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Irretocável! Em ensaio de gala, Imperatriz pulsa, mostra força e técnica dos quesitos

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Por Luiz Gustavo (Colaboraram Lucas Santos, Freddy Ferreira, Allan Duffes, Guibsom Romão, Juliana Henrik, Gabriel Radicetti, Marielli Patrocínio, Matheus Vinícius e Rhyan de Meira)

Se o ensaio do fim de semana passado mostrou uma Imperatriz preparada para manter o nível dos seus dois últimos carnavais, no teste de luz e som do último domingo a escola deu um passo adiante e realizou uma apresentação irrepreensível, com todos os quesitos funcionando no mais alto patamar. Casal, comissão, samba, bateria e componentes formaram um conjunto de impressionar. Tudo funcionou perfeitamente, numa sintonia fina entre o que se via e o que se ouvia. Completando o conjunto uníssono, a verde e branco esquentou o público da Sapucaí com um ensaio quente e recebeu ótima resposta dos sambistas que lotaram o Sambódromo. Com o som presente em todos os setores, a escola dominou a pista e desfilou como se estivesse em Ramos, totalmente à vontade. A Imperatriz evoluiu feliz, leve e pulsante sem esquecer da técnica, da fluidez do desfile. Algumas alas pareciam flutuar na pista tamanha a empolgação e força com que avançavam pela avenida. Foi um treino com uma energia de uma escola que exala felicidade e cada vez mais consegue transmitir esse sentimento ao público, criando uma sinergia que ficou explícita nessa última noite de ensaios técnicos.

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Neste embalo, a Imperatriz entrará em busca do seu décimo título do Grupo Especial no próximo domingo, 02 de março, apresentando o enredo “Ómi Tútú ao Olúfon – Água Fresca Para o Senhor de Ifón”, mais um carnaval desenvolvido por Leandro Vieira.

Um dos diretores de carnaval, André Bonatte, avaliou positivamente a oportunidade de dois ensaios e entendeu a Imperatriz pronta. “Foi acima, sinceramente, do que a gente esperava. Conseguimos fazer um grande ensaio no canto, evolução. Deu muito mais confiança, segurança. Muito importante dois ensaios aqui, acho que o primeiro tem o seu valor, por não ser com o sistema de som da Avenida, a gente consegue perceber muito melhor o canto, aí você exige mais do componente e esse agora que é mais completo com luz e som a gente consegue perceber tudo. Estamos tranquilos naquilo que a gente planejou. Eu acho que superou a expectativa. AImperatriz está pronta para vir para Avenida no dia”.

Comissão de Frente

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Foto; Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval

Patrick Carvalho apresentou a coreografia mostrada desde os ensaios de rua e que teve bom impacto com o público no ensaio do fim de semana anterior. Os Exus mantiveram a performance de interpretação forte, tanto corporal quanto nas expressões de cada componente. A coreografia foi realizada com absoluta sincronia em todas as cabines, assim como o efeito do fogo que é o momento de maior clímax de uma apresentação energizada. Uma comissão que gera bastante expectativa para a apresentação oficial.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A cada apresentação, Phelipe e Rafaela mostram que a retomada da parceria em 2022 foi acertadíssima. Desde então, eles mantêm um nível impressionante e não foi diferente neste ensaio, com um desempenho extraordinário nas quatro cabines, aliando leveza, agilidade e precisão. Phelipe é extremamente ligeiro em seus movimentos, um bailado limpo e gingado. Rafaela executa cada giro com muita elegância, e confirma o grande momento de sua carreira. As coreografias com base na letra do samba foram encaixadas com muita inteligência sem colocar o bailado tradicional em segundo plano. Os movimentos no trecho do refrão principal “Oni sáa wúre, awúre, awúre, quem governa esse terreiro ostenta seu adê” são muito bonitos visualmente e transmitem muita força e energia à dança do casal.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

“Foi maravilhosa a nossa impressão do ensaio da Imperatriz. A gente sabe que quando não tem som a gente fica um pouco distante, mas dessa vez com o som da Sapucaí foi uma experiência muita boa, pudemos ouvir o tempo todo. Sobre a nossa parte a avaliação, antes de tudo, foi importante receber o carinho do público, mais uma vez, a coreografia que a gente apresentou deu para testar tudo, agora é aguardar o grande dia e fazer bonito”, projetou o mestre-sala.

“Agora, com a oportunidade de a gente ter dois ensaios técnicos, deu para avaliar o primeiro e trazer outros movimentos para que a gente possa experimentar e chegue no grande dia com um grau de excelência. Foi um desfile leve que a gente estava proposto a fazer, muito tranquilo para curtir, que hoje é um desfile mais tranquilo que no dia. A gente se prepara muito. Tudo acontece na Avenida e a gente trabalha muito para que tudo aconteça da melhor maneira”, completou a porta-bandeira.

Samba e Harmonia

O conjunto mais impressionante do ensaio da Imperatriz. Assim como o samba de 2024, a obra que a escola defenderá no próximo desfile mostrou uma enorme crescente desde sua escolha e termina este pré-carnaval no apíce de seu rendimento. O samba não só passou sem queda durante o ensaio, como terminou ainda mais forte do que no início, a cada passada o rendimento cresceu. Além da qualidade do mesmo, contribuiu o elogiado carro de som da escola, com Pitty de Menezes mantendo o seu padrão de excelência muito bem acompanhado pelos seus auxiliares. Um banho de harmonia das vozes, alcance e afinação que potencializam a força deste samba. O andamento escolhido também ajudou bastante e a swing da Leopoldina mostrou porque é uma das grandes baterias do carnaval há alguns anos. Mestre Lolo abusou das bossas que seguraram um desempenho quente do samba em todo o ensaio, e se comunicaram muito bem com o público. Lolo falou sobre o seu trabalho.

“Tem todo um trabalho para a repetição dessas bossas, quando o casal entra na cabine a gente vai e faz a bossa para o casal se apresentar também, por isso que tem um número excessivo de bossas. E é gratificante você ver o seu trabalho chegar aqui e ser bem recebido. Semana passada não foi com o som da avenida, mas foi legal. Hoje foi a cereja do bolo. Amanhã (segunda) é a entrega das fantasias da bateria e só esperar o dia do desfile, está tudo pronto”, afirmou mestre Lolo.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Em relação ao canto dos componentes, o rendimento foi ainda melhor que no ensaio passado, com o plus do som espalhado por toda a avenida. A Imperatriz cantou em absoluto, mas após o primeiro setor a escola entrou em êxtase, entoando o samba com muita empolgação e sem trechos com irregularidade. Pelo contrário, o canto crescia a cada passo dos componentes. O final foi uma apoteose, com os componentes comemorando o grande ensaio realizado.

