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Pérola Negra, Imperador e Peruche se destacam e brigam pelo acesso em São Paulo

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Por Gustavo Lima, Lucas Sampaio, Naomi Prado e Nabor Salvagnini. Fotos de Fábio Martins

Neste último sábado ocorreu os Desfiles do Grupo de Acesso 2. É a disputa que dá vaga à divisão superior: O Acesso 1. Vale destacar o desempenho de todos os casais, muito bem ensaiados, além das baterias, que realizaram bossas com êxitos e deram andamento do
samba de forma satisfatória. As escolas que mais performaram na pista foram Pérola Negra, Peruche e Imperador do Ipiranga – Essas três destoaram e certamente vão brigar na parte de cima da tabela. Já as agremiações que podem passar sufoco são Brinco da Marquesa e Raízes do Samba. Ainda neste domingo, às 19h, a apuração será realizada na Fábrica do Samba.

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Raizes do Samba

Com o enredo “De quem é a culpa”, a jovem escola paulistana, estreante no Sambódromo do Anhembi, se destacou pela fácil leitura do enredo – Um grande ponto positivo para o experiente carnavalesco Babu Energia. O carro de som, liderado pelo intérprete Juninho
Branco foi um dos destaques. Porém vale destacar que a escola abriu um buraco em frente ao recuo fora da delimitação técnica do regulamento. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Imperatriz da Paulicéia

A agremiação da Vila Esperança teve como destaque a comissão de frente, que apresentou foliões, passistas e vários segmentos exaltando uma escola de samba. O carro de som teve bastante entrosamento e deu suporte ao intérprete Tinganá para realizar o melhor
do seu canto. Outro destaque vai para as bossas da bateria “Swing da Paulicéia”, comandada por mestra Rafa, que também abusou das coreografias e levantou a arquibancada monumental. Pode-se dizer que a entidade da coroa espera por um bom resultado na apuração, diferente de 2024. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Unidos do Peruche

Uma justa homenagem ao Seo Carlão foi vista nesta noite. O sambista nas arquibancadas pôde presenciar o trono vazio, mas com uma bela imagem da sua tradicional boina. A escola optou por fazer um desfile jogando com o regulamento. Em anos anteriores a sensação era que o Peruche, mesmo estando no Acesso 2, queria fazer desfile para impactar. Porém, desta vez a agremiação entendeu que a realidade do grupo é outra e conseguiu cumprir todos os quesitos de forma satisfatória. Devido a isso, se credencia como uma das melhores da noite. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Torcida Jovem

A escola santista levou para a Avenida o enredo “Na Capital do Reggae, onde a natureza canta e o mundo se encanta. São Luis do Maranhão”. O primeiro casal da escola, formado por Gabriel Vullen e Joice Cristina fizeram uma grande apresentação no ritmo da bateria
“Firmeza Total”, que foi criativa com bossas dentro da proposta do enredo. Uma falha considerável da evolução, que teve dificuldades de controlar a delimitação entre a comissão de frente e o casal, pode ser um problema para a escola. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Pérola Negra

Com “Exu Mulher”, a ‘Joia Rara’ briga forte pelas primeiras posições do grupo. A escola não descia para a terceira divisão há muito tempo. Porém, mesmo assim, decidiu investir forte e levou alegorias grandiosas para o Anhembi. Para ter uma noção do tamanho, o primeiro carro foi acoplado. Além disso, esculturas realistas foram inseridas. Apesar de toda grandeza, a Pérola Negra conseguiu desfilar bem e, sobretudo, ter uma boa evolução. O carro de som comandado por Bruno Ribas e Lucas Donato, além da comissão de
frente foram destaques do ensaio. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Morro da Casa Verde

Levando a umbanda para a avenida, o destaque principal ficou para o samba-enredo, que ficou ainda mais potencializado pelo intérprete Wantuir. O cantor carioca, pela segunda vez na verde e rosa da Zona Norte, nitidamente está muito à vontade. A também deu suas
credenciais, dando para notar nas bossas realizadas pelo mestre Fábio Américo. Porém, notou-se falhas de acabamento nas fantasias e tripés. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Imperador do Ipiranga

A Imperador do Ipiranga desfilou no último sábado pelo Grupo de Acesso 2 do carnaval de São Paulo de 2025. Com um conjunto de quesitos eficiente, o chamariz foi a comissão de frente que contou com intrigante truque de mágica para atrair os olhares do público para a passagem da escola, encerrada após 48 minutos. A agremiação da Vila Carioca foi a sétima a passar e se apresentou com o enredo “Abrakadabra”, assinado pelo carnavalesco Anselmo Brito. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Primeira da Cidade Líder

Só de estar na pista, a Primeira da Cidade Líder pode se considerar vitoriosa. O incêndio no barracão, no mês de dezembro, fez a escola perder todo o carnaval e ter que recomeçar do zero. E conseguiram. Fizeram um belo desfile e foram avaliados. Sequer cogitaram pedir para ficar de fora do concurso. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Brinco da Marquesa

A escola da Vila Brasilina apresentou o enredo “A Marquesa na Cidade do Amor. São Paulo Carnaval 2025″ com destaque especial para a criatividade da bateria “Fantástica”, que conduziu bem o ritmo do desfile da escola por toda a Avenida. A leitura confusa do
enredo pode ser um complicador para a escola na apuração. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Camisa 12

A escola alvinegra teve como grande destaque a bateria “Ritmo 12”, comandada por mestre. A batucada realizou bossas durante todo o desfile com criatividade com um adendo especial para o instrumento chocalho. Entretanto, a agremiação não cantou de acordo com
o esperado. Notou-se muitos componentes que não sabiam o samba e não acompanham o ritmo do carro de som e da “Ritmo 12”. * LEIA AQUI A ANÁLISE COMPLETA

Bateria ‘Ritmo 12’ se destaca em desfile do Camisa 12, mas harmonia não fluiu como o esperado

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Por Naomi Prado e fotos de Fábio Martins

A Camisa 12 apresentou um desfile coerente, tendo como destaque a bateria de mestre Lipi. Alguns componentes não sabiam a letra do samba, mas, apesar disso, o canto foi regular. Com o enredo “Edun Ará Asé Idajó – Força que faz a Justiça”, assinado pelo carnavalesco Delmo de Morais, o Camisa 12 foi a décima escola a desfilar pelo Grupo de Acesso 2, terminando seu desfile com 48 minutos.

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Comissão de Frente

A comissão, que é coreografada por Walmir Rogério, tem como personagens principais três integrantes: Exu, Xangô e Aiole. Os outros representam os Alafins. A proposta da ala foi apresentar uma batalha de justiça: seis personagens condenam e outros seis defendem.

