Início Site Página 337

Grande Rio faz desfile brilhante, encanta a Sapucaí com visual esplêndido e entra na briga pelo título

0

A Acadêmicos do Grande Rio foi a penúltima escola a pisar na avenida na última noite de desfiles do Grupo Especial. A tricolor de Caxias encantou o público com um conjunto visual deslumbrante, evidenciando o talento da dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora em cada detalhe apresentado. O apuro estético se destacou em todas as alegorias, com uma riqueza de detalhes impressionante. Cada carro possuía uma composição visual tão minuciosa que era impossível desviar o olhar sem perder algum elemento. Além disso, a grandiosidade e a volumetria das alegorias ampliaram o impacto cênico do desfile, tornando-o ainda mais imponente.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

grande rio 25 14

No aspecto musical, a escola também brilhou, com um desempenho excepcional da dupla Evandro Malandro e Mestre Fafá. O desfile da Grande Rio foi sólido, vibrante e visualmente esplêndido, garantindo uma forte comunicação com o público. Os quesitos foram defendidos com maestria, com destaque para o bailado do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana Couto, que mais uma vez brilharam na avenida.

O único senão ficou por conta da evolução, que apresentou momentos de irregularidade ao longo do desfile.

A Grande Rio levou o Pará para a Sapucaí com o enredo “Pororocas Parawaras – As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós”, encerrando sua apresentação aos 76 minutos e saindo ovacionada pelo público, que entoou gritos de “é campeã!”.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Acadêmicos do Grande Rio em 2025 foi coreografada por Hélio Bejani e Beth Bejani. A apresentação, intitulada Quatro Contas, foi inspirada na música de Dona Onete e na tradição do Tambor de Mina, trazendo para a avenida a história das princesas Mariana, Jarina e Herondina.

* LEIA AQUI: Segundo carro da Grande Rio explora a fertilidade e a potência criadora dos igapós

A narrativa mostrou as três “Belas Turcas” embarcando em um navio para fugir das guerras santas. No mar, elas enfrentam uma tempestade, mas são guiadas pelo Encantado Tói Averequete, uma entidade ligada às águas, que as conduz ao Mundo do Encante. Assim, as princesas não experimentam a morte, mas se transformam: encontram Jurema e tornam-se caboclas, enquanto os turcos da embarcação se convertem em “mineiros” e entram em um transe espiritual. Essa transição foi representada de forma orgânica, sem grandes truques cenográficos, mas executada com extrema precisão e impacto visual.

* LEIA AQUI: A Magia da Pororoca: baianas da Grande Rio celebram o encontro das águas

A apresentação contou com um belíssimo tripé, mas, diferentemente da maioria das comissões de frente, o ato principal da narrativa ocorreu no chão, o que trouxe um charme adicional à encenação. A iluminação cênica da Sapucaí foi utilizada para compor a atmosfera do espetáculo, com grande parte da coreografia realizada sob luzes baixas. Embora esse recurso tenha criado um efeito dramático, em alguns momentos comprometeu a visibilidade. O grande ápice ocorreu quando a parte de trás do tripé se virou para o júri, revelando uma mandala que simbolizava os rios e igarapés do Pará, inspirada no desenho presente no piso do Theatro da Paz.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos do Grande Rio, Daniel Werneck e Taciana Couto, representou a força e a magia das águas encantadas com a fantasia As Águas dos Meus Encantos. O figurino, em tons de verde-água, esmeralda, tiffany e turquesa, remetia às profundezas dos rios e mares encantados, com detalhes que imitavam pérolas, conchas e escamas.

* LEIA AQUI: A Nobreza Submersa: A Lenda das Princesas no Abre-Alas da Grande Rio

Inspirados na fluidez das águas, Daniel e Taciana bailaram com leveza, encantando o público com uma apresentação marcada pela elegância e pela sincronia. A dupla incorporou passos de carimbó à coreografia, agregando ainda mais autenticidade à dança. Além do refinamento técnico, demonstraram grande segurança ao longo de toda a avenida, mesmo quando um imprevisto ocorreu.

Ao avançarem para a apresentação na cabine três dos jurados, a parte de trás da fantasia de Taciana se abriu inesperadamente. Rapidamente, a equipe de apoio entrou em ação, resolvendo a situação com eficiência. O público, que acompanhou o momento com apreensão, celebrou aliviado quando tudo foi solucionado sem comprometer o desempenho do casal.

Enredo

O enredo da Acadêmicos do Grande Rio em 2025 foi “Pororocas Parawaras – As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A escola propôs um mergulho em águas encantadas, narrando uma saga que entrelaça a mitologia amazônica e a tradição da Tambor de Mina, religião de matriz afro-indígena presente no Pará e no Maranhão.

A história foi conduzida pela lenda das Princesas Mariana, Herondina e Jarina, conhecidas como “Belas Turcas”, que fugiram das guerras santas na Turquia e encontraram nas águas amazônicas o caminho para o Mundo do Encante. No percurso, passaram por um processo de transformação espiritual, conectando-se com o universo das caboclas e dos encantados.

A narrativa do enredo foi fortemente influenciada pelas músicas de Dona Onete, principalmente a canção “Quatro Contas”, e explorou a fusão entre elementos islâmicos e a cultura amazônica. A estética do desfile misturou a sofisticação dos mosaicos turcos e a arte islâmica com a vibrante identidade visual do Norte do Brasil, trazendo referências a palácios otomanos, ao carimbó e às tradições ribeirinhas. O enredo foi traduzido com clareza nas fantasias e alegorias, sem grandes dificuldades de entendimento do mesmo.

Alegorias e Adereços

A Grande Rio apresentou um conjunto visual impressionante, composto por três tripés e cinco carros alegóricos, alinhados ao enredo. As alegorias refletiram o que há de melhor no trabalho da dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A fusão entre a cultura amazônica, o Tambor de Mina e as influências islâmicas, resultando em um desfile de forte apelo simbólico.

