O site CARNAVALESCO perguntou aos seus leitores se eles pudessem escolher o que prefeririam: ensaios técnicos, ensaios de quadra, mais tempo de desfile oficial ou a festa de lançamento do CD aberta para o público. Com 69% dos votos, a realização dos ensaios técnicos no Sambódromo para o Carnaval 2019 foi a opção preferida.
Em segundo lugar, os 18% leitores optaram por mais tempo de desfile. Mais ensaios de quadra recebeu 8% e a festa aberta do CD apenas 5%.
Veja abaixo algumas opiniões dos leitores:
“Quero mais tempo de desfile porque passa tão rápido e o sambista espera o ano todo”, disse o leitor Edson Trindade.
“Na verdade, todas as opções”, Aline Said Pessoa.
“Ensaio técnico e mais tempo de desfile. As escolas não podem ser reféns da TV. Os desfiles parecem corrida de atletismo. Deixaram o samba de lado e se preocupam com o cronômetro. Isso não é carnaval”, Claudio Pimenta.
O ano de 2018 está terminando com a maior crise enfrentada pelas escolas de samba do Rio de Janeiro. O principal ponto é a falta de incentivo do poder público, leia-se a Prefeitura do Rio, através do prefeito Marcelo Crivella, e a dificuldade das agremiações sobreviverem sem o aporte público. A questão é urgente principalmente para escolas da Série A e os Grupos de Acessos da Intendente Magalhães. Mas, a pergunta que está no ar é como as poderosas escolas do Grupo Especial, que produzem o maior espetáculo da terra, e que são referências para desfiles de carnaval por todo o país e mundo, vão virar esse jogo e apresentarem soluções para o momento, e, claro para os próximos carnavais.
O site CARNAVALESCO ouviu dois personagens que despontam como lideranças jovens e dispostas a mergulharem de cabeça na virada de página do carnaval carioca. Luiz Guimarães, filho de Capitão Guimarães e vice-presidente da Vila Isabel, e Marcelinho Calil, presidente da Viradouro, estão pensando em soluções para os rumos da folia. Além dos dois, Gabriel David, filho de Anísio Abraão David e conselheiro da Beija-Flor, é outra liderança nova dentro do carnaval. Além deles, as escolas tem nos presidentes da Vila Isabel, Fernando Fernandes, e da Mocidade, Rodrigo Pacheco, figuras que estão sempre se posicionando e pedindo mudanças no carnaval.
Luiz Guimarães alega que é hora de o investimento privado crescer no carnaval e opinou que para isso é preciso uma urgente modernização na Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa).
“Eu acho que o desejo de todos é cada vez mais o privado no carnaval. Para chegarmos lá eu acho que precisamos de uma modernização na Liesa, em todas as áreas e em todos os sentidos. Melhorar marketing, assessoria. A entidade tem um potencial gigante que não sabe explorar. Mas estamos negociando, conversando. Estou fazendo reuniões direto com o Gabriel David e o Marcelinho Calil. Temos de nos atualizar ao que a atualidade pede”, destacou.
Para o mandatário da vermelha e branca de Niterói, a discussão de mudanças já eram necessárias e pertinentes como em qualquer meio.
“Pela indefinição que a gente vem enfrentando quanto a verba pública, acelerou esse processo. Vivemos um momento, dentro da Liga de interação e ponderações entre diferentes gerações. Isso é bem positivo. A situação de crise tem sido agravada também muito por conta do corte de verba da prefeitura. É preciso agir com inteligência e assim faremos. Tem a hora da batalha naval, mas temos que entender a hora do xadrez”, disse Calil.
Com relação à busca de parceiros na iniciativa privada, Calil opina que essa é uma discussão que já vinha sendo conduzida internamente na Liesa e que agora a necessidade pede que seja de certa forma mais prioritária.
“Eu não tenho uma fórmula pronta. Estamos nos mexendo, buscando novos parceiros e com sabedoria e visão de mercado precisamos direcionar nossas energias nisso. Todos juntos. Liga e escolas. Esse ano acho que o urgente é buscar o melhor possível de estruturação para desfilarmos. Depois da festa juntos buscarmos novos caminhos para além do poder público. Mas, além de ser a nossa cultura, o carnaval fomenta muitos recursos para os cofres públicos. E a identidade de nossa gente está no samba. É até uma questão de respeito com o que somos”, afirmou o presidente da Viradouro.
