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Bateria da Botafogo Samba Clube inicia ensaios nesta sexta-feira

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Dando o pontapé inicial na temporada, a bateria da Botafogo Samba Clube, a Ritmo Alvinegro, iniciará os seus ensaios nesta sexta-feira. Os encontros semanais acontecerão no setor oeste do estádio Nilton Santos, a partir das 20h. Após semanas de oficinas, o segmento, comandado pelo mestre Branco Ribeiro, dará início na busca dos 40 pontos na Marquês de Sapucaí.

bateria botafogo
Foto: Wallace Lima/Divulgação Botafogo Samba Clube

“Estávamos contando os dias para dar início aos nossos ensaios, pois no próximo mês teremos pela frente a disputa de samba, e logo após os ensaios, então só paramos após o desfile. Eu, minha diretoria e todos os ritmistas não mediremos esforços para incendiarmos a Marquês de Sapucaí”, revela o mestre Branco.

Os ensaios também são abertos para todos que queiram integrar a bateria, mas para isso os mesmos devem saber já tocar algum instrumento.

Paraíso do Tuiuti realiza batizado de escola mirim neste domingo

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O futuro começa agora e está garantido. O Paraíso do Tuiuti criou sua própria escola de samba mirim. Nas cores da escola raiz, azul e amarelo, O Grêmio Recreativo Escola de Samba Mirim Os Netinhos do Tuiuti teve a fundação no último dia 13 de maio. A cerimônia de batismo ocorre neste domingo, dia 9 de junho, com uma festa no Morro do Tuiuti, em São Cristóvão, a partir das 15h.

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Foto: ImaginaRio/Divulgação

Como manda a tradição no mundo do samba, em que todas as escolas têm uma madrinha, Os Netinhos serão apadrinhados pela Mangueira do Amanhã, agremiação mirim da Verde e Rosa.

“Eu tinha essa vontade de criar uma escola mirim há 16 anos. E nada como ser pelo tempo de Deus. Agora, nasceu a nossa escola mirim para formar os futuros sambistas da escola-mãe. Teremos casal de mestre-sala e porta-bandeira, passistas, mestre de bateria… O amanhã começou!”, afirmou Renato Thor, presidente do Paraíso do Tuiuti.

Neste primeiro momento, Os Netinhos desfilarão com 500 componentes.

A festa de batismo será gratuita e vai acontecer na quadra do Quebra Tudo, no Morro do Tuiuti, bairro de São Cristóvão, Zona Norte do Rio.

Arranco leva comitiva para visitar Salvador e projetar desfile do Carnaval 2025

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arranco salvador
Foto: Divulgação/Arranco

Em comitiva especial por Salvador, na Bahia, o Arranco está visitando lugares específicos em busca de inspirações e vivências para contar o enredo do Carnaval de 2025 “Mães que alimentam o sagrado”. Com a presença da carnavalesca Annik Salmon, da presidente Tatiana Santos e demais profissionais da escola, a viagem faz parte do roteiro de pesquisa de aprofundamento do enredo.

Sinopse do enredo do Arranco para o Carnaval 2025

Conheça o enredo da Acadêmicos de Santa Cruz para o Carnaval 2025

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Em evento realizado na noite da última quarta-feira, a Acadêmicos de Santa Cruz recebeu seus segmentos e a comunidade e apresentou o enredo para o Carnaval 2025. A verde e branco da Zona Oeste levará para a Avenida “Os Sagrados Altares Tupiniquins”, de autoria e desenvolvimento do carnavalesco Cid Carvalho.

logo santacruz2025

“Este enredo é o fechamento de uma trilogia que iniciei em 2023, que começou com a degradação do território Yanomami, passando pelo último carnaval abordando o machismo como mal histórico, através do enredo sobre as bruxas, e agora com os altares Tupiniquins, que vai falar de três principais aspectos: Da fé católica e as crenças dos povos originários e negros escravizados, mostrando como elas se misturaram resultando em diversas manifestações culturais, nos levando a conscientização de que é fundamental respeitarmos a fé de cada um, independente dos dogmas impostos pelas religiões”, disse o carnavalesco.

