O deputado estadual Dionísio Lins (Progressistas) reforçou nesta segunda-feira a defesa de sua proposta para que 15 escolas de samba desfilem na Marquês de Sapucaí a partir do resultado de 2026. Após a manifestação de João Drumond, diretor financeiro da Liesa, o parlamentar afirmou estar aberto ao diálogo, mas garantiu que não abrirá mão do projeto. Ao mesmo tempo, anunciou que apresentará na Alerj um projeto de lei que reconhece a Liesa e as demais ligas carnavalescas como Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro.
“Recebi com naturalidade as colocações, mas volto a reafirmar: não abro mão de que os próximos desfiles da Marquês de Sapucaí contem com 15 escolas. Dizer que os barracões que estão vazios servem apenas para guardar material das agremiações é, no mínimo, imprudente. Se precisam de mais espaço, que façam como sempre foi feito: construam um puxadinho na frente de seus barracões, o que em nada atrapalhará”, declarou Dionísio.
O parlamentar também destacou que apresentará nesta terça-feira, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), um projeto de lei para reconhecer como Patrimônio Cultural a Liesa e as ligas que representam as escolas da Série Ouro, Prata e a Superliga RJ. Segundo ele, a medida busca reforçar o caráter democrático do Carnaval.
“Queremos cada vez mais preservar o Carnaval. Ele precisa deixar de ser voltado somente para a elite e turistas do mundo inteiro. O Carnaval nasceu do povo e para ele deve ser direcionado, valorizando escolas tradicionais e garantindo oportunidades para que todas tenham chance de desfilar no Templo do Samba, a Sapucaí”, afirmou.
A Unidos do Porto da Pedra prepara um desfile histórico para o Carnaval 2026. Com o enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite”, desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes e o enredista Diego Araujo, a escola de São Gonçalo levará para a Marquês de Sapucaí uma homenagem às profissionais do sexo, destacando suas histórias de resistência, protagonismo e humanidade. Entre as presenças confirmadas no desfile está a atriz e influenciadora Elisa Sanches, que virá em um dos carros alegóricos da vermelho e branco. Reconhecida nacionalmente, ela soma nove anos de carreira na cena adulta e oito troféus Sex Hot. Fora das telas, já participou de projetos como Mansão Maromba, da série Arcanjo Renegado (Globoplay), além de clipes de artistas como MC Ryan SP e Anderson Neiff. Atualmente, atua também como digital influencer, criadora de conteúdo e performer de shows de stripper.
Elisa ressaltou a importância de estar em um enredo que discute um tema social de forma tão direta. “Pra mim é uma honra desfilar numa escola que abraça um tema de tanta força. Meretrizes são mulheres de garra, de luta, de independência, muitas vezes mães. São histórias reais que mostram que, por trás de qualquer personagem, existe uma mulher comum, dona de casa, trabalhadora, com sonhos e fragilidades. O desfile é uma oportunidade de mostrar essa verdade e levar dignidade a muitas histórias. Pra mim é uma conquista poder fazer parte desse momento e agradeço à escola por me dar essa chance tão especial”, declarou.
Aos 44 anos, Elisa celebra uma nova fase da carreira, em que também se consolida como criadora do Privacy e figura influente nas redes sociais. Sua presença no desfile reforça a proposta da Porto da Pedra de dar visibilidade e reconhecimento a trajetórias que, muitas vezes, permanecem à margem da sociedade.
João Drumond, diretor financeiro da Liga. Foto: Reprodução de internet
Diante da polêmica sobre a possível existência de dois barracões vagos na Cidade do Samba, João Drumond se pronunciou em vídeo para esclarecer a situação e defender a gestão da Liesa. Segundo ele, todos os 14 barracões estão atualmente em uso, e a discussão sobre o tema precisa levar em conta a evolução do carnaval carioca.
Drumond argumenta que o carnaval de hoje não é o mesmo de 2005, ano em que a Cidade do Samba foi entregue. “O carnaval cresceu muito e as escolas não têm mais espaço dentro dos seus barracões”, explicou. Ele afirma que os espaços tidos como “vagos” foram, na verdade, ocupados pelas próprias agremiações para viabilizar a continuidade do crescimento do espetáculo. “Isso não tem relação nenhuma com o número de escolas”.
O debate sobre o regulamento: mais escolas, menos qualidade?
A discussão sobre a ocupação dos barracões está diretamente ligada ao debate sobre a quantidade de escolas no Grupo Especial. Atualmente, o regulamento prevê 12 agremiações, mas a proposta é para aumentar esse número. Drumond é enfático ao afirmar que uma mudança como essa exige mais do que discursos. “Para mudar isso, gente, é preciso estrutura e recurso. Não adianta ter só discurso”, declarou.
Para o diretor, um aumento no número de escolas sem o devido investimento pode levar a um cenário preocupante, segundo o diretor financeiro da Liesa: “A gente vai ter um grupo maior em quantidade de escolas, mas com uma qualidade artística inferior”.