Luiz Guimarães luta por viabilização de ensaios técnicos
Para o vice-presidente da Vila Isabel, a inspiração para os novos projetos vem de ideias dos grandes festivais, como o Rock in Rio e o Lollapalooza. Luiz Guimarães defende a realização dos ensaios técnicos para o Carnaval 2019.
“A busca de aliados vejo como a curto prazo uma boa solução. Figuras como o Medina, no Rock in Rio, o próprio Lollapalooza, são cases de sucesso onde podemos buscar inspiração. Precisamos viabilizar os ensaios técnicos, ali está o público do carnaval. Eu acho que essa é nossa urgência para 2019. E para 2020 viabilizar parcerias sérias. Tenho visto São Paulo se modernizando e nós estamos estagnados há anos”, comentou Guimarães.
Marcelinho Calil cita como o mais urgente é gerar receita. Mas, na opinião do presidente da Viradouro, o cenário econômico global não vem sendo dos melhores, não somente para o carnaval.
“A curtíssimo prazo é aumentar receita. Não há uma fórmula mágica. É preciso botar as cabeças para pensarem, para que consigamos reverter essas dificuldades. Precisamos transformar potencial em número”.
Compliance, mundo corporativo e gestão moderna
Ao alegar que o compliance da empresa orientou o afastamento da Uber do carnaval, a entidade acusou a prisão de Chiquinho da Mangueira como motivo. O conceito é novo e rege as regras de ética de uma corporação. Luizinho Guimarães afirma que não adianta reclamação, mas ações de boa gestão, para recuperar a credibilidade da festa.
“São novos termos, novas ideias. Precisamos ter conhecimentos de gestão. O compliance, uma auditoria séria, para saber o que dá para fazer e o que não dá. A reformulação precisa ser completa. A busca de parceiros através de estudos vai viabilizar esses recursos. Isso trará parceiros que terão contrapartida. Temos um produto único, sem concorrência”, opinou.
Marcelinho Calil opina que as escolas são pessoas jurídicas que cumprem com as regras internamente e externamente. O dirigente defende que haja apoio às agremiações.
“Trazendo para o que ocorreu neste ano eu entendo que as escolas tiveram essa comunicação. Não vou ficar entrando em detalhe, é uma discussão que as partes precisam estar juntas para entenderem o que o houve. As escolas enquanto pessoas jurídicas estão isentas. Sempre serei a favor das escolas receberem apoio. O comportamento das escolas perante as obrigações públicas tem sido de acordo. Acredito que sem problemas. Internamente não posso falar de todas, mas tenho certeza que cada gestão busca respeitar suas condutas internas com transparência e eficiência”, finalizou.
A quadra da Portela será palco de um grande pré-Réveillon nesta sexta-feira, a partir das 22h. Na ocasião, a agremiação promoverá um ensaio especial com a participação da banda do Cordão da Bola Preta, que está completando 100 anos de fundação.
A anfitriã terá a missão de abrir a programação. Sob o comando do intérprete Gilsinho e da bateria Tabajara do Samba, vão se apresentar passistas, baianas, casais de mestre-sala e porta-bandeira e a rainha Bianca Monteiro.
Além de sambas históricos da Portela, o roteiro da noite terá como destaque o samba-enredo de 2019, que homenageia a eterna cantora Clara Nunes (1942-1983). Em seguida, o Bola Preta, que fará 100 anos nesta sexta-feira, promete arrebatar o público com dezenas de marchinhas antológicas, entre elas “Cidade Maravilhosa”, “Sassaricando”, “Aurora”, “Cabeleira do Zezé”, “Maria Sapatão” e “Marcha do Cordão da Bola Preta”.
Bom demais, né? Nada melhor do que um grande baile de carnaval para iniciar 2019 com muita alegria. O ingresso custa R$ 15. Mesas com quatro lugares serão vendidas por R$ 70 (com as entradas incluídas). A quadra da Portela fica na Rua Clara Nunes 81, em Madureira. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 3256-9411.
