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Integrantes da Tom Maior expressam sentimento de ‘Aysú’ após desfile no carnaval de 2024

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A fantástica história de amor de Anahí e Abaeté passou pelo Sambódromo do Anhembi em 2024 no desfile da Tom Maior através do enredo “Aysú: Uma história de amor”. A proposta da escola foi fazer uma releitura indígena do mito de Orfeu e Eurídice, usando como inspiração as passagens da clássica tragédia grega para fazer um paralelo com as consequências aos povos originários da chegada dos europeus às Américas. Um desfile tomado pelo sentimento afetivo ilustrado em alegorias imponentes, belas fantasias e um samba considerado pela opinião pública como um dos melhores do ano.

O Site CARNAVALESCO conversou com representantes de diferentes segmentos da Tom para saber suas impressões a respeito do desempenho da Vermelho e Amarelo do Sumaré na Avenida.

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José Soriano, diretor de comunicação, sobre o desfile da escola

“Eu acho que a Tom Maior veio com todo o amor que a gente está preparando durante todos esses meses, todo esse Aysú que a gente veio cantando. O jurado tem uma leitura diferente da nossa, a gente nunca sabe, mas eu acho que a gente brilhou e foi lindo. A arquibancada cantou com a gente e recebemos todo esse carinho de volta. Eu sou suspeito pra falar, mas eu acho que o destaque nosso é o conjunto alegórico, que estava bem bonito e bem explícitos os momentos do enredo. Era uma leitura do samba, por exemplo, então você conseguia enxergar tudo a todo momento, e agora vamos esperar. A gente não sabe o resultado, mas a gente sabe que a gente entregou o melhor do que a gente estava programando e trabalhando.”

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Gilsinho, intérprete, sobre o desempenho do samba

“O samba rendeu o que a gente queria que ele realmente rendesse. A escola toda cantou, por onde a gente passou a arquibancada cantou junto, fizeram festa, bateram palma. Foi maravilhoso, e a gente está feliz com o rendimento da escola em gera. Nossa bateria foi espetacular, nossa comunidade cantando muito, a escola estava feliz. Acho que o ponto alto hoje foi a própria escola em si. A escola estava muito focada no que estava fazendo, estava todo mundo muito feliz com o que estava acontecendo, cantando muito bem, e isso foi o mais importante. Foi tudo tranquilo, o som estava maravilhoso e única dificuldade é que eu não podia beber uma cervejinha no meio do desfile, só no final.”

Flávio Campello, carnavalesco, sobre o desfile da escola

“É um desfile que me deixou sem palavras. Eu acho que a comunidade abraçou a ideia do enredo. A gente passou aqui com aquela sensação de dever cumprido. Agora está nas mãos dos jurados definir o nosso destino na terça-feira, e a gente torce para que a gente consiga trazer essa taça para o pessoal da comunidade que há 50 anos luta por isso. Eu acho que o carro que mais impactou nesse desfile foi o carro três, que é o carro do abismo da saudade. Eu passei perto dele ali no momento do desfile e vi que a galera pirou com essa alegoria, acho que é um pouco do que a galera de Parintins é capaz de fazer. Essa alegoria traduz um pouco do que a cultura parintinense é capaz de fazer no carnaval de São Paulo e no carnaval do Brasil.”

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Mestre Carlão, presidente e mestre da bateria “Tom 30” sobre o desfile da escola

“Eu gostei. Vi aqui da dispersão, mas achei que a escola veio bem tanto de alegoria, de fantasias, estava cantando, o samba também é um dos melhores do ano, então acho que tem tudo para brigar lá em cima de novo. Não dá pra apontar um só destaque. Eu acho que o bom da Tom Maior é o conjunto, e todo mundo, graças a Deus, fez a sua parte. Fizemos um grande desfile e estou muito feliz, tranquilo.”

Componentes da Tucuruvi manifestam a influência de ‘Ifá’ em desfile no carnaval de 2024

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Um convite para conhecer “Ifá” ocorreu no Sambódromo do Anhembi em 2024 no desfile dos Acadêmicos do Tucuruvi. A proposta da escola foi mostrar a visão desse culto existente no candomblé da história da humanidade desde o momento da criação do mundo, usando do Orixá Exu para falar sobre como seu amigo Orunmilá e a crença a qual seus devotos se dedicam se espalhou pelo mundo saindo da primeira cidade da humanidade, Ile-Ifé, na atual Nigéria, até chegar no “Ilê-Brasil”, a morada de Ifá no país. O desfile foi marcado pelo sentimento de paz e confraternização ao qual a comunidade da Zona Norte se propôs desde o início do projeto, tendo como objetivo principal espalhar a mensagem de Ifá para o público e mostrar que Exu, Orunmilá e todos os orixás são figuras do bem.

O Site CARNAVALESCO conversou com representantes de diferentes segmentos do Zaca para saber suas impressões a respeito do desempenho da escola da Cantareira na Avenida.