No domingo, a partir das 14h, será realizada a primeira feijoada da temporada, com a apresentação da nova equipe de carnaval e participações das coirmãs Unidos de Bangu e da atual campeã da Serie Ouro, Unidos de Padre Miguel. A entrada custará R$ 2,00 ou 1kg de alimento não perecível. O prato de feijoada será vendido a R$ 15,00 e aluguel de mesas, com feijoada inclusa sai a R$ 60,00. A quadra de ensaios fica na Rua do Império 573 – Santa Cruz.

Confira a sinopse

Benditos sejam os ventos do progresso que dispersaram as nuvens da ignorância e fizeram resplandecer a luz do Renascimento sobre as trevas medievais, revelando a nova era do conhecimento, da valorização da ciência e da razão que, como uma poderosa onda, banhou o “Velho Continente”, embebendo-o da necessidade de navegar e desvendar os mistérios para além do “Mar Tenebroso”.

Então, abençoados por Nossa Senhora da Esperança, destemidos navegadores se aventuraram nas águas do Oceano Atlântico, que a desgastada imaginação medieval ainda acreditava serem habitadas por misteriosos seres marinhos.

Depois de 44 dias enfrentando os próprios medos, tormentas, calmarias e doenças, desembarcaram no “Novo Mundo” intocado e fascinante. Naquele cenário edênico, ergueram a cruz, montaram o altar e, diante do espanto dos navios, rezaram ali a primeira missa em nome do Deus cristão e do Reino de Portugal. Para aquela gente de pele avermelhada, aquele ritual estranho não fazia o menor sentido, porque eles acreditavam em Tupã, o Deus dos trovões; o seu altar era a própria natureza.

Eram aos rios, aos espíritos dos animais, ao poder curativo das plantas e à energia do sol, da lua e das estrelas, que os Pajés Anciões recorriam em seus rituais para conter doenças, para clamar por boas colheitas e fartura na caça, para vencer inimigos nas guerras e para celebrar os antepassados.

E os nativos, desnudos, livres e felizes, cantavam e dançavam para os seus deuses, despertando o velho imaginário europeu que, alimentado pela crença na existência de um Paraíso Terrestre e de um Inferno, se manifestou entre o encantado e o assustado.

Na carta de batismo das terras “descobertas”, Caminha, o escrivão da frota de Cabral, envolve os povos originários numa atmosfera de candura e ingenuidade, comparando-os a Adão e Eva, e as paragens, aos Jardins do Éden; já as crônicas escritas posteriormente, qualificariam os indígenas, como luxuriosos e pecadores, criaturas sem leis, sem alma e sem rei; polígamos, com suas “vergonhas à mostra”, portanto “selvagens” ao ponto de representar quase a não-humanidade.

Diante dessa visão religiosa equivocada e preconceituosa, para os católicos portugueses não havia pecado em escravizar os indígenas em nome do lucro a qualquer custo. Porém, os “gentios”, que viviam em total liberdade, fugiam do trabalho forçado se embrenhando nas matas e, protegidos pelos deuses da natureza, jamais retornavam ao cativeiro.

Então, a crescente necessidade de mão de obra para as fazendas de cana-de-açúcar, fez a ganância colonial lusitana virar-se, então, para o continente africano.

Arrancados à força da terra natal, transformados em prisioneiros e jogados nos tumbeiros, os africanos atravessaram a Calunga Grande em viagens longas e desumanas onde muitos não resistiam e tinham os corpos jogados no oceano.

