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Selminha Sorriso e Claudinho se emocionam ao homenagear Laíla em desfile da Beija-Flor de Nilópolis

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Há quase 30 anos dançando juntos como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Beija-Flor de Nilópolis, Claudinho e Selminha Sorriso protagonizaram um dos momentos mais emocionantes do desfile da agremiação na Marquês de Sapucaí. O casal prestou uma tocante homenagem a Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, figura icônica da escola e do carnaval carioca, que faleceu em 2021.

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Antes de entrarem na Avenida, Selminha e Claudinho conversaram com o CARNAVALESCO e compartilharam a emoção de celebrar a memória de quem foi um dos pilares da Beija-Flor. “Feliz demais. Desde que anunciamos que a escola faria esse enredo, a comunidade vibrou. Missão dada é missão cumprida: fazer um grande desfile em homenagem ao Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o nosso Laíla, o meu Lalá, como eu chamava carinhosamente”, revelou Selminha.

Claudinho destacou a importância de Laíla para a história da escola e para sua vida pessoal. “A emoção é grande ao homenagear uma pessoa que tanto fez pela nossa Beija-Flor. É um momento em que relembramos e colocamos em prática todos os ensinamentos que ele nos deixou, tanto no carnaval quanto na vida”, afirmou o mestre-sala, ressaltando que o sentimento nilopolitano por Laíla foi o elemento central que guiou a dança do casal na Avenida.

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Laíla foi o responsável por levar Claudinho e Selminha para a Beija-Flor em 1996, marcando o início de uma trajetória de sucesso e dedicação à escola. Claudinho não esconde a admiração que sente por Laíla, a quem considera um pai e um exemplo de vida. “Ele é exemplo tanto no trabalho quanto na família. Era um cara alegre, que sempre fazia festas em casa e gostava da perfeição. Não gostava de perder nada, nem jogo nenhum, assim como no carnaval. Laíla era predestinado, nasceu para vencer e queria vencer a todo momento”, declarou.

Selminha, por sua vez, destacou o papel fundamental de Laíla em transformar a Beija-Flor em uma escola competitiva e respeitada no mundo do samba. “Ele nos ensinou a ser fortes, a entrar na Avenida como verdadeiros artistas. Ele nos ensinou a existir, a encantar. E ensinou a Beija-Flor a ser uma escola competitiva, que entra para brigar pelo título”, afirmou a porta-bandeira, emocionada.

No desfile da escola de Nilópolis, o casal representou uma parte importante da trajetória de Laíla na Beija-Flor e no carnaval: a espiritualidade. Para Selminha, Laíla compreendia que a escola de samba é um espaço de resistência. “Comprometido com a história do samba, Laíla foi um homem que brigou pela religião de matriz africana e pelos enredos de temática afro-brasileira. Um homem que ostentava suas guias quando muitos de nós tínhamos receio de passar por preconceito”, afirmou.

Selminha e Claudinho pisaram na Marquês de Sapucaí carregando muito afeto e gratidão com o objetivo de transmitir gratidão e o carinho que a comunidade sambista nutre por Laíla, perpetuando seu legado na história do carnaval. O casal mostrou que, além de talento, carrega no coração o amor pela Beija-Flor e por Laíla, que dedicou sua vida ao samba.

A juventude do Borel desce o morro pra cantar esse louvor! Quarto carro da Tijuca celebra a cultura dos jovens periféricos do Rio de Janeiro

A Unidos da Tijuca foi a primeira escola a se apresentar na noite de segunda-feira, na Marquês de Sapucaí, inaugurando o segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro. A escola do Morro do Borel homenageou o orixá menino Logun Edé. Sua quarta alegoria se debruçou sobre a musicalidade da juventude carioca, em referência direta aos versos do samba-enredo que falam sobre as novas gerações da favela carioca onde a agremiação nasceu.