Em um determinado momento, os Alafins dançam e saúdam Xangô, enquanto Aiole está à frente do grupo e Exu atrás. A ala foi expressiva ao realizar alguns movimentos, emitindo sons.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A dupla Luã e Estefany, representando “Ajapa e Agutan”, se apresentou aos módulos realizando uma coreografia com passos tradicionais do quesito, alternando com passos que remetem ao enredo. O casal veio com guardiões vestidos de azul, branco e dourado com elementos nas mãos.

Enredo

A Camisa 12 levou ao Anhembi um enredo que conta sobre uma força ancestral, com o título “Edun Ará Asé Idajó – Força que faz a Justiça”. Durante o desfile, foram mostrados diferentes tipos de forças ancestrais, como, por exemplo, a ala denominada “Orobó, Árvore Sagrada de Oyó”, que representou um fruto sagrado utilizado na medicina africana.

Alegorias

O abre-alas, representando o “Palácio dos Alafins de Oyó”, trouxe esculturas de Alafins e também uma ala de mulheres ao redor do carro, porém desfilando no chão.

Já a segunda alegoria, denominada “Palácio do Omo Obá Jakutá”, veio com o símbolo da escola na frente e a velha guarda ao centro.

Fantasias

A ala das baianas veio cercando o primeiro casal, com uma fantasia composta por tecido afro e também pela cor dourada. As fantasias estavam dentro do contexto do desfile.

Harmonia

Apesar de alguns componentes das alas não saberem a letra, o canto da escola foi regular. Tim Cardoso e Cloves Pê se esforçaram para manter o samba animado para os componentes evoluírem e para reter a atenção do público.

Samba-Enredo

A obra, composta por Turko, Rafa do Cavaco, Maradona, Thiago de Xangô e Imperial, contém palavras em iorubá que foram difíceis para os componentes aprenderem, tanto que alguns deixaram de cantar algumas partes do samba. Contudo, a melodia é proveitosa para o modelo de enredo.

Evolução

A agremiação mostrou evolução corporal durante o desfile e desfilou compacta, porém, ao final do percurso, reduziu o passo para cumprir o tempo mínimo.

Outros destaques

A bateria de mestre Lipi, junto com sua corte, realizou um trabalho satisfatório, assim como as destaques de chão, que aproveitaram bem o momento.

O Camisa 12 fez um desfile regular, mas com quesitos que têm chances de garantir a nota máxima.

Bateria criativa se destaca no retorno da Brinco da Marquesa ao Sambódromo do Anhembi

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

O Brinco da Marquesa desfilou neste sábado pelo Grupo de Acesso 2 do carnaval de São Paulo de 2025. No retorno da escola ao Anhembi, a criatividade da bateria, que levantou o público com bossas em momentos-chave do samba, foi o principal destaque do desfile encerrado após 47 minutos. A agremiação da Vila Brasilina foi a nona a passar e se apresentou com o enredo “A Marquesa na Cidade do Amor. São Paulo Carnaval 2025”, assinado por uma comissão de carnaval.

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Comissão de Frente

Coreografada por Hugo Alves, a comissão de frente do Brinco foi intitulada “Filhos do Nordeste” e se apresentou ao longo de duas passagens do samba. Com uma caracterização marcada por fantasias em tons de terra, o quesito procurou representar a chegada dos migrantes nordestinos a São Paulo, intensificada na década de 1930, que foi fundamental para a formação cultural e o desenvolvimento da cidade como a maior capital do país.

A coreografia aparentou no primeiro ato mostrar a chegada dos nordestinos à São Paulo, com o segundo ato sendo mais fácil de se identificar as referências do samba, mas apresentação do quesito foi confusa. A semelhança muito grande das vestimentas atrapalhou a identificação de elementos de destaque, e a narrativa deu a entender que apenas fez uso da referência aos migrantes para exibir uma coreografia pouco inspirada. Uma abertura discreta para o desfile da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal da Marquesa, formado por Samuel Lemos e Mariana do Carmo, se apresentou representando os “Italianos”. A dança do casal foi protocolar, buscando cumprir as exigências do quesito à risca. A sintonia do casal, porém, não foi boa. Os movimentos nos dois primeiros módulos estavam fora de sintonia, com o mestre-sala encerrando seus passos antes da porta-bandeira em diferentes momentos e demonstrando pouca desenvoltura nos giros. Uma atuação abaixo das expectativas e que pode comprometer o resultado da escola.

Enredo

O enredo do Brinco da Marquesa é uma homenagem a cidade de São Paulo. A narrativa se foca na história mais recente da cidade, a partir do século XX. Há um enfoque maior nas referências a migrantes nordestinos e imigrantes vindos da Europa e do Oriente, exaltando o multiculturalismo da capital paulista. É um tema que faz o que pode para falar da maior capital do país com as limitações que o Grupo de Acesso 2 impõe.

A leitura do enredo na Avenida, porém, foi confusa. As referências do samba não batiam com algumas fantasias de forma clara e a escola procurou usar dos casais para narrar a temática com o mesmo peso de interpretação de alas. As alegorias eram de leitura complexa e não ajudaram claramente na leitura do quesito.

Alegorias

A Marquesa se apresentou com um conjunto de duas alegorias e um quadripé. O carro Abre-alas tinha o nome de “Cidade Cosmopolita: Onde o mundo se encontra”. A segunda alegoria, que encerrou o desfile da escola, foi batizada de “Mosaico Cultural”. Um conjunto alegórico que pecou pelo acabamento excessivamente simples somado a uma leitura pouco clara. O Abre-alas careceu de mais referências para deixar claro que se tratava de um enredo sobre a cidade de São Paulo, enquanto a segunda alegoria teve uma volumetria desproporcional de seus elementos.

Fantasias

As alas do Brinco procuraram retratar as origens e símbolos do patrimônio cultural que a cidade de São Paulo possui. As fantasias procuraram explorar de tudo: o povo guarani que vivia na região, os imigrantes que foram para a cidade e contribuíram para o seu desenvolvimento e os principais atrativos turísticos da cidade, como a gastronomia, parques, teatros e manifestações culturais como a Parada do Orgulho LGBT+.

As fantasias pecaram pelo acabamento irregular e leitura confusa até de alas que deveriam ser fáceis para um cidadão da capital paulistana compreender. A ala do Bairro da Liberdade em especial não dava nenhuma referência clara sobre a região além do estereótipo de ser um “bairro de japoneses”. Outro quesito abaixo das expectativas por parte da escola.

