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Saiba como está o andamento do projeto que propõe imposto sobre bebidas alcoólicas para financiar o carnaval

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Um projeto de lei que pode transformar o financiamento do carnaval brasileiro deu mais um passo em sua tramitação na Câmara dos Deputados. O relator da proposta, deputado Alfredinho (PT-SP), apresentou um novo parecer ao PL 2769/2023, que cria um imposto específico sobre bebidas alcoólicas com a finalidade de alimentar um fundo de apoio às manifestações carnavalescas. A proposta, de autoria dos deputados Washington Quaquá (PT-RJ) e Ricardo Abrão (União-RJ), prevê a criação do FunCarnaval (Fundo Nacional de Incentivo e Manutenção do Carnaval).

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Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval

A arrecadação viria de uma tributação sobre a venda de bebidas alcoólicas, com alíquotas fixas:
0,5% sobre bebidas nacionais, como cerveja, vinho e destilados;
1% sobre bebidas alcoólicas importadas;
Isenção para pequenos produtores artesanais.

O texto propõe que os recursos arrecadados sejam distribuídos da seguinte forma:
60% para escolas de samba;
20% para blocos de rua;
10% para outras manifestações culturais ligadas ao Carnaval;
7% para a capacitação de trabalhadores do setor;
3% para a preservação da memória carnavalesca.

O parecer mais recente também rejeita duas emendas que haviam sido propostas anteriormente. O projeto está atualmente sob análise da Comissão de Cultura (CCULT), que devolveu o texto ao relator para nova deliberação.

Após passar pela Comissão de Cultura, a proposta ainda precisa ser analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Finanças e Tributação e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Caso seja aprovada nessas etapas, poderá seguir diretamente para o Senado, sem necessidade de votação no plenário da Câmara dos Deputados.

A proposta surge em um momento em que o Congresso Nacional discute a taxação do setor financeiro, com impasse envolvendo o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), e se apresenta como uma alternativa de financiamento contínuo para uma das maiores expressões culturais do Brasil: o Carnaval.

Se aprovado, o FunCarnaval poderá representar uma mudança histórica na forma como os desfiles das escolas de samba, os blocos de rua e outras manifestações carnavalescas recebem apoio, garantindo sustentabilidade a longo prazo para a cadeia produtiva do setor.

Opinião: ‘Corpo e desejo: a metamorfose poética da Imperatriz para o Carnaval 2026’

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Foto: Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz

A alma da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval 2026 estará colorida de liberdade, coberta de brilho e com o corpo em movimento. Nas mãos afiadas do carnavalesco Leandro Vieira, a escola de Ramos mergulha no universo de Ney Matogrosso, um dos maiores nomes da nossa cultura, para construir o enredo, que recebeu o título de “Camaleônico”, e envolve poesia, transformação e provocação. Na sinopse, Ney não é apenas homenageado por sua trajetória musical. Ele é apresentado como figura fluida, atemporal, mutante. Um artista que transita entre o humano e o animal, entre o marginal e o sublime, entre a festa e a denúncia. Camaleônico, mas também pavão, lobisomem, fauno, serpente e cavalo alado. Ney aparece como potência de invenção e resistência, como o corpo possível de todas as contradições.

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O enredo mergulha na obra de Ney, evocando os discos fundamentais da carreira e a estética performática que redefiniu a presença masculina nos palcos brasileiros. De “Secos & Molhados” a “Bandido”, de “Água do Céu-Pássaro” a “Feitiço”, o texto se estrutura como uma costura de sons e imagens. Gera algo sensorial. Mas a proposta vai além do tributo musical. Leandro Vieira utiliza Ney como lente para narrar os corpos que escapam ao padrão: o andrógino, o bicho marginal, a bicha, o louco, o artista nu em sua ousadia.

