Barracões: Lins Imperial vai mostrar que crítica social de Bezerra da Silva ainda está bastante atual
Por Lucas Santos
“Que mal lhe fez meu povo humilde da colina que mora lá em cima vivendo uma vida de cão”. Crítico ferrenho das desigualdades sociais e defensor dos mais humildes principalmente aqueles que moram nos morros cariocas, como observado na letra da canção “Povo da Colina” apresentada acima, Bezerra da Silva será tema do enredo da Lins Imperial que pretende mostrar que sua obra ainda continua bastante contemporânea. A ideia do enredo foi do carnavalesco Guto Carrilho que um dia cantarolava uma das canções de Bezerra quando imaginou a possibilidade de retratar o sambista e sua obra em forma de enredo.
“A duplicidade das letras me fazia viajar e criar universo próprio do que se mostrar e como. Inicialmente a escola tinha outras propostas de temas entrando numa quase pré-produção. O presidente Flávio Mello numa conversa ao telefone perguntou se eu tinha uma ideia. De cara propus o título: ‘Malandro é Malandro, Bezerra é da Silva’. No qual nem esperava ser escolhido”, explica Guto.
A irreverência e a crítica ao moralismo são as características de Bezerra da Silva que a escola pretende apresentar na Avenida aproveitando o gancho da obra do cantor para falar das desigualdades sociais e da censura aos artistas que contam a realidade dos morros e periferias em geral. Desta forma, a escola acredita que conseguirá falar da obra de Bezerra e mostrar que a realidade vivida pelo artista nos anos de 1960, quando começou a carreira, até hoje pouco mudou. A contemporaneidade da obra do cantor e compositor de partido-alto foi o que mais chamou a atenção durante a pesquisa que analisou diversas canções do artista.
“O mais interessante é o quanto os fatos se repetem ou nós não saímos do lugar. É a mesma história, os mesmos problemas. Entra ano e sai ano… o que Bezerra da Silva cantava há alguns anos acompanha-nos até hoje”, se surpreende o carnavalesco.
Músico premiado com onze discos de ouro durante a carreira, adepto da boemia, crítico compositor e com uma vida bastante movimentada. Este era Bezerra da Silva. A infinidade de fatos marcantes em sua trajetória fez com que a agremiação tivesse que fazer recorte do enredo focando em seu repertório e o contexto social ao qual ele estava relacionado, suprindo um pouco da vida do cantor que estudou violão clássico por oito anos era letrado em partituras.
A Verde e Rosa do Lins vai iniciar o desfile apresentando o dia-a-dia do morro do Cantagalo, na Zona Sul Carioca, onde Bezerra morou no início dos anos 1950, apresentando o contraste entre a vida no morro e a vida no asfalto. Em seguida, este mesmo morro já aparece sendo exposto a partir das músicas do cantor. Guto acredita que este setor é uma grande aposta da escola para o desfile pois irá apresentar composições famosas de Bezerra como “a semente”, “pai véio 171”, e claro, a que quase dá nome ao enredo, “Malandro é Malandro, Mané é Mané” que vão mexer com o público além é claro da do trabalho da Lins realizado para o Carnaval 2019.
“O grande trunfo é a Lins Imperial que cada ano vem mostrando mais seriedade e comprometimento com o trabalho em sua comunidade e o carnaval. A solidez que a escola vai adquirindo anualmente. Para impressionar o público aposto no Setor 2, onde apresentaremos algumas de suas canções em forma de fantasia. Valerá muito à pena assistir o desfile da Lins”, arrisca Guto.
No decorrer da apresentação, a escola vai relacionar as músicas de Bezerra que denunciavam as desigualdades e o preconceito das elites devido ao seu caráter crítico com a discriminação que existe até hoje entre ricos, entre o povo do asfalto, aqueles que não moram em favelas, com o povo mais pobre da periferia.
