A Imperatriz Leopoldinense, atual vice-campeã do Grupo Especial, anunicou mudanças na disputa de samba-enredo para o Carnaval 2025. Fica “expressamente proibida a participação de torcidas comercializadas e grupos coreografados”, foi proibida a confecção de camisas, bandeiras, adereços, e faixas de torcida e apenas um cantor do Grupo Especial pode ser contratado por parceria. Além disso, a escola não cobrará taxa de inscrição, as parcerias poderão ser formadas com no máximo seis compositores, sendo expressamente proibidas as participações especiais e serão disponibilizados cinco microfones para cada parceria.
Foto: Nelson Malfacini/Divulgação Imperatriz
Ao site CARNAVALESCO, o diretor-executivo da escola, João Drumond, explicou a intenção das mudanças para disputa de samba-enredo.
“A ideia é democratizar a disputa e dar condições iguais a todas as parcerias. Baratear os custos de todos e permitir que o foco da disputa seja o que de fato interessa: a obra. Queremos trazer de volta áqueles que disputaram no ano passado, áqueles que não puderam disputar no ano passado e desejamos que os que ainda não disputaram na Imperatriz venham fazer parte da nossa ala”, disse o diretor executivo.
A escola, que levará para a Marquês de Sapucaí ano que vem o enredo “ÓMI TÚTÚ AO OLÚFON- Água fresca para o Senhor de Ifón”, do carnavalesco Leandro Vieira, realizará a entrega da sinopse no próximo dia 27 de maio.
Veja o cronograma da disputa de samba:
27/05 – Entrega da sinopse
11/06 – Tira Dúvidas
25/06 – Tira Dúvidas
02/07 – Tira Dúvidas
16/07- Tira Dúvidas
30/07- Tira Dúvidas
06/08 – Audição
29/08 – Divulgação dos Sambas
07/09 – Apresentação Oficial
13/09 – Eliminatórias
20/09 – Eliminatórias
27/09 – Oitavas de final
04/10 – Quartas de final
12/10 – Semi-final
21/10 – Final
Em encontro com os compositores da “Ala Ary do Cavaco”, na noite de quarta-feira, a Portela apresenta o regulamento do concurso de samba-enredo para o Carnaval 2025. Não será permitido que parcerias façam camisas da parceria e os compositores seguem liberados de concorrerem em outras agremiações. Além disso, a Majestade do Samba indicou outras regras. Veja abaixo.
Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
– Os poetas não cadastrados na Ala de Compositor Ary do Cavaco e que participarem deste concurso não terão ingresso (inclusão) automático na ala. Também não terão carteirinhas e nem blusa da ala. Além disso, não terão o direito de ensaiar nem desfilar no Carnaval 2025;
– As parcerias terão a liberdade para contratar qualquer intérprete (cantor) de sua preferência, para a gravação de seus CDs, clipes ou apresentações no palco, respeitando o limite máximo de 01 (um) intérprete oficial de agremiação do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Não será permitida a contratação do intérprete oficial do G.R.E.S. Portela;
– Cada parceria deverá possuir, no máximo, 07 (sete) compositores, sendo que, para garantir a isenção da taxa de inscrição, 03 (três) destes deverão estar cadastrados na Ala de Compositores Ary do Cavaco;
– As parcerias se apresentarão com, no máximo, quatro cantores e quatromúsicos, excetuando os “músicos do pedal” cedidos pela escola;
– A inscrição do samba concorrente será gratuita para as parcerias que apresentarem, no mínimo, de 03 (três) componentes cadastrados na Ala de Compositores Ary do Cavaco. Com menos de três componentes da ala, será cobrada uma taxa será de 2.000,00 (dois mil reais);
– A data de entrega das obras é 10/07/2024, na quadra da Portela, com início às 16h e término às 22h;