Ao chegarem aqui, os sobreviventes escravizados de distintas regiões da África traziam consigo diversas crenças que se entrelaçaram no terreiro colonial, modificando totalmente o cenário religioso com as suas divindades. Não raro, os representantes da Igreja Católica tentavam reprimir aqueles rituais que aconteciam nas senzalas, com seus batuques, cantos danças e rezas, diante dos “assentamentos” e altares improvisados.

É bem verdade que no caso da escravidão, a terra, assim como o mar, também tragou os corpos de milhares de cativos. Mas, Calunga Grande é o mar de Iemanjá, é a mãe que acolhe, é a enormidade de seu destino e de seu horizonte; Calunga Pequena é a terra de Omolu, o guardião da vida e da morte, e onde os corpos voltam a ser sementes.

Assim, mesmo diante de severa perseguição, as crenças dos negros escravizados e dos povos originários, encontram meios para sobreviver à imposição da fé cristã pelos colonizadores. E, mais ainda, se misturaram, tecendo uma religião sincretizada, com alma brasileira.

Mas, quem já passou pelas encruzilhadas sabe escolher os caminhos!

Com o tempo, essa mistura de crenças passou a fazer das ruas, os seus altares mais originais, manifestando-se nas tradições populares, no folclore, nas festas dos santos padroeiros, numa simbiose entre o sagrado e o profano, revelando através da festa do Divino Espírito Santo, do Reisado, da Cavalhada, dos Maracatus e dos Caboclinhos, essa extraordinária riqueza cultural.

E é em nome dessa riqueza, símbolo da miscigenação do povo desse país, que rogo aos deuses que abençoem a nossa agremiação para que a sua bandeira continue tremulando em nome de todos os perseguidos de ontem e de hoje, consagrando-a como guardiã desse imenso santuário tupiniquim.

Que a sua coroa, símbolo da sua história, resplandeça junto à coroa de Mãe Senhora de Aparecida e, juntamente com o poder das Yabás e os mistérios da Mãe D’água, nos guiem como matriarcas que são, porque toda mãe carrega o eterno; e façam de cada um de nós, filhos bem-aventurados e mensageiros da liberdade de credo.

É chegado o momento de colocarmos o que foi quebrado pela intolerância e pelo racismo religioso; de unirmos os retalhos, os pedaços sagrados de fé e esperança, e então entoarmos o nosso samba como um hino de paz, composto com a força dos versos sonoros de uma “Carta de Amor”.

Porque nós não andamos sós!
Eu, eu não ando só!

… “Eu tenho Zumbi, Besouro
O chefe dos Tupis, sou Tupinambá
Tenho os erês, caboclo boiadeiro, mãos de cura
Morubixabas, cocares, flechas e altares
A velocidade da luz, o escuro da mata escura
O breu, o silêncio, a espera
Eu tenho Jesus, Maria e José
Todos os pajés em minha companhia
O menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos
O poeta me contou”…

O poeta me contou que foi esse mesmo menino Deus, que brincando e dormindo nos meus sonhos, me levou aos pés da Santa Cruz e me fez acreditar que é possível.

Cid Carvalho
Carnavalesco

Opinião: escolas de samba entram na imersão dos enredos para o Carnaval 2025

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Sinopse do enredo do Salgueiro para o Carnaval 2025

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Enredo: “Salgueiro de Corpo Fechado”

Salve Deus

Corpo Fechado. Imune, invulnerável, à prova de bala, faca, coice de animal, graças a processos secretos de feitiçaria tradicional. O corpo fechado pode resultar de amuletos usados ao pescoço, livrando o portador de todos os perigos, morte súbita, prisão, agravo (injúria), ou por se ter submetido ao cerimonial do feitiço, muamba, catimbó, macumba, de variadas formas, quase dependendo de cada mestre a maneira e cerimonial do ato. Em geral, há o auxílio de cânticos rituais, sacrifícios de animais, velas etc.

Feitiço. Mandinga. Quebranto. Só ele sabe rezar. O preto velho mandingueiro veio para trabalhar. Adorei as Almas! Sempre no nosso caminho, aliviando qualquer penar.