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Dione Leite, carnavalesco, sobre o desfile da escola

“É a energia do Sol que nos aquece, a energia de Olodumarê que nos permite ter Ifá. É Ifá que nos dá destino, e desde o primeiro dia ele tinha destinado ao Tucuruvi, a cada um de nós, que nós iríamos viver momentos de harmonia, momentos de felicidade. O que a gente viveu hoje, dentro dessa pista, não tem preço. Eu me emociono porque a gente viveu esse processo junto ao Pai Maurício, junto ao Babá Godá da Nigéria, principalmente ao Rodrigo, nosso gestor. Nós vivemos um processo muito grande de crescimento, e chegar hoje nisso e viver isso é uma energia surreal. O que a gente viveu dentro da Avenida, independe de resultado, é energia, e isso é Olodumarê que estava ali, com essa energia do Sol nos aquecendo, e a Tucuruvi realmente encerrou o carnaval de São Paulo, isso podem ter certeza. Eu acho que a energia da nossa comunidade foi um destaque, a comunidade que está tomada pelo Ifá. É esse trabalho inculcado pelo Rodrigo, é essa energia do Sol que nos aqueceu que foi transformada em Ifá, uma energia é muito pura. Só quero dizer o que nós vimos, que a sensação de Avenida foi surreal. O IFA estava presente conosco nesse desfile.”

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Hudson Luiz, intérprete, sobre o desempenho do samba

“É muito louco falar isso, mas quando a gente está dentro acaba não sentindo esse clima. Foi a primeira vez que eu consegui de fato sentir esse clima de alegria. O componente não estava cansado por ser a última escola, ele estava feliz em estar na Avenida cantando o samba da Tucuruvi. A gente conseguiu assimilar isso e eu achei que foi um desfile maravilhoso. A energia que vinha da arquibancada era uma energia fabulosa e a gente, quando sente isso, sabe que o recado está sendo dado. Eu acho que o samba funcionou muito bem. Vi muita gente cantando samba não só na arquibancada como a escola toda cantou. Então eu acho que foi o samba certo, com o momento certo, no enredo certo. Essa eu acho que é a minha ótica, dali de dentro, que para mim eu acho maravilhoso e a gente sonha em voltar nas campeãs, principalmente sendo a campeã do carnaval.”

Luan Caliel, mestre-sala, sobre o desempenho do casal

“Eu acho que tudo que nós fizemos nos dois ensaios técnicos, hoje foi para fechar com chave de ouro. Eu e a Bia viemos muito bem, acho que cravamos em todos os jurados e que não tinha como ser melhor. É um Sol, uma roupa quente e mesmo assim nós conseguimos mostrar o trabalho que ensaiamos o ano inteiro. Eu gosto muito da nossa coreografia. Esse ano nós colocamos alguns passos afros, e nós temos uma abertura com uma diagonal bem grande que acho que cumpre o que o quesito pedia, e gosto muito dessa parte. Nós terminamos o giro horário, abrimos a lateral, voltamos com dois giros e depois emenda com o anti-horário. Eu acho que esse é o ponto forte da nossa coreografia.”

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Beatriz Teixeira, porta-bandeira, sobre o desempenho do casal

“Eu estou tão emocionada que não consegui nem falar. Foi um trabalho muito duro, muito duro, e a gente fez o melhor. Saiu do jeito que a gente queria, a gente saiu brincando, mas é responsabilidade, a gente vinha com isso na cabeça mesmo a gente descendo tranquilo, brincando. Mas eu quero muito, torço muito, trabalhei muito para vir nossos 40, se Deus quiser, e estar com o título que é o principal, que é realizar o sonho. Eu falei que essa é a minha meta desse ano, tirar a minha nota 40 e fazer essa escola ser campeã.”

Renan Banov, coreógrafo, sobre o desempenho da comissão de frente

“Muita emoção. Acho que o objetivo que é trazer essa mensagem de Ifá foi atendido. O jogo, os mandamentos, fazer o Odu e mostrar a importância da ancestralidade e o respeito à religião matriz africana. Destaco o jogo do Odu, a queda dos Odus que é o Fumegi, que representa o Odu da criação, que é a abertura dos caminhos através do Babalaô.”

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Mestre Serginho, da “Bateria do Zaca”, sobre o desempenho da bateria

“Ensaiamos pra caramba o ano inteiro. Era um projeto bem complexo, que envolvia escola e a bateria. Acredito que foi bem bacana. A gente foi evoluindo em questão aos ensaios técnicos de bateria. Depois do primeiro deu uma melhorada, no segundo já chegou num patamar bacana, e hoje aí a gente tem um povão. É diferente, já é o jogo valendo, então tem jogador, muda toda a temperatura. Muda também que a rapaziada quer fazer acontecer. Mas foi do cacete, mano. Da hora, eu curti. A gente tinha uma paradinha que era dividida em três partes. A primeira parte, que a gente dividia com a escola, com o serrado, que era a mensagem do ‘respeitem a minha ancestralidade’. Aí depois tinha a parte de pergunta, resposta e repique, e a gente finalizava com o toque dos atabaques e agogôs, e aí depois tinha mais um pedacinho ainda. A gente tinha duas bossas. Uma bossa que fazia um trecho, que era o andamento e a afinação, e a outra que a gente fez, que era essa daí que tinha todos esses elementos que não era só bateria, era uma bossa que pegava toda a escola. Acho que o pessoal curtiu, acho que rolou.”

