Edson Pereira é o novo carnavalesco da Tijuca para o Carnaval de 2025. O artista chegou na escola após o fim do Carnaval de 2024, e trouxe como enredo “Logun-Edé – Santo menino que velho respeita”. O CARNAVALESCO conversou com o artista para saber mais sobre a chegada na escola, os desafios e o cronograma de preparação. Edson começou contando como sentiu a proposta de vir para a Tijuca como um desafio a si próprio, que renova as energias e que traz a comunidade para próximo dele. Em seguida, o carnavalesco contou um pouco sobre o enredo, e a responsabilidade de levá-lo à Sapucaí, que já era um pedido da comunidade.
Foto: Rafael Arantes/Divulgação Tijuca
“Eu acho que eu não sou uma pessoa de fugir da responsabilidade. Eu acho que essa responsabilidade é muito clara, mas quando existe trabalho, existe resultado. Então a gente está trabalhando muito, já estamos com o barracão a todo vapor, fazendo fantasia, fazendo alegoria. Então eu acho que o resultado vem com muito trabalho”.
Edson também falou sobre o posto que assumiu, lugar onde muitos carnavalescos fizeram história, como Oswaldo Jardim, Milton Cunha e Paulo Barros, referenciando que a escola em conjunto é que consegue realizar um carnaval, sendo ele uma parte de um todo.
“Eu acho que a escola é muito maior do que o carnavalesco. E eu acho que, como eu disse, o trabalho sempre se sobressai. Eu nunca vou trabalhar para a Tijuca como se fosse o meu trabalho. Vai ser sempre o trabalho de uma comunidade inteira, de um carnaval inteiro, uma grande festa, que precisa ser exaltado. Eu sou apenas uma peça desse quebra-cabeça”.
O carnavalesco acredita que não pode faltar a emoção e dedicação com a comunidade junto, abraçando o samba escolhido, durante a preparação para o carnaval.
“Eu acho que o carnaval precisa entender que a festa não começa três meses antes do carnaval. Assim como muitas outras escolas e muitos outros parceiros meus de trabalho estão trabalhando, eu também estou trabalhando, a Tijuca também está trabalhando. E eu acho que isso é bom para ganhar todos nós, todos os espectadores e todos os amantes do samba”.
Após um carnaval marcado por um samba elogiado no mundo carnavalesco e consolidado pelas notas, a diretoria do Salgueiro aproveita a boa safra para tentar repetir a dose na Marquês de Sapucaí. A expectativa é ter uma obra que seja consagrada como o samba do ano, segundo o presidente André Vaz.
“Espero uma disputa muito acirrada, as gravações foram maravilhosas. É lógico que a gente quer começar ouvindo a quadra, é outro jogo. Eu tenho certeza que o Salgueiro terá um sambaço e, se Deus quiser, o samba do carnaval”, afirmou Vaz.
Questionado sobre a receita para ter bons sambas na disputa, Vaz foi direto: “O segredo é a escolha de um bom enredo e uma sinopse maravilhosa. Fora que os compositores da disputa do Salgueiro são os melhores do Rio de Janeiro”.
Ao todo, 20 obras participam da disputa. A primeira fase das eliminatórias é dividida em duas chaves: a primeira se apresentou no último sábado, enquanto a segunda sobe ao palco da Silva Teles no próximo dia 24. O CARNAVALESCOacompanhou e analisou a primeira noite de competição da Academia do Samba.
Para o diretor de carnaval da escola, Wilsinho Alves, além dos critérios técnicos de melodia e letra, o diferencial que o samba campeão deve ter é tocar a alma da comunidade Vermelha e Branca. A escolha acontece no dia 11 de outubro.
“Especialmente por conta do enredo e do Salgueiro, ele deve ser um samba que mexe com o salgueirense e que converse com o desfile. O salgueirense tem que se ver representado no samba-enredo – e acredito que temos diversas obras em que isso acontece. Nós temos grandes obras e o que eu espero é equilíbrio durante a disputa. Vamos deixar a quadra dizer para que a gente mostre o caminho que o Salgueiro vai tomar para o próximo ano”, comentou Wilsinho.