Serviço:
Pré-Réveillon da Portela com Cordão da Bola Preta
Data: Sexta-feira, dia 28 de dezembro
Horário: A partir das 22h
Local: Quadra da Portela
Endereço: Rua Clara Nunes 81, Madureira, Zona Norte do Rio
Ingresso: R$ 15
Mesas com quatro lugares: R$ 70 (já inclui as entradas)
Camarote inferior (com 15 lugares): R$ 300
Camarote superior (com 15 lugares): R$ 400
Classificação etária: 18 anos
Informações: (21) 3256-9411
Em clima de festa com a volta de Quinho e do casal Sidclei e Marcella Alves, o Salgueiro ensaia nesta quinta, rumo à preparação para o Carnaval de 2019, ano em que terá Xangô como enredo. O treino será realizado na rua e a convocação é para que todos os componentes usem as cores da escola para um momento especial. Único fundador vivo da agremiação. Djalma Sabiá será empossado presidente de honra da Academia do Samba e receberá o carinho dos segmentos e desfilantes momentos antes do início do treino.
“Djalma merece todo o nosso carinho e respeito. Nada mais justo do que eternizá-lo com essa homenagem já que, por conta dele e de outros baluartes, o Salgueiro construiu essa história de sucesso” diz André Vaz, presidente da agremiação.
A vida pregou peças na cantora Grazzi Brasil. Seu objetivo nunca foi ser uma intérprete na avenida, embora fosse uma admiradora e torcedora do Vai-Vai, a maior campeã do carnaval paulistano. Entretanto, a moça de bela voz vai para o seu segundo carnaval seguido como intérprete da escola do povo. Em entrevista concedida à reportagem do site CARNAVALESCO, Grazzi se disse alheia aos problemas políticos enfrentados pela escola.
“Até a mim está tudo tranquilo, não chega nada. Coisas internas se resolvem entre eles. O que me importa é o pavilhão. Todos que defendem o Vai-Vai precisam valorizar essa oportunidade que é unica”, resumiu.
O carnaval de São Paulo já teve uma grande cantora à frente de um carro de som que marcou época. Eliana de Lima, além de grande sucesso nos anos 90, desfilou à frente da Leandro de Itaquera. Grazzi valoriza as figuras femininas em carros de som e enaltece o crescimento de outras escolas no carnaval paulista.
“Eu tenho muito pouco tempo de carnaval. Eu acredito que todo mundo tenha direito de sonhar com um lugar ao sol, vejo com muita naturalidade essas escolas que se estruturaram e estão na briga”, pondera.
Além da responsabilidade de defender a mais tradicional dentre todas as agremiações de São Paulo, Grazzi reconhece o nível de responsabilidade, mas garante que o samba-enredo para 2019 tem a cara da Saracura.
“É muita responsabilidade, muita energia. Não é fácil, mas com amor é possível atender essa expectativa. Que bom que Deus me deus esse dom de cantar. É um samba preto. É bom contar a nossa história. Eu fico em êxtase quando canto essa obra”, define.
A Santa Cruz fez história. Pela primeira vez, a escola da Zona Oeste venceu o Júri do site CARNAVALESCO e teve seu samba-enredo eleito o melhor da Série A para o Carnaval de 2019. A obra que homenageia Ruth de Souza foi encomendada para o trio de compositores: Samir Trindade, Elson Ramires e Júnior Fionda.
Quatro integrantes formaram o júri do CARNAVALESCO. Foram eles: Rodrigo Godoi (editor-chefe do site SASP), Aloisio Villar (compositor), Darlan Alves (intérprete e compositor da X9 Paulistana) e Guilherme Ayupp (chefe de redação do CARNAVALESCO). A Santa Cruz só conheceu a nota dez. Terminou com 40 pontos. Renascer de Jacarepaguá e Cubango terminaram com 39,9 pontos.
“É uma notícia maravilhosa. Primeiro pelo samba, em um ano que não obtivemos êxito em nossas escolas. E segundo por receber essa avaliação de um júri de um site tão conceituado. A Ruth é uma negra, batalhadora e vencedora. Como negro homenagear alguém da minha raça com uma obra linda. É um enredo muito relevante. Agradeço o convite da Santa Cruz e a escola tem tudo para fazer um desfile histórico. Se tiver talento, determinação e força de vontade, o negro pode ser o que quiser, como diz o nosso samba”, comemorou o compositor Samir Trindade.