Há, na sinopse, uma sofisticação rara: o texto não se satisfaz em descrever — ele deseja performar. A narrativa é construída com densidade poética, desafiando o leitor a sentir a farra, a provocação, o delírio e a intensidade que o Leandro Vieira pretende traduzir. Ney é, aqui, o estandarte de uma “festa ensolarada”, onde o erotismo, o drama e a liberdade coexistem sem censura. Como quem convida o público a “botar o bloco na rua”, o enredo nos lembra que o carnaval é corpo e expressão.

Sinopse do enredo da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2026

Ao anunciar o desfile como uma celebração dos “desgarrados”, o enredo da Imperatriz reafirma o carnaval como espaço de legitimação da diferença — o lugar onde o marginal vira centro, onde o censurado vira bandeira, onde o corpo nu vira fantasia. O texto é uma celebração da metamorfose como identidade, da liberdade como regra, da arte como transgressão.

Para quem acompanha o trabalho de Leandro Vieira, o enredo reafirma sua capacidade de criar desfiles com assinatura própria: visualmente arrebatadores, poeticamente densos e socialmente pulsantes. Para a Imperatriz, é mais uma oportunidade de mostrar que a escola tem força para unir ousadia artística e competitividade, com alma, beleza e discurso.

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Disputa pela Sapucaí: Castro pede conversa com Alerj e Prefeitura do Rio para definir gestão

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Divulgação/Riotur

Em meio ao embate político entre a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado pela administração do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, o governador Cláudio Castro (PL) se manifestou publicamente nesta terça-feira e propôs um caminho de conciliação. Durante o lançamento de um aplicativo de combate a roubo e furto de celulares, ele afirmou que é necessário abrir um diálogo entre os entes envolvidos para encontrar uma solução pacífica. O governador ressaltou que o equipamento foi construído com recursos do estado e pode ser utilizado para reduzir dívidas ou até gerar receita para o governo.

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“Acho que a melhor saída é o diálogo. Esse ativo pode, de repente, ser usado para diminuir uma dívida e dar lucro ao estado, já que foi o estado que construiu esse ativo. Vamos dialogar com a Assembleia e a Prefeitura, porque quem tem que ganhar é o Carnaval. O Estado está aqui para colaborar, não para ser motivo de briga”, declarou Castro.

Disputa pelo comando do Sambódromo

A fala do governador ocorre um dia após a Alerj derrubar, em sessão extraordinária, o veto de Castro ao Projeto de Lei 57/23, de autoria do deputado Rodrigo Amorim (União). A proposta determina que a gestão do Sambódromo seja transferida da Prefeitura do Rio de Janeiro para o Governo do Estado. O texto teve 38 votos favoráveis e 19 contrários.

O projeto é parte de uma disputa política entre a base aliada de Castro, que apoia a pré-candidatura do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), ao governo estadual, e o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), provável adversário nas urnas em 2026.

A gestão do Sambódromo, inaugurado em 1984 pelo então governador Leonel Brizola, está atualmente sob responsabilidade da Prefeitura do Rio, amparada pelo Decreto-Lei 224/75. A mudança proposta visa devolver a administração do espaço ao estado, de onde foi originalmente cedido.

Reação da Prefeitura

Menos de uma hora após a votação, o prefeito Eduardo Paes reagiu com ironia e anunciou que a Prefeitura irá recorrer à Justiça para manter a administração da Passarela do Samba. Paes classificou a movimentação da base de Castro na Alerj como “perda de tempo” e sugeriu que o governo estadual estaria priorizando o Carnaval por falta de questões mais urgentes.

A disputa pela gestão da Marquês de Sapucaí, palco principal dos desfiles das escolas de samba do Rio, coloca em jogo muito mais do que o controle de um equipamento cultural. Ela reflete a antecipação do embate eleitoral para 2026, envolvendo dois grupos políticos que travam uma batalha estratégica em diversos campos da administração pública.