“Maravilhoso! Imperatriz está pronta. Imperatriz está pronta pra conquistar sua décima estrela. Sua comunidade tá muito feliz. A comunidade tá cantando muito. O mundo do samba está cantando com a Imperatriz. E hoje a Imperatriz só mostrou o que a gente vem fazendo em nossa quadra, na rua, lá na Euclides Farias. Agora, é colocar em prática domingo que vem”, comentou o intérprete Pitty de Menezes.

Evolução

A escola flutuou na pista e apresentou uma evolução muito solta, empolgando o público presente. Mesmo com várias alas coreografadas, a Imperatriz não passa a sensação de uma escola presa ou lenta, tudo flui naturalmente e a escola não desperdiça um metro de Sapucaí sem brincar ou cantar forte. O primeiro setor é menos explosivo com alas coreografadas e uma ala de senhoras, mas puxa uma evolução tranquila.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Após a passagem do primeiro setor, o que se viu foi uma escola quicando na pista, algumas alas em transe, como a bonita ala representando oxum. Uma evolução fortíssima sem apressar o compasso da verde e branco, mantendo seu ritmo agradável e pulsante, e principalmente, mostrando uma escola que brinca na avenida. A Imperatriz hoje não apenas ensaia, ela se celebra.

Bateria e Outros Destaques

Uma bateria “Swing da Leopoldina” (SL) da Imperatriz Leopoldinense com uma afinação de surdos privilegiada, fazendo ressoar o ótimo balanço dos surdos de terceira, inclusive em bossas. A parte de trás do ritmo contou com repiques coesos que tocaram junto de um naipe de caixas de guerra talentoso. Atabaques e agogôs de duas campanas também se fizeram presentes na cozinha da bateria “SL”, auxiliando em ritmo e também em bossas. Na cabeça da bateria da Rainha de Ramos, uma boa ala de cuícas tocou com consistência. Um trabalho bem entrosado de chocalhos técnicos e tamborins acima da média encheu de brilho sonoro as peças leves. Bossas intimamente ligadas ao que o belo samba da escola solicitava foram apresentadas. Uma conexão louvável com o enredo de matriz africana da escola na criação musical dos arranjos merece menção. Uma bateria da Imperatriz que aguarda ansiosamente o momento de entrar na pista e exibir seu potente trabalho.

A presidente Cátia Drummond veio bastante empolgada à frente da escola chamando o público para participar com a Imperatriz. A ala de passistas desfilou com as mulheres simulando uma cabeça raspada, num bom efeito e uma bonita roupa. Outra ala de destaque foi a que representava Oxum, pela beleza da indumentária e pela energia
transmitida em sua evolução.

Grande Rio encanta a Sapucaí, dá show de técnica e faz ensaio para brigar forte pelo título do carnaval

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Por Allan Duffes (Colaboraram Lucas Santos, Freddy Fereira, Luiz Gustavo, Guibsom Romão, Juliana Henrik, Gabriel Radicetti, Marielli Patrocínio, Matheus Vinícius e Rhyan de Meira)

A Grande Rio passou pela segunda vez na temporada, na Sapucaí, para o ensaio técnico do teste de som e luz. Desta vez com som, o oficial da avenida, a Tricolor de Caxias pôde exibir a força do seu samba-enredo e a técnica dos seus quesitos. Com destaque para mais uma grande exibição do casal, da ala musical e da comunidade, a escola encantou o Sambódromo em um ensaio de encher os olhos e agradar os ouvidos. Na próxima semana, na terça-feira de carnaval, a Grande Rio desfilará com o enredo “Pororocas parawaras: as águas dos meus encantos nas contas dos curimbós”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

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Se no primeiro ensaio técnico a Grande Rio sofreu com o carro de som, dessa vez, a escola esbanjou o talento da conexão entre cantores e bateria, alinhado ao canto afinado e potente dos componentes. Ala a ala, a energia da Grande Rio preencheu o Sambódromo com uma evolução nota 10. Foi como se a escola estivesse separado cada quesito e explicando a excelência de cada um.

“Muito bom. A escola está pronta. Fizemos um grande ensaio, a comunidade respondeu, fizemos a puxada do desfile. E eu estou muito feliz, satisfeito, que a comunidade está mostrando. Agora falta uma semana, eu estou muito feliz do que aconteceu hoje aqui”, avaliou Thiago Monteiro, diretor de carnaval.

Comissão de frente

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Coreografada por Hélio Bejani e Beth Bejani, a comissão de frente da Grande Rio apresentou uma variação da coreografia que montou para o pré-carnaval. A do último domingo, mais dinâmica, mostrou a integração entre os dois elencos e, assim como em 2024, dá indícios de que levará para o desfile, um número de quase duas passadas do samba.

Os dois elencos, em coreografias diferentes, deram o tom certo para que a apresentação não parecesse longa. O molejo dos componentes masculinos deu clima de sensualidade à dança. Enquanto o grupo feminino, esbanjou todo o talento no carimbó. Mais uma bela montagem de um grupo que acostumou o carnaval a se impressionar a cada apresentação.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Pura encantaria na dança de Daniel Werneck e Taciana Couto. Vestidos de brando, eles permanecem juntos em toda a coreografia e, só se separam um pouco no trecho “quatro contas, um cocar”. No mais, eles bailam pela pista e levam o espectador com eles. Daniel mostra alegria no bailado e Taciana é fantástica nos giros. Somando o talento à coreografia, a nota 40 é questão de tempo para o primeiro casal da Grande Rio.

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“Foi mais um grande ensaio técnico, mais uma vez, a gente conseguiu cumprir com aquilo que a gente se propôs a fazer, conseguimos colocar as alterações que a gente fez em relacao ao ensaio técnico anterior. Trabalhamos isso de lá para cá e acredito que é isso que a gente vai levar para a Avenida. Vai ser um grande desfile”, avalia a porta-bandeira.

“Eu gostei muito da nossa apresentação, tudo que a gente ensaiou, funcionou aqui na Avenida. Gostei também desse teste de som e de Luz. Hoje, o som funcionou perfeitamente, e, ainda assim, a comunidade seguiu cantando. Conseguimos sentir o calor do público. Essa semana ainda tem ensaio, até quinta-feira, sexta-feira, ainda rola um ensaiozinho”, disse o mestre-sala.

Harmonia

O canto de Caxias é forte e não precisa de feitiçaria parawara para contagiar o público e puxar a galera com a escola. Ala a ala, o canto é constante, com explosão no refrão principal e coreografias na letra do samba, com destaque para o refrão do meio.