“A juventude vem para trazer inovação, para perpetuar aquilo que os nossos ancestrais criaram. A Tijuca vai representar muito bem essa juventude do Borel. O Borel é uma comunidade muito boa, muito representativa. Espero que a nossa ala consiga representar bastante essa juventude, a representação de Logun Edé em forma de juventude do Borel”, disse a assistente social Beatriz Domingos, de 25 anos, em seu quarto desfile pela Tijuca.

Beatriz Domingos

“A juventude é o nosso futuro. A juventude tem que ser valorizada, tem que ser incentivada, tem que ser investido no futuro dela”, concordou o médico Igor Fraga, de 36 anos, que estreia como desfilante no Carnaval carioca.

Igor Fraga

Surgido na primeira metade do século XX, a partir de ritmos afro-brasileiros como o lundu e o jongo, o samba é histórico e faz parte da identidade cultural da nação. Tamanha importância, no entanto, requer uma atualização constante para que, sendo adotado pelas novas gerações, o samba se mantenho vivo e pulsante.

“Os sambas de todas as escolas dessa nova geração do carnaval vem se renovando muito bem. O samba, o carnaval, ele precisa se renovar. Nós somos a maior festa do mundo. Tradições são muito boas, mas precisamos sim nos renovar, porque senão a gente pode deixar o nosso samba morrer. A renovação nunca é demais e nunca é ruim. Ela é sempre boa, se feita de uma forma correta”, pontuou Beatriz.

‘A juventude vem expressar novas culturas, novos gestos, uma nova linguagem. Não só a Sapucaí, mas o Brasil precisa muitas das vezes se atualizar. A gente é uma cultura que se atualiza a cada momento. A última vez que a Tijuca foi campeã foi em 2014. Há 11 anos atrás, era uma outra linguagem. Esse ano, a gente tem uma nova juventude e a gente veio representar os jovens do Borel, que é onde foi iniciada a Tijuca’, acrescentou o estudante de educação física Felipe Bueno, de 25 anos, que, em 2025, estreou como desfilante na Sapucaí.

Felipe Bueno

“Se eles dessem mais atenção às escolas Mirim, estaria garantido o futuro da Tijuca. O samba vem dos nossos ancestrais, aqueles que vieram antes de nós. A história, o legado e a cultura têm que permanecer”, finalizou a mediadora Alice Pietra, de 21 anos. Este ano, Alice completou quatro anos desfilando pela Unidos da Tijuca.

Alice Pietra

Com Oxum de ponta a ponta, Oyá também traz a força feminina na história de Logun-Edé da Tijuca

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Embora o enredo “Logun-Edé – Santo menino que velho respeita” homenageie um orixá masculino, a Unidos da Tijuca valorizou a essência feminina por meio das grandes mães do axé. A presença de Oxum, mãe de Logun Edé, permeia todo o desfile. Mas também há a presença de Oyá, a mãe guerreira, que ensinou a Logun-Edé, desde cedo, a ser imponente como ela durante uma guerra.

Na África, antes dos colonos pisarem, as sociedades eram matriarcais, ou seja, lideradas por mulheres que eram centrais na passagem de ensinamentos aos seus filhos. Nessas sociedades, as mulheres eram heroínas, chefiando as famílias, enquanto os homens saíam às caçadas e às guerras.

Oyá ou Iansã é uma dessas mulheres africanas que chefiava sua família, guerreava e ajudava outras mulheres nessas funções. Inclusive auxiliou Oxum na criação de Logun-Edé, tornando-o, assim como ela, um grande guerreiro valente e destemido. Representada na ala 9, majoritariamente composta por mulheres, Oyá é a personificação do matriarcado que enfrenta o machismo histórico em nossa sociedade.

Ao relacionar a figura forte de Oyá e a presença das mulheres no samba, o  CARNAVALESCO ouviu as mulheres que compõe a ala 9 sobre o tema.

