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Comunidade empolga, mas conjunto visual do Camisa Verde e Branco deixa a desejar

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O Camisa Verde e Branco fechou a primeira noite de desfiles do Grupo Especial. A apresentação foi marcada pelo canto da comunidade, bateria “Furiosa e o carro de som comandado pelo Igor Vianna. Porém a parte plástica deixou muito a desejar. Nitidamente o Trevo da Barra Funda jogou com o regulamente, utilizou materiais mais acessíveis financeiramente e a briga, diante de todos os acontecimentos no ciclo carnavalesco da escola, é brigar para se manter no Grupo Especial.

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Comissão de frente

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A ala, coreografada por Luiz Romero, desfilou representando “As poesias de Cazuza e sua máquina de escrever a vida”, onde nela havia três personagens, sendo o Cazuza adulto e criança, além dos fantasiados de “Poesias de Cazuza” – O tripé, bastante utilizado na encenação, representava a máquina de escrever. Entre o Cazuza infantil e o adulto, que eram os principais, o primeiro era o que mais aparecia na dança. Ambos circulavam pela pista e também usavam o espaço do elemento alegórico. O pequeno vestia uma roupa e penteado estilo anos 60, enquanto o adulto estava com uma indumentária ‘descolada’, típica de Cazuza – Regata e óculos: O objetivo da comissão foi exaltar a musicalidade dele e mostrar os movimentos do rock através dos principais personagens.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Everson Sena e Lyssandra Grooters estreou pelo Trevo representando a “Musicalidade do poeta”, dançou pela pista fazendo coreografias e também executando os giros, mas principalmente optando pela primeira estratégia. Os estreantes como dupla, assim como nos ensaios técnicos, mostraram que não sentiram o peso da estreia e conseguiram ficar sincronizados rapidamente.

Enredo

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O Camisa Verde e Branco levou para a avenida o enredo “O tempo não para! Cazuza – o poeta vive!”. Dentro disso, a narrativa foi passar pela história do poeta e suas músicas, desde a infância na comissão de frente, o Barão Vermelho, os shows no Disco Voador e, por fim, ser um poeta e assinar uma carta à sua mãe Lucinha, que esteve presente na última alegoria.

Alegorias

O abre-alas da escola representou “O teatro de operações vitais” – Com uma iluminação toda verde, na frente havia uma escultura toda prateada com o rosto do Cazuza. Esculturas de discos e espécies de rodas com pessoas dentro.

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A segunda alegoria, nomeado como “Voando com Barão Vermelho pro festival de rock” – Notou-se falhas de pintura nesta alegoria. O terceiro carro alegórico simbolizou “Brasil mostra sua cara”: Nele, havia uma escultura de um indígena com um óculos escuros, fazendo um paralelo do povo nativo com o próprio Cazuza.

A alegoria que fechou o desfile do Trevo da Barra Funda passou na pista como “Cazuza vive, tributo ao poeta“ – O emocionante carro do desfile, cujo havia uma escultura no topo do Cazuza escrevendo com a presença da mãe do homenageado, Lucinha. Claramente esta alegoria faz alusão ao samba-enredo no verso: “Te amo, Lucinha!/Assina, Cazuza”
Algumas falhas de acabamento e pinturas foram notadas. Ideias boas, mas simples execuções deram o tom no desfile do Camisa. O carnaval de São Paulo não é efeito comparativo, mas em uma noite em que houve um gigante desempenho de alegorias (especialmente abre-alas), o nível do Trevo foi bem abaixo do grupo.

Fantasias

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As vestimentas da escola estavam corretas, mas não usaram materiais comuns que se fazem nos costeiros, como plumas ou penas. O Camisa, visualmente, optou por uma estética de objetos com menos requinte. Apesar de jogar com o regulamento, no quesito, a escola não estava preparada para apresentar algo de impacto.

Samba-enredo

Comandado por Igor Vianna, o carro de som do Camisa Verde e Branco mostrou um nível satisfatório de ritmo nesta manhã. Vale destacar a introdução na largada, onde a ala musical canta a música “Pro dia nascer feliz”. Empolgou o público na larga, que fez a arquibancada cantar a uma só voz. No decorrer do desfile, com seus competentes apoios, deram uma sustentação satisfatória ao samba-enredo.

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Evolução

Foi um quesito correto no desfile. As alas desfilaram levemente, dançando e cantando a obra. Não há coreografia dentro do samba. Havia o efeito do “A Barra Funda mostra sua cara/Relembrando o seu apogeu/Declama em lindos versos/O poeta não morreu” com as palmas no alto, mas a presença das fantasias prejudicou os movimentos.

Outros destaques

A bateria, vestida de “O poeta visceral”, apresentou uma variedade de bossas, especialmente no recuo de bateria, onde o mestre Jeyson sinalizava para o jurado que ali estava.

Flavinho, o cria da Mangueira, conquista a Sapucaí e carrega legado familiar no Carnaval 2025

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Com cabelo pintado nas cores verde e rosa, bermuda, chinelo e sem camisa, Flavio Lopes, conhecido como Flavinho, o cria da comissão de frente da Mangueira, roubou a cena no ensaio técnico da escola na Marquês de Sapucaí. Seus passinhos precisos e a energia contagiante conquistaram o público e viralizaram nas redes sociais, surpreendendo até os mais céticos em relação ao desempenho da verde e rosa no Carnaval 2025.

Nascido em uma família de mangueirenses, Flavinho carrega nas veias o samba e o orgulho da favela de onde veio. Seu tataravô, Juvenal Lopes, foi um dos fundadores da escola, seu bisavô foi baluarte da agremiação e sua avó integra a velha guarda mangueirense e, hoje, é o neto quem assume o protagonismo, à frente da comissão mantendo viva a tradição familiar. “Lá em casa é tudo verde e rosa. Não tinha como não ser mangueirense”, afirma Flavinho, em entrevista ao CARNAVALESCO.

