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Freddy Ferreira analisa a bateria do Salgueiro no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio técnico da bateria “Furiosa” do Acadêmicos do Salgueiro, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Um ritmo potente, com a afinação de surdos mais pesada, característica da escola com quadra de ensaios na rua Silva Telles. Outro ponto de imenso destaque da bateria do Salgueiro foi um conjunto de bossas extremamente acima da média. A musicalidade das paradinhas da Academia levantou o público, energizando a passagem da bateria por toda a Avenida.

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Na cabeça da bateria do Salgueiro, uma ala de showcalhos executou um trabalho extremamente diferenciado, parecendo um só tocando por toda a pista. Um naipe de cuícas competente mostrou boa técnica musical, auxiliando na sonoridade das peças leves. Tamborins executaram um desenho rítmico com certa complexidade de modo eficiente e ressonante. O bom entrosamento entre tamborins e chocalhos foi notado, sendo um dos pontos altos da parte da frente do ritmo salgueirense.

Na parte de trás do ritmo da “Furiosa”, uma afinação de surdos bem pesada, plenamente inserida no DNA musical da escola foi percebida. Marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos, tanto ditando o andamento, quanto fazendo bossas com eficiência. Os surdos de terceira simplesmente brilharam, seja fazendo ritmo ou executando com brilhantismo as paradinhas salgueirenses. Um bom naipe de caixas tocou mesclado a uma ala de taróis de virtude musical, preenchendo os médios junto de repiques eficientes. A cozinha da bateria da escola branca e encarnada do morro do Salgueiro ainda contou com atabaques que deram um molho único nas bossas, além de alguns ritmistas do repique, que desfilaram carregando Cowbell, um instrumento semelhante ao agogô, mas com somente uma única campana (boca).

As bossas salgueirenses trouxeram um brilho de valor sonoro incalculável para a bateria “Furiosa”. Todos os arranjos seguem o que solicita o próprio samba da escola. É possível dizer que a influência musical em cada trecho segue linhas distintas, de acordo com o que a obra pede. No trecho “sou herança dos malês” o ritmo consolida um toque que remete ao Norte da África. Enquanto no refrão do meio, sobre a fé no Sertão, existe uma boa mescla entre Baião e Maracatu, num arranjo bem musical que ainda termina com uma frase rítmica atrevida dos tamborins. Já no verso “Salve Seu Zé”, a bateria Furiosa transportou o clima da Avenida direto para um terreiro de macumba, numa bossa de construção musical bem contemporânea, além de refinada. Todas as paradinhas se aproveitaram das nuances da melodia, bem como da pressão sonora envolvendo a afinação privilegiada dos pesados surdos salgueirenses. Destaque para os arranjos envolvendo as terceiras do Salgueiro, sempre dando uma luxuosa contribuição.

Galeria de fotos do ensaio técnico do Salgueiro na Sapucaí para o Carnaval 2025

Uma ótima apresentação da “Furiosa” do Salgueiro, dirigida pelos mestres Guilherme e Gustavo. Bossas profundamente conectadas à letra e a melodia do samba salgueirense foram exibidas, sempre com boa precisão na execução. Um trabalho equilibrado, consistente e bastante potente garantiram um treino impactante da bateria da Academia do Samba.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Análise: saiba como foram os ensaios do Salgueiro, Imperatriz e Viradouro na Sapucaí

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Mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto revelam os segredos da bateria da Mangueira e prometem surpresas na Sapucaí em 2025

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, os mestres de bateria da “Tem que respeitar meu tamborim”, Rodrigo Explosão e Taranta Neto, compartilharam detalhes sobre a experiência de comandarem o ritmo da Verde e Rosa.

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Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO

“Estamos representando a nossa raça, a nossa ancestralidade, o povo bantu, originário do Congo e de Angola. Um povo que sofreu e fez tudo pelo Rio. Essas são as heranças que eles nos deixaram e que cultivamos hoje.  Portanto, estamos representando nossa comunidade, o Morro da Mangueira”, declarou Taranta Neto.

Quando questionados sobre como tem sido essa parceria de sucesso e se há algum segredo para manter a harmonia, a resposta foi dada com clareza:

“É muito trabalho! Acredito que a presidente Guanayra acertou ao unir eu, Urso, Marquinho, Douglas, Digão e Vitor. Temos uma conexão muito boa no trabalho, principalmente durante a escolha do samba, quando estamos mais reunidos. É nesse momento que integramos as partes musicais – cordas, canto e bateria. Tudo isso se reflete agora, mas começa a ser construído desde outubro, para que a partir de agora possamos colher os resultados”, afirmou Rodrigo Explosão.

É fundamental destacar como está sendo a integração entre a escola mãe e a escola mirim na bateria. O mestre Rodrigo expressou sua satisfação:

“Para nós, a maior gratificação da Mangueira é a existência da Escola Mirim, que nos formou. Hoje, ela tem uma representatividade significativa dentro da nossa escola. Eu, Urso, Douglas, além da Evelyn e do Matheus, somos exemplos de que esse investimento dá frutos. Todas as escolas deveriam investir nessa base, pois é dela que nascem os novos talentos”, disse o mestre Rodrigo, emocionado.

Já o mestre Taranta Neto garantiu que a escola trará surpresas para o desfile oficial e adiantou que parte delas foi apresentada durante o ensaio técnico na Sapucaí:

“Surpresas sempre existem! Fizemos uma amostra no ensaio técnico, mas para o desfile estamos preparando algo especial que irá surpreender a todos. Aguardem uma bateria da Mangueira com ritmo cadenciado, repleta de novidades e com a Estação Primeira na disputa pelo título!”, exclamou Taranta, empolgado.

A escola de samba Estação Primeira de Mangueira desfilará na Marquês de Sapucaí no domingo, 2 de março de 2025, entre 2h e 2h20, na primeira noite dos desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro.

Artistas, ativistas, lideranças e intelectuais visitam barracão da Mangueira na Cidade do Samba

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Diversas personalidades se reuniram no barracão da Estação Primeira de Mangueira, na Cidade do Samba. Intelectuais, artistas, lideranças e ativistas estiveram com parte da equipe responsável pelo enredo da Verde e Rosa para conhecer de perto detalhes de tudo aquilo que será mostrado na Avenida e que o restante do público ainda não conhece. Eli Ferreira, Ivanir dos Santos, René Silva, Ana Paula Oliveira, Patrícia Oliveira, Bruna Benevides, Lígia Batista, Flávia Oliveira, Átila Roque e Clara Monecke estarão na Marquês de Sapucaí no domingo (a Mangueira é a última escola a desfilar), para mostrar ao Brasil e ao mundo o por que o Rio de Janeiro é Bantu, com o enredo “À Flor da Terra: O Rio da Negritude Entre Dores e Paixões”.

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Foto: Divulgação/Mangueira

Série Barracões: Vigário Geral promete desfile colorido e luminoso para homenagear o cronista Vagalume

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A Acadêmicos de Vigário Geral, da Série Ouro, apresenta esse ano o enredo “Ecos de um Vagalume”. O CARNAVALESCO esteve no barracão da escola e conversou com os carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini sobre o misterioso tema do desfile e o que esperar da Vigário em 2025.

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“O título é meio abstrato e eu gosto desse mistério. As pessoas pensam no Vagalume inseto, não sabem quem é o Vagalume, mas quando sentam para ouvir a gente falar, olham a sinopse, ouvem o samba, se surpreendem com a história dele”, disse Caio.

Conhecido como Vagalume, o cronista Francisco Francisco Guimarães documentou o estilo de vida e festividades da população preta e periférica da Cidade Maravilhosa no final do século XIX e início do XX.

“Quando o Francisco, nosso Vagalume, foi convocado a ser repórter no Jornal do Brasil em 1894, na primeira coluna dele, que foi a reportagem da madrugada, a expectativa era que ele cobrisse casos de polícia, violência, acidentes, incêndios. Ele fez o oposto: começou a cobrir as práticas de lazer e cultura daquela população que durante o dia estava trabalhando no Porto ou na casa das pessoas ricas. É isso que a gente traz um pouco para o nosso desfile”, disse Caio.

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“A gente fala muito que o Vagalume jogava xadrex lutando capoeira, porque sendo um homem negro num ambiente completamente elitizado, no jornalismo, trazendo questões sociais e pautas de que se tinha um extremo preconceito, ele era um cara com um jogo de cintura muito, muito bom. Um cara extremamente inteligente e ligado ao povo”, enalteceu Alex.

Embora tenha vivido em uma época anterior ao surgimento das escolas de samba, Vagalume mergulhou na cultura do carnaval e dos folguedos populares do Rio de Janeiro. Acabou noticiando, ao final de vida, concursos entre blocos e ranchos carnavalescos, no que daria origem ao maior espetáculo da Terra. Respeitado pela comunidade carnavalesca de sua época, o cronista recebeu a alcunha de rei do samba e do carnaval.

‘Hoje, somos ecos do Vagalume’, resumiu Alex

“É um encontro de dois dos maiores cronistas e intérpretes da cultura carioca, senão brasileira: o Vagalume e a escola de samba. Todo ano a gente aprende muito, a gente vê o mundo através da escola de samba. Os desfiles ensinam, criticam, fazem refletir. Poder promover esse encontro na nossa estreia na Sapucaí é motivo de alegria, de felicidade”, expressou Caio.