“Minha fantasia vem falando de Oyá, para abraçar esse tema maravilhoso que é de Logun-Edé. É uma fantasia que está falando de uma mulher muito forte que era Oyá. Eu acredito que as escolas de samba têm que dar mais oportunidade para as mulheres. Aqui na Tijuca, na ala 9, tem bastante mulher no comando, inclusive a assistente coreografa e toda a equipe dela é feminina, mas ainda é pouco. Eu espero que as escolas tenham mais sensibilidade de olhar e dê oportunidade para as mulheres, porque a gente está aí, sempre dispostas a brigar pelo carnaval com todo o nosso carinho. Eu gostaria de ver mais mulheres puxando sambas, tendo oportunidade de estar como intérprete de samba-enredo, à frente de direções de carnaval, ali mesmo ajudando lá nas cabeças, no alto escalão da escola, acho isso fundamental. Uma mulher do samba que eu admiro muito e tem muita importância para a área é a Leci Brandão”, disse a contadora Márcia Campos, de 48, torcedora da Tijuca, mas estreante na avenida.

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A patologista Cristiane Freitas, que é mangueirense, mas está estreando na Sapucaí pela escola do Borel, acredita que a presença feminina no mundo do samba está crescendo, mas ainda é muito pouco.

“Nós mulheres precisamos aparecer mais, precisamos estar mais à frente, não só no lado direito, nem no lado esquerdo, nós temos que estar à frente. Temos que estar direcionando, temos que estar como presidente, diretora, enfim. A mulher tem que ser a cabeça, porque nós temos o poder também. Assim como Oyá, que estamos representando, tinha. Acho que temos mulheres divinas como exemplo no samba, Alcione, lembro muito da Beth Carvalho. Mas acredito que há muita falta de oportunidade para nós mulheres. Às vezes o homem não dá a oportunidade de uma Maria presidir uma escola de samba, acaba sempre ficando entre eles”, declarou Cristiane.

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Essa herança de liderança feminina ainda ecoa no samba, onde mulheres batalham por mais reconhecimento e espaço dentro das escolas de samba

A advogada Ana Cláudia se emocionou ao falar da representação de Oyá como a força da mulher, ela que é iniciada para Oxum, mãe de Logún-Edé, desfila há 5 anos pela Amarelo e Azul da Tijuca.

“Tenho uma mãe que sempre amou samba e carnaval, sou filha de uma mulher preta guerreira que me colocou desde criança em contato com o carnaval e desde sempre acredito que precisamos ocupar mais espaços, temos que ocupar mais espaços. Estão faltando mais carnavalescas mulheres. Eu, inclusive, acho que vou fazer até Belas Artes, para começar a desenhar carnaval. Eu gostaria muito de mais mulheres ocupando os espaços das presidências das escolas, das diretorias, nos carros de som, ou seja, todos os espaços possíveis, onde ela puder celebrar e exaltar o seu empoderamento, a sua força, entregando sua criatividade, onde ela puder ser livre e expressar o melhor de si. Assim como Oyá, eu, como uma mulher iniciada para Oxum, para mim é uma grande responsabilidade. A gente fala de brincadeira, carnaval e tudo mais, mas eu levo muito a sério essa questão quando o enredo é afro, quando o enredo está falando de uma religiosidade. Eu tento o máximo, faço meus pedidos, meus agradecimentos antes de entrar no palco sagrado, que é o palco da Sapucaí, que a nossa avenida é maior”, declarou Ana Cláudia, de 50 anos.

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A força feminina segue ecoando no carnaval, rompendo barreiras e reafirmando seu espaço. Assim como Oyá e Oxum moldaram Logun-Edé, as mulheres do samba continuam a transformar a festa em resistência e representatividade.

TV Globo registra maior audiência do Oscar em 20 anos e os Desfiles na Sapucaí registram crescimento de 50% de audiência

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Ontem, foi dia de festas pelo Brasil e a TV Globo levou as imagens para todo país. Teve Oscar em todas as praças, com exceção do Rio de Janeiro, e teve desfile das escolas de samba para o Rio. Em São Paulo, a transmissão do Oscar registrou 14 pontos e foi a maior audiência em 20 anos. O índice também representou +27% a mais de audiência na comparação com a soma dos streamings e outros conteúdos de vídeo na TV.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

No Rio, o domingo foi marcado pelo primeiro dia dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial (21h53 às 04h18). A audiência registrada foi de 15 pontos, que representou um crescimento de +50% na média da faixa dos 4 domingos anteriores. Foi recorde dessa faixa desde 4 de maio do ano passado, e recorde da faixa da madrugada (24h00 às 5h59), desde 14 de abril de 2024. Em São Paulo, os desfiles foram exibidos pós Oscar, entre 01h00 e 6h00, e igualou a audiência na comparação com a média das 4 semanas anteriores.