A apresentação no ensaio técnico foi tão impactante que até mesmo Flavinho se surpreendeu com a reação do público. “Eu não imaginava que seria o espetáculo que foi. Saí com os mangueirenses me abraçando. Isso é sinal de que a escola está gostando do nosso trabalho”, disse ele. A aclamação foi tamanha que mensagens de apoio e reconhecimento inundaram suas redes sociais. Para o coreógrafo da comissão, Lucas Maciel, a performance de Flavinho foi algo inédito na Sapucaí. “Foi algo que nunca senti em 14 anos de avenida em um ensaio técnico. Ver a recepção do público, as mensagens de pessoas que se sentiram representadas, gerou um sentimento de gratidão”, completou.

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A preparação para o desfile oficial tem sido intensa. Flavinho, que também integra a ala de passistas da Portela, revelou que vem treinando técnicas de balé e dança afro para aprimorar seu desempenho. “Comecei a treinar mais balé e dança afro, que são as danças que as comissões de frente pedem”, explicou.

O visual ousado, com o cabelo descolorido nas cores da escola, também foi um marco. “A ideia inicial era descolorir o cabelo, ser loiro. Aí eu pensei: Por que não pode ser verde-e-rosa? Falei com o Lucas e a Karina que confiaram nessa ideia. E deu tudo certo. Fiquei muito feliz!”, contou.

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A comunidade mangueirense não poupou elogios. Durante uma visita ao Morro da Mangueira, onde sua avó mora, Flavinho foi abordado por moradores que já cobravam uma apresentação ainda melhor no desfile oficial. “Quando fui no barbeiro lá perto da casa da minha avó, as tias falavam comigo: ‘caraca, garoto, agora é o desfile, agora tem que fazer algo melhor do que foi no ensaio técnico’”, relembrou.

Ser cria é viver sua comunidade

Para Flavinho, ser cria vai além de nascer e crescer na favela. É sobre pertencimento, respeito e representatividade. “Ser cria é conhecer todo mundo da sua comunidade, andar de olhos fechados e saber onde está entrando na sua favela, respeitar os mais velhos, aquele moleque que dança passinho, joga bola, canta, toca um instrumento. Cria é aquele que vive a comunidade”, definiu.

Expectativa para o desfile oficial

Com a responsabilidade de liderar a comissão de frente da Mangueira, Flavinho não esconde a ansiedade para o desfile oficial. “Eu espero um desfile de muita emoção. Espero que o povo fique feliz com a nossa comissão. Estamos ensaiando muito. Mangueira pode confiar porque vamos fazer um trabalho muito lindo”, prometeu.

A apresentação de Flavinho e da comissão de frente da Mangueira já entrou para a história dos ensaios técnicos, e a expectativa é que o desfile oficial seja ainda mais emocionante. Com o legado familiar nas costas e o apoio de toda a comunidade, o cria da verde e rosa está pronto para brilhar na Sapucaí e mostrar ao mundo o orgulho de ser mangueirense.

Ilha tem chão quente, boa estética, mas erros pontuais devem dificultar o acesso

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O sol já raiava forte no céu da Marquês de Sapucaí quando a União da Ilha entrou na Avenida. E o calor e cansaço não foram impedimentos para uma grande apresentação do chão da comunidade, com a escola apresentando bom canto, evolução com fluidez e espontânea, além do samba literalmente fervendo na boca dos foliões e na alegria do público. Uma pena que a hora afastou um número maior de pessoas para acompanhar nas arquibancadas. Já nos demais quesitos a escola foi irregular, mesclando bom gosto nos quesitos plásticos, mas com alguns problemas que devem custar décimos para escola, como um queijo tombado no Abre-Alas, que passou dessa forma em mais de um dos módulos de julgamento. O casal de mestre-sala e porta-bandeira David Sabiá e Fernanda Love também não teve uma boa estreia, aparentando uma certa insegurança e com um erro técnico do mestre-sala que teve um escorregão quando se apresentava no último módulo. Na evolução, o final do desfile foi corrido com a bateria não parando na última cabine para não estourar o tempo. Com o enredo “Ba-der-na! Maria do Povo”, a União da Ilha encerrou seu desfile com 55 minutos.

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Comissão de Frente

Desde 2023 à frente da Comissão de Frente da Ilha, Márcia Moura trouxe para a Sapucaí o desembarque de Marietta Baderna no Rio de Janeiro, pela Baía de Guanabara num olhar de encontro ao povo carioca no Passeio Público do Cais do Porto. Na apresentação, a dualidade entre o povo, tratados no enredo como verdadeiros reis e rainhas da nação, e a falsa burguesia da época, no enredo, retratada através do monarca Dom Pedro I. No bailado, os passos do Lundu, dança e canto de origem africana que se mistura com a cultura europeia ibérica, a protestar pela inclusão dos mais pobres Na apresentação, os componentes utilizaram de um elemento cenográfico, “O cais de uma Ilha encantada”, que representou, inicialmente, um cais de porto que sintetizou três atos vividos por Marietta Baderna com o povo carioca. Seu desembarque, encontro com os mais convalescidos e resilientes do povo e os casarios habitados pela falsa elite imperial. Havia um tom de picardia na apresentação que a deixava mais leve, que aconteceu quase todo o tempo de cabine no elemento cenográfico.