Classificação final do Júri do CARNAVALESCO
Santa Cruz: 40
Renascer e Cubango: 39,9
Estácio: 39,8
Inocentes e Unidos da Ponte: 39,7
Unidos de Padre Miguel, Alegria da Zona Sul e Império da Tijuca: 39,6
Porto da Pedra e Rocinha: 39,4
Unidos de Bangu: 39,3
Sossego: 39,2
Notas e justificativas
Rodrigo Godoi (Editor-chefe do site SASP)
Porto da Pedra: 10
Inocentes: 10
Renascer: 10
Santa Cruz: 10
Unidos da Ponte: 10 Unidos de Padre Miguel: 9,9 – A Unidos de Padre Miguel sempre vem com excelentes sambas e em 2019 segue com mais um bom samba. A letra do samba traduz bem o enredo, que fala sobre a obra de Dias Gomes, sendo bem fiel às histórias criadas pelo autor e seus personagens memoráveis. O samba vem com uma boa melodia, mas comum, não há nenhuma novidade nesse sentido. Esperava o refrão principal um pouco mais explosivo, mas isso não tira o brilhantismo da obra. Império da Tijuca: 9,9 – Gosto muito da obra que a Império da Tijuca para o Carnaval 2019. O vale do café tem uma história fantástica e os compositores conseguiram pôr no papel essa trajetória. Com uma letra muito poética e uma melodia boa de se ouvir, o samba tem apenas um ponto que não me agradou, que são as duas últimas estrofes, no qual palavra agronegócio destoa do restante da obra. Cubango: 9,9 – A escola de Niterói vem com um belo samba para seu desfile de 2019. Na primeira parte, entre o refrão principal e o refrão do meio, a melodia do samba é muito boa de se ouvir, feita com extrema qualidade pelos compositores. Já a segunda parte não vem com a mesma qualidade melódica, perdendo um pouco da força da obra em seu últimos versos. Estácio: 9,8 – O samba da Estácio de Sá é muito bem escrito pelos compositores e nele é possível entender o enredo da escola. Melodicamente, ele não apresenta nenhuma novidade, segue um padrão já conhecido de nós sambistas. Alegria da Zona Sul: 9,8 – A escola optou por uma samba com uma melodia muito alegre para 2019. Geralmente, os sambas de temas afros são mais densos, essa diferença me agradou bastante. Apesar de ser um bom samba, ele é comum em sua estrutura melódica e poética. Bangu: 9,8 – A melodia do samba da Bangu é muito boa de ouvir, com algumas nuances bem interessantes, me agradou bastante. Já a letra, é forte, mas para quem escuta o samba, não consegue identificar do que se retrata, isso pode ser um fator negativo para a interação com público em seu desfile. Sossego: 9,8 – A escola vem com um bom samba para seu desfile de 2019. Ele segue o padrão do ano passado de não ter verbos e nem rimas entre as estrofes, que é um ponto de muita dificuldade para os compositores na hora de escrever, mas eles se saíram muito bem. O ponto que não me agradou muito na obra é o refrão do meio, que melodicamente foi prejudicado pelo uso da palavra livre arbítrio, que quebrou a constância melódica. Rocinha: 9,7 – O samba da Acadêmicos da Rocinha foi muito bem interpretado no CD pelo Ciganerey, dando uma levantada na melodia em relação a gravação na versão dos compositores. A obra tem uma letra direta e de fácil entendimento do tema. Melodicamente, o samba é comum, sem nenhuma nova solução melódica.
Darlan Alves (intérprete da X9 Paulistana)
Unidos da Ponte: 10
Alegria da Zona Sul: 10 Rocinha: 9,9 – Tema forte letra muito bonita, mas sinto que no refrão de meio o excesso de palavras pode acabar dificultando seu desenvolvimento na avenida, mas é claro que sendo feito um grande trabalho no canto da escola com a garra de seus componentes isso será superado com certeza. Sossego: 9,9 – A mensagem que esse samba traz é realmente muito bonita e me chama atenção em sua forte letra é que no seu refrão do meio temos “livre arbítrio“. Não é uma critica é só uma preocupação no desenvolvimento do desfile, dependendo do andamento de sua bateria pode dificultar o canto da escola, mas tenho certeza que a harmonia da agremiação vai trabalhar para que isso não aconteça.