“O fio condutor é justamente a diferença social (de todas as formas) e como as pessoas enxergam uns aos outros com senso crítico preconceituoso e moralista”, aponta o carnavalesco.
Descaso com mais pobres cantado por Bezerra é sentido também dentro da escola
Em meio a um enredo que fala sobre Bezerra da Silva, crítico incessante do descaso do poder público com os mais pobres, a escola da Série B sente na pele esse desleixo das autoridades, aliás como quase todas as escolas dos Grupos de Acesso que não receberam nenhum centavo de subvenção da prefeitura.
“O desenvolvimento do desfile de carnaval é um trabalho de produção de evento que requer investimento e precisa fazer girar um capital. São custos e despesas que não ficam restritos somente às alegorias e fantasias. Existe e é necessária uma infra até se chegar aos brilhos finalmente. A crise atrapalha para contratar mão-de-obra (geração de trabalho) e matéria-prima. Constantemente a diretriz muda e a criatividade tem que andar junta. É um exercício que não para. Eu desenvolvo com o que a escola oferece”, esclarece Guto.
O carnavalesco da agremiação da Zona Norte do Rio confessa que tem aprendido com a crise a entender também que certas adaptações devem ser feitas e que a falta de recursos acaba por intervir diretamente no trabalho do profissional de carnaval fazendo com que ele tenha que ser mais criativo.
“Demorei um pouco pra entender e aceitar as adaptações feitas com a realidade que temos. Percebo que as mudanças nem sempre são por uma condição de intervir no projeto por se ter gosto diferente ao seu. Carnaval na Série B, como demais grupos da Intendente, é desafiador o tempo todo, porém tem seu lado prazeroso desde que a escola seja coesa. O descaso do poder público avança dos limites das avenidas. Ele atinge a sociedade como um todo. Está aí o Bezerra provando e comprovando”, assume o carnavalesco.
Para se ajustar à nova realidade financeira do carnaval da Série B, a escola tem observado pontos do enredo que retrata muito a realidade pobre das comunidades do Rio de Janeiro para utilizar materiais mais baratos como plásticos comuns utilizados na rotina das pessoas, mantendo assim, a coerência com o tema tratado .
“No primeiro carro, estamos usando embalagem plástica para quentinha para representar uma luminária de poste. Dessa forma, você encurta o caminho de produzir algo para o desfile. E também, vai riscar um item da lista de desafios”, explica Guto.
Entenda o desfile
A Lins Imperial será a terceira escola a desfilar na terça-feira de carnaval na Estrada Intendente Magalhães com o enredo ‘Malandro é Malandro, Bezerra é da Silva’. A agremiação virá para o desfile com um número de 450 a 500 componentes organizados em 20 alas e três carros alegóricos. O carnavalesco Guto Carrilho ajudou a esclarecer um pouco de cada setor que a escola vai apresentar na Avenida.
Setor 1 – Tomada de Consciência
“A Lins Imperial inicia a apresentação com o contraste da comunidade representado pelo asfalto com sua urbanística organizada. Nesta momento será retratado a vida no morro do Cantagalo onde Bezerra viveu no anos 1950“.
Setor 2 – O cotidiano da favela escancarado
“Em seguida o morro e seu cotidiano são mostrados a partir das músicas que relatam personagens e fatos. As composições mais famosas do sambista virão representadas a partir de algumas fantasias. Entre as canções que serão facilmente reconhecidas pelo público estarão ‘a semente’ e ‘pai véio 171’ “.
Setor 3 – O asfalto escandalizado e a denúncia
“No terceiro setor denominado como denúncia mencionamos o descaso, maus-tratos, desrespeito e preconceito da sociedade soberba e dos representantes sanguessugas.Da sinopse: ‘Sigo adiante e, enfim, chego ao asfalto. Aqui embaixo me acusam de defender bandido. Acho de uma graça… Aqui, no outro lado da linha que nos divide, o povo do alto partido, escandalizado, acha que tudo que é mazela vem da colina. Condena nossa forma de pensar e de viver’” .