O grande mote estava nas piruetas dos componentes e na figura da bailarina que se destacava com uma enorme saia puxada com um pano grande colorido representando Pernambuco onde a artista foi muito feliz profissionalmente, com a abertura de guarda-sóis das demais bailarinas remetendo ao frevo. No meio da apresentação, a personagem central é erguida e tem interação com o componente vestido de monarca. A comissão é divertida, tem muito do que o enredo pede, mas faltou um pouco mais de movimento, melhor uso do tripé e um clímax maior. Um outro ponto técnico, foi um chapéu de um dos integrantes que caiu no último módulo.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A fantasia de David Sabiá e Fernanda Love “A realeza Lundu” se inspirou nos figurinos da realeza das ruas cariocas no desembarque de Marietta Baderna e o encontro operístico do Cais do Porto. Na indumentária, estampas africanas e os detalhes do cortejado preto dos Lundus, mostrando tudo aquilo que encantou a bailarina homenageada no enredo. Na coreografia, o casal apostou em passos mais marcados, coreografados, ainda que também tivesse o bailado tradicional do mestre-sala e da porta-bandeira, com giros, mesuras. Um ponto positivo foi a busca que a dupla fez sempre um do outro. Mas os passos marcados engessaram um pouco a coreografia e faltou um pouco mais de intensidade, nos giros da porta-bandeira e no riscado do mestre-sala. No último módulo, o principal problema, o mestre-sala David Sabiá teve um pequeno, mas muito perceptível, escorregão na coreografia que deve gerar despontuação do quesito.

Harmonia

Tem-Tem Júnior voltou a emprestar sua voz como cantor principal na Série Ouro a uma escola cheia de tradição. E fez isso muito bem. Com o sol já rolando, o cantor mostrou muito vigor, entendimento com o carro de som e correção no canto do samba. O artista estava à vontade fazendo seus cacos e vocalizações e o bom samba lhe permitiu fazer um trabalho de excelência, fazendo com que a obra puxasse ainda mais o desfile pra cima. As vozes de apoio também cumpriram um bom papel. E, a quem a gente precisa parabenizar muito nesse desfile foi a comunidade insulana, que mesmo debaixo já de sol forte e calor, cantou muito, forte, com excelência, não deixando em nenhum momento o andamento da obra cair e mantendo o desfile quente mesmo com os problemas. A harmonia foi sem dúvida o melhor quesito da União da Ilha.

Enredo

De volta ao acesso, depois de passar bons anos no Especial, Marcus Ferreira manteve a sua predileção por enredos que falam muito de Brasil, mas desta vez trazendo uma personagem estrangeira, como pano de fundo também para falar sobre desigualdade, folia, arte periférica, entre outros temas importantes. O enredo, apesar de não ser uma história tão conhecida, trouxe elementos de fácil leitura como os teatros, o balé e questões como a desigualdade que perduram desde aqueles tempos até hoje. No primeiro setor, a Ilha mostrou o desembarque da bailarina em um Rio de Janeiro ainda primitivo, em que Maria Baderna encanta-se com a natureza vibrante, destacando-se as matas que cincundavam a Baía de Guanabara. Também neste setor, Marcus Ferreira apresentou a artista encantada com o que chamou de “Ópera Popular do Cais”, encenada pelo povo preto e pelos indígenas Tamoios, em uma visão nativista da operística das ruas cariocas. Por isso um abre-alas com as matas e a primeira ala trazendo referências indígenas.

Já no segundo setor, a União da Ilha apresentou as primeiras manifestações culturais do Teatro Imperial, casa que abrigou a Companhia Lírica Italiana, grupo que a bailarina fazia parte. E, seguida, em um momento de maior tensão do enredo, a Ilha trouxe, no terceiro setor, os problemas que Marietta Baderna enfrentou em relação ao Governo Imperial, como a falta de salários, mas, também o seu encantamento pela dança Lundu em Pernambuco. O final do desfile da Tricolor Insulana aconteceu trazendo o espírito que reside nos corações de cada baderneiro carioca, de cada baderneiro insulano, o espírito também de Marietta Baderna. Enredo bem apresentado.

Evolução

A União da Ilha começou o seu desfile com um rendimento muito bom na sua evolução, com fluidez e espontaneidade, mas as apresentações da comissão e do casal fizeram com que o tempo fosse passando e a escola não avançasse o que gerou um final de escola muito corrido impactando por exemplo na bateria que teve que passar pelo último módulo sem parar para os jurados. A Ilha terminou o seu desfile faltando poucos segundos para estourar, mas ainda assim passando no tempo regulamentar. Essa parte final do desfile nos últimos módulos pode gerar alguma perda de décimos por uma evolução irregular.

Samba-enredo

A obra da União da Ilha que passou na Sapucaí nesta primeira noite é de autoria de Romeu D`Malandro, Diego Nicolau, Carlinhos Fuzileiro, Geraldo M. Felicio, Inaldo Botelho, Richard Valença, Paulo Beckham, Fernando Tetê, Fábio Sol e Igor Leal. O samba encaixou muito bem com o estilo da Ilha mais cadenciado, com mais balanço, ajudando, inclusive, no trabalho da Baterilha. O refrão de baixo “Hoje o sol nasceu mais cedo pra te ver…” segue uma linha melódica de outros bons sambas que a Ilha levou para a Avenida nos últimos anos. A linha melódica, aliás, tem realmente um gostinho de nostalgia.

Sem correrias, a primeira do samba dá andamento e ritmo à obra sem muitas quebras até o refrão do meio “A gente da ralé….” que também segue a mesma linha do restante da obra, com um pouquinho mais de balanço. Na segunda do samba, destaque para o trecho “Inebriado no Lundu, o talento arrebatou/ E a Veneza do Brasil dançou” pela melodia e pela identidade métrica e rítmica que permitiu a baterilha a colocação de uma bossa bastante interessante nesta volta do refrão do meio. Com todos esses requisitos, o samba foi um grande fio condutor para escola fazer um desfile quente mesmo com o cansaço dos desfilantes e o público diminuído nas arquibancadas pelo horário. O samba foi destaque

