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Colorado do Brás celebra desfile de sucesso

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Segunda agremiação a se apresentar na sexta-feira de carnaval, a Colorado do Brás realizou um dos melhores cortejos de sua história. Teve uma concepção estética diferente e os outros conjuntos funcionaram muito bem.

Em conversa com o CARNAVALESCO, o presidente Ka, a coreógrafa Paula Gasparini e o mestre Acerola de Angola destacaram o sentimento de dever cumprido e celebraram a entrega da escola na avenida. Com forte participação da comunidade e confiança no trabalho apresentado, a agremiação demonstrou satisfação com o desempenho em todos os setores.

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Dever cumprido

Enfático, o presidente Ka afirmou que o sentimento é de dever cumprido pelo que foi apresentado na avenida. “A escola cantou, e a arquibancada cantou bastante. É muito sentimento, muita emoção. Você vê tudo o que foi enfrentado e sente que realmente a mensagem chegou, foi entregue à bancada e refletida em todos os projetos. Agora, o sentimento é de dever cumprido. Independentemente da posição ou do que aconteça, o sentimento é de dever cumprido”, declarou.

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Orgulho de seus dançarinos

A coreógrafa Paula Gasparini descreveu como maravilhosa a sensação de ter obtido sucesso com a comissão de frente.

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“Foi maravilhoso, porque foi um processo longo, muito árduo. Não é fácil, são meninos que vêm de diferentes formações, mas eles toparam o desafio, aceitaram o convite e se moldaram. Eu tive que moldar todos esses corpos, e isso foi muito bacana. Essa comissão de frente trouxe um ato de reparação poética. Esses meninos entregaram seus corpos para mostrar toda a força, dor, a opressão e tudo o que essas bruxas passaram durante todos esses anos. E, na avenida, já que as portas sempre foram fechadas, quisemos dar toda a liberdade para que elas passassem com alegria e emoção”, contou.

Felicidade completa

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O mestre Acerola de Angola não escondeu o entusiasmo após o desfile da Colorado do Brás. De acordo com o músico, tudo foi entregue da maneira correta. “A gente gostou muito. Eu estava olhando para o Léo do Cavaco, ele me olhava e dizia: ‘A gente ensaiou muito para chegar até aqui’. Fizemos um cronograma de melhorias para a bateria e para a parte musical da escola. Graças a Deus, conseguimos alcançar essa evolução hoje. Chegamos ao final, ao ápice que queríamos. Claro que sempre há muito a melhorar, mas hoje conseguimos entregar tudo o que precisávamos. A escola cantou, nos paradões vibrou, a arquibancada veio junto. Não há o que falar, só agradecer. Todos estão acostumados com enredos meio parecidos; o nosso é totalmente fora da casinha. A música também veio nessa linha e foi ainda mais forte do que esperávamos no dia do desfile”, disse.

Confira a classificação final do Grupo de Acesso 1 de SP no Carnaval 2026

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O Acadêmicos do Tucuruvi está de volta à elite do Carnaval Paulistano em 2027. A escola superou as demais e venceu o Acesso 1 com 269,9 pontos. Na segunda posição ficou a Pérola Negra, com 269,4 pontos, que também retorna ao Grupo Especial.

Veja abaixo a classificação final

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TUCURUVI VENCE ACESSO 1 DE SÃO PAULO E VOLTA AO GRUPO ESPECIAL EM 2027

Desfilando com força novamente, Mocidade Alegre sonha com o campeonato

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Neste sábado, a Mocidade Alegre realizou o seu desfile oficial do Carnaval 2026. A agremiação do Bairro do Limão está confiante em mais um grande resultado, e busca o seu décimo terceiro título. Dando entrevista ao CARNAVALESCO, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade Alegre destacou a superação diante das dificuldades impostas pela mudança das cabines de julgamento e celebrou a sintonia construída ao longo do terceiro ano consecutivo à frente do pavilhão. Já o intérprete Igor Sorriso comemorou a forte participação da comunidade e a entrega do carro de som, reforçando a confiança da escola na apuração.

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Expectativa alta

O casal desfilou junto pelo terceiro ano consecutivo, defendendo o pavilhão da Mocidade Alegre. Diego Motta avaliou o desfile como difícil devido à mudança das cabines, mas destacou a resiliência nos ensaios.

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“Eu e a Natália somos opostos. Sou muito intenso em tudo, ela é muito centrada em tudo. Acho que é isso que dá um equilíbrio legal. Este ano, me preparei muito psicologicamente; ao mesmo tempo em que ensaiei bastante, me preparei para estar concentrado naquilo que a gente tinha que fazer, nas pausas e nos respiros. Foi um ano muito difícil para os casais devido à proximidade das cabines — cruel é a palavra. Mas a gente é sambista, não desiste, está aqui para aceitar desafios, e o desafio foi dado”, disse.

Natália analisou o desfile de forma positiva e afirmou que sai leve, com as melhores expectativas.

“Espero que todos tenham conseguido cumprir o trabalho no dia de hoje. A sensação é de que trabalhamos muito e que estávamos preparados e prontos para representar essa escola, essa atriz e esse orixá maravilhoso. A gente conversa muito sobre as coisas, gosta de entender um ao outro, e acho que isso é fundamental para o trabalho como um todo. Quando saímos assim, com o coração feliz e leve, não tem como não ter as melhores expectativas”, declarou.