Harmonia

O canto da comunidade do Brinco da Marquesa foi discreto. Com exceção do refrão de cabeça, muitas alas tinham desfilantes pouco entusiasmados. A ala “Os Espanhóis” estava mais animada que a média geral, mas o desempenho do coral da escola pela Avenida oscilou excessivamente.

Samba-enredo

A obra que conduziu o desfile do Brinco da Marquesa é assinada por Buiu MT, Vagner Almeida, Bruno Pasqual, Tuca Maia e Cacá Camargo, e na Avenida o samba foi defendido pelo intérprete Buiu MT. A letra tem algumas sacadas inteligentes como o final da segunda parte, que faz referência à música “Sampa”, e o refrão de cabeça tem em seus dois primeiros versos um jogo de palavras criativo. A obra faz a sua parte para narrar o enredo, mas peca alguns momentos como citar a palavra “amor” duas vezes de forma distinta em um espaço curto de versos. A interpretação na Avenida foi oscilante, com a ala musical demonstrando dificuldades para alcançar o tom adequado no começo do refrão do meio em alguns momentos.

Evolução

A evolução do Brinco da Marquesa fluiu adequadamente por toda a Avenida e a escola conseguiu realizar um recuo de bateria dentro do esperado. A desenvoltura dos componentes nas alas, porém, foi fraca. Muitos desfilantes apenas andavam de forma protocolar, demonstrando pouca empolgação com o cortejo da escola.

Outros destaques

A bateria “Fantástica” foi o principal destaque da escola. Os ritmistas cumpriram o seu papel com irreverência, se aproveitando das oportunidades que o samba proporcionou para aplicar bossas criativas. A principal delas foi a dos versos finais da obra “Mas alguma coisa acontece no meu coração”, onde faziam um pulsar ritmado criativo. A corte com a rainha Thamires Seixas e a madrinha Michelly também deram espetáculo e interagiram com o público de forma animada.

Primeira da Cidade Líder realiza desfile criativo, mas evolução pode complicar resultado final

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Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins

Só de estar na pista, a Primeira da Cidade Líder pode se considerar vitoriosa. O incêndio no barracão, no mês de dezembro, fez a escola perder todo o carnaval e ter que recomeçar do zero. E conseguiram. Fizeram um belo desfile e foram avaliados. Sequer cogitaram pedir para ficar de fora do concurso.

A ‘Primeira’ fez um grande desfile, mas pecou na evolução, o que pode ocasionar décimos perdidos. A escola ficou um tempo parada no recuo, demorou para andar e tomou muito tempo, ocasionando outros fatos. A largada do samba também foi feita já com o cronômetro em andamento, o que tomou alguns minutos. Porém a homenagem foi bem feita, a presença de Pai Tinho e Oxóssi foram contadas do início ao fim de maneiras diferentes.

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A Primeira da Cidade Líder levou para a avenida o enredo “Ajodun Odé, Em Seus 40 Anos de Axé, Pai Tinho Celebra Oxóssi”, cruzando a passarela com 49 minutos.

Comissão de frente

Tendo como nome, “Encontro de ancestralidades – Sou filho de uma flecha só”, a comissão de frente comandada por Jonathan Paulino, fez uma coreografia onde haviam personagens como ancestrais indígenas e africanos. A parte central da dança ficava com os bailarinos simbolizando Oxóssi, Ogum, Exu e Ekedi. Dentro disso, havia um Iaô, que simbolizava o homenageado Pai Tinho. Ali, se iniciava um ritual de incorporação com o orixá Oxóssi para o Pai Tinho. Um teatro muito claro e de fácil entendimento, bem como a identificação dos personagens.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Fabiano e Sandra executou um desempenho correto na avenida. Eles optaram por realizar movimentos sincronizados ao invés das coreografias. Sendo assim, a porta-bandeira segurou bem o pavilhão e o mestre-sala cumpriu todos os requisitos. Desfile seguro e sem correr riscos. Com a estratégia de ajudar na evolução.
A fantasia da dupla tem o significado de “Oxóssi vence o grande pássaro, salve o herdeiro de Orunmilá”

Enredo

Assinado pelos carnavalescos Ewerton Vissoto e Cristiano Oliveira, o enredo “Ajodun Odé, Em Seus 40 Anos de Axé, Pai Tinho Celebra Oxóssi”, foi desenvolvido na avenida de forma satisfatória. A leitura foi bastante simples, a comissão de frente retrata muito bem a história de Pai Tinho com Oxóssi, tendo ele no desfile todo – Comissão de frente, tripé da serpente e segunda alegoria.

Alegorias

O abre-alas, denominado “Odé, Comorodé, Rei de Ketu ele é!”, faz uma alusão ao verso do samba-enredo que cita essa frase. Nele, havia traços bem afros, cores de palha, marrom e a atração principal do desfile: Escultura da fênix, que virou o novo pavilhão da escola em 2025. Após a tragédia no barracão, virou sinônimo de força.

O segundo carro, que tem como nome “Àjòdún Odé nas matas do Brasil e no meu terreiro: 40 anos de axé”, é um carro com verde predominante em homenagem às matas de Oxóssi. Por isso também havia esculturas de animais para mostrar essa ligação do orixá que rege Pai Tinho com a mata.

Fantasias

Vestimentas marcadas pelo acabamento em bom estado marcou o quesito. As fantasias da Líder foram estratégicas – A escola optou por costeiros e adereços menores. Provavelmente para deixar o componente mais solto ou visualmente melhor na ótica interna, mas o fato é que a agremiação cumpriu o quesito de maneira correta.

Harmonia

Apesar do pouco contingente, se viu uma escola cantando forte o samba sem parar. Esses poucos componentes da comunidade da Zona Leste estão bem ensaios e mostraram no Anhembi. A parte mais cantada pelos componentes foi o refrão principal, que talvez seja a única parte da letra que a melodia atravessa significativamente.

Samba-enredo

Apesar de ser uma homenagem a um sacerdote brasileiro, o samba, obviamente tem uma pegada afro. Tanto em letra como em melodia. O intérprete Thiago Melodia soube conduzir a sua ala musical de forma correta. Vale destacar a longa introdução cantada para Oxóssi, mas que empolgou os componentes.

Evolução

Foi a situação complicada do desfile. No momento da entrada da bateria no recuo, a escola parou para realizar a manobra. Esse fato tomou um grande tempo no cronômetro da Líder, que estava executando o quesito corretamente até então. Para não correr riscos, o cálculo foi para acelerar os passos, causando variação de velocidade. Essa aceleração também prejudicou a bateria, que não conseguiu realizar bossa para a terceira cabine. Isso deve ser feito no objetivo de cumprir os compassos necessários, mas não deu.