O apuro estético se destacou em todas as alegorias, com um nível de riqueza de detalhes impressionante. Cada carro trazia uma composição visual tão rica que era impossível desviar o olhar sem perder algum elemento. Além disso, a grandiosidade e volumetria das alegorias reforçaram o impacto cênico do desfile, tornando-o ainda mais imponente.

No entanto, um problema pontual comprometeu a execução perfeita do conjunto alegórico. Um dos balões do carro abre-alas, que fazia parte da cenografia, apresentou instabilidade desde o início do desfile. Ele já estava mais baixo do que os demais e, ao se aproximar da cabine três, acabou despencando. Apesar desse contratempo, o impacto visual do desfile da Grande Rio permaneceu marcante, consolidando a força plástica da escola na Avenida.

A escola iniciou sua apresentação com o tripé “A Mesma Lua da Turquia”, representando a conexão entre a cultura islâmica e a tradição amazônica. O elemento cênico trazia uma imponente lua crescente sobre um mar simbólico, remetendo à jornada das Princesas Turcas e seu destino no Mundo do Encante. Logo depois, o abre-alas “Travessia e Realeza Submersa”, dividido em dois chassis, simbolizou o naufrágio das princesas e sua transformação no reino encantado. O carro misturava criaturas marinhas e mosaicos islâmicos, criando um cenário de transição entre dois mundos.

Dando sequência à narrativa, o segundo tripé, “Portais da Encantaria”, marcou a passagem definitiva das princesas para o universo mítico do Tambor de Mina, com referências a ritos e símbolos desse culto afro-indígena. Em seguida, veio o segundo carro, “Quem é de Barro, no Igapó, é Caruana”, que exaltou a cerâmica marajoara e tapajônica, representando a ancestralidade amazônica e a conexão espiritual dos Caruanas com as águas e a natureza.

No meio do desfile, a escola trouxe o terceiro carro, “Tambor de Mina: O Sultanato Caboclo”, uma representação grandiosa do palácio encantado, onde as entidades espirituais transitam entre diferentes culturas, unindo influências africanas, indígenas e islâmicas. Logo depois, o terceiro tripé, “Venham Ver as Três Princesas Baiando no Curimbó”, celebrou a fusão da dança e dos ritos do carimbó com o universo encantado, reforçando o sincretismo presente no enredo.

O desfile se encaminhou para o fim com o quarto carro, “Aparelhagem Astral”, que destacou a relação entre espiritualidade e musicalidade paraense, trazendo elementos das festas ribeirinhas, aparelhagens e a energia dos batuques do Tambor de Mina. Para fechar a apresentação, a escola trouxe o quinto e último carro, “Noite de Festa: A Felicidade Está Me Esperando, A Felicidade Mandou Me Buscar”, exaltando os grandes festejos populares do Pará e a devoção às águas sagradas, encerrando o desfile em clima de celebração.

Com esse conjunto alegórico, a Grande Rio construiu um desfile visualmente rico, marcado por forte identidade cultural.

Fantasias

O conjunto de fantasias da Grande Rio esteve à altura do que se viu nas alegorias, refletindo o apuro estético característico da dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A identidade visual dos artistas foi evidente, mantendo sua assinatura sem cair na repetição, trazendo novidades dentro de suas características marcantes.

As cores foram muito bem aplicadas ao longo do desfile. O início, dominado por diferentes tons de azul, chamou atenção e criou um efeito visual impactante. Conforme os setores avançavam, a escola se transformava em um espetáculo vibrante e multicolorido, reforçando a presença dos elementos do Pará e da estética amazônica.

O único ponto negativo foi o peso de algumas fantasias, que comprometeu o desempenho de alguns componentes. Vários desfilantes precisaram ser carregados por paramédicos, evidenciando o desgaste causado pelo figurino. Um caso mais crítico ocorreu na ala 7, “Aguaguaras”, onde um componente passou mal em frente à cabine três e teve sua fantasia arrastada.

Apesar dessas dificuldades, o conjunto visual foi belíssimo, com destaque para as alas iniciais e para as baianas, que brilharam com a fantasia “Joias d’Água”, um verdadeiro espetáculo de riqueza e acabamento.

Harmonia

O desempenho musical da Grande Rio é destaque ano após ano, a sintonia entre mestre Fafá e o intérprete Evandro segue evoluindo. A dupla executou com maestria o elogiado samba da escola, a bateria destacou pela cadência precisa e pelo equilíbrio entre os instrumentos, também foram inseridos tambores de Mina, curimbós e maracas para valorizar ainda mais o trabalho dos ritmistas, foi um show. O canto da comunidade foi uniforme, apesar de não ser explosivo, os componentes cantaram de forma exemplar, isso ficou evidente durante uma falha do som da avenida em que o canto foi perceptível.

Samba-Enredo

O samba, composto por Mestre Damasceno, Ailson Picanço, Davison Jaime, Tay Coelho e Marcelo Moraes, foi apontado no pré-carnaval como um dos grandes destaques da safra. Na Avenida, a obra confirmou seu valor, mostrando-se envolvente e musicalmente exemplar. A combinação de uma letra forte com uma melodia cativante garantiu um belo desempenho, impulsionando o canto da comunidade de Caxias, que se manteve firme e uniforme ao longo de todo o desfile.

Sem dúvida, o verso que antecede o refrão principal e o próprio refrão foram os momentos de maior destaque, conquistando o público e ajudando a sustentar a força do desfile.

Evolução

A evolução da Grande Rio teve alguns contratempos ao longo do desfile. Nenhum deles foi grave, mas comprometeram a plena fluidez da apresentação. Os principais problemas ocorreram durante as apresentações da bateria nas cabines de julgamento.

Na primeira cabine, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira e um grupo cênico avançaram antes do tempo, enquanto os ritmistas demoraram um pouco para acompanhar. O desencontro foi breve, mas perceptível. Já na segunda cabine, o erro ficou mais evidente, pois o espaçamento entre a bateria e os demais segmentos foi maior, comprometendo momentaneamente a harmonia do desfile.