‘Expectativa é a melhor possível’
Um dos estreantes na equipe do Salgueiro neste ano, o carnavalesco Jorge Silveira destacou que as eliminatórias marcam o pontapé inicial para o desfile na Passarela do Samba. A agremiação será a terceira a desfilar na segunda-feira de carnaval.
“É um marco no projeto, um momento em que finalmente começamos a conhecer a sonoridade do desfile. É a partir do samba que a gente afirma e reafirma a alma e o sentimento que o desfile vai ter. A partir de hoje começa aquele momento do projeto em que não dá para voltar atrás. O Salgueiro já está embicando na concentração e se preparando para o Carnaval de 2025. A minha expectativa é a melhor possível, porque temos grandes obras. A quadra dirá qual vai ser a melhor”, disse Silveira.
Quem também comemora a disputa é o intérprete recém-chegado Igor Sorriso. Ele ressalta que sentir o calor da quadra é fundamental na escolha.
“A gente pensa que o carnaval é para o povo, então precisamos de um samba popular para trazer esse campeonato para o Salgueiro. É uma safra muito boa, 20 sambas e grandes obras. Agora, vamos sentir o calor deles aqui na quadra junto à nossa bateria. Acredito que isso seja o diferencial e o que precisamos tomar cuidado e prestar atenção – ver o que funciona e o que não funciona. Tenho certeza que será uma disputa incrível e muito difícil”, avaliou o intérprete.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos de Vila Isabel, Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas, recebeu nesta quarta-feira o figurino que usará no Carnaval 2025, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros. A porta-bandeira da azul e branco do bairro de Noel destacou a beleza e originalidade da fantasia.
Divulgação/Vila Isabel
“É a roupa mais linda que eu já usei em todos esses anos que eu tenho de Carnaval. Vai ser a roupa mais incrível. Eu estou apaixonada!”, afirmou Cristiane Caldas, que carrega o pavilhão da Vila Isabel há quatro anos, mas já acumula 29 anos de experiência no ofício.
Para Marcinho, não há dúvidas que a ansiedade do público vai corresponder à entrega. “Eu amei muito a fantasia e acredito que todos vão gostar tanto quanto eu. Não tenho dúvidas que vai surpreender positivamente. Podem ficar tranquilos que vai ser uma surpresa linda para todo mundo, disse o mestre-sala.
Última escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, a Vila Isabel levará para a Sapucaí o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”. Conduzida por um trem-fantasma que desembarca em um grande baile, a escola vai transformar medo em alegria ao carnavalizar as assombrações que atazanam o imaginário popular.
Rumo ao sétimo carnaval na Unidos do Porto da Pedra, o carnavalesco Mauro Quintaes levará para Avenida no ano que vem o enredo “A História que a Borracha do Tempo Não Apagou”, que será desenvolvido novamente em parceria com o enredista Diego Araújo. A escola contará na avenida a história de Fordlândia, cidade utópica de Henry Ford, fundador de uma das maiores montadoras do mundo, no meio da Amazônia. O enredo tratará da tentativa do norte-americano de construir a cidade industrial no meio da floresta e o consequente abandono da ideia, após resistência do povo nativo. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Mauro explicou o enredo da Porto da Pedra para o carnaval de 2025. Segundo o artista, a história será desenvolvida com “muita loucura” na avenida.
Foto: Ana Cristina Victória/Divulgação Porto da Pedra
“Essa história já é conhecida, eu já tinha ela guardada, ela foi enredo no carnaval virtual, vim saber disso depois. É uma história fascinante, a ideia é trazer de novo essa resistência da Amazônia. É uma grande fábula, eu vou tratar o enredo com muita loucura, nada vai ser palpável, nem correto, é só tirar pela logo que a gente vê que vai ser uma grande loucura. A Fordlândia foi uma grande loucura de um grande empresário”, explicou.