Sensação de felicidade

O intérprete Igor Sorriso novamente comandou o carro de som com maestria e disse estar completamente satisfeito com a performance da escola.

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“Senti o povo participando demais, minha escola cantando muito. Estamos felizes e satisfeitos, conseguimos entregar o que ensaiamos e planejamos durante o ano inteiro. Agora é aguardar o resultado e esperar as outras coirmãs passarem. Ainda há muita escola boa por vir, mas estamos felizes e satisfeitos com o nosso desempenho. Acho que precisamos sempre unir o gosto do povo a uma leitura fácil, a uma interação simples de assimilar. Muita gente que está aqui no sambódromo nunca tinha escutado esse samba. Então o pessoal vem para assistir e acaba cantando, porque é de fácil assimilação e muito popular. Estamos muito felizes com o desempenho”, celebrou.

Elenco do Império de Casa Verde comenta performance no desfile

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Sob o olhar de Dona Fulô, uma grande celebração da luta pela liberdade, na forma dos esforços das ganhadeiras que vendiam joias, em busca do sonho de comprar a própria alforria, atravessou o Sambódromo do Anhembi, na última sexta-feira, no desfile do Império de Casa Verde intitulado “Império dos Balangandãs – Joias Negras Afro-Brasileiras”, assinado por Leandro Barboza.

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, alguns dos principais representantes do Tigre Guerreiro falaram sobre o desempenho da escola e de seus quesitos na Avenida.

Sergio Cardoso, coreógrafo da comissão de frente

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“Este ano, as cabines estavam em uma posição totalmente diferente do que estamos acostumados e bem mais próximas. Além disso, o campo de visão dos jurados diminuiu bastante, porque era mais baixo. Tivemos que mudar algumas estratégias. A minha sorte é que o samba é curto, então tenho duas passagens para contar toda a história. São quatro minutos, e foi tranquilo. Essas duas cabines muito próximas e a parada do recuo da bateria ficaram bem no meio das duas. Ou seja, estávamos sendo avaliados de frente e de costas. Acho que esse é o jogo, e temos que nos aperfeiçoar cada vez mais diante das regras. Para mim, a execução foi tudo ok. Agora vamos ver o olhar do jurado”.

Edinei Pedro Mariano, preparador do primeiro casal

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“Vim com o primeiro casal, para quem faço a preparação técnica, e procuramos colocar em prática tudo o que ensaiamos durante meses. Foi pouco tempo, já que cheguei à escola no final de dezembro, mas aceleramos os ensaios e conseguimos aplicar o que havíamos treinado. Agora, vai depender dos jurados e da visão deles, mas considero o resultado satisfatório. Colocamos algumas nuances e certa licença poética do enredo, com algumas paradas dentro da dança, sem prejudicar o conteúdo principal, que é o volume de dança da porta-bandeira. Tivemos essa licença poética, mas sempre voltando à prática natural da dança do mestre-sala, mantendo a grafia da bandeira. Achei que ficou legal”.

Patrick Vicente, primeiro mestre-sala

“Foi um desfile bem técnico. Treinamos desde maio, com um trabalho árduo, e achei muito bom o andamento. Deu para priorizar tanto a comissão quanto o casal, que veio logo em seguida. Eu e a Sofia saímos daqui felizes ao ver o nosso rendimento. Executamos todos os movimentos que vínhamos ensaiando desde cedo. Agora é esperar o resultado e, se Deus quiser, seremos abençoados da melhor forma possível. Sobre as cabines próximas, a intensidade precisa ser a mesma, já que é uma seguida da outra. Para nós, é a questão de prender a respiração por um minuto, recuperar o fôlego e iniciar novamente na outra cabine. Isso foi bem desafiador e acredito que para todos os casais de São Paulo, pois é algo muito novo. Seja qual for o resultado, não ficaremos tristes, porque sabemos todo o esforço que fizemos pelo nosso pavilhão e pela nossa comunidade”.

Tinga, intérprete oficial

“Foi muito bom, estamos felizes demais. Viemos, cumprimos o nosso trabalho e agora estamos esperando o resultado. Fizemos um grande desfile e sempre esperamos a melhor colocação para levar o nosso Império ao nosso sonho, que é ser campeão do Carnaval”.

Tiago Nascimento, intérprete oficial

“Acho que foi muito bom. A comunidade cantou e está feliz, está alegre. O público respondeu, e o nosso trabalho alcançou o objetivo. O enredo foi fundamental; enredo e samba bons são meio caminho andado. Estamos felizes demais com tudo e, se Deus quiser, é Império na cabeça.”

Mestre Zoinho, da bateria ‘Barcelona do Samba’

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“Dentro da nossa expectativa, saiu tudo certo. No ano passado, o Império veio de um décimo primeiro lugar e não agradamos nem o público nem os jurados, então a expectativa neste ano era muito grande. Eu, há 21 anos à frente da bateria, tenho essa grande responsabilidade. A comunidade confia muito no nosso trabalho, e a cada ano precisamos nos superar e fazer um trabalho melhor. Nós nos preparamos bastante para este ano, e o resultado foi o que todos viram: a interação com o público e com a arquibancada, a bateria fazendo as bossas e as paradinhas para alegrar as pessoas, sem perder a nossa característica principal, que é o ritmo. Estou feliz, acho que o balanço dessa passagem foi muito bom. Agora vamos esperar o julgamento e ver o que os jurados acharam”.