Fantasias

É preciso dizer que no geral o trabalho de fantasias de Marcus Ferreira é muito bonito, tem o atributo concedido aos carros de primar pelo bom gosto. Mas no início da escola algumas questões chamaram a atenção. Na primeira ala, ”A opera do cais” que tinha relação intrínseca com o Abre-Alas, a fantasia deixava exposta de forma muito latente nos componentes o short, bermuda ou roupa de baixo, atrapalhando no visual. A fantasia das baianas “Damas-pretas doceiras” que representava mulheres pretas alforriadas que sobreviviam vendendo quitutes e doces na porta dos Palacetes da burguesia, tinha uma parte de cima muito bem feita e bastante bem acabada, mas na parte de baixo deixava muito amostra das pernas das baianas, em um conceito que não está necessariamente errado, mas que pode ser debatido pelos julgadores. No segundo setor, Marcus acerta em cheio em fantasias como “as odaliscas” e “a marimba”. O artista mantém este padrão de qualidade no último setor com fantasia como “a marcha das pateadas”, em que passa a ser destacado o figurino inclusive pelo sol.

Alegorias

O conjunto alegórico da União da Ilha apresentado foi de muito bom gosto, com soluções estéticas bem desenvolvidas, boa utilização de cores, mas acabou por perder um pouco da magia por não destacar a sua iluminação visto o horário que a escola desfilou e o sol que já estava forte no céu. Fora esta questão, o Abre-Alas “Theatro Nativo São Pedro de Alcântara” que apresentava o Rio de Janeiro nativista passou com um problema relevante em sua estrutura por um queijo passar claramente tombado em mais de alguns setores e a estrutura do segundo andar não estar tão firme. A alegoria, de muito bom gosto, trouxe a natureza que permeou as cúpulas do teatro que recebeu a Companhia Lírica Italiana. No carro, a Mata-Atlântica estava acomodada a elementos afro-indígenas e menções aos tocadores de lundu.

Os outros carros podem compensar esse problema com mais nota pois tinham muita qualidade estética. A segunda alegoria “Theatro Nacional do Último Reinado”, mostrou a Ópera em que a bilheteria foi dedicada a libertação de um cativo de dois anos de idade. A segunda alegoria da União da Ilha do Governador unificou elementos arquitetônicos do Theatro Provisório, com a carruagem das Marcha das Pateadas, por isso os belíssimos cavalos dourados vinham à frente deste elemento. No último carro “Sociedade Carnavalesca Baderna Infernal”, a Ilha encerrou seu desfile constituindo a “República Badernista”, através de ideais libertários de Marietta Baderna, representada pelo entrudo como principal folguedo carnavalesco realizado pelo povo. No alto da alegoria, a imagem de uma bailarina, em uma alegoria. Bom conjunto alegórico, mas os problemas sugerem uma nota irregular no quesito.

Outros destaques

A Baterilha, de mestre Marcelo Santos, veio como “a incendiária orquestra nacional brasileira” e vestiu uma réplica do primeiro fardão da Orquestra Nacional Brasileira, que era o grande amor da vida de Marietta Baderna. Os passistas “O Lundu D’Amarrua” vestiram os figurinos folclóricos de príncipes e princesas negras, que se apresentaram aos paços do Lundu na Ópera D´Amarroá. Todos esses, figurinos de destaque. A rainha Graciele Bracco, a Chaveirinho, já foi madrinha e musa da escola, mas dessa vez, teve o gostinho especial de vir à frente dos ritmistas como “Rosina Stoltsz”, a primeira grande estrela da Companhia Lírica Italiana, e principal rival de Marietta Baderna no Theatro Provisório. No esquenta, Tem Tem Jr cantou “Festa Profana”, entoado pelo público ainda em alto e bom som. No final do desfile, o tradicional arrastão foi com a União da Ilha até a Praça da Apoteose.

Em Cima da Hora faz desfile com grande desempenho da parte musical, mas sofre com evolução e estoura tempo

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Trazendo a “Ópera dos Terreiros – O Canto do Encanto da Alma Brasileira”, a Em Cima da Hora foi a sétima escola a desfilar neste primeiro dia da série Ouro, já pegando o dia claro durante boa parte da sua apresentação. E como numa boa ópera, a parte musical funcionou muito bem. Estreante na escola, o intérprete Charles Silva teve um ótimo desempenho à frente do samba da agremiação de Cavalcante e formou um excelente conjunto com a bateria comandada por mestre Léo Capoeira que mais uma vez usou e abusou de bossas e um ritmo forte. O samba cresceu e não cansou durante o desfile, porém a escola pecou bastante em outros pontos, principalmente no canto irregular e na evolução. Esta vinha organizada até o segundo carro bater na grade das frisas no setor 6 e abrir um pequeno espaço na frente da segunda cabine de jurados. A partir dali a escola se perdeu completamente, novos buracos surgiram, a escola se espalhou e correu pra não estourar o tempo, o que acabou não adiantando, já que passou em 57 minutos, dois minutos acima do tempo limite, perdendo dois décimos segundo o regulamento da série
Ouro. O que era um desfile irregular, porém correto terminou coberto de falhas e trazendo riscos para a escola.

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Comissão de Frente

Luciana Yegros e Carlos Aleixo trouxeram uma comissão que representava o “Ritual da Travessia: A invocação de Exu Bara Laba”, o Exu da comunicação entre os mundos, que guia os que chegam e os que partem de algum lugar. A coreografia foi bem executada em todos os módulos e a incorporação teve boa concepção, porém a fantasia do componente que simulava a entidade estava muito simples e destoou do restante da comissão, quebrando a unidade visual.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Marlon Flores e Winnie Lopes representaram respectivamente Nzailu, guerreiro banto filho de Nkossi, e Dara, princesa africana Nagô filha de Oxum. O casal pecou no entrosamento em algumas finalizações, principalmente da parte de Marlon que mostrou insegurança em alguns movimentos e no segundo módulo derrapou evitando um escorregão. Na terceira cabine o casal realizou sua melhor apresentação, bem mais entrosados e encaixando as finalizações. Winnie teve um desempenho correto e mais linear.