Retorno ao Grupo Especial do Rio
O carnaval de 2024, quando desenvolveu o enredo “Lunário Perpétuo – A profética do saber popular” na Unidos do Porto da Pedra, marcou o retorno do carnavalesco Mauro Quintaes ao Grupo Especial do Rio de Janeiro após cinco anos. Segundo Mauro, trabalhar no Rio representa uma maior “liberdade criativa” em comparação com o carnaval de São Paulo, onde trabalhou.
Fotos: Gabriel Gomes/CARNAVALESCO
“Eu fiquei um período grande em São Paulo, consegui bons resultados, mas chega uma hora que você sente saudade da liberdade criativa, da troca, do seu nome ser citado. Acho que o Rio tem essa característica de valorizar o carnavalesco. No Rio, o carnavalesco consegue mudar a história de uma escola. Me deu essa saudade, mas não descarto São Paulo, pois está em um grande momento e quem sabe a gente não vai indo e voltando? Acho que o importante é a gente estar em cena”, disse.
Parceria com Diego Araujo
O enredo de 2025 da Porto da Pedra “A História que a Borracha do Tempo Não Apagou” será novamente desenvolvido em parceria do carnavalesco Mauro Quintaes e o enredista Diego Araujo.
“Durante quase 20 anos, eu trabalhei com o João Gustavo Melo, que é meu amigo, meu irmão, mas em determinado momento ele não pôde fazer nosso enredo lá no Império de Casa Verde e ele me sugeriu o Diego. Nós conversamos e de cara foi uma afinidade muito grande, pois o Diego é um amigo, um companheiro, é engraçado, descontraído, espiritualizado. A chegada do Diego agregando ao meu trabalho foi muito confortável para mim e tanto ele quanto o Gustavo entendem a minha cabeça”, disse Mauro Quintaes, sobre a parceria com o enredista.
“Já é nosso terceiro ano de parceria e eu sempre procuro buscar o foco da Amazônia porque é ali que o Diego se sente mais confortável”, completou.
Mauro Quintaes completa 30 anos como carnavalesco e projeta futuro: ‘Não me acomodo’ O carnaval de 2025 marcará os 30 anos de carreira de Mauro Quintaes como carnavalesco. O início do trabalho do artista também se deu na Unidos do Porto da Pedra, sua atual escola, em 1995. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Mauro fez um balanço de sua carreira.
Mauro iniciou a carreira como assistente do carnavalesco Max Lopes, na Unidos de Vila Isabel, e também trabalhou na equipe de Joãozinho Trinta. Em 1995, assinou seu primeiro carnaval, na Caprichosos de Pilares pelo Grupo Especial, e pela Porto da Pedra, conquistando o título do Grupo de Acesso do carnaval do Rio de Janeiro.
“Eu completo meus 30 anos de carreira e tenho meus prós e os contras com relação a isso, acho que todos tem. É uma vida dedicada à cultura do carnaval, à arte carnavalesca. O balanço que eu faço é ver das pessoas que realmente eu deixei alguma coisa, que eu contribui com alguma coisa. Ter esse reconhecimento para mim já é suficiente”, disse Mauro.
Ao traçar os pontos altos e baixos da carreira, Mauro Quintaes lamenta os rebaixamentos sofridos, sobretudo os que considera injustos: “Sempre que uma escola cai é um momento ruim, sempre que uma escola é injustiçada é um momento ruim. Essa cultura da escola que sobe tem que descer precisa ser mudada, eu espero que com essa nova administração na Liesa a gente consiga reverter isso. Sempre que uma escola desce você carrega uma tristeza muito grande”.
De positivo, o carnavalesco destaca o reconhecimento e as amizades que acumulou ao longo da carreira. Mauro Quintaes relembra o apoio que recebeu durante a pandemia de Covid-19, quando ficou internado em tratamento contra a doença.