Outros destaques

A bateria, vestida de “Exu, o irmão que abre os caminhos!”. Comandados por mestre Ale, a “Batucada de Primeira” mostrou um ótimo desempenho na avenida, dando destaque para a marcação dentro do samba. Porém, devido à aceleração da escola em dado momento, mestre Ale não conseguiu colocar as bossas para os jurados em prática. Isso foi nítido no terceiro módulo.

Mágica na comissão de frente atrai olhares para conjunto seguro do desfile da Imperador do Ipiranga

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

A Imperador do Ipiranga desfilou no último sábado pelo Grupo de Acesso 2 do carnaval de São Paulo de 2025. Com um conjunto de quesitos eficiente, o chamariz foi a comissão de frente que contou com intrigante truque de mágica para atrair os olhares do público para a passagem da escola, encerrada após 48 minutos. A agremiação da Vila Carioca foi a sétima a passar e se apresentou com o enredo “Abrakadabra”, assinado pelo carnavalesco Anselmo Brito.

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Comissão de Frente

Coreografada por Diego Costa, a comissão de frente da Imperador foi intitulada “Poder e sedução” e se apresentou ao longo de duas passagens do samba e faz uso de um elemento cenográfico. A proposta do quesito é intrigante ao propor um conflito ocorrendo na cidade de Heliópolis, no Egito, de mesmo nome da comunidade onde a escola se localiza em São Paulo. A coreografia começa com um faraó e uma princesa, que é uma criança, com o restante do elenco formado por guardas egípcios e dançarinas do ventre, que na verdade são as vilãs dessa história por usarem da sedução para descobrirem os mistérios. No segundo ato, as mulheres saem e dão lugar a múmias que surgem seguidas de um mágico. Soldados do faraó surgem para resgatar a princesa, que sobe com o mágico para o tripé e realizam um truque de mágica. A menina entra em uma estrutura de caixas que se fecham e se dividem em três. As caixas voltam a ser empilhadas e a menina sai delas inteira.

É uma coreografia que faz uma boa narrativa da abertura do desfile, mas o truque de mágica é a grande atração. É ousado fazer uma atuação que envolve detalhamento, mas a própria estratégia envolveu dar tempo para que ela ocorresse sem sustos. O quesito atraiu a atenção do público e contribuiu para a boa apresentação geral da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal da Imperador, formado por Alex Malbec e Naiomy Pires, se apresentou representando “Ísis e Osíris – Segredos na areia do deserto”. A dupla teve um bom desempenho nos módulos em que foram observados, cumprindo as obrigatoriedades com capricho e elegância. A atuação segura do casal permite à escola sonhar com as desejadas notas dez do quesito.

Enredo

O enredo da Imperador faz uso de uma narrativa lúdica para contar a história do ilusionismo desde seus primeiros registros no antigo Egito. A maneira como a mágica foi tratada pela Europa Medieval e como ela sobreviveu à Santa Inquisição se faz presente, mostrando também como o conceito chegou aos artistas que se tornaram os mágicos, que proporcionam grandes espetáculos dos tempos modernos inspirados pelo pioneiro Harry Houdini, até a atualidade dos grandes espetáculos. A trajetória da magia da Heliópolis egípcia até a Heliópolis brasileira conta com passagens curiosas, como o uso de “truques” pelo cinema principalmente em tempos mais rudimentares.

É um enredo cuja leitura na Avenida foi fácil. A boa distribuição das alas e das alegorias permitiu que a história da magia fosse bem contada mesmo com as limitações que o Grupo de Acesso 2 impõe. A escola pode se orgulhar do trabalho feito de apresentar sua proposta para o público.

Alegorias

A Imperador se apresentou com um conjunto de duas alegorias. O carro Abre-alas tinha o nome de “O mago e os limites do saber”, enquanto a segunda alegoria da escola foi batizada de “Grande espetáculo”. Além de bem-acabados, os dois carros alegóricos se encaixaram no desfile de modo a contribuir com a narrativa no momento exato. O Abre-alas ilustra o período medieval de forma lúdica e joga para as alas seguintes o conteúdo bem desenvolvido. O segundo carro conclui com o espetáculo dos mágicos, que são os artistas que perpetuaram este estilo único de entretenimento. Conjunto eficiente do jeito que tem que ser.

Fantasias

As fantasias das alas da Imperador procuraram retratar a narrativa do enredo de modo a valorizar especialmente o período pós-medieval do enredo. Apenas o primeiro agrupamento, a ala das baianas, esteve encaixado no segundo ato que representou a Idade Média. A maioria das fantasias focou em mostrar como o ilusionismo evoluiu desde as revelações da bola de cristal dos ciganos até o surgimento do artista que conhecemos como mágicos, destacando ícones com Harry Houdini e o polêmico Mister M. Também procuraram mostrar como a magia se faz presente na vida das pessoas através do cinema e do teatro.

As vestimentas estavam bem-acabadas e permitiram uma fácil leitura, se encaixando adequadamente no enredo. Outro quesito seguro para a Imperador do Ipiranga no desfile.

Harmonia

A comunidade da Vila Carioca clamou o samba com vigor e desenvoltura ao longo de todo o desfile. O canto da comunidade estava nítido na expressão dos componentes e contribuiu positivamente, valendo destacar a animação da ala que representou os ciganos. Não foram notadas oscilações entre os segmentos durante o desfile, fazendo do quesito mais um destaque positivo.

Samba-enredo

A obra que conduziu o desfile da Imperador é assinada pelos compositores Cosme Araújo, Marquinhos Beija-Flor, João Vidal, Thiago Daniel, Thiago Tarlher, Claúdio Vagareza, Giuliano Paim, Sid Miranda e Chu Santos, e na Avenida o samba foi defendido pelo intérprete Rodrigo Atração. É uma música que consegue narrar a história do enredo com clareza e ao mesmo tempo ser de fácil captação da parte da comunidade. A atuação da ala musical foi destaque e contribuiu para que o samba tivesse sucesso no desfile da escola.

Evolução

O andamento do desfile da Imperador do Ipiranga foi tranquilo por toda a Avenida. Não foram notados espaçamentos excessivos entre segmentos, e o recuo da bateria foi bem-executado. Os componentes estavam soltos nas alas, mas sem comprometer a compactação entre cada uma delas. Um bom desempenho da escola a nível técnico.

Outros destaques

A bateria “Só Quem É” teve bom desempenho, executando as bossas previstas pelo regulamento de forma adequada, mas a corte da bateria foi um show à parte. A Rainha Jéssica Bueno caracterizada como uma mágica e Roberto Theodoro, caracterizado de coelho, do clássico truque da cartola, levantaram o público por toda a passagem pelo Anhembi.