Enredo

No enredo “Ópera dos Terreiros – O Canto do Encanto da Alma Brasileira”, a Em Cima da Hora mergulhou na união entre o erudito e o popular, inspirada no espetáculo apresentado pelo Núcleo de Ópera da Bahia. O primeiro setor foi denominado “Das Coisas Transcedentais, o Encanto Trazido na Alma”, falando da ancestralidade africana e da força dos Exus. O segundo setor “Terreiros Sagrados, os Frutos da Alma Africana” mostrou
a chegada dos escravos vindos da África ao Brasil e suas múltiplas facetas culturais. O terceiro setor “A Rama Negra, onde o encanto negro se manifestou e ecoou para o mundo”, falou da misticidade e musicalidade negra tão presente desde os ancestrais até blocos como Ilê Ayê e Malê Debalê. No quarto e último setor, “Do canto ao encanto, a Ópera Negra, o Imaterial Terreiro Operístico de Resistência”, a escola destrincha o espetáculo que inspirou o enredo, com seus personagens e atos principais.

O enredo mostrou alguma dificuldade de leitura sobretudo no primeiro setor das coisas transcendentais, sem tanta clareza por parte das fantasias e dos elementos escolhidos. Nos dois setores finais onde a musicalidade e a ópera entravam no enredo, o desenvolvimento fluiu com melhor entendimento e principalmente a ópera foi bem dividida.

Alegorias

A primeira alegoria da escola de Cavalcante representava “Sob a Proteção de Olodumarê, o Santuário Ancestral”, uma espécie de local transcendental criado pela imaginação negra através de suas experiências, crenças e sonhos. Uma bonita alegoria, predominante em tom prata com uma escultura bem feita, um carro num todo muito bem realizado e com
bom acabamento. A segunda alegoria “A cor e o Canto da Cidade Sou Eu!” veio com vários tambores homenageando o olodum, uma alegoria mais simples, porém clara em sua mensagem e outro carro com boa realização. No carro que encerrou o desfile, “Sob os Portais Eruditos, a Ópera dos Terreiros”, bastante uso do dourado que causou um bom efeito com a luz do dia já raiando. No geral, foi um conjunto agradável e bem realizado de
alegorias, superior ao que a escola apresentou nos últimos anos.

Fantasias

Quesito no qual a Em Cima de Hora apresentou um conjunto bastante irregular e simplório, com algumas alas com fantasias de melhor nível como a ala 2 “no Mar de Olokum” com um bonito tom de azul, outras fantasias não apresentaram soluções estéticas bonitas, como a ala 14 “Caciques do Afrofuturismo”. No geral um conjunto falho e com dificuldades de leitura.

Harmonia

Em termos de desempenho do carro de som a Em Cima da Hora teve uma harmonia excelente, Charles Silva dominou o samba e comandou um azeitado carro de som que funcionou muito bem, sendo um dos pontos altos do desfile. O mesmo não pode se dizer do canto das alas da escola, que falharam bastante no quesito. Se o canto já era falho enquanto a escola fazia um desfile organizado e apenas algumas alas apresentavam
um canto satisfatório, depois que a azul e branco passou a ter problemas de evolução o canto foi embora de vez e a escola se esqueceu do samba. Os minutos finais foram de uma agremiação muda, preocupada apenas em não estourar o tempo.

Samba

A falta de canto da escola não fez jus ao bom samba que a Em Cima da Hora apresentou no seu desfile. A obra de Richard Valença, Serginho Rocco, Marquinhos Beija-Flor, Caxias Gilmar, Márcio de Deus, Guilherme Karraz, Orlando Ambrosio, Bruno Dallari, Pedro Poeta, Guto Melcher, Viny Machado, Jacopetti, Guinho Dito, Lucas Pizzinatto e Marcelinho Santos
teve ótimo desempenho e não teve quedas durante sua passagem pela pista da Sapucaí. Além do refrão principal, outra parte de bastante força do samba era o ínicio da segunda parte, “sou eu, a mistura da fé africana / a paixão que venceu a demanda / onde o povo retinto uniu”. Um quesito onde a escola teve bom rendimento.

Evolução

O grande calcanhar de aquiles da Em Cima da hora, a evolução da escola vinha sem percalços durante sua primeira metade de desfile, apesar de não ser pulsante. Mas a segunda alegoria começou a pender pro lado esquerdo e dar trabalho para seguir pela pista, encostando na grade do setor 6. O carro ficou parado durante um tempo e um espaço se abriu na frente do segundo módulo de jurados, até que com muita força dos empurradores e diretores da escola a alegoria voltou a andar e o espaço foi preenchido, mas não por muito tempo. A alegoria voltou a travar e um buraco maior foi aberto, daí em diante a evolução foi totalmente comprometida, as alas se abriram e começou uma correria para evitar o estouro do tempo, porém foi inevitável. Dois minutos de estouro que geram dois décimos a menos pra escola na largada da apuração. Uma punição que atrapalha a escola no seu objetivo de uma colocação superior aos últimos anos e pode gerar sustos na leitura das notas na quinta-feira.

Outros Destaques

A ala de baianas foi um dos bons pontos plásticos da escola, com uma bonita fantasia. A escola trouxe várias destaques com samba no pé.

Mestre Léo Capoeira como de costume executou inúmeras bossas que tiveram boa comunicação com o público, esquentando o desfile da Em Cima da Hora.