Senhor Marabô, Exu dono da minha porteira, é aquele que vence toda demanda. Traz Exu Pimenta também para nos ajudar. Sentinela de Xangô, o meu protetor, firma ponto, ponto de fé.

Mau-olhado, espinhela caída, erisipela, vento virado, peito arrotado. Sai pra lá! Tenho meu corpo cruzado, fechado.

Sem medo de macumba, sem medo de quiumba, o Salgueiro prepara o tacho de óleo de oliva, arruda, guiné, alecrim, carqueja, alho e cravo. Com o sinal da cruz na fronte, no peito, nas mãos e nos pés, nossa escola vai entrar na maior encruzilhada do mundo, a Marquês de Sapucaí, de corpo fechado. A história e cultura do fechamento do corpo está inserida em um conjunto de crendices presente em religiões africanas e européias que sobreviveram à travessia do Atlântico.

Ao longo do tempo, o pacto para a proteção do corpo se diversifica e caminha com nuances próprias nas pequenas cidades do interior, na zona rural, na periferia, na cidade grande. Territórios de um mundo mágico-religioso, povoado de rezas, crenças, simpatias e benzeções.

A crença na invulnerabilidade chegou ao Brasil por meio dos mandingos escravizados, do antigo Império Mali, que eram ao mesmo tempo guerreiros, feiticeiros e seguidores do islamismo. Do nome desse povo, veio o termo mandinga, no sentido de feitiço, mágica, coisa-feita, despacho. Embora fosse seguidor da religião islâmica, o fundador do Império Mali, Sundiata Keita, possuía, conforme se acreditava, poderes mágicos vindos dos amuletos que utilizava. As chamadas bolsas de mandinga eram costuradas em pano ou couro com passagens do Alcorão, portadas junto ao corpo para trazer proteção e poder, que se intensificavam em proporção direta ao número de talismãs usados.

Trazidas à Colônia, foram adaptadas como “patuás terapêuticos” contra “males” do corpo e da alma. Supunha-se que as bolsas de mandinga tinham propriedades de cura e que fechavam o corpo contra doenças e feitiços. Na Bahia, as passagens corânicas foram substituídas por orações cristãs, acrescidas ainda de diversos elementos, como balas de chumbo, pedra de corisco, pólvora, olho de gato, osso de defunto, moedas de prata, sangue humano e de animais. A potência das mandingas estava no ritual que lhes conferia um poder místico após sua confecção. Eram cozidas dentro de bolsas e defumadas com incensos e ervas para depois serem benzidas e enterradas em encruzilhadas à meia-noite ou depositadas debaixo do altar de uma igreja para em cima delas serem rezadas três missas, o que as tornaria ainda mais poderosas. Além de acreditarem ter o corpo fechado ao usá-las, muitos daqueles que traziam tais objetos em volta do pescoço esperavam também que lhes trouxessem dinheiro, sorte e mulheres.

Da mesma forma, no sertão, existia a ideia de que o corpo do cangaceiro era magicamente fechado, protegido contra armas e munição. Muito supersticiosos, estruturavam suas vidas de acordo com uma série de rituais. Tinham obsessão por cobrir os próprios corpos com símbolos, emblemas e orações protetoras: estrelas posicionadas na frente e no verso de chapéus protegiam contra o olho gordo; as estrelas de oito pontas recordavam a macambira, uma planta espinhosa comum na região, que ninguém tocava; a flor-de-lis, representação do lírio, era um símbolo de pureza, atributo ironicamente admirado pelos bandidos. Crucifixos, rosários, o manto da Virgem Maria… Os sertanejos constituíram assim seu próprio “manto sagrado”, todos armados de mosquetões, excentricamente adornados, para cobrir o corpo masculino “aberto” pela mulher.

