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Grande Rio realiza seletiva de samba-enredo para o Carnaval 2026 em Pernambuco

A Grande Rio e a Liga das Escolas de Samba de Pernambuco (LIESPE) anunciam a realização da Seletiva Pernambucana de Samba-Enredo, que busca valorizar e integrar o talento dos compositores pernambucanos ao universo do Carnaval Carioca. As escolas vinculadas à LIESPE poderão inscrever uma obra inédita, composta por até cinco autores, todos residentes em Pernambuco. As inscrições acontecem no dia 11 de agosto, até as 22h, na sede da Liga.

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A Final da Seletiva Pernambucana será realizada no dia 30 de agosto, com show aberto ao público e apresentação dos sambas concorrentes. A obra vencedora será selecionada pela comissão julgadora da Grande Rio e terá vaga garantida na semifinal da disputa de samba-enredopara o Carnaval 2026, que será realizadano dia 16 de setembro, na quadra da escola, em Caxias.

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Foto: Ewerton Pereira/Divulgação Grande Rio

A iniciativa reforça o compromisso da Grande Rio com a diversidade cultural do samba e a valorização de talentos de todo o Brasil, conforme aponta o diretor de carnaval, Thiago Monteiro.

“A Seletiva Pernambucana é mais do que uma competição — é um encontro de culturas e um gesto de respeito ao samba que pulsa fora do eixo Rio-São Paulo. Em 2024, tivemos uma experiência muito boa com a seletiva em Belém, que revelou talentos incríveis e nos mostrou a força do samba fora do Sudeste. Foi de lá que veio o samba escolhido campeão. Agora, em Pernambuco, seguimos com esse propósito: abrir caminhos, ouvir novas vozes, buscar novos talentos. Essa troca enriquece o Carnaval como um todo”.

Opinião: ‘Mangue, batida e manifesto: Grande Rio aposta na cultura de resistência para o Carnaval 2026’

Em 2026, a Grande Rio levará para a Avenida o enredo “A Nação do Mangue”, idealizado pelo carnavalesco Antônio Gonzaga. O enredo parte das margens de Recife, para mergulhar na lama da revolução musical que transformou a cena cultural do país: o Manguebeat.

Sinopse do enredo da Grande Rio para o Carnaval 2026

Unidos do Jacarezinho abre inscrições para ala das crianças

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Estão abertas as inscrições para as alas de crianças da Unidos do Jacarezinho para o desfile de 2026. O cadastramento acontece de forma on-line até esgotarem as vagas, que são limitadas. Poderá participar crianças de 7 a 15 anos matriculadas e cursando a escola de ensino regular.

A inscrição acontece através do link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeDjVrnEFv6JZrb58oh9J5AGnAwdfsDDkzqYs3HUCzoG0onLA/viewform. A escola indicará aos inscritos a data para apresentar a documentação exigida (criança – xerox da certidão de nascimento ou identidade e declaração escolar / responsável – xerox da identidade e cpf e comprovante de residência).

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Foto: Gabriel Belmiro/Divulgação Jacarezinho

A direção de carnaval da escola, entende que as crianças terão um papel fundamental no desfile, principalmente no canto e por entender que elas representam o futuro da agremiação e para isso espera contar com um bom número de inscrições. É obrigatória a presença nos ensaios, que ocorrem a partir de novembro, às sextas-feiras, a partir das 20 horas.

A Unidos do Jacarezinho desfilará no dia 13 de fevereiro de 2026, sendo a primeira escola a pisar na Sapucaí pela Série Ouro com o enredo em homenagem ao cantor e compositor, Xande de Pilares.

Saiba como está o andamento do projeto que propõe imposto sobre bebidas alcoólicas para financiar o carnaval

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Um projeto de lei que pode transformar o financiamento do carnaval brasileiro deu mais um passo em sua tramitação na Câmara dos Deputados. O relator da proposta, deputado Alfredinho (PT-SP), apresentou um novo parecer ao PL 2769/2023, que cria um imposto específico sobre bebidas alcoólicas com a finalidade de alimentar um fundo de apoio às manifestações carnavalescas. A proposta, de autoria dos deputados Washington Quaquá (PT-RJ) e Ricardo Abrão (União-RJ), prevê a criação do FunCarnaval (Fundo Nacional de Incentivo e Manutenção do Carnaval).