Componentes dos Gaviões da Fiel falam sobre a viagens pelo infinito em desfile no carnaval de 2024

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Uma viagem para conhecer o infinito passou pelo Sambódromo do Anhembi em 2024 no desfile dos Gaviões da Fiel através do enredo “Vou te levar pro infinito”. A escola se inspirou em um verso do clássico samba campeão do carnaval de 1995 para levar o público para conhecer as diferentes formas de expressão do termo, passando pela clássica visão espacial, críticas sociais, a natureza e, é claro, a paixão pelo Corinthians. Um desfile marcado principalmente pela ousadia dos segmentos iniciais, compostos pela criativa comissão de frente, atuação divertida do casal de mestre-sala e porta-bandeira e o curioso carro Abre-alas, com uma linguagem estética diferenciada.

O Site CARNAVALESCO conversou com representantes de diferentes segmentos dos Gaviões para saber suas impressões a respeito do desempenho da Fiel Torcida na Avenida.

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Padinho, presidente, sobre o desfile da escola

“Eu achei maravilhoso. Vou falar a verdade, eu nunca senti tanta emoção na minha vida igual eu senti agora. As pessoas cantando o enredo, e bateu bem o infinito. É infinito só de coisas boas, hoje eu vi só coisas boas e eu estou muito emocionado. Eu estou muito confiante também para nós beliscarmos a quinta estrela do campeonato, e para mim foi uma honra ter passado hoje pela última vez como presidente do Gaviões. Fico feliz e muito esperançoso pela vitória. Você vê que a arquibancada cantou, todo mundo cantou. Eu acho que o ponto alto para mim hoje foi tudo. Ultimamente o Gaviões vinha com carros mais preto e branco, só duas, três cores, e dessa vez mais colorido, bem mais colorido. Fico feliz mesmo, de verdade.”

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Ernesto Teixeira, intérprete, sobre o desempenho do samba

“A passagem foi excelente. O samba funcionou como o esperado, como já estava funcionando nos ensaios. O povo veio cantando, a escola compacta. É uma expectativa totalmente positiva. O ponto alto foi o samba como um todo. Aquela partezinha do ‘boom’ ali que levanta a galera, essas coisas são legais nesses sambas de enredo. Os refrões também muito bons. No geral, um samba bom, que ajuda muito a escola.”

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Wagner Lima, mestre-sala, sobre o desempenho do casal

“Cara, é um desfile de superação. Eu estou com essa linda e guerreira mulher. Hoje completam 30 dias que a gente começou uma parceria. Começamos a dançar e colocamos no papel o que a gente colocou na pista hoje, que a gente colocou há 30 dias atrás. Tem casais que começaram a trabalhar há 6 meses e em 30 dias colocamos um resultado bom. Conseguimos trazer o que a gente fez nos ensaios, tentamos trazer na pista e foi satisfatório. Foi um desfile lindo, foi bem bacana.”

Carolline Barbosa, porta-bandeira, sobre o desempenho do casal

“Para mim é uma emoção muito grande estar ao lado desse cara, que ele é incrível em todos os aspectos, em todos os momentos. Gratidão, gratidão a Deus. Foi surreal, surreal o tempo que a gente teve, tudo que a gente fez foi incrível. Eu não tenho palavras para expressar a gratidão e o amor que tem tudo isso aqui.”

Sérgio Cardoso, coreógrafo, sobre o desempenho da comissão de frente

“Deu tudo certo. Estava atento às nossas expectativas, a gente ensaiou bastante e agora é esperar pelo resultado. Fizemos um desfile tranquilo. Eu gostei principalmente de quando a gente usou a técnica do ‘bang power’, que são os elásticos em que elas saltam e que dão uma sensação de gravidade, de espaço, de estar voando. Eu acho bem interessante e é bem bonito também.”

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Mestre Ciro, da “Ritimão”, sobre o desempenho da bateria

“A gente gostou bastante, acho que foi empolgante. A gente conseguiu fazer tudo o que tinha para fazer para apresentar para os jurados e estamos confiantes na nota. Eu acho que a bateria veio muito segura. A gente conseguiu executar todas as bossas, paramos na frente dos jurados legal para fazer também as apresentações para eles entenderem bacana as bossas. Acho que foi 100%, foi muito bom.”

Lideranças da Mocidade Alegre avaliam desfile de forma positiva e aguardam ansiosamente pela apuração

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Atual campeã do carnaval paulistano, a Mocidade Alegre fez um desfile do tamanho da escola, e também pode-se dizer que está na briga pelo que seria o décimo segundo caneco da agremiação. Segmentos deram entrevista ao CARNAVALESCO e contaram a experiência que tiveram na avenida. Todos os componentes avaliaram a atuação da Morada na passarela de forma positiva.

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Desfile correto

A presidente Solange Cruz diz estar satisfeita. “Correu tudo bem, graças a Deus. Acredito que tudo saiu como planejado. Quando a gente está lá dentro a gente não consegue enxergar tudo. O retorno do público foi positivo e agora é esperar as notas”, disse.

Planejamento bem sucedido

Mestre Sombra, que recentemente completou 30 anos de “Ritmo Puro”, avaliou o ensaio de maneira positiva e torce pelas notas máximas. “Graças a Deus o planejamento executado foi esse e deu tudo certo. Agora é só aguardar a abertura dos envelopes e tomara que seja tudo 10, porque dentro das expectativas, foi um sucesso”, analisou.