– Nas apresentações iniciais dos sambas, ficam proibidos o uso de alegorias, papel picado, adereços e similares de qualquer natureza.Também não é permitido a utilização de fogos e sinalizadores dentro e fora das dependências da Portela;
– Fica proibido a confecção e distribuição de camisas das parcerias concorrentes para o público/torcida, sendo permitido apenas uniformizar os compositores e músicos no palco, observando, neste último caso, a proibição de manifesta propaganda comercial ou eleitoral;
– Na semifinal e final mantém-se a proibição para o uso de bambus em bandeirões, poiselesoferecem risco para a segurança do público e prejudicam a visibilidadedos camarotes superiores. As hastes para as bandeiras de mão das torcidas terão que ser de plástico, sendo proibidashastes de madeiras, bambus e PVC;
– Na semifinal e final os fogos permanecem proibidos. Estão liberados o papel picado e as máquinas de serpentina, desde que não utilizem a rede elétrica da quadra. Também não será permitido reduzir, apagar ou alterar a luz da quadra, que deverá ser igual para a apresentação de todas as parcerias;
– As faixas e bandeiras de apoio às parcerias somente serão permitidas na semifinal e final, devendo ser estendidas nas LATERAIS e na PARTE EXTERNA da quadra, sem encobrir as placas de publicidades ou prejudicar a visão do público. Não são permitidas no palco;
– Fica proibido, em qualquer fase da disputa, utilizar o palco para apresentações teatrais, bem como a presença de personagens fantasiados, excetuando os músicos, os cantores ou os próprios compositores;
– Fica proibida, em qualquer fase da disputa, a utilização de qualquer efeito especial no palco, sejam jogos de luzes, fumaças ou qualquer efeito sonoro, ligado ou não à mesa de som;
– Fica proibido, em todas as fases da disputa, cantar alusivos antes das apresentações dos sambas, estando permitindo apenas o grito de guerra do intérprete principal;
– Os compositores concorrentes terão total responsabilidade quanto ao comportamento de suas torcidas, sob a pena de sofrer desclassificação e perda ao direito de premiação. Qualquer ocorrência irregular ou violenta será julgada e punida pela diretoria do G.R.E.S.PORTELA;
– Fica proibidaa participação de membros da Diretoria Executiva, liderança de segmentos e prestadores de serviço do G.R.E.S. Portela em qualquer “torcida de samba”, sob a pena de exclusão dos quadros da agremiação. Esta proibição inclui a possível contratação de coreógrafos e/ou diretores de ala que arregimentam, de maneira espontânea ou remunerada, componentes da agremiação para participar de qualquer “torcida de samba”. Está permitida, entretanto, para os grupos que não necessitam manter a isenção e a imparcialidade, a livre manifestação da opinião.
A próxima terça-feira será de festa na quadra da Imperatriz Leopoldinense. Em homenagem a São Jorge, a Rainha de Ramos realizará sua tradicional feijoada com um super show de Mumuzinho.
Foto: Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz
Além do cantor, a edição deste mês terá a participação de DJ Peyper, do Grupo Segura Nega, e apresentação do Pagode do Mestre Lolo e de todos os segmentos da verde, branco, e ouro da Zona da Leopoldina.
As mesas do evento já estão esgotadas, e os camarotes disponíveis, nas últimas unidades.
Os portões da “Feijoada da Rainha” para o Santo Guerreiro abrem às 13h, e a venda de ingressos acontece pela plataforma SYMPLA.
Camarotes: (21) 98317-6137
A quadra da Imperatriz Leopoldinense fica na Rua Professor Lacé, 235, em Ramos.
A bateria “Pura Cadência”, da Unidos da Tijuca, foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Rio. Iniciativa da deputada estadual Verônica Lima, o Projeto de Lei nº 3334/2024 foi publicado no Diário Oficial do município no dia 10 de abril.