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Foto: Alexandre Vidal/Divulgação Rio Carnaval

A arrecadação viria de uma tributação sobre a venda de bebidas alcoólicas, com alíquotas fixas:
0,5% sobre bebidas nacionais, como cerveja, vinho e destilados;
1% sobre bebidas alcoólicas importadas;
Isenção para pequenos produtores artesanais.

O texto propõe que os recursos arrecadados sejam distribuídos da seguinte forma:
60% para escolas de samba;
20% para blocos de rua;
10% para outras manifestações culturais ligadas ao Carnaval;
7% para a capacitação de trabalhadores do setor;
3% para a preservação da memória carnavalesca.

O parecer mais recente também rejeita duas emendas que haviam sido propostas anteriormente. O projeto está atualmente sob análise da Comissão de Cultura (CCULT), que devolveu o texto ao relator para nova deliberação.

Após passar pela Comissão de Cultura, a proposta ainda precisa ser analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Finanças e Tributação e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Caso seja aprovada nessas etapas, poderá seguir diretamente para o Senado, sem necessidade de votação no plenário da Câmara dos Deputados.

A proposta surge em um momento em que o Congresso Nacional discute a taxação do setor financeiro, com impasse envolvendo o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), e se apresenta como uma alternativa de financiamento contínuo para uma das maiores expressões culturais do Brasil: o Carnaval.

Se aprovado, o FunCarnaval poderá representar uma mudança histórica na forma como os desfiles das escolas de samba, os blocos de rua e outras manifestações carnavalescas recebem apoio, garantindo sustentabilidade a longo prazo para a cadeia produtiva do setor.

Opinião: ‘Corpo e desejo: a metamorfose poética da Imperatriz para o Carnaval 2026’

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Foto: Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz

A alma da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval 2026 estará colorida de liberdade, coberta de brilho e com o corpo em movimento. Nas mãos afiadas do carnavalesco Leandro Vieira, a escola de Ramos mergulha no universo de Ney Matogrosso, um dos maiores nomes da nossa cultura, para construir o enredo, que recebeu o título de “Camaleônico”, e envolve poesia, transformação e provocação. Na sinopse, Ney não é apenas homenageado por sua trajetória musical. Ele é apresentado como figura fluida, atemporal, mutante. Um artista que transita entre o humano e o animal, entre o marginal e o sublime, entre a festa e a denúncia. Camaleônico, mas também pavão, lobisomem, fauno, serpente e cavalo alado. Ney aparece como potência de invenção e resistência, como o corpo possível de todas as contradições.

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O enredo mergulha na obra de Ney, evocando os discos fundamentais da carreira e a estética performática que redefiniu a presença masculina nos palcos brasileiros. De “Secos & Molhados” a “Bandido”, de “Água do Céu-Pássaro” a “Feitiço”, o texto se estrutura como uma costura de sons e imagens. Gera algo sensorial. Mas a proposta vai além do tributo musical. Leandro Vieira utiliza Ney como lente para narrar os corpos que escapam ao padrão: o andrógino, o bicho marginal, a bicha, o louco, o artista nu em sua ousadia.

Há, na sinopse, uma sofisticação rara: o texto não se satisfaz em descrever — ele deseja performar. A narrativa é construída com densidade poética, desafiando o leitor a sentir a farra, a provocação, o delírio e a intensidade que o Leandro Vieira pretende traduzir. Ney é, aqui, o estandarte de uma “festa ensolarada”, onde o erotismo, o drama e a liberdade coexistem sem censura. Como quem convida o público a “botar o bloco na rua”, o enredo nos lembra que o carnaval é corpo e expressão.

Sinopse do enredo da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2026

Ao anunciar o desfile como uma celebração dos “desgarrados”, o enredo da Imperatriz reafirma o carnaval como espaço de legitimação da diferença — o lugar onde o marginal vira centro, onde o censurado vira bandeira, onde o corpo nu vira fantasia. O texto é uma celebração da metamorfose como identidade, da liberdade como regra, da arte como transgressão.

Para quem acompanha o trabalho de Leandro Vieira, o enredo reafirma sua capacidade de criar desfiles com assinatura própria: visualmente arrebatadores, poeticamente densos e socialmente pulsantes. Para a Imperatriz, é mais uma oportunidade de mostrar que a escola tem força para unir ousadia artística e competitividade, com alma, beleza e discurso.