“Coisas boas são as pessoas que eu trouxe, as afinidades, as amizades, o carinho que eu recebo e isso ficou muito comprovado na pandemia quando eu passei por um problema, a quantidade de mensagens de todos os segmentos me fez entender o quanto esses 40 anos me fizeram ter mais pessoas perto de mim”, comentou.
Futuro
Às vésperas de completar 30 anos de carreira, o carnavalesco Mauro Quintaes projeta o futuro de sua carreira. Segundo o artista, o segredo para estar tanto tempo em destaque é sempre se renovar.
“É trabalhar, sempre trabalhar. O importante para um carnavalesco com uma carreira consolidada de 40 anos é não se acomodar, eu não me acomodo, pesquiso, procuro, trago novidades porque se o carnavalesco não se oxigenar, não se renovar, obviamente ele vai estar estagnado e o público vai reconhecer que aquele carnavalesco já não é mais o mesmo. Eu procuro sempre estar em cena, buscar novidades, me nutrir de gente jovem porque eles vão moldando todo esse final de trajetória”, concluiu Mauro Quintaes.
A Unidos de Padre Miguel, sempre valorizando seus talentos e a força de sua comunidade, anuncia o aguardado “Concurso Musas da Comunidade” para o carnaval de 2025! Neste ano, a direção da escola fará a escolha de duas novas musas, que terão a honra de representar a escola nos eventos e no desfile oficial no Sambódromo. O concurso terá início no dia 23 de agosto, a partir das 22h, na quadra da escola, com entrada gratuita para o público, juntamente com a tão aguardada disputa de samba-enredo. A grande final será realizada no dia 13 de setembro, quando as duas vencedoras serão coroadas, coincidindo com a semifinal da disputa de samba.
Foto: Diego Mendes/Divulgação UPM
Vale destacar que o concurso será exclusivo para as meninas que já brilham na ala de passistas e que agora terão a oportunidade de mostrar ainda mais seu talento e paixão pela Vermelha e Branca da Zona Oeste, reforçando o compromisso da Unidos de Padre Miguel em reconhecer e valorizar a “prata da casa”.
A quadra da UPM fica na Rua Mesquita, 8, Padre Miguel.
As candidatas que disputam o título de musa são:
01 Camila Villar
02 Clara Rodrigues
03 Crislin Andrade
04 Daniela José
05 Emilly Carolin
06 Iaffa de Paula
07 Laryssa Vieira
08 Rafaela Leal
09 Thamires Mattos
Confira o calendário do concurso:
23/08 – 1 ª Eliminatória
06/09 – Semifinal
13/09 – Grande Final
20/09 – Apresentação oficial das novas musas
A Unidos de Vila Isabel realizará no sábado, dia 24, inscrições gratuitas de novos componentes para o desfile do Carnaval 2025. Ao todo, serão ofertadas 450 vagas para alas especiais. Nesta etapa, o processo é destinado exclusivamente a pessoas entre 18 e 50 anos. Os interessados devem comparecer entre 14h e 18h na quadra da Vila Isabel, localizada no Boulevard 28 de Setembro, levando um documento original com foto.
Foto; Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
“Esse processo garante que possamos nos organizar bem e tudo saia da melhor maneira possível no dia do desfile. Estamos preparando um Carnaval de tirar o fôlego”, afirmou Diego Mendes, diretor de harmonia.
A Vila Isabel será a última escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval. A azul e branca do bairro de Noel levará para a avenida o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros.
Serviço
Inscrição gratuita de novos componentes
Data: 24/01
Hora: 14h às 18h
Endereço: Quadra da Vila Isabel – Boulevard 28 de Setembro, Vila Isabel
Criado para realçar as personalidades negras que mais contribuem para as artes, as ideias e a cultura do Rio, o projeto Pretagonismo vai destacar em sua próxima edição, a potência da juventude negra carioca. Serão homenageados jovens negros do asfalto e da favela, de todas as regiões da cidade, que se destacam por sua criatividade, flexibilidade e talento em diferentes artes e ofícios.