Harmonia se destaca no desfile do Morro da Casa Verde, mas falta de acabamento em fantasia pode preocupar

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Por Naomi Prado e fotos de Fábio Martins

O Morro da Casa Verde fez um desfile contagiante. O samba-enredo desempenhou um excelente papel, ajudando o quesito harmonia e fazendo com que o público presente cantasse também. Apesar da desenvoltura precisa, a escola teve problemas com acabamentos de fantasia e do tripé. Alguns elementos das fantasias afrouxaram ou se soltaram ao decorrer do desfile.

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Com o enredo “Saravá Umbanda! Uma história de luz, caridade e amor”, assinado pelo carnavalesco Ulisses Bara, o Morro foi a sexta escola a desfilar pelo Grupo Acesso 2, terminando seu desfile com 48 minutos.

Comissão de Frente

A comissão, que é coreografada por Ana Carolina Vilela, teve como personagem principal o Caboclo. Os outros integrantes carregavam a narrativa de entidades como Exu, Pombagira, Zé Pelintra, Baiano, Cigano, Cigana, Boiadeiro, Marinheiro, Pai de Santo, Ogã e médiuns. A proposta do quesito foi trazer uma gira a céu aberto. A coreografia dos componentes mostrou a manifestação das entidades e, principalmente, a força da incorporação do Caboclo.

Em determinado momento da coreografia, os personagens formavam uma roda em volta do Ogã e do Caboclo, fazendo uma espécie de saudação ao elemento principal. O Ogã não só encenava, mas também tocava o atabaque em harmonia com a parte musical da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A dupla João e Juliana, representando “O Dia e a Noite”, apresentou um bailado tradicional, alternando com coreografias em cima do samba-enredo. Enfrentando um vento mediano, o casal mostrou sincronismo na dança.

Enredo

O Morro apresentou no Anhembi um enredo sobre a religiosidade afro-brasileira, com o título “Saravá Umbanda! Uma história de luz, caridade e amor”. Foram bastante citados ao decorrer do desfile personagens e momentos importantes no fundamento da Umbanda, como, por exemplo, as alas denominadas “Ritual de Batismo” e “Falangeiros de Orixás e Entidades”.

Alegorias

No início do abre-alas, nomeado “Pajelança Cabocla”, teve uma escultura que girava continuamente. O carro trouxe muito verde, em alusão à mata dos Caboclos. Na parte de dentro do carro, havia pessoas coreografando passos que remetem ao enredo.

Já na segunda alegoria, chamada “Saravá Umbanda: Templo de Luz, Caridade e Amor”, na frente, destacou-se a velha guarda vestida de preto velho e preta velha. Já na parte interna, as crianças vieram vestidas de Erês.

No meio da escola, também foi apresentado um tripé representando um tributo a São Jorge, que apresentou falhas no acabamento da barra/saia.

Fantasias

As fantasias apresentaram um conjunto condizente com o enredo. O que deixou a desejar foi a execução de algumas delas. O acabamento apresentou algumas falhas ao decorrer do desfile. A ala das baianas veio vestida nas cores da escola, com peruca e rosto pintado.

Harmonia

O grande ponto alto do desfile foi a harmonia. Os componentes cantaram o samba de maneira intensa, principalmente no momento em que a bateria realizava bossas.

Samba-enredo

A obra composta por Sidney Arruda, André Ricardo, Rubens Gordinho, Thiago SP, Douglas Chocolate, Ulisses Sousa, Jacopetti, Marcia Macedo, Celsinho Mody, Sandro Bernardes, Juninho FPA, João Batista e Tenor mostrou, no desfile, um desempenho eficiente para a comunidade.

O intérprete Wantuir potencializou ainda mais o samba-enredo, que apresenta uma letra de fácil entendimento e uma melodia que facilita para o componente lembrar e cantar.

Evolução

A agremiação desfilou compacta e solta. Em algumas partes do samba, a escola fez coreografia geral, resultando em um “tapete” harmônico e dançante na pista.

Outros destaques

A bateria, de mestre Fábio Américo, também se destacou por suas bossas, que auxiliavam não só o carro de som, mas também a desenvoltura dos componentes durante o desfile.

O Morro da Casa Verde, apesar da pequena falta de acabamento nas fantasias e no tripé, realizou um desfile de alta performance no que se refere a canto, evolução e bateria.

Pérola Negra mostra alegorias impactantes e entra de vez na briga pelo título do Acesso 2

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Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins

A Pérola Negra teve o objetivo de impactar mesmo estando no Acesso 2. Geralmente as escolas apostam em carros reduzidos pelo tempo menor que o grupo tem, mas a Vila Madalena fez o seu abre-alas com uma grandiosidade que pegou todos de surpresa. A promessa da agremiação era de surpreender, mas não a ponto de fugir completamente do ‘roteiro’ do Acesso 2 e levar um abre-alas padrão Grupo Especial. Além disso, muitas informações e esculturas realistas foram usadas nas duas alegorias. O quesito, além da comissão de frente de fácil leitura e o carro de som foram os destaques do desfile.
A ‘Joia Rara’ foi a quinta escola a desfilar com o enredo “Exu Mulher” – assinado pelo carnavalesco Rodrigo Meiners.

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Comissão de frente

A ala, que é coreografada por Alê Batista, tem como dois personagens principais: Exu e Exu Mulher. Os outros bailarinos carregam a narrativa das entidades dos orixás: Olodumarê, Ewá, Ogum, Xangô, Iemanja, Iansã, Oxum, Nanã, Omulú, Oxalá, Oxóssi e Oxumaré.

A ideia da dança era simples, mas bem criativa. O Exu feminino e o masculino ficavam interagindo a maioria do tempo entre eles próprios durante toda a coreografia. Os outros bailarinos, que representavam os orixás, realizavam uma espécie de xirê e faziam uma comissão de frente bem colorida. A ideia era retratar a figura de Exu, principalmente a figura da mulher, como diz o enredo e, assim, fazê-la como uma entidade do bem, sem demonização.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Kadu e Camila, foi para a pista representando “A Chama da Intolerância”. Foi uma grande surpresa neste desfile oficial, pois a porta-bandeira chegou em janeiro neste ciclo carnavalesco. Eles já tinham entrosamento de carnavais anteriores, mas mesmo assim, com tudo em cima, tudo muda. Sobretudo, Camila foi destaque. Dentro do desempenho, a dupla optou por fazer os movimentos obrigatórios. Um desfile seguro. Houve a coreografia dentro do samba, mas foi algo bem discreto. Se destacou pelos giros e sincronia dos movimentos.