“Não falta mais ajuste nenhum, hoje foi colocar tudo que durante esses meses a Grande Rio veio preparando muito bem. Estamos muito felizes com todo o resultado dos nossos ensaios, isso veio sacramentar o nosso grandioso ensaio que foi como um desfile técnico. Foi maravilhoso, estamos felizes de verdade, com a sensação do dever cumprido, agora só esperar o dia 04 chegar para ver a Sapucaí cantando junto com a gente. Ainda temos alguns compromissos em programas de TV e rádio, mas a partir da terça-feira é descanso total, cuidar da voz pra chegar da melhor maneira no desfile”, comentou o intérprete Evandro Malandro.

Samba-enredo

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Uma levada contagiante do samba da Grande Rio. Mais uma vez, é preciso destacar o talento do carro som, liderado por Evandro Malandro. Alinhado ao famoso ritmo cadenciado da bateria do mestre Fafá, é um samba incansável, que permite o componente a explodir a cada refrão, sem cair o canto no restante do samba.

Evolução

Uma escola tranquila. O ensaio técnico da Grande Rio teve duração de 73 minutos. A escola explicou que foi para descontar o tempo das alegorias. No minuto 69, só faltava a bateria passar pelo portão. O que permitiu ao mestre Fafá se divertir um pouco com seus ritmistas.

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Ao longo da pista, um balanço impressionante. Escola pulsante, componentes nas alas, mas brincando e dançando as bossas da bateria. Aulas de organização. A Grande Rio não tinha figurões e “amigos da escola” em volta da bateria. Isso permitiu ao componente tocar sem se espremer ou algum surdo ser atrapalhado.

Bateria e Outros destaques

O tripé que abriu o desfile era um espetáculo a parte. Ele trazia uma onça (a da comissão de frente de 2024 repaginada) com uma borboleta em cima e araras na lateral. Uma cobra envolvia a alegoria, produzida com a ótima qualidade que a equipe artística da Grande Rio tem.

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Mais um grande destaque foi a apresentação da bateria, que contou com mulheres interagindo com instrumentos na frente dos componentes. Paolla Oliveira também participou deste momento. Ela, inclusive, colocava uma saia para esta parte da apresentação.

Paolla, por sua vez, seguiu fazendo dupla com mestre Fafá, na exibição da bateria para os jurados. Ovacionada pelo público, ela segue saboreando seus últimos momentos como rainha da bateria da Grande Rio.

Uma bateria da Acadêmicos do Grande Rio primando pela bela equalização de timbres e equilíbrio. A parte de trás do ritmo contou com uma boa afinação de surdos, fazendo realçar o trabalho caprichado das terceiras. Repiques coesos e retos tocaram integrados a um naipe de caixas de guerra ressonante e com bom volume. Na cabeça da bateria da tricolor caxiense, um naipe de cuícas sólido e uma ala de agogôs exemplar mostraram valor sonoro na parte da frente do ritmo. Chocalhos de qualidade técnica tocaram interligados a um naipe de tamborins bastante eficiente. Um ótimo entrosamento entre ambos os naipes, inclusive em bossas. As bossas da Grande Rio levavam em conta as variações melódicas do grande samba-enredo da agremiação para consolidar seu ritmo. Uma criação bastante intuitiva, demonstrando um bom gosto musical evidente. Uma bateria da Grande Rio com uma educação musical privilegiada, além de uma equalização de timbres acima da média, mostrando estar totalmente pronta para mais um grande desfile.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

“Eu consegui colocar tudo que estava planejado. No último ensaio tivemos um problema no carro de som. A gente praticamente não ensaiou e esse de agora a bateria pulsou e a escola cantou e vibrou. Foi algo algo muito fantástico. Só tenho a agradecer aos meus ritmistas por tudo que eles fizeram hoje. Espero que eles repitam isso no dia do desfile, com muita segurança, a mesma humildade, e sabedoria”, deseja o mestre Fafá.

Técnico e quente, Salgueiro impressiona no canto e na performance dos demais quesitos

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Por Lucas Santos (Colaboraram Allan Duffes, Freddy Fereira, Luiz Gustavo, Guibsom Romão, Juliana Henrik, Gabriel Radicetti, Marielli Patrocínio, Matheus Vinícius e Rhyan de Meira)

Já passavam das 20h de domingo quando o Salgueiro pisou em uma Sapucai lotada e com uma torcida apaixonada. Na temática, parecia uma continuação da lavagem,trazendo a energia da religiosidade e da busca pelo corpo fechado. Quente, a escola se mostrou extremamente feliz com o enredo e samba, retribuiu não só no canto, mas na organizaçãoda escola e no cuidado para nao errar. Se o canto foi potente e destaque, não se pode ignorar a excelente apresentação de alguns outros quesitos. Aliás, em alguns segmentos, como o primeiro casal, já era muito esperado esse destaque, mas a escola também teve mais uma vez uma apresentação completa e bem feita da comissão de frente, além de alto rendimento do samba. A Academia demonstrou força e jorrou expectativas de voltar a fazer desfiles que briguem efetivamente pelos primeiros lugares.

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“A gente tem uma escola que está se notabilizando por dar show. O Salgueiro dá show nos seus ensaios, um samba cantado por toda essa Sapucaí, acho que deve ter umas 80 mil pessoas aqui e todo mundo cantando com a gente. É uma sensação boa. Ao mesmo tempo, a gente tem a técnica. As paradas para apresentações foram todas perfeitas. A gente está pronto”, avaliou Wilsinho Alves, diretor de carnaval.

Comissão de Frente

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Paulo Pinna, mais uma vez, investiu bastante para o ensaio técnico. Com a temática voltada para o refrão do meio, e o figurino impecável dos componentes baseados na figura de Lampião, a comissão trouxe dança, elemento cenográfico e surpresas. Na segunda parte do samba houve uma troca de elenco quando os cangaceiros entram dentro de uma espécie de enormes jarros. Como é costume nas comissões de Paulo Pinna, os componentes demonstraram muita vontade e energia, inclusive, fazendo uma ótima coreografia de deslocamento. No final a bandeira do Salgueiro tremulava ao lado de Lampião ladeado pelas figuras que sugiram das garrafas. Ótima utilização da iluminação cênica também.