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A dupla criativa encontrou o enredo ao folhear o livro Dicionário da Literatura Afro-Brasileira, de Nei Lopes. O verbete “Vagalume” lhes chamou a atenção. Eles apresentaram a ideia, jamais performada na Sapucaí, à presidente da Vigário, Betinha, que aceitou de primeira.

O objetivo, no entanto, não é falar sobre toda a carreira do talentoso jornalista. Na contramão do que se espera de um enredo biográfico, Alex e Caio escolheram destacar, nos três setores da escola, temáticas específicas da vida do escritor. São elas a boemia noturna carioca, a ligação com religiões de matriz africana e o carnaval em si. A decisão se deu em prol da fácil leitura e identificação visual do desfile, por parte do público.

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“Uma das questões que a gente traz muito é o discurso popular, já que o Vagalume falava de uma forma acessível. A gente procurou trazer uma linguagem de fácil leitura para quem estiver na arquibancada, assistindo pela televisão ou desfilando compreender o desfile”, ressaltou Alex.

Além disso, os artistas priorizaram o trabalho plástico de cor e volumetria. “As pessoas podem esperar cores bem escolhidas, um tapete de cor bonito, que faz sentido. A gente sempre tentou levar a cor de uma fantasia para a ala seguinte. Por exemplo, se essa fantasia aqui tem azul, vermelho e roxo, a gente vai pegar uma dessas uma dessas cores e na próxima ala a gente vai querer usar isso”, adiantou Caio.

“A gente gosta dessa unidade de cor. A cabeça da escola vem toda na cor da escola. Eu gosto muito de trabalhar essa paleta, de fazer o chão, a ala da frente e levando para o carro, dar essa unidade”, complementou Alex.

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Nas fantasias, especificamente, eles destacaram o uso não só de costeiro, mas também de adereços de mão e cabeça para criar volume de forma original. A decisão de produzir a própria estamparia é outra particularidade da Vigário neste ano.

Ainda nas indumentárias, a dupla elegeu as baianas como o ponto alto de seu trabalho à frente da Vigário.

“Elas trazem o elemento do malandro na frente, um desenho que é uma estampa que a gente fez; a bandeja na cabeça com a cerveja, o copo de cerveja; o leque que remete à cabaré, à noite, ao bar. Elementos que você olha e entende o que aquela fantasia representa. Tudo isso nas cores da escola: azul, branco e vermelho”, desenvolveu Caio.

Nas três alegorias, o volume também foi pensado, sobretudo através da utilização de múltiplas esculturas.

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“Uma escolha que a gente fez, em questão de alegoria, foi ter mais uma quantidade maior de escultura, só que menores, para distribuir esse volume pelo carro. A Vigário tinha um certo costume de comprar poucas esculturas, mas muito grandes. A escola acabava jogando uma escultura no meio e o carro não tinha outras esculturas distribuídas. Esse ano a gente procurou distribuir essa volumetria. Quando você olha no conjunto parece que tá muito mais volumoso do que uma escultura só grande”, revelou Alex.

“A gente tentou trazer carros preenchidos mas ao mesmo tempo vazados. São carros que você vai perceber que ele não é uma caixa, mas sim ele tem esculturas bem distribuídas e entre elas um certo espaçamento”, reforçou Caio.

A iluminação cênica, que ano passado foi destaque de desfiles no Grupo Especial, será, este ano, mobilizada pela Acadêmicos de Vigário Geral no intuito de fornecer um espetáculo grandioso e potente.

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“O enredo já pede. A gente está falando de um de um homem que se auto-intitulava Vagalume. Não teria como a gente não brincar com a luz. A gente usa ela principalmente na cabeça da escola: comissão de frente, baianas, segunda ala e abre alas. Vai ter uma brincadeirinha com a luz para trazer um pouco dessa carnavalizada, dar essa carnavalizada com o vagalume inseto. A gente também faz esse paralelo de ser um inseto que produz sua própria luz e o Vagalume cronista jogar luz sobre questões e pautas que merecem ter visibilidade”, garantiu Alex.

Os artifícios são vários. Muitos deles, a despeito do déficit orçamentário da Série Ouro. Na segunda divisão do carnaval carioca, as dificuldades financeiras exigem criatividade e trabalho redobrado para serem superadas, quando comparada à competição principal.

“Requer malandragem, no bom sentido da palavra. Sagacidade de trazer soluções que sejam práticas, baratas, que tenham um visual, uma estética bonita. Como a gente falou no início, sobre o Vagalume, é jogar xadrez lutando capoeira. É sempre ter esse jogo de cintura de saber em que material investir, para saber se vai chegar a tempo, que vai trazer uma solução rápida”, abordou Alex.

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“Não é segredo e nem vergonha nenhuma saber que a gente usa esculturas que a gente compra, até porque nosso espaço nem dá para fazer tanta escultura. Eu acho que esse tipo de maturidade só veio porque a gente já fez carnaval sem dinheiro nenhum. Vendo os diferentes cenários por onde a gente passou, a gente conseguiu agora ser capaz de tomar soluções, tomar decisões mais assertivas, de saber onde gerenciar melhor as nossas escolhas”, enfatizou Caio.

A dupla de carnavalescos ingressou no carnaval através de workshops da Pimpolhos da Grande Rio, escola-mirim da tricolor de Caxias. Foi lá que se conheceram, durante aulas ministradas pelo artista Clebson Prates. Depois, comandaram juntos o desfile da Chatuba de Mesquita (Série E, última divisão) e, mais tarde, o da Independentes de Olaria (Série Prata – terceira divisão), ambas na Intendente Magalhães. Foram, e são até hoje, assistentes de Lucas Milato, carnavalesco de escolas da Série Ouro como Inocentes de Belford Roxo e Unidos de Padre Miguel, pela qual ascendeu ao Grupo Especial em 2024, ingressando na competição principal em 2025. Como autores principais, este Carnaval marca a estreia de Alex e Caio na Marquês de Sapucaí.

“É uma missão, uma responsabilidade vestir tantas pessoas, fazer três alegorias. É toda uma expectativa de uma comunidade, de pessoas do carnaval, admiradores, torcedores. Ao mesmo tempo, é muito gratificante e emocionante quando dá certo. E até agora está dando muito certo. As fantasias estão saindo de uma forma que a gente almeja e as alegorias são estão saindo dentro dos nossos planejamentos”, disse Alex.

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“Tem dia que eu fico ansioso, que me dá vontade de chorar, mas ultimamente, vendo o trabalho do barracão, vendo a equipe, recebendo as pessoas, eu estou bastante tranquilo. A gente tá com um ritmo bacana no barracão. O suporte que a escola dá com os diretores de Carnaval novos, a própria Betinha, que é uma mãezona, também me tranquiliza”, compartilhou Caio.

Com o Carnaval se aproximando, e, com ele, os desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, onde Caio e Alex estreiam, fica a torcida para que os vigaristas se satisfaçam com um belo desfile. Ano passado, com o enredo “Maracanaú: Bem-Vindos ao Maior São João do Planeta”, a Vigário fez um bom começo de desfile, com destaque para a comissão de frente e primeiro casal, mas pecou em quesitos como Harmonia e, sobretudo, Evolução. Com equipe renovada, entre ela novos carnavalescos, espera-se que os percalços sejam reduzidos, mantendo-se a força da comunidade.

“Vagalume vai brilhar na avenida. A gente tem certeza que ele tá do nosso lado. A direção, o enredo… É um conjunto de fatores que acaba somando para que a Vigário este ano, com as bênçãos do Vagalume, entre lindíssima, aguerrida e vestida da forma que ela gosta e merece”, prometeu Alex.

“Claro que a gente faz Carnaval para ser campeão, para conseguir transmitir a mensagem que a gente quer, deixar a nossa identidade artística, a nossa linguagem ali, mas não tem nada melhor do que você receber um abraço, um tapinha nas costas, ver gente chorando com seu desfile, falando que foi lindo. O povo de Vigário pode esperar um desfile pelo qual eles vão se orgulhar de lembrar”, finalizou Caio.

Entenda o desfile

Em 2025, a Vigário Geral conta com cerca de 1.400 componentes, divididos em três setores. Há três alegorias, uma por setor, além de um elemento cênico na comissão de frente. Os carnavalescos Caio Cidrini e Alex Carvalho contam a seguir os detalhes.

Setor 1: Caio: “A gente abre o desfile com a noite carioca, com a boemia, com uma estética de circo popular, de cabaré, de teatro de rua, que foi a porta de entrada de Vagalume no jornalismo, através de sua coluna noturna. Na primeira coluna, ele já escreve “Sejamos todos notívagos””. Alex: “A gente trabalha muito, nessa primeira parte, com as cores da escola: azul, vermelho, branco, muito dourado”.

Setor 2: Caio: “Na segunda parte, com as alas do meio e segunda alegoria, a gente parte para uma estética das religiões afro-brasileiras, em referência à coluna Mistérios da Mandinga, que o Vagalume escreveu nos anos 20. Vagalume trata as religiões de matriz afro com respeito, de forma diferente do que era feito na época. As crônicas do João do Rio são relevantes, são importantes para a história do Brasil, mas tinham uma visão mais bárbara, exótica”. Alex: “No setor afro, a gente trabalhou muito as cores cítricas. É o setor em que mais nos distanciamos das cores da escola. Brincamos com tons de laranja, verde limão e também mesclando com o rústico do afro, trazendo a palha e a madeira. Tem muito preto também”.