Foto: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
A “Pura Cadência”, como é chamada, é comandada desde 2008 por mestre Casagrande e chegou a ficar por 13 anos consecutivos sem despontuar qualquer décimo, retornando ao feito no último carnaval. A bateria da Unidos da Tijuca possui atualmente 272 ritmistas e tem como padroeira Nossa Senhora Aparecida. Para o Carnaval 2025, os ritmistas ainda estão de férias e retornarão aos ensaios em julho, sempre às quintas-feiras até o carnaval.
Confira a justificativa da deputada Verônica Lima para o feito:
“A partir do Século XX, a cadeia montanhosa da Tijuca passou a ser habitada por escravos, descendentes e alforriados que deixavam para trás a falida zona cafeeira do Vale do Paraíba.Nesta época que as famílias dos fundadores da Escola – os Moraes, os Chagas, os Santos e os Vasconcelos – se instalaram no complexo de morros do Borel. A agremiação foi criada a partir da fusão de quatro blocos existentes nos morros da Casa Branca da Formiga e Ilha dos Velhacos. Em 1931, no dia 31 de dezembro, na subida da Rua São Miguel, 130, na casa 20, da família Vasconcelos, homens e mulheres se uniram para fundar a Unidos da Tijuca.
O Grêmio Recreativo Escola de Samba (G.R.E.S) Unidos da Tijuca – é a terceira Escola mais antiga do Rio de Janeiro. Sua tradição democrática remonta à origem da Escola, com seus componentes operários da Fábrica de Cigarros Souza Cruz, da Fábrica de Tecidos Maracanã, do Lanifício Alto da Boa Vista, da Fábrica de Tecidos Covilhã e de outras fábricas de menor porte localizadas nos arredores. A Unidos da Tijuca mantém uma tradição de que muito se orgulha: a de ter nos seus quadros (componentes, ritmistas, passistas, baianas e pessoal de apoio) pessoas de todas as classes sociais, culturais e econômicas do Rio de Janeiro
Uma característica marcante da bateria da Escola, conhecida como “Pura Cadência”, além do próprio andamento mais para trás e da bela afinação de surdos, é uma batida de caixas uníssona, consistente e com ampla ressonância acústica. Ressonância acústica é um termo físico que explica a propagação de sons emitidos com a mesma frequência, o que ocasiona um drástico aumento na amplitude. Isso ocorre devido aos caixeiros tijucanos emitirem um som limpo, uniforme e ressonante, enquanto tocam praticamente no mesmo volume, de forma leve e equilibrada.
O ressoar das caixas da Tijuca serve como base sonora para os demais naipes do ritmo. A filosofia musical de tirar som da peça, sem dar pancada no instrumento auxilia demais na exibição de um alto padrão musical das caixas, bem como no restante da bateria. Esse é um dos nortes dentro da bateria tijucana, produção de ritmo com leveza, disciplina e educação musical. A preocupação é garantir que a musicalidade de cada naipe agregue valor sonoro ao conjunto da bateria.
Outra identidade musical da bateria da Tijuca diz respeito à ala de tamborins, com ritmistas mesclando os toques de dois por um (2×1) e três por um (3×1). Essa união rítmica de batidas distintas impacta positivamente o já destacado naipe de caixas de guerra, permitindo uma coesão musical. Com simplicidade e funcionalidade, as convenções rítmicas dos tamborins se pautam por aproveitar as nuances melódicas do samba-enredo da escola. Uma ala de tamborim que prefere não inventar muito, visando o impacto musical que pode agregar ao ritmo, sempre casando as batidas com o que a melodia da obra tijucana pede”
Em seu discurso na cerimônia de premiação do Estrela do Carnaval 2024, no último domingo, no Imperator, o carnavalesco Antônio Gonzaga, que divide com André Rodrigues a responsabilidade pelo desfile da Portela, citou a importância do livro “Um defeito de cor” para o enredo da escola de Oswaldo Cruz e Madureira no desfile deste ano. A Majestade do Samba terminou na quinta colocação no Grupo Especial e no Estrela do Carnaval foi premiada em duas categorias: “Melhor Enredo do Grupo Especial” e “Rainha de Bateria” para Bianca Monteiro.