Setor 4 – O legado / meu samba é duro na queda
“Encerramos com a mensagem deixada pelo Bezerra da Silva: igualdade, amor, cidadania e respeito.A semelhança da crítica do cantor com artistas do funk, rap, rock e hip-hop será também exposta nesta parte final“.
Barracões: Curicica traz culto a divindades femininas para desfile sobre afirmação de mulheres negras
Por Lucas Santos
Depois de uma viagem a Bahia, em que trouxe de presente para a irmã uma imagem de Oxalá na figura de uma mulher negra, a vice-presidente da União do Parque Curicica Roberta Rosa refletiu sobre a posição das mulheres negras dentro do contexto social atual e transformou seus pensamentos em enredo para a Azul, Vermelha e Branca de Jacarepaguá. A ideia era fazer uma homenagem, desde a ancestralidade, ao papel da mulher negra dentro da sociedade, primeiro por meio da religião e depois utilizando exemplos de mulheres bem sucedidas e de outras influentes que lutam e lutaram por essa bandeira.
O início do desfile vai mostrar o culto às Iyá-mi, divindades ligadas à maternidade conhecidas nas religiões de matriz africana como as grandes mães ancestrais. Além de mostrar sua ligação com o empoderamento feminino por traduzir um culto a divindades relacionadas ao sexo feminino, a devoção às Iyá-mi também apresenta esta mensagem ao ter os rituais reservados apenas a sacerdotisas.
A presidente da escola Lorraine Rosa, irmã de Roberta, idealizadora do enredo, fala que a apresentação de Deus como figura feminina não abala de nenhuma forma a crença que as pessoas possuem nele e explica o verdadeiro objetivo da apresentação do enredo na Avenida.
“Não é que nós estamos questionando Deus, não entramos nessa comparação de Deus, que de fato a gente não sabe como ele é. A ideia é como a mulher tem semelhança com Deus de transmitir amor, de gerar. E ao mesmo tempo denunciar o que acontece nos dias de hoje. A mulher perde filhos, principalmente a mulher negra, ela perde seus filhos pra preconceito racial, para o crime. A estatística de mulheres negras que perdem filhos é grande. É um enredo social, um grito, principalmente para a Roberta (vice-presidente) que já sentiu o preconceito social na pele”, explica a presidente da União do Parque Curicica.
Durante o desfile serão apresentadas grandes figuras femininas negras que tenham alcançado sucesso tanto na luta política como Marielle Franco, Djamila Ribeiro e Kenia Maria, quanto nas artes, como Elza Soares. A escola também vai trazer figuras femininas do dia a dia como professoras, escritoras e profissionais negras que tenham sucesso no empreendedorismo. André Rodrigues, integrante da Comissão de Carnaval montada pela Parque Curicica, acredita que o lado político do enredo é o que vai chamar mais a atenção do público durante o desfile.
“O posicionamento político é o mais legal do enredo. A escola pretende trazer mulheres negras importantes como Marielle e Djamila, mas não só estas, mas várias mulheres que estão nesta luta. A ideia é trazer mulheres empreendedoras negras, as mulheres que levam a mensagem de empoderamento para outras no dia-a-dia. O mais legal deste enredo é dar publicidade a esta luta. É a coragem da escola de fazer esse tipo de manifestação apesar de que isso está um pouco na moda no Carnaval. Eu admiro essa coragem da Curicica em desenvolver este enredo. Apesar de ser um enredo que não é tão fácil tirar plasticamente no papel, mas foi muito bem executado pelo Wagner (Gonçalves)”.