Portela 2025: Bateria e samba em sintonia perfeita para o desfile oficial

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Nilo Sérgio, mestre de bateria da Portela

Com a emoção de quem fala de um filho, Nilo Sérgio, mestre de bateria da Portela, define a escola como a sua própria vida. Após anos de dedicação, o objetivo é claro: trazer de volta o campeonato e a nota máxima que a azul e branco de Madureira merece. Para o Carnaval 2025, a promessa é de uma apresentação que vai “rasgar tudo”, com uma bateria afinada e um samba que já vibra na comunidade. A sintonia entre a bateria, o coração da escola, e o carro de som, comandado por Gilsinho, é peça-chave nessa busca pela glória. A parceria, que vem sendo construída desde 2006, promete elevar a Portela a novos patamares, com bossa, garra e muito samba no pé.

Nilo Sérgio conversou com o CARNAVALESCO:

O que representa a Portela na sua vida?

A Portela é a minha vida. É como se fosse um dos meus filhos.

Com tantos anos de bateria o que falta conquistar?

Quero conquistar o campeonato e a nota máxima que a escola merece. É um trabalho de oito meses para a gente chegar para o desfile.

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‘A Portela é a minha vida. É como se fosse um dos meus filhos’, declara Nilo Sérgio

O que esperar da bateria e do samba no Carnaval 2025?

Pode esperar que vamos rasgar tudo isso aí. Vamos botar bossa em cima de bossa e cair para dentro. E do samba, uma comunidade maravilhosa que está cantando muito.

O caminho parece que está correto entre bateria e carro de som. Como foi essa sinergia?

Bateria e carro de som tem que estar syncados, porque a bateria é o coração da escola e o Gilsinho é o canto da escola. Devido a gente [Nilo e Gilsinho] se conhecer desde 2006. Ele veio trazendo a forma do canto dele. A voz do Gilsinho é muito grave e ele consegue chegar em tons que eu nunca vi outros cantores da Portela chegarem. Um pede “eu preciso disso aqui”, o outro pede e assim vamos encaixando o trabalho.

Pitty: O Grande Intérprete da Imperatriz – ‘O Fenômeno que Conquistou o Público’

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Pitty de Menezes é o intérprete oficial da Imperatriz Leopoldinense desde 2023

Pitty de Menezes é o intérprete oficial da Imperatriz Leopoldinense desde 2023. Em seu ano de estreia no Grupo Especial, ele foi fundamental para a conquista do campeonato da escola no Carnaval Carioca. Antes de se juntar à Imperatriz, Pitty teve passagens por outras agremiações, como Porto da Pedra e Viradouro, além de ter sido cantor mirim oficial da Unidos do Viradouro em 2007. No Carnaval de 2024, ele foi amplamente reconhecido, recebendo nove prêmios como melhor intérprete.

Em uma entrevista exclusiva ao CARNAVALESCO, Pitty compartilhou um pouco de sua trajetória na Imperatriz Leopoldinense, uma escola que o acolheu calorosamente e onde ele vem conquistando grande sucesso na comunidade de Ramos.

“Cantar na Imperatriz representa tudo para mim! Mais um ano de alegria, amor, emoção e a realização de um sonho nesta gigantesca escola que é a Imperatriz. Espero que este seja apenas um de muitos anos, para que eu possa perpetuar meu nome na história da escola, assim como Preto Jóia e Dominguinhos, permanecendo por aqui enquanto a presidente Cátia desejar. Para mim, isso significa muito mais um ano de um samba lindo e maravilhoso que toda a Sapucaí cantou no último ensaio técnico. Não tenho dúvidas de que faremos um grande desfile e, se Deus quiser, conquistaremos essa décima estrela!” ,disse pitty.

Pitty ressaltou que sua integração com a escola ocorreu de forma muito rápida e orgulha-se disso. “Foi um processo muito rápido; nos primeiros meses já parecia que eu estava na Imperatriz há anos. A comunidade me acolheu com muito carinho e acreditou no meu talento e no meu trabalho, junto com a diretoria e toda a equipe. O Mestre Lolo me tratou como um irmão, então torna-se fácil trabalhar em uma escola onde todos acreditam em você e o apoiam.” ,disse o intérprete.

O intérprete falou sobre a irmandade que construiu com o Mestre Lolo, a quem considera um irmão para a vida toda. “Lolo tem uma energia incrível. Ele é uma pessoa de coração enorme, um irmão que ganhei através do samba, e não quero deixá-lo nunca em minha vida. Desejo que essa amizade e irmandade durem para sempre. Ele me abraçou dizendo: ‘Vamos juntos’. Eu valorizo muito o que ele fala e procuro colocar em prática suas orientações. Quando tenho algo a dizer, ele também ouve, e essa reciprocidade é maravilhosa. É uma amizade genuína, e sinto que os deuses do samba nos uniram!” ,afirmou Pitty.

A partir de 2025, o quesito “carro de som” será avaliado pelos jurados na categoria de harmonia. Pitty comentou sobre a importância desse novo quesito para a valorização de todos os cantores do carro de som.

“Acredito que é uma iniciativa fantástica incluir esse quesito na harmonia. Já éramos avaliados de alguma forma, mas agora isso nos impulsiona a estudar e nos capacitar ainda mais. Estamos trabalhando com a fonoaudióloga, Dra. Isabel, que não apenas me capacita, mas a todo o carro de som. Dispenso comentários sobre este carro de som, pois compõe-se de cantores com potencial para serem intérpretes oficiais em qualquer escola. Temos a Tati, que canta excepcionalmente, Tiago Acácio e Hugo Júnior, que já foram cantores oficiais. O diretor musical Pedrão e sua equipe com os cavaquinhos são incríveis. É um carro de som preparado, e estamos apenas aprimorando para mostrar o melhor no desfile!” ,disse Pitty.

Não pude deixar de perguntar a ele, um intérprete tão jovem, como se sentiu ao saber que 2025 será o último ano de Neguinho da Beija-Flor como intérprete do carnaval.