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Conjunto musical certeiro

Igor Sorriso, intérprete oficial da Morada, também falou do desfile de forma positiva e disse ter certeza de que executou muito bem o trabalho. “De uma forma geral eu acho que deu tudo certo. Eu não vi a comissão de frente, mas dentro do nosso trabalho harmônico de canto e bateria, conseguimos executar plenamente o que foi ensaiado e o que planejou. A gente está satisfeito e muito felizes. O público respondeu muito bem e é o sinal que o trabalho está sendo bem feito. A gente fica feliz, porque foram grandes escolas no Anhembi, grandes desfiles, mas a Mocidade fez o seu melhor e agora é trabalhar”, declarou.

Boa expectativa e grande retorno do público

O coreógrafo da comissão de frente, Jhean Alex, se disse muito feliz, exaltou os outros pavilhões e o reconhecimento que teve do público. “O carnaval é uma caixinha de surpresas. Foi um esforço muito grande. Eu acho que eles (bailarinos) cumpriram muito bem o que vieram propor. Agora, o que vem de nota a gente não sabe. O público retribuiu muito bem. Atuou muito bem dentro de tudo o que a gente estava fazendo. Eu só tenho muito o que agradecer. A expectativa para terça-feira é que a gente se saia muito bem. Todas as escolas trabalharam muito e o que mais vale para gente é ter um bom espetáculo e o reconhecimento do público”, afirmou.

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Dança feita com sucesso

Diego Motta, mestre-sala estreante na agremiação, explicou a estratégia e avaliou o desfile, dizendo que o dever foi cumprido. “Por incrível que pareça, os dois ensaios técnicos nós usamos cabines diferentes. E hoje nós fizemos isso também. As cabines não eram iguais, a gente mudou e é isso. Agora é acreditar, estamos no jogo, muito felizes e está na mão dos jurados e papai do céu. Mas a sensação é de dever cumprido”, avaliou o mestre-sala.

Natália Lago, porta-bandeira, se mostrou mais empolgada ainda. “Com certeza foi como esperávamos. A gente usou várias possibilidades de colocar em prática aqui na pista e vai da energia. O que pediu nós entregamos. A gente está feliz, se divertiu e acho que deu tudo certo. O retorno do público foi sem palavras, não dá nem para descrever”, finalizou a porta-bandeira.

Com mudança de identidade, Dragões da Real fica esperançosa pelo título após desfile

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Não há dúvidas de que a Dragões da Real está forte na briga pelo título. Talvez a taça esteja o mais perto possível desde que a agremiação estreou no Grupo Especial, no ano de 2012. Isso também é o que diz os segmentos das escolas. Todos estão confiantes pelas notas máximas, realizadas pelo trabalho e ansiosos pelo início da apuração. As personalidades, que conversaram com o CARNAVALESCO, também exaltaram o enredo afro desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Freitas. A comunidade abraçou e fluiu no desfile.

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Projeto incrível

Uma comissão de frente teatralizada, luxuosa e cheia de informações foi o que Ricardo Negreiros levou para o desfile da Dragões da Real. De acordo com o coreógrafo, a experiência foi a melhor possível e vive a expectativa das conquistas das notas 10. “Foi um processo bem longo e muito gratificante. A nossa comissão representava literalmente o enredo. Era um resumo dele. A gente contou uma história de uma coroação e foi um processo muito gostoso de trabalhar. Foram 33 pessoas com experiência artística, outras pessoas sem nenhuma experiência e a gente misturou todo mundo. Isso foi o mais gostoso. Acho que foi um projeto extremamente gratificante de conduzir. O recebimento do público com a comissão foi incrível. A galera curtiu, vibrou na hora que a gente foi fazer o nosso truque de levitação. Foram para cima também na hora que o Exú era elevado. A minha expectativa é que a gente realmente tenha conquistado as notas máximas, o que vai depender muito da cabeça do jurado. Mas de verdade eu estou muito confiante que vai ser uma avaliação muito bem feita”, declarou.

Comunidade forte e enredo afro

O diretor de carnaval Márcio Santana exaltou a garra da comunidade e disse que o enredo afro foi uma ótima chave para ter esse sucesso. “Eu vou te dizer que a escola está se sentindo realizada. Passamos leve e isso é o fundamental. Agora é esperar ver o que papai do céu reserva para a gente. Com certeza vai vir coisa boa, porque a energia e a vibração da nossa comunidade foram sem tamanho. A gente está maravilhado com o que fizemos. Era um anseio da escola esse ineditismo de ter um enredo afro. Tudo que é novo é bom. Tem um saborzinho melhor e mais gostoso. A comunidade está feliz, eles desejavam isso e eu acho que a escola soube representar muito bem essa África triunfante que a gente queria trazer para avenida”, analisou.

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Ansioso por um tema dessa magnitude

O intérprete Renê Sobral seguiu a linha do diretor de carnaval. Aprovou a reação da arquibancada e declarou que rezava por um enredo afro na escola. “Eu estou em êxtase porque tudo funcionou muito bem. A escola veio linda, veio maravilhosa, o samba funcionou de uma forma espetacular. Não só a comunidade e cantor, como nós vimos a arquibancada cantando e eu estou muito feliz em poder fazer parte dessa história, nessa virada de chave na Dragões em termos de enredo. É o primeiro enredo afro e eu tive o prazer de poder interpretar esse samba maravilhoso e esse desfile histórico. Eu vinha rezando para Dragões vir logo fazer um tema afro para poder cantar um pouquinho da nossa africanidade e raiz ancestral. A missão foi cumprida e está nas mãos dos jurados. Espero que a gente tenha conseguido”, disse.