Foto: Ewerton Pereira/Divulgação
Entre as referências que serão contempladas com a moção que já foi entregue a personalidades do carnaval como Nilce Fran, a atriz Egili Oliveira será uma das “pretagonistas” do evento que acontecerá nesta quinta, 22, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Nascida na Bahia, criada entre Niterói e São Paulo, Egili chegou ao Rio de Janeiro trazendo toda a ancestralidade e potencial cultural herdado dos pais. Sua trajetória no carnaval carioca teve início nos Acadêmicos do Salgueiro, escola onde foi premiada e reconhecida pelo estilo de samba e pelo sorriso largo que conquistou a Sapucaí e o mundo. Criou o método “samba coração” e com ele viajou pelos cinco continentes, sendo a pioneira em formar passistas internacionais promovendo um verdadeiro intercâmbio de experiências para suas alunas de fora do país que, todos os anos, vivenciam a folia carioca.
Atriz com participações em campanhas publicitárias e filmes, Egili teve parte de sua história como rainha de bateria dos Acadêmicos de Vigário Geral, retratada no documentário “Egili, Rainha Retinta no Carnaval”, uma produção da cineasta alemã Caroline Reucker que vem surpreendendo a crítica dos principais festivais internacionais.
Pretagonismos é uma iniciativa do mandato do vereador Edson Santos (PT), com apoio do Instituto Avança Nega. Nesta quarta edição, serão homenageados artistas e profissionais como a estilista Cristina Cordeiro, o escritor Jessé Andarilho e o produtor cultural Guilherme Oliveira.
“Numa cidade desigual e de tantos contrastes como o Rio, a juventude negra em geral só ganha destaque quando mata ou morre no horror da violência urbana. Por isso é tão importante valorizar a contribuição dos jovens negros que são referências positivas em suas comunidades ou áreas de conhecimento. Os negros sempre precisaram ser criativos, nossa história é sobre força, vontade e consciência. Hoje é a juventude negra que mostra os novos caminhos dessa luta e isso tem que ser valorizado”, defende o vereador.
Em entrevista ao CARNAVALESCO durante a final da disputa de samba no último sábado, o novo vice-presidente da União da Ilha, Donato, contou como foi sua eleição, como espera que o próximo carnaval da escola seja, e sua relação com a Ilha do Governador e com a cultura dos bairros localizados lá.
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO
“Ganhamos com uma diferença bem significativa, o que quer dizer que a população da União da Ilha do Governador realmente elegeu a nossa Chapa Azul e quer que a gente faça um excelente carnaval aqui na Ilha do Governador, o qual já prometemos a nossa sociedade. Aos frequentadores da escola, aos integrantes, aos sócios da escola, vamos para a avenida com um carnaval muito bonito”.
Em seguida, Donato continuou explicando mais sobre a sua relação com a Ilha, e com a movimentação ao redor de buscas de melhorias para o bairro:
“A gente tem um amor e um carinho como morador da Ilha, como insulano. Eu amo a Ilha do Governador. Eu acho que a Ilha do Governador é um bairro que está um pouco esquecido pelo poder público, mas que politicamente estamos realmente efetuando um trabalho muito bom, principalmente com a reabertura do Hospital Paulino Werneck. A gente conseguiu através da nossa movimentação, o ‘lha do Governador, merece mais’, fazer vinte e duas manifestações e, assim, conseguir a reabertura do hospital. A gente está muito feliz com isso. Conseguimos essa vitória incrível para a Ilha do Governador”.
O dirigente então pontuou o que espera realizar como melhorias para a escola na questão estrutural, chegando a transformá-la também em um clube com infraestrutura tal.
“A gente tem um projeto incrível para a União da Ilha, que é transformar a União da Ilha em um clube. A nossa ideia aqui para a União da Ilha é fazer com que ela seja um clube, tenha piscina, quadra esportiva, quadra poliesportiva. Fazer com que a União da Ilha cresça. E não só União da Ilha, mas como a Ilha do Governador volte a ser a referência que era há quinze, vinte anos. Que o insulano tenha orgulho de ser um insulano nascido e criado dentro da Ilha do Governador”.