Nas demais cabines, não houve registros de problemas similares. No entanto, ao longo da apresentação, a escola alternou momentos de fluidez com outros mais travados, o que impediu um deslocamento completamente uniforme. Por outro lado, um ponto positivo foi a organização dos componentes dentro das alas, garantindo um visual coeso e bem distribuído na Avenida.

Outros Destaques

Um dos momentos mais marcantes do desfile foi a passagem de Paolla Oliveira à frente da bateria Invocada. Em sua última apresentação como rainha, a atriz desfilou com emoção visível e foi ovacionada pela Sapucaí inteira, reforçando a forte conexão que construiu com a escola e o público ao longo dos anos.

Além disso, a Grande Rio manteve sua tradicional aposta em um time estrelado de musas, trazendo para a avenida diversas personalidades famosas que abrilhantaram ainda mais o desfile.

Casal brilha, enredo é bem desenvolvido, samba funciona, mas evolução ruim atrapalha o Paraíso do Tuiuti

0

Ao passar pela Sapucaí para apresentar uma importante história ignorada pelos livros e um manifesto contra a transfobia e o preconceito, o Tuiuti consegui entregar a partir do olhar de Jack Vasconcelos um bom conjunto estético, um enredo com boa leitura e bem desenvolvido. Mas os problemas de evolução que incluíram deslocamento pela pista muito lento no início, correria do meio para o final, carro se chocando com as grades e até mesmo buraco podem comprometer a situação do Paraíso do Tuiuti. A evolução ruim impactou inclusive em um canto ruim da comunidade, apesar de um excelente trabalho do carro de som. Casal passou bem, assim como a comissão, apesar de uma falha pirotécnica em um dos módulos de julgamento. Samba e Pixulé também fizeram desfile muito correto e tranquilo. Com o enredo “Quem Tem Medo de Xica Manicongo?”, o Paraíso do Tuiuti encerrou seu desfile com 80 minutos cravados.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

tuiuti 25 05

Comissão de Frente

Comandada por Claudia Motta e Edifranc Alves, a Comissão de Frente do Paraiso do Tuiuti “Transpassado e Transfuturo” trouxe uma mensagem de otimismo, frente à realidade histórica de perseguição. Nela, Xica Manicongo e seus Ngangas (antepassados cultuados na quimbanda) acompanham a evolução de um grupo de travestis que, marginalizadas pela sociedade, trabalham nas ruas para sobreviver e são alvos dos “perseguidores” que desejam suprimir suas existências. Estes representam a intolerância, o preconceito e a violência que a comunidade trans e travesti sofre há gerações.

* LEIA AQUI: Ala de Passistas do Paraíso do Tuiuti adota figurino agênero e celebra a inclusão no Carnaval

Em seguida houve uma investida desses personagens contra Xica Manicongo para anular sua feminilidade, controlar seu corpo. Mas as travestis vencem os opressores e eles que na verdade são queimados em um efeito pirotécnico. No momento seguinte, travestis sobem a partir de um elevador e Érica Hilton aparece com a faixa presidencial, momento de maior animação do público que ovaciona a comissão e em seguida elas dançaram vogue, como na cultura ballroom. Único porém foi o efeito de fogo quando as componentes eram açoitados que não funcionou na primeira cabine. Comissão sem um investimento astronômico, mas que sintetizou o enredo e mais uma vez a dupla apostou em chocar o público pela emoção e menos pela pirotecnia.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane vieram de “Kimbandas”, curandeiros, sacerdotes feiticeiros que se comunicavam com o além, detentores de poderes xamânicos com os quais curavam. Fantasia muito bonita em tons de palha, marrom, contrastando com o alaranjado e preto. Na coreografia, a dupla, mais uma vez, apostou em um dança mais tradicional, confortável ao seus estilo, mas muito bonita.

* LEIA AQUI: Ala Rainha das Rainhas – representatividade e resistência trans no desfile da Paraíso do Tuiuti

Dandara fez giros com muita graça, com postura muito bonita e sempre em consonância com Raphael. A proximidade do casal nas mesuras e a doçura nestes momentos também chamou atenção. Não se identificou nenhuma falha nas apresentações nos módulos. Passaram muito bem.

* LEIA AQUI: O Traviarcado Brilha na Avenida

Enredo

“Quem Tem Medo de Xica Manicongo?”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, homenageou a primeira travesti não indígena do Brasil, Xica, que foi escravizada no Congo e trazida para Salvador na Bahia. Segundo o carnavalesco colocou na justificativa do enredo o desfile veio ser um manifesto político- espiritual da ancestralidade travesti, em sua importância para a consciência de pertencimento e construção de memória para a comunidade trans. E, mais uma vez Jack Vasconcelos conseguiu entregar um enredo com início meio e fim, com uma mensagem importante no final com maior leitura nos carros, e nas fantasias, na maioria, satisfatória.

Dividido em seis setores e uma abertura, o Tuiuti começou o seu desfile introduzindo na comissão de frente o tema e contextualizando o recorte do enredo. No primeiro setor a escola trouxe a busca pela transcestralidade de Xica Manicongo, ainda em terras bantus com o culto aos ancestrais.

Em seguida, o Tuiuti apresentou o cenário no qual Xica seria inserida em sua terra natal antes da escravização e anulação de sua identidade imposta pelos portugueses. No terceiro setor o desfile mostrou a escravização pelo homem branco até a chegada ao Brasil, na capital da colônia portuguesa, Salvador, onde Xica foi vendida como Francisco Manicongo. Logo depois, a narrativa trouxe o contato com a mata brasileira e com os tupinambás, que mostraram a Xica, o acolhimento, dividiram com ela os segredos do catimbó indígena, transformando sua vivência nas terras brasileiras.

No penúltimo setor, o Paraíso do Tuiuti trouxe que a demonização da cultura africana, e dos povos submetidos, no geral, é um reflexo do regime escravocrata e da catequização cristã colonial que abarca heranças de moralidades e temores europeus criados desde a Idade Média. Neste setor, Xica Manicongo foi perseguida por esse juízo preconceituoso.