Fábio Leite, presidente do Império de Casa Verde

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“Primeiro, a sensação é de gratidão. Terminar o ano com um desfile maravilhoso como esse não tem preço. É o que todo mundo almeja, e Deus esteve conosco nesse momento. Assumimos o Carnaval na metade do projeto, e o presidente Alexandre já tinha deixado tudo muito bem direcionado. Nós apenas demos continuidade ao processo, e o reflexo foi o que se viu na pista. Confesso que não consegui ver todo o desfile, porque ficamos mais na parte técnica da escola, mas saio daqui muito satisfeito e tranquilo. O sorriso de cada um é o que importa neste momento. Sou grato a eles, porque, sem os componentes, não estaríamos aqui. Fazer fantasia e carro não adianta nada se você não tiver o componente com o calor humano.”

Quesitos da Barroca Zona Sul avaliam desempenho no desfile em 2026

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Uma grande homenagem à Oxum, orixá louvada nas religiões de matriz africana como Senhora das águas doces, do ouro, da beleza, da fertilidade e do amor, atravessou o Sambódromo do Anhembi, na última sexta-feira, no desfile da Barroca Zona Sul intitulado “Oro Mi Maió OXUM”, assinado por Pedro Alexandre Magoo.

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, alguns dos principais representantes da Faculdade do Samba falaram sobre o desempenho da agremiação e de seus quesitos na Avenida.

Chris Brasil, coreógrafo da comissão de frente

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“O nosso elemento cênico é um dos componentes mais importantes, porque conseguimos, por meio dele, sintetizar toda a história. É uma grande caixa de teatro em que várias cenas vão acontecendo, e essa dosagem o próprio elemento cênico foi dando para nós. Por meio desses três níveis, a história foi se desmembrando e, no final, explode no chão da Avenida. Daqui de onde eu estava, a apresentação foi perfeita. Conseguimos cumprir todos os pontos de balizamento, apresentar e contar a nossa história. Está entregue e estou muito feliz com o que apresentamos na Avenida”.

Cley Ferreira, primeiro mestre-sala

“Hoje foi bem difícil para mim. Lá no começo, lembrei muito da minha mãe, que perdemos recentemente. Dediquei tudo isso a ela, porque era o que ela queria: que voltássemos à parceria e à Barroca. E ela conseguiu, nós estamos aqui. Nosso desfile foi regado de emoção, satisfação e amor, porque amamos essa escola, e isso é impagável. Não há nada que pague”.

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Lenita Magrini, primeira porta-bandeira

“A emoção de estar na pista, para mim, tem várias vertentes. No ano passado, tive um problema no ombro nos primeiros ensaios técnicos e vim muito receosa, pois não sabia o que ia acontecer. Faltou a minha apresentadora, com quem convivi por 14 anos. Mas temos uma comunidade muito linda. Ver a comunidade batendo palmas, aplaudindo e gritando nos fortalece. Dançamos em prol do nosso pavilhão, e o nosso pavilhão é toda essa comunidade. Para mim, isso é um sentimento indescritível”.

Rafael Tinguinha, intérprete oficial

“É uma emoção estar desfilando aqui pela primeira vez, mas parece que já desfilo há muitos anos. Estou muito feliz. O nervosismo acontece, mas acho que a escola, como vocês puderam ver, fez um bom trabalho, e é isso que importa. Saímos daqui com o sentimento de dever cumprido, que foi o nosso objetivo durante todo o ano”.

Fernando Negão, mestre de bateria

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“Gradativamente, fomos crescendo no nosso trabalho. Desde quando eu era mestre com meu irmão, já tínhamos um método, e, quando ele saiu, fiquei sozinho e continuei mais ou menos no mesmo segmento. Depois, comecei a implantar mais as minhas ideias e os meus pensamentos e, hoje, graças a Deus, consegui consolidar uma bateria do jeito que eu gosto e quero, também pela característica da escola. A emoção faz parte, tínhamos feito um planejamento para não sair com o tempo tão apertado, mas às vezes acontecem alguns deslizes no caminho. O que importa é que deu tudo certo. A nossa escola estava belíssima, a bateria deu show no Monumental, abaixando e arriscando. Agora vamos esperar a apuração para ver o que acontece na terça-feira”.

Ewerton Cebolinha, presidente da Barroca

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“Quem vive o carnaval o ano inteiro sabe como é difícil fazer um desfile. Não é só a Barroca, mas todas as escolas. No ano passado, passamos por uma situação um pouco turbulenta e sabemos que o primeiro propósito de uma escola é entregar o Carnaval e atravessar a Avenida; essa é a consequência do trabalho. Vivemos alguns apuros, e hoje vemos que passou tudo limpinho. Isso dá um alívio muito grande, porque estávamos engasgados com aquela situação. Aquilo apertou o coração, mas deu certo”.

 

Leitura clara de enredo, comissão com boa execução e desfile coeso fazem a Tijuca sonhar alto no Carnaval 2026

A Unidos da Tijuca levou para a Marquês de Sapucaí um desfile de forte carga simbólica e execução segura ao homenagear Carolina Maria de Jesus. Com assinatura do carnavalesco Edson Pereira, a escola apresentou um enredo de fácil compreensão, estética literária bem resolvida e um conjunto que se destacou pela harmonia, evolução consistente e momentos de emoção coletiva, especialmente no refrão que ecoou pela avenida: “Muda essa história, Tijuca”.