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Sensação de missão cumprida

Tudo que a gente planejou saiu, mas saiu com muita emoção. Fazia tempo que um casal encostava na arquibancada e não era ovacionado. Se escutava o público respondendo a escola. Então assim, foi um carnaval um carnaval de muita emoção para mim e minha parceira Janny Moreno”, disse o mestre-sala.

“Eu estou me sentindo realizada e tranquila, porque foi um desfile de coração e de alma. Eu e o Rubens temos uma cumplicidade muito bacana. Um respeito tanto na dança, quanto fora dela. Tudo isso também soma, porque aí nos dá mais tranquilidade e harmonia naquilo que a gente faz. melhor possível aí agora a ansiedade pega forte mesmo pesada. A ansiedade para terça-feira é a melhor possível. Deus sabe que será melhor para nós”, completou a porta-bandeira.

Ao vivo: apuração do Grupo de Acesso I no Carnaval 2024

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Amanhecendo no Anhembi, Rosas de Ouro sai confiante de seu desfile

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Por Eduardo Frois e Lucas Santos

Última escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, a Rosas de Ouro saiu totalmente satisfeita com o que apresentou na passarela. Todos os segmentos que conversaram com o CARNAVALESCO falaram de forma contente e expressaram uma vontade grande de ver o resultado logo. Todos os integrantes estão acreditando bastante em seus trabalhos.

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Estreia com confiança

O intérprete estreante na agremiação, Carlos Jr, exaltou a comunidade e espera coisas boas na apuração. “Foi muito gratificante. Não tem nem palavras. Agora é esperar o resultado. Cabeça de jurado é uma coisa, mas pelo que a gente fez hoje, creio que vai vir coisa boa por aí. A comunidade abraçou o samba, isso é muito importante e esperar agora é o resultado. Vamos ver vamos ver o que vai dar. Estou bastante confiante. Vamos, Roseira!”, disse o cantor.

Superação na pista

Mestre Rafa, comandante da “Bateria com Identidade” falou sobre a superação que a sua bateria teve no Anhembi. De acordo com o músico, a batucada atravessou na concentração, preocupou, mas no final deu tudo certo. “A gente entregou tudo mesmo. O carnaval é fantástico. Lá no começo, a gente começou o samba no esquenta, deu uma atravessada, a bateria linda, como nunca atravessando esses 10 anos. Acho que veio para me coroar. Nunca tinha acontecido uma atravessada tão forte, mas foi na hora do esquenta de cara, muita vontade pessoal e deu uma baita atravessada. Lá no nosso esquenta as coisas não tinha sido legal, mas aqui na avenida graças a Deus e aos orixás foi fantástico. Foi o melhor desfile da minha vida como mestre de bateria. Então missão cumprida, super feliz com o resultado. Não tenho nem palavras de verdade. Só esperar o resultado e ver o que que vai dar. A gente está muito feliz com o trabalho”, declarou.

Mensagem de alegria

A coreógrafa da comissão de frente, Helena Figueira, contou que o intuito da apresentação da ala foi passar alegria. “A gente pensou nesse amanhecer das pessoas no piquenique, porque o parque é um lugar de convívio, então a gente trouxe mesmo essa alegria para a comissão. A coreografia veio leve, teatral, interativa, brincalhona e irreverente. É uma proposta e eu acho que a gente conseguiu. As pessoas se identificaram muito. A gente quis porque era o amanhecer. O final as pessoas já tão cansadas e ansiosas para ver a última escola”, comentou.

Comandante aprovou

O vice-presidente Osmar Costa, declarou que a proposta do desfile foi sair dos enredos densos para provocar um colorido e uma Rosas diferente na avenida. Na concepção do mandatário, deu certo. “A gente achou que se viesse abrindo a escola com interação, animaria o público para receber toda a escola que vinha colorida e queria passar uma proposta uma tentativa de fechar a sexta-feira. O projeto a gente procurou não mexer muito em cima de tudo que o carnavalesco planejou. Então para fazer a entrega perto da totalidade do projeto era muito importante, porque você às vezes tem que minimizar alguma coisa. Nesse enredo, eu acho que proporcionou para Rosas de Ouro outra forma de se apresentar, com um colorido, uma vez que a gente vem de algumas temáticas pesadas. Eram carnavais muito duros, falando de cura e o outro falando de igualdade racial. A gente sabe que esse tipo de palheta acaba levando para uma coisa mais escura. Amanhecer aqui hoje como se fosse um parque, as pessoas contemplando o colorido, eu acho que isso trouxe um diferencial. Vai ser um divisor de águas de onde a gente estava, onde a gente não teve um bom resultado do carnaval do ano passado para esse. Eu acho que a gente vai chegar mais próximo se Deus quiser”, avaliou.

Desafio concluído

A porta-bandeira da escola, Isabel Casagrande, exaltou o seu mestre-sala e disse que fizeram tudo dentro da apresentação planejada. “A gente tem ensaiado desde abril. São meses. Chegou um grande dia então não tem como não ser emocionar. Eu estou há mais de 30 anos na escola, são 32 desfiles, mas todos para mim são emocionantes. Sempre eu entro na avenida emocionada, mas deu tudo certo. Cabeça de jurado é uma caixinha de surpresa, mas para nós a gente conseguiu executar tudo que a gente ensaiou o ano inteiro. Ele é um presente de verdade. Eu acho que eu ganhei ele como um presente e ele é fofo. Ele é um príncipe, é bem dedicado e responsável. Eu não tenho nem palavras, disse a porta-bandeira.