Setor 3: Caio: “O desfile termina com um grande baile exaltação dos antigos carnavais, bem clássicos. Vagalume teve uma coluna chamada Clubes e Foliões no jornal A Crítica por quase 30 anos. Foi o trabalho dele mais duradouro”. Alex: “No último setor, a gente volta com umas nuances de azul, de vermelho, mas brincando com rosa, brincando um pouquinho com dourado. A gente também tem amarelo. A gente começa o desfile na cor da escola, mas com dourado, e, no final, o prata, substituindo o dourado pelo prata. Começamos e terminamos com a cara da Vigário Geral”.

Série Barracões: Inocentes de Belford Roxo promete espetáculo com grito de cura na Sapucaí

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A última participação da Inocentes de Belford Roxo no Grupo Especial ocorreu em 2013, com o enredo “As sete confluências do Rio Han – 50 anos de imigração da Coreia do Sul no Brasil”. Agora, a Caçulinha da Baixada promete levar um grito de salvação à Amazônia para o Carnaval de 2025. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o carnavalesco da escola, Cristiano Bara, compartilhou detalhes sobre o enredo deste ano, que será uma reedição do Carnaval de 2008: “Ewe, a cura vem da floresta”, que na época foi produzido por Jorge Caribe.

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Fotos: Divulgação/Inocentes de Belford Roxo

“Por se tratar de uma reedição, eu participei do projeto com o Caribe em 2008. Eu elaborei os protótipos e já trabalhava na Inocentes. Estive envolvido em todo o processo, inclusive, guardo figurinos daquela época. Para mim foi relativamente tranquilo aprofundar alguns aspectos e dar uma nova roupagem ao enredo. É um tema bastante atual: precisamos preservar as florestas. O ecossistema não se resume apenas a incêndios ou chuvas intensas. Precisamos abordar a questão de que, se não tivermos floresta, de onde virão a essência e os recursos para a produção dos medicamentos que conhecemos, como a Novalgina e a penicilina? Esses remédios têm origem em folhas e, se não preservarmos a floresta, em diversas entrevistas já mencionei que o planeta é nossa casa. Não podemos simplesmente fechar a porta e nos enclausurar, pois, ao fazermos isso, o planeta também sucumbirá e nós juntos. Se não cuidarmos das florestas e do ecossistema da Terra, não haverá mais lugar para vivermos, e o futuro das próximas gerações estará comprometido. A mensagem principal deste enredo, que adaptamos ao final, é um alerta sobre a importância da preservação. O carnaval, como expressão cultural, é uma ferramenta poderosa. Através das histórias dos orixás, conseguimos narrar desde tempos remotos até os dias atuais, sempre destacando a possibilidade de salvação. Na última alegoria, apresentaremos uma escultura representando o ossam, segurando uma folha e clamando: ‘Salvem as florestas!’, pois, sem elas, não teremos cura para as futuras gerações e o progresso da humanidade estará em risco”, afirmou Cristiano.

Questionado qual será o grande destaque do desfile, o artista compartilhou sobre o tema.

“O grande destaque é o humano, que trará à vida toda a história que estamos preparando em alegoria, fantasia e arte. Acredito que, sem o humano, não temos trunfo algum. Pode haver a melhor alegoria ou a fantasia mais elaborada, mas é o humano que tornará tudo isso realidade, conforme imaginamos”, disse.

A escola apresentará a narrativa de Ossain e o conhecimento das ervas, revelando como elas podem produzir cura por meio das folhas. Essa abordagem mostrará todo o processo africano que chegou ao Brasil, iniciando um diálogo sobre a fé no país, abordando a Umbanda e as tradições dos pretos-velhos. Além disso, serão exploradas as contribuições dos indígenas e o conhecimento dos pajés, que preparam bebidas e realizam rituais com folhas voltados para a cura e o espiritual. Assim, a proposta é enfatizar a cura tanto do corpo quanto da alma. No final, o enredo falará sobre renovação e um futuro promissor.

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“A cada passo que a escola der, compreenderemos de forma clara o enredo, que começa com a origem africana, avança pela religiosidade e culmina na união de todo esse conhecimento com a história, incorporando a modernidade da biomedicina para promover a cura da humanidade. Assim, será evidente que começamos e terminamos com o sangue, dando um grande grito de alerta em defesa de nossas florestas e do nosso povo, para que compreendamos a importância de cuidar do planeta”, afirmou Cristiano.

Na entrevista com o carnavalesco Cristiano Bara ficou a curiosidade sobre o que significa para ele revisitar o enredo que foi apresentado em 2008. Sem hesitar, ele explicou que, como praticante do candomblé e com mais de 20 anos de vivência na religiosidade, além de cultuar seu pai de santo, ele compreende a profunda importância das ervas e de um enredo tão potente quanto esse.

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“É fundamental cultuar o conhecimento da ancestralidade. No início do desfile, apresentamos uma ala que aborda essa temática. Para mim, isso é extremamente gratificante, pois é uma religião à qual me dedico. É o começo da nossa história e me proporciona um contexto para observar tudo o que acontece em outras culturas, como a indígena, e em outras práticas, como a Umbanda. Eu não sou umbandista, mas frequentei a Umbanda quando criança, acompanhando minha madrinha. Portanto, essa experiência me permite aprofundar meu entendimento e percepção, o que é essencial para respeitar o próximo, independentemente de cor, raça ou crença. Isso se reflete no enredo e me leva de volta à inocência, especialmente após minha experiência no ano passado. Participei do projeto com o Caribe, foi um desfile que nos consagrou campeões, com um samba muito envolvente que a escola adora. Para mim, foi um prazer reviver tudo isso, contar essa história com um olhar renovado, imerso pelas transformações do carnaval e do espetáculo, entendendo de forma diferente que é um grito de alerta para que possamos salvar a humanidade no futuro”, comentou Cristiano.

O carnavalesco acrescentou que, apesar de ser um enredo conhecido, ele o considera tranquilo, pois já fez parte do projeto anterior.

“Não se trata apenas de pegar um enredo de outra pessoa, mas de se apropriar de toda a criação. Eu criei todos os protótipos e figurinos. O Caribe supervisionou e aprovou, e essa interatividade foi muito gratificante. Reviver algo do passado e retornar a esse momento traz um sabor especial. Tenho fotos em casa com o troféu daquela época, e ele está em um porta-retrato na minha casa. Revisitar tudo isso em um momento tão importante é significativo, já que sou apaixonado pelo carnaval. Amo essa festa, pois é a celebração do meu pai Exu, que cuida tanto de mim!”, afirmou Cristiano.

Cristiano recorda um momento marcante do Carnaval de 2008: “Era uma fantasia do olho que tudo vê. Hoje eu fiz algumas modificações, mas quem assiste logo compreende”.

“Lembro-me bem de uma fantasia inspirada no olho que tudo vê, um ritual indígena que envolve o chá das folhas em busca do terceiro olho, o olho da espiritualidade. Recriei essa fantasia, mas de uma forma que permite uma compreensão mais rápida por parte do público em comparação com a época anterior. Naquele tempo, tínhamos recursos mais limitados. Hoje contamos com diversos artifícios que nos permitem aprimorar a apresentação. O figurino original está guardado, e fiz a nova versão com base nele. Essa ideia ficou gravada na minha memória, o que me levou a preservar esse figurino, pois o nome é muito sugestivo: o olho que tudo vê. Mantivemos essa fantasia, agora com uma nova interpretação da minha equipe e da escola de samba. Embora houvesse pessoas que a apreciavam e outras que não a entendiam, encontramos uma forma de apresentar que agradasse a todos. É uma nova perspectiva do olho que tudo vê!”, disse o carnavalesco.

Cristiano contou suas experiências ao lidar com os desafios da Série Ouro.

“Acredito que a chave está em reunir toda a equipe, garantindo uma integração efetiva. Costumo dizer que somos como um relógio: todas as engrenagens devem funcionar em harmonia, sempre colaborando umas com as outras para que possamos respeitar o tempo do espetáculo, que possui dia, hora, minuto e segundo determinados. Vejo a equipe como pequenas engrenagens interconectadas, essenciais para produzirmos um espetáculo de qualidade, mesmo quando temos que superar limitações financeiras ou estruturais. A montagem é extremamente complicada: os barracões, a altura dos carros, tudo exige uma montagem cuidadosa e precisa. No dia do desfile, os carros são transportados em caminhões e muitas vezes desmontados, pois não dispomos da altura necessária para testes adequados. Esta semana, por exemplo, precisamos colocar o carro para fora para testá-lo, uma vez que possui elementos internos que exigem elevação. Essas limitações podem tornar o processo desafiador, mas conseguimos extrair o que há de melhor em nós para entregar um grande espetáculo, pois o público está ansioso para vivenciar isso. E não é apenas o júri que nos interessa; direcionamos nosso trabalho a todos, pois, quando há interatividade com o público, os jurados também são impactados e, consequentemente, podem nos conferir a sonhada nota 10”, declarou Cristiano.

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O artista garante que podemos esperar das alegorias da Inocentes para 2025 um toque de modernidade aliado a um conteúdo significativo.