Enredo

“Exu Mulher”, desenvolvido pelo carnavalesco Rodrigo Meiners, teve uma ótima apresentação na pista. É um enredo afro, mas que em duas alegorias e uma comissão de frente deu para entender a mensagem perfeitamente, principalmente o quesito que abre a escola – A ideia de colocar os dois Exus no xirê junto com os demais orixás, já passou a sensação de que a escola queria eliminar essa narrativa de demonização que existe sobre a entidade.

Vale destacar as homenagens feita para mulheres na segunda alegoria. Um enredo feminino em uma escola que é governada por mulheres foi uma ideia bem justa colocada em prática.

Alegorias

O abre-alas, que representava a “Demonização de Exu e da cultura africana”, levou para a avenida esculturas grandes, realistas e de cores quentes. Realmente era um belo carro, com uma grandeza de comprimento e largura. Para formar este tamanho, a escola apostou em um acoplamento. Haviam figuras de demônios na frente da alegoria e uma escultura no topo.

O segundo carro, simbolizando o “Terreiro Pérola Negra – Saudação Exu Mulher”, também levou duas esculturas negras realistas – Essas ainda mais detalhadas (maquiagem branca). Outra observação importante é a homenagem às mulheres: Sambista Glorinha, presidente Sheila Mônaco, a escritora Cláudia Alexandre, que é autora do livro Exu Mulher, inspiração do enredo da agremiação. Ponto impSrtantíssimo para o conjunto visual.

Fantasias

A escola optou por utilizar fantasias volumosas em todas as suas alas, com adereços de cabeça ‘pesados’, mas isso não impediu a evolução satisfatória dos componentes, preenchendo os espaços corretamente na pista. As vestimentas usadas foram bastante coloridas.

Harmonia

Um samba-enredo que a comunidade e o povo do samba abraçaram. A resposta do Anhembi foi uma prova. É uma obra musical afro, mas não há muitas palavras oriundas do continente. Por isso, a comunidade pegou fácil e é uma das obras mais queridas do carnaval paulistano, se confirmando na avenida. Os últimos versos para embalar o refrão de cabeça foram as partes mais cantadas pelos desfilantes da Vila Madalena.

Samba-enredo

Irretocável foi o desempenho da dupla Bruno Ribas e Lucas Donato. O experiente intérprete apadrinhou o jovem, que está estreando como intérprete oficial em uma escola de samba em São Paulo. Ambos mostraram que ensaiaram muito neste ciclo de carnaval e foram destaque da Pérola Negra no desfile. A aposta da presidente Sheila em Donato surtiu muito efeito – Ele fazia os cacos, Bruno respondia e vice-versa. O desempenho do ensaio técnico se repetiu e os dois conduziram a ala musical com maestria. Ambos foram os grandes destaques da Pérola Negra no desfile oficial.

Evolução

É bem verdade que não foi uma dança solta, mas esteve de acordo para os preenchimentos de espaço. Não há coreografia dentro do samba, apenas movimentos nos refrões principal e do meio.

Outros destaques

A bateria “Swing da Mada”, regida pelo estreante no carnaval como mestre oficial, Sombrinha, desfilou representando os “Iniciados no candomblé”. O desempenho foi de sucesso, se destacando principalmente pelo andamento dado para o samba. Uma nova característica de bateria chegou na Pérola Negra.

Casal em sintonia e bateria criativa dão o tom do desfile da Torcida Jovem

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

A Torcida Jovem desfilou neste sábado pelo Grupo de Acesso 2 do carnaval de São Paulo de 2025. O primeiro casal teve uma atuação deslumbrante, representando o pavilhão da comunidade santista com vigor e elegância. A bateria “Firmeza Total” também levantou o público com bossas criativas ao longo do cortejo, encerrado após 47 minutos. A Alvinegra foi a quarta agremiação a passar e se apresentou com o enredo “Na Capital do Reggae, onde a natureza canta e o mundo se encanta. São Luís do Maranhão”, assinado pela comissão de carnaval formada por China, Deko, Evandro e Jefferson Silvan.

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Comissão de Frente

Coreografada por Fernando Lee, a comissão de frente da Jovem foi intitulada “A Disputa das 3 Coroas” e se apresentou ao longo de duas passagens do samba. A proposta foi mostrar o período colonial da região de São Luís. A região chegou a ser ocupada por França e Holanda em diferentes momentos da história, obrigando Portugal a travar batalhas para reconquistar seu território. O quesito apresenta esse momento através de atores representando as colônias formadas por esses países, com o uso de três plataformas móveis construídas de forma modular que permitindo a conversão ao longo da apresentação entre embarcações, o Forte de São Luís e as mesas de negociação utilizadas para definir o status da atual capital maranhense. Na outra face dos tablados havia bandeiras de cada um dos países estampada.

A ideia de usar de plataformas móveis para fazer diferentes montagens de cenário é válida, mas a execução foi insuficiente. Os três atores encarregados de subir nos tablados na maior parte da coreografia não conseguiam fazer o movimento de forma coreografada, sendo um deles, que representou a Holanda, demonstrou especial dificuldade. O acabamento da própria cenografia onde pisavam, em que só se via estampas de coroas, foi riscando ao longo da apresentação, possibilitando ao jurado apontar falha de acabamento. A coreografia não ficou clara na Avenida, sendo no máximo possível apontar facilmente os diferentes momentos em que França, Holanda e Portugal colonizaram a região.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal da Jovem, formado por Gabriel Vullen e Joice Cristina, se apresentou representando a “Influência Africana”. Principal destaque do desfile da escola, a dupla demonstrou muito entrosamento em todos os módulos pelos quais se apresentaram. Os movimentos obrigatórios foram bem executados, a expressão de ambos foi constantemente alegre e confiante, e a coreografia obteve êxito e demonstrou elegância. As expectativas para boas notas no quesito podem ser vistas como elevadas.

Enredo

O enredo da Torcida Jovem é uma homenagem a São Luís do Maranhão. A história da cidade, que é a única capital do país totalmente localizada em uma ilha, é contada na Avenida desde o período colonial, onde o território inicialmente colonizado por Portugal, também teve domínio por França e Holanda por alguns anos distintos. Carregada por uma cultura única marcada por lendas originárias e recebendo influências de seus antigos colonos, a chamada “Ilha do Amor” também é conhecida como a capital brasileira do reggae. São Luís é reconhecida como patrimônio cultural mundial pela Unesco.

Um enredo que pecou por tentar contar histórias demais com pouco espaço para tal. As referências do samba não se aprofundaram pelas fantasias e segunda alegoria não contribuiu para enriquecer a leitura por, ao invés de condensar mais informações, limitar-se a poucas referências do “patrimônio mundial”.