COMISSÃO DE FRENTE

Intitulada “Prólogo — Carolina Maria de Jesus”, a comissão de frente cumpriu com precisão a função de abrir as chaves de leitura do desfile. A cena trouxe a imagem antológica de Quarto de Despejo como porta de entrada para o universo da escritora. Cercada por bailarinos negros que representavam o povo da rua, da favela e da periferia, com muita teatralidade, Carolina surgiu conduzindo o emblemático carrinho de catar papel.

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O elemento cenográfico, pequeno em dimensão, ganhou grandeza simbólica ao se transformar diante do público, metáfora visual da persistência e da capacidade de reinvenção pela escrita. A leitura foi imediata e clara. O público compreendeu a mensagem, e a comissão entregou teatralidade sem excessos, com narrativa direta e impacto emocional.

* LEIA AQI: Unidos da Tijuca aposta em virada histórica com enredo sobre Carolina Maria de Jesus

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Lucinha Nobre e Matheus André protagonizaram uma apresentação de gala. Em sintonia, firmes e elegantes, realizaram uma das melhores performances do casal nos últimos tempos. O bailado foi seguro, sem sustos, com domínio do pavilhão e perfeita comunicação entre os dois. A proposta de trajar fantasia tradicionalíssima reforçou o gesto simbólico de “assinatura” da escola sobre a obra apresentada, e o resultado foi clássico e eficiente.

* LEIA AQUI: Lucinha Nobre e Matheus Miranda: a assinatura da Unidos da Tijuca que abre caminhos na Avenida

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* LEIA AQUI: Unidos da Tijuca abre desfile com a infância de Carolina para simbolizar a própria retomada

ALEGORIAS E FANTASIAS

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O conjunto alegórico se impôs pelo tamanho e pela criatividade. As fantasias, mais fluidas e com menor volumetria, favoreceram a evolução sem comprometer o acabamento. Detalhes inspirados em páginas de livros e elementos gráficos literários apareceram de forma recorrente, reforçando a identidade do enredo.

* LEIA AQUI: Entre glamour e oportunismo: Passistas da Tijuca representa a fase de fama e reconhecimento da vida de Carolina Maria de Jesus

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Houve uso de materiais plásticos e efeitos de fumaça na terceira alegoria, recurso que adicionou atmosfera à narrativa. Fantoches gigantes ampliaram a dimensão lúdica na quarta alegoria. No último setor, a paleta cromática da plástica tornou-se mais vibrante, sinalizando a ascensão da homenageada à imortalidade.

* LEIA AQUI: Papel, memória e permanência: Ala 13 da Unidos da Tijuca transforma lixo em legado ao homenagear Carolina de Jesus

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HARMONIA E SAMBA

A harmonia foi um dos pontos altos do desfile. A escola cantou com força nos primeiros setores e manteve bom desempenho ao longo da apresentação. O samba-enredo, de letra consistente e coerente com a proposta biográfica, ganhou explosão no refrão principal, quando a avenida respondeu em coro ao chamado para “mudar essa história”. A bateria de Casagrande apresentou andamento pulsante e cadenciado, sustentando o canto da comunidade. O intérprete Marquinho Art’Samba conduziu o carro de som com segurança, valorizando a poesia da obra e mantendo a escola conectada. Componentes emocionados e soltos reforçaram a entrega coletiva.

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EVOLUÇÃO

A Tijuca desfilou com bom andamento. Não houve buracos nem correria. A ocupação do espaço foi bem distribuída, e a fluidez das fantasias colaborou para uma progressão natural. A escola cruzou a avenida com segurança e controle, sem sobressaltos técnicos; pelo contrário, com regularidade e boa ocupação do espaço.

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OUTROS DESTAQUES

À frente da última alegoria, a presença de Vera Eunice de Jesus, filha da escritora homenageada, abriu a cena ao lado de mulheres negras que hoje ocupam espaços na intelectualidade brasileira, como Conceição Evaristo, Flávia Oliveira e Elisa Lucinda. A escultura majestosa de Carolina, jovem e sem o lenço, lia o final reescrito pela escola como um gesto simbólico de reparação.

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Representantes dos Acadêmicos do Tatuapé comentam desempenho no desfile em 2026

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A relação do homem com a terra e a luta pela reforma agrária passaram, na última sexta-feira, pelo Sambódromo do Anhembi, no desfile dos Acadêmicos do Tatuapé intitulado “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra”, assinado por Wagner Santos.

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, alguns dos principais representantes da Escola da Emoção falaram sobre o desempenho da agremiação e de seus quesitos na Avenida.

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Leonardo Helmer, coreógrafo da comissão de frente

“Foi excelente. Fizemos exatamente como ensaiamos, tudo igual. Lógico que hoje com a emoção, com a adrenalina do público, mas tudo dentro do esperado. Estamos satisfeitíssimos. Exatamente o que ensaiamos”.

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Diego Silva, primeiro mestre-sala

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“Todo desfile é uma emoção diferente. A cada ano, nós tentamos fazer, como o nosso presidente, Eduardo Santos fala, o melhor desfile de nossas vidas. A escola estava linda, a escola está alegre, a escola está feliz, e isso impacta diretamente em quem carrega o pavilhão para toda essa comunidade. Somos muito honrados, muito gratos, e hoje foi uma emoção tremenda porque sabíamos do nosso potencial. Sabíamos que nós iríamos conseguir, e se Deus quiser, deu tudo certo. Temos que estar bem fisicamente, temos que nos preparar bem durante o dia, principalmente no dia. Comer coisas leves, porque a fantasia, mesmo a mais leve, é pesada, por isso temos que estar bem com nós mesmos, pois as dificuldades virão. Você tem que estar preparado para poder enfrentá-las”.