Moreno, um cabra bem famoso, o feiticeiro do bando de Lampião, conhecia todas essas formas de pactos e ritos para fechar o corpo. O cabra cujo a volante tinha raiva por ele e o bando sempre escaparem contou que fechou os corpos de quase todos os aliados, fazendo-lhes patuás poderosos; e ainda santificou-lhes os anéis para que tivessem uma mira certeira e uma argúcia mortal no manejo dos punhais. Aos mais perigosos e mais procurados pela polícia, Moreno ensinou como se “envultar” (ficar invisível) através de pactos com “diabos dóceis”. Reza a lenda que Lampião quase sempre declinou dessas feitiçarias. Temente a Deus e afilhado de Nossa Senhora, ele “não queria ficar devendo favor ao Diabo”. O chefe dos cangaçeiros só aceitou levar um sinete na aba dianteira do chapéu que lhe concedia talentos premonitórios. Quando foi abatido no cerco de Angico (Sergipe), Lampião estava usando um outro chapéu, estava “desprotegido”. O “chapéu mágico” fora devolvido ao próprio Moreno, que dele recortou o sinete e o guardou consigo até sua morte, aos 100 anos.

Fé ou superstição? Sempre há quem enfrente as crendices de peito aberto. Mas se a ideia é fechar o corpo, haverá aqueles que procuram, nas rezas e nas devoções, uma calmaria para o desassossego. Para todos os males que atingem o corpo e a alma do homem, sempre há uma reza para curar. Corpo e espírito não se separam. Hoje, várias cerimônias para fechar o corpo são feitas pelo país. Essa prática visa tornar a pessoa invulnerável não apenas a armas, como também da inveja, doenças, má sorte etc.

Contra a panema, no linguajar indígena, desgraça, infelicidade, poderes sobrenaturais são exercitados com adornos de santos combinados com velhos espíritos da selva, os “encantados”. Pessoas que estiverem acometidas pelo “roubo de sombra” só tendem a ser consideradas curadas quando benzidas a partir do ritual da pajelança, um ritual de restabelecimento espiritual. O pajé dança, canta o toante e o maracá, carrega plantas, penas. Nas cerimônias Pankararu, o “remédio do mato” recobra do flechamento, quando “bichos ruins” ou entidades malignas desejam se apossar do espírito da pessoa. Aqui a cura vem do poder da mata. A mata tem uma gente que tem muito poder.

Jurema Preta, senhora rainha, és dona da cidade, mas a chave é minha. É tupereneguê, é tuperenaguá, salve o povo da Jurema, deixa os mestres trabalhar.

Em uma religião que celebra a vida, é fácil perceber que um corpo saudável é uma obrigação essencial. O corpo no Candomblé alcança e representa o sagrado, traz sentimentos, sensações e emoções. Com banhos de ervas (abô), passes magnéticos e palavras encantadas, para formalizar e sacralizar o ritual de fechamento de corpo, usa-se o contra egum. Uma ferramenta de defesa confeccionada em palha da costa, podendo conter búzios e/ou contas referentes aos Orixás ou Divindades, que possui uma grande quantidade de axé, agindo sobre a áurea eliminando todas as energias negativas e doenças do corpo. Somente o corpo doente pode encontrar essa cura; somente a ferida que dói, uma hora cicatriza.
É o corpo que se fecha, como uma casa que veda suas frestas.

E no meu terreiro, Salgueiro, quem me protege não dorme. Advogado dos pobres e doutor das doenças da alma, do corpo e do espírito, mestre da jurema, Exu na Quimbanda, Preto Velho na Linha das Almas, feiticeiro, mandingueiro, orador, rezador, catimbozeiro, dono da magia. Defensor dos feitiços e das magias negativas. Trabalha em todas as linhas espirituais, tanto na direita quanto na esquerda da Umbanda, Quimbanda, Catimbó… Seu Zé é um mistério divino. Mestre curador porque faz cura, trabalhos de virada. Malandro da Lapa. Acompanhado de sua Falange de Malandros, atua como protetor da minha casa. Vigia quem entra e quem sai, toma conta do entorno para me defender. É bom, pois faz o bem, mas, quando está “virado”, manda a maldade de volta para quem enviou. Despacha, se vinga. O inimigo cai, eu fico em pé.