Um motor econômico de R$ 5 bilhões
O diretor financeiro da Liesa rebateu a ideia de que o carnaval é um “gasto”, defendendo-o como um “investimento” de grande retorno para a cidade e o estado. Ele citou dados expressivos para corroborar sua afirmação: “Só esse ano, na nossa cidade, durante o período do carnaval, foram movimentados 5 bilhões de reais”.
Drumond também destacou o impacto no setor de turismo, mencionando uma ocupação de 99% na rede hoteleira e a venda de ingressos para 160 países. “Repito, não é gasto, é investimento. E o poder público pode e deve contribuir ainda mais com o nosso espetáculo”, disse.
Apelo por dignidade e um olhar para o acesso
Ao final de sua fala, João Drumond fez um apelo emocionado por mais atenção e carinho com os grupos de acesso do carnaval. Ele pediu que o poder público olhe com mais cuidado para a “Cidade do Samba 2” e para as escolas que desfilam na Intendente Magalhães.
“Cenas como a desse ano (incêndio na fábrica que afetou Império Serrano, Ponte e Bangu) não podem voltar a se repetir. É preciso dar dignidade para aqueles que trabalham, que fazem a nossa festa acontecer”, clamou o diretor. Ele finalizou reforçando o desejo da Liesa por um espetáculo cada vez maior e mais bonito, com a valorização do sambista, mas ressaltou que para isso “não bastam palavras bonitas, tem que ter conhecimento de causa”.
Das temáticas mais celebradas do carnaval de São Paulo em 2026, “A Bruxa Está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, enredo assinado pelo carnavalesco David Eslavick e pelo enredista Thiago Morganti, ganhou, oficialmente, o samba-enredo para desfilar na Colorado do Brás. Segunda escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial (não por acaso, uma sexta-feira 13), a canção da escola foi apresentada à comunidade e ao mundo do samba pela primeira vez neste domingo (24 de agosto), na Associação Portuguesa de Desportos, no bairro do Canindé, e tem assinatura de Léo do Cavaco, Thiago Meiners, Cláudio Mattos, Sukata, André Valencio, Vitor Roblanco e Tubino. Com muito investimento em dança, arte e teatralização, o evento teve a presença do CARNAVALESCO, que traz a palavra de importantes nomes da escola do Centro de São Paulo.
Desde quando foi anunciado, o enredo da Colorado do Brás para 2026 chamou atenção pela originalidade. Tal característica foi, à priori, um desafio para os compositores – mas, depois, eles identificaram o quanto as bruxas engrandeceram a canção. Léo do Cavaco, um dos compositores da obra e intérprete da instituição, explica: “Confesso que para gente foi um desafio, mas no bom sentido. Na minha concepção é um grande enredo, completamente diferente de tudo que a gente vinha experimentando aqui na escola”, comentou.
A internet, novamente, foi uma grande aliada dos compositores, de acordo com Léo: “Foi um processo tranquilo, é a mesma parceria do ano passado. Entraram mais dois parceiros esse e fizemos os sambas em duas, três reuniões online, porque uma parte da parceria mora no Rio, eu estou em São Paulo e tem o Tubino que é de Porto Alegre. A escola deu todo o respaldo e acho que o resultado ficou maravilhoso”, destacou, aproveitando já para falar da dinâmica de criação da composição.
André Valêncio, outro compositor da parceria, celebrou o resultado final e a confiança da escola nos autores: “É uma parceria grande, graças a Deus! A gente fica feliz de a escola acreditar nas nossas composições. É um trabalho que vem sendo feito há um tempo. Nós fazemos os sambas da Colorado há alguns anos, também já disputamos e tivemos derrotas e vitórias. A escola confiou na nossa capacidade e deu essa oportunidade para a gente. É uma obra linda que todos saíram felizes”, comentou.
O desafio de escrever um samba-enredo sobre bruxas também foi descrito por André: “Já teve outros temas de terror no Rio de Janeiro – que foram aclamados, inclusive. Quando você foge um pouco dos temas afro dos temas ou mais religiosos, é um desafio maior – mas a gente se identificou bastante e conseguimos fazer uma obra bem bacana”, comemorou.
Preferências e ajustes
Para Léo do Cavaco, estar na composição e no microfone principal da agremiação ajuda o carro de som da Colorado do Brás: “Ser um dos compositores ajuda muito na questão de poder já construir o samba para a minha voz. Não que se tivessem eliminatórias não daria certo, porque também aparecem grandes sambas. Mas, nesse caso, a gente faz pensando não só na escola, mas para eu cantar em uma região que seja confortável e para não ter que mudar muito o jeito de trabalhar a obra”, comentou.
O compositor e intérprete aproveitou para falar qual a parte favorita dele do samba-enredo: “Eu gosto do samba inteiro, acho que é um samba muito forte, mas eu tenho certeza que o refrão vai pegar bastante. ‘Vem ver, vai ferver o caldeirão, tem magia nesse chão, onde a bruxa é rainha, Rio Vermelho é fogo de enfeitiçar pra Colorado afastar as armadilhas’. Acho que isso vai grudar na comunidade e no povo do samba”, comentou.