Na sexta-feira (28 de fevereiro) e no sábado (01 de março) foram dias de desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial de São Paulo. Na sexta (22h52 às 07h01), a audiência (7 pontos) registrou +17% de crescimento em relação às 4 sextas anteriores, em São Paulo. No sábado (22h18 às 06h51), a audiência registrou 8 pontos, um crescimento de +33% em relação às 4 semanas anteriores, na mesma praça.

Sereno de Campo Grande canta forte e entra na briga no Carnaval 2025

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Por Julia Fernandes

O Sereno de Campo Grande desfilou na Intendente Magalhães no último domingo com o enredo “No sertão, se onde tem Sereno, têm corujas… Onde existem profetas… têm chuvas!!!”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcello Portella.

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Fotos: S1 Comunicação/CARNAVALESCO

Comissão de Frente

Coreografada por Carlos Bolacha, a comissão de frente apresentou uma performance que sintetizou a essência do enredo, destacando a importância dos profetas da chuva no sertão nordestino. Esses homens e mulheres, observando sinais da natureza, fauna, flora e astros, conseguiam prever a chegada das chuvas e orientar agricultores e pecuaristas sobre o melhor momento para o plantio e o cuidado com os animais. O grupo representou esses personagens e as formigas, que são um dos sinais mais observados pelos profetas para indicar mudanças climáticas. A encenação foi marcada por uma coreografia muito bem ensaiada e sincronizada, incluindo pegadas elaboradas.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alessandro Silva e Layne Ribeiro, foi responsável por coreografar sua própria apresentação. Eles estrearam com elegância e sintonia, executando uma coreografia simples, mas bem feita. Suas fantasias, vibrantes e bem trabalhadas, refletiram as cores azul e branco da escola, e o casal demonstrou harmonia em sua apresentação.

Harmonia

A harmonia da escola foi um dos pontos altos do desfile. Os componentes cantaram o samba-enredo com entusiasmo, destacando a forte conexão entre a comunidade e a agremiação. A bateria “Swing da Coruja”, sob a liderança do mestre Brício Silveira, manteve uma cadência envolvente, contribuindo para a harmonia musical do desfile.

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Evolução

A evolução do Sereno transcorreu de forma fluida e organizada. As alas avançaram sem interrupções, e não houve registros de buracos ou descompassos. A escola demonstrou preparação e disciplina, refletindo o comprometimento de seus integrantes.

Outros Destaques

A rainha de bateria, Katarina Harmony, esbanjou carisma e samba no pé, encantando o público com sua energia contagiante. Sua fantasia estava deslumbrante, chamando atenção pela beleza e riqueza de detalhes. As alegorias e fantasias apresentaram bom acabamento e criatividade, reforçando a narrativa proposta pelo enredo. Os carros alegóricos também se destacaram, sendo bem trabalhados e coerentes com a proposta visual do desfile.

As musas Adryele Araújo, Cintia Amanda, Giulia Pacoal, Ju Braga, Rosi Freire, Sol e Rodrogo Franco brilharam na Avenida, acrescentando ainda mais charme e animação ao desfile. A musa da comunidade, Selma Rocha, representou com garra e emoção o amor pela agremiação.