Escola teve que realizar mudanças na Comissão de Carnaval
Durante a reta final, o carnavalesco Wagner Gonçalves que fez os desenhos dos carros e fantasias da escola não pode continuar na preparação do carnaval. André Rodrigues, com 10 anos de experiência como assistente de carnavalesco e com dois carnavais assinados em escolas do grupo de Acesso de São Paulo, somou a comissão de carnaval da escola que também conta com a vice-presidente Roberta Rosa e com Leonam Lauro, que escreveu a sinopse do enredo. André tem atuado diretamente na montagem dos carros alegóricos já que a parte de fantasias está bem adiantada, com algumas alas já sendo entregues aos foliões. André elogia o trabalho de Wagner e conta à reportagem do CARNAVALESCO a dificuldade de ter terminar o trabalho iniciado por Wagner Gonçalves.
“Eu nunca imaginei isso, mas é muito mais difícil você dar continuidade a um trabalho (de outra pessoa) do que começar um trabalho seu do zero. Porque, eu passei muito isso para a direção da escola quando entrei, de que se é para eu entrar eu não poderia ter a vaidade de querer fazer o meu, tínhamos que terminar o trabalho bem organizado pelo Wagner (Gonçalves). A três semanas do desfile, o mais importante é que a gente faça a escola ir para a Avenida. Temos então que olhar o projeto original e a sinopse e ver qual o verdadeiro motivo da alegoria. Ela é isso? Na Série B onde a realidade é mais de escassez e até de relaxo por parte do poder público com as escolas, têm que ser assim, tirar do papel o que o Wagner (Gonçalves) desenhou. E a escola tem dado todo apoio, principalmente a presidente e a vice-presidente, que idealizou o enredo”, confessa André Rodrigues.
Escola consegue doações de coirmãs para realizar seu carnaval
A União do Parque Curicica vai levar duas alegorias para o desfile na Intendente Magalhães no dia 5 de março. Para a confecção destes carros, a agremiação precisou da doação de materiais por parte de outras escolas. André conta que não utilizou muito material alternativo, pois muitas vezes estes elementos não compensam financeiramente devido ao tratamento que lhes deve ser dado.
“Não usamos muito material alternativo. Tudo, na verdade foi feito de doação. A gente foi correndo atrás agora no final, corremos em uma escola, corremos em outra, pra tentar um pouco de tecido disso, um pouco de tecido daquilo, um pouco de madeira, um pouco de ferro pra tentar tirar as alegorias do papel. Principalmente as alegorias, as alas até que a escola conseguiu encaminhar bem, mas as alegorias a gente não tinha muito material. E o alternativo é difícil de fazer porque mesmo que, por exemplo, você faça o alternativo, sempre o alternativo vai precisar de “um certo” tratamento artístico para que não fique aquela cara de que não é o carnaval. De que não tenha o deslumbramento do público em geral. Então, é até difícil. A principal fonte mesmo para terminar as alegorias foi de doação”.
Escola vai encerrar o desfile com mensagem sobre educação
Após iniciar o desfile contando a história de divindades femininas e negras cultuadas na cultura africana e mostrar exemplos de mulheres bem sucedidas na sociedade, a Parque Curicica pretende encerrar seu desfile com uma mensagem importante. No ultimo carro a escola vai trazer uma favela baseada em livros retratando a mensagem de que só a educação e a sabedoria vão fazer com que as mulheres tenham o entendimento do seu papel de destaque na sociedade como está presente na sinopse do enredo. André Rodrigues fala que essa crítica social apresentada pela escola é importante devido ao contexto atual que as mulheres negras têm vivido.
“Quando o enredo vem pra atualidade ele fala que essas mulheres hoje não tem nenhum papel principal em nenhum tipo de culto, principalmente não tem o papel principal dentro da sociedade, não tem o poder de fala, de posicionamento político, ele também ressalta que hoje em dia elas lutam muito por isso. E elas têm como base, a realidade das sociedades que elas vivem. Ou, são posicionadas a isso, sendo violentadas, ou desrespeitadas, ou sem poder realizar seu direito a cidadania por algum motivo”.