Celsinho Mody, intérprete oficial

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“Foi muito bom. A escola estava preparada e fizemos um desfile com emoção, muito custoso, mas Deus é bom. Foi um desfile de muita raça e muita superação. Tivemos que superar muitas coisas dentro da avenida, mas, com fé em Deus, vamos conquistar as notas máximas dos jurados e comemorar na terça-feira. Estou com uma expectativa boa porque, pelo que vi da escola, todo mundo estava cantando, dançando, com os carros acesos. A escola estava linda”.

Erivelto Coelho, um dos presidentes do Tatuapé

“Estamos saindo extremamente felizes e muito satisfeitos com tudo o que foi planejado e projetado. Acho que tudo deu certo. Tudo o que passamos nos ensaios técnicos e na quadra serviu como lição. Hoje parecia difícil entrar e alinhar o Abre-alas, mas esse era o único obstáculo que tínhamos. Depois que ele alinhou, tudo aconteceu naturalmente, como se fosse um sonho. Acho que vêm coisas boas por aí, se Deus quiser”.

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Catarse! Viradouro faz desfile apoteótico em homenagem a Ciça e se coloca na briga pelo título do Carnaval 2026

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A Viradouro conseguiu combinar técnica e emoção para realizar talvez a maior homenagem feita na Sapucaí. Homenageando um artista vivo, com saúde, que ainda comanda um quesito e que tem muita história nessa agremiação, foi certamente um dia histórico por diversos motivos e, entre eles, por Moacyr da Silva Pinto. O mestre Ciça, por duas vezes, passou pela Sapucaí em êxtase. Não foi só pela homenagem, mas pela quantidade de momentos emocionantes que o desfile teve e pelo alto nível que a Viradouro imprimiu em todos os quesitos. A escola esteve inteiramente focada em fazer o melhor possível pelo mestre “Caveira”. Apesar do desfile primoroso, a quarta alegoria, “Legado do Mestre Caveira”, passou aparentemente com um problema técnico, pois a caveira no meio do carro, que segurava uma caixa de guerra, estava afundada na tumba, esteticamente mostrando um buraco.

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Com o enredo “Pra Cima, Ciça”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, a Viradouro foi a terceira escola a pisar na Sapucaí na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, com o tempo de 79 minutos.

* LEIA AQUI: Viradouro traz carro dedicado ao ‘Bonde do Caveira’

COMISSÃO DE FRENTE

Desenvolvida e coreografada por Priscilla Mota e Rodrigo Negri, o “Casal Segredo” talvez devesse pensar em trocar o apelido para “Casal Ciça”. Um trabalho espetacular. Eles gostam de fazer o que ainda não foi feito. A comissão trouxe a história de vida de Ciça ainda no coração do Estácio, com os malandros iniciando a apresentação no chão, com o menino Moacyr, ainda moleque, despertando-se para o universo do samba. Em seguida, o Leão do Estácio aparece, símbolo maior da escola, saindo do elemento cenográfico que se revestia em um apito dourado e vazado. O leão interage com os malandros e com o menino. Debaixo do elemento cenográfico saem enormes surdos.

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O menino sobe em um deles, e esses instrumentos se movimentam pela pista, interagindo com os outros componentes que ainda sambam no chão. O menino samba em um deles até que os malandros se aproximam, o encobrem e, junto deles, surge mestre Ciça, não um ator, mas o próprio mestre, para delírio de todos. Em seguida, todos sobem no elemento; o apito vira o arco da Praça da Apoteose e, do meio, Ciça é erguido bem alto, com uma grande explosão na arquibancada e enormes serpentinas pintando as arquibancadas dos setores embaixo dos módulos de vermelho e branco.

* LEIA AQUI: Nos trilhos da história: Viradouro recria o trem de 1992 e transforma a Sapucaí em estação de emoção

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Julinho Nascimento e Rute Alves trouxeram o pioneirismo da “Deixa Falar”, escola que daria origem ao Estácio, pioneira como escola de samba. A fantasia misturava realeza e ancestralidade nos tons de dourado e palha.

* LEIA AQUI: Da Estácio à Niterói: O rugido que ecoa

O pioneirismo da Deixa Falar, cria do Estácio de mestre Ciça, dava-se também na forma como foi estruturada a sua formação rítmica, com um samba mais firme, “pra cima”, uma batida mais urbana. Na coreografia, a dupla já entrou no módulo com muita energia, com giros firmes e intensos antes de apresentar o pavilhão. Com muita doçura, a dupla se procurava na dança, trazendo passos de alta dificuldade, feitos de forma muito eficiente e limpa.

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Como já é costume, Rute trouxe muitos giros, bem executados, com intensidade e utilizando todo o espaço disponível para a apresentação no módulo. Já Julinho é muito completo, elegante com seu bastão, com postura ímpar, acompanhando a porta-bandeira por toda a área de apresentação. O ponto alto foi o passo afro em “Atabaque mandou me chamar” e o final arrebatador, com a bandeira desfraldada para mestre Ciça, que chegava da comissão logo à frente. Apresentações nos módulos de alto nível e sem intercorrências.