Santa Cruz: 10 Unidos de Padre Miguel: 9,9 – Mais um samba que traz em suas linhas um tema forte e atual. Um dos refrões mais agradáveis de ouvir nesse CD, melodia, levada e bossas muito equilibradas, mas sinto que o samba ficaria com um brilho maior se fosse gravado pelo menos meio tom acima. Acredito que valorizaria ainda mais a interpretação da obra.
Inocentes: 10
Unidos de Bangu: 10
Renascer: 10
Estácio: 10
Porto da Pedra: 10
Império da Tijuca: 10
Cubango: 10
Aloisio Villar (compositor)
Ponte: 10
Alegria da Zona Sul: 10
Rocinha: 10
Santa Cruz: 10
Unidos de Padre Miguel: 10 Inocentes: 9,8 – Samba acelerado em que alguns momentos a melodia não deixa respirar na primeira, na segunda isso melhora, letra comum. Sossego: 9,9 – Samba bonito, mas não sei se funciona na hora, samba pesado que pode atrapalhar um pouco o trabalho da harmonia. Bangu: 9,8 – Melodia bonita, letra tem altos e baixos caindo um pouco na segunda, refrão comum. Renascer: 9,9 – Melodia superior a letra que tem momentos inspirados e outros comuns. Bom samba, mas inferior aos que levaram 10 e os recentes da agremiação.
Estácio de Sá: 10 Porto da Pedra: 9,7 – Melodia previsível, sem grande variação, letra comum, descritiva com pouca poesia mesmo sendo na primeira pessoa, o que facilita para isso. Império da Tijuca: 9,8 – Bom samba, mas com refrão comum repleto de clichês, letra com altos e baixos com partes poéticas e outras claramente por exigência da sinopse como na segunda metade da segunda.
Cubango: 10
Guilherme Ayupp (chefe de redação do CARNAVALESCO)
Unidos de Padre Miguel: 9,8 – Letra com boas soluções em cima do enredo proposto pelo carnavalesco, João Vitor. Passagens bastante inspirada, como o trecho que fala que na Vila Vintém se aprende a amar o samba. Ganhar ou perder faz parte também brinca com a própria dificuldade da agremiação em conquistar o sonhado título. Compositores evitaram o clichê de repetição de obras de Dias Gomes. A melodia acompanha o estilo dos recentes carnavais da escola, o que vem dando certo Porto da Pedra: 9,7 – Obra muito criticada no período da escolha mas que demonstrou um enorme crescimento na gravação do CD. Credito este fato a uma grande interpretação de Luizinho Andanças e um arranjo muito bem feito, o que certamente valorizou a composição. A letra entretanto não se mostra tão inspirada. O personagem Antônio Piranga é riquíssimo e poderia render uma obra mais poética. A primeira parte da composição é a mais inspirada. Melodia com as características históricas do Porto da Pedra. Inocentes: 9,9 – Novamente, a agremiação da Cidade do Amor opta por um samba encomendado e obtém êxito ao trazer mais um bom samba para a avenida. O intérprete Nino do Milênio mostra ter amadurecido após passagem pelo Tuiuti. Ele é um dos destaques da passagem da obra. Melodia com muitas nuances melódicas. Uma primeira mais em maior é uma segunda em menor. Refrões fortes. Boa sacada da letra com o trecho “inocente brasileiro”.
Cubango: 10
Estácio: 10 Império da Tijuca: 9,9 – Em uma safra de elevadíssimo nível, como vem sendo uma marca da Série A, certamente o primeiro Império do Samba contribui de maneira decisiva. Como é tradição no Morro da Formiga, obra com uma melodia muito bem trabalhada. A letra também é muito inspirada e apenas perde um pouco ao citar o agronegócio. Alegria da Zona Sul: 9,8 – Repetindo o que vem ocorrendo desde 2016, mais um samba de qualidade da agremiação do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo. Embora não fosse a melhor composição da safra de concorrentes, o samba tem valor e desempenhou um bom papel nessa gravação. Igor Viana demonstra que já passou a hora de uma oportunidade no Grupo Especial, sem qualquer desmerecimento à Alegria. O cantor da uma aula de interpretação na faixa. Grande entrosamento com a bateria. O refrão principal promete ser um dos mais cantados da Série A em 2019.