Jack Vasconcelos encerrou o desfile mostrando a resistência, com o cenário de intolerância, preconceito e perseguição prossegue, mas com a luta continuando. Neste setor foi lembrado as perseguições do mundo moderno à comunidade trans, mas também foi enaltecido as que lutaram, e lutam, por dignidade e justiça. Ótima mensagem no final e um enredo que passou correto e coerente com o que foi prometido.

Alegorias e Adereços

O conjunto alegórico do Paraíso do Tuiuti era formado por cinco carros e dois tripés. Ainda que com alguns problemas de acabamento, a estética serviu muito bem ao enredo, com criatividade e leitura. E, o principal, foram diferentes de tudo que passou pela Sapucaí nestes dias, com personalidade própria. Trabalho muito superior plasticamente ao do ano passado.

Antes do Abre-Alas, o tripé “O Maioral” representando o Exu Maioral”, um ser andrógeno, chamou atenção pelo tamanho e porque a escultura levantava e fica de pé erguendo o tridente. O único detalhe negativo foi o acabamento da escultura que tinha problemas como nas asas e na cintura da escultura.

No Abre-Alas, Jack significou “curandeiro(a)” e a expressão Mwene Kongo, senhor(a) do Congo. As duas, respectivamente, originaram os termos Quimbanda e Manicongo. A alegoria trouxe à sua frente uma escultura do exu de duas cabeças com Xica Manicongo em seu ventre. Crânios e ossos representam o culto aos antepassados, aos desencarnados, unidos à vitalidade oferecida dos animais divinizados. A segunda parte da alegoria ilustrou poeticamente Xica como uma sacerdotisa kimbanda invocando Nkisi Ngo, a força e o poder do leopardo do Reino do Kongo. Alegoria com boa qualidade visual e com estilo visual bem diferente do que passou pela Sapucaí, estilo próprio e legal, isso, apesar de ter apresentado problemas com uma parte da alegoria caindo ainda no Setor 1.

O segundo carro mostrou Xica Manicongo na Bahia. A alegoria apresentou uma visão lúdica de como seria essa mistura cultural que moldou o caráter social da cidade, porém, dominada e influenciada pela Igreja Católica. Na frente o marco de fundação de Salvador. Duas grandes esculturas representando Exu, protetor dos mercados, finalizam a alegoria. O papagaio pousado na escultura de Exu simbolizou o encontro da natureza brasileira com a cultura africana. Alegoria de boa qualidade estética.

A terceira alegoria representou a transcendência da alma feminina de Xica Manicongo proporcionada pelo encontro das suas raízes africanas com a espiritualidade indígena tupinambá através do catimbó. A escultura do rosto de Xica Manicongo veio com pintura facial afro-indígena ostentando um cocar de folhas representando a absorção da espiritualidade indígena brasileira pela ancestralidade africana de Xica. Na alegoria, a presença de cerâmicas ritualísticas reproduzindo corujas, simbolizando sabedoria e o vaso redondo, a mãe terra. Boa utilização de cores e contraste.

Em seguida, o quarto carro do Paraiso do Tuiuti, trouxe Xica Manicongo desencarnada, acolhida pela agregora e pomba-giras. A alegoria fez uma ilustração lúdica com exemplos do uso do pajubá no cotidiano e em objetos, como as garrafas de “Marafo” (aguardente) e os maços de “Xanã” (cigarro).

A última alegoria do Paraiso do Tuiuti encerrou o desfile com a era do Traviarcado buscando um futuro mais inclusivo e acolhedor com todas as existências, corpos e vivências. Na frente da alegoria a representação escultórica de Xica como uma NGanga de estética “queer”, “assentada” na frente do movimento traviarcal. Distribuídas pelo centro da alegoria, vieram vinte e nove personalidades trans e travestis de diversas áreas da sociedade brasileira. Apesar do colorido, a alegoria teve um pequeno problema de iluminação em um das coroas vazadas da lateral. Problemas de acabamento também estiveram presentes na parte de trás.

Fantasias

Jack conseguiu aproveitar bastante aquilo que o enredo lhe permitia em relação a paleta de cores e aquilo que o carnavalesco mais gosta de produzir para carnavais, mais colorido e cores quentes. O carnavalesco soube usar as nuances a partir do que cada setor pedia. No primeiro mais ancestral, a presença maior do marrom, vermelho e palha. No terceiro setor, mais indígena, o verde bem utilizado. O acabamento também foi de boa qualidade e a utilização dos materiais, foi igual. Destaque para as primeiras alas “Exu Marioral”, “Exus primordiais” que usaram de forma bastante interessante a combinação entre o preto, alaranjado e o vermelho. Outros destaques foram as baianas, vieram com a fantasia “pombagirada”, fazendo alusão aos momento em que Xica desencarnou e se viu livre finalmente para rodar a sua saia e gargalhar ativamente. Excelente uso do vermelho.

Harmonia

Pelo segundo ano consecutivo defendendo o samba do Paraíso do Tuiuti em desfile, o intérprete Pixulé mostrou novamente estar bem a vontade a frente dos microfones da Amarela e Azul de São Cristóvão. E , neste desfile, Pixulé, inclusive, mais do que no ano passado, conseguiu ter o termômetro certo para fazer as suas vocalizações e cacos e a parte em que gosta de empossar mais a voz, até pela potência vocal que tem. Foi bem, inclusive, quando a escola já vinha com problemas de evolução na pista, mantendo o clima. No carro de som, excelente trabalho das vozes femininas que ajudaram bastante o canto, dando um contraste legal ao grave do Pixulé. Em relação ao canto da comunidade, já era tímido no início ainda que não tão problemático, mas diminuiu consideravelmente depois que a escola precisou correr.