Mestre-sala e Porta-Bandeira

Primeiro é importante falar da elegância do figurino, isso na simplicidade, porque não era uma roupa super trabalhada em elementos, mas extremamente elegante. Sidclei no terno preto e com o costumeiro bastão na mão, enquanto Marcella estava com um vestido vermelho com alguns detalhes mais escuros. A saia do vestido, aliás, foi muito bem utilizada pela porta-bandeira em seus diversos giros. Impressionante como ela realiza tantos giros seguidos, na velocidade em que faz e mantém sempre a firmeza no pavilhão, mesmo em um momento que ventava bastante no Sambodromo. Surreal, a perfeição! E, Sidclei, acompanhava também com tamanha intensidade. Em um bailado mais clássico, até bastante comum par a dupla, o casal soube pontuar com alguns passos e gestos que se relacionavam com o samba. Já no fim, no refrão de baixo, após mais uma grande rodada de rodopios, Marcella com toda a classe saúda a cabine de julgadores com movimentos mostrando o pavilhão. Performance de nível alto.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

“A energia foi a mesma do último ensaio. A gente tem o canto muito forte da escola, mas claro que com o som fica muito mais fácil, você tem o som da bateria que é muito importante. Foi um ensaio maravilhoso, estamos prontos para semana que vem fazermos mais um desfile, já fizemos dois, que venha o terceiro”, disse o mestre-sala.

Harmonia

O carro de som do Salgueiro veio bem equilizado permitindo que Igor Sorriso pudesse comandar através de sua voz, com os apoios em um volume e equalizacão que pudesse ajudar ao intérprete sem aparecerem de forma exagerada. Livre e solto, o cantor, que é um intérprete com chamadas características, gosta de ir ao público e mexer com o componente, esteve sempre à vontade no samba, mas não esqueceu ou deixou de lado a necessidade de cantar com correção e intensidade a obra. Chamou a comunidade a responsabilidade que foi atendida de forma potente. O Salgueiro cantou bastante o samba durante todo o ensaio e tornou o clima quente, mostrando que nao era um ensaio somente para a tecnicidade.

“A gente fica com o som muito centrado no carro de som, não percebemos tanto a diferença num todo, mas foi um ensaio muito positivo. Mais um. Ajustando os detalhes, Salgueiro vem para buscar a vitória. Sabemos que a concorrência é grande, é muito difícil ganhar o carnaval, mas estamos preparados e vamos fazer um desfile maravilhoso”, comentou o cantor Igor Sorriso.

Samba

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O samba é muito valente e tem características muito intrínsecas ao estilo que o Salgueiro gosta de levar para a Sapucaí. Melodia de fácil assimilação, com alguns molhos como o refrão do meio que tem algumas características únicas. O andamento é para frente como gosta a “Furiosa”, mas permitiu que as batidas “bem macumbadas”, “de curimba”, pudessem fazer com que a obra ficassem ainda melhor, como em algumas bossas no refrão principal, no “macumbeiro, mandigueiro”. A obra, por ter bem do DNA do Salgueiro, impulsionou inclusive o rendimento de outros quesitos como harmonia e evolução. Muita interação, principalmente, com o público que também cantava das frisas.

Evolução

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O Salgueiro, mais uma vez, foi muito bem e o samba ajudou. Com pouquíssimas alas coreografadas, exceto a já característica do “maculelê”, coordenada por Carlinhos, e uma ala no final com bastões, a escola apostou na relação do salgueirense com o enredo. O que pode se ver foi uma agremiação muito livre, solta, mas correta, sem apresentar problemas de grandes espaçamentos ou alas emboladas. E, no deslocamento foi uma escola feliz, brincando carnaval e curtindo o samba. Muitos adereços, principalmente, nos primeiros setores, coisas leves que permitiam uma boa fluência do desfilante. Foi muito técnica também nos momentos que são mais críticos como apresentação de comissão e casal, além de saídas e entradas da bateria no recuo.

Bateria e Outros destaques

Uma bateria “Furiosa” do Acadêmicos do Salgueiro com sua afinação tradicionalmente mais pesada, inserida no DNA musical da branca e encarnada da Tijuca. A parte de trás do ritmo contou com um bom naipe de caixas, repiques coesos e taróis eficientes, que junto do balanço envolvente das terceiras deram um molho furioso à cozinha da bateria. Atabaques desfilaram em meio ao ritmo, tendo participação relevante em bossas. Na cabeça da bateria do Salgueiro, cuícas sólidas auxiliaras peças leves. Assim como tamborins tocaram com eficiência interligados a um naipe de showcalhos bem acima da média, que parecia um só por toda a pista. Bossas baseadas no que solicitava o samba, tanto em letra quanto em melodia, foram percebidas. São construções musicais refinadas e contemporâneas. Grande participação das terceiras nos arranjos. A bossa iniciada na segunda do samba terminada no final do refrão principal é uma grande elaboração musical, que culmina num solo de atabaques com ritmistas do repique tocando Cowbell, mostrando um dinamismo sonoro impecável. Uma “Furiosa” com um conjunto de bossas de intenso brilho sonoro, além de versatilidade rítmica. Uma bateria do Salgueiro preparada para a briga pelo gabarito, quiçá sonhando com premiações.

A rainha Viviane Araújo veio com a fantasia “Salve a malandragem” com chapéu de malandro e com fantasia cravejada em pedras preciosas, e claro, vermelho e branco nos tons. A fantasia também brilhava com o led quando a luz da Sapucaí diminuía. No esquenta, a escola cantou “Malandro Batuqueiro” e o icônico “Explode Coração”. O mascote “Sabiá” puxou o início do ensaio. Os componentes traziam nas mãos luzinhas que produziam um efeito de vela, funcionando com as luzes apagadas. Parecia uma grande procissão salgueirense.

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“A gente manteve a mesma consistência do ensaio passadob e o que tem feito nos ensaios, tanto de rua, como setor 11, e no outro ensaio técnico. É isso que a gente preparou pra esse ano, esperar agora segunda-feira pra colocar em prática tudo que a gente ensaiou. Esteve tudo aqui hoje, sem nada guardado”, citou mestre Guilherme.

“Depois de hoje, aqui, eu vou dormir a semana inteira tranquilo. Está tudo no lugar. Tudo que a gente ensaiou ao longo desses oito meses. Até antes de escolher o samba. Após a escolha do samba conseguimos encaixar as bossas e hoje foi pra sacramentar que a Furiosa está pronta para o carnaval”, completou mestre Gustavo

Freddy Ferreira analisa baterias da Beija Flor, Mangueira, Vila Isabel e Portela no ensaio técnico

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Freddy Ferreira analisa baterias do Salgueiro, Grande Rio, Imperatriz e Viradouro no ensaio técnico

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Segundo recuo de bateria da Sapucaí é batizado em homenagem a Monarco

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Considerado um dos maiores sambistas da história, Hildemar Diniz, o Monarco, ficará ainda mais eternizado no carnaval. O saudoso presidente de honra da Portela agora dá nome ao segundo recuo da bateria, em iniciativa da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). O nome do espaço foi oficializado no último domingo, durante o último dia de ensaios técnicos da temporada.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Liesa

“Agora a Sapucaí ficou ainda mais completa, com o primeiro recuo levando o nome de Jamelão, um dos maiores intérpretes da história, e o segundo, de mestre Monarco, sambista brilhante”, destacou o presidente da Liesa, Gabriel David.