João Drumond defende modelo inclusivo e igualitário na disputa de samba da Imperatriz

Imperatriz Leopoldinense convida jovem que viralizou em homenagem a Ney Matogrosso para desfilar no Carnaval 2026

Disputa pela Sapucaí: Castro pede conversa com Alerj e Prefeitura do Rio para definir gestão

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Divulgação/Riotur

Em meio ao embate político entre a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado pela administração do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, o governador Cláudio Castro (PL) se manifestou publicamente nesta terça-feira e propôs um caminho de conciliação. Durante o lançamento de um aplicativo de combate a roubo e furto de celulares, ele afirmou que é necessário abrir um diálogo entre os entes envolvidos para encontrar uma solução pacífica. O governador ressaltou que o equipamento foi construído com recursos do estado e pode ser utilizado para reduzir dívidas ou até gerar receita para o governo.

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“Acho que a melhor saída é o diálogo. Esse ativo pode, de repente, ser usado para diminuir uma dívida e dar lucro ao estado, já que foi o estado que construiu esse ativo. Vamos dialogar com a Assembleia e a Prefeitura, porque quem tem que ganhar é o Carnaval. O Estado está aqui para colaborar, não para ser motivo de briga”, declarou Castro.

Disputa pelo comando do Sambódromo

A fala do governador ocorre um dia após a Alerj derrubar, em sessão extraordinária, o veto de Castro ao Projeto de Lei 57/23, de autoria do deputado Rodrigo Amorim (União). A proposta determina que a gestão do Sambódromo seja transferida da Prefeitura do Rio de Janeiro para o Governo do Estado. O texto teve 38 votos favoráveis e 19 contrários.

O projeto é parte de uma disputa política entre a base aliada de Castro, que apoia a pré-candidatura do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), ao governo estadual, e o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), provável adversário nas urnas em 2026.

A gestão do Sambódromo, inaugurado em 1984 pelo então governador Leonel Brizola, está atualmente sob responsabilidade da Prefeitura do Rio, amparada pelo Decreto-Lei 224/75. A mudança proposta visa devolver a administração do espaço ao estado, de onde foi originalmente cedido.

Reação da Prefeitura

Menos de uma hora após a votação, o prefeito Eduardo Paes reagiu com ironia e anunciou que a Prefeitura irá recorrer à Justiça para manter a administração da Passarela do Samba. Paes classificou a movimentação da base de Castro na Alerj como “perda de tempo” e sugeriu que o governo estadual estaria priorizando o Carnaval por falta de questões mais urgentes.

A disputa pela gestão da Marquês de Sapucaí, palco principal dos desfiles das escolas de samba do Rio, coloca em jogo muito mais do que o controle de um equipamento cultural. Ela reflete a antecipação do embate eleitoral para 2026, envolvendo dois grupos políticos que travam uma batalha estratégica em diversos campos da administração pública.

Opinião: ‘Mangue, batida e manifesto: Grande Rio aposta na cultura de resistência para o Carnaval 2026’

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Equipe responsável pelo desenvolvimento do enredo no desfile da Grande Rio em 2026. Foto: Rafael Arantes/Divulgação

Vice-campeã do Carnaval 2025, a Grande Rio prepara para 2026 um mergulho na lama mais fértil da cultura brasileira: o Manguebeat. Com a chegada de Antônio Gonzaga como novo carnavalesco, em sua primeira empreitada solo no Grupo Especial, após dividir trabalhos com André Rodrigues na Portela, a escola de Duque de Caxias mergulha no universo do Manguebeat para construir um enredo que pretende ser, ao mesmo tempo, poético, urbano e provocador.

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A sinopse do enredo, intitulada “Nação do Mangue”, parte das margens do Recife para mostrar que a cultura de resistência ainda pulsa nas periferias, nos guetos, nos becos onde a arte não é luxo, é sobrevivência. É um texto que convida o leitor a imaginar o carnaval como lugar de regeneração. Como os manguezais. Gonzaga propõe um carnaval que vai além da estética: pretende provocar reflexão sobre urbanização selvagem, apagamento cultural e devastação ambiental.

Sinopse do enredo da Grande Rio para o Carnaval 2026

Inspirada no movimento Manguebeat, que explodiu no Recife nos anos 1990 com nomes como Chico Science, Fred Zero Quatro e Mundo Livre S/A, a Grande Rio abraça a proposta de carnaval-manifesto. o enredo tem batida. Tem suor. Tem caranguejo, lama, antena parabólica e tambor.

O texto da sinopse mistura lirismo e urgência. “A cidade está doente”, afirma um trecho. Mas doente de quê? De abandono, desigualdade, ausência de escuta. A resposta vem da batida do mangue: “somos os que brotam da lama e anunciam o amanhã”. A proposta convoca reflexão sobre o Brasil das margens, onde a vida pulsa com mais força e menos recursos. É um enredo que exige sensibilidade para transformar o caos em beleza, a crítica em espetáculo.

