
Coube à Unidos de Vila Isabel a responsabilidade de abrir a noite de ensaios técnicos no Sambódromo para a temporada 2019. E a azul e branca do bairro de Noel não decepcionou o público que se fez presente na Marquês de Sapucaí para acompanhar a volta do programa mais querido por todos os sambistas. A bateria Swingueira de Noel e o canto da comunidade foram os grandes destaques da apresentação da Vila.
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“É uma emoção muito grande estar de volta à Vila Isabel. Já foi uma emoção muito grande o primeiro ensaio na 28 de Setembro, é uma emoção maior ainda o ensaio na Sapucaí e tenho certeza que no dia do desfile vai ser uma emoção maior para toda escola e para mim particularmente. Tecnicamente ocorreu tudo bem, as apresentações, os módulos, a cronometragem, enfim, tudo que a gente tinha proposto aconteceu. Agora vamos ver. Carnaval para disputar título a gente tem”, assegurou o diretor de carnaval Wilsinho Alves.
Comissão de Frente
O grupo coreografado por Patrick Carvalho, que volta à escola depois de uma passagem arrebatadora pelo Paraíso do Tuiuti, realizou uma movimentação sincronizada e bastante ágil. O chamado pivô da comissão soltava alguns gritos em partes específicas do samba-enredo, gerando uma interatividade direta com o público. No final da coreografia, havia uma deixa para a apresentação do casal.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Raphael Rodrigues e Denadir Garcia levaram os guardiões também para o ensaio técnico. A porta-bandeira demonstrou que está recuperada do acidente sofrido em um ensaio de rua da agremiação onde torceu o pé. Ela demonstrou perícia e movimentos muito rápidos. Raphael também deslizou pela pista e a apresentação da dupla se deu de maneira tecnicamente perfeita. Enquanto o casal se apresentava, os guardiões se movimentavam em círculo em torno da dupla.
“O ensaio foi muito positivo. Foi uma prévia. Misturamos algo do dia oficial e um pouco de pra poder brincar com o público também. Pois, nem todo mundo que veio hoje, poderá vir no dia do desfile”, disse a porta-bandeira.
Harmonia
Uma bela atuação da harmonia da Vila Isabel na Marquês de Sapucaí. A escola parece estar recuperando o padrão de canto que possuía entre 2011 e 2014, quando era top 3 no Grupo Especial. O destaque vai para as alas iniciais que deixaram excelente impressão na Avenida impulsionando bastante as que vinham atrás, finalizando o ensaio com muita competência.
“O ensaio foi maravilhoso. Tudo o que a gente está fazendo na 28 de setembro realizamos aqui. Um samba alegre, funcional. Acho que hoje muita gente fala de samba bonito, samba bom, samba ruim e esquece que o samba muita das vezes é para o desfile. O samba tem que ser funcional para o desfile. E o samba da Vila da condições de se fazer um grande desfile. Ele tem uma boa melodia, uma boa letra e é alegre. Um samba completo que com certeza vai levar a Vila Isabel para uma boa evolução e um bom desfile”, garantiu o intérprete Tinga, que também falou da volta para Vila.
“A emoção é muito grande, sempre. Fiquei cinco anos na Unidos da Tijuca, tenho um respeito muito grande e fiz o que eu pude. O coração também aperta. Mas aqui é um pouco diferente, é a minha escola do coração, onde tudo começou”.
Samba-Enredo
O samba da Vila Isabel mudou bastante desde a escolha e vem tendo bom rendimento nos ensaios de rua na 28 de Setembro. Na Marquês de Sapucaí manteve o padrão, impulsionado por um excelente entrosamento entre o carro de som comandado por Tinga e a bateria sob a regência de mestre Macaco Branco. O andamento um pouco mais atrás da bateria só ajudou a obra a crescer.
“Achei o ensaio excelente, execução perfeita, afinação do início ao fim, tudo certinho do jeito que a gente planejava. Se Deus quiser vai dar tudo certinho no dia oficial. Isso que foi apresentado na Avenida é quase tudo que vai vir na Avenida, mas terá mais algumas surpresinhas que eu não posso contar agora. É tudo isso e mais um pouquinho. Tem ainda a cerejinha do bolo”, explicou mestre Macaco Branco, que também comentou a estreia na Avenida com a Vila.