“Foi uma manhã muito especial, com certeza, além de todas as minhas expectativas viver isso com a Isabel, foi com certeza uma grande conquista e uma grande alegria. Conseguimos aplicar na pista tudo que a gente construiu durante o ano enquanto coreografia de descanso e apresentação para as cabines. Agora é aquele frio na barriga para esperar o resultado, mas com certeza eu saio muito tranquilo, com paz no coração e com a certeza que eu consegui ganhar uma família: Sociedade Rosas de Ouro”, completou o mestre-sala.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Viradouro no desfile

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Um desfile extraordinário da bateria da Unidos de Viradouro, regida pelo lendário mestre Ciça. Uma conjunção sonora de raro valor musical foi exibida. Com um andamento cadenciado, foi possível constatar uma fluência ímpar entre todos os naipes do ritmo da escola do Barreto. A boa equalização de timbres também jogou a favor, proporcionando um equilíbrio acima da média. Bossas potentes e que levantaram a Avenida ajudaram na sensação de um autêntico sacode.

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Na parte de trás do ritmo, uma afinação muito boa de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e de segunda foram firmes, mas precisos durante todo o desfile. Surdos de terceira foram responsáveis pelo bom balanço tanto em ritmo, quanto nas bossas. Uma ala de repiques coesa tocou integrada a um naipe de caixas de guerra bastante ressonante, com a peculiar batida com levada de partido alto. Atabaques contribuíram de modo único, principalmente nas bossas com toques afros.

Na cabeça da bateria da Viradouro, um naipe de cuícas mostrou sua nítida qualidade sonora. Uma ala de chocalhos sólida tocou entrelaçada com um naipe de cuícas de elevada técnica. O desenho de tamborim da Unidos da Viradouro possui uma musicalidade simplesmente incrível. Menção positiva para o trecho do “toque de Adarrum” como pede o próprio samba, além do refrão do meio e início da segunda. A execução privilegiada da convenção rítmica dos tamborins agregou imensamente à sonoridade da bateria “Furacão Vermelho e Branco”.

Bossas profundamente integradas ao belo samba-enredo da Viradouro garantiram apresentações potentes para jurados. Arranjos com densidade musical foram produzidos. Com direito a pressão do impacto sonoro provocado pelos surdos, além de paradinhas que atrelaram o tema de vertente africana da escola à sonoridade produzida. As bossas que utilizam os atabaques para realçar os toques afros garantiram não só uma musicalidade diferenciada, como interação popular a cada realização.

A apresentação da primeira cabine (módulo duplo) foi monumental. Um ritmo de extrema fluência entre os naipes foi produzido, com bossas bem encaixadas. A exibição na segunda cabine de julgador foi tão boa quanto a primeira, recebendo aplauso do jurado e também ovação do público. A apresentação no último julgador manteve o nível das demais, mesmo com a caixa de som mais próxima com volume elevadíssimo. Tal fato, inclusive, fez o julgador mudar sua posição para poder ter melhor percepção da Viradouro. Nem isso atrapalhou mestre Ciça de dar um verdadeiro show, para encerrar o desfile magistral da bateria “Furacão Vermelho e Branco” da Unidos do Viradouro. A consistência exibida nos módulos tem tudo para garantir a pontuação máxima para o icônico mestre Caveira.

Viradouro realiza desfile avassalador, mostra excelência em todos os quesitos e fica próxima do título

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Por Luan Costa e fotos de Nelson Malfacini

A Unidos do Viradouro foi a última escola a passar pela avenida na segunda noite de desfiles do Grupo Especial. A vermelha e branca de Niterói correspondeu às expectativas do público e encerrou o carnaval de maneira avassaladora, se credenciando ao título na quarta-feira de cinzas. De ponta a ponta foi uma desfile com todas as características de campeão, os nove quesito foram defendidos com brilhantismo por toda a escola, desde a comissão de frente, que mais uma vez se destacou, até a comunidade que entrou na avenida disposta a guerrear e teve um canto impressionante, acima de tudo, a garra de cada desfilante merece todos os elogios. O apuro estético foi outro ponto de destaque, o conjunto de fantasias e alegorias mostrou todo o talento de Tarcísio Zanon. Assim a estética, a Viradouro também passou pela avenida com um belíssimo trabalho harmônico, a bateria de mestre Ciça levantou o público e o intérprete Wander Pires retornou para agremiação em grande estilo. O alvorecer do dia contribuiu para que a energia em torno do desfile deixasse o ambiente ainda mais favorável à escola.

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A Viradouro levou para a avenida o enredo “Arroboboi, Dangbé”, sobre a energia do culto ao vodun serpente, o tema foi criado e desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. A agremiação de Niterói terminou sua apresentação com 67 minutos.