Opinião: ‘Mangue, batida e manifesto: Grande Rio aposta na cultura de resistência para o Carnaval 2026’

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Equipe responsável pelo desenvolvimento do enredo no desfile da Grande Rio em 2026. Foto: Rafael Arantes/Divulgação

Vice-campeã do Carnaval 2025, a Grande Rio prepara para 2026 um mergulho na lama mais fértil da cultura brasileira: o Manguebeat. Com a chegada de Antônio Gonzaga como novo carnavalesco, em sua primeira empreitada solo no Grupo Especial, após dividir trabalhos com André Rodrigues na Portela, a escola de Duque de Caxias mergulha no universo do Manguebeat para construir um enredo que pretende ser, ao mesmo tempo, poético, urbano e provocador.

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A sinopse do enredo, intitulada “Nação do Mangue”, parte das margens do Recife para mostrar que a cultura de resistência ainda pulsa nas periferias, nos guetos, nos becos onde a arte não é luxo, é sobrevivência. É um texto que convida o leitor a imaginar o carnaval como lugar de regeneração. Como os manguezais. Gonzaga propõe um carnaval que vai além da estética: pretende provocar reflexão sobre urbanização selvagem, apagamento cultural e devastação ambiental.

Sinopse do enredo da Grande Rio para o Carnaval 2026

Inspirada no movimento Manguebeat, que explodiu no Recife nos anos 1990 com nomes como Chico Science, Fred Zero Quatro e Mundo Livre S/A, a Grande Rio abraça a proposta de carnaval-manifesto. o enredo tem batida. Tem suor. Tem caranguejo, lama, antena parabólica e tambor.

O texto da sinopse mistura lirismo e urgência. “A cidade está doente”, afirma um trecho. Mas doente de quê? De abandono, desigualdade, ausência de escuta. A resposta vem da batida do mangue: “somos os que brotam da lama e anunciam o amanhã”. A proposta convoca reflexão sobre o Brasil das margens, onde a vida pulsa com mais força e menos recursos. É um enredo que exige sensibilidade para transformar o caos em beleza, a crítica em espetáculo.

Grande Rio mergulha no Manguebeat e celebra força das periferias em seu enredo para o Carnaval 2026

O maior desafio do enredo será traduzir a densidade simbólica em alegorias e fantasias que dialoguem com o grande público, sem perder a crítica e a raiz que fundamentam o tema. Mas a escola tem credenciais.

Se a escola acertar na concepção visual, no samba e na narrativa de chão, pode colocar mais uma vez seu nome entre as favoritas. Afinal, o Manguebeat é, por essência, uma explosão criativa.

Texto sobre a Beija-Flor 2026

Opinião: ‘Do Recôncavo à Sapucaí: Beija-Flor prepara um carnaval de corpo e espírito’

Aprendizes do Salgueiro anuncia enredo para 2026 em homenagem a Quinho

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Foto: Divulgação/Aprendizes do Salgueiro

O Aprendizes do Salgueiro anunciou o enredo que levará à avenida no Carnaval 2026: uma homenagem emocionante ao intérprete Quinho do Salgueiro, um dos nomes mais icônicos da história da Academia do Samba.

Com o título “ARREPIA, APRENDIZES!”, o enredo celebra a trajetória de Quinho, sua voz marcante, seus gritos de guerra inesquecíveis e o legado que deixou para novas gerações. Mais que um intérprete, Quinho foi símbolo de resistência, ancestralidade, emoção, e agora será exaltado por aqueles que cresceram ouvindo sua arte.

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A proposta da escola é transformar a avenida em um grande altar em memória ao artista. “Se o céu hoje tem uma nova estrela, a nossa homenagem será um canto eterno”, afirma o texto de lançamento divulgado pela agremiação mirim.

Quinho marcou época na Sapucaí com refrões como “Arrepia, Salgueiro!” e “Pimba, pimba! Ai que lindo, que lindo!”, que continuam ecoando na memória afetiva dos sambistas. A homenagem reforça o compromisso do Aprendizes do Salgueiro em manter viva a história do samba e dos grandes nomes que fizeram do carnaval um espetáculo cultural único.