“Confesso que fiquei muito triste. O Neguinho é uma referência, um mestre que acompanhei desde pequeno, assim como Dominguinhos e outros grandes cantores. Ver o Neguinho se despedir da carreira é, sem dúvida, uma tristeza. Não teremos mais sua voz e seu grito de guerra no carnaval. Contudo, ele mesmo disse: ‘as coisas precisam se renovar’. Acredito que essa inovação também é válida para dar espaço a novos talentos!”

Vila Vintém é terra de macumbeiro: UPM leva ancestralidade e resistência ao Grupo Especial do carnaval 2025

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Um dos momentos marcantes da pré-temporada do carnaval de 2025 foi a celebração que o povo do Boi Vermelho fez do seu samba. Com força e emoção, a Unidos de Padre Miguel (UPM) homenageia Iyá Nassô, evocando a ancestralidade da guardiã do segredo do axé. O canto dos componentes declara o orgulho do chão da Vila Vintém. “Após 52 anos, a UPM retorna ao Grupo Especial e entoa com vigor: “Vila Vintém é terra de macumbeiro”.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, integrantes da UPM destacaram a importância do samba para o reconhecimento da ancestralidade negroafricana e o combate ao racismo religioso.
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Gabrielle Alves, 34 anos, guia de turismo e estreante na escola
Para Gabrielle Alves, 34 anos, guia de turismo e estreante na escola, o samba da agremiação é um grito de todos os macumbeiros. “Nossa força vem dos orixás e das entidades que cultuamos. Por décadas, as religiões de matriz africana foram silenciadas, obrigadas a praticar seus cultos às escondidas. Hoje, cantar que Vila Vintém é terra de macumbeiro é um grito de resistência e orgulho”, afirmou.
O samba do Boi Vermelho representa um grito orgulhoso da comunidade de Padre Miguel, celebrando sua identidade e ancestralidade. Marcia Azevedo, 60 anos, assistente social e componente da UPM, reforçou: “A força do samba está naquilo que muitos escondem: a ancestralidade. Muitas vezes, negamos nossas raízes para sermos aceitos. Agora é o momento de reafirmar quem somos. É essencial que a sociedade brasileira aceite e respeite as religiões de matriz afro-brasileiras.”
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Marcia Azevedo, 60 anos, assistente social e componente da UPM
Marianne Palhano, 30 anos, cuidadora de idosos e integrante da UPM há quatro anos, emocionou-se ao falar do samba-enredo. “A história da Casa Branca nos toca profundamente. Fala da luta de mulheres que vieram antes de nós, que buscaram liberdade. Trazer essa história para a avenida é uma forma de honrar nossa ancestralidade e enviar um recado: é preciso respeitar nossas raízes. Nossa história é fundamental para o Brasil”, destacou.
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Marianne Palhano, 30 anos, cuidadora de idosos e integrante da UPM há quatro anos
Alessandra Salazary, 31 anos, estudante e componente da UPM há oito anos, vê o samba como uma ferramenta de aprendizado e resistência. “A UPM ensina a amar o samba, que é arte, cultura e ancestralidade. Este enredo afro resgata as origens da nossa história e combate a demonização das religiões de matriz africana. A sociedade precisa entender que não há nada de demoníaco nesses cultos. A UPM vai mostrar isso na avenida”, afirmou.
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Alessandra Salazary, 31 anos, estudante e componente da UPM há oito anos
Carla Felizardo, 48 anos, artista e defensora da luta das favelas contra o racismo religioso, destacou a importância da representatividade. “Nas favelas, sofremos muita intolerância religiosa. As religiões de matriz africana são a base dessas comunidades. É crucial dizer: Vila Vintém é terra de macumbeiro. O Brasil herdou um legado africano que precisa ser respeitado, pois está presente em nosso cotidiano”, ressaltou.
Carla Ferlizado
Com um samba que une beleza, emoção e resistência, a Unidos de Padre Miguel demonstrou que o samba vai além da festa: é um instrumento de luta, orgulho e transformação social.”Vila Vintém é terra de macumbeiro” ecoou na avenida como um grito de liberdade e respeito, reafirmando a importância da ancestralidade africana na construção da identidade brasileira.

Vídeo: análise do primeiro dia dos desfiles do Especial de SP no Carnaval 2025

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Rosas de Ouro dá grande jogada, surpreende e refloresce em desfile gigante

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De 2018 até 2024, o Rosas de Ouro voltou uma única vez para o Desfile das Campeãs. Mais do que isso: nos dois últimos desfiles, modestos 12º e 11º lugar, respectivamente – lugares que nunca pertenceram à tradicionalíssima escola. Disposta a mudar tal sina recente, a agremiação apostou todas as fichas no enredo “Rosas de Ouro em Uma Grande Jogada”, desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo. E, se a Roseira deu all-in, ela levou quem não botava fé na agremiação à falência. Equilibrada, com segurança nos quesitos e extremamente vibrante, a instituição da Brasilândia desfilou e encantou por 62 minutos.

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Comissão de frente

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Uma das vedetes do período de ensaios técnicos, o tripé do segmento, enfim, foi visto inteiramente decorado: com as já conhecidas faixas de caça-níquel, diversos componentes se revezavam. Um deles, um crupiê, estava sempre na parte de cima da alegoria. Outros, em determinados momentos, tiravam fichas com os símbolos de todas as catorze escolas do Grupo Especial de São Paulo – colocando o Rosas em paridade com as demais, demonstrando um respeito sempre desejável com as coirmãs. Eis que, em dado momento, alguns desses personagens buscam imensos dominós – e, deles, saem vedetes. Um show de surpresas no quesito.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

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Fantasiados nas cores da escola, Uilian Cesário e Isabel Casagrande cumpriram todas as obrigatoriedades solicitadas pelo regulamento e, como de costume, dançaram bastante para defender o pavilhão azul e rosa – além de executar giros sincronizados e muitíssimo competentes. A questão, aqui, está na velocidade com que o casal teve que realizar suas exibições na frente dos módulos de jurados: como as alas seguintes e anteriores não paravam, a dupla precisou ser bastante célere para executar os movimentos – e conseguiu.