“As alegorias da Inocentes possuem um toque de modernidade, transmitindo uma rica carga de informação. O carnaval se transforma em uma experiência que deve ser cantada, vista e ouvida, demandando um entendimento profundo do que acontece diante de nós. Muitas vezes, nos deparamos com belíssimas representações durante o Carnaval, mas, como profissionais desse universo, há momentos em que não conseguimos compreendê-las plenamente. Embora sejam deslumbrantes, nos questionamos: o que significam? Por isso, é fundamental atentar para as informações visuais e sonoras que nos são oferecidas. Trata-se de um espetáculo audiovisual; é necessário escutar as canções e observar as imagens para captar a narrativa que se desenrola. Sem isso, corremos o risco de nos perdermos. Eu, que considero ter um bom entendimento do carnaval, às vezes me deparo com cenas que não compreendo. Por exemplo, ao falar sobre o Mico-Leão-Dourado, é imprescindível deixá-lo claro e visível, para que o público possa entendê-lo como parte da história que estamos contando. É importante fazer esse ‘jogo de identificação’ para facilitar a compreensão do enredo. Assim, ao visualizarmos as alegorias, conseguiremos entender a ligação entre o samba, a alegoria e a fantasia. Vamos cantar, brincar, ouvir, observar e absorver a totalidade do enredo que está sendo apresentado, com as fantasias e alegorias organizadas da melhor forma possível para criar um grande espetáculo. É crucial que tanto os participantes da escola quanto o público — seja na televisão, no sambódromo, na arquibancada ou no camarote — se envolvam intensamente com a apresentação. O objetivo final é transmitir uma mensagem significativa. A mensagem que buscamos comunicar com nossas alegorias e fantasias é um grande alerta à humanidade: precisamos cuidar da nossa casa, que é o planeta!”, explicou Cristiano.

O carnavalesco ainda abordou as inovações que está implementando no carnaval da Inocentes, tornando as fantasias mais leves tanto para o corpo quanto para o bolso, uma vez que as vestimentas de antigamente eram muito pesadas e onerosas.

“Estamos utilizando materiais bastante interessantes. Introduzimos o etafon, um material leve que permite criar volumes e confeccionar saias, evitando o uso de palha, que é mais caro. Isso representa uma estratégia para compreendermos que o visual é importante, mas não dependemos de materiais sofisticados. Fazemos uso de alternativas que possibilitam representar o que precisamos, alinhando o conceito ao nosso orçamento. É aquela velha máxima: tirar da cabeça aquilo que não temos no bolso”.

Entenda o desfile

A Inocentes de Belford Roxo apresentará um espetáculo com 19 alas, três carros alegóricos, um elemento cenográfico para a comissão de frente e 1.800 componentes.

“Não podemos mais utilizar o tripé, pois isso foi restrito. Acredito que essa decisão foi positiva, pois nos permitiu uma divisão melhor; quando tínhamos o tripé, acabávamos nos dividindo demasiado”, comentou Cristiano.

Setor 1: “O primeiro setor aborda a herança ancestral africana. Neste segmento, focaremos na rica flora africana e nas curas proporcionadas pelas folhas. Iniciaremos com a sabedoria ancestral e a figura do babaegum, representando os espíritos ancestrais que nos guiam em nossa jornada de saúde e cura. Em seguida, apresentaremos árvores majestosas da floresta africana, das quais extraímos essências para produzir remédios que promovem a cura da humanidade. Serão abordados fundamentos relacionados a Xangô e Iansã, curandeiros africanos, além de guerreiros de Ossain. Haverá uma ala em homenagem aos babaloçães, os coletores de folhas. Este primeiro setor será encerrado com a alegoria que simboliza a floresta africana, o legado de Ossain. Assim, trazemos à tona toda a riqueza da cultura africana, incluindo as tradições Jeje, Nagô, e Keto, entre outras”.

Setor 2: “No segundo setor, discutiremos a cura através da fé. Apresentaremos fantasias que retratam rituais de cura, destacando as beberagens feitas com folhas e as práticas dos rituais indígenas. Este segmento contemplará a figura dos pretos velhos, enfatizando a cura por meio de chás e outras infusões. O objetivo é retratar a cura promovida pelas folhas, mediada pela fé nas espirituais que nos guiam e nos espíritos indígenas”.

Setor 3: “O terceiro setor abordará a esperança de cura. Focaremos no papel dos biomédicos, a preservação da natureza e a sabedoria transmitida pelo samba. Discutiremos como o conhecimento ancestral, aliado à expertise dos biomédicos, gera novos remédios para combater as doenças que surgem na humanidade. Para encerrar este segmento, apresentaremos um carro alegórico que servirá como um grande alerta, com os sães segurando uma última folha e clamando pela proteção das nossas florestas, essencial para garantir a cura da humanidade e das futuras gerações”.

Freddy Ferreira: ‘Saudade das baterias pesadas, com timbre grave de fazer o chão tremer’

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Atenção! Essa coluna possui doses exageradas de saudosismo. E como é bom poder lembrar tempos nostálgicos, ainda mesmo que não vividos, com saudade. Alguns desfiles atemporais seguem na lembrança de quem sequer vivenciou, por livre e espontânea fascinação audiovisual. Ritmos de baterias pertencem ao imaginário coletivo num lugar afetivo bastante especial, principalmente de cariocas ou não que tiveram a experiência inestimável de ver de perto um ritmo de bateria de escola de samba pela Avenida.

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sambodromo
Foto: Divulgação/Riotur

O fascínio coletivo popular com as baterias faz parte de uma verdadeira identidade cultural do povo carioca. Mesmo alheio a nossa cultura, cada espectador que tem a experiência sensorial de acompanhar ao vivo o ritmo de uma bateria pela Sapucaí fica estupidamente encantado. A sincronia dos mais diversos naipes fazendo ritmo ao mesmo tempo costuma ser seguida de suspiros e aplausos. E o que dizer do pulsar da marcação podendo ser notado pelos pés, diante da vibração da estrutura de concreto da arquibancada? Simplesmente mágico!

Lembro como se fosse ontem a primeira vez que vi e ouvi os ritmos dos setores finais (Apoteose) do Sambódromo. Os olhos brilharam de modo genuíno e todo o encantamento rítmico dominou meu ser em forma de meta: virar ritmista de bateria de escola de samba. Sim, o pulsar firme das marcações decretou instantaneamente meu desejo obstinado de aprender um instrumento e pertencer ao ritmo de uma bateria carioca. A arquibancada respondendo a vibração energética da pressão sonora dos surdos cativou eternamente meu coração, que vez ou outra também apresenta o mesmo brilho no olhar fascinado dos tempos de moleque.

Talvez até para uma própria adaptação ao regulamento, as baterias tenham buscado o caminho de ficarem gradualmente mais leves. Com uma bateria mais leve, por exemplo, é bastante provável que os naipes médios (caixas e repiques) ressoem melhor, assim como os naipes agudos (tamborins, chocalhos, cuícas e agogôs) se propaguem mais dentro da conjugação dos sons das diversas peças. Entretanto, o charme da sonoridade que mescla um groove puxado para o timbre grave com peso dos surdos, intercalando boa consistência dos médios, além de um contraste musical com agudos de qualidade é de uma complexidade rítmica genuína e se configura em um poderoso artifício para demonstrar potência musical.

Deixando de lado a questão técnica e focando em como o povo absorve, recebe e se contagia com os ritmos, não há a menor dúvida que baterias mais pesadas possuem um poder de comunicação que costuma gerar interações humanas mais intensas. É como se a própria força sonora contida no peso dos surdos atingisse em cheio os corações populares. Difícil encontrar quem não fique arrepiado diante de um ritmo bem pesado.

É possível afirmar que menos da metade das baterias do grupo especial do carnaval carioca são pesadas. Ainda que a coluna não especifique, para não tratar cada caso de modo individual e sim do tema de forma geral, a dedução imediata é que poucos ritmos se atrevem a ir para a Avenida bastante pesado. Todos os que fazem defendem um legado musical e cultural vinculado a herança rítmica de longa data em suas respectivas agremiações. Ou seja, é uma característica identitária que está sendo preservada e defendida graças a um DNA rítmico da própria bateria. Ai que saudade do peso dos surdos!

Vai-Vai levanta o público com atuação vibrante da ala musical em seu terceiro ensaio técnico

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Por Lucas Sampaio e fotos de Will Ferreira (Colaboraram Gustavo Lima, Naomi Prado e Nabor Salvagnini)

O Vai-Vai realizou na última sexta-feira seu terceiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi em preparação para o desfile no carnaval de 2025. O espetáculo apresentado pelo carro de som comandado por Luiz Felipe, que levantou o público que compareceu em peso em pleno dia útil, foi o grande destaque do ensaio da comunidade do Bixiga encerrado após 59 minutos na Avenida. A Saracura será a sétima escola a se apresentar no sábado de carnaval pelo Grupo Especial com o enredo “O Xamã devorado y a deglutição bacante de quem ousou sonhar desordem”, em homenagem ao diretor Zé Celso, assinado pelo carnavalesco Sidnei França.

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O Quilombo Saracura encerra sua participação nos ensaios técnicos colhendo trunfos importantes, mas ainda apresentando quesitos que carecem de atenção até o dia do desfile oficial. O último treinamento geral, porém, comprovou a determinação da comunidade em fazer um grande espetáculo na Avenida e que ainda há tempo da escola corrigir as falhas observadas. O diretor de harmonia, Paulo Melo, fez um balanço geral do ciclo do Vai-Vai neste pré-carnaval.