Comissão de Frente

A comissão de frente coreografada pelos consagrados Priscilla Mota e Rodrigo Negri foi intitulada “Alafiá”. No total, foram 24 componentes que produziram um espetáculo visual, artístico, dançante e com muitos efeitos. A comissão trouxe uma grande sacerdotisa como pivô inicial, em volta dela, guerreiras Agojies com lâminas nas mãos dançaram e mostraram extremo vigor e sincronia.

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Na sequência, uma grande serpente saiu do tripé que representava justamente um ninho, ela deslizou pelo chão da avenida e o efeito deixou o público espantado. Os integrantes subiram na alegoria e deu continuidade a apresentação, houve uma troca de componentes, dessa vez a fantasia representou o ritual de preparação das guerreiras, uma mulher serpente foi a pivô nesse momento, a coreografia, aliada a fantasia, causou outro efeito esplêndido. Ao final, surgiu uma serpente mordendo o próprio rabo, símbolo do infinito. A luz cênica da Sapucaí foi utilizada durante toda a apresentação, ao final, um grande arco íris surgiu.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Representando o espírito infinito da serpente, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, passou pela avenida de forma encantadora, a experiente dupla protagonizou na avenida incontáveis momentos marcantes, a porta-bandeira iniciou sua apresentação com uma sequência de giros de tirar o fôlego, já Julinho, durante sua dança formou um círculo fechado, os movimentos podem parecer comuns, mas uma passagem da sinopse da Viradouro diz: “É Dangbé, o vodum da proteção, do equilíbrio e do movimento. Nele, nada principia nem finda, tudo avança, tudo retorna. É o constante rodopio do universo, o círculo fechado, sentido materializado pela imagem da cobra engolindo a própria cauda”.

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Enredo

Desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon e com sinopse de João Gustavo Melo, a Unidos do Viradouro levou para a avenida o enredo “Arroboboi, Dangbé”, nele, a escola saudou as energias do culto Vodum serpente. Unindo a força dos cultos Voduns aos saberes ancestrais, a escola percorreu o caminho que amplia nosso horizonte rumo a um Brasil mais africano, verdadeiramente livre, religiosamente diverso e socialmente igualitário. A narrativa do enredo foi seguida segundo o culto ofídico ligado ao de matriz Jeje. Ao longo do desfile, a figura da serpente apareceu representada de diversas maneiras: encantada, guerreira, cultuada, camuflada e manifestada por meio das cores do arco-íris.

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* Um mestre fantasiado de outro mestre, Ciça traz a Viradouro com uma bateria cadenciada no ritmo da macumba
* Terceira alegoria da Viradouro representou as guerreiras Mino
* Ala de baianas da Viradouro representou as ‘Sacerdotisas da serpente divina’
* Viradouro trouxe para a avenida uma alegoria em forma de oferenda à fundadora do candomblé Jeje no Brasil

O enredo foi dividido em cinco setores, sendo eles: “Dangbé – O Culto À Serpente”, nele, Dangbé, o vodum da proteção, do equilíbrio e do movimento foi retratado. Nada principia nem finda, tudo avança, tudo retorna. É o constante rodopio do universo, o círculo fechado, sentido materializado pela imagem da cobra engolindo a própria cauda. O segundo setor, “O Pacto Místico Das Guerreiras Mino”, trouxe as guerreiras Mino, as mulheres mais temidas do mundo. Na sequência, o setor “Ludovina Pessoa E A Herança Vodum Na Bahia”, mostrou a perpetuação através de Ludovina Pessoa, pilar de terreiros consagrados aos voduns. O quarto setor, “Entre A Cruz E A Serpente: Templos Sincréticos”, trouxe as senhoras da cura, da fortuna, da fertilidade, das adivinhações, dos conselhos e do destino. O último setor, “Terra, terreiro cósmico”, fechou o desfile mostrando que a energia que renasce no culto aos Voduns, se espalhou pelo Brasil em diversas casas consagradas às entidades.

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Alegorias e Adereços

A Viradouro levou para a avenida seis alegoria e dois tripés, o apuro estético produzido por Tarcísio Zanon foi de extremo bom gosto, cada alegoria teve uma concepção diferente, o artista fugiu da repetição e também do óbvio, quem esperou uma Viradouro soturna pode ter se surpreendido com uma escola colorida e solar. O cuidado em cada alegoria foi peça fundamental para que todo o conjunto se destacasse.

A serpente esteve presente por toda a abertura da escola, primeiro no tripé “Dangbé: Energia Da Vitória”, tendo continuidade no abre-alas “A Força Do Vodum Do Infinito” e também no segundo carro, “Predição Oracular: Caminhos Abertos”. Ambos fizeram parte de um grande conjunto de abertura, a predominância de cores mais chamativas foi o ponto alto desse conjunto.

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O segundo carro, “As Guerreiras Mino: Proteção Mística E Lealdade”, representou as guerreiras Minos em treinamento entre os espinhos reproduzidos na base do chassi. Na sequência, o carro “Ludovina De Gu Rainha E A Formação Dos Terreiros Jeje Na Bahia” apresentou uma estética diferente e arrojada, ele foi tramado em ferro, ornado com elementos de culto Vodum. A representação do metal permeou toda a base e a decoração da alegoria trouxe uma imponente sacerdotisa no topo. O tripé “A Santa Ceia Negra” mesclou as tradições católicas às celebrações ritualísticas do candomblé Jeje. O penúltimo carro, “Templos Sincréticos”, trouxe uma grande escadaria inspirada na arte do Daomé e remeteu aos espaços sagrados onde ocorrem cerimônias e rituais. Na parte de trás, os degraus com ornamentação barroca representaram a inserção das celebrações católicas em templos. O carro que fechou o desfile da Viradouro foi denominado “Sagrado Terreiro Cósmico”, a natureza foi representada e um grande arco íris se formou na escultura traseira, foi um encerramento em alto nível.