O desfile de 2026 promete emocionar o público e será um tributo à altura da grandiosidade de Quinho, agora eternizado também no coração dos pequenos salgueirenses.

Mais informações sobre o desenvolvimento do enredo, equipe criativa e cronograma de atividades serão divulgadas em breve.

Estreia no Grupo Especial com impacto: Niterói pode levar história de Lula para a Sapucaí

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Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação PR

A Acadêmicos de Niterói pensa em entrar de vez na história do Grupo Especial do Rio. Campeã da Série Ouro em 2025, a escola cogita uma estreia com um enredo de forte impacto político e social: a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser o tema da agremiação em 2026. A informação foi publicada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. Segundo ele, a proposta da escola é apresentar a trajetória do homem que saiu do sertão nordestino, tornou-se operário e líder sindical e chegou à Presidência da República, posto que ocupa pela terceira vez. A agremiação baterá o martelo sobre o enredo no dia 9 de julho.

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A expectativa é grande, não apenas pelo conteúdo do tema, mas também pelo momento especial da escola, que viverá sua primeira experiência na elite do carnaval carioca. Caso o enredo sobre Lula seja realmente anunciado, a Acadêmicos de Niterói entra para a crescente lista de escolas que, em 2026, optaram por homenagear personalidades. Também estão previstas homenagens a Rita Lee, Rosa Magalhães, Mestre Ciça, Mestre Sacaca, Ney Matogrosso, Carolina Maria de Jesus e Heitor dos Prazeres.

A escolha da Niterói promete movimentar debates e chamar atenção para o desfile da nova integrante do Grupo Especial, que poderá começar sua jornada entre as gigantes com um enredo de enorme repercussão.

Alerj tira gestão da Sapucaí da Prefeitura e transfere ao Estado; Paes promete ir à Justiça

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Foto: Fernando Maia/Riotur

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) derrubou, em sessão extraordinária realizada nesta segunda-feira, o veto do governador Cláudio Castro (PL) ao projeto de lei que transfere a gestão do Sambódromo da Marquês de Sapucaí da Prefeitura do Rio para o Governo do Estado. Com 38 votos favoráveis e 19 contrários, a maioria dos deputados estaduais optou por retomar para o Executivo estadual o controle da Passarela do Samba, construída em 1984 por Leonel Brizola e cedida anos depois à administração municipal.

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O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), reagiu imediatamente após a votação, classificando a medida como uma “perda de tempo” e anunciando que o município recorrerá à Justiça para barrar a nova legislação. Nas redes sociais, Paes ironizou o interesse do Governo do Estado pela folia, sugerindo que o Executivo estadual deveria priorizar temas como segurança pública, educação e infraestrutura.

“Tinham era que passar o Imperator e o Theatro Municipal para a prefeitura, que é quem tem que cuidar dessas coisas. Deixem as tarefas municipais para o poder municipal e dediquem mais tempo e foco à segurança, à melhora do IDEB, à saúde pública, à manutenção das estradas vicinais, à ampliação do transporte sobre trilhos”, disse Paes.

O projeto de lei é de autoria do deputado Rodrigo Amorim (PTB) e foi aprovado pela Alerj em dezembro. A proposta revoga o Decreto-Lei 224/75, que transferia a posse de imóveis da região da Cidade Nova, incluindo o Sambódromo, para o município após a fusão do antigo Estado da Guanabara com o Estado do Rio. Segundo Amorim, o objetivo é permitir o uso do espaço ao longo de todo o ano, aumentando o potencial de arrecadação do estado.

Em janeiro, o governador Cláudio Castro vetou o projeto, alegando inconstitucionalidade — segundo ele, a Alerj não teria competência para modificar o domínio de um bem municipal. Mesmo assim, sua base legislativa liderada pelo presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), conseguiu reverter o veto.