Mais que satisfação
Nada mais natural que a encomenda do samba-enredo traga felicidade para a escola que efetuou tal ação. Em relação à canção da Colorado do Brás para 2026, porém, os compositores foram além. Jairo Roizen, um dos diretores de carnaval da agremiação, explica: Esse é meu décimo carnaval na Colorado e eu sempre fiquei feliz com os nossos sambas. Mas esse é diferente e especial. Ontem, quando o Léo me mandou a versão final da gravação, aconteceu algo que não ocorria comigo há muito tempo: eu chorei ouvindo”, emocionou-se o dirigente.
De acordo com o diretor, inclusive, há uma semelhança entre a temática e a agremiação: “Estou com uma expectativa muito alta para esse carnaval, e para o que esse samba vai proporcionar para a história da Colorado do Brás. É uma agremiação tradicional de 50 anos, mas que passou por momentos não muito bons. Já teve momentos de ser injustiçada e ser caçada, como se fosse uma bruxa. Já ouvi pessoas perguntando como a Colorado chegou em tal colocação ou até mesmo quem era a escola, mas esse samba vai proporcionar algo diferente para a história dessa escola de 50 anos”, refletiu.
Sintonia
Antônio Carlos Borges, popularmente conhecido como Ká, presidente da Colorado do Brás, destacou o compositor que também faz parte do corpo da agremiação para elogiar a obra: “Eu gostei muito desse samba, o Léo teve a delicadeza de, mais uma vez (porque no ano passado já tinha sido assim), ter a percepção, o cuidado, o carinho e me ouviu. Os erros pontuais que eu destaquei foram abraçados e respeitados. Por mais que eu não seja compositor, eu sou sambista, tenho ouvido e ele respeita muito esse meu lado”, revelou.
Como não poderia deixar de ser, o principal mandatário da escola aposta na obra: “É um samba que vai crescer muito. Esse pontapé foi dado e pode esperar que vai ser muito funcional e vai ter uma repercussão muito legal. Eu tenho certeza absoluta”, destacou.
Mais elogios
Outros nomes importantes da agremiação elogiaram a obra da escola. David Eslavick, carnavalesco da instituição, tinha altas expectativas – e todas elas foram cumpridas: “Eu estava muito ansioso pelo samba. Acho que deveria ser uma obra que me arrepiasse, que mexesse comigo e que eu pudesse realmente identificar que estava passando tudo que eu queria contar na avenida. Graças a Deus eles conseguiram alcançar tudo com uma riqueza de detalhes. Os compositores tiveram a felicidade de retratar fielmente como será a nossa história. Eu estou curtindo demais. É um samba que vai mexer com todo mundo, assim como mexeu comigo”, comemorou.
Responsável pela Ritmo Resposta, bateria da agremiação, mestre Acerola de Angola destacou as vantagens que a ausência de eliminatórias traz para a escola de samba: “Mais um ano com o samba muito bom. Parece que a escola aderiu ao processo de fazer o samba fechado – que a gente chama de encomendado. Ficou muito legal, é o que a gente gosta e é o que a gente quer. Faz de novo, mexe na letra para ficar cada vez melhor… o samba ficou do jeito que a gente queria! Pode esperar que a Colorado do Brás vai ter uma das melhores obras do carnaval”, finalizou.
Atrações diversas
Com almoço servido entre 13h (horário em que os portões na Portuguesa foram abertos) e 16h, o evento teve dois shows para esquentar a comunidade. Primeiro, o cantor sertanejo Cícero Lima; depois, o grupo de pagode Amigos da Colorado – com Ká, presidente da agremiação, no vocal e no tantã.
O show da bateria começou logo na sequência, com o esquenta da Ritmo Responsa – bateria da agremiação. Alguns novos nomes de impacto na agremiação também foram apresentados: Fabi Frota, nova musa e destaque da escola, foi uma delas. Depois, a nova corte da bateria, com Talita Guastelli como rainha e Bruna Costa como madrinha, também foi apresentada. Ao som de grandes sambas da agremiação, segmentos como o quadro de casais de mestre-sala e porta-bandeira e passistas se apresentaram.
Ao longo de todo o evento, chamou atenção a quantidade de momentos em que a Colorado do Brás apostou na arte para entreter e se fazer compreendida. O ponto alto de tal ato foi o anúncio do samba-enredo – que teve, de maneira integrada, uma apresentação na temática da agremiação, repleta de bruxas, inteiramente concebida por Paula Gasparini, coreógrafa da comissão-de-frente da agremiação.
A encruzilhada da Ipiranga com a Avenida São João fez bater mais forte o coração da Nenê de Vila Matilde, que realizou uma final de samba-enredo memorável no último domingo, em preparação para o Carnaval de 2026. A obra que apresentará o enredo “Encruzas: Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo” foi composta pelos autores Leandro Neguinho, Victor Rangel, Guerra, Deco, Herval, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Gigi da Estiva e Rene Barbosa. A final aconteceu exatamente no local que inspira o enredo, em um palco montado em frente ao clássico Bar Brahma, que teve participação ativa na organização do evento. A parceria da Nenê de Vila Matilde com o bar busca contar a história do “coração” de São Paulo no Anhembi.