Samba-Enredo

O refrão principal tem um colocação de palavras que ainda torne a letra um pouco simples, tem musicalidade. A cabeça do samba é valente, para frente e na musicalidade consegue dar o tom da profundidade da letra que toca em temas sensíveis e tem muita força de enfrentamento à transfobia, ao preconceito. “Faz tempo que eu digo não, ao velho discurso cristão“ tem um balanço melódico bem interessante que permitiu a bateria fazer algumas convenções. A grande virada melódica vem “Eu travesti” e é o momento melódico, desse verso até o final da segunda estrofe, que possui maior riqueza melódica. A obra passou de forma tranquila na Sapucaí, em um andamento que nem deixava o samba acelerado e nem corria risco de arrastar. Passou bem pela pista.

Evolução

O quesito foi o ponto mais preocupante do Tuiuti neste desfile. Os problemas aconteceram em todos os módulos, já que após uma evolução extremamente lenta no início do desfile, com a comissão encerrando a sua última apresentação com cerca de 45 minutos, a atuação do meio para o final foi extremamente corrido e problemático. A quarta alegoria ainda se chocou com a grade próximo ao módulo de jurados entre os setores 6 e 7. E, para terminar, a escola ainda abriu buraco no campo de visão da segunda cabine de jurados entre o quarto carro e a alegoria que estava logo a frente. No final, a entrada da bateria também foi complicada com indecisões entre a harmonia da escola e a ala, se iriam entrar ou não, visto que a escola já estava enrolada com o tempo na pista. Situações que devem trazer dificuldade na apuração.

Outros destaques

A rainha Mayara Lima foi ovacionada quando o apresentador Vanderlei Borges citou seu nome na ficha e veio como “Luz da lua” representando o conhecimento que Xica teve sobre a importância dos astro para a cultura tupinambá com um led acima da cabeça. Já a bateria Supersom, de mestre Marcão, veio de “curupira”, elemento protetor das matas e dos animais que Xica conheceu em seu transe alucinógeno. A deputada Erika Hilton, que veio na comissão de frente da escola, em seu discurso antes do desfile lembrou que o número expressivo de mortes em uma sociedade racista e transfóbica e foi ovacionada pelo público quando mandou um salve para os travestis e as mulheres trans. No esquenta, Pixulé cantou o samba de exaltação em honra ao padroeiro da escola junto com a obra que embalou o vice campeonato de 2018.

Mocidade resgata sua identidade em retorno de Renato Lage, brilha na comissão de frente, mas peca na clareza do enredo

0

A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu a última noite de desfiles do Grupo Especial com um carnaval que resgatou sua própria essência. Sob a assinatura de Renato Lage, a escola da Zona Oeste afastou as desconfianças e entregou uma apresentação que reconectou a agremiação com sua identidade. Foi um desfile nos moldes que consagraram o carnavalesco nos anos 1990, repleto de referências estéticas que remetiam a momentos marcantes da história da Mocidade. O samba já anunciava: “O Mago vai recriar a Mocidade”, e, de fato, o Independente se reconheceu na Avenida. O brilho de Márcia Lage, que nos deixou neste ano, esteve presente na paleta de cores vibrante e bem trabalhada da escola.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

mocidade 25 16

O grande destaque do desfile foi a comissão de frente, assinada por Marcelo Misailidis, que fugiu dos formatos convencionais e entregou uma concepção inovadora. Com um trabalho criativo e bem executado, a comissão mexeu com o público e reforçou o impacto cênico da apresentação. Outro ponto alto foi o desempenho da comunidade de Padre Miguel, que fez a diferença com um canto forte e uma evolução vibrante, sustentando a energia do desfile.

No entanto, a Mocidade pecou no desenvolvimento do enredo, que não foi bem amarrado, resultando em uma narrativa confusa e de difícil compreensão. Embora o conjunto visual tenha causado impacto, faltou capricho e refinamento. Alegorias e fantasias, apesar de conceitualmente interessantes, apresentaram um nível de acabamento simples, o que comprometeu o brilho da apresentação. Com o enredo “Voltando para o futuro – Não há limites para sonhar”, a escola encerrou sua apresentação com 77 minutos na Avenida.

* LEIA AQUI: Segundo carro da Mocidade traz a grandiosidade da galáxia para a Sapucaí

Comissão de Frente

A comissão de frente da Mocidade Independente de Padre Miguel em 2025, coreografada por Marcelo Misailidis, trouxe a apresentação “IA.venida Matrix do Samba, o futuro é aqui…”, explorando um tema futurista e provocando reflexões sobre a influência da Inteligência Artificial e o impacto da tecnologia na humanidade. A performance questionava a linha tênue entre realidade e ilusão em um mundo saturado de informações e fake news, destacando a incerteza e a crescente dependência tecnológica.

* LEIA AQUI: Entre Homens e Máquinas: o futuro em debate no desfile da Mocidade

Em um ano marcado por diversas comissões de frente com conceitos semelhantes, a Mocidade se destacou justamente por sua abordagem diferenciada. Ao contrário da tendência de utilizar um grande tripé fixo, a escola apostou em elementos cenográficos menores, mas essenciais para a construção coreográfica. Esses elementos, integrados à performance dos bailarinos, formavam diferentes cenas ao longo da apresentação. No início, telões exibiam uma mensagem enigmática, que logo davam lugar a uma estrutura dinâmica: os elementos se uniam e formavam uma grande parede, da qual emergia um robô articulado, manipulado pelos próprios dançarinos. O efeito visual impactante capturou a atenção do público, potencializado pela iluminação cênica da Sapucaí, que realçou ainda mais a dramaticidade do momento.

No desfecho da apresentação, a tecnologia assumia de vez o protagonismo: três robôs reais surgiam na cena, entre eles dois cães robóticos, simbolizando a síntese da narrativa da comissão de frente, a substituição gradual da vida real pela artificial.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel em 2025, Diogo Jesus e Bruna Santos, representou o fenômeno astronômico da Supernova, que ocorre quando estrelas massivas explodem e espalham poeira cósmica pelo universo, criando novos corpos celestes. A fantasia do casal foi concebida para traduzir essa explosão de luz e energia, simbolizando o ciclo eterno de renovação do cosmos. Diogo e Bruna ora se afastavam, ora se aproximavam, em uma dança que remetia à movimentação dessas estrelas em seu processo de transformação.