Porque eu tenho meu corpo fechado, tenho um malandro do meu lado pra me acompanhar. Que Seu Zé me proteja daquilo que não posso ver! Que meus inimigos não me vejam nem de noite, nem de dia, nem no pingo do meio dia. Que assim seja.

Texto: Igor Ricardo
Carnavalesco: Jorge Silveira

Referências bibliográficas:
ANDRADE, Mário de. Música de Feitiçaria no Brasil/ Mário de Andrade. 2. ed. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 2006.
CALAINHO, Daniela Buono. Metrópole das mandigas: religiosidade negra e inquisição portuguesa no antigo regime. Garamond, 2008.
LOVO, Arianne Rayis. Caminhando junto: produção de cura, corpos e “caminhos” a partir das rezadeiras Pankararu. Unicamp/SP, 2018.
MAUÉS, Raymundo Heraldo. Um aspecto da diversidade cultural do caboclo amazônico: a religião. Estudos avançados, Quixadá: Uiniquixadá, 2005.
NERY, Vanda Cunha Albieri. Rezas, Crenças, Simpatias e Benzeções: costumes e tradições do ritual de cura pela fé. Centro Universitário do Triângulo – Uberlândia/MG, 2004.
SANTIAGO, Luís. O mandonismo mágico do sertão: Corpo fechado e violência política nos sertões da Bahia e de Minas Gerais (1856-1931). Loope Editora, 2021 (2ª edição).
SANTOS, Vanicléia Silva. As bolsas de mandinga no espaço Atlântico: século XVIII. São Paulo, 2008.

Vídeo com a leitura da sinopse

Diretor da Liesa revela que álbum ao vivo do Carnaval 2024 teve um crescimento de 200%

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O diretor de Relações Institucionais da Liesa, Hélio Motta, participou nesta quarta-feira da mesa “Samba-Enredo na Era Digital”, no Rio2C, o maior encontro de criatividade da América Latina, que acontece na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Durante o papo, ele revelou que o álbum ao vivo do Carnaval 2024 teve um crescimento de 200%.

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Foto: Reprodução de internet

“O álbum do estúdio reflete o ambiente pré-campeonato. É uma pressão gigantesca em termos de produção para cada escola ter o seu melhor fonograma. A gente entrega para o público 50% do nosso espetáculo antes dele acontecer. Esse ano gravação aqui na Cidade das Artes, na Sala de Orquestra. Trouxemos todas escolas e ficou muito bacana. O álbum ao vivo é a captação de todo mundo junto, a emoção que só a gente consegue captar. A ideia é tentar trazer a emoção da Sapucaí para dentro de casa. Tentamos traduzir isso. O sistema de áudio no carnaval é super complexo. O espetáculo é realizado com as pessoas andando e os fogos acontecendo. A captação é complexa. O álbum ao vivo temos que captar. Temos curva de aprendizado. Crescemos mais de 200%”.

Hélio Motta contou que há três anos a Liesa mudou e “conversa mais com o público consumidor”.

“O evento era totalmente offline. A Liga não conversava com o consumidor final. Nos últimos três anos, nós criamos uma marca do evento, a Rio Carnaval, para poder se comunicar diretamente. Nesse caminho de remodelação que apresentamos a mudança significativa para Liga e para gravadora. Com a parceria com a ONErpm tivemos acessos aos dados e com isso criamos novos produtos para atender diretamente qual era a demanda do público. Agora, a gente pode ter acesso a todas ferramentas. Podemos perceber comportanto e hábitos do consumo. A produção do estúdio é para um campeonato que vai acontecer em fevereiro dentro do Sambódromo. É diferente de qualquer artista ou indústria fonográfica. Quando a gente lança o álbum de estúdio é muito alto e o consumo é gigantesco. Na ideia de renovar o público, quando entra o álbum ao vivo, tem o sambista que consome o ano inteiro e o público que tem a experiência de entretenimento. O ao vivo tem o uso contínuo. Continua na playlist de muita gente. Após o campeonato quem gosta de samba quer escutar o ao vivo. Agora, a gente tem que fazer todos álbuns. Não podemos voltar atrás”.