Entenda o desfile
A união do Parque Curicica será a quinta escola a desfilar na Intendente Magalhães na terça-feira de carnaval com o enredo ‘Eu vi Deus, Ela é negra!’. A agremiação vai levar para o desfile duas alegorias, 15 alas e 750 componentes. A presidente da escola de Jacarepaguá, Lorraine Rosa, contou um pouco de como estão organizados os setores da Curicica.
Setor 1
“O primeiro setor traz a nossa alegoria abre-alas, neste setor temos a representação da origem, símbolo de resistência, a linhagem matriarcal africana se faz presente, recuperando a memória ancestral do continente negro”.
Setor 2
“O segundo setor é marcado pela força da dimensão religiosa, nutrindo os brasileiros de esperança em dias melhores”.
Setor 3
“Neste setor temos a segunda alegoria, traz uma leitura contemporânea das lutas encampadas pelas mulheres negras. A ancestralidade africana se faz presente, incendiando o espírito das nossas guerreiras na busca por uma sociedade melhor, onde se respeitem as diferenças culturais, na qual a palavra tolerância seja substituída por outra, de maior impacto: respeito. A alegoria simboliza, sobretudo, a ascensão de jovens mulheres negras oriundas da periferia, que por meio dos estudos e do trabalho alçam voos, inspirando outras tantas a vencerem”.
Vestida de cientista, Juliene Dias causa no ensaio da Tom Maior no Anhembi
Musa dos Compositores da Tom Maior, a atriz carioca Juliene Dias participou, na noite de sexta-feira, do último ensaio técnico da agremiação no Anhembi, na Zona Norte de São Paulo.
Depois de ter se vestido de Eva, distribuindo maçãs, e no ensaio seguinte ter representado a dualidade entre o bem e o mal, Juliene surpreendeu mais uma vez. Com uma fantasia confeccionada pelo atelier Mauro Fersoz, ela representou uma cientista e distribuiu mil balas em pequenos tubos de ensaio, nas cores da agremiação.
Mesmo sob forte chuva, a musa dos compositores manteve o pique e interagiu todo o tempo com o público e os componentes do carro de som.
Ansiosa pelo desfile oficial, na sexta-feira de carnaval, dia 1° de março, Juliene Dias será uma das Valquírias, as mensageiras da mitologia conhecidas como “as que escolhem os mortos”, que preparavamo exército de Odin para o dia de enfrentamento com os gigantes.
Presidida por Luciana Silva, o Tom Maior desfilará com o enredo “Penso, Logo Existo – As Interrogações do Nosso Imaginário em Busca do Inimaginável”.
Mangueira segue na liderança do ranking dos sambas mais ouvidos com mais de 73 mil audições
O site CARNAVALESCO divulga a nona e penúltima lista dos sambas-enredo mais ouvidos do Grupo Especial para o Carnaval de 2019. A contagem segue o link de cada samba e começou na data de 14 de novembro, quando foram divulgadas as prévias do CD do Especial. A última lista será divulgada no dia 28 de fevereiro. Veja o ranking final:
1 – Mangueira: 73.436 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
2 – Mocidade: 58.847 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
3 – Portela: 58.782 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
4 – Unidos da Tijuca: 53.104 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
5 – Salgueiro: 53.059 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
6 – Beija-Flor: 52.728 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
7 – Paraíso do Tuiuti: 47.617 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
8 – Viradouro: 46.573 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
9 – Império Serrano: 45.843 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
10 – União da Ilha: 43.997 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
11 – Grande Rio: 42.865 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
12 – Vila Isabel: 41.623 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
13 – Imperatriz: 40.974 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
14 – São Clemente: 30.289 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)
Nos embalos de sexta à noite, Unidos de Padre Miguel se declara pronta para o desafio de 2019 da Série A
Sextou e lá estava a Unidos de Padre Miguel para seu penúltimo ensaio, na Praça Guilherme da Silveira, antes da noite derradeira do desfile oficial, quando a escola se lançará à própria sorte, no desafio de ser, finalmente, campeã da Série A. O sonho do Grupo Especial, sempre vivo na cabeça de todos da escola, tem parecido mera utopia a cada Quarta-Feira de Cinzas, ao abrir dos envelopes que praticamente ultrajam uma escola que desfila feito Grupo Especial, porém com seus pertinentes percalços.