Feitiço Carioca mexe com público na Intendente com tributo emocionante a ancestralidade africana

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Por Julia Fernandes

O domingo de Carnaval foi marcado por um espetáculo grandioso na Intendente Magalhães, onde a Feitiço Carioca desfilou com um enredo potente e emocionante: “Griot: Memórias da Carne”. A escola, que já se destacou por sua entrega e criatividade, trouxe para a avenida uma celebração vibrante da África, reverenciando suas raízes e denunciando as cicatrizes da exploração histórica. Com uma apresentação arrebatadora, a agremiação não apenas contou uma história, mas fez a plateia sentir cada batida do tambor ancestral que ressoava em cada ala.

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Fotos: S1 Comunicação/CARNAVALESCO

Comissão de Frente

Sob a coreografia de Adilson Lourenço, a comissão de frente foi um dos grandes destaques da noite. Muito bem coreografada, apresentou uma performance de altíssimo nível, com uma coreografia precisa e uma sincronia absurda. A apresentação foi um verdadeiro espetáculo teatral a céu aberto, onde os componentes abraçaram o samba enredo e mostraram que o Feitiço está pronto para subir.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Anna Clara Gomes e Yuri Gomes, encantou o público com sua dança repleta de elegância e emoção. Irmãos na vida real, eles demonstraram sintonia absoluta na avenida, tornando sua apresentação ainda mais especial. Sob a orientação da coreógrafa Marcelle Moura, o casal brilhou com uma apresentação impecável.

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Samba-Enredo

Na voz potente de Betinho Cavaco, o samba-enredo emocionou e contagiou o público. A melodia, repleta de cadência e lirismo, fez do canto coletivo uma espécie de ritual. O samba foi, sem dúvida, um dos pontos altos do desfile, servindo como fio condutor da emocionante narrativa apresentada.

Harmonia e Evolução

A agremiação desfilou com muita fluidez, sem falhas perceptíveis na harmonia. Os componentes cantavam a plenos pulmões, mostrando que a escola veio para disputar o título. As alas estavam muito animadas.

A evolução foi marcada por coreografias bem ensaiadas, que equilibravam a plasticidade das apresentações individuais com a força do coletivo. O entrosamento entre alas e carros alegóricos garantiu um espetáculo envolvente.

Outros destaques

A rainha de bateria, Geo Chagas, brilhou com seu carisma, encantando a todos com sua presença eletrizante. Com uma fantasia luxuosa e muito samba no pé, ela contagiou a arquibancada.

As musas Simone Gabriele, Samara Miranda e Raquel Gomes também se destacaram, cada uma trazendo sua própria personalidade ao desfile. Com figurinos impecáveis e um desempenho envolvente.

Outro ponto positivo foi a fidelidade das fantasias ao samba-enredo. Cada detalhe das vestimentas remetia à cultura africana, desde as estampas e cores vibrantes até os acessórios.

Unidos da Barra da Tijuca celebra a paixão pelo carnaval, mas enfrenta desafios na harmonia e evolução

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Por Ana Júlia Agra

A Unidos da Barra da Tijuca levou à Passarela Popular do Samba, no último domingo, na Intendente Magalhães, um desfile que trouxe a paixão pelo carnaval sendo revisitada através de grandes desfiles que já passaram pela Apoteose. Sua comissão de frente apresentou alusões e homenagens a grandes desfiles e suas escolas. A apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Paulo Barbosa e Maura Luiza, foi cativante. A escola apresentou alguns problemas de harmonia e evolução, com buracos, componentes que não ecoavam o samba, teve alguns problemas com suas fantasias na ala de baianas e alguns componentes descalços. Contudo, fechou dentro do tempo regulamentar e apresentou a ideia contida em seu samba-enredo.

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Fotos: S1 Comunicação/CARNAVALESCO

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Comissão de frente

Walber Valentini, coreógrafo da comissão da azul e verde da Zona Oeste, foi o responsável pela apresentação que trouxe referência à comissão campeã da Tijuca; “É Segredo”, com uma coreografia carismática e repleta de homenagens as escolas campeãs através da fantasia de seus componentes do sexo masculino. Também fez uso da ilusão de ótica e efeito pirotécnico.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Paulo Barbosa e Maura Luiza, apresentou uma dança tradicional e cadenciada, com movimentos suaves e sincronizados, mostraram conexão e intimidade, no entanto pouco vigor e entusiasmo em seus movimentos. A fantasia do casal não foi tão luxuosa quanto outras escolas da noite apresentaram.