O dirigente da Liesa contou novidades que podem surgir no futuro. “Tivemos quatro sambas entre os virais do Brasil. O algorismo não vê a emoção, ele percebe o play. Estamos desenvolvendo estratégias para estarmos ainda mais em evidência nas plataformas. A tecnologia nos ajuda a trazer na imersão. A partir deste momento, vamos poder trazer o público para dentro da Avenida”.

Mestre Odilon ‘abençoa’ trabalho de Fafá: ‘bateria da Grande Rio está em boas mãos’

Emoção tomou conta do primeiro ensaio de bateria da Grande Rio, na última terça-feira, em Caxias. Mestre Fafá foi surpreendido com a presença do lendário Mestre Odilon, que comandou a bateria da escola por 11 anos.

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Fotos: Rafael Arantes/Divulgação Grande Rio

“Muito emocionante estar aqui hoje. Um convite incrível e que eu realmente não esperava. Fico muito feliz de ver o trabalho que o Fafá está fazendo aqui. Ele é um garoto de ouro e que merece continuar esse caminho incrível. A bateria da Grande Rio está em boas mãos”, frisou Odilon.

Emocionado com a surpresa, Fafá celebrou a oportunidade de abrir a temporada de treinos para o Carnaval 2025 ao lado de um profissional que ele sempre admirou.

“Foi uma honra receber o Odilon, aqui, no nosso primeiro ensaio. Ele que é a minha maior referência, junto com meu pai, no carnaval. São meus mentores mesmo. Foi um momento muito emocionante pra mim e, com certeza, pra toda a bateria. A melhor forma pra começar a nossa temporada”, celebrou o Major.

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Os ensaios de bateria acontecem sempre às terças-feiras, a partir das 20h, na quadra da Grande Rio, em Caxias.

Grande Rio faz primeira reunião com a comunidade e presidente de honra crava: ‘2025 será incrível’

Conheça o enredo da Grande Rio para o Carnaval 2025

Conheça Cris Santos e Dodô Ananias, a nova dupla de intérpretes que promete muita entrega no carro de som da Barroca Zona Sul

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Dar espaços a novas pessoas é sempre uma atitude que pode dar certo, além de ser importante revelar pessoas para o cenário do carnaval. Na ocasião, a Barroca Zona Sul escolheu uma dupla de intérpretes para substituir Pixulé, que defendeu a agremiação durante cinco carnavais. Os dois novos cantores oficiais da ‘Faculdade do Samba’, se tratam de Cris Santos e Dodô Ananias. O primeiro é uma ‘solução caseira’, pois já estava no carro de som da escola e assumia os microfones em ensaios e apresentações quando Pixulé estava ausente. O outro contratado é Dodô Ananias, cantor gaúcho com experiências no carnaval carioca, sendo apoio e defendendo oficialmente a ala musical da Acadêmicos da Rocinha nos últimos quatro desfiles. A dupla conversou com o CARNAVALESCO e contou a história e do sentimento de defender as cores da Barroca Zona Sul.

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Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Cartão de visitas

Cris é oriundo da cidade de Santos. O intérprete teve passagens em agremiações da Baixada Santista e se apresentou dizendo que é uma consagração ser o cantor oficial da verde e rosa de Jabaquara. “Eu vim de Santos. Venho da Baixada Santista, tive uma saída em algumas escolas agremiações de Santos e Cubatão e há sete anos eu estou na Faculdade do Samba, hoje sou consagrado como o primeiro intérprete, junto com o Dodô, meu parceiro”, celebrou.