* LEIA AQUI: Renato Lage e a Mocidade: a magia está de Volta

O casal se apresentou bem em todas as cabines, demonstrando segurança e sintonia na defesa do pavilhão. A dança foi forte e vigorosa, com destaque para a energia de Bruna, que se entregou intensamente à performance. No entanto, em alguns momentos, esse excesso de vigor comprometeu a clareza dos movimentos, deixando dúvidas sobre a coesão na manutenção do pavilhão esticado. A intensidade da execução, embora impressionante, por vezes resultou em gestos menos definidos, o que pode ter afetado a percepção do conjunto coreográfico. Ainda assim, a dupla manteve um desempenho consistente e alinhado.

Enredo

O enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel para 2025, “Voltando para o futuro – Não há limites para sonhar”, propôs uma viagem intergaláctica que explorou a relação do homem com o cosmos, a tecnologia e o futuro da humanidade. Inspirado na frase de Carl Sagan, “Somos todos poeira de estrelas”, o desfile refletiu sobre a origem do ser humano e os impactos do avanço tecnológico, além de resgatar a identidade futurista da escola e homenagear a carnavalesca Márcia Lage, que faleceu em 2024, deixando esse projeto como seu último trabalho ao lado de Renato Lage.

No entanto, apesar da grandiosidade da proposta, a narrativa do enredo se mostrou confusa e pouco clara. Em diversos momentos, a abordagem repetitiva dificultou a compreensão da mensagem central, tornando o entendimento quase nulo para o público. A tentativa de unir conceitos científicos, tecnológicos e reflexões filosóficas resultou em um discurso denso, mas sem uma linha condutora bem definida, o que comprometeu o impacto esperado na Avenida.

O desfile se dividiu em três eixos principais. O primeiro abordou a conexão do homem com o universo, trazendo o carro “Cosmos”, inspirado na obra de Carl Sagan. O segundo refletiu sobre o impacto da tecnologia na humanidade, representado na alegoria “A Inteligência Artificial Desafia o Pensador”, baseada no conceito de Homo Deus, de Yuval Noah Harari. O terceiro explorou a obsessão humana com Marte e a ficção científica, com o carro “Marte Está Entre Nós”, além de referências a Os Jetsons e Os Flintstones, questionando o que se imaginava sobre o futuro e o que se tornou realidade.

Alegorias e Adereços

A Mocidade Independente de Padre Miguel desfilou em 2025 com cinco carros alegóricos e dois tripés, todos alinhados ao enredo “Voltando para o Futuro – Não Há Limites para Sonhar”, desenvolvido por Renato Lage e Márcia Lage (in memoriam).

O conjunto alegórico da escola transportou o público para os anos 90, período de maior auge da Mocidade e da consolidação de uma identidade visual marcada pela genialidade de Renato Lage. O grande destaque dos carros foi o uso da iluminação, que se mostrou essencial para a composição cênica das alegorias. Para quem imaginava que a iluminação cênica da Sapucaí seria um recurso indispensável, o carnavalesco provou que é possível valorizar os carros sem depender de elementos externos. Foi um verdadeiro reencontro da escola com seus melhores momentos visuais.

No entanto, apesar do impacto estético, o conjunto alegórico apresentou acabamentos simplórios. Não houve grandes falhas, mas em alguns elementos faltaram esmero e refinamento, comprometendo, em parte, o nível de requinte esperado.

As alegorias exploraram temas como a relação da humanidade com a ciência e a tecnologia. O abre-alas, “Sobre o Céu, a Estrela-Guia”, trouxe um grande cometa, celebrou a ciência e referência à Estrela de Belém, relacionando-a ao conceito de Homo Deus, o homem que acredita ser uma divindade por meio do avanço tecnológico. O segundo carro, “Cosmos”, inspirado na obra de Carl Sagan, destacou a imensidão do universo e o papel do ser humano dentro dessa vastidão. Já o terceiro, “Marte está entre nós”, trouxe reflexões sobre a exploração espacial e o desejo de conquista de outros planetas. O quarto carro, “O Dono da Razão”, criticou a arrogância humana e a crença no domínio absoluto sobre o conhecimento. Por fim, “O Pulso Ainda Pulsa”, a última alegoria, retratou um cenário caótico, alertando para os impactos da tecnologia, das mudanças climáticas e da manipulação social .

Os tripés serviram para complementar a narrativa visual da escola, reforçando a estética futurista e científica proposta pelos carnavalescos, porém, o nível deles em relação aos carros conseguiu ser ainda mais simples.

Fantasias

A Mocidade Independente de Padre Miguel acertou em cheio no uso das cores, entregando um desfile vibrante e harmonioso. A escolha por tons cítricos, especialidade de Márcia Lage, foi um dos grandes destaques do visual da escola. Mesmo com combinações ousadas, nada feriu a estética do desfile – pelo contrário, a cartela cromática trouxe unidade e reforçou a proposta futurista e intergaláctica da apresentação.

No entanto, a mesma qualidade não pode ser atribuída à riqueza das fantasias. A escola optou por materiais simples e alternativos, o que, em muitos casos, resultou em um acabamento que deixou a desejar. Individualmente, várias fantasias não impressionavam e careciam de impacto visual, ainda que a leitura dos figurinos fosse clara na maior parte do desfile. O conjunto funcionou pela coesão das cores e da identidade da escola, mas faltou um refinamento maior nos detalhes, algo que poderia ter elevado ainda mais o nível da apresentação.

Harmonia

O desempenho musical da Mocidade foi excelente. O carro de som, comandado por Zé Paulo Sierra, atravessou a avenida com muita sintonia. Um destaque especial foi a presença de vozes femininas, com Milena Wainer se sobressaindo como a mais potente e participativa.

Os elogios também se estendem à bateria “Não Existe Mais Quente”, sob a regência de mestre Dudu. Os ritmistas deram uma sustentação impecável ao samba e impulsionaram o canto da comunidade. Desde o início do desfile, inúmeras paradinhas foram executadas com precisão e capricho, sendo o paradão durante o refrão do samba o mais emblemático, realçando ainda mais a força do canto dos independentes.