A comunidade da Zona Leste marcou presença no centro da capital e vibrou essa união como se estivesse em sua própria quadra. A escola apresentou seu tradicional repertório, com a participação de seus segmentos e a presença especial do lendário intérprete Baby. A festa da Azul e Branco também contou com a participação da coirmã Vai-Vai, que abriu a noite em uma demonstração de harmonia entre dois dos mais tradicionais pavilhões da folia paulistana. As três parcerias finalistas se apresentaram por meia hora cada, diante não apenas de suas torcidas, mas também de um público que foi se juntando para viver uma experiência única no coração de São Paulo. O CARNAVALESCO conversou com representantes do projeto da Nenê de Vila Matilde para 2026, trazendo um panorama sobre o hino escolhido e o que o mundo do samba pode esperar neste ciclo.
Homenagem a São Paulo na caneta carioca
A parceria vencedora, de número 77 no concurso, é inédita no carnaval de São Paulo. Os compositores cariocas ousaram ao criar uma obra que homenageia a capital do outro lado da Via Dutra. Um dos responsáveis pela construção da obra, Jonathan Tenório, celebrou a vitória: “É uma felicidade enorme ter ganhado essa disputa, principalmente por ser meu primeiro ano como compositor e o primeiro ano dessa parceria no carnaval de São Paulo”.
Herval Neto, outro integrante do grupo, destacou o trabalho coletivo e dedicou a conquista à mãe: “Cada integrante da parceria colaborou um pouco. Nós temos um grupo que faz samba para algumas escolas e é a primeira vez que estou colocando samba aqui na Nenê, na verdade é a nossa primeira vez em São Paulo. É uma felicidade incrível e eu queria dedicar essa conquista para minha mãe, que sofreu um acidente nesta quinta-feira. Essa vitória é para ela”.
Maior rigor em busca da nota máxima
Considerando as notas do último carnaval, o carnavalesco Danilo Dantas ressaltou a importância do processo de escolha do hino que embalará a Águia da Zona Leste em 2026:
“Com o critério de julgamento cada vez mais rígido em São Paulo, não temos muita escolha senão encontrar o samba que mais se adequa ao enredo, tanto na melodia quanto, principalmente, na letra. Ano passado fomos penalizados nesse quesito, então tivemos muito cuidado. Das pessoas que analisaram, todas ligadas à direção da escola, esse foi o samba mais escolhido. Como carnavalesco, tenho que respeitar a decisão da escola”.
Ele também destacou como a obra se encaixa no processo de montagem do desfile: “Acho que esse samba já captou de imediato o espírito do enredo. Quando fala da mais famosa esquina do país, quando cita a Sampa, quando exalta São Paulo, a maior cidade do país, ele se conecta diretamente com o meu desfile. Na verdade, é um complemento: samba e enredo caminham juntos para dar certo”.
Para 2026, a Nenê aposta em uma nova voz para liderar o time de canto. O intérprete oficial Alessandro Tiganá comentou sobre sua estreia e o contentamento com o hino escolhido:
“Eu só tenho a agradecer e dizer à comunidade que não vai faltar empenho e dedicação. Se tiver que dar cambalhota na Avenida, eu vou dar para que tenhamos sucesso e o resultado desejado. Quanto ao samba para 2026, podem ter certeza de que darei o máximo. O samba 77 foi o campeão e é o que a comunidade escolheu. Não podemos entregar menos do que ela exige. A obra conta lindamente o enredo proposto pelo nosso carnavalesco e vamos com tudo para o Anhembi”.
Sonho de voltar ao Grupo Especial
O presidente Rinaldo Andrade, o Mantega, falou sobre a importância do quesito samba-enredo e a esperança da Nenê de Vila Matilde em retornar à elite do carnaval paulistano:
“A Nenê tem feito carnavais incontestáveis e, no último, fomos mal julgados justamente no samba-enredo. Se não fosse isso, estaríamos no Grupo Especial. Mas estamos lutando. O que faremos? Um grande carnaval novamente. Vamos apresentar um desfile bem defendido, dentro dos critérios de julgamento, e torcer para não errar. As escolas entram com nota 10 e vão perdendo ao longo do desfile. Nossa meta é não errar, fazer um grande espetáculo e sermos campeões, respeitando as demais escolas. O carnaval de São Paulo está em alto nível, muito competitivo, e esperamos alcançar a vitória”.
O dirigente também explicou a dinâmica da escolha do hino: “Nós temos um grupo de diretores que entende os critérios de julgamento. Em um concurso de samba-enredo, letra e melodia precisam estar adequadas ao enredo. Esse samba se mostrou mais alinhado, na minha opinião e na da maioria da diretoria. Não houve acordo, foi direto: pega a pasta, vê o resultado e acabou. Todas as alas e setores da escola estiveram representados. Foi o samba que escolhemos, e é com ele que vamos para a Avenida”.