O local, considerado um templo sagrado dos ritmistas, que entram com as baterias para aguardar a passagem do restante da escola, até o momento de retornar à pista e finalizar o desfile, recebeu a visita da família de Monarco. Entre eles, o filho Mauro Diniz.

‘Aos campeões, o desconforto!’ Viradouro encara com garra a pressão para conquistar o bicampeonato no Carnaval 2025

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Faltam poucos dias para os desfiles oficiais das escolas de samba na Sapucaí, as expectativas em torno da Viradouro só aumentam. A atual campeã do carnaval carioca se prepara para buscar o bicampeonato apostando no enredo “Malunguinho, o Mensageiro de Três Mundos”, que celebra a força cultural afro-indígena e a luta por liberdade. Nos últimos anos, a escola de Niterói ganhou fama por elevar o patamar de excelência na avenida, se tornando uma forte adversária para as escolas do Grupo Especial e se consagrando com o título em 2024.

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O CARNAVALESCO conversou com alguns componentes da Vermelha e Branca para saber como eles estão lidando com a pressão para superar o desfile campeão. Nas palavras do Mestre Ciça, comandante da bateria Furacão Vermelho e Branco, a Viradouro “elevou o sarrafo lá em cima” no quesito competição, mas ele deixa o ego de lado e encara isso como uma forma de aprimorar seu trabalho, com muita humildade.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

“Temos a consciência do nosso alto padrão de qualidade, mas temos que ter pé no chão. As outras escolas também estão vindo fortíssimas, e assim nossa responsabilidade só aumenta. Sabemos que fizemos um bom carnaval ano passado, mas em todo carnaval se ganha e se perde. Vamos ensaiar muito e cumprir as exigências da escola, porque aqui é desse jeito, o que a gente combina, o que a gente faz. É muita dedicação. Mas me considero uma pessoa abençoada, porque a Viradouro tem um samba espetacular esse ano, que ajuda muito a bateria. Viremos com um ritmo forte, sem correria, com batidas
precisas, e com letras que interagem com o público. ‘O rei da mata que mata quem mata o Brasil’ vai ser um boom na avenida. Faremos um grande desfile da bateria”.

Tarcisio Zanon, carnavalesco responsável por desenvolver o enredo, acredita no poder do processo criativo interno para fazer uma boa apresentação, sem comparações com outras escolas ou desfiles passados.

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Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

“Estamos trabalhando duro e estamos muito confiantes. Tem até um termo que aprendemos com o nosso enredo, que se chama a miração, que significa olhar para dentro de si mesmo. É o que a gente faz. Todo ano olhamos para dentro e tentamos melhorar nossas técnicas, até porque, cada ano é uma página em branco. Temos feito um trabalho em equipe, com união e troca, buscando dar mais conforto aos componentes para facilitar o processo de construção das alegorias e fantasias, e isso tem feito toda a diferença no resultado final. Sem contar que temos um projeto que fala de uma entidade, um universo muito mais masculino, que tem tudo a ver com esse momento da Viradouro, de se posicionar em realidades. Estamos trazendo um grande líder quilombola que enfrentou um sistema. E a Viradouro não está vindo para comemorar apenas um título, ela está vindo para fazer a diferença e para lutar por esse bicampeonato. Espero que esse ano consigamos contemplar o público com um grande carnaval”.

A porta-bandeira Rute Alves enxerga todo desfile como uma oportunidade para trazer novidades: “A cada ano buscamos fazer um trabalho mais rebuscado, visando agradar os jurados, incluindo os novos, mas sem perder a nossa essência”. Enquanto isso, para seu parceiro de dança, o mestre-sala Julinho Nascimento disse: “Cada ano é um ano, e independentemente do resultado, sempre buscamos superar o anterior. Por mais que 2024 tenha sido um ano de êxito, e que tenhamos conseguido entregar a nota que a escola precisava, agora o frio na barriga e as responsabilidades são novos”.

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Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Rute faz questão de citar uma frase usada pelo diretor de carnaval da escola, Alex Fab, que diz “Aos campeões, o desconforto!”, para ressaltar a importância de sempre dar o seu melhor na disputa pelo título, pois, segundo o casal, a partir do momento que se faz a curva na entrada da avenida, todas as agremiações estão competindo igualmente.

Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Falando nele, Alex comenta sua relação com a cobrança pela perfeição. “Trabalhamos para sempre entregar um projeto bem feito, sem pensar em níveis de superação. Procuramos nos manter entre as melhores para, no final, termos a sensação de dever cumprido. Tudo o que nos propomos a fazer envolve muito respeito e verdade. Nesse ano nosso carnaval vem grande, com energia e carregado de sentimentos, respeitando a história da religiosidade. Mas quem vai definir qual desfile foi melhor que o outro é o público e seu gosto pessoal”.

O ex-presidente e atual diretor executivo, Marcelinho Calil, afirma que o motivo de sua escola vir forte esse ano é não se apoiar na ideia de favoritismo para montar o desfile. Ele ainda reforça ser contra a fala que diz que “a Viradouro não comete erros”.

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Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

“Nunca vou concordar com isso, porque se eu concordasse, seria uma soberba enorme. Jamais. A escola trabalha muito, vem corrigindo tudo, se aprimorando sempre. Favoritismo é algo que vem 100% externamente para cá, internamente nem falamos esse tipo de coisa. Não falamos nem em ganhar carnaval no dia a dia, muito menos em ser favorito. Mas, aceito essa cobrança, sem hipocrisia nenhuma. É importante para uma escola que busca títulos, ser pressionada, afinal, isso é do jogo. E a Viradouro vem forte novamente, podem confiar, mas não precisamos superar 2024. Nosso papel é reescrever uma nova página e tentar ser novamente a melhor do ano, e não necessariamente ser melhor que
nós fomos no ano anterior. São enredos diferentes, com histórias diferentes. Já temos a missão de competir com outras escolas, não precisamos adicionar o peso de tentar ganhar do nosso próprio desfile”.

Já Wander Pires, intérprete da escola pelo terceiro ano consecutivo, encara o favoritismo como algo positivo.