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Harmonia e Samba

A harmonia da escola poderia ter desenvolvido melhor o canto tímido de seus componentes; nas alas coreografadas o canto fluía melhor, principalmente em partes que faziam alusões à sambas icônicos e que tinham gestos contidos em sua coreografia; como “Sassaricando” na comissão de frente.

O intérprete Alex Ribeiro soube conduzir o samba intitulado como “Sapucaí – Uma viagem em 4 tempos”, com maestria, levando animação e fácil contágio para o público presente, mesmo com os problemas apresentados no som da Intendente Magalhães durante a noite. A bateria encaixou perfeitamente com o samba leve, animado e envolvente.

Evolução

Apresentou desorganização e correria para não estourar o tempo, deixando buracos visíveis, principalmente próximos ao terceiro e quarto módulo de jurados. A direção de harmonia entrou em ação tentando acalmar os componentes para que pudessem recompor sua posição ideal e encerrar o desfile dentro do tempo, mas com calma e suas alas devidamente preenchidas.

União de Jacarepaguá leva fé e emoção à Intendente, mas enfrenta desafios na evolução

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Por Ana Júlia Agra

A União de Jacarepaguá levou à Intendente Magalhães, no último domingo, pela Série Prata, um desfile que buscava mostrar a força invisível que a fé representa na vida de quem crê, nos sonhos e momentos mais escuros da vida humana. Fábio Júnior e Natália Monteiro, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, mostrou sincronia e entrosamento para os jurados. Já na evolução, a escola acabou enfrentando problemas no abre-alas, que acabou afetando o andamento do desfile.

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Fotos: S1 Comunicação/CARNAVALESCO

Comissão de frente

Comandada pelo coreógrafo Arthur Rozas, a comissão de frente da União de Jacarepaguá, envolveu o público com uma coreografia que apresentava confiança e o poder que a fé têm sobre os sonhos, enquanto a obscuridade pode estar presente como um monstro na turbulência e descrença. Enquanto dançavam, os componentes entoaram com força e autoconfiança os versos do samba-enredo, celebrando a força intangível da fé.

Mestre-sala e porta-bandeira

Fábio Júnior e Natália Monteiro apresentaram uma dança cadenciada, com movimentos impactantes e envolventes. O casal mostrou conexão com o enredo e entre si. A coreografia foi bem executada e representou com fidelidade o enredo da escola, que busca espelhar a forma como o homem tenta compreender seu lugar no universo, com a fé sendo representada mais uma vez através da fantasia da porta-bandeira. Sua saia era composta por diversas “Espadas de São Jorge”, uma planta atrelada a crenças e simpatias culturalmente. No entanto, durante o desfile, partes da saia da porta-bandeira acabaram caindo pelo caminho, deixando algumas falhas visíveis em sua fantasia.

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Harmonia e Samba

Os componentes não apresentaram canto forte durante sua passagem pela Intendente. O intérprete José Paulo Miranda conduziu de forma satisfatória o samba, mas contou com alguns problemas técnicos do som, assim como os demais intérpretes neste domingo na Série Prata. A bateria comandada pelo mestre Marquinhos passou pela Passarela Popular do Samba empolgando os foliões que assistiam da arquibancada, com um ritmo contagiante.

Evolução

Após problemas para a entrada do abre-alas na Passarela; algumas alas apresentaram certa desorganização, e de passistas teve um buraco perceptível. Entretanto, não foi o único visto na escola, na frente dos carros alegóricos ocorreram espaçamentos consideráveis. Ainda assim, a escola conseguiu fechar o desfile dentro do tempo regulamentar, sem penalidades.