Uma história que se confunde com a própria escola. Assim pode ser definida a trajetória de Amanda Omin, de 23 anos, anunciada como a nova musa da comunidade do Acadêmicos do Salgueiro. Em uma conversa emocionante com o CARNAVALESCO, a estudante de Direito, que está no sétimo período da faculdade, revelou que o convite, recebido pessoalmente na última segunda-feira, foi uma “grande surpresa”. Cria na escola mirim “Aprendizes do Salgueiro”, Amanda fincou suas raízes na vermelho e branco aos 10 anos de idade, em 2011. Ela credita sua formação como sambista ao coreógrafo Carlinhos, a quem se refere com imenso carinho. “Foi o mestre que me lapidou, me montou. Ele me ensinou a gostar de mim, da minha personalidade”, relembrou.
A paixão pelo carnaval, no entanto, vem de berço. Embora sua família não seja de sambistas, a grande inspiração veio da avó, Solange Barcelos da Silva. “Minha avó sim, foi a única. Ela sempre priorizou, sempre levou a gente para o Salgueiro. Eu era a neta que morava com ela, ela começou a perceber essa sensibilidade. Foi ela quem me apresentou o Aprendizes”, contou Amanda, citando a avó como sua primeira referência de “mulher sambista”.
Questionada sobre o que define uma verdadeira musa da comunidade, Amanda foi enfática ao destacar qualidades que vão além da beleza e do samba no pé. “Eu acho que além de humildade e amor à escola, eu acredito que tem que ter personalidade. O que eu posso oferecer? Eu quero me doar, quero ser útil para a minha escola. Quero ajudar minha comunidade de alguma forma, seja com as crianças, para quem já dei aula, seja de outra forma. Acima de tudo, eu quero servir”, afirmou.
Estar em uma escola conhecida por atrair muitas celebridades não a intimida. Pelo contrário, Amanda se sente em casa, literalmente. “A ficha não caiu, confesso! Mas aqui é a minha casa, eu digo que é meu quintal. Eu passo muito tempo aqui, faço parte do projeto, eu treino. Eu fico com os pés no chão. Acredito que será só alegria, como sempre foi em todos esses anos”, garantiu.
A nova musa reforçou a tradição do Salgueiro como um verdadeiro formador de talentos no mundo do samba. “Eu sou suspeita para falar do meu mestre, das meninas que são referências. Mas o Salgueiro, sim, ele forma mulheres maravilhosas, musas, rainhas. E eu vim parar aqui desde 2011, e só tenho que agradecer”, concluiu. Com a força de sua história e a benção de seus ancestrais, Amanda assume o posto para mostrar que o maior brilho de uma estrela salgueirense vem de dentro da própria comunidade.
A União do Parque Acari, escola de samba integrante da Liga RJ, acaba de anunciar um reforço de peso para a sua equipe no próximo carnaval. A agremiação terá como nova porta-bandeira o talento de Amanda Poblete, de 28 anos, que assumirá a missão de defender o pavilhão da escola na Avenida. Ela entra no lugar de Laís Lúcia.
Licenciada em Educação Física e especialista em Dança e Consciência Corporal, Amanda soma 16 anos de trajetória no carnaval carioca, marcados pela técnica refinada e pela dedicação ao ofício. Sua estreia na Marquês de Sapucaí aconteceu precocemente, aos 12 anos, como segunda porta-bandeira do Sereno de Campo Grande.
Desde então, construiu uma carreira sólida, passando por importantes agremiações, como Viradouro, Vila Isabel, Paraíso do Tuiuti, União da Ilha do Governador, São Clemente, Renascer de Jacarepaguá, Difícil é o Nome e Unidos de Padre Miguel.
Reconhecida pela elegância e pelo talento na condução do pavilhão, Amanda acumula uma extensa lista de premiações no Carnaval do Rio de Janeiro. Com a chegada de Amanda Poblete, a União do Parque Acari reforça sua equipe de destaques para a disputa de 2026 e renova as expectativas da comunidade para uma apresentação memorável na Sapucaí.
A paulista Maria Eduarda Fraga, de 27 anos, nascida e criada na periferia de São Paulo, formada em Direito, modelo e rainha de bateria do Vai-Vai, fará sua estreia no Carnaval carioca em 2026 como musa da Unidos do Viradouro. Madu Fraga, como é mais conhecida, é filha de Eduardo Damatta, que já presidiu a ala de compositores do Vai-Vai. A beldade é nascida e criada dentro da escola paulistana, já tendo brilhado no Sambódromo do Anhembi como componente de ala, composição e destaque de carro alegórico e como musa, antes de se tornar rainha dos ritmistas em 2024.
Apaixonada pelo Carnaval do Rio de Janeiro desde criança, Madu sempre acompanhou os desfiles pela televisão e, de uns anos pra cá, também pelas redes sociais. Em 2025, teve sua primeira experiência presencial na Marquês de Sapucaí, assistindo ao Desfile das Campeãs, que ela descreve como um momento mágico que confirmou ainda mais sua paixão pela festa carioca. Ela também fala sobre a sensação que teve quando pisou na escola pela primeira vez e recebeu o convite pro desfile.