Renascer: 10
Santa Cruz: 10 Rocinha: 9,8 – A borboleta encantada traz uma obra que foge um pouco às características históricas da escola, o que não é necessariamente ruim. O samba traz um importante recado contra o racismo com uma melodia bem bonita. “Quem deveria me chamar de irmão tem tanto desprezo na alma” é um recado duro a quem coloca seres-humanos em prateleiras. Entretanto, a obra na segunda do samba perde um pouco de qualidade de sua letra. O refrão principal também não acompanha a boa qualidade de outros trechos mais inspirados. Bangu: 9,7 – A obra da vermelha e branca demonstra a importância de uma produção bem feita. É uma das composições que mais cresceu na gravação. Tem-Tem Jr e Luís Oliveira estreiam com o pé direito. Vozes que se encaixam e se completam da dupla de jovens cantores. A letra entretanto se torna clichê em um enredo bastante confuso. Sossego: 9,6 – Um enredo necessário em tempos de intolerância. A parceria montada para desenvolver a obra, que obteve grande êxito nos últimos carnavais, principalmente em 2016 e 2017, não acertou nesse ano. Destaque para a dupla Juliana Pagung e Guto, outros que estreiam em um microfone oficial. Ponte: 9,7 – Reedições sempre oferecem um grande risco. Se por um lado a aposta em um samba consagrado pode render boas notas, por outra a comparação com a obra original é inevitável. A gravação cumpre um bom papel mas fica muito distante da expectativa criada com a escolha de uma obra deste tamanho.
A Lierj recebeu com extrema indignação a notícia divulgada nesta quarta-feira, através de veículos de comunicação, dando conta de mais um corte na subvenção atribuída pela Prefeitura para a realização do Carnaval da Série A. A situação provoca ainda mais repulsa pelo fato de a Liga não ter recebido qualquer informação direta e oficial por parte do órgão público, tendo tomado conhecimento apenas através da imprensa.
Além disso, não procede a informação atribuída ao secretário municipal da Casa Civil, Paulo Messina, em entrevista ao jornal O Dia, de que o valor de R$ 250 mil para cada escola atenderia a um pedido do grupo. Tal quantitativo, se confirmado, será o menor da história da Série A. Em documento entregue ao secretário em outubro, a Lierj reiterou que o dinheiro recebido para o Carnaval de 2018 já foi insuficiente para a produção dos desfiles, uma vez que a verba municipal corresponde a aproximadamente 80% da receita total de cada agremiação. Na ocasião, o valor, 50% menor do que no ano anterior, só foi repassado faltando aproximadamente 10 dias para as apresentações. Sendo assim, foi pedido, no mínimo, o restabelecimento do valor de R$ 8.623.460 recebido em 2015.
Como vem sendo amplamente divulgado, não é de hoje que a Série A luta com todas as forças para superar as adversidades que vêm sendo provocadas por ações e decisões do poder público. Além dos sucessivos cortes de verba, que prejudicam diretamente milhares de artistas e trabalhadores humildes que dependem do ofício para colocar comida na mesa das famílias, outros problemas graves assolam aquele que deveria ser visto como um importante elemento de valorização cultural, de inserção social e até mesmo de investimento para o turismo da cidade, uma vez que, segundo estudo do Ministério da Cultura (Minc), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Carnaval do Rio foi responsável pela movimentação de R$ 3 bilhões em 2018. Ainda assim, a cerca de dois meses para os desfiles, as escolas de samba estão sendo despejadas dos barracões, sem qualquer orientação ou apoio municipal para que um novo espaço seja destinado para uma produção digna das fantasias e alegorias.
Vale ressaltar que, desde a criação da Série A da Lierj, em 2012, os desfiles do grupo foram valorizados em função dos trabalhos criativos e surpreendentes criados por talentosos profissionais dos mais variados setores, fazendo com que os desfiles de sexta-feira e de sábado de Carnaval, no Sambódromo, fossem aguardados com ansiedade por cariocas e turistas. Com ingressos sendo sempre vendidos a preços populares, cidadãos das mais variadas classes sociais passaram a poder ter um contato maior com o samba e com a cultura do Rio de Janeiro.