“Esse prêmio significa muito para a gente. Entendemos a importância do enredo, da narrativa, e a gente entende que esse enredo ressalta a intelectualidade preta. Somos dois carnavalescos pretos. O nosso enredo é baseado no livro de uma mulher preta, uma das maiores autoras desse país, a Ana Maria Gonçalves. Ela também é autora desse enredo, porque sem esse livro dela, sem a obra dela que é tão importante para gente entender a nossa própria história, o enredo da Portela não existiria e o carnaval da Portela não existiria”.
Foto: Magaiver Fernandes/CARNAVALESCO
O livro “Um defeito de cor”, da autora Ana Maria Gonçalves, esgotou no estoque da Estante Virtual – maior marketplace de livros do Brasil – após o desfile da Portela. As vendas cresceram 3.300% desde a data em que a escola dpassou pela Marquês de Sapucaí com o enredo inspirado na obra, lançada em 2006.
O livro conta a história de Kehinde, uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. A história inspirou o desfile da Portela neste carnaval, que contou com a participação de figuras importantes na luta contra o racismo, entre elas, o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, e Marinete Silva, mãe de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada em 2018.
No próximo dia 23, terça que vem, a Viradouro festeja o Dia de São Jorge, promovendo a tradicional feijoada para celebrar o Santo Guerreiro. A programação, que vai começar às 14h, terá várias atrações musicais, entre elas a Portela.
A escola de Oswaldo Cruz e Madureira estará na quadra da Viradouro com seus segmentos, que irão se apresentar ao som dos grandes sambas-enredo que a azul e branco levou à Avenida. No evento, mestre Ciça, líder da bateria da atual campeã do Carnaval, vai receber o portelense Nilo Sérgio e os ritmistas da Tabajara do Samba. Os segmentos da escola de Niterói também vão dar show, tendo como trilha sonora as obras mais marcantes da agremiação na voz do intérprete Wander Pires. A programação musical inclui ainda shows o Grupo Arruda e da cantora Mariana Braga, além do DJ Fernando Falcão.
O ingresso custa R$ 30 e pode ser comprado antecipadamente na secretária da quadra, que fica na Avenida do Contorno, 16, no Barreto, Niterói. O prato de feijoada, servido até 17h, sai por R$ 25. A classificação etária é 6 anos, com menores acompanhados por responsáveis. Informações pelo 21-28280658.
Foto: Divulgação
Viradouro recebe a Portela na Feijoada de São Jorge
Data: 23/04
Horário: 14h
Local: Quadra da Viradouro, Av, do Contorno, 16, Barreto, Niterói
Atrações: Shows da Viradouro, da Portela, do Grupo Arruda, Mariana Braga e DJ Fernando Falcão.
Ingresso: R$ 30
Prato de feijoada (servido até 17h): R$ 25
Classificação etária: 6 anos, com menores acompanhados por responsáveis
Informações: 21-28280658
A FARM Rio celebra nesta quarta-feira sua recém chegada em Londres com um super evento que eleva a experiência com sons e sabores do Brasil, levando através da Estação Primeira de Mangueira Mangueira a essência do Carnaval brasileiro para a cidade. “Nós estamos no mundo, mas sempre exaltando as raízes do Brasil, que são fruto de toda inspiração para nossa estamparia. Vamos celebrar essa chegada em UK com samba e muita brasilidade. Com a FARM, pode ter certeza que até os dias nublados em Londres nunca mais vão ser os mesmos!”, diz Katia Barros, co-fundadora e diretora criativa da marca.