ENREDO

“Pra Cima, Ciça!” mostrou a Unidos do Viradouro celebrando uma personalidade vital em sua própria trajetória: o sambista Moacyr da Silva Pinto, artista do nosso Carnaval. Ao completar 70 anos de vida e 55 anos de seu primeiro desfile, mestre Ciça cruzou a Sapucaí em um enredo histórico, no qual um mestre de bateria em pleno ofício é homenageado pela própria escola em que trabalha. Enredo completo, com a vida e a obra deste gênio, de fácil assimilação e muito nostálgico. Viam-se momentos históricos vividos por Ciça na Sapucaí com a nova roupagem prometida por Tarcísio.

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O primeiro setor mostrou um autêntico movimento modernista nascido nos morros, com exímios músicos dos terreiros pintando no Carnaval uma nova tela ao encourar instrumentos percussivos em pele e fogo. O segundo setor mostrou a disputa carnavalesca de 1989 pela Estácio de Sá, quando Ciça estreou como o Rei dos Naipes, com escudeiros fiéis que seguiram o comando de sua batuta.

Em seguida, a Viradouro apresentou o “Maestro do Morro”, imprimindo em cada bateria o registro da ousadia de uma mente que nunca deixou de inovar: pausas de mil compassos, joelhos abaixo, instrumentos para cima. O quarto setor mostrou os fantasmas do percurso, as glórias do ofício, o mestre como lenda viva para os que embarcam no balanço do Caveira. O encerramento deu-se em uma literal “apoteose”, celebrando o homenageado como exemplo dos valores que sustentam o samba verdadeiro: alegre, desvairado, apaixonado, da favela, popular, da amizade, do improviso, da disciplina, do jogo de cintura, do coletivo e da generosidade. Nesse final, a comunidade agradece ao mestre pelos ensinamentos.

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EVOLUÇÃO

Iniciar o desfile com signos do samba, como passistas, ala de bambas e baianas, mostrou-se bastante acertado. Desde o início, a evolução foi alegre e já com uma pegada que mantinha a escola se movimentando na Sapucaí em um ritmo para a frente, como o samba. Sem apresentar buracos e tendo Ciça aparecido em dois momentos do desfile, a Viradouro deu um show no quesito, sabendo dosar bem os momentos para que tudo acontecesse como o planejado. Organizada, mas pulando carnaval, a escola passou pela Sapucaí com fluidez e muita técnica. Nenhum problema foi observado durante os 79 minutos de desfile.

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HARMONIA

O carro de som da Viradouro, comandado por Wander Pires, mostrou alto nível de musicalidade, referendado pelo rigor com que o cantor trabalha, assim como pela direção musical. É um trabalho que exala na Avenida correção e exigência para que tudo seja feito com perfeição musical. As vozes de apoio estavam muito bem encaixadas, Wander aproveitando tudo o que o samba lhe podia oferecer, fazendo terças e vocalizações de grande valor musical, principalmente no trecho “Atabaque mandou te chamar / No alto, vai resistir a caixa de Moacyr / legado do mestre Caveira”. Lindo demais, e o canto da comunidade acompanhou, como não poderia ser diferente, para o mestre Ciça. Aqui, nesse quesito, também nada a se retirar.

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SAMBA-ENREDO

A obra que a Viradouro levou para a Sapucaí foi composta por Claudio Mattos, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Lucas Neves, Rodrigo Rolla, Ronaldo Maiatto, Bertolo, Silvio Mesquita, Marcelo Adnet, Thiago Meiners e Alessandro de Malta. Com um andamento do gosto de mestre Ciça, bem para a frente, o samba prima por uma linha melódica mais complexa, com ar nostálgico.

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A obra conseguiu imprimir um bom ritmo, que deu vida e não deixou o desfile arrastado, sem perder sua riqueza harmônica. No trecho “Sou eu mais um batuqueiro”, houve uma bossa apenas com o surdo como tambor a tocar pelo mestre. O samba rendeu ainda mais do que nos ensaios e foi uma explosão desde os primeiros versos, que Wander Pires fez questão de deixar para o público, recurso que aconteceu diversas vezes no desfile. Em alguns momentos, apenas o surdo e a voz do componente. “Se eu for morrer de amor”, o refrão principal, foi a parte cantada com mais energia.

ALEGORIAS

Com um conjunto alegórico primoroso, de alta qualidade de acabamento e utilização de diversos recursos, como a movimentação humana no segundo carro, Tarcísio conseguiu retratar o enredo trazendo luxo e volumetria, mas com carros que tinham, além de tudo, sensibilidade. Apesar do desfile primoroso, a quarta alegoria, “Legado do Mestre Caveira”, passou aparentemente com um problema técnico, pois a caveira no meio do carro, que segurava uma caixa de guerra, estava afundada na tumba, esteticamente mostrando um buraco.

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O abre-alas trouxe uma favela que se iluminava em noite de Carnaval e inspirava o sonho do pequeno Moacyr. A alegoria reproduziu a atmosfera lírica do morro de São Carlos a partir da visão do menino folião, em que barracos se apresentavam como tambores, a fiação se assemelhava a serpentinas e baquetas e chocalhos formavam os postes de luz. À frente do primeiro chassi, o icônico leão projetou-se coroado como símbolo da pioneira agremiação Deixa Falar e seu legado, que reviveu na antiga Unidos de São Carlos e, posteriormente, no G.R.E.S. Estácio de Sá.