Unidos de Lucas mostra na Intendente uma versão teatral e envolvente de ‘O Auto da Compadecida’

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Por Ana Júlia Agra

A Unidos de Lucas trouxe para a Avenida, no último domingo, uma versão carnavalesca da obra de Ariano Suassuna, mesclando a literatura de cordel, a adaptação da obra para o cinema, religiosidade e cultura. A apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Ewerton Anchieta e Alana Couto, emocionou com a homenagem através da fantasia de Alana, que representava a padroeira do Brasil.

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Fotos: S1 Comunicação/CARNAVALESCO

Comissão de frente

A dupla formada por Daniel Ferrão e Léo Torres usou um elemento móvel, maquiagem artística, máscaras e referências a adaptação cinematográfica da obra de Ariano Suassuna, encantando e cativando jurados e público presentes. A teatralização da coreografia desenvolvida para a comissão de frente foi uma grata surpresa, que introduziu fielmente o que viria a seguir para ser apresentado pela escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Ewerton Anchieta e Alana Couto, apresentou uma dança tradicional e cadenciada, com movimentos suaves e elegantes. A coreografia leve e delicada buscava trazer a doçura de Nossa Senhora Aparecida, representada através da fantasia da porta-bandeira.

A conexão da dança do casal, o entrosamento e o uso da representação de uma figura tão marcante para o contexto do enredo na fantasia de Alana trouxe a fácil identificação para o público do que a escola se propôs a retratar em seu desfile.

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Harmonia e Samba

A harmonia da escola se destacou pelo canto da comunidade, ora mais tímidos, ora mais intensos, mas presentes por todo desfile. Um samba que fluiu bem e contagiou componentes e a arquibancada.

O intérprete Vinny Machado conduziu a escola de forma satisfatória, conseguindo um bom entrosamento com a bateria comandada por mestre Celsinho; que trouxe agogôs ritmados, buscando representar o tom típico das músicas características do regionalismo nordestino.

Evolução

A Unidos de Lucas não apresentou problemas evidentes de evolução, tampouco buracos visíveis ou correria. Conseguiu evoluir pela Passarela Popular sem problemas ou polêmicas. O samba funcionou, a escola evoluiu bem e encerrou seu desfile dentro do tempo regulamentar.

Chatuba de Mesquita leva o funk para a avenida e faz o Intendente tremer

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Por Juan Tavares

A Chatuba de Mesquita desfilou na Intendente Magalhães na noite deste domingo. Contudo, apesar de ser uma das últimas escolas a desfilar na Série Prata, isso não foi motivo para cansaço e desânimo. Muito pelo contrário, foi uma das razões para tanto destaque, principalmente na sua comissão de frente, que chegou mandando um “beijinho” no ombro para os concorrentes, em alusão à música da funkeira Valeska Popozuda.

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Fotos: S1 Comunicação/CARNAVALESCO

O desfile começou e terminou pontualmente aos 40 minutos. O enredo Funk-se Quem Quiser, dos autores Alexandre Costa, Lino Sales e Marcus do Val, foi representado na voz de Edinho Gomes. A agremiação foi a nona na ordem dos desfiles, porém esteve disposta a mostrar todo o seu potencial na noite da Avenida Intendente Magalhães. A ala das crianças fantasiadas de hip-hop foi um show à parte. Esse momento foi muito emocionante, pois mostra que o som que antes era recriminado passa para as próximas gerações de maneira ressignificada.

Comissão de Frente

A comissão chamada ‘O Baile de Funk e seu Paredão’ representou muito bem os passinhos que jovens costumam dar nos bailes. Os integrantes usaram um figurino bastante fidedigno, com direito a cropped e short curto, com cores que variavam entre prata, verde fluorescente e rosa pink. Nas mãos e pés de alguns componentes, foram colocadas caixas representando o paredão de som.

Mestre-sala e porta-bandeira

O casal Cristiano Foguinho e Ana Beatriz Arruda fez sucesso na performance com muita animação e sincronia. O rapaz estava vestido com a fantasia dourada, em homenagem ao saudoso James Brown, famoso e um dos responsáveis pela evolução do ritmo gospel no mundo. Além disso, ele também influenciou outros gêneros musicais, como rock, jazz, reggae, disco e hip-hop.