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Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

“Para nós, esse pensamento do público é maravilhoso. Usamos isso como forma de incentivo para melhorar o nosso trabalho e conseguir atender às expectativas da nossa comunidade, da nossa escola, e do público que nos acompanha. E dá resultado, pois sinceramente, eu trabalhei em várias escolas, mas até me assustei com o quanto a Viradouro é perfeccionista. Faremos um desfile grandioso”, afirma o cantor, que é muito amado pela comunidade.

Comunidade da Imperatriz revela expectativa por desfile marcante no Carnaval 2025

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Para o Carnaval de 2025, a Imperatriz Leopoldinense apresentará o enredo intitulado “Ómi Tútu ao Olúfon – Água fresca para o Senhor de Ifón”, elaborado pelo carnavalesco Leandro Vieira. O desfile contará a jornada de Oxalá ao reino de Oyó para visitar Xangô, enfatizando valores como humildade e respeito. A última vez que a Imperatriz abordou um orixá como tema central foi em 1979, com o enredo “Oxumaré, a Lenda do Arco-Íris”. Agora, quase cinco décadas depois, a escola resgata suas raízes afro-brasileiras, celebrando a rica mitologia iorubá.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Os membros da comunidade da Imperatriz estão profundamente engajados nos preparativos, participando de ensaios técnicos e eventos na quadra da escola, situada em Ramos, Zona Norte do Rio de Janeiro. A expectativa é de um desfile marcante, que exaltará a cultura afro-brasileira e conquistará o público na Marquês de Sapucaí.

Em função dessa expectativa, o CARNAVALESCO entrevistou alguns integrantes para saber como se sentem após a escolha de um enredo amplamente solicitado e de grande representatividade.

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“É de suma importância que a Imperatriz, após tantos anos, traga um enredo que aborda os orixás e a nossa afro-brasilidade, resgatando e trazendo essa cultura para o nosso contexto. A comunidade se sente representada e o território da Leopoldina, incluindo o Complexo do Alemão, Ramos e Bonsucesso, está cada vez mais próximo da escola. Enredos como esse aproximam a comunidade da escola, e creio que esse é também o objetivo da atual diretoria: reforçar essa relação”, disse Rene Silva, 31 anos, fundador do Voz das Comunidades e morador do Complexo do Alemão.

A componente Aretuza expressou entusiasmo ao relatar que a escola finalmente aborda um enredo afro que homenageia nossos ancestrais.

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“A escola fala sobre o enredo afro da nossa ancestralidade, trazendo alegria ao abordar nossa diversidade e a cultura africana. Isso é fundamental, pois precisamos valorizar a cultura do povo africano e de nós, negros. Somos uma mistura rica. Nossa religião é linda, e estou muito feliz. Como assistente responsável pela ala das crianças, fico contente por vê-los representando algo que, por muito tempo, foi tratado com preconceito. Agora, eles estão mais felizes ainda!”, afirmou Aretuza, 46 anos, moradora do Complexo do Alemão.

Michel comenta sobre a importância do reconhecimento da mitologia africana, que antes era pouco conhecida.

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“Estou adorando, porque o enredo não se limita a um orixá específico; ele abrange uma mitologia que poucas escolas estão explorando. Quando você pesquisa, começa a entender melhor a história de Oxalá, as funções de Exu, o que Xangô pode fazer ou não. A representatividade em relação a essa mitologia é muito relevante, pois muitos conhecem o Candomblé ou a Umbanda com foco em cada orixá individualmente. Eu, pelo menos, não tinha conhecimento desses mitos mais amplos. Para mim, isso é uma grande oportunidade de representatividade para todos os componentes da Imperatriz!”, disse Michel Teixeira, 26 anos.

Maiara, passista da escola, ressalta a importância desse enredo para a comunidade, considerando-o uma verdadeira aula de história que frequentemente permanece inaudita.

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“É de extrema importância abordar um tema tão delicado e essencial para nossa cultura. A escola precisava desse enredo, e a comunidade sonhava com isso. Acredito que isso trouxe um novo ânimo, garra e força. A escola vive um momento incrível e ficamos arrepiados apenas ao ouvir o samba, ao compreendê-lo. Isso nos leva a querer saber mais, pois o carnaval tem essa capacidade de trazer culturas e nos ensinar sobre elas. Para mim, tem sido uma experiência impressionante, surreal e mágica. Não sigo a religião, mas tenho aprendido muito sobre a cultura afro e sua religiosidade. Para mim, tem sido um aprendizado incrível, especialmente após 18 anos como passista na escola!”, compartilhou Maiara Simões, 34 anos.

A Imperatriz Leopoldinense desfilará no domingo, 2 de março de 2025, sendo a segunda escola a se apresentar na Marquês de Sapucaí, com o desfile programado para ocorrer entre 23h20 e 23h30.

Magia, surpresas e encantaria: coreógrafos da comissão de frente da Grande Rio adiantam detalhes do desfile 2025

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O CARNAVALESCO conversou com os coreógrafos da Grande Rio, Hélio e Beth Bejani, que, desde 2019, ano em que ingressaram na escola, conquistaram dois Troféus Estrela do Carnaval, de Melhor Comissão de Frente, pelos desfiles do Exu e Onça.

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“A gente vai fazer uma inovação com o tripé esse ano. Uma coisa que nunca foi feita. Estamos sendo até bastante audaciosos. Tem um risco grande, mas a gente está ensaiando bastante para que tudo dê certo e aconteça perfeitamente como a gente pensou e tem ensaiado”, revelou Beth.

“É através do tripé que a gente consegue criar magias, sonhos”, explicou Hélio.

Em 2025, a Grande Rio leva à avenida o enredo “Pororocas Parawaras: as Águas dos meus Encantos nas Contas dos Curimbós”, sobre a lenda de três princesas turcas que naufragaram no encontro de um rio paraense com o mar e viraram entidades hoje cultuadas na região.

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Fotos: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“O tema Pará é muito abrangente, mas os carnavalescos (Gabriel Haddad e Leonardo Bora) conseguiram seguir por uma linha, trazer um enredo bem específico, bem determinado, contando uma lenda que existe lá. Uma coisa que eles (povos da região) acreditam, que envolve tambor de mina e carimbó, falando das três princesas turcas que naufragaram na pororoca e foram ajuremadas pela jurema. O enredo tem um conteúdo específico, o que é bem legal”, disse Hélio.

“É um enredo muito rico, cheio de encantaria, cheio de magia. É uma honra a gente poder representar o Pará aqui no Rio, no carnaval, essa cultura tão incrível. Vocês podem esperar um momento mágico”, garantiu Beth.