“Já deu pra sentir a energia, a família na frisa vibrando, batendo palmas, os amigos torcendo, mandando beijo, chorando. É muito gratificante essa energia recíproca da arquibancada para a bateria Swingueira de Noel”.
Evolução
Alguns aspectos precisam ser melhor observados pela Vila se quiser brigar pelo título do carnaval. As apresentações da comissão e do casal foram longas, o que deixou o início da escola um pouco arrastado no que diz respeito à técnica de desfile. Isso pode ser notado também quando o casal e a comissão se apresentavam nas demais cabines. Outras escolas já foram punidas no quesito por esse excesso de demora. Quando a escola andava as alas estavam desenvoltas e brincando bastante.
Outros Destaques
A grande atração do ensaio técnico, como de hábito, foi a rainha de bateria Sabrina Sato. Ainda no período de resguardo após a maternidade a musa foi ovacionada pelo público e deu certo trabalho à equipe de disciplina da agremiação devido ao assédio dos fotógrafos.
A ala de baianas não economizou no capricho e passou com uma bela roupa, com a camisa do enredo customizada. O diretor de carnaval Wilsinho agradeceu à Liesa o empenho pela realização dos ensaios e fez um inflamado discurso para mexer com os brios dos componentes.
Edson Pereira estava radiante e cantando bastante o samba da escola. Musa da escola, Dandara Oliveira, como sempre, deu um show de samba no pé e amor pela Vila. Bernardo Rossi, prefeito de Petrópolis, participou do ensaio técnico.

A Unidos de Vila Isabel será a segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval do Grupo Especial com o enredo ‘Em nome do pai, do filho e dos santos – A Vila canta a cidade de Pedro’. O desenvolvimento será do carnavalesco estreante na escola, Edson Pereira.
Por Guilherme Ayupp, Eduardo Fonseca, Danilo Freitas, Juliana Cardoso, Vinicius Vasconcelos e Lucas Santos. Fotos: Allan Duffes



“Hoje não existe mais aquela vergonha de dizer que você está reciclando para fazer um carnaval. A maioria das escolas estão optando por isso, você pegar um material que não vai servir mais e pensar numa nova forma, num novo jeito de usar. Uma ferragem que era um secador de cabelo, eu consegui transformar num abajur”, esse é o lema de Bruno Rocha, carnavalesco do Arame de Ricardo, que levará para Avenida o enredo “O primeiro bailarino do samba”. A proposta é homenagear Jerônimo da Portela, um consagrado nome da história da azul e branco de Madureira.
Segundo o carnavalesco Bruno Rocha, a Comissão de Carnaval do Arame deu a ideia logo assim que acabou o carnaval de 2018.
Ao fazer a apuração sobre o enredo, Bruno diz que o motivou a equipe do Arame a escolher Jerônimo como enredo do Carnaval 2019.
“A Portela e a Beija-Flor já nos ajudaram muito e estão nos ajudando com alguns adereços de carnavais antigos, isso está sendo muito importante para nós”.
“É possível sim fazer um carnaval deslumbrante com a atual situação em que nos encontramos, dinheiro pode até faltar, mas criatividade, bom gosto, requinte nunca pode deixar de ter. Dinheiro é tudo, mas saber trabalhar em conjunto é o principal”, afirma Bruno Rocha.
Um ponto muito importante que será abordado no desfile do Arame é a questão religiosa do homenageado. Assim como não poderia faltar a importância do samba na vida de Jerônimo, a religião também é um ponto muito forte. Toda a parte religiosa da Portela quem cuida é o ex mestre-sala. Por isso, Bruno decidiu colocar as baianas vindo de Nossa Senhora de Conceição, que é a santa padroeira da Portela e também do Arame de Ricardo. O carnavalesco da azul e branco disse que o único ponto em que o ex mestre-sala exigiu muita prudência e cautela foi nesse aspecto.