Enredo

A ideia de falar da história dos jogos pode soar bastante ampla, e foi exatamente essa a proposta da agremiação no enredo “Rosas de Ouro em uma Grande Jogada”. Deixando felizes os que gostam de desfiles com sequências cronológicas, a escola começou a apresentação com uma introdução ligada ao mundo dos cassinos (com destaque para o abre-alas “O Grande Cassino Brasilândia”), vai para algumas diversões que marcaram a Antiguidade (como o Dominó, o Go chinês, o Ur sumério e o Mancala africano), passa por jogos milenares que até hoje são conhecidos (como o Xadrez e o Gamão) e desemboca em jogos de tabuleiro bastante populares no Brasil (como o War e o Banco Imobiliário). Vale destacar, também, um momento de transição que atravessa cerca de meio milênio em um carro alegórico – já que a terceira alegoria, “O Renascimento dos Jogos”, faz referência ao período histórico em questão e, após o casal de mestre-sala e porta-bandeira, os board games contemporâneos já aparecem.

Alegorias

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Com inspiração Neo Vitoriana, o abre-alas, “O Grande Cassino Brasilândia”, retratou muito da própria escola, como se ela se reencontrasse em tal enredo – o que fica explícito na presença da Velha Guarda e da Ala de Compositores da agremiação. O segundo, “Pra Conquistar a Glória – Os Jogos Olímpicos Inspirados nos Deuses” traz outra concepção de jogo: os eventos esportivos. Voltando à visão de diversão da jogatina, o terceiro carro, “O Renascimento dos Jogos”, retratou o período em que tais diversões deixaram de ser exclusividade da nobreza para conquistar aclamação popular. Por fim, o quarto, “O Mundo na Palma da Mão, das alegorias que mais chamaram atenção desde quando chegou à Concentração do Anhembi, exibia jogos digitais – com algumas esculturas da franquia Super Mario que impressionavam pela beleza e pelo bom acabamento.

Fantasias

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Um dos grandes trunfos de um enredo bastante imagético como a história dos jogos é criar fantasias de associação imediata. O Rosas usou e abusou de tal expediente no último setor, falando das diversões contemporâneas. Antes disso, a grande facilidade de leitura veio logo na primeira ala, “O Embaralhar de Cartas”. A grande maioria das alas tinha fantasias volumosas, com costeiros e esplendores altos; algumas poucas, como a da bateria, “O Tabuleiro do Jogo Ur dos Sumérios”, era mais lisa – certamente para deixar os ritmistas mais à vontade. É importante pontuar, entretanto, que a barra da saia de algumas baianas aparecia dobrada em determinados momentos.

Harmonia

As arrancadas do Rosas no ciclo carnavalesco de 2025 foram marcadas por uma explosão contagiante. O arranjo introdutório à canção fazia com que muitos componentes pulassem e cantassem o “Lalaialaiala” seguinte fortemente, fazendo com que as primeiras passadas da canção tivessem um efeito contagiante. A questão eram os minutos após a catarse inicial. No minidesfile e no primeiro ensaio técnico, a escola manteve o pique no canto. E, no desfile oficial, o que se viu foi algo muito mais próximo de tais exibições. Com canto forte e uniforme, é evidente o quanto a comunidade abraçou o samba-enredo – algo sempre bonito de se ver. Por fim, é necessário exaltar o carro de som azul e rosa, sobretudo o intérprete Carlos Jr., mais comedido nos cacos e focando na interpretação bastante eficiente. Outro destaque importante é da Bateria com Identidade, comandada por mestre Rafa, que também veio com menos bossas longas e ousadas, garantindo ânimo extra a cada vez que fazia alguma movimentação musical diferente – foram, por exemplo, três paradões antes do refrão de cabeça.

Samba-enredo

Desde quando foi escolhido, era perceptível o quanto a comunidade da azul e rosa gostava da obra. Com excelentes rendimentos em ensaios de quadra, no minidesfile da Fábrica do Samba e no primeiro ensaio técnico no Anhembi, que contou com um canto catártico, a obra novamente foi bem cantada pelos desfilantes – mesmo não figurando em muitas listas das melhores músicas da safra de muitos. O que é possível dizer é que muitos segmentos coligados ao quesito também tiveram ótimo rendimento. Carlos Junior, o Carlão, intérprete da agremiação, coroou um ótimo ciclo com outra ótima exibição no microfone principal da Roseira, bem como a Bateria com Identidade, sob a batuta de mestre Rafa, foi cirúrgica na execução de bossas – em uma temporada na qual as inúmeras paradinhas de outrora foram mais contidas. A já famosa introdução da obra, em um arranjo de Ricardo Rigolon, popularmente conhecido como Chanel, deu o tom para uma arrancada já histórica.

Evolução

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Se o samba foi fortemente cantado, ele também teve ótima dança por parte dos componentes. A felicidade estampada em cada desfilante deixava a canção, leve por natureza, com ainda mais interação. Fantasias com adornos também davam a sensação de movimentação que faz com que uma escola ganhe pontos em tal quesito. Vale destacar, também, a já tradicional movimentação da Bateria Com Identidade para entrar no recuo, sempre excelente para evitar buracos e oferecendo uma dinâmica ímpar para o desfile.

Outros Destaques

Soberana à frente da Bateria com Identidade, apareceu a rainha Ana Beatriz Godói. Vale destacar que, tal qual no histórico desfile de 2005 (“Mar de de Rosas”) e no primeiro ensaio técnico de 2025, o céu ficou azul e rosa do meio para o final do desfile. Por fim, o staff da agremiação estava vestido tal qual crupiês, entrando no clima do enredo.

Vídeo: análise do primeiro dia da Série Ouro no Carnaval 2025

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