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Fantasias

Assim como feito nas alegoria, o trabalho de Tarcísio Zanon merece todo o reconhecimento, o carnavalesco usou e abusou do bom gosto ao pensar e produzir as fantasias da Viradouro, o artista se esmerou nos mínimos detalhes e entregou um dos conjuntos mais interessantes da história da escola. O uso de cores se mostrou um dos pontos altos, solar, a escola passou pela avenida com boa parte da luz natural e mesmo assim as alas brilharam. Destacar uma só ala seria falho, visto que todo o conjunto se destacou.

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Harmonia

O conjunto harmônico foi trabalhado de maneira exemplar pela escola, a comunidade da Viradouro entrou na avenida disposta a levar o título para Niterói e nada seria capaz de tirar essa conquista deles, o canto foi avassalador do início ao fim, destacar uma só ala seria injusto, a escola gritou o seu samba de forma contínua por toda a avenida. Durante o desfile, a bateria Furacão Vermelho e Branco comandada por mestre Ciça abusou das bossas, foi uma mais esplêndida que a outra, a de maior destaque foi feita no refrão principal que dizia: “Derrama nesse chão, a sua proteção, pra vitória da Viradouro”, o paradão evidenciou o canto acima da média realizado pela comunidade e também pelo público presente do Sambódromo. Vale destacar também a ótima estreia de Wander Pires à frente do carro de som da vermelha e branca.

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Samba-Enredo

Um dos grandes destaques da noite foi o samba composto por Claudio Mattos, Claudio Russo, Julio Alves, Thiago Meiners, Manolo, Anderson Lemos, Vinicius Xavier, Celino Dias, Bertolo e Marco Moreno. O hino da escola passou de forma avassaladora e permaneceu assim durante todo o desfile, em nenhum momento o samba diminuiu seu ritmo ou cansou quem acompanhava, vários são os momentos que causaram catarse junto ao público, o principal deles durante o refrão principal. A letra, apesar de algumas palavras mais complexas, conseguiu passar todo sentimento que o enredo pede, por exemplo, no verso “Num Brasil mais africano, outra areia, mesmo mar” boa parte da sinopse é sintetizada.

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Evolução

Uma verdadeira aula de evolução, assim pode ser definido o desfile da Viradouro na manhã desta terça-feira, de forma fluída, organizada e vibrante, os componentes entraram na avenida sabendo exatamente o que fazer, fruto de muito ensaio, eles engrandeceram o espetáculo de forma orgânica, espontânea e natural. Durante todo o cortejo a escola apresentou segurança em cada movimento.

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Outros Destaques

O público esperou até o fim para acompanhar o desfile da Viradouro, mesmo sendo a última escola a desfilar, as arquibancadas permaneceram lotadas, quem esperou foi presenteado com um desfile de encher os olhos com inúmeras imagens foram marcantes. A rainha Erika Januza veio representando um instrumento ritualístico pontiagudo utilizado pelos iniciados da família das cobras no processo de transe, com muito carisma e samba no pé, a rainha foi aplaudida do início ao fim.

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Ala de baianas da Viradouro representou as ‘Sacerdotisas da serpente divina’

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Viradouro Esp04 002A ala de baianas da Unidos do Viradouro representou as “Sacerdotisas da serpente divina”, que eram responsáveis pelo recrutamento e iniciação de jovens que seriam devotadas ao espírito da serpente, dando continuidade às memórias e crenças de seus ancestrais. Rodeada de serpentes, as anáguas eram destacadas pelos fortes tons de vermelho.

Segundo a diretora da tradicional ala, Tia Cleia, de 72 anos, essa foi uma das fantasias mais bonitas e confortáveis que já usou. Ela está na Vermelha e Branco de Niterói há mais de 50 anos.

“As fantasias estavam muito bonitas e confortáveis. Temos baianas mais velhinhas, e a vestimenta ficou bem leve e tranquila. O carnavalesco pensou em todos esses detalhes. As cobras são o mais interessante. Tenho pavor de cobra, mas a fantasia é tão bonita que até aceitei ficar rodeada delas(risos)”, conta Tia Creia.

Viradouro Esp04 003Incorporadas no rodopio, elas revelaram toda a magia feminina no culto às serpentes. Para Rosangela Marins, de 64 anos, baiana da Viradouro há sete anos, a fantasia retratou com leveza e luxuosidade as sacerdotisas.

“Ela ficou muito bonita e tem bastantes detalhes. Conseguimos nos movimentar muito bem. Nós somos as mães do samba, e com essa fantasia linda, conseguimos encantar o público e representar essas sacerdotisas. Apesar das cobras serem o principal, a fantasia tem vários detalhes. Acredito que foi uma das fantasias mais bonitas da noite”, disse a baiana.

A Viradouro levou para a Marquês de Sapucaí o enredo “Arroboboi, Dangbé”, do carnavalesco Tarcísio Zanon, e encerrou os desfiles do Carnaval carioca em 2024.