Opinião: ‘Do Recôncavo à Sapucaí: Beija-Flor prepara um carnaval de corpo e espírito’

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Fotos: Divulgação/Beija-Flor

A Beija-Flor de Nilópolis vai voltar à Sapucaí em 2026 com a responsabilidade de quem carrega a faixa de atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Para isso, ela vai transformar o desfile em um ato de fé, memória e resistência. O enredo “Bembé” mergulha fundo em uma das mais poderosas expressões da cultura afro-brasileira, o Bembé do Mercado, celebração do Candomblé realizada há mais de 130 anos em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano.

O título do enredo não poderia ser mais certeiro. “Bembé”. Uma palavra só, curta, mas com uma força ancestral imensa. Quem conhece, sente imediatamente a vibração. Quem não conhece, sente o chamado para saber mais. “Bembé” não precisa de explicação longa. Carrega o peso e a beleza de uma tradição que atravessou séculos enfrentando preconceito, intolerância e silenciamento.

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Mas a Beija-Flor não ficou apenas na ideia. Foi além. O carnavalesco João Vitor Araújo e integrantes da escola foram até Santo Amaro. Estiveram lá, ouvindo histórias, sentindo o chão, compartilhando do axé. Em uma Era em que o carnaval se reconecta com as raízes do povo, essa escuta, esse gesto de respeito, faz toda a diferença. Traz para a narrativa não só consistência, mas verdade.

Beija-Flor celebra receber carta do Iphan em reconhecimento ao ‘Bembé’ ser enredo para o Carnaval 2026

A sinopse apresentada é quase um convite à emoção. Nos leva entre balaios de flores, perfumes, oferendas às águas e tambores de xirê que chamam os Orixás. O mercado vira terreiro. A rua, templo. O povo preto, protagonista da própria história. A escola promete um desfile que deve emocionar não apenas pelo impacto visual, mas pela alma. Porque o Candomblé não apenas sobreviveu: ele ocupou espaços e construiu caminhos de pertencimento no meio da cidade, no meio da vida.

E é disso que o carnaval também precisa falar. Do Brasil real, profundo, que nem sempre cabe nos livros de história, mas pulsa forte nos terreiros, nos batuques, nas festas de rua. Transformar o “Bembé” em enredo é um gesto potente, simbólico. É dar luz a uma herança cultural que ainda hoje sofre com o preconceito. É dizer, em plena Marquês de Sapucaí: essa fé é nossa, esse canto é nosso, essa rua também é nossa.

Beija-Flor inaugura escola mirim oficial: nasce o ‘Sonho do Beija-Flor’

A Beija-Flor mostra que carnaval não é só brilho e pluma. É espaço de afirmação, é ferramenta de resistência. Em tempos tão marcados por intolerância religiosa e racismo estrutural, ver a atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro exaltar um culto ancestral negro, coletivo, pulsante, é mais do que arte: é ato político. E necessário.

PodCARNAVALESCO RJ: veja o programa com Marquinho Marino e João Vitor

Tarcísio Zanon destaca emoção e conexão pessoal na leitura da sinopse da Viradouro na quadra da Estácio

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A leitura da sinopse do enredo da Unidos do Viradouro para o Carnaval 2026 foi marcada por um retorno simbólico e afetivo: o evento aconteceu na quadra da Estácio de Sá, local que formou o homenageado do próximo desfile da escola, mestre Ciça — e também o carnavalesco Tarcísio Zanon. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o artista expressou a emoção de estar de volta à casa onde iniciou sua trajetória no samba. “É uma alegria e uma emoção muito grandes. Cheguei pela manhã para ajudar na decoração da quadra e reencontrei a velha guarda, chorei. A Estácio foi a escola que me formou. Essa homenagem ao Ciça é também uma homenagem a todo estaciano, todo ritmista, todo sambista. O Ciça já é, por si só, uma escola de samba”, declarou Zanon.