Foto: JM Arruda/Divulgação Mangueira
A marca escolheu o Sessions Arts Club para sediar a festa, um santuário urbano situado em um prédio histórico de Londres, que abriga um restaurante e bar, além de ser um espaço de arte e performances. O evento, que marca a chegada da coleção de Primavera- Verão/ 24, conta com projeções vívidas que marcam o espaço com o espírito brilhante da natureza, criando uma experiência envolvente através do universo de estampas coloridas e florais da marca.
“Com quase cem anos, prestes a completar 96, é importante ver nossa escola ocupando sempre novos espaços, levando nossa cultura e um pouco do nosso carnaval cada vez mais longe”, avalia Thiago Firmino, vice-presidente de Eventos da Mangueira. “Só temos a agradecer pelo convite”, conclui.
A festa é fechada para influenciadores, amigos e parceiros de negócios da marca.
Dando continuidade ao seu preparo para o Carnaval 2025, a Unidos de Bangu anuncia a renovação da coordenadora da ala de passistas, Ellen Beatriz. Ela irá para o seu sétimo ano na agremiação. Ellen expressou sua alegria e gratidão por continuar na Unidos de Bangu:
“Este ano completo sete anos na escola, e a cada ano, a cada trabalho entregue, sinto-me fortalecida para os desafios seguintes. Estou entusiasmada para somar junto ao mais antigo pavilhão da Zona Oeste, proporcionando carnavais inesquecíveis”.
A Vizinha Faladeira anuncia a contratação do o experiente Luiz Carlos Amâncio para a direção geral de Harmonia para o desfile do ano que vem. No Carnaval de 2024, ele atuou como diretor geral de harmonia da Tuiuti e Unidos da Piedade em Vitória, mostrando sua versatilidade e competência.
Sua história no carnaval começou como integrante da bateria, mas seu potencial o levou a papéis de destaque em diversas escolas renomadas, incluindo Unidos da Tijuca, Viradouro e Grande Rio, além de uma passagem pela própria Tradição. Com passagens marcantes como mestre de bateria na Vila Rica de Copacabana, Luiz diversificou suas habilidades ao assumir cargos de destaque na área de harmonia em escolas como Imperatriz Leopoldinense e Boi da Ilha. O currículo de Luiz traz experiência como diretor geral de harmonia em várias agremiações de peso, como Império da Tijuca, Cubango e Inocentes de Belford Roxo.
Foto: Divulgação
Ao comentar sobre sua nova posição na Vizinha Faladeira, Luiz expressou sua determinação em colaborar com toda a diretoria para levar a escola de volta à Sapucaí. Ele também mencionou a parceria de longa data com seu amigo Bira, que o acompanha há 12 anos, prometendo trabalhar em conjunto para alcançar o sucesso.
Além de seu papel na Vizinha Faladeira, Luiz enfrentará o desafio duplo no Carnaval de 2025, assumindo também a direção de harmonia na Tradição, que retorna à Marquês de Sapucaí.
Muitos pensam que o encerramento dos desfiles de escolas de samba de São Paulo em 2024 não teria arquibancadas cheias nem emoção já na manhã do domingo de carnaval. Não poderia existir engano maior. Com o fortíssimo e culturalíssimo enredo “Ifá”, o samba-enredo ganhou destaque e conquistou o prêmio Estrela do Carnaval. Para falar sobre temas ligados à canção, o CARNAVALESCO, organizador da honraria, entrevistou dos dois compositores da obra: Carlos Bebeto e Macaco Branco. A festa de premiação será realizada na segunda-feira, dia 22 de abril, a partir das 18h, no Pratifaria Bar – Avenida Brig. Faria Lima, 2627 – Jardim Paulistano. * COMPRE AQUI SEU INGRESSO
Paixão pela obra
A entrevista com Carlos Bebeto foi realizada por telefone. Ao adicionar o número do compositor, a reportagem, por curiosidade, clicou para ver qual seria a frase de apresentação do mesmo no WhatsApp. Eis que ela se revelou: “Epá Oju Olorun, Ifá ó Exú agô!” – nada mais, nada menos que os primeiros versos após o refrão do próprio samba-enredo. Mais do que isso: logo ao entrar em contato com o compositor, ele já falou um pouco sobre a sensação de conquistar o Estrela do Carnaval: “Estamos extremamente felizes e orgulhosos do resultado! Nossa obra proporcionou à comunidade da Cantareira tirar nota máxima – e ajudar a escola foi imensurável. Agora, ser premiado por um dos principais sites em uma premiação do carnaval de São Paulo é um momento ímpar em nossas vidas que será eternizado. Toda a gratidão a vocês. Foi realmente uma sensação inesquecível e uma sensação maravilhosa: todos os principais compositores do Brasil disputaram a eliminatória”, comemorou.