Alegorias

A Jovem se apresentou com um conjunto de duas alegorias e um quadripé. O carro Abre-alas tinha o nome de “França Tropical”. O quadripé, que veio na parte central do desfile, era chamado “Lendas e mistérios”. O segundo carro, que encerrou o desfile da escola, foi batizado de “Patrimônio Mundial”.

As alegorias da Jovem apresentaram bom acabamento. O primeiro carro era de clara leitura e contribuiu para realizar uma boa abertura da história do enredo. O quadripé central tentou ao máximo reunir as lendas e mistérios de São Luís, mas abriu o leque de interpretação das origens do folclore mais que o necessário. O segundo carro pecou por apresentar poucas referências ao fato de São Luís ser considerada um patrimônio cultural mundial.

Fantasias

As fantasias das alas da Torcida Jovem procuraram contribuir para a narrativa do enredo apresentando diferentes destaques da história, geografia e cultura de São Luís do Maranhão. Referências culturais como a Casa Nagô, conhecido local de culto do Tambor de Mina, uma religião afro-brasileira, se fizeram presentes entre as vestimentas dos componentes da escola.

Individualmente falando, as fantasias eram de fácil leitura dentro da proposta apresentada, mas algumas, como a da ala “Palmeira que brota desse chão” e a da ala das baianas dificultavam a evolução dos componentes. A reportagem registrou também a queda do costeiro de uma das baianas da escola, que mesmo após intervenção de um diretor não retornou ao lugar.

Harmonia

O destaque positivo no canto da Torcida Jovem vai para a ala de fantasias mais leves da escola, a “Capital do Reggae”. O coral apresentado pelos desfilantes, porém, foi irregular. Em várias alas componentes foram observados sem sequer cantar o samba da escola, em especial naquelas cujas fantasias eram mais volumosas. O cantar discreto do samba dos desfilantes pode render problemas na hora da apuração.

Samba-enredo

A obra que conduziu o desfile da Torcida Jovem é assinada pelos compositores Turko, Rafa do Cavaco, Maradona, Imperial e Fábio Souza, e na Avenida o samba foi defendido pelo intérprete Vaguinho. Um samba com letra rica em poesia e que consegue contar o enredo dentro de sua proposta. O carro de som teve um bom desempenho, demonstrando bom entrosamento com a bateria “Firmeza Total”. É um dos quesitos que podem contribuir positivamente para as pretensões da escola na apuração.

Evolução

A Torcida Jovem fechou os portões após 47 minutos de desfile, a fluidez foi notável durante a procissão e o recuo da bateria foi bem executado. O principal problema da evolução da escola foi a separação entre comissão de frente e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. O primeiro quesito avançou pela Avenida em uma velocidade desproporcional nos três primeiros módulos em que foram observados, chegando a abrir um espaço para o casal que superou o limite de 12 grades estabelecido pelo regulamento nos módulos um e dois. Um ponto de preocupação para o julgamento da escola.

Outros destaques

A bateria “Firmeza Total” comandada por mestre Caverna deu um belo espetáculo com suas bossas, principalmente no trecho do samba que faz referência à “Capital do Reggae”. A corte comandada pela Rainha Dóris Grace foi um show à parte com sua fantasia de faixas coloridas, interagindo frequentemente com o público.

Desfilando com o regulamento ‘embaixo do braço’, Peruche cumpre todo os quesitos para brigar pelo acesso

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Por Gustavo Lima e fotos de Fábio Martins

A Unidos do Peruche executou o seu desfile oficial. Mais do que isso, realizou um propósito na sua história, que foi homenagear o seu grande cardeal do samba Seo Carlão. A escola conseguiu fazer isso de uma forma bem digna, especialmente no segundo carro alegórico, onde o trono em que o baluarte iria desfilar, foi colocado o seu tradicional chapéu.
Entretanto, na pista, claramente a agremiação quis desfilar com o regulamento para si. Foi uma apresentação correta em todos os sentidos. Nada tão grandioso como foi o Peruche de anos atrás, mesmo estando no Acesso . A Filial do Samba optou por fazer o básico e estão na briga. Apesar de algumas ressalvas, todos os quesitos foram cumpridos de forma satisfatória.

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Com o tema “Axé Griô! Carlão do Peruche, o cardeal preto do samba”, a Unidos do Peruche foi a terceira escola a desfilar pelo Grupo de Acesso ll.

Comissão de frente

Comandada por Carllos Alvez, a comissão de frente é denominada “Laroyê! O tambor e a alma na imensidão de Olorum”, tendo quatro personagens: Exu, Alma, Tamboreira e Guardiões do universo de Olorum, além de um elemento alegórico chamado “Altar sagrado”.

A coreografia consistia em mostrar um lado de Carlão africanizado. Realmente falar conversar com o público que a Unidos do Peruche tem o seu berço negro. Os bailarinos desfilaram com fantasias bem acabadas e com maquiagens que deram um belo tom na ala. A encenação teve bastante interação do personagem Exu com a personagem Alma, sendo os dois os principais destaques. Os guardiões dançavam no ritmo do samba e cruzavam a pista saudando o público. A bailarina que representava a Tamboreira era uma criança que, literalmente, simulava tocar um tambor no tripé do “Altar Sagrado” – Este elemento alegórico exaltava a africanidade, sendo uma escultura ‘mascarada’ toda azul com tons marrons com elementos de palhas. A comissão de frente cumpriu bem o seu papel dentro do que era proposto.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Representando o “Ritual da travessia – o vento e o mar”, o casal Patrick Vicente e Sofia Nascimento teve um desempenho satisfatório no desfile oficial. A dupla realizou a coreografia dentro do samba nas cabines, além dos giros. Ventanias fortes bateram em determinados momentos na passarela, mas Sofia conseguiu superar bem essas adversidades e terminaram o desfile com o máximo êxito. Vale destacar a indumentária do casal: Uma elegância nos costeiros e saias, com cores em roxo, marrom e preto.

Enredo

O enredo “Axé Griô! Carlão do Peruche, o cardeal preto do samba”, desenvolvido pelo carnavalesco Chico, foi desenvolvido de forma satisfatória na pista. Era muito clara a mensagem que a escola queria passar. Não era só uma homenagem, mas sim uma exaltação à africanidade de Seo Carlão, o último baluarte que, até então esteve em vida quando o tema foi anunciado. Vale destacar a segunda alegoria, que tinha um arlequim segurando a bandeira do Peruche, representando o carnaval. Neste mesmo carro, um tributo ao homenageado: No trono que ele iria desfilar, a tradicional boina foi usada no local, e também esculturas de dois negros com lágrimas nos olhos, mostrando realmente o luto.