“Nós viemos em uma crescente. Nós viemos trabalhando desde o primeiro ensaio técnico, o segundo ensaio técnico e esse terceiro foi justamente para ajustar todos os pontos que encontramos, a questão do canto a questão da evolução, o andamento da escola. A escola está grande, maior do que o que foi visto aqui. O Vai-Vai vem próximo, se não mais, do que 3000 pessoas e está com uma metragem mais ou menos compacta de 700 metros. A pista tem 530 metros e a escola está com mais de 200 metros a mais. Nós estamos fazendo a lição de casa, trabalhando bastante ensaio de canto durante a semana, de final de semana no Uirapuru, que nós estamos ensaiando lá na quadra. É um trabalho de crescente e de renovação, nós renovamos muita coisa e estamos o quê? O Vai-Vai está pulsando, está respondendo, nós estamos resgatando muita coisa que precisávamos, aquele orgulho de ser Bixiga, orgulho de ser Vai-Vai e é isso que vamos demonstrar na Avenida. Viremos com essa força, esse orgulho”, avaliou.

Ala com Chapeu

Paulo demonstrou que o planejamento da escola para entrar na Avenida está rigoroso de modo a garantir que a cronometragem não será um problema durante o desfile.

“Vou falar para você. A questão de tempo, nós temos um planejamento muito tranquilo. O que aconteceu? Como ficou toda aquela euforia na concentração, nós deixamos a ala de compositores solta e planejamos o quê? Vamos soltar em cima do samba, esse foi o planejamento. Nós temos todo o planejamento de andamento. O andamento da escola ele é sentado, não tem como correr até mesmo por causa do tamanho dos carros, a proposta do desfile é essa. Nós saímos perto de 62 minutos mais ou menos. No meu cronômetro está 59, mas eu diria para você que o planejamento é para 63 minutos no máximo, até mesmo porque nós viremos aí também com uma ala de convidados bem fora do comum, do que se vê em outras escolas. É uma ala grande, diria que ela vem perto de 500 pessoas, significa quase cinco alas de 100 pessoas. Mas nada mais é o que é, são os amigos, colaboradores, a própria comunidade vindo festejar esse enredo. É maravilhoso, o trabalho do Sidney é excelente. Comissão de carnaval, executiva, bateria. A comunidade que eu falo, que é a nossa pulsação e é em cima dessa pulsação que nós falamos”, afirmou.

Comissão de Frente

Comissao de Frente 1

Ensaiada pelo coreógrafo Sérgio Cardoso, a comissão de frente do Vai-Vai realizou uma apresentação com duração de três passagens do samba e contou com um grande elemento alegórico. É inegável que se trate talvez de uma das apresentações mais polêmicas já feitas por uma escola no quesito, o que a torna perfeita para homenagear Zé Celso, um diretor que como o próprio título do enredo diz, “ousou sonhar desordem”. A expressividade dos componentes e as interações entre si impressionam, mesmo que ainda seja difícil definir tudo que o quesito pretende apresentar, ainda mais com a gigantesca alegoria, que faz referência ao Teatro Oficina, estando quase toda coberta por plásticos pretos. O quase carro alegórico – sendo um modo de dizer, pois não conta como um na pasta de julgamento – possui dois andares com muito espaço para coreografias, causando um grande impacto visual mesmo ainda descaracterizado.

A coreografia do quesito, porém, encara um desafio já apontado em outras agremiações que optam por uma apresentação em três passagens do samba. Como a alegoria começou a se movimentar sem que os componentes começassem a atuar, iniciando apenas na passagem seguinte, foi registrado que o terceiro ato não é concluído diante do primeiro módulo de jurados, e até por conta do enorme tripé, torna a visualização do próprio público muito complicada de ser acompanhada na íntegra. É cedo para afirmar se o Vai-Vai sofrerá consequências de uma aposta tão arriscada, mas a performance em si, como já mencionado, é um deslumbre para quem aprecia a verdadeira ousadia que só o carnaval pode proporcionar.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal do Vai-Vai, formado por Renatinho e Fabíola, chamou a atenção pela colorida fantasia com a qual participaram do ensaio técnico. A dupla demonstrou muita simpatia e soube interagir com o público como representantes dignos da comunidade do Bixiga. Vale notar, porém, que se percebeu algumas falhas de sincronia diante do segundo módulo de jurados, em especial na hora do posicionamento para a apresentação do pavilhão, mas que não se repetiram nos demais em que foram observados.

Casal

Fabíola fez uma avaliação do desempenho do casal neste terceiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi. “Sempre positiva. Acho que nós tivemos realmente uma evolução do primeiro para esse terceiro ensaio. Podemos não estar 100% porque o 100% vai ser sempre dentro da Avenida. Estamos curtindo esse momento, vendo os prós e os contras e nós somos sempre muito positivos, acreditando sempre na nossa dança e vamos entregar com certeza 100% na Avenida”, analisou.

Renato afirma que o casal passou por um ciclo de superação para o carnaval de 2025 e está confiante de que conseguirão um grande resultado para a escola.

“Superação, muita superação porque o ano passado já tivemos que evoluir muito mais. Esse ano estamos mais cientes, mais calibrados. Ser Vai-Vai é sentir o peso da comunidade, a alegria da comunidade, sua raça, sua fibra de querer acertar sempre, mas o que nós temos é que estar prontos. Agora vamos para casa, vamos sentar, rever os lances igual a um jogador de futebol, mas com certeza no dia nós vamos poder falar para vocês que vai ser um gol”, afirmou.

Harmonia

A comunidade do Vai-Vai está empolgada com o samba e ganha um gás notável com as constantes evocações do intérprete Luiz Felipe em seus cacos. O canto da escola está forte, sendo um ponto de destaque pela elevação da intensidade ao longo do ciclo de ensaios técnicos da escola. A maior preocupação que havia para o quesito, porém, persiste: há muitos componentes errando ao cantar os versos “Vai no Bixiga pra ver, só no Bixiga pra ver” e todo o refrão do meio, com seu jogo de palavras “Pois Zé”, “Ôh Zé”, “É Zé” e “Zé” nos quatro versos. Os erros de canto, especialmente nas alas da frente da escola, são facilmente perceptíveis e o tempo é curto para corrigir isso nos ensaios que a escola ainda fará fora do Anhembi. Que seja dada uma atenção especial para essa observação.

Carro de Som

Evolução

O contingente que o Vai-Vai levou para o ensaio conseguiu cumprir o seu papel em 59 minutos marcados, descontando o esquenta alongado e sempre marcante feito pelo carro de som. Levando em consideração que a estimativa da escola é levar 3000 desfilantes, há uma margem ampla para conseguir lidar sem maiores problemas no dia do desfile. Os componentes estavam soltos na maioria das alas e brincando o carnaval de forma descontraída, assim como o saudoso homenageado gostaria que fosse. Uma preocupação que há, porém, é com a separação entre a alegoria da comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Enquanto a dupla se apresentava no segundo módulo, houve uma abertura de mais de dez grades em dado momento, e durante alguns momentos do ensaio a escola sofreu o chamado “efeito sanfona”. Com a cronometragem sendo um ponto forte para a escola, ainda há tempo para acertar a comunicação entre os responsáveis pelo quesito.

Ala Especial

Samba-Enredo

Luiz Felipe já é uma realidade entre os intérpretes do carnaval de São Paulo e não é de hoje. Mais uma vez, LF e sua ala musical fizeram do ensaio técnico um verdadeiro espetáculo vibrante para o público, que foi em um número até que significativo em se tratando de um dia útil com só duas escolas ensaiando. Mesmo sendo um samba com versos complexos, o cantor não falha na pronúncia e abrilhanta a obra com cacos que já se tornaram sua identidade.

Encerrando o ciclo de ensaios técnicos do Vai-Vai no Anhembi, o intérprete fez um balanço geral do desempenho da escola e do seu trabalho na Avenida.

“O balanço geral que fazemos é de uma crescente muito boa. Evolução, samba-enredo, esse é o balanço positivo. Chegamos aqui com algumas dúvidas no primeiro ensaio técnico e fomos sanando ao longo deles. Acho que hoje eu fiz como se fosse o desfile. O primeiro e segundo ensaios foram mais descontraídos e hoje mais sério, mais reto, mais ligado em tudo. O último é o teste final. Hoje a minha evolução foi essa”, avaliou.

Ala de

LF aproveitou a oportunidade para falar sobre o trabalho desenvolvido pela bateria da escola ao longo desse ciclo. “O mestre Tadeu junto com o mestre Beto estão sempre inovando. As pessoas antigamente não faziam muito, porque lá no Vai-Vai é breque. Nós temos mentes pensantes lá”, comentou.

Outros Destaques

A corte da bateria “Pegada de Macaco” brilhou no terceiro ensaio técnico no Anhembi. A Rainha Madu Fraga, a princesa Giuliana Silva e a madrinha Luciana Gimenez levantaram o público por onde passou e embalou os ritmistas comandados pelos mestres Tadeu e Beto. A bateria do Vai-Vai é uma das com características mais clássicas na atualidade do carnaval de São Paulo, mas cada vez mais aposta em bossas criativas que ajudam a motivar o canto dos componentes na Avenida.

Mestre Tadeu

Ao final do ensaio, mestre Tadeu comentou sobre o desempenho da escola e sua expectativa para o desfile oficial. “Foi bom, a comunidade vem em peso, graças a Deus. A escola veio grande e agora vamos nos preparar para fechar o sábado de carnaval. Nós estamos confiantes e se Deus quiser faremos um grande desfile“, comentou.

