subquesito exclusivo.

‘Recorte’ Vale Nota

A criação do subquesito Criatividade envia um recado claro às escolas: não basta contar bem a história; é preciso inovar na forma de contá-la. O manual instrui o julgador a pontuar a “criatividade das soluções apresentadas” e, especificamente, o “enfoque ou ‘recorte’ escolhido pelo pesquisador e/ou carnavalesco”.

Contudo, a Liesa faz uma ressalva importante para proteger a tradição: criatividade não deve ser confundida com ineditismo. Ou seja, um tema já batido pode ganhar nota máxima se for abordado sob uma perspectiva original e inventiva.

Livro Abre-Alas: A Lei da Avenida

Apesar das mudanças conceituais, o rigor técnico permanece. O roteiro entregue pela escola (Livro Abre-Alas) continua sendo o documento supremo de fiscalização.
As penalidades continuam severas para quem prometer e não entregar. A escola será penalizada se houver:

• Falta de alegorias, tripés ou alas previstas no roteiro.
• Presença de elementos não previstos no livro.
• Troca de ordem de alas ou alegorias que prejudique o entendimento da narrativa.
• Ausência de destaques de chão ou de alegoria que constem no descritivo oficial.

Veredito

Com 54 julgadores atuando no Grupo Especial em 2026, a margem para erros de interpretação diminui. O novo sistema de pesos privilegia a Realização (que vale metade da nota), sinalizando que, no fim das contas, o mais importante continua sendo a capacidade visual de traduzir o papel para a realidade da Avenida. No entanto, ao isolar a Criatividade, a LIESA força as agremiações a saírem da zona de conforto, premiando quem tiver a audácia de olhar para o enredo por um novo prisma.

Cartão de Visitas Renovado! Comissão de Frente ganha ‘super quesito’ de apresentação e julgamento fatiado em quatro notas

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A porta de entrada da escola de samba, responsável pelo primeiro impacto visual e emocional na Avenida, terá regras muito mais analíticas no próximo Carnaval. A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) reformulou a estrutura de avaliação da Comissão de Frente no Manual do Julgador de 2026, abandonando a divisão binária de 2025 para fragmentar a nota em quatro pilares específicos. Além disso, o quesito será avaliado por um batalhão de 06 julgadores, aumentando a pressão sobre coreógrafos e bailarinos.

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Se em 2025 a nota era composta pela soma de dois grandes blocos (“Concepção/Indumentária” e “Apresentação/Realização”), para 2026 a Liesa detalhou a “fatura” da nota 10, criando pesos diferentes para cada aspecto do espetáculo.

Apresentação: O Peso Ouro da Nota

A grande novidade é a valorização extrema da execução. O novo subquesito Apresentação valerá, sozinho, de 3,6 a 4,0 pontos. É aqui que se define o jogo: o julgador avaliará o cumprimento da função de saudar o público, a coordenação, o sincronismo e a interação com o elemento cênico.

Isso sinaliza que, independentemente da ideia, a execução coreográfica perfeita e a capacidade de “vender” o espetáculo na frente da cabine serão os fatores determinantes para a nota máxima.

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Matemática da Perfeição

Os outros 6,0 pontos da nota foram divididos igualmente entre três novos subquesitos, valendo de 1,8 a 2,0 pontos cada.

1. Indumentária / Tripé: Avalia especificamente a qualidade e adequação das fantasias e do elemento cenográfico (o tripé ou carro da comissão);
2. Concepção: Foca na clareza da mensagem e na capacidade de impactar positivamente o público e o jurado com a ideia proposta;
3. Criatividade: Ganha um campo exclusivo no mapa de notas. Aqui, além da solução plástica e coreográfica, os efeitos especiais passam a ser julgados explicitamente pela sua qualidade e funcionalidade;

Efeitos Especiais na Berlinda

Uma mudança sutil, mas perigosa para as escolas que apostam em tecnologia: o manual de 2026 é taxativo ao incluir a avaliação dos “efeitos especiais” dentro do subquesito Criatividade, analisando a “qualidade de execução, finalidade e atingimento do objetivo”. Se a mágica falhar ou o efeito não funcionar como prometido, a escola perderá décimos preciosos neste item específico.

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Rigor nas Penalidades

As penalidades continuam severas. A queda acidental de qualquer parte da indumentária (chapéus, esplendores, calçados) será punida se prejudicar a estética ou a apresentação. O mesmo vale para danos visíveis nas fantasias ou no tripé.

Veredito

Com a ampliação do corpo de jurados para 54 pessoas (6 por quesito) e a fragmentação da nota, a margem para subjetividade diminui. Para 2026, a Liesa exige uma Comissão de Frente que não apenas tenha uma boa ideia (Concepção), mas que vista bem seus componentes (Indumentária), inove com propósito (Criatividade) e, acima de tudo, execute a dança com perfeição técnica e emoção (Apresentação). O recado está dado: a coreografia vale ouro.