“Em dezembro do ano passado, me encantei com a energia que senti quando estive na quadra pela primeira vez, num ensaio de comunidade. Recebi o convite pra fazer parte da escola, o que me deixou surpresa e bastante honrada. Senti que minha estreia no Carnaval carioca tinha que ser na Viradouro. Sei que, em alguns momentos, conciliar as agendas das duas escolas pode não ser fácil, mas a paixão que eu tenho pelo samba vai facilitar tudo”, garante ela.
A apresentação oficial de Madu Fraga à comunidade da Viradouro será no dia 6 de setembro, com direito a show do Vai-Vai na quadra da escola de Niterói.
O Salgueiro viveu mais uma noite de eliminatória de sambas-enredo para o Carnaval 2026, neste último sábado. Nove sambas se apresentaram retratando a homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, e a marca da noite foi o equilíbrio na disputa. Três obras tiveram desempenho mais destacado, com total nivelamento entre elas. O CARNAVALESCO analisa abaixo o desempenho de cada samba que passou pela quadra.
Parceria de Paulo César Feital: A parceria de Paulo César Feital, Ian Ruas, Benjamin Figueiredo, Luiz Fernando, Márcio Pessi, Zé Carlos, Vagner Alegria, Dredi, Bruno Papão e Igor Leal abriu a disputa da noite com Leonardo Bessa à frente do samba. A obra contou com uma torcida afiada, que cantou o samba com bastante garra em todas as passadas. O destaque da apresentação foi o refrão central: “No reino do faz de contas, impérios a descobrir, o nosso samba, minha gente, é isso aí. Bailam princesas em melodias no ar, giram louças e bailarinas, um leque de cores tão genial da professora do Carnaval”. A segunda parte é mais protocolar, mas o último verso, com o bis “Salgueiro, vai ser impossível não se emocionar”, impulsiona bem o refrão de cabeça. Uma apresentação competente.
Parceria de Gui Salgueiro: Guto defendeu o samba de Guilherme Salgueiro, Mônica de Aquino, Marcão Campos, Carlos Ferrão, Geraldo da Valda, Fábio Teixeira, Dennis Garcia, Julio James, Eugênio Leal e Nego Martins com categoria, valorizando a melodia que passeia em bonitas variações, principalmente na primeira parte, que acompanha versos bem construídos como “Seguindo com o vento vai menina flor, banquete de cultura e beleza, conquista a coroa da nobreza, fez brilhar a rainha, o reizinho e a princesa”. O refrão de cabeça, de fácil assimilação, explodiu no canto da torcida que compareceu à quadra, completando uma robusta apresentação.
Parceria de Bernardo Nobre: O samba de Bernardo Nobre, João Moreira, John Bahiense, André de Souza, Jorge Silva, Alfredo Poeta e Vitor Lajas foi cantado por Chicão e teve uma passagem regular, sem grandes quedas de desempenho, mas também sem causar maior impacto. O samba tem boas passagens, como o bis da segunda parte “Salgueiro, à herdeira da revolução, presta sua homenagem, filha desse chão”, mas peca em alguns trechos por versos genéricos, sem assimilação direta com a carreira de Rosa, como no refrão central “Um oceano de histórias desbravei, por mundos distantes naveguei, os mitos e lendas floreiam a vida no meu caminhar, e sigo a cantar”. A torcida da obra sustentou o canto durante a maior parte da apresentação.
Parceria de Serginho do Porto: Serginho do Porto defendeu o samba de sua parceria com Sereno, Maurício Dutth, Chacal do Sax, Leandro Thomaz, Mário Carvalho, Claudio Gladiador, Telmo Augusto, Josy Ferreira e Cleo Augusto William Ramos. A obra aposta em menos citações diretas aos carnavais criados por Rosa Magalhães, exceto no refrão central: “E nesse faz de conta, te levo a viajar, mas se o pirata apronta, não há moinho que eu não possa enfrentar. Eu visto a fantasia, realidade que ainda vive em mim. O samba me leva pra qualquer lugar, é só dizer pirlimpimpim”. Na segunda parte, é lembrada mais a Rosa idealista e revolucionária do que a artista. A apresentação não segurou o pique durante todas as passadas, tendo ligeira queda na final.
Parceria de Marcelo Adnet: A obra de Marcelo Adnet, Gustavo Albuquerque, Babby do Cavaco, André Capá, Bruno Zullo, Marcelinho Simon, Rafael Castilho, Luizinho do Méier, Igor Marinho e Fabiano Paiva teve Wander Pires no comando. Foi o primeiro samba da noite a esquentar mais a quadra, não apenas pela torcida da obra, que compareceu em bom número, mas também por integrantes de segmentos da escola, como a velha guarda. O refrão de cabeça passou com muita força: “Deixa meu povo festejar, lembra, sou eu… o seu Carnaval. No meu jardim quem te viu primeiro, ó linda Rosa, foi o morro do Salgueiro”. O refrão central, menos poético, juntou trechos de sambas presentes em grandes desfiles assinados pela homenageada. Uma melodia bem amarrada contribuiu para uma bela apresentação, apesar de alguns versos não traduzirem com exatidão a proposta do enredo, como “O seu samba é de maré, que abre caminhos, força de mulher. Encontra o destino em delírio profundo, no arrastão da esquina do mundo”.