Grande Rio mergulha no Manguebeat e celebra força das periferias em seu enredo para o Carnaval 2026

O maior desafio do enredo será traduzir a densidade simbólica em alegorias e fantasias que dialoguem com o grande público, sem perder a crítica e a raiz que fundamentam o tema. Mas a escola tem credenciais.

Se a escola acertar na concepção visual, no samba e na narrativa de chão, pode colocar mais uma vez seu nome entre as favoritas. Afinal, o Manguebeat é, por essência, uma explosão criativa.

Texto sobre a Beija-Flor 2026

Opinião: ‘Do Recôncavo à Sapucaí: Beija-Flor prepara um carnaval de corpo e espírito’

Aprendizes do Salgueiro anuncia enredo para 2026 em homenagem a Quinho

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Foto: Divulgação/Aprendizes do Salgueiro

O Aprendizes do Salgueiro anunciou o enredo que levará à avenida no Carnaval 2026: uma homenagem emocionante ao intérprete Quinho do Salgueiro, um dos nomes mais icônicos da história da Academia do Samba.

Com o título “ARREPIA, APRENDIZES!”, o enredo celebra a trajetória de Quinho, sua voz marcante, seus gritos de guerra inesquecíveis e o legado que deixou para novas gerações. Mais que um intérprete, Quinho foi símbolo de resistência, ancestralidade, emoção, e agora será exaltado por aqueles que cresceram ouvindo sua arte.

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A proposta da escola é transformar a avenida em um grande altar em memória ao artista. “Se o céu hoje tem uma nova estrela, a nossa homenagem será um canto eterno”, afirma o texto de lançamento divulgado pela agremiação mirim.

Quinho marcou época na Sapucaí com refrões como “Arrepia, Salgueiro!” e “Pimba, pimba! Ai que lindo, que lindo!”, que continuam ecoando na memória afetiva dos sambistas. A homenagem reforça o compromisso do Aprendizes do Salgueiro em manter viva a história do samba e dos grandes nomes que fizeram do carnaval um espetáculo cultural único.

O desfile de 2026 promete emocionar o público e será um tributo à altura da grandiosidade de Quinho, agora eternizado também no coração dos pequenos salgueirenses.

Mais informações sobre o desenvolvimento do enredo, equipe criativa e cronograma de atividades serão divulgadas em breve.

Estreia no Grupo Especial com impacto: Niterói pode levar história de Lula para a Sapucaí

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Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação PR

A Acadêmicos de Niterói pensa em entrar de vez na história do Grupo Especial do Rio. Campeã da Série Ouro em 2025, a escola cogita uma estreia com um enredo de forte impacto político e social: a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser o tema da agremiação em 2026. A informação foi publicada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. Segundo ele, a proposta da escola é apresentar a trajetória do homem que saiu do sertão nordestino, tornou-se operário e líder sindical e chegou à Presidência da República, posto que ocupa pela terceira vez. A agremiação baterá o martelo sobre o enredo no dia 9 de julho.

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A expectativa é grande, não apenas pelo conteúdo do tema, mas também pelo momento especial da escola, que viverá sua primeira experiência na elite do carnaval carioca. Caso o enredo sobre Lula seja realmente anunciado, a Acadêmicos de Niterói entra para a crescente lista de escolas que, em 2026, optaram por homenagear personalidades. Também estão previstas homenagens a Rita Lee, Rosa Magalhães, Mestre Ciça, Mestre Sacaca, Ney Matogrosso, Carolina Maria de Jesus e Heitor dos Prazeres.

A escolha da Niterói promete movimentar debates e chamar atenção para o desfile da nova integrante do Grupo Especial, que poderá começar sua jornada entre as gigantes com um enredo de enorme repercussão.

Alerj tira gestão da Sapucaí da Prefeitura e transfere ao Estado; Paes promete ir à Justiça

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Foto: Fernando Maia/Riotur

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) derrubou, em sessão extraordinária realizada nesta segunda-feira, o veto do governador Cláudio Castro (PL) ao projeto de lei que transfere a gestão do Sambódromo da Marquês de Sapucaí da Prefeitura do Rio para o Governo do Estado. Com 38 votos favoráveis e 19 contrários, a maioria dos deputados estaduais optou por retomar para o Executivo estadual o controle da Passarela do Samba, construída em 1984 por Leonel Brizola e cedida anos depois à administração municipal.