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Carnavalesco Tarcísio Zanon. Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Ciça começou sua trajetória como passista na própria Estácio, então Unidos de São Carlos, foi mestre de sala, ritmista e se consolidou como um dos mestres de bateria mais respeitados do carnaval carioca. A escolha de realizar a leitura da sinopse na quadra da Estácio reforça o enredo como um gesto de reconhecimento não só a um artista, mas também ao território que o formou.

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Tarcísio, que divide a criação com o enredista João Gustavo Melo, explicou que a construção da sinopse foi feita em estreita colaboração com o próprio homenageado. “A gente teve muitos diálogos com o Ciça. Foi um olhar de sambista para o Ciça. O público vai encontrar os grandes momentos da trajetória dele. Claro que é uma releitura, mas é isso que estamos vivendo: o tempo dos remakes. E é muito legal a gente fazer esse carnaval da metalinguagem, trabalhar essa metanarrativa, até porque eu mesmo já trabalho com o Ciça há anos”, comentou.

Para Zanon, a leitura da sinopse dentro da Estácio também teve papel estratégico na preparação dos compositores. Segundo ele, estar naquele espaço ajudou a mergulhar na “alma do enredo” e no universo afetivo do Ciça. “O Ciça nunca se mudou do Estácio. É aqui que ele se forma como sambista. É uma região onde floresce o samba. Nada mais é pertinente do que fazer essa leitura de sinopse aqui”, afirmou.

Viradouro apresenta sinopse de ‘Pra Cima, Ciça’ em noite de reencontro na quadra da Estácio de Sá

Questionado sobre o que espera dos sambas concorrentes, o carnavalesco orientou os compositores a estudarem o material, tirarem dúvidas e, sobretudo, se deixarem levar pela inspiração. “A sinopse é solta, feita para o compositor se sentir livre. Mas é claro que precisa seguir uma narrativa. O texto está muito claro, e espero que todos gostem muito”, disse.

Veja o PodCARNAVALESCO RJ com mestre Ciça

Adiantada, Imperatriz da Pauliceia lança enredo afro e apresenta protótipos para o Carnaval 2026

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Mais uma escola apostará em uma temática ligada às religiões de matriz africana no carnaval 2026. Trata-se da Imperatriz da Pauliceia, do Grupo de Acesso II do carnaval de São Paulo. No último sábado, a Princesinha da Zona Leste anunciou o enredo “Congá, o altar sagrado da minha fé”, assinado por uma Comissão de Carnaval. Mais do que isso: mostrando eficiência e prazos adiantados, a azul e branca também apresentou os protótipos para a próxima temporada.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Como diversos eventos no carnaval paulistano, o evento na divisa entre os bairros da Vila Nova Savoia e da Vila Talarico começou com um show de pagode para começar a esquentar os presentes. Maralice Lazarini, presidente da agremiação, fez o primeiro discurso e a primeira apresentação: Dom Junior foi oficialmente apresentado como o novo intérprete oficial da escola e já começou a executar sambas para agitar os presentes – entre eles, Peterson Silva e Victoria Cavalcante, Rei e Primeira Princesa da Corte LGBTQIAPN+ do carnaval paulistano.

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Com vários pontos em saudação a orixás, segmentos da escola (casal de mestre-sala e porta-bandeira, Ala das Baianas, crianças, passistas e Velha Guarda) também se apresentaram. O ponto de Iansã teve destaque graças à dança de Paula Penteado, nova coreógrafa da comissão de frente da azul e branca – que, logo após sair do terreiro, subiu ao palco e foi apresentada pela mandatária da instituição.

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Veio, então, a hora de Dom Junior convocar outros intérpretes amigos para celebrar a conquista do novo cantor do carnaval paulistano. Subiram ao palco, então, pela ordem, Chitão Martins, Tiago Nascimento, Gui Cruz, Rodrigo Xará, Alessandro Tiganá e Thiago Melodiah – das coirmãs Independente, Império de Casa Verde, Mocidade Unida da Mooca, Dom Bosco, Nenê de Vila Matilde e Primeira da Cidade Líder. Vale destacar que, até o carnaval 2025, o microfone principal da Princesinha era do atual comandante do carro de som da Águia Guerreira.