Ao falar sobre os projetos para a União da Ilha e para a cultura da escola e do bairro, Donato também ressaltou a importância das outras escolas da Ilha e do carnaval no local, além de resgatar outras histórias culturais da Ilha:
“Na cultura, a gente não olha só para União da Ilha e nem só para a escola. A cultura é abrangente, ela é grande. A gente entende que a cultura, ela é muito importante para a sociedade civil, e a gente precisa realmente estar fomentando a cultura. A Ilha do Governador é um bairro altamente cultural. Se você for olhar o passado, é onde os realmente andavam por aqui pessoas como Dom Pedro II. Existem histórias aqui muito bonitas que a gente precisa relembrar. E a cultura não só para a Ilha do Governador, mas falando de carnaval, nós temos o Boi da Ilha, que eu sou o patrono, temos a União da Ilha do Governador, temos o Acadêmicos do Dendê. Temos escolas tradicionais aqui que estão nos grupos Bronze, Prata, Ouro e que a gente precisa realmente estar fazendo com que essas escolas sejam vitrine do nosso carnaval. Então é muito importante hoje pra Ilha do Governador ter cultura. E a gente não fala só em carnaval, a gente fala em tudo que é cultura, projetos sociais, são muitas coisas que podemos fazer juntamente com o poder público e trazer para Ilha do Governador e fomentar cada vez mais a nossa cultura aqui dentro”.
O vice-presidente da escola também comentou o que falta, na visão dele, para a Ilha retornar ao Grupo Especial, sendo essa, uma mudança de administração interna da Ilha, trazendo uma visão mais empresarial:
“Na verdade, o que acontecia era administração. O presidente Ney me chamou pra poder ser esse cara que vai fazer essa questão da administração, de coordenar uma escola e trazer o empreendedorismo, ou seja, trazer o empresariado para dentro da escola, vai ser um ponto muito importante para gente. Aonde a gente vai transformar a escola numa empresa que visa a qualidade de vida da comunidade, onde visa ter realmente um diferencial na administração da escola. O que ele (Ney) quer é o seguinte: ‘Donato, você é empresário de sucesso. Traz esse conhecimento do empresariado de sucesso, de administração, de gestão para para dentro da nossa União da Ilha do Governador’. Estamos traçando uma forma de administração transparente para que as pessoas entendam, e para que a gente possa efetivamente estar atuando de forma que seja uma empresa e que tenha o cuidado de dar esse retorno para o contribuinte, para população e para comunidade”.
Por fim, Donato contou da expectativa para o enredo de 2025 da escola e o samba para o próximo carnaval:
“A expectativa é a melhor possível. A gente está muito feliz. A quadra lotada, cheia. É uma alegria só. Espero que seja um samba que caia na graça do povo e seja fácil de cantar. Que seja bonito e que transpire o que a gente quer realmente dizer com baderna que é a amizade, a alegria, a reverência que o carnaval tem em nossa cidade do Rio de Janeiro”.
O Paraíso do Tuiuti inicia na próxima segunda-feira, 26 de agosto, as inscrições para os interessados em desfilar nas alas da escola. O cadastramento será feito sempre às segundas, a partir das 19h, na quadra da agremiação. Os interessados devem levar documentos básicos, como RG, CPF, comprovante de residência, e uma foto 3×4.
Logo após o cadastro, a partir das 21h, a agremiação realiza os ensaios de canto com o samba do Carnaval 2025. A quadra do Tuiuti fica no Campo de São Cristóvão, 33, no bairro de São Cristóvão.
Mestre Rodney comanda a bateria da Beija-Flor há mais de uma década, e teve como um dos principais incentivadores o próprio Laíla, homenageado da escola para o próximo carnaval, com o enredo “Laíla de todos os santos, Laíla de todos os sambas”. Em entrevista ao CARNAVALESCO o mestre comentou sobre a figura do lendário diretor de carnaval para ele e para a própria Beija-Flor. Rodney começou falando sobre como Laíla significou tudo para ele, e ressaltou a importância da homenagem feita pela escola ao sambista como uma forma de gratidão.