Luciana Gimenez e Giuliana Silva

Outro ponto que chamou atenção foi o “arrastão” do público que desceu das arquibancadas para acompanhar o cortejo da escola. Característica marcante dos encerramentos de desfiles no carnaval do Rio de Janeiro, existe a possibilidade de que essa manifestação popular ocorra em São Paulo no ano de 2025, onde o próprio Vai-Vai encerrará as apresentações do Grupo Especial, prometendo assim um momento icônico para a história da folia paulistana.

Veja mais fotos do ensaio

Torcida Sidnei Franca na Velha Guarda Segundo Casal Ritmista Punho Pro Alto Passista Mais Uma Passista Luiz Luciana Para a Aquibancada LF Giuliana Silva Giuliana na Dispersao Corte Mirim 1 Componente Componente Feliz Carro II Baianas 1 Ala de Branco

Evoluiu! Nenê de Vila Matilde mostra força do canto da Zona Leste

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Por Gustavo Lima e fotos de Will Ferreira (Colaboraram Lucas Sampaio, Naomi Prado e Nabor Salvagnini)

Uma considerável melhora marcou o ensaio técnico da Nenê de Vila Matilde. Neste segundo treino no Anhembi realizado na última sexta-feira, o destaque principal ficou para o canto da comunidade matildense. Nitidamente, a escola sabe cantar o samba e está com ele na ponta da língua, diferente do primeiro técnico, onde havia certas dificuldades de volumes dentro de algumas alas, especialmente as finais. Agora, aparentemente, a diretoria trabalhou para corrigir e obteve êxito. A elegância do casal Edgar e Graci e a forte batucada da “Bateria de Bamba” também merecem destaque especial. Com o enredo “Um quê poesia e um tanto de magia, a arte de encantar o imaginário popular”, a águia da Zona Leste será a sexta escola a entrar na passarela pelo Grupo de Acesso 1.

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Comissão de frente

A comissão foi destacada por esbanjar simpatia pela pista. A dança era realizada com os bailarinos interagindo entre si e com o público. Caras e bocas eram feitas para as pessoas que estavam nas arquibancadas, mas com muitos sorrisos acima de tudo. A ala, que tem um tripé, foi pouco usado neste ensaio, mostrando que há ainda mais por vir no desfile oficial. Haviam dois personagens principais que realizavam movimentos teatrais que mexiam com os demais dançarinos. Entretanto, a característica principal do grupo cênico que abre os desfile da Nenê de Vila Matilde se destaca pelo total carisma, e toda essa coreografia foi realizada em uma passagem do samba.

Comissao de Frente

“É uma comissão que vocês vão conseguir sentir a essência dela no dia mesmo. Acho que a maioria é assim, mas algumas vocês ainda conseguem pegar alguma coisinha. A nossa eu acho que é muito envolvente e vai acontecer muito no dia. Todos vocês vão ver essa surpresa”, contou o diretor de harmonia Rodrigo Oliveira.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Edgar Carobina e Graci Araújo desempenhou um ensaio satisfatório. O percurso da dupla se notabilizou pela segurança, sem muita coreografia dentro do samba. Prezaram pelos giros e a extensão do pavilhão de forma correta. Com isso, o desempenho individual de ambos foi muito correto. Graci colocou intensidade nos giros e Edgar nos jogos de pernas e na elegância.

Casal III

Graci admitiu que estão priorizando as raízes do quesito, sem pensar em coreografia dentro do samba. “Esse último ensaio foi muito mais seguro do que o primeiro, porque a gente já tinha noção de espaçamento, do quanto a gente evoluía, decidimos fazer um pouco mais parado em relação à evolução. Portanto, nesse ensaio a gente teve certeza de que os ensaios que estamos realizando a fantasia vai ser gol no dia do desfile. A nossa coreografia nós optamos por muito volume de passos tradicionais. A gente não vem com nenhuma coreografia que não seja com passos do bailado raiz de mestre-sala e porta-bandeira”, disse a porta-bandeira Graci Araújo.

Casal II

“O ponto principal é a tradição, tentamos manter alguns movimentos, passos da tradição. Mesmo que as coisas tenham evoluído de lá para cá, a gente tenta buscar o máximo da origem da dança clássica. Fazemos essa dança clássica com um pouquinho de atualidade e bastante tradição. Nosso ensaio foi muito produtivo, foi melhor que o primeiro, a gente atingiu o nosso objetivo. Não foi 100%, mas esse é o nosso objetivo depois do dia 2”, completou o mestre-sala.

Harmonia

O canto foi o principal destaque da noite matildense no Anhembi. Não só por cantarem forte, mas também melhorar consideravelmente a atuação no quesito em relação ao primeiro ensaio. Os componentes estavam mais soltos, alegres e cantando o hino com aquela força conhecida da Zona Leste. Dá para afirmar que o canto da águia foi aquele sempre conhecido. O refrão principal, por fazer a escola explodir, se destaca perante aos demais versos.

Agnaldo e Carro de Som

O diretor de harmonia cita uma melhora na questão canto e evolução, e também declara que há ajustes, tendo que trabalhar sem parar até o dia do desfile. “Hoje tive uma percepção de uma evolução, de uma melhora do ensaio em relação ao outro. Eu acredito que o quesito evolução e harmonia, que são os dois quesitos que a gente vai treinar até o último dia sem parar, são quesitos que a gente evoluiu. Nós já tínhamos feito um trabalho pós-ensaio, um ensaio de rua na comunidade lá na Vila Matilde mesmo e foi positivo para o resultado, para entregar um melhor ensaio técnico hoje”, disse.

Evolução

Ala com

Seguindo a linha do quesito harmonia, a evolução foi descontraída neste último ensaio. As alas desfilaram de forma correta, compacta e com bastante alegria, cantando e dançando o samba. Não há coreografia dentro do samba. Existe apenas um efeito das alas no refrão do meio, onde nos primeiros versos os componentes balançam o corpo para trás e para frente.

Samba

Interpretado por Agnaldo Amaral, o samba-enredo da Nenê de Vila Matilde finalmente rendeu na avenida como o esperado. O carro de som por inteiro tem qualidade e deu qualidade para toda a escola. O desempenho do cantor se destacou por seguir uma linha reta, pois não realizou muitos cacos, apenas se preocupando com o andamento do samba e a sincronia com a bateria.

Aguia Pede Passagem

“Hoje foi um desfile, uma pancada. Eu gostei muito, foi legal, acho que passamos bem. O canto veio bem, ouvimos a escola cantando e agora vamos nos preparar pro o ‘gran finale’. Assim que é! Nenê de Vila Matilde é muita emoção, são 11 anos à frente desse microfone, oito no Acesso e eu não aguento mais Acesso. Nós temos que subir, e esse ano chegou a nossa hora, com humildade e todo respeito às coirmãs”, disse o intérprete Agnaldo Amaral.

Outros destaques

Ritmistas II

A “Bateria de Bamba” é um sucesso à parte da agremiação. Tem uma pegada que vem lá dos anos 70, 80 e se mantém até hoje. Um surdo potente dá o tom da batucada regida por mestre Matheus. Ele destacou o ponto alto do ensaio.

“O ponto de destaque da bateria é a bossa do VAR. Ela inicia no começo do refrão e a gente só para no início do debaixo, do meio do samba. Antes de a gente subir para o samba a gente tem um ‘axézinho’, um diferencial para a bateria. É uma bateria tão tradicional, mas a gente acabou inovando um pouco e ficou legal. Vamos fazer no dia do desfile sem medo, temos que arriscar, não tem jeito. É o carnaval e quem quer ser campeão tem que fazer isso mesmo”, declarou.

Veja mais imagens do ensaio

Mestre Matheus Mantega e Agnaldo Amaral Mais um Destaque de Chao Gabriela Ribeiro Gabriela Ribeiro II Embaixadora do Samba Destaque de Chao II Corte Mirim Convidados Componente Sorrindo Componente de Azul Carro de Som Nene Baianas Babalu II Agnaldo Amaral Ala com Ala das Criancas

Especial Barracões SP: Mocidade Alegre traz herança da África islâmica para contar a relação do brasileiro com seus objetos de fé

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Do terço católico ao colar de contas, muitas pessoas carregam consigo um objeto religioso. Mesmo entre aqueles que são pouco devotos, a ideia de portar algum amuleto traz a sensação de proteção e transmite confiança para superar desafios. Mas de onde surgiu essa relação do povo brasileiro com tais itens? Foi ao conversar com o carnavalesco Caio Araújo, da bicampeã Mocidade Alegre, que o CARNVALESCO conheceu a história do enredo “Quem não pode com mandinga não carrega patuá”.

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“Partindo de um objeto específico, que é a bolsa de mandinga, nós falaremos um pouco da formação do povo brasileiro e como ele constrói essa relação com os seus objetos de devoção, com seus amuletos, com aquela fé que carregamos no pescoço. Nosso enredo vai traçar uma linha histórica para entendermos de onde veio essa nossa relação tão íntima com esses objetos e porque essa relação que temos tem com esses objetos é tão sincrética. Às vezes nós temos um terço na nossa carteira, mas não é porque vamos realmente rezar o rosário e sim porque acreditamos que ele vai nos proteger de algum mal, de alguma coisa que possa acontecer. A narrativa do nosso enredo procura traçar esse início da relação e o desenvolvimento dela, principalmente dentro do nosso território”, declarou o carnavalesco.