“Ele pediu um cuidado, uma observação. Foi dando uma orientação de como fazer as coisas e assim estamos indo. O Jerônimo que cuida dos santos nos dias deles. Ele tem toda parte religiosa, tanto católica, quanto espírita. Quando o santo sai para procissão é ele que cuida, limpa e prepara o andor para por o santo. Ele que organiza a missa e toda a parte religiosa da Portela”.
O primeiro setor vai vir mostrando onde tudo começou. O tripé vem com um ninho da águia, representando o incentivo da Tia Dodô e surgimento de Jerônimo como bailarino, como, quando e onde a dança virou o triunfo na vida dele.
Uma difícil missão. Assim será o carnaval do jovem casal de mestre-sala e porta-bandeira da Colorado do Brás. Arrisco dizer que será o casal com a prova mais difícil para se realizar no ano de 2019 no quesito. Como é de ciência de todos a agremiação abre o carnaval paulista na sexta-feira e como em qualquer lugar ser o primeiro a entrar na passarela do samba não é muito fácil. O casal Ruhanan e Ana Paula fez no dia 01 de fevereiro o segundo ensaio técnico geral com a sua agremiação. Por serem um dos casais do mais alto patamar de São Paulo, os mesmos apresentaram uma coreografia de muita expressividade e ousadia perante as cabines de julgamento ao decorrer da pista. Bailavam incansavelmente e evoluíam mostrando toda a sua leveza. O casal, em certos momentos, teve alguns problemas técnicos. A falta de sincronismo que se refere a apresentação de passos característicos do enredo no qual foi proposto era perceptível. A preocupação em desenvolver certos movimentos por parte do casal era um dos pontos visíveis. Nestes momentos perdiam a expressividade e galhardia. A terceira cabine foi a mais prejudicada por algumas falhas pequenas, porém os mesmos se recuperaram e conseguiram terminar o ensaio técnico de forma plausível e digna. Um casal que por toda sua experiência acredito na recuperação a as notas do mais alto nível.
O grande casal da Morada do Samba. Ambos gabaritados dentro do quesito mestre-sala e porta-bandeira de São paulo. Firmaram sua superioridade quando se trata de controle técnico. O mestre-sala Emerson Ramires e a porta-bandeira Karina Zamparolli deslizaram na Passarela do Samba de São Paulo. Com uma técnica digna de 40 pontos, mostraram o porque são o casal de maior notas 10 dos últimos sete anos. A coreografia de um bom gosto deu espaço para revelar toda a graciosidade e leveza dos movimentos. A finalização foi algo que me chamou a atenção, todos movimentos muito bem coordenados e executados. Passaram pelas quatro cabines com a apresentação mais técnica vista na noite do dia 1 de fevereiro no Sambódromo de São Paulo. A graciosidade da porta-bandeira foi um dos pontos mais altos da apresentação em frente a cabine do júri. O mestre-sala se arriscou e fez diversas piruetas e muito bem executadas, seguidas de um riscado de menor expressividade, porém muito bem elaborado. Se aumentassem um pouco mais a velocidade entrariam no nível máximo de uma apresentação para um casal do quesito em São Paulo. Nada que tire a imensa possibilidade de continuarem a brilhar e garantirem mais quatro notas 10 para a Mocidade Alegre.
Um dos casais mais aguardados da noite do dia 1 de fevereiro. Fizeram justiça a espera. E brilharam ao passarem pelo Sambódromo do Anhembi em São Paulo. A parceria que foi montada para o carnaval 2019 mostrou que está fazendo o dever de casa. A porta-bandeira Lyssandra, uma das melhores da atualidade, foi grande destaque com a sua força em seus giros horário e anti-horário mantendo até o final do desfile. O mestre-sala Marquinhos não ficou atrás. Com um riscado digno de prêmio, mostrou toda a sua técnica no decorrer da pista, demostrando um controle do corpo plausível. A apresentação do casal oficial em frente as cabines foram muito bem executadas. Foi perceptível que o casal se arriscou e desenvolveu uma coreografia que envolve um solo notório de cada. Algo que em alguns momentos se tornou preocupante no aspecto técnico. O mestre-sala se distanciou muito de sua porta-bandeira em vários momentos. Isto acabou prejudicando a estética coreográfica. Problemas ocorridos com o mesmo em anos anteriores voltaram a acontecer como a queda de seu instrumento de trabalho (leque) que caiu em frente ao campo de visão do julgador. Mesmo com estas intercorrências foi uma apresentação de muita expressividade e de uma velocidade plausível que se manteve até a faixa “fim” do Sambódromo do Anhembi. O casal estará entre os resultados positivos da agremiação no carnaval 2019.