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A segunda alegoria era extensão visual do abre-alas, trazendo elementos semelhantes em unidade à ideia contida no primeiro chassi. O terceiro carro trouxe uma alegoria em homenagem ao “Trenzinho do Caipira”. Nessa representação do primeiro campeonato conquistado pela agremiação de mestre Ciça, a musicalidade do Modernismo foi representada por uma locomotiva que conduzia um dos mais importantes personagens do desfile: o povo nas arquibancadas, que agitava bandeirinhas como acontece na Sapucaí. O carro tinha recurso de movimento humano.

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A quarta alegoria, que contou apenas com mulheres, também prestou homenagem às ritmistas da Furacão, Mari Braga e Bia Tinoco, que tiveram destaque no desfile de 2020 ao tocarem atabaques durante uma das bossas. Assim, louvou-se a presença constante de mulheres na bateria de mestre Ciça. No quinto carro estavam presentes mestres de outras baterias, ritmistas e amigos que formam o “Bonde do Caveira”, legião de batuqueiros a pulsar pelo mestre. O carro trazia uma caveira estilizada e, na frente, os mestres de bateria das 12 agremiações do Especial, uma das cenas mais bonitas do desfile, além de amigos como Zé Paulo Sierra, mestre Paulinho, mestre Marcelo Sando, Wantuir, entre outros. A bateria desfilou sobre o último carro, inovação alegórica de 2007 atualizada para louvar mestre Ciça. Um coração pulsante à frente e, atrás da alegoria, uma escada que lembrava a do Theatro Municipal, local das grandes orquestras, como é uma bateria.

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FANTASIAS

Quando Tarcísio acerta a mão, sai da frente: que primor de trabalho. Fantasias de alto valor, com muito uso de materiais de qualidade, como vinil e laminados. Figurinos com acabamento excepcional, maquiagens em praticamente todos os componentes, costeiros e adereços de mão bem desenvolvidos, além de criatividade e muita leitura. Um banho de bom gosto.

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As baianas fizeram parte do conjunto plástico inicial com a fantasia “Arte Negra no Legendário São Carlos”, apresentando-se entre os primeiros carros, variando a fantasia no vermelho e no branco, ambas com tons de dourado. A primeira ala das crianças, “Filhote de Leão”, apresentou o caráter inicial da cabeça da escola com vermelho, prata e dourado. O segundo setor manteve os tons de dourado e prata, com combinações de tons mais quentes e mais frios, como laranja com roxo. O tom de palha se manteve nesses primeiros setores.

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Em seguida, ao focar em suas inovações na bateria, a escola trouxe prata e tons mais claros para o desfile. No quarto setor, a escola trouxe algumas fantasias que Ciça usou em seus desfiles, como as alas “Gari da Invocada” e “Feiticeiros das Evocações”. O quinto setor brincou com o apelido de Caveira, trazendo de formas diferentes e carnavalizadas a máscara de caveira, como nas alas “Na Pressão da Batida”, “O Terror do Metrônomo” e “O Fantasma das Notas”. No último setor, o vermelho da escola apareceu na ala “Um Furacão que Nunca Vai Ter Fim”.

OUTROS DESTAQUES

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O presidente de honra Marcelo Calil, antes do desfile, puxou o grito de “o brilho no olhar…”, seguido da resposta do público com o “continua”. No esquenta, Wander Pires cantou “Malunguinho”, inclusive com o alusivo que fez tanto sucesso no carnaval passado, além do samba em homenagem a “Bibi Ferreira”. E, logo antes de iniciar o desfile, antes do samba propriamente dito, o intérprete cantou o refrão de alguns sambas, inclusive de outras escolas, de desfiles marcantes para Ciça.

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Outros momentos marcantes foram todos os mestres do Especial na alegoria, o carnavalesco Paulo Barros no tripé sobre o carro do xadrez de 2007 e a rainha Juliana Paes reverenciando Ciça. No início da escola vieram os signos do samba: passistas, crianças, baianas e ala de bambas. Mestre Ciça passou pelo desfile muito emocionado; estava radiante.

TUCURUVI VENCE ACESSO 1 DE SÃO PAULO E VOLTA AO GRUPO ESPECIAL EM 2027

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O Acadêmicos do Tucuruvi está de volta à elite do Carnaval Paulistano em 2027.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A escola superou as demais e venceu o Acesso 1 com 269,9 pontos.

Assinado pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves, o desfile teve como grande destaque foi o canto da comunidade, que se entregou no Anhembi para defender com força o possível acesso do Zaca ao Grupo Especial.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O canto da escola foi um dos pontos altos do desfile. A comunidade cantou todos os versos do samba-enredo com clareza e a obra fluiu do início ao fim. A comunidade desfilou leve e confiante, sustentando a energia da apresentação.

++ LEIA ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE CAMPEÃO DO TUCURUVI

Na segunda posição ficou a Pérola Negra, com 269,4 pontos, que também retorna ao Grupo Especial.

A vice-campeã Pérola Negra transformou a avenida em palco para a trajetória de Maria Bonita. Sexta escola a desfilar neste domingo, a agremiação apresentou o enredo “Valei-me Cangaceira Arretada, Maria que Abala a Gira, Valente e Bonita que Vence Demanda” assinado pelo carnavalesco André Machado.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A escola desenvolveu a personagem desde o cangaço histórico até sua consagração espiritual na umbanda, mantendo coerência entre fantasias, alegorias e proposta temática. O desfile seguiu com regularidade na pista, sustentado por boa harmonia e evolução constante.