Da união de ideias para o enredo, surge a bolsa de mandinga

Para definir o enredo da Mocidade Alegre, Caio Araújo e o enredista Leonardo Antan enfrentaram o desafio proposto pela direção da escola de unir duas diferentes propostas. Foi através das pesquisas para cumprir essa missão que surgiu a bolsa de mandinga, fio condutor da narrativa.

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“Quando começaram as conversas para o enredo de 2025 eu estava começando a trabalhar com o Leonardo Antan, nós estávamos no início do desenvolvimento dessa relação. O Léo trouxe uma ideia para a Mocidade e tinha outra que era da diretoria, mas que eram completamente opostas. Lançaram um desafio para nós de unir essas duas ideias, e assim fomos pesquisando. Nós chegamos até esse objeto, a bolsa de mandinga, que eram bolsas de couro que os malês usavam penduradas no pescoço e dentro delas continham escritos do Alcorão. A partir disso vai começar essa viagem que vai terminar no patuá, que conhecemos aqui no Brasil. A bolsa de mandinga é o objeto ancestral que vai culminar no desenvolvimento do patuá brasileiro, que só tem aqui do jeito que ele é produzido. Só que nós tínhamos também na nossa cabeça que queríamos um enredo com essa cara da Mocidade, que tivesse o DNA da escola. Estávamos já nessa questão de é uma tentativa de tri, a Mocidade está correndo atrás desse terceiro tricampeonato, daí veio também a ideia de fazer um aceno para o último tricampeonato que era o enredo sobre a fé, desenvolvido pelo Sidney França. Foram várias pequenas coincidências que foram se alinhando para chegarmos no desenvolvimento desse enredo. Quando chegamos na bolsa de mandinga e entendemos de onde vinha esse ditado popular nós falamos: ‘é esse o nosso enredo’. Nosso enredo está nessa relação dos povos mandinga com a bolsa de mandinga e com como isso vai culminar na relação do povo brasileiro com seus amuletos, e partir disso nós desenvolvemos a história até chegar na própria Mocidade Alegre”, explicou Caio.

Sincretismo influenciado pela África islâmica: a história que se perdeu

As principais referências do imaginário popular atualmente sobre os muçulmanos estão associadas ao Oriente Médio. No entanto, durante o período colonial, africanos escravizados de diferentes regiões da terra-mãe foram trazidos ao Brasil, incluindo grupos étnicos de tradição islâmica. A influência cultural desses povos ajudou a moldar a relação do povo brasileiro com os objetos religiosos, o que chamou a atenção de Caio Araújo durante suas pesquisas para a construção do enredo.

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“Eu não imaginava que o Brasil tinha uma relação tão estreita com o islamismo e como ele uma um fator muito importante em como trabalhamos o nosso sincretismo, acho que a primeira grande surpresa do enredo foi essa. Também descobrimos que o processo de sincretismo religioso não começa aqui no Brasil e sim lá no continente africano. Ele já começa a se desenvolver de diferentes maneiras e de acordo com cada cultura e com cada região, mas o embrião do sincretismo religioso que acontece aqui no Brasil já estava acontecendo no continente africano. Além disso, descobrir como uma história tão vasta e de tantos séculos acaba tendo relação com o que vivemos hoje em dia no cotidiano da comunidade da Mocidade Alegre. Como uma história que começa tão distante vai ter uma relação com uma característica que faz parte do DNA do que conhecemos como escola de samba. Acho que esses foram os pontos que mais me chamaram a atenção dentro do nosso enredo quando estávamos nessa etapa da pesquisa”, afirmou.

O desenvolvimento cultural brasileiro ao longo dos séculos, centrado principalmente nas tradições europeias e cristãs, levou ao apagamento das tradições dos povos africanos trazidos ao país. Enquanto as religiões de matriz africana conseguiram resistir e até conquistaram visibilidade nos tempos modernos, as influências dos povos de origem islâmica se tornaram praticamente desconhecidas pela população.

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“Acho que a contribuição deles foi muito grande principalmente ali no território da Bahia. Muitos dos escravizados que vieram durante a diáspora tinham origem dessa África muçulmana. Os malês habitavam uma região na África extremamente próspera tanto financeiramente quanto culturalmente e grande parte das pessoas que desenvolveram o Império do Mali foram escravizados e vieram para a Bahia, assim temos essa contribuição muito grande. Ocorreu a Revolta dos Malês, que tem uma relação muito grande com a religião islâmica. Acho que os processos de apagamento histórico, com o Brasil planificando a cultura africana e tornando ela só um estereótipo, foi deixando essa herança islâmica muito escondida. Acho importante termos esses momentos que trazem essas questões à tona para entendermos um pouco de como nós nos construímos enquanto país e o porquê de sermos tão diversos, do porquê de a nossa cultura ser tão rica. É interessante vermos que essa cultura continua nos surpreendendo ainda hoje no século XXI. Em 2025 nós ainda conseguimos encontrar questões interessantes que não são tão populares dentro da nossa cultura”, observou.

A marginalização da história islâmica no Brasil é tão elevada que inevitavelmente leva a confusões em relação às reais origens de objetos religiosos como o patuá, oriundo da tradição cultural das bolsas de mandinga.

“Eu nem imaginava que o patuá tinha uma origem islâmica. Para mim o patuá tinha uma questão mais ligada à cultura iorubá, aos orixás, mas não, ele tem origem islâmica, que são essas bolsas de mandinga. Depois que você descobre e começa a ver ilustrações da época, até nas ilustrações de Debret que é mais popular, você vê várias pessoas escravizadas usando as bolsas de mandinga no pescoço e é uma coisa que passava super batida por mim quando eu estava tendo contato com essas ilustrações, não era algo que me chamava atenção. Depois eu pesquisava, ia vendo e dizia: ‘isso daqui esteve presente o tempo todo e só não prestamos atenção’”, disse o carnavalesco.

Mocidade Alegre na Avenida, da bolsa de mandinga à terça com o terço na mão

O enredo da Mocidade é dividido em cinco setores. A narrativa vai do surgimento da bolsa de mandinga, relatando sua transformação por diferentes culturas, chegando ao desenvolvimento das associações entre símbolos cristãos e as crenças originais dos povos africanos. O desfile também mostrará como Salvador se tornou uma verdadeira capital brasileira do sincretismo religioso, com diferentes crenças convivendo em proximidade, respeito e compartilhando esses objetos de culto. A modernidade, que permitiu a liberdade de expressar o orgulho do que se acredita, levou ao fortalecimento de manifestações como as das escolas de samba, encontrando na Mocidade Alegre um exemplo de comunidade fortemente ligada às suas crenças religiosas. Caio Araújo confirmou que haverá referência à clássica cena da presidente da escola, Solange Cruz, que no dia da apuração carrega consigo diversos terços enquanto ouve ao lado de Mestre Sombra, seu marido, a leitura das notas.

“Vai ter sim, tem que ter, acho que isso é parte de como a Mocidade construiu a sua relação com esses amuletos. A Mocidade sempre foi uma escola de religiosidade muito forte. A religiosidade é levada muito a sério aqui dentro da Mocidade Alegre e não só perto do carnaval, é um negócio que acontece ao longo do ano todo mesmo. A escola é cuidada com muito carinho da parte espiritual e religiosa, e eu acho que esse símbolo da Solange com os terços só transformou isso tudo numa relação ainda mais íntima e mais sincrética dentro do carnaval da Mocidade. Hoje em dia não é mais só a Solange que fica com o terço na mão na apuração, na quadra tem várias pessoas já com o seu tercinho. O terço virou um símbolo do que é essa religiosidade e essa devoção que a Mocidade tem, então não poderíamos deixar de falar sobre isso. É uma parte importante do nosso enredo, ele aparece em alguns momentos. Ali vai aparecer esse terço da Mocidade Alegre. Não o terço cristão católico, mas é o terço da nossa escola, que carrega muito mais significado, que carrega muito mais ‘fés’ diferentes, no plural mesmo”, garantiu.

Primeiro setor: a criação da bolsa de mandinga

“O nosso primeiro capítulo, que é o nosso primeiro setor, vai falar da criação da bolsa de mandinga dentro do Império do Mali. É uma África muçulmana, não é uma África que estamos acostumados a ver no carnaval, acho que temos umas novidades bem legais nesse setor. Também vamos falar que a diversidade cultural africana começa a influenciar as variações da bolsa de mandinga ainda lá no território africano. Falamos do contato das bolsas de mandinga com Daomé, por exemplo. Enquanto no Mali eles colocavam trechos do Alcorão dentro das bolsas de mandinga, em Daomé, como a religião matriz ali do território era o vodum, eles colocavam pedaços de ossos, colocavam conchas, colocavam fios de cabelo. Dentro do próprio continente africano essa diversidade já vai se manifestando, e o nosso primeiro setor fala um pouco dessa transformação da bolsa de mandinga dentro do próprio território africano”.