A Lierj reitera que vem apoiando incondicionalmente as agremiações filiadas e que segue buscando alternativas para minimizar os consecutivos impactos que vêm sendo causados pelo poder público nos desfiles da Série A.
A quadra da Unidos do Viradouro, em Niterói, será palco do Grito de Carnaval do Sambista, no dia 12 de janeiro de 2019, com a festa popular dos sambas-enredo da Série A e Grupo Especial para o Carnaval 2019. Presenteando os sambistas, os artistas do maior espetáculo da terra, a entrada será franca.
A proposta do evento criado pelo site CARNAVALESCO, em parceria com a Viradouro, é abrir o ano com muita alegria e festa, mostrando que o samba carrega a força das comunidades de todo o Rio de Janeiro, e que o carnaval é a celebração dessa cultura popular, representada pela nossa gente, sempre com muita emoção, união, e, acima de tudo, amor aos nossos pavilhões.
A Viradouro prepara uma grande confraternização para lavar a alma do povo do samba. A festa começa às 13h e terá feijoada (R$ 20 o prato – servido até 17h) e sorteios de brindes carnavalescos. De 15h às 18h vão se apresentar todas 13 escolas de samba que desfilarão pela Série A em 2019.
Cada agremiação poderá levar seus segmentos para apresentação como intérpretes, casais de mestre-sala e porta-bandeira, passistas e etc. Será criado um espaço na quadra para evolução dos componentes que quiserem participar das exibições.
A bateria da Unidos de Padre Miguel conduzirá o espetáculo da Série A e a Viradouro do Especial. Cada mestre terá a missão de comandar a apresentação de sua escola.
“A gente fica muito feliz. Vamos fazer uma festa de alegria, popular, com entrada franca. Será uma feijoada que vai conseguir demonstrar a união do samba do Rio de Janeiro. Cada escola vai mostrar um pouco do seu trabalho para o Carnaval 2019, mas muito mais que isso vão mostrar a força das comunidades, do nosso povo, o amor ao samba, e representar o nosso segmento como a identidade do Rio de Janeiro. Ter um evento dentro da nossa casa que represente tudo isso é um grande prazer. A gente pede que todas pessoas e escolas lotem a quadra da Viradouro para termos uma festa completa. Estamos preparando o evento com muito carinho”, disse Marcelinho Calil, presidente da Viradouro.
Na abertura e nos intervalos, grupos de sambas vão animar o público. Às 19h, a Viradouro fará o show de abertura para o Grupo Especial. A partir das 20h, as 14 escolas de samba do Grupo Especial vão se apresentar na quadra.
Durante todo o evento, o site CARNAVALESCO e a Viradouro vão homenagear os compositores autores das obras da Série A e Grupo Especial para o Carnaval 2019.
“É hora de resistir, ocupar os lugares e mostrar a força do nosso carnaval. Receber todas escolas de samba da Série A e Especial é reafirmar que somos fortes. Somos sambistas. A Viradouro promete um grande dia de festa. Abrir o ano de 2019 cantando forte e alto os nossos sambas-enredo. Trazendo o povo para festa. Abrindo portas e buscando semear em todos os corações o espírito do sambista que é apaixonado pelas escolas de samba”, disse Alberto João, responsável pelo site CARNAVALESCO.
Sem contrato assinado com a Prefeitura do Rio, as escolas de samba não participarão da festa de Réveillon no Rio de Janeiro. Apenas a atual campeã do Grupo Especial, a Beija-Flor de Nilópolis estará na festa. A escola será uma atrações do palco montado na Praia de Copacabana.
A maior festa de Réveillon do mundo a céu aberto ficou ainda mais especial este ano. O tema “Réveillon do Rio, Onde Ser Carioca É Natural”, faz uma homenagem a todos os cariocas, inclusive aqueles que não nasceram na cidade do Rio de Janeiro. Para celebrar a chegada de 2019, a festa em Copacabana terá queima de fogos de 14 minutos de espetáculo pirotécnico sincronizado a uma trilha sonora produzida pelo DJ João Brasil. A comemoração nas areias da praia de Copacabana espera receber mais de 2 milhões de pessoas para diversos shows ao longo da noite.