O ensaio desta sexta-feira mostrou o mais do mesmo de uma impressão positiva: ainda que sob chuva que insistia em tentar minguar a garra do componente, o canto e a evolução foram os protagonistas. Alinhados com um desempenho formidável da bateria de mestre Dinho e um Pixulé inspirado, os quesitos da Unidos de Padre Miguel mostraram que irão, como nos últimos anos, garantir boas notas para a escola.
Enquanto a chuva caía, ainda que deixando seus intervalos, os componentes gritavam o samba, a escola balançava e os diretores de alas faziam o possível para sustentar o canto de seus grupos. A evolução não apresentou problemas e a escola ensaiou com a presença da comissão de frente e um bom público nas calçadas.
“O tempo não ajudou, mas a comunidade veio. O que impressionou hoje foi o canto da escola. Acho que esse será o diferencial da Unidos de Padre Miguel: o canto da comunidade. Claro que sempre tem uma coisinha para ajustar até o desfile, porque se estivesse 100% hoje, teria alguma coisa errada”, disse Cícero, diretor de carnaval.
Comissão de Frente
Se algumas questões no desenvolvimento de um ensaio ou desfile são complexas, uma dessas questões, com certeza, foi entender a proposta da Comissão de Frente no ensaio de hoje. Mas, calma, torcedor! Nada do que foi apresentado hoje estará no desfile, conforme garantiu o coreógrafo David Lima.
Enfim, a coreografia mais parecia uma inversão de momentos: durante a evolução, percebia-se uma coreografia bem trabalhada, com passos marcados e interessante de se ver. Mas, nos módulos, os componentes se limitam em formarem filas em V, com posicionamentos aleatórios na horizontal, e baterem palmas. Ainda fazia composição da performance, um andor que nada acrescentava na montagem do ato.
Sobre a coreografia do desfile, o coreógrafo David Lima explicou um pouco do que está preparando e como está montando para o desfile.
“O desafio deste ano é unir a teatralização com a dança. Estamos levando para o lado de juntar os passos sincronizados da dança com o teatro. Mas, esse desafio já foi resolvido. Nós já entramos no contexto e temos um trabalho bem promissor”, explicou David.
Para a montagem, o coreógrafo explicou que o trabalho está baseado em três setores
da escola.
“Estamos unificando três setores da escola em uma passada de samba e com muito estudo. Nós conseguimos montar uma coreografia que englobe tudo isso. O que posso adiantar é que está um trabalho bem diferenciado e bonito. É um trabalho forte que passa uma mensagem muito interessante, contou o coreógrafo, ainda explicando que fará uso de elementos cenográficos no ato”.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Um dos casais mais badalados da Série A, Vinicius Anteunes e Jéssica Ferreira estão cada vez mais a ponto de levitarem enquanto dançam. Com muito da coreografia oficial do desfile, o casal mostrou que terá uma dança bastante caprichada, alinhando passos do samba com o tradicional de um casal.
“A maior parte do que for apresentado hoje, foi oficial. Chega uma época, que a gente
tem que estar testando com a escola, principalmente o cronograma de tempo” explicou
o mestre-sala.
Porém, ainda que tenham feito uma bela exibição, Vinicius e Jéssica precisam ajustar
detalhes de marcação de tempo em alguns trechos do samba, principalmente, no verso “aqui se aprende a amar o samba”, os dois batem no peito em momentos diferentes. Se a ideia for essa, a impressão que deixa é de descompasso.
O casal, que ainda tem tempo para fazer seus ajustes, precisa ainda superar a
pressão de sustentar a nota 40 do último ano.