O desfile de 2025 promete consolidar o sucesso da tricolor de Caxias. Desde 2020, com a chegada dos jovens carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora à Grande Rio, a escola sempre voltou para o desfile das campeãs, além de ter ganhado o seu primeiro campeonato do Grupo Especial, em 2022, com o enredo “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”.

“O Léo e o Gabi são muito queridos. A gente entrou na escola um ano antes deles. Foi um casamento perfeito. Eles são muito queridos, a gente se deu super bem. A gente tem muita troca para desenvolver a comissão de frente, dentro do enredo, dentro da proposta que eles pensam para o Carnaval como um todo. Consideramos que somos micro dentro do macro que eles desenvolvem. Eles são geniais”, elogiou Beth.

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“A gente interage de uma forma muito tranquila porque antes do trabalho, antes do profissionalismo, vem a nossa amizade. A gente tem uma empatia muito grande já desde o primeiro carnaval com o Gabriel e o Leo. Fica muito fácil trabalhar assim”, detalhou Hélio.

No ano passado, a comissão de frente da Grande Rio foi uma das mais elogiadas. Parte do enredo “Nosso destino é ser onça”, a apresentação explorou o mito tupinambá da criação do mundo e brincou com a iluminação cênica da Sapucaí, consagrando-se como uma das imagens mais marcantes do Carnaval 2024.

“A gente sempre veio trabalhando a iluminação aqui na Avenida. Desde o Tata Londirá, onde nem tinha iluminação da Avenida, a gente já conseguia trabalhar uma iluminação no nosso próprio espelho d’água, no nosso próprio carro. Agora a gente soma a nossa luz à iluminação da Avenida, que é o melhor dos mundos. A gente vai fazer algo muito diferente do que a gente apresentou o ano passado. É uma proposta totalmente diferente em termos de iluminação, mas é uma proposta que a gente tenta aproveitar também da melhor maneira todo o equipamento da Avenida”, adiantou Beth Bejani.

“A gente trabalha a iluminação de acordo com o que a gente vai apresentar na avenida. Tem os efeitos necessários que vão contar a história. A gente não ilumina por iluminar, a gente não faz efeito por fazer. Tudo que a gente faz procede. Tem que estar alinhado com o enredo. A gente está trabalhando a iluminação da mesma forma que a gente trabalhou no passado, para atender a acima de tudo a apresentação, contar a história do enredo e trazer um clima diferenciado. Que o grande barato da iluminação da Avenida, na minha opinião, é isso: criar um ambiente especial para a comissão se apresentar”, explicou Hélio.

Uma trajetória tão premiada, no entanto, atrai altas expectativas da comunidade e do público. Para Beth, a pressão de se superar a cada ano existe, mas não é novidade.

“Desde o Tata Londirá, onde quando a gente inovou trazendo um espelho d’água onde os bailarinos dançavam e a Grande Rio foi vice-campeã, que a gente teve que se superar ano a ano. Logo depois, veio Exu e foi outro desafio ser pelo menos tão grandioso quanto. Aí vem a Onça e agora vem Pororocas Parawaras. Eu espero que a gente consiga manter o nível ou até mesmo nos superarmos com essa nova proposta”, relembrou Beth.

Segundo a coreógrafa, o trabalho de 2025 da dupla tem como principal referência uma apresentação que assistiram durante as pesquisas do enredo. O nome do espetáculo, no entanto, permanece um segredo.

“A comissão de frente a gente vem com uma diferença de formato, até porque o enredo pede isso. A gente apresenta bem especificamente a narrativa do enredo. Ele está todo ali”, afirmou Hélio.

“É uma performance muito dançada. Ela tem uma parte muito forte de chão, de avenida, de carnaval, de tudo que é sempre muito pedido. Tem uma surpresa, claro, mas ela não é movida por um momento especial. Ela é toda uma encantaria”, encerrou Beth.

Carlinhos Salgueiro: a história do artista que transformou o samba no pé em legado

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Às 23h de uma quinta-feira, na encruzilhada das ruas Maxwell e Uruguai, um grande personagem do carnaval carioca atravessou a linha de chegada de mais um ensaio. Seu nome é Carlos Borges – o Carlinhos Salgueiro, assim como o Brasil e o mundo conhecem o coreógrafo e diretor artístico da vermelho e branco do Andaraí. Ao fim do ensaio de rua, ele seguiu a pé até a quadra da escola, localizada na rua Silva Teles, sendo calorosamente saudado pelos integrantes da agremiação. Cada passo dessa caminhada era um reflexo de sua trajetória: dos becos do Morro do Andaraí aos palcos do mundo. Carlinhos trocou abraços, pousou para fotos e relembrou momentos de sua trajetória de 25 anos no Salgueiro.

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Conhecido pela irreverência e seriedade de seu trabalho, Carlinhos Salgueiro abriu as portas para que os passistas das gerações mais novas tivessem mais liberdade em seu samba no pé. No percurso que fizemos juntos até a quadra do Salgueiro, Carlinhos falou ao CARNAVALESCO sobre os desafios de ser um artista preto, gay e favelado na sua trajetória, o reconhecimento profissional internacional e os sonhos que ainda deseja realizar no carnaval.

Abertura de portas para a diversidade

“O Salgueiro deu a oportunidade para um cara gay, preto e favelado romper barreiras. Se hoje temos passistas da diversidade, passistas não-binários, é porque eu abri a porta para essa galera. As pessoas só viam cabrochas e malandros. Eu rompi a barreira do preconceito”, declarou o artista, relembrando o conselho que recebeu no início da carreira de sua madrinha Aldione Sena: “Seja você!”.

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Se as encruzilhadas da vida reservam encontros imprevisíveis e cheios de sorte, em nossa caminhada tivemos o privilégio de cruzar com outros dois personagens fundamentais na trajetória de Carlinhos Salgueiro. O primeiro deles é Clair Basílio, diretor de bateria da vermelho e branco, que foi quem trouxe o jovem coreógrafo do Morro do Andaraí para a escola de samba. Na época, Clair estava disputando samba na Alegria da Passarela, a primeira escola mirim do Salgueiro, e convidou Carlinhos e seu grupo de dança para fazer parte da torcida. “Como o irmão dele era meu amigo, chamei o Carlinhos para participar. Só que a mãe dele não deixava, então fui até a casa deles pedir permissão”, contou o diretor de bateria, mais conhecido como Mané Perigoso.

Carlinhos reconhece que foi Clair quem conseguiu amolecer o coração de sua mãe para permitir que ele dançasse na escola mirim. “Eu era louco pra dançar na escola de samba, e minha mãe já sabia que eu era uma menina; ela não deixava. Ele foi lá em casa, porque minha mãe era muito rígida. Fui com meu grupo de dança para torcer. O samba dele perdeu na segunda levada, e quem ganhou foi o Dudu Nobre, que me zoa até hoje”, relembra Carlinhos, que estreou aos 11 anos na escola mirim. Esse foi o primeiro passo de uma longa caminhada que o levaria a se tornar um ícone do carnaval.