Palavras semelhantes foram ditas por Macaco Branco – que, além de compositor, também é mestre de bateria da Swingueira de Noel, da Unidos de Vila Isabel, vencedor do Estrela do Carnaval carioca do segmento em 2024 e ouvido pela reportagem na premiação. “É uma gratidão imensa ganhar um prêmio de tamanho grandeza que é o Estrela do Carnaval, do CARNAVALESCO, que é o site mais conceituado do nosso Carnaval e que temos um grande respeito, já que cobre o carnaval de ponta a ponta do nosso país. Esse reconhecimento é maravilhoso. Graças a Deus fomos felizes com os arranjos, com o trabalho que fizemos esse ano, então fomos agraciados pelo nosso trabalho”, pontuou.
Ao falar sobre como foi o processo de construção da obra, Macaco Branco revelou que ficou sabendo da história a ser contada pela Acadêmicos do Tucuruvi no site que você lê neste momento. Ele também aproveitou para falar sobre o quanto a religiosidade é importante para ele – e, graças a essa vivência, veio a inspiração para tal samba: “Na verdade, quando saiu o enredo, eu vi o lançamento no CARNAVALESCO mesmo, porque eu estou muito antenado e ligado no que está rolando. E, quando eu vi o enredo sobre Ifá, eu falei que tinha que voltar a compor. Já tinha sido tricampeão na União do Parque Curicica junto com o Carlos Bebeto… e eu sou um apaixonado por Ifá. Não sou iniciado no Ifá, mas sou iniciado no Candomblé de Nação Angola [também conhecido como banto]. Decidi chamar o Bebeto, que é meu parceiro, para poder fazer essa homenagem para Ifá. Na verdade, não sabia se ia ganhar ou se ia perder, mas o importante era o amor e o carinho pelo que podemos fazer com a obra e com a poesia para poder saudar Ifá. E, graças a Deus, nosso samba foi escolhido por Ifá para ser o samba que ia defender a escola na avenida. Graças a Deus foi cotado como um dos melhores sambas do carnaval, ajudou muito a escola e ganhamos o Estrela do Carnaval. Então, para mim, é um presente divino de Ifá, de Orunmilá. Eu só tenho a agradecer a Deus e aos meus orixás por ter a honra de ter ganho o Estrela do Carnaval aqui no Rio de Janeiro, com a melhor bateria, e de samba-enredo em São Paulo. Eu sou um cara muito feliz”, relembrou.
Fotos: Felipe Araujo/Liga-SP
Carlos Bebeto aproveitou para pontuar que, mesmo sendo o único paulistano da parceria, não sabia se a eliminatória seria fácil por conta de tal característica. “O trabalho para a composição parte primeiramente do meu irmão, amigo e parceiro de composição Macaco Branco, que é iniciado na religião. Quando ele viu o enredo, me propôs este desafio. Fiquei ressabiado por ainda não ter nenhum tipo de contato na Tucuruvi – mesmo nascendo em São Paulo e morando no Rio de Janeiro. Quando saiu a sinopse, eu, que sou pós-graduando em História, me encantei. Como sou apaixonado pelas religiões de matriz africana, comecei a criar e canetar junto do meu parceiro Macaco Branco. Nesse momento, chamei meus parceiros compositores da Unidos de Vila Isabel para fecharmos a parceria. E, graças a Deus, o resultado foi esse samba maravilhoso”, pontuou.