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Já Ana estava com uma fantasia maravilhosa, vibrando e girando como se fosse sua primeira vez em uma apresentação dessa magnitude. A componente manteve-se impecável, celebrando cada momento e levando foliões à loucura com seu carisma e sua fantasia com adereços na cor verde e dourada, as mesmas das cores da bandeira da escola. Ali, quem estava presente certamente era Betty Davis, que fez história no cenário do funk nos anos 70.

Harmonia

De modo geral, a escola teve uma harmonia bem animada durante os 40 minutos na avenida. A ala das baianas, que representava o gênero musical ‘black music’ – música feita pelos negros escravizados nos Estados Unidos – esteve bem entrosada. As saias rodadas coloridas, com uma espécie de escudo prateado e a imagem de uma mulher com black Power e uma coroa dourada, mostraram o empoderamento não só do estilo, como também da mulher preta.

As musas Michele e Aline foram um show à parte. Ambas mostraram que samba no pé é com elas mesmas, ainda que não estejam no padrão de corpo que a indústria da moda prega.
A segunda ala, chamada ‘sons metálicos’, nas cores branca e prata, contribuiu ainda mais com a beleza da escola, principalmente pelos contrastes que diversos instrumentos podem criar entre si quando estão juntos. As vozes dos demais componentes pareciam um uníssono quando a bateria caprichou junto com os puxadores, no trecho: “Glamurosa, rainha do funk. É som de preto e favelado. Beijinho no ombro, respeite a nossa luta. Atenção, chegou Chatuba.”

Evolução

Um pequeno buraco se formou na ala 8, chamada Tamborzão, e no tripé ‘Tambores de Ogã’, que, por sinal, estava lindo. O muso Diego Edson deu o melhor de si durante sua apresentação. Foi uma pena que sua presença ilustre, seu desempenho e sua simpatia não tenham sido o suficiente para minimizar ou sanar este pequeno problema que permeava os dois “setores”.

Samba

A escolha do samba mostrou-se ainda mais necessária nos tempos difíceis nos quais vivemos. Apesar de o tema ser recorrente nos debates sociais, não se pode esquecer o quão o ritmo – funk, embora celebrado hoje – já foi marginalizado por ser oriundo das periferias e do povo negro escravizado.

Os principais pontos positivos são, de fato, a letra somada à voz dos cantores e dos componentes, que celebram a libertação de criar uma arte que movimenta a economia, não somente na favela, como também transforma inúmeras vidas, gera empregos e dá uma outra perspectiva sobre a vida de uma pessoa de origem simples.

Os negativos, por outro lado, podem ser a falta de referência a outros cantores de funk, que não fazem uma crítica social, mas sim apologia a determinadas situações, como crime, abuso e relações sexuais explícitas. Esses discursos muitas vezes descredibilizam o gênero como arte e o colocam novamente num patamar de inferioridade pelo seu conteúdo.

Outros Destaques

Vale salientar que, além da bateria da escola ter sido excelente, sua identidade visual representativa também deve ser comentada aqui. Todos os componentes estavam trajados de polícia militar, fazendo referência à repressão truculenta que muitas vezes o Estado impõe contra as minorias menos favorecidas.

O segundo casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira também deu o seu melhor, com muito sorriso, passos, giros e energia. Eles estavam muito “solares” na noite de ontem, com a fantasia de frutas tropicais, que também remete à época das mulheres-frutas.

A ala 12 também não pode passar despercebida, com seus integrantes usando a fantasia com o nome ‘Silva’, um dos mais comuns, porém muito famoso por conta da música “Rap do Silva”, que diz: “É só mais um Silva que a estrela não brilha. Ele era funkeiro, mas era pai de família.” Esse trecho se refere a como os funkeiros eram marginalizados e excluídos, muitas vezes tratados como “marginais” tanto pela sociedade quanto pelo poder coercitivo exercido pelas autoridades da área de segurança pública, que deveria protegê-los e não os prender.