++ LEIA ANÁLISE COMPLETA DO DESFILE DA PÉROLA NEGRA

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Nenê de Vila Matilde, com 268,7 pontos e Camisa 12, com 268,5 são rebaixadas para o Acesso 2.

Em desfile plasticamente deslumbrante, Beija-Flor reafirma sua potência estética e sustenta candidatura sólida ao bicampeonato

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A Beija-Flor de Nilópolis reafirmou sua condição de potência do carnaval carioca ao transformar a Marquês de Sapucaí em um imenso terreiro a céu aberto para celebrar o Bembé do Mercado. Em uma exibição que uniu o luxo plástico de João Vitor Araújo à força de seu chão, somada ao impacto visual de alegorias realistas e ao canto vigoroso da comunidade, selou um desfile que credenciou a agremiação a um possível bicampeonato em 2026.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

Sob o comando de Saulo Finelon e Jorge Teixeira, a Comissão de Frente apostou em uma narrativa simples, porém poética. O grupo de bailarinos, vestidos em branco, executou uma dança sincronizada com giros intensos de axé à frente de um tripé em formato de canoa. No primeiro módulo de julgamento, houve um percalço técnico: o içamento da estrutura demorou a acontecer, falha que foi prontamente corrigida nos setores seguintes, como no módulo do setor 6.

* LEIA AQUI: ‘Isso aqui vai virar macumba’: grito potente da Beija-Flor faz Sapucaí se unir em uma grande celebração da fé

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Quando a canoa finalmente se erguia, revelava a imagem de Iemanjá emanando raios de energia sobre os pescadores, enquanto o fundo do barco se transformava na face imponente de João de Obá, que abria os olhos. O rito encerrava-se com os bailarinos batendo cabeça para o primeiro casal, em um gesto de respeito que unia o sagrado ao pavilhão.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Claudinho e Selminha Sorriso, entregou uma apresentação de gala sob a fantasia “Os Ventos da Justiça de João de Obá”, trajando o vermelho sagrado de Xangô e Iansã. Celebrando 30 anos de parceria, exibiram uma condução segura e uma sintonia que o tempo apenas apurou.

* LEIA AQUI: Encontro Ancestral! Beija-Flor conecta duas margens do mesmo rio, celebrando espiritualidade, fé e ancestralidade negra

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Selminha flutuou na avenida com giros tradicionais e domínio absoluto do pavilhão, enquanto Claudinho apresentou uma dança nobre e contida, característica da maturidade do casal. A execução foi correta em todos os módulos, sem falhas de coordenação.

ALEGORIAS E FANTASIAS

O conjunto visual foi um dos pontos altos da noite. João Vitor Araújo apresentou alegorias ricas em detalhes e de fácil compreensão. O destaque foi a alegoria do mercado, uma verdadeira obra de arte realista, com balaios, ervas, frutas e texturas que transportaram o público para o Recôncavo Baiano. As fantasias exibiram acabamento impecável, com uso farto de búzios, espelhos e estampas de africanidades.

* LEIA AQUI: Baianas da Beija-Flor consagram desfile e reafirmam a ancestralidade feminina no Carnaval

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No último carro, as esculturas giratórias de Iemanjá e Oxum sob o beija-flor encantaram o público presente. Porém, houve um incidente na concentração, onde a parte superior da última alegoria colidiu com o viaduto, causando avaria. O luxo e o bom gosto cromático mantiveram a escola em um patamar de excelência plástica.

* LEIA AQUI: Beija-Flor abre desfile com ‘silêncio’, fé e resistência

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HARMONIA E SAMBA

A harmonia da Beija-Flor foi no estilo “rolo compressor”. O samba-enredo, que caiu no gosto popular, foi entoado a plenos pulmões por toda a escola, do início ao fim. Os intérpretes Nino do Milênio e Jéssica Martin conduziram a obra com boa qualidade vocal, chamando a Sapucaí para o rito.

* LEIA AQUI: Beija-Flor transforma a Sapucaí em mar sagrado e encerra desfile como oferenda ao Bembé do Mercado

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A bateria, dos mestres Rodney e Plínio, cadenciada e potente, introduziu bossas de força ancestral com atabaques e agogôs, dialogando diretamente com o enredo. O “toque para Iemanjá” elevou o rendimento do canto, criando uma atmosfera de transe e devoção que contagiou a comunidade e as arquibancadas.

* LEIA AQUI: ‘Fertilidade das Águas’: Aline Daflor transforma maternidade em legado de amor à Beija-Flor de Nilópolis

EVOLUÇÃO

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A escola exibiu uma evolução fluida e “flutuante”, característica forte do chão de Nilópolis. Mesmo com problemas pontuais no sistema de som da Sapucaí em dois momentos, com picotes e uma aceleração, a escola não perdeu a coesão. O andamento foi correto, e os componentes evoluíram com felicidade e espontaneidade, sem buracos ou atropelos, garantindo a densidade necessária, com ótimo aproveitamento do espaço e boa ocupação da avenida.

OUTROS DESTAQUES

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À frente da bateria, a rainha Lorena Raissa personificou a energia do Bembé. Com um samba no pé irretocável, estabeleceu uma conexão vibrante com os ritmistas. Outro ponto alto foi a passagem da Velha Guarda, guardiã da tradição, e a presença de lideranças do Bembé original na última alegoria, reforçando o caráter de autorreparação e fé do desfile.