Alegorias

O abre-alas simbolizou o “Tributo à África mística”, e levou elementos do próprio continente, como uma escultura central de um homem com pinturas em todo o rosto na forma africana. A intenção desta abertura de setor, juntamente à comissão de frente citada acima, foi de colocar o lado ‘africanizado’ da Unidos do Peruche e Seo Carlão em jogo.

A segunda alegoria, já claramente com uma homenagem mais clara ao Carlão, tem como nome “Salve a majestade! O cardeal preto do carnaval!”. Como dito, o carro sempre teve a intenção de homenagear o carnaval perucheano, com um arlequim carregando a bandeira da agremiação e sambistas acima. Essas esculturas citadas por último, vinham com uma lágrima escorrendo, uma forma de expressar o luto pela morte do baluarte.
O trono que Carlão. No trono em que o Carlão iria desfilar, foi-se colocada uma boina, que era um dos símbolos do cardeal.

Fantasias

As vestimentas da escola foram bastante coesas com o enredo. Se o tema foi de fácil leitura, as fantasias contribuíram muito para isso, principalmente quando se tratava da história do sambista com a sua agremiação – Destaque para a roupa que homenageava a escola de samba Lavapés e a “Compositor do destino”. Vale destacar a leveza das fantasias. Isso possibilitou uma comodidade maior para o componente evoluir.

Harmonia

O canto do Peruche teve um nível regular. Nitidamente os componentes sabiam cantar a obra, mas faltou imprimir volume e força na hora de defender a harmonia. É um samba que tem fácil assimilação, alegre e que até levantou a arquibancada nos primeiros minutos em que as caixas de som foram abertas para o Anhembi. Vale destacar os refrões principal e do meio, que foram as partes em que a comunidade deu um gás maior.

Samba-enredo

Líder do carro de som desde o ano passado, Renan Bier conduziu a sua ala musical de forma satisfatória. É um intérprete muito enérgico do começo ao fim. Quando soltou o som para o Anhembi, ele começou a gritar “tira o pé do chão”, isso empolgou o público, que reagiu, especialmente na arquibancada Monumental (Setor B).

Evolução

A escola se destacou por evoluir corretamente, sem deixar brechas. O principal adendo vai para as alas, que evoluíram de forma leve e descontraída. As fileiras colocadas foram de forma correta.

Outros destaques

A bateria “Rolo Compressor”, comandada por mestre Marcel Bonfim, deu ritmo à escola com a fantasia “Aprendiz da batucada” realizou duas ou três bossas estratégicas para as cabines.

Imperatriz da Pauliceia faz desfile empolgante, mas peca na evolução no final

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Por Naomi Prado e fotos de Fábio Martins

A Imperatriz da Pauliceia fez um desfile empolgante, tendo como destaques a bateria, a comissão de frente e a ala musical. As alas desfilaram de maneira alegre, porém, ao final  tiveram que apertar o passo para o encerramento. Com o enredo “Eu queria que essa fantasia fosse eterna”, assinado por uma comissão composta por Deuseni, Robson, Isabel e Fran, a Imperatriz da Pauliceia foi a segunda escola a desfilar pelo Grupo de Acesso 2, encerrando seu desfile com 49 minutos.

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Comissão de Frente

O grupo, coreografado por Diego Ferraz, teve como personagem principal o folião. Os demais bailarinos representaram baianas, passista masculino, passista feminina, velha-guarda masculina, velha-guarda feminina, porta-bandeira, mestre-sala, diretores de harmonia e a própria Comissão de Frente. O intuito da comissão foi mostrar como é o início do componente dentro de uma escola de samba: o encantamento do folião ao entrar em uma quadra de escola de samba para ver os segmentos e, por fim, a alegria dele ao poder fazer parte daquilo também.

A quadra foi representada por uma espécie de portal. Além de toda celebração, a comissão realizou passos característicos do quesito, mesclando com encenações tradicionais dentro de uma escola de samba, como, por exemplo, passistas sambando e a velha-guarda ensinando o folião a cumprimentar o pavilhão.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal Ronaldo e Leila, representando a Flor e o Beija-Flor, realizou, em sua apresentação ao módulo, uma coreografia tradicional do quesito, optando por não inserir coreografias em cima do samba-enredo. Foi apresentado sincronismo.

Enredo

A Pauliceia levou ao Anhembi um enredo lúdico que contou sobre o acolhimento que a cultura do carnaval proporciona aos foliões e componentes. Com o título de enredo “Eu queria que essa fantasia fosse eterna”, alas foram denominadas como “Dom de Carnavalesco” e “O Templo da Diversidade”, pois, dentro da proposta do enredo, o carnaval revela o dom das pessoas, além de ser um ambiente de inclusão.

Alegorias

O carro abre-alas representou “É festa na casa do povo”, com uma coroa representando o símbolo da escola ao centro do carro alegórico. Os destaques fizeram coreografias na parte inferior da alegoria, vestidos de malandros e cabrochas.

Chamada de “Virei cria de terreiro”, a segunda alegoria trouxe a escultura de um casal de mestre-sala e porta-bandeira segurando o pavilhão da Pauliceia.

Fantasias

A ala das baianas desfilou com um saiote em tons de azul, com uma coruja roxa ao centro da parte superior, representando o mascote da Imperatriz. A ala quatro, “O Templo da Diversidade”, foi destaque por suas cores vibrantes e seu acabamento.

Harmonia

A parte musical da agremiação desfilou em perfeito entrosamento, fazendo com que os componentes pudessem aproveitar mais o samba-enredo. A ala musical, dirigida por Tiganá, cantou em harmonia, dando mais possibilidades para o intérprete oficial realizar cacos. O canto da escola foi regular.

Samba-Enredo

A obra, composta por Márcio Alexandre, teve um desenvolvimento proveitoso durante o desfile. O samba é de fácil canto. A melodia trouxe mais animação ao público, tendo em vista que a letra é simples. A execução da parte musical da escola sobre o samba foi precisa e coesa.

Evolução

A agremiação desfilou compacta, de maneira leve e dançante. O ponto de atenção foi no final do desfile, quando os componentes mudaram o andamento e aceleraram o passo para o encerramento.

Outros Destaques

A bateria de mestra Rafa também foi destaque, juntamente com a rainha da bateria e do carnaval, Arie. Os componentes realizaram coreografias que animaram o público presente e bossas que exaltaram o samba-enredo.

A ala de passistas aproveitou o bom andamento e, vestida de dourado, desfilou sambando, mostrando boa evolução.

A Imperatriz da Pauliceia superou as expectativas de quem assistiu ao seu único ensaio técnico. Trouxeram canto e movimentação corporal.