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O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), reagiu imediatamente após a votação, classificando a medida como uma “perda de tempo” e anunciando que o município recorrerá à Justiça para barrar a nova legislação. Nas redes sociais, Paes ironizou o interesse do Governo do Estado pela folia, sugerindo que o Executivo estadual deveria priorizar temas como segurança pública, educação e infraestrutura.

“Tinham era que passar o Imperator e o Theatro Municipal para a prefeitura, que é quem tem que cuidar dessas coisas. Deixem as tarefas municipais para o poder municipal e dediquem mais tempo e foco à segurança, à melhora do IDEB, à saúde pública, à manutenção das estradas vicinais, à ampliação do transporte sobre trilhos”, disse Paes.

O projeto de lei é de autoria do deputado Rodrigo Amorim (PTB) e foi aprovado pela Alerj em dezembro. A proposta revoga o Decreto-Lei 224/75, que transferia a posse de imóveis da região da Cidade Nova, incluindo o Sambódromo, para o município após a fusão do antigo Estado da Guanabara com o Estado do Rio. Segundo Amorim, o objetivo é permitir o uso do espaço ao longo de todo o ano, aumentando o potencial de arrecadação do estado.

Em janeiro, o governador Cláudio Castro vetou o projeto, alegando inconstitucionalidade — segundo ele, a Alerj não teria competência para modificar o domínio de um bem municipal. Mesmo assim, sua base legislativa liderada pelo presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), conseguiu reverter o veto.

Opinião: ‘Do Recôncavo à Sapucaí: Beija-Flor prepara um carnaval de corpo e espírito’

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Fotos: Divulgação/Beija-Flor

A Beija-Flor de Nilópolis vai voltar à Sapucaí em 2026 com a responsabilidade de quem carrega a faixa de atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Para isso, ela vai transformar o desfile em um ato de fé, memória e resistência. O enredo “Bembé” mergulha fundo em uma das mais poderosas expressões da cultura afro-brasileira, o Bembé do Mercado, celebração do Candomblé realizada há mais de 130 anos em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano.

O título do enredo não poderia ser mais certeiro. “Bembé”. Uma palavra só, curta, mas com uma força ancestral imensa. Quem conhece, sente imediatamente a vibração. Quem não conhece, sente o chamado para saber mais. “Bembé” não precisa de explicação longa. Carrega o peso e a beleza de uma tradição que atravessou séculos enfrentando preconceito, intolerância e silenciamento.

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Mas a Beija-Flor não ficou apenas na ideia. Foi além. O carnavalesco João Vitor Araújo e integrantes da escola foram até Santo Amaro. Estiveram lá, ouvindo histórias, sentindo o chão, compartilhando do axé. Em uma Era em que o carnaval se reconecta com as raízes do povo, essa escuta, esse gesto de respeito, faz toda a diferença. Traz para a narrativa não só consistência, mas verdade.

Beija-Flor celebra receber carta do Iphan em reconhecimento ao ‘Bembé’ ser enredo para o Carnaval 2026

A sinopse apresentada é quase um convite à emoção. Nos leva entre balaios de flores, perfumes, oferendas às águas e tambores de xirê que chamam os Orixás. O mercado vira terreiro. A rua, templo. O povo preto, protagonista da própria história. A escola promete um desfile que deve emocionar não apenas pelo impacto visual, mas pela alma. Porque o Candomblé não apenas sobreviveu: ele ocupou espaços e construiu caminhos de pertencimento no meio da cidade, no meio da vida.

E é disso que o carnaval também precisa falar. Do Brasil real, profundo, que nem sempre cabe nos livros de história, mas pulsa forte nos terreiros, nos batuques, nas festas de rua. Transformar o “Bembé” em enredo é um gesto potente, simbólico. É dar luz a uma herança cultural que ainda hoje sofre com o preconceito. É dizer, em plena Marquês de Sapucaí: essa fé é nossa, esse canto é nosso, essa rua também é nossa.

Beija-Flor inaugura escola mirim oficial: nasce o ‘Sonho do Beija-Flor’

A Beija-Flor mostra que carnaval não é só brilho e pluma. É espaço de afirmação, é ferramenta de resistência. Em tempos tão marcados por intolerância religiosa e racismo estrutural, ver a atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro exaltar um culto ancestral negro, coletivo, pulsante, é mais do que arte: é ato político. E necessário.

PodCARNAVALESCO RJ: veja o programa com Marquinho Marino e João Vitor