O gaúcho Dodô já tem mais experiência frente aos microfones de uma escola de samba, visto que já foi intérprete da Rocinha, no Rio de Janeiro e também trabalhou como apoio em outras escolas cariocas. “Sempre eu trabalhei com samba lá no Sul. Entrei no desafio de morar no Rio de Janeiro e já venho há seis anos para viver desse sonho. Agora, estou vivendo esse sonho hoje, em São Paulo, ao lado do Cris, na Barroca Zona Sul. No Rio de Janeiro fui intérprete da Acadêmicos da Rocinha nos últimos quatro carnavais e agora estou tendo essa oportunidade de ser intérprete oficial no carnaval de São Paulo”, disse.

Recepção da comunidade e missão de substituir Pixulé

Cris, que está há sete anos na escola, tem um grande carinho pela comunidade. De acordo com o cantor, o recebimento da notícia de que seria cantor oficial teve um sentimento de felicidade. “O sentimento é o melhor possível. O sentimento de amor que a gente tem pela escola, pelo carinho da comunidade que abraça a gente. A euforia tomou conta desde quando foi anunciado que seríamos oficiais da escola. É muito gostoso, é muito gratificante. Não tem a explicação da palavra de qual sentimento floresce cada dia aqui na escola”, declarou.

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Pixulé marcou história na Barroca Zona Sul. O intérprete carioca estava na escola desde o Grupo de Acesso e se despediu no Carnaval 2024. Dodô, que já cantou com ele no Paraíso do Tuiuti, disse que vai trabalhar bastante para substituí-lo à altura. “O Pixulé é nosso amigo. Trabalhei com ele lá no Tuiuti no último carnaval. Eu era apoio do Paraíso do Tuiuti. O meu sentimento hoje é de realização de um sonho. Mas a gente vai trabalhar muito. Eu mais ainda, porque o Cris já fazia parte da escola. Eu que estou chegando agora, quero retribuir o carinho que estou recebendo das pessoas. Quando me falaram que o Barroca era uma família e uma verdadeira Faculdade do Samba, eu não pensei duas vezes. Eu acreditei e estou vivendo isso na prática”, afirmou.

Recado para a comunidade

A dupla deixou um recado para a comunidade. Ambos estão entusiasmados e prometem extrema dedicação com o pavilhão e componentes da Barroca Zona Sul. “É um prazer enorme estar defendendo esse pavilhão que tanto amo e tanto admiro. Minha velha guarda, minhas alegorias, harmonia e geral da escola. Minha bateria ‘Tudo Nosso’, essa rapaziada maravilhosa”, disse Cris.

“Passistas, baianas, velha-guarda, todos os segmentos da escola, eu quero prometer e me comprometer que empenho, dedicação e trabalho não vão faltar. Nessa dupla aqui, a gente vai trabalhar muito para entregar o resultado que a escola precisa e merece”, finalizou Dodô.

Superliga marca sorteio da ordem dos desfiles das séries Prata e Bronze para o Carnaval 2025

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A Superliga Carnavalesca do Brasil realizará no domingo, a partir das 19h, o sorteio que definirá a ordem dos desfiles das escolas das séries Bronze e Prata na Estrada Intendente Magalhães para o carnaval de 2025. O evento terá entrada restrita para as agremiações filiadas e com transmissão ao vivo pelo canal do Fita Amarela.

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Foto: Anaiara Gois/Divulgação Superliga

Segundo o presidente da Superliga, Luiz Vinícius Macedo, “Este sorteio é um momento crucial para as escolas, pois define a sequência dos desfiles, influenciando diretamente na preparação e na apresentação de cada uma. Estamos trabalhando para garantir um evento transparente e justo, que respeite o empenho e a dedicação de todas as agremiações participantes”.