Line up
Shows acontecerão das 19h às 4h
Banda de Ipanema
Marco Vivian
DJs Cat Dealers
Baby do Brasil
Gilberto Gil
Queima de fogos
Ludmilla
DJ Dakid
GRES Beija-Flor de Nilópolis
DJ – Encerramento
Festa em outros oito pontos do Rio
Além de Copacabana, shows acontecerão em oito bairros do Rio, com nomes como Dudu Nobre, Xande de Pilares e Pique Novo. Historicamente, somados, os oito palcos reúnem cerca de 600 mil pessoas nas celebrações de Réveillon.
Doze hotéis da região da Barra farão uma queima de fogos sincronizada com até 14 minutos de duração, em um show pirotécnico produzido pela ABIH-RJ (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio). A queima, estrategicamente distribuída, acontece em hotéis e condomínios da região do Riocentro e do Recreio, formando um espetáculo que poderá ser assistido tanto da orla quanto das varandas e janelas dos edifícios da região.
Segundo levantamento prévio da taxa ocupação hoteleira para o Réveillon Rio 2019 feito pela ABIH-RJ, a média na cidade já atingiu os 85%, número superior aos 51% registrados na apuração do mesmo período no ano passado. Flamengo atingiu 91%, seguido por Ipanema e Leblon, com 89%. A região da Barra da Tijuca registra 87% de quartos reservados, e Copacabana tem 85%, seguido pelo Centro, com 79%.
Confira a agenda completa dos oitos palcos do Réveillon do Rio 2019. Todos os palcos terão apresentações das 21h às 3h.
Flamengo – Praia do Flamengo
DJ
Natália Boere
Imaginasamba
Dudu Nobre
DJ
Guaratiba – Rua Barros de Alarcão
DJ
Matheusinho
Naldo Benny
DJ
Ilha do Governador – Praia da Bica
DJ
Grupo Samba Bom
Grupo Clareou
DJ
llha de Paquetá – Praia da Moreninha
DJ
Grupo Intimistas
Grupo Vou Zoar
DJ
IAPI da Penha
DJ
Michael Sullivan
Vitinho
DJ
Parque Madureira
DJ
Grupo Bom Astral
Xande de Pilares
DJ
Piscinão de Ramos
DJ
Grupo Pra Valer
Pique Novo
DJ
Sepetiba – Praia do Recôncavo
DJ
Grupo Bem Mais
Chininha e Príncipe
DJ
O clima segue pesado entre a Prefeitura do Rio e as escolas de samba. Em entrevista ao jornal O Dia, desta quarta-feira, o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, homem forte do prefeito Marcelo Crivella, garantiu que a subvenção do Grupo Especial para 2019 será de R$ 500 mil para cada agremiação, com o corte de 50%, e nem cogita voltar ao valor de R$ 1 milhão, como esperam os dirigentes.
“A prefeitura não é babá de evento comercial. Exceto o Grupo de Acesso e o Carnaval da Intendente, as escolas do Grupo Especial têm que se profissionalizar como qualquer grande evento comercial que vende ingressos, a exemplo do Rock in Rio e outros. A prioridade da prefeitura é usar dinheiro público para saúde e educação”, disse Messina ao jornal O Dia.
Vale lembrar que as escolas do Grupo Especial ainda não assinaram o contrato referente aos 500 mil de subvenção para 2019. Elas aguardam uma nova reunião com o prefeito Crivella e o secretário Messina. O presidente da Riotur, Marcelo Alves, ficou de marcar o encontro ainda em 2018, mas pelas declarações do secretário é improvável que a verba volte ao valor de R$ 1 milhão.
Na penúltima plenária do ano, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, desabafou sobre a relação da Prefeitura do Rio com os desfiles das escolas de samba.
“A Prefeitura quer acabar com o carnaval do Rio? Uma fonte de cultura e geração de empregos para cidade. Não pode ser dessa maneira. Todo ano uma surpresa. Foi com muita surpresa que recebemos a informação do corte da subvenção. Em momento algum, nos foi dito que a verba seria diminuída. Causa muita estranheza agora às vésperas do carnaval a informação do corte”, disse Castanheira”.