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Chegou a hora, então, da Comissão de Carnaval ser apresentada. Três nomes integram o grupo: Fran da Vila é o responsável pelas fantasias, Francis Santos comanda as alegorias e Leandro Santana é o responsável pelo enredo. E foi o último citado quem revelou o título do enredo, sendo aplaudido por todos:

Ainda houve tempo para que Dom Junior executasse o samba de 2025: “Eu queria que essa fantasia fosse eterna”, para apoteose de toda a quadra:

Presidente participativa

Ao contrário da dinâmica que normalmente acontece em uma escola de samba, a ideia do enredo veio de uma pessoa bastante próxima da presidente, e não da Comissão de Carnaval da agremiação. A própria Maralice explica: “Na realidade, esse enredo foi a gente quem sugeriu dessa vez. Essa temática era um sonho mais do meu marido. Nós levamos para os carnavalescos e eles adoraram a ideia, compraram a ideia na hora. Com base nisso, desenvolveram tudo. Normalmente, o carnavalesco traz a temática; mas, dessa vez, nós quem levamos. Foi diferente esse ano. Era o que a gente esperava – e, aí, eles melhoraram, é claro. A gente tem uma ideia e o trabalho artístico é deles”, revelou.

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Aceitação imediata

Um pedido presidencial dificilmente é recusado, e todos os responsáveis pela Imperatriz da Pauliceia gostaram da sugestão da mandatária da escola. Fran da Vila, inclusive, destacou que fazia coro para que a linha da agremiação tomasse tal rumo: “Na verdade, como já estou há mais tempo na escola, antes de assinar o enredo desse ano, eu já vinha cobrando da presidente Maralice um tema mais forte, um tema afro. Ela falava que ia pensar e, após a apuração de 2025, ela falou que faríamos um tema afro”, resumiu.

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Leandro foi além, explicando a importância de tal temática: “Quando a presidente trouxe essa temática, foi uma reação muito positiva. Primeiro, eu acho que sempre que nós, enquanto escolas de samba, exaltamos histórias, sejam elas quais forem, relacionadas à temática afro-brasileira, para mim sempre é uma maneira da gente também estar nessa luta, estar manifestando, estar resistindo. Não tem como a gente falar de escola de samba sem falar das origens e das raízes que construíram essas escolas de samba. Foi, na realidade, uma sugestão muito bem-vinda porque parte também de alguém que entende desse universo e que olha com respeito sobre isso. É sempre muito bom quando vem uma proposta que a gente acha interessante e que a gente consegue enxergar que dá para gente trabalhar junto, em um caminho em comum. Foi maravilhoso”, descreveu.

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Mais conciso, Francis focou no resultado e na importância do trio para o desenvolvimento da temporada na Imperatriz da Pauliceia: “A primeira impressão foi a deque nós vamos estar fortes esse ano. Que dê tudo certo! Uma boa sorte para a gente. A Mara já havia pensado bem antes nisso e, agora, nós três vamos fazer a diferença”, destacou.

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Mostrando que o pensamento é unânime na agremiação, Percio Junior, o Batata, diretor de carnaval da escola, revelou que até mesmo os enredos além de 2026 já estão sendo geridos: “Na realidade, a gente já tinha um enredo pronto. A gente tem algumas ideias de enredos que vem lá de trás. Quando vai terminando o carnaval, a gente começa a abrir a gaveta e colocar as ideias na mesa. Em relação a esse enredo, o marido da presidente já tinha falado há uns dois anos. Sempre tem um enredo pronto no qual estamos trabalhando, mas já temos algumas ideias para os próximos anos. A gente começa a escolher dentro daquilo que a gente já tinha no decorrer dos anos. A gente estava esperando um momento um pouco melhor, tínhamos outras ideias que a gente achava que era mais adequado em relação aos momentos que a gente estava vivendo. Agora, chegou a hora de a gente começar a abordar esse assunto e ir para a linha mais afro. Essa é a hora certa, colocamos na mesa e começamos a desenvolver”, comentou.