Segundo setor: a invasão europeia e os símbolos cristãos

“Para o nosso segundo setor nós vamos para a invasão europeia no continente africano e como eles começam a impor os dogmas e os símbolos cristãos dentro das diferentes culturas africanas, é onde começa o processo de sincretismo dentro do nosso enredo. Ao mesmo tempo em que eles condenavam esses amuletos africanos, eles também levavam amuletos de proteção. O católico acredita que o crucifixo é um objeto que vai protegê-lo, que vai colocar ele em contato com o divino, o escapulário também. Quando esses objetos chegam lá na África eles não vão ser lidos de acordo com a cultura branca pelos povos africanos, eles vão ser lidos de acordo com a própria cultura, aí é onde começa o sincretismo religioso. Nesse setor, por exemplo, nós exploramos muito a relação dos povos africanos com Nossa Senhora do Rosário, que é uma coisa que vai culminar aqui no Brasil no sentido de termos a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos na Bahia, assim como tem no Rio de Janeiro, aqui em São Paulo. A primeira irmandade preta que surgiu em São Paulo foi sobre Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Nós ficamos na curiosidade de entender o porquê dessa relação com Nossa Senhora do Rosário ser tão íntima. Fomos pesquisando e chegamos nos textos que falavam que a barreira da cor da pele foi imposta pelo homem branco, não pelo homem preto. Quando eles olhavam para Nossa Senhora, eles viam uma deusa-mãe assim como vemos em várias culturas africanas, carregando um colar de contas. Eles relacionaram esse colar de contas com Opelé Ifá, que era um colar que eles usavam para proteção em algumas culturas, principalmente no Congo, que é a cultura que mais influenciou visualmente o nosso setor. Nós começamos a falar desse sincretismo que surge a partir do olhar baseado no que você carrega como cultura para o outro. Ao olhar para uma santa católica, eles não viam uma santa católica. Eles viam algo que também pertencia à cultura deles. Nós temos umas soluções bem legais nesse setor de como que foi essa criação desse cristianismo preto que começa lá na África, que não é só daqui do Brasil. Nós vamos falar um pouco sobre as cruzes do Congo, vamos falar um pouquinho sobre o Opelé Ifá, como o Rosário se transforma em Opelé Ifá e todas essas questões de uma vivência que em um primeiro momento foi pautada em muita violência, a imposição do dogma cristão, mas que mesmo dentro dessa violência toda os povos africanos, as culturas africanas, conseguiram olhar para essas religiões com um olhar de afeto, com um olhar de amor e que é o que temos que fazer porque eles já reconheceram naqueles símbolos coisas que já carregavam dentro deles”.

Terceiro setor: as baianas e seus balangandãs

“Nós chegamos depois no Brasil, com esse sincretismo já iniciado, focando o nosso desfile na Bahia. Vamos desenvolver essa relação de como começa a aparecer essa diversidade grande de amuletos e de objetos de devoção nas ruas baianas. Vamos falar dos inquices, que eram esculturas de madeira que eles carregavam, que protegiam eles do mal. Vamos falar de como começa a surgir a ideia dos balangandãs, que também está muito intimamente ligada aos escravos muçulmanos e como essa relação foi se construindo de maneira sincrética dentro da Bahia. Quando temos uma penca de balangandãs, temos a romã, que é um símbolo de fertilidade para as religiões muçulmanas, temos paramentas de orixás, vamos ter o crucifixo, a pomba do Espírito Santo, vários elementos que dialogam com diversas religiões. A partir daí temos o símbolo dessa baiana brasileira que carrega todas as fés. O setor fala um pouquinho da construção dessa fé sincrética do brasileiro até entregarmos a penca de balangandãs como um símbolo máximo desse sincretismo religioso dentro da Bahia e como objeto de devoção que, além de carregar esse símbolo de fé, de tudo que você acredita, ele também carregava esse símbolo do poderio financeiro que começa a surgir dentro do sistema escravocrata com alguns escravos de ganho. Esses escravos de ganho em grande parte eram malês. Os ourives que faziam os balangandãs eram malês porque eles tiveram a oportunidade de continuar exercendo seu ofício dentro do sistema escravocrata. O sistema escravocrata sempre procurava tirar o melhor de quem chegava aqui, então não era todo mundo que era mandado para a fazenda. Eles conseguiam pegar esses escravos que tinham um desenvolvimento muito grande de algum artesanato, de algum objeto artístico e aproveitavam isso aqui também. Assim que surge a estética dos balangandãs”.

Quarto setor: o orgulho da crença

“Depois que a gente passa pelos balangandãs vamos para o nosso quarto setor. Aparecem as guias de orixá, que começam a estar presentes nas ruas não mais com medo, mas são exibidas com orgulho, independentemente de termos uma religião que oprimisse eles e que fizesse eles esconderem isso embaixo da roupa. Chega o momento em que isso vem para fora da roupa, chega de esconder! Nós vamos assumir a nossa fé, não vamos mais maquiá-la de nenhuma maneira! O nosso quarto setor fala justamente desse orgulho que se tem quando você consegue expressar o seu amor, o seu respeito e usar as suas guias de proteção dos orixás”.

Quinto setor: a relação da comunidade com seus amuletos

“A partir do momento em que vamos ver que temos todo esse cenário de diversidade religiosa construída e mostrada com orgulho, nós começamos a partir para a própria Mocidade Alegre, que é onde o sambista tem uma relação muito forte com esses amuletos, com esses símbolos de proteção. Quem nunca conheceu uma passista que bordava uma figa dentro da própria fantasia? Quem não tem a sua mandinga para fazer no dia do desfile? Quem não carrega um patuá? Quem não faz a sua oração antes do dia do desfile? Aqui no caso da Mocidade Alegre nós temos o símbolo do terço, a Solange popularizou isso no carnaval por meio dos dias de apuração, e agora o terço vira um símbolo para a comunidade inteira da Mocidade Alegre e um símbolo ecumênico também. Acho que o terço da Mocidade Alegre não é esse terço cristão, ele já é um terço que tem um pezinho no terreiro, e nós exploramos essa relação da Mocidade com o terço. Nós chegamos na figura dos patuás, de quem é que protege a Mocidade Alegre. Colocamos os nossos baluartes que já foram embora, que já fizeram a passagem, como os patuás que protegem a nossa escola de onde quer que eles estejam. São eles que estão protegendo o caminho da Mocidade Alegre. Eles pavimentaram o caminho, ensinaram qual era esse caminho e agora estão cuidando e nos protegendo para que esse caminho continue sendo trilhado da maneira correta. A grande celebração no final é feita com uma baiana da escola de samba, que é essa baiana que carrega todas as fés no pescoço. Essa baiana que tem o pé na igreja, tem o pé no terreiro, que descobrimos que ela tem o pé numa mesquita também. Encerramos o desfile com essa baiana, como esse símbolo maior da nossa relação com esses amuletos e de como eles são importantes no nosso dia a dia, como eles são importantes na história da nossa escola”.

Comunidade: o grande trunfo na busca pelo histórico ‘tri-tricampeonato’

Além da Mocidade Alegre (1971-73 e 2012-14), as escolas de samba Nenê de Vila Matilde (1958-60 e 1968-70), Camisa Verde e Branco (1974-76 e 1989-91) e Vai-Vai (1986-88 e 1998-2000) foram tricampeãs de forma consecutiva em duas oportunidades. A Morada do Samba, porém, será a primeira agremiação que terá a oportunidade de conseguir tal feito pela terceira vez em sua história. Para alcançar a marca inédita, a escola do Limão aposta em uma estética diferente dos últimos anos, mas para Caio Araújo o grande trunfo será o comprometimento da comunidade.

“Sabemos que são 14 escolas e todas elas estão se preparando para serem campeãs. Eu acho que no carnaval de São Paulo ninguém mais está preocupado só em desfilar, todas elas estão preocupadas em fazer um grande espetáculo Nós temos certeza disso, que todo mundo vai vir para fazer um grande carnaval e estamos nos preocupando também em fazer um grande carnaval. Acho que o grande trunfo da Mocidade vai ser sempre a comunidade dela. Acho que a paixão dessa comunidade, o comprometimento dela, o quanto eles dão o sangue e o suor pela escola, é um grande diferencial da Mocidade Alegre. Acho que as pessoas podem esperar uma Mocidade Alegre visualmente muito diferente dos últimos carnavais, vai ser um desfile surpreendente também nesse sentido, mas eu acho que o nosso trunfo é a nossa comunidade, e vendo os ensaios que estamos fazendo na quadra e os ensaios de rua eu tenho certeza de que o destaque do nosso desfile vai ser a atuação da nossa comunidade. Eu cheguei esse ano aqui na Mocidade e a primeira coisa que me impressionou foi ver o comprometimento da comunidade e do quanto eles abraçam esse pavilhão. O que eles precisarem fazer para no dia do desfile, para irem para cima e para tornar esse tri possível eles vão fazer. É uma sensação muito boa você saber que por trás de tudo isso, na linha de frente, está essa comunidade indo para cima no nosso desfile”, concluiu.

Mensagem do carnavalesco Caio Araújo para a comunidade da Mocidade Alegre

“Eu só quero agradecer em primeiro lugar por todo o carinho e toda a generosidade da comunidade comigo nesse primeiro ano. Já me senti em casa desde a primeira semana que eu estava aqui e eu quero só pedir para que eles continuem fazendo o que eles já estão fazendo nos nossos ensaios. Que eles deem o sangue, que eles deem o suor, que defendam esse pavilhão com o amor que eu sei que eles carregam no peito por essa escola. Se eles fizerem isso eu tenho certeza de que virá um grande resultado para nós nesse carnaval”.

Ficha Técnica
Enredo: “Quem não pode com mandinga não carrega patuá”
Alegorias: 4 carros + 2 tripés
Componentes: 1700
Alas: 17
Diretor de barracão: Mestre Sombra
Diretor de ateliê: Fabson Rodrigues