Um dos casais mais experientes e renomados do carnaval de São Paulo. Jairo e Simone, da Tom Maior, tiveram no dia 2 de fevereiro seu ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi. Donos de encanto e muito charme. Transmitiram todo prazer e amor em defender o pavilhão vermelho e amarelo ao público presente. A coreografia proposta foi criada baseada no regulamento que rege o quesito em São Paulo. Com alguns problemas técnicos como o pavilhão não se desfraldar em alguns momentos durante e em frente ao módulo de julgamento a porta-bandeira teve dificuldade em suas finalizações e sincronismo para com seu mestre-sala, prejudicando também a intensidade de certos movimentos devido a velocidade apresentada. O casal terminou seu ensaio com uma evolução aparente e que demonstra uma grande possibilidade de acertarem estes problemas técnicos pautados. Donos de muitas notas dez e décadas de carreira, vale ressaltar que é preciso respeitar e admitir a força que ambos possuem, tornando a nota no desfile oficial de fato uma consequência do momento.
A grande aposta do quesito mestre-sala e porta-bandeira. Assim foram os comentários que rodeavam a intensa e divina apresentação do jovem casal Kawan e Waleska da Acadêmicos do Tucuruvi. Necessário iniciar esta análise parabenizando a porta-bandeira por ostentar o pavilhão de forma correta e exemplar mesmo diante da ventania que ocorria quando o casal iniciou sua apresentação na pista. Mostrando toda a sua técnica e controle coreográfico, o casal foi sem dúvida o destaque positivo da escola ensaio técnico. A coreografia proposta foi baseada no critério de julgamento já que não continha muitos riscos, ficando evidente que optaram por coreografia simples, porém bem executada. Alguns problemas técnicos como a perda da expressividade por parte do mestre-sala foram identificados. O seu riscado muito bem executado e de notória intensidade foi penalizado em alguns momentos pelo mesmo por ser realizado olhando em direção ao chão. O casal ao evoluir, em certos momentos, se distanciava muito um do outro, algo que esteticamente não era bom para a coreografia e todo o “romance“ apresentado. A dança foi constante e percorreu todo o trajeto do Sambódromo do Anhembi. Mantiveram a velocidade e nítido era o domínio de espaço da pista com uma dança que não se submeteu a ficar apenas no meio da passarela do samba. São fatores que corroboraram para uma apresentação digna e que aponta um resultado muito positivo para o casal.
O gigante casal da Império de Casa Verde não só na altura, mas também em dança, brilhou na noite do dia 2 de fevereiro no Sambódromo do Anhembi. Rodrigo Antonio e Jessica Gioz foram de fato um dos pontos mais fortes da escola no ensaio técnico. Necessário pontuar a força e imponência da porta-bandeira que mostrou todo o seu controle técnico e corporal. O mestre-sala teve um riscado muito bem executado e limpo encantando a todos que estavam presentes. A coreografia proposta foi muito bem executada e sem falhas técnicas perante o módulo de julgamento. Algo a ser citado e importante é que em alguns momentos o mestre-sala perdia sua expressividade e isto destoava da grande apresentação que era realizada em frente a cabine. Ambos se comunicaram no decorrer da pista, mostrando uma certa preocupação que ocasionou em leves deslizes de sincronismo ao realizarem movimentos como minueto. Nada que tire a grandiosidade de apresentação proposta pelo casal que de fato se destacou como uma grande aposta da escola de samba e a imensa possibilidade da tão sonhada nota máxima.