Outro personagem que abriu caminhos para o artista foi Sidclei dos Santos. Na entrada da quadra, o mestre-sala e o diretor artístico do Salgueiro se encontraram e relembraram momentos do início da amizade. Carlinhos contou que, no início da carreira, desmontava os figurinos de Sidclei e aproveitava as pedrarias das roupas do amigo para fazer os seus trajes. “Eu cheguei aqui, e o Sidclei me apadrinhou. No início, eu não fazia parte do grupo da diretoria, e ele me contava quando tinha alguma apresentação e mandava eu levar uma roupa”, contou Carlinhos, que chegou a dançar no programa de televisão Xuxa Park por exigência do mestre-sala: “Não estava nada escrito lá, e ele falou: ‘Se ele não dançar, eu não danço’. Só ia dançar ele e as meninas. Foi graças ao Sidclei que me tornei o primeiro passista da escola”, revelou Carlinhos, que concretizou com Sidclei uma grande parceria e amizade. “A gente se trata como irmãos”, afirmou.

Salgueiro, uma escola de oportunidades

Enquanto seguíamos em direção à quadra, Carlinhos refletiu sobre sua trajetória artística e profissional no mundo do samba, destacando o papel transformador que a escola de samba teve em sua vida. Para ele, o Salgueiro é uma “escola de oportunidades”. Foi por meio da agremiação que o artista se profissionalizou, conquistou reconhecimento internacional e viajou para 34 países, levando o seu samba no pé para o mundo. Sua dedicação e talento o levaram a ser condecorado como rei na Austrália e na Inglaterra, além de ser nomeado embaixador do carnaval na Alemanha. “Eu nunca imaginei que um cara da comunidade fosse ter a oportunidade de ir para fora com a bandeira do samba”, declarou orgulhoso de cada passo dado em sua trajetória rumo à expansão do legado do samba.

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Quem atesta o prestígio internacional do trabalho do coreógrafo é o bailarino Thálisson Montanari. Recém-chegado da Inglaterra, especialmente para a pré-temporada do Salgueiro, ele conta que Carlinhos é referência lá fora. “O nome da ala de passistas do Salgueiro é referência em Londres”, confirma o gaúcho, que começou a sambar no projeto do artista. “O Carlinhos provoca que a gente saia da nossa zona de conforto. Não é somente o passista sambar, não é isso. É interpretação, é show. Ele trata a gente como artistas”, afirma Thálisson.

Ala Maculelê e o desfile de corpo fechado

A ala Maculelê é uma parte fundamental da caminhada de Carlinhos Salgueiro. Além de desfilar no Salgueiro, a ala também é uma companhia que realiza apresentações fora do carnaval. Alguns de seus integrantes, inclusive, atuam em comissões de frente de outras escolas. Demerson D’Alvaro, o Exu da comissão de frente da Grande Rio em 2020, já integrou a ala. Essa troca de experiências e talentos reforça a importância da ala Maculelê como um celeiro de artistas que transcendem as fronteiras das agremiações.

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Para o desfile de 2025, Carlinhos adianta que a ala Maculelê será um dos grandes destaques do Salgueiro, com um elemento cênico que promete emocionar o público. “Vamos mostrar a diversidade que o Morro do Salgueiro tem. Eu estou muito feliz “, declara o coreógrafo, que ressalta o trabalho intenso de ensaios, já em andamento há três meses. “Tem um elemento cênico muito grande. É realmente um espetáculo”, completa, deixando claro que o público pode esperar uma apresentação grandiosa e “babadeira”.

Samba em transformação

Completando 25 anos no Salgueiro, Carlinhos também avalia a caminhada do samba. Adaptando-se às novas tendências culturais e tecnológicas, o tradicional samba no pé tem passado por transformações significativas ao longo dos últimos anos. Recentemente, a apropriação do samba para as “dancinhas” do TikTok tem gerado debates entre os amantes do gênero. O coreógrafo expressou sua visão sobre o fenômeno: “A minha linha não é essa. Por mais que eu goste de coreografia, eu sou oriundo do samba antigo, do samba de quadril, do samba de malandragem. Eu fico feliz que os meus não foram nessa linha, mas eu não vou criticar quem se sente bem em fazer isso”.

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Carlinhos Salgueiro destaca que a vivacidade do samba implica em transformações: “O samba tem uma vivência, passa por transformações. Hoje as pessoas criticam, de repente pode ser a nova tendência. Não é a minha”. Ele também lembrou das críticas que enfrentou no começo de sua própria trajetória, afirmando: “Como eu fui muito criticado, não posso agora criticar porque eu sei o que eu passei”.

Sonho de Carlinhos: um intercâmbio cultural de samba no pé

Ao final da caminhada, chegamos ao palco da quadra do Salgueiro, onde Carlinhos posou para fotos com sua habitual alegria e irreverência. De lá de cima, ele olha para frente e compartilha um desejo que ainda gostaria de realizar em sua trajetória como artista do carnaval: um projeto de intercâmbio com as alas de passistas das escolas do Grupo de Acesso. “Eu viajo o mundo, sou remunerado por isso, mas queria ir para Belford Roxo, Campo Grande, Caxias… Gostaria de transmitir meu conhecimento para as escolas do acesso”, revelou o coreógrafo, que mencionou a falta de recursos financeiros como um obstáculo para concretizar o projeto. “É muito bonito eu fazer isso lá fora. Mas algo me motiva a fazer isso aqui também. O que falta é ter essa oportunidade”, afirmou. Ele ainda contou que o presidente da Liesa, Gabriel David, prometeu uma conversa para entender melhor a proposta. Esse é mais um passo que ele deseja dar em sua jornada.

Carlinhos do Carnaval

“Eu não sou mais Carlinhos do Salgueiro, eu sou Carlinhos do Carnaval”, declarou ele. “O Salgueiro entende isso e fica com receio. Eu não me vejo só como Carlinhos do Salgueiro. Eu vejo que muita gente aprendeu comigo, mesmo que indiretamente, mesmo sem reconhecer, alguém pegou alguma coisa”, afirma.

Ao final da nossa caminhada, Carlinhos deixa claro que sua trajetória não se limita ao Salgueiro, mas se estende a todo o carnaval, como um legado de resistência, diversidade e amor ao samba. Cada passo que ele dá é uma inspiração para quem vem depois, mostrando que o samba no pé é uma jornada sem fim.