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO
“Ele que acreditou em mim, que me deu oportunidade, era meu amigo. Nunca foi uma coisa tão bem feita como essa homenagem que a escola vai fazer. Eu acho que a gente devia isso. É uma gratidão pelo que ele fez por mim e fez pela escola. Nunca um enredo foi tão bem escolhido quanto o da Beija-Flor de 2025”.
O mestre comentou também a questão do ouvido absoluto de Laíla e como essa particularidade dele era usada para com a bateria da escola: “Como todo gênio é genioso, mas dificilmente errava. Quase nunca. Não tinha medo de falar com propriedade. Às vezes falava de maneira até brusca, mas sempre tinha certeza. E de mim, ele cobrava muito. Ele falava para mim: ‘Vou cobrar de você que tem condição de ser o melhor’. Sempre aproveitei para tirar o máximo dos ensinamentos do Laíla. Acho que por isso que a gente está aí seguindo nessa estrada”.
Ao falar sobre o legado de Laíla, mestre Rodney apontou o fato dele ter revolucionado o carnaval carioca em diversas áreas, principalmente por conta das suas habilidades musicais: “A gente pode falar que tem antes do Laíla, depois do Laíla. Ele chegou no carnaval da Beija-Flor, para gente, em 1974. Acho que não vai ter mais depois do Laíla. Pode ter antes, mas o Laíla mudou, revolucionou a história, tanto na harmonia com aquele ouvido absoluto, tanto como cantor, como diretor de bateria, diretor de carnaval. Realmente, ele deixou um legado muito importante para o carnaval e para as pessoas, não só pelo carnaval. Laíla era uma pessoa acima da média”.
O momento inesquecível junto a Laíla, para o mestre, é, para além dos campeonatos de forma geral, de forma especial o de 2011, em que o diretor de carnaval afirmou que Rodney desfilaria naquele ano, apesar de uma questão de saúde.
“Eu posso falar que nós ganhamos, eu com Laíla, que me deu a oportunidade de trabalhar com ele. Eu ganhei nove campeonatos, ajudei a ganhar. Não ganhei sozinho, porque a gente é uma equipe. Mas aconteceu que em 2011 eu tive uma fratura, eu quebrei a fíbula. O Laíla falou que eu ia desfilar, nem que fosse num caixão, que ele ia passar na avenida e a gente ia ser campeão. E, realmente, se concretizou o que ele falou. Eu passei com o pé quebrado e a gente, graças a Deus, fomos campeões. E a bateria tirou nota máxima. Isso aí ficou guardado até hoje. Não vai sair nunca da minha mente”.
O mestre também conta que tem a intenção de trazer a bateria da escola no próximo carnaval do jeito que Laíla gostaria, tendo um grande samba: “O Laíla gostava de que a gente não falava que era paradinha, era as nuances rítmicas. Eu tenho uma ideia que, quem sabe, de repente, se o samba impulsionar. A gente tem uma safra maravilhosa de sambas belíssimos, belíssimos, uma das melhores do carnaval de 2025. E aí, vamos esperar para ver o samba que vai ganhar. E, mais uma vez, ele vai me iluminar, iluminar todos nós. Eu vou fazer um arranjo, a cara do Laíla, se Deus quiser”.
Por fim, destacando a safra da escola na disputa da escolha do samba para o próximo carnaval, mestre Rodney contou que todos os sambas tem de alguma forma o que espera de um samba-enredo que a escola levará para a Sapucaí para homenagear Laíla: “A sinopse foi muito feliz, proporcionou grandes sambas porque realmente foi muito bem escrita. Pode ter certeza que qualquer um dos sambas que ganhar essa safra aí, será um grande samba. Todos estão dentro do contexto, dentro do enredo. Pode ter certeza que teremos um grande samba. Eu prometo isso”.