Parceria de Marcelo Motta: Tinga e Pitty de Menezes comandaram o samba da parceria de Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico. O samba descreve o processo de surgimento do lado artístico de Rosa Magalhães e o legado de seu trabalho para a nova geração de carnavalescos, incluindo Jorge Silveira, autor do enredo, sem retratar diretamente o universo dos enredos criados por Rosa. Uma interpretação do enredo que resultou num samba bonito e com um refrão de cabeça nostálgico: “Olelê, eis a flor dos amanhãs, a décima estrela brilha em Rosa Magalhães. Onde o samba é primavera, que floresce em fevereiro, nem melhor, nem pior, Salgueiro”. Entretanto, causa estranheza em alguns momentos pela condução mais particular do enredo em relação aos demais sambas. A apresentação foi irregular, com ritmo forte nas duas primeiras passadas e queda nas duas últimas, mesmo com um palco de peso e uma torcida numerosa.
Parceria de Xande de Pilares: O samba da parceria de Xande de Pilares, Fred Camacho, Betinho de Pilares, Renato Galante, Miguel Dibo, Jorginho via 13, Jefferson Oliveira, Jessa, João Diniz e W Corrêa teve Evandro Malandro e Charles Silva nos microfones principais. O samba tem uma primeira parte bem construída sobre o enredo e o universo de criação da carnavalesca. Peca, entretanto, na segunda parte, pela melodia corrida em alguns versos, o que prejudica a fluidez. O refrão de cabeça faz mais alusão ao salgueirense do que à homenageada: “À Rosa imortal, a poesia, é teu o Carnaval da academia. Não há argumento que negue o fato: eu sou Salgueiro e fim de papo”. Funcionou, no entanto, para o canto da torcida e de outros presentes na quadra. No geral, foi uma boa apresentação, com rendimento estável e sem quedas, muito pelo ótimo desempenho dos intérpretes.
Parceria de Moisés Santiago: A parceria de Moisés Santiago, Pedrinho da Flor, Gilmar L. Silva, Leonardo Gallo, Orlando Ambrósio, Zeca do Cavaco, Alexandre Cabeça, Bruno Dallari, Marquinho Bombeiro e D’Miranda teve Ito Melodia e Tem Tem Jr. como intérpretes principais. O samba aposta em dois refrães de letra fácil, que renderam uma apresentação animada, principalmente o refrão de cabeça: “Balança a roseira, ferve o caldeirão, avenida inteira marejada de emoção. Lá vem Salgueiro no perfume das manhãs, raiz de Rosa Magalhães”. A segunda parte mantém essa estrutura mais alegre, com uma alusão ao desfile de 2005 da Imperatriz sobre Hans Christian Andersen, um dos trabalhos mais leves de Rosa Magalhães. O samba se sustentou muito bem em todas as passadas, inclusive no canto da torcida, deixando o palco como destaque da noite.
Parceria de Rafa Hecht: A parceria de Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Jeffer, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira e Deco apresentou um samba defendido por Marquinho Art Samba e Leonardo Bessa, que teve a maior sinergia entre palco e torcida na noite. A apresentação começou com o trecho “Mestra, você me fez amar a festa, e eu virei carnavalesco, sonhei ser Rosa, te faço enredo. Mestra, você me fez amar a festa, tantos alunos por aqui, segue o legado da Sapucaí”, cantado apenas pela torcida e depois acompanhado pelos intérpretes. A letra traz grande inspiração ao retratar o universo criado por Rosa Magalhães e o Brasil desbravado pela professora, tudo muito bem concatenado, como nos versos “Nas prateleiras do lado de cá do Equador, devorei a nação. Andar na Ouvidor virou caso de amor pro meu coração”. Um samba que captou a essência de Rosa Magalhães e apostou em soluções poéticas, resultando em uma apresentação menos explosiva, mas de muita qualidade, sendo outro destaque da noite e fechando a rodada em grande estilo.
A Estação Primeira de Mangueira escolheu, na madrugada deste sábado para domingo, no Amapá, o samba-enredo do estado que fará parte da final da disputa do hino da escola para o próximo Carnaval. A composição Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior e Marcelo Zona Sul levou a melhor entre os participantes. A disputa entre os seis sambas inscritos foi transmitida ao vivo pelo YouTube da Mangueira.
“É muito bonito e potente ver a entrega do povo do Amapá ao nosso enredo, ao carnaval, ao samba”, declarou a presidente Guanayra Firmino. “Penso que essa energia diferente que experimentamos aqui tem a ver com a ancestralidade”, declara ela, referindo-se à história do estado e à forte presença de negros escravizados na região.