Samba-Enredo

O samba, composto por Paulo Cesar Feital, Cláudio Russo, Alex Saraiça, Denilson Rozario, Carlinhos da Chácara, Marcelo Casanossa, Rogerinho, Nito de Souza, Dr. Castilho e Léo Peres, foi um dos grandes destaques do desfile. A obra conseguiu captar aspectos do enredo que não estavam totalmente claros e os transformou em poesia, dando forma e emoção ao que poderia ser difícil de explicar.

Além disso, a letra explorou a conexão emocional dos componentes ao fazer referências a sambas históricos da escola e ao destacar Renato Lage, uma figura emblemática da verde e branca. O samba ganhou força na avenida e contribuiu para um desfile de conjunto harmônico impecável. Os dois refrões foram cantados com intensidade, e a preparação para o refrão principal — nos versos “naveguei, no afã de me encontrar, eu me emocionei” — proporcionou um dos momentos mais marcantes da noite.

Evolução

O Independente deslizou pela Avenida com leveza, e a fluidez do desfile impressionou pela tranquilidade com que a escola avançou pelo Sambódromo. As alas evoluíram de forma solta e natural, sem perder a técnica, garantindo um equilíbrio entre espontaneidade e organização. Do alto, era possível notar o alinhamento preciso dos componentes, que desfilaram compactos, mantendo a harmonia visual e a coesão do conjunto.

Outros Destaques

Antes mesmo de cruzar a linha que marca o início oficial do desfile, a Mocidade Independente de Padre Miguel já emocionava o público com um esquenta repleto de nostalgia e tradição. A escola preparou uma sequência de sambas antológicos, relembrando momentos marcantes de sua trajetória e elevando a energia na concentração.

Outro ponto que chamou atenção foi a ala de passistas, uma das maiores do carnaval deste ano. Com um grupo numeroso e sincronizado, os passistas deram um verdadeiro show de gingado e técnica, mostrando por que são referência no quesito samba no pé.

À frente da “Não Existe Mais Quente”, a rainha de bateria Fabíola de Andrade brilhou com carisma e elegância.

No fim do desfile, a emoção tomou conta da Avenida com a homenagem a Márcia Lage, carnavalesca da escola e esposa de Renato Lage, que faleceu neste ano. Grandes bandeirões com sua imagem foram erguidos, enquanto Renato desfilava vestindo uma camisa estampada com o rosto de Márcia, simbolizando sua presença na construção do carnaval da Mocidade. Foi um momento de reconhecimento e reverência a uma das grandes artistas da folia, coroando um desfile carregado de identidade e sentimento.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Portela no Carnaval 2025

0

Um desfile muito bom da bateria “Tabajara do Samba” da Portela, comandada por mestre Nilo Sérgio. Um ritmo consistente, equilibrado e com pressão sonora dos surdos foi exibido. Uma bateria portelense com condução rítmica bem integrada à obra da Majestade do Samba foi notado.

Na parte de trás do ritmo da Águia, uma boa afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza, mas segurança. O balanço envolvente das terceiras portelenses foi admirável em ritmo e também nas execuções de bossas. Repiques tocaram com coesão junto de um naipe de caixas ressonante, com sua tradicional batida rufada ecoando com qualidade.

Na cabeça da bateria “Tabajara”, cuícas com virtude sonora fizeram um trabalho sólido. Um naipe de chocalhos com trabalho coletivo louvável fez bom ritmo, sem firulas. Uma ala de tamborins funcional executou seu desenho rítmico com eficiência. Agogôs corretos fizeram uma convenção bem musical, pautada pelas nuances melódicas do samba da azul e branca de Oswaldo Cruz.

Bossas baseadas nas variações do samba portelense foram percebidas. Bom nível de exigência musical envolvendo o naipe de caixas e terceiras, que cumpriram a risca as execuções, exibindo qualidade rítmica nos arranjos. O impacto sonoro das paradinhas era proporcionado pela afinação mais pesada. Com isso foi possível notar uma impactante pressão dos surdos, acrescentando profundidade musical às bossas.

Muito bom o desfile da “Tabajara do Samba” da Portela, dirigida por mestre Nilo Sérgio. Uma bateria portelense com impacto musical da pressão sonora dos surdos deixou as execuções de bossas e suas retomadas potentes. Uma bateria da Portela com equilíbrio entre os naipes e boa consistência musical coletiva. Um desfile que tem tudo para mostrar que a “Tabajara” segue sendo um dos quesitos fortes e de segurança da majestosa Portela.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Grande Rio no Carnaval 2025

Um desfile excelente da bateria do Acadêmicos do Grande Rio, regida por mestre Fafá. Um ritmo profundamente equilibrado e com uma equalização de timbres bem diferenciada foi apresentado. Simplesmente impressionante a ótima fluência musical dos mais diversos naipes dentro do ritmo. Isso tudo graças a uma educação musical privilegiada dos ritmistas da tricolor de Duque de Caxias, que tocavam com leveza, tirando som das peças sem excesso de força.

Na parte de trás do ritmo caxiense, uma equalização de timbres preciosa foi exibida, junto de uma afinação de surdos de qualidade, que ajudou na fluidez entre as peças. Marcadores de primeira e segunda tocaram com leveza e precisão. Surdos de terceira contribuíram com um swing diferenciado tanto fazendo ritmo, quanto executando de forma caprichada as bossas. Repiques coesos e retos tocaram juntos de um naipe de caixas de guerra sólido, complementando a sonoridade dos médios com um ressoar de qualidade.

Na cabeça da bateria da Grande Rio, um naipe de cuícas correto executou seu toque com eficácia. Agogôs de imensa virtude sonora fizeram um trabalho esplêndido, seja fazendo ritmo ou nos arranjos em que participa dando brilho musical. Uma ala de chocalhos de alto potencial técnico tocou entrelaçada a um naipe de tamborins consistente. Ambos executaram seu desenho rítmico com precisão, comprovando o casamento musical coletivo poderoso.