Histórias no carnaval paulistano
Mesmo morando atualmente no Rio de Janeiro (ele, atualmente, é pós-graduando em Ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira no IFRJ), o primeiro contato de Carlos Bebeto com as agremiações foi na cidade-natal do compositor: “Nasci em São Paulo, na Zona Leste, na região de Itaquera, e me mudei com minha mãe ainda criança para o Extremo Leste do município, na Cidade Tiradentes. Meu primeiro contato com o carnaval foi através da paixão da minha mãe com o Vai-Vai e na escola de samba do meu então bairro, a Princípe Negro. Comecei na agremiação onde morava em 95 em uma ala, depois na bateria, fui compositor e até mesmo intérprete oficial em 2003. Mas eu sabia que cantar não era o meu quadrado… em 1998 tentei desfilar no Vai-Vai e, em 1999, nos Gaviões – mas não consegui em ambos. Em 2000, me tornei ritmista dos Gaviões, onde permaneci até 2004 – e me tornei Ritmista do Vai-Vai. Na Saracura fiquei até 2017 e, paralelamente a isso, ganhei três sambas na Príncipe Negro, um na Dom Bosco e, em 2015, no Amizade Zona Leste. Perdi três finais seguidas na Nenê, uma no Morro da Casa Verde e uma disputa nos Gaviões em 2019, o que me fez desistir de compor em São Paulo. Isso até Papai do Céu (ou melhor, Ifá) colocar a Acadêmicos do Tucuruvi na minha vida”, contou.
Mesmo carioca da gema, não foi a primeira vez que Macaco Branco participou de eliminatórias paulistanas. Em 2020 e em 2022, respectivamente, ele também teve composições em São Paulo, em escolas do Grupo Especial: “Eu já tinha feito samba, já tinha disputado samba nos Gaviões da Fiel, na Acadêmicos do Tatuapé. Nos Gaviões da Fiel foi sobre o amor, o carnavalesco era o Paulo Barros. Na Tatuapé, era sobre Preto Velho, também. Fiz o samba por ser um samba sobre a nossa ancestralidade. E, agora, sobre Ifá, no Tucuruvi, que é uma escola que eu tenho um carinho imenso, pude aprender a conhecer a comunidade. Tem pessoas lá que eu admiro pra caramba, como o Mestre Serginho, que é um grande mestre, um dos maiores mestres de bateria do Brasil. Quero deixar um abraço para a galera do Zaca, para o presidente, para a diretoria de carnaval, para todos os passistas, para a galera da comunidade: se não fosse eles, nada disso seria possível. Não adianta você ter um grande samba, um samba excelente, se você não tiver os componentes ali imbuídos em fazer isso acontecer na avenida. Graças a Deus conseguimos fazer um ritual maravilhoso para ensinar o carnaval de São Paulo com o nosso samba sobre Ifá”, destacou.
Vem mais por aí?
Durante a conversa com a reportagem, Carlos Bebeto destacou que, ao menos ele, não pretende se afastar das eliminatórias paulistana. E, perguntado se ele estaria novamente presente nas eliminatórias da Acadêmicos do Tucuruvi (unânime na opinião dos sambistas paulistanos como a mais forte em 2024), fez mistério: “Se Deus quiser, em 2025, será outra paulada. Se teremos outro samba ou não… aguarde e verás! “NoIlêDaCantareiraSouFeliz”, finalizou.
É importante destacar que o Zaca, como a escola é popularmente conhecida, já tem enredo para 2025: trata-se de “Assojaba – A Busca pelo Manto”, que relata a história dos raríssimos mantos tupinambás produzidos no período colonial brasileiro.