Cada samba teve direito a três passadas, duas delas com a bateria formada inteiramente por ritmistas locais. Sob o comando dos mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão, cem ritmistas tiveram a oportunidade de compor a bateria Verde e Rosa durante alguns ensaios e uma noite. As parcerias vencedoras vão receber uma ajuda do governo do Estado para financiar os custos da disputa que será realizada no Palácio do Samba, na tradicional quadra da Mangueira.
Apresentações de grupos locais e um show da cantora Karinah, musa e madrinha do programa social da escola e da própria agremiação também fizeram parte da programação que parou a cidade de Macapá.
A Mangueira recebeu 22 sambas concorrentes, sendo 16 do Rio de Janeiro e 6 do Amapá. Todas as obras estão disponíveis no canal oficial da agremiação no YouTube, com as respectivas letras e compositores. O calendário completo e demais informações estão disponíveis nas redes sociais da Verde e Rosa.
A Estação Primeira de Mangueira levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026 o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, que mergulha na história afro-indígena do extremo Norte do país a partir das vivências de Mestre Sacaca. O desfile é desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França e dá início ao triênio do centenário da agremiação.
De origem negra e indígena, cernes da formação do Amapá, Raimundo dos Santos Souza, personagem central da Verde e Rosa, apresenta os encantos que viveu no seu território. Ao ser apelidado como Sacaca, uma titulação xamânica, ele navegou pelos rios que cruzam a região Norte do Brasil, entrando em contato com diferentes populações tradicionais.
Mestre Sacaca tornou-se um personagem brasileiro de profundos saberes sobre o manuseio de ervas, seivas, raízes e elementos que compõem a Amazônia Negra amapaense. Utilizava seus conhecimentos no tratamento de doenças e do cuidado comunitário por meio de garrafadas, chás, unguentos e simpatias. Por isso, também ficou conhecido como “doutor da floresta” em diferentes cidades das terras Tucujus – expressão oriunda de um grupo indígena que habitava essa região, e que atualmente é utilizada para se referir ao povo desse estado.
Seguem os sambas-enredo vencedores da etapa do Amapá
SAMBA nº103
Compositores: Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior, Marcelo Zona Sul
Intérpretes: Verônica dos Tambores, Nina Rosa, Juan Briggs
Sacaca escutei uma voz
Era você, no meio de nós
Eu sou mangueira, na magia da floresta
A sabedoria que respeita a terra
O vento sopra o transe do pajé
Rompe a meia-noite, é ritual turé
Fumaça de tawari, o xamã babalaô
Num gole de kaxixi encantos revelou
Maré me leva nas águas do curipi
De quem sempre esteve aqui, waiãpis e caripunas
Pelo jari, esperança em cada olhar
Ribeirinho nunca deixa de sonhar
Entre os furos e buritis
Risca o amapazeiro, põe a seiva na cachaça
Cura o corpo, curandeiro, benzedeira cura a alma!
Preto velho “engarrafou” riquezas naturais
“caboco” não se esqueça dos saberes ancestrais!
Bebericando gengibirra com o mestre
“mar abaixo” “mar acima”, a gente segue
Saia florida,”sá dona”, no curiaú
A fé “encruza” no “em canto” tucujú
“é de manhã, é de madrugada”
“é de manhã, é de madrugada”
Couro de sucuriju no batuque envolvente
Quilombola da amazônia jamais se rende!
Eu vi… Em cada oração o corpo arrepiar
Bandeiras vibrando à luz do luar
Tambores se encontram cantando em louvor
Senti os sabores, aromas e cores
Nas mãos que moldam nossos valores
“meu preto”, da mata és o griô!
Ajuremou, deixa ajuremar
O samba é verde e rosa e guia meu caminhar
Ajuremou, deixa ajuremar
Cuidado, chegou mangueira, na ginga do Amapá
SAMBA nº105
Compositores: Francisco Lino, Hickaro Silva, Camila Lopes, Silmara Lobato, Bruno Costa
Intérpretes: Bruno Costa, Silmara Lobato, Marcelo Stuart, Emerson Luise
Turé…
Quem invocou o ritual?
Eu trago a força ancestral Do Povo da floresta
Banzeiro de memórias
Navegam as histórias
Onde meu país começa
Remei, Remei a maré me levou
Pra revelar o que não vês a olho nu
Todo encanto Tucuju
Tem mandinga verde-rosa
Na Estação Primeira
Mangueira vem sambar
Benzi tua bandeira
Nesse “Rio” caudaloso de fé
Desce o morro banhada de axé
Contra todo o mal tem garrafada
Ervas e Flores pra dores curar
Tiro quebranto nas mãos sagradas
Lição de Preto Velho, Saravá!
Xamã, Doutor, Guardião, Babalaô
Saberes vibrando no tambor
Tem Marabaixo no “Encontro” ao luar…
Encantado folião na passarela
Coroado Rei do Laguinho à Favela
Mangueira chamou: “Sacaca!”
Minha voz ecoou na mata!
O meio do mundo é a nossa aldeia
Incorporou! A Amazônia é negra!