Bossas profundamente conectadas ao belíssimo samba-enredo da agremiação de Caxias foram exibidas. Os arranjos aproveitavam as variações do melodioso samba da Grande Rio para consolidar seu ritmo. De muito bom gosto a participação de todas as peças nas paradinhas, dando profundidade musical às bossas, além de deixar claro o belo trabalho de conjugação sonora nas paradinhas. As bossas eram dançantes e ótimas para impulsionar a comunidade visando boa evolução. O poderoso trabalho metálico dos agogôs foi evidenciado durante a execução das bossas, contribuindo com uma musicalidade sublime nas paradinhas.

Um desfile excelente da bateria da Grande Rio, sob comando de mestre Fafá. Um ritmo com uma conjugação sonora valiosa, dos mais diversos instrumentos. Equilibrado, bem equalizado e bastante educado. Ritmistas esbanjaram classe musical e ponderação rítmica, sem ninguém precisar dar pancada em peça para fazer ritmo. Isso proporcionou uma fluência entre os naipes fascinante. Na última cabine de jurados, uma grande apresentação deve ser suficiente pra garantir a nota máxima, no que foi um desfile simplesmente exemplar da bateria da Grande Rio de mestre Fafá.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Tuiuti no Carnaval 2025

0

Um ótimo desfile da bateria “Super Som” do Paraíso do Tuiuti, comandada por mestre Marcão. Um ritmo equilibrado, muito bem equalizado e com uma destacada fluência entre as diversas peças. Bossas que se aproveitavam das nuances do melodioso samba da escola de São Cristóvão foram exibidas com precisão e segurança.

Na cozinha da bateria do Tuiuti, um trabalho equilibrado e bem entrosado foi exibido. Uma grande afinação de surdos ajudou na boa equalização de timbres da bateria. Marcadores de primeira e segunda foram precisos. Surdos de terceira deram um balanço envolvente ao ritmo da agremiação de São Cristóvão, inclusive nas musicais bossas. Repiques técnicos tocaram junto de caixas sólidas e ressonantes.

Na parte da frente da bateria do Paraíso, um naipe de chocalhos extremamente diferenciado executou bem um desenho complexo. Tocando interligados aos chocalhos, tamborins seguros e eficientes também fizeram sua convenção com segurança e de forma precisa. Cuícas de alta virtude sonora ajudaram no preenchimento da sonoridade das peças leves.

Bossas altamente musicais foram exibidas. O leque de paradinhas levou em conta as variações melódicas do samba-enredo do Tuiuti para consolidar seu ritmo. A bela construção musical da bossa do refrão do meio com levada de Reggae merece menção musical. Arranjos dançantes foram executados com eficiência. Uma apresentação mais enxuta e rápida foi realizada no último módulo, devido ao tempo de limite próximo de estourar. Mesmo assim, foi possível apresentar bossas e garantir que a sonoridade fosse julgada em sua totalidade, mesmo com arranjos executados em movimento.

Um ótimo desfile da bateria “Super Som” do Tuiuti. Um ritmo profundamente conectado a bela canção da escola foi apresentado. Bossas dançantes e com boa musicalidade foram bem exibidas. Muito equilíbrio musical foi apresentado, numa apresentação repleta de segurança rítmica. Mestre Marcão, seus ritmistas e diretores voltarão para São Cristóvão com os instrumentos felizes com o resultado musical depois de um grande desfile da “Super Som”.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mocidade no Carnaval 2025

0

Um grande desfile da bateria “Não Existe Mais Quente” (NEMQ) da Mocidade Independente de Padre Miguel, sob o comando de mestre Dudu. Um ritmo equilibrado, cadenciado e com ótima fluência entre os naipes foi exibido. Impressionante a adesão popular ao conjunto de bossas musicais da bateria da Estrela Guia. Uma sonoridade bastante identitária foi produzida, com características inegavelmente genuínas.

Na cozinha da bateria da verde e branca da zona oeste, uma tradicional afinação invertida de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e segunda tocaram de forma segura. O balanço inconfundível dos surdos de terceira teve destaque entre os graves. Repiques de imensa técnica musical tocaram juntos de um naipe de caixas de guerra ressonante, com sua autêntica batida com acentuação na mão fraca, com sua levada clássica.

Na cabeça da bateria “NEMQ”, uma ala de tamborins de imensa virtude musical executou uma convenção bem construída, seguindo as acentuações do melodioso samba independente. Um naipe de chocalhos cascavel bastante técnico deu brilho à sonoridade das peças leves. Assim como cuícas seguras auxiliaram na musicalidade da parte da frente do ritmo. Agogôs de duas campanas (bocas) deram bom balanço com seu toque contínuo, adicionando um tilintar metálico a uma bateria com emissão de frequência sonora mais puxada para o timbre grave.

Um conjunto de bossas bastante musical e dançante foi apresentado. Todas levando em conta as variações melódicas da obra para consolidar o ritmo. A construção bem elaborada da cabeça do samba exibiu uma musicalidade destacada, sendo bem recebida pela plateia. Levando o público ao delírio, antes desse arranjo mestre Dudu zerava a bateria deixando o estribilho sendo cantado em coro por desfilantes e presentes. Um leque de bossas que de tão eficiente, simplesmente levantou a Avenida por onde passou.

Um desfile grandioso da bateria “NEMQ” da Mocidade Independente, dirigida por mestre Dudu. Um ritmo autêntico, tradicional e com bossas que caíram no gosto popular foi exibido. Muito bonita a recepção calorosa do público a histórica bateria da Mocidade nos setores finais da Sapucaí. A apresentação do último módulo ganhou contornos apoteóticos, com direito a aplausos sincopados dos presentes, além de uma ovação popular tocante após um desfile certamente capaz de lavar a alma de diretores e ritmistas.

Portela Carnaval 2025: galeria de fotos do desfile

0

Grande Rio Carnaval 2025: galeria de fotos do desfile

0

Paraíso do Tuiuti Carnaval 2025: galeria de fotos do desfile

0