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Setores fluidos

Destacando que o fio condutor do desfile não terá grandes diferenciações entre o começo e o final da apresentação, Leandro comentou que o tempo mais exíguo exige soluções criativas: “A gente tem, primeiro, a realidade do Grupo de Acesso II. Narrativamente falando, o desfile desse pelotão é mais enxuto – e o enredo leva isso em consideração. Ele é desenvolvido de uma maneira sem necessariamente ter essa segmentação em partes. A gente pensa o enredo mesmo como um todo, que seja facilmente acessível para quem está na arquibancada assistindo o desfile. A gente não tem essa preocupação em setorizar o desfile. Ele é um grande todo que vai ser perceptível. A própria narrativa dele engloba um grande setor, mesmo. A gente compreende isso entre as alegorias, sobretudo”, comentou.

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Vale destacar que, de acordo com o título que foi apresentado de cada uma das fantasias, cada ala terá como nome um orixá – como Iemanjá, Iansã e Logun Edé. Elas, inclusive, foram elogiadas por Fran: “Nossas fantasias são um impacto para o carnaval de São Paulo. Aproveitamos o lançamento do enredo para fazer, também, a apresentação dos nossos protótipos. O Grupo de Acesso é muito forte e muita gente vai ficar surpresa com o nosso trabalho”, afirmou.

Daqui em diante

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A agremiação já está a pleno vapor pensando no carnaval de 2026. Prova disso são os números revelados pelo Comissão de Carnaval. Francis revelou que os carros alegóricos começarão a ser produzidos ainda no primeiro semestre do ano: “Em relação às alegorias, já está tudo planejado e, a partir do dia 30 de junho, já vamos começar a mexer nos carros alegóricos”, comemorou.

Fran trouxe números ainda mais positivos em relação às indumentárias: “Já estamos com 70% das fantasias prontas, já. Faltam alguns detalhes. Creio que até final de agosto, começo de setembro, já esteja tudo pronto”, tranquilizou o torcedor.

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Por fim, Batata destacou as próximas datas ligadas à agremiação – começando com a canção que será cantada pela Princesinha no Anhembi: “O samba-enredo, a princípio, a gente está pensando em fazer um lançamento pela internet. Não está descartada a ideia de uma festa para poder fazer o lançamento do samba, porém. A gente ainda está ouvindo as obras, temos aí mais ou menos doze sambas concorrentes, a gente ficou muito feliz com esse número. E tem uns sambas que estão dando uma confundida na nossa cabeça, que realmente estão muito dentro da linha que a gente realmente acha ideal para a escola. Pode ser que, na segunda quinzena de agosto a gente já tenha escolhido o samba”, refletiu.

A mente do diretor de carnaval, entretanto, não está apenas no samba-enredo, como ele próprio revela: “A gente, nesse momento, está começando a olhar muito para os ensaios. A gente está mudando todo o nosso planejamento de ensaio: nós vamos mudar a metodologia de ensaio, fazer alguma coisa que se encaixa mais com a nossa comunidade. A gente está muito focado em, a partir de outubro, mandar ver nos ensaios. Eu e toda a diretoria estamos preocupados em fazer esse planejamento dos ensaios. Vai ter a festa das alas no dia 06 de outubro, a gente faz um porco no rolete, é o terceiro ano que a gente faz, com samba e um bailão de carnaval. A gente vai fazer uma coisa um pouquinho diferente, com um bloco, uma roda de samba no gogó com todo mundo em volta, sem nada ligado”, finalizou.