“É uma pressão, porque a Unidos de Padre Miguel é uma escola grande. A pressão é grande, mas o amor também é grande. A gente faz as coisas ainda com mais vontade e mais garra”, afirmou a porta-bandeira.
Harmonia
Um show da comunidade da Vila Vintém nesta noite. Feliz é o diretor de harmonia, Décio Bastos, que pouco tem a se preocupar com o quesito, se o nível da rua for mantido no desfile. O destaque vai para todo o primeiro setor da escola, em especial para a ala das crianças, que se divertiam, como se não se importassem com a ideia de
que elas também valem pontos para o quesito.
“Como em todos os ensaios, nós estamos avaliando os erros e as falhas porque ainda
dá tempo de consertar. Nós temos a favor uma comunidade que abraça a escola, o
canto da escola é muito forte e a evolução é muito boa”, avaliou o diretor de harmonia.
Evolução
Outro quesito que não comprometeu o ensaio, mas sempre requer muita atenção. Os
componentes brincavam em suas alas, mas sem atropelar as outras. A escola fez uso de tripés para marcar ao posicionamento das alegorias.
“A gente ainda está ensaiando na quadra: de canto e de desfile. Nós estamos preparados para o desfile”, disse Cícero Costa, diretor de Carnaval.
Samba-Enredo
Desempenho excelente do samba sob o comando de Pixulé. É perceptível que a obra caiu nas graças do público e a torcida dá uma ajuda na harmonia do canto.
“O andamento foi perfeito e está pronto para o dia do desfile. É esse o andamento
que a gente vai para o desfile. E se Deus quiser para ser campeão. Eu tenho quase a
certeza de que o 40 está garantido para o samba e para a bateria”, disse Pixulé.
Bateria
A bateria do Mestre Dinho vem evoluindo nos últimos anos, em termos de nota. No ensaio de hoje, o quesito teve resposta total do público que vibrou com as bossas executadas. Nem a chuva atrapalhou a batucada.
“Hoje foi 100% e maravilhoso e o samba ajuda. A gente está ensaiando há 6 meses, então as coisas vai se ajustando e se tornando mais fáceis para a nossa bateria. E o melhor: passando no teste da chuva”, contou o mestre de bateria.
A Unidos de Padre Miguel será a quinta escola a desfilar na Sexta-Feira de Carnaval,
onde vai apresentar o enredo “Qualquer semelhança não terá sido mera coincidência”,
em homenagem ao escritor Dias Gomes. A escola tentará novamente o acesso ao
Grupo Especial, embora nesse ano, a Unidos de Padre Miguel talvez precise passar primeiro pelas estatísticas. Os números mostram que será uma façanha matemática conseguir o
título na sexta-feira. O porquê ninguém ganha na sexta, não se sabe, mas que a Unidos de Padre Miguel está se preparando muito bem para tentar quebrar essa “norma”, isso é inegável.
Vai-Vai ensaia com alto desempenho do casal de mestre-sala e porta-bandeira e da comissão de frente
Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo

Finalizando a noite de ensaios técnicos da sexta-feria, a escola de samba Vai-Vai levou para avenida cerca de 2.500 componentes. Coreografia representativa da comissão de frente e simpatia do casal oficial se destacaram na noite.
“A chuva atrapalhou um pouco mas a gente veio bem. A escola evoluiu bem, agora é esperar o dia e vir tecnicamente do mesmo jeito. Eu gostei, estamos analisando algumas coisas que eu não gostei, mas no geral foi satisfatório”, afirmou o presidente Neguitão.
Comissão de frente
Coreografada pelo Chris Brasil, a comissão de frente tem coreografia com alto teor
representativo e interação constante com a plateia, e por isso, o quesito promete ser um
grande ponto de emoção no desfile. Em comparação aos últimos ensaios, todos os integrantes vieram com roupas africanas.
“Foi um ensaio importante. Choveu e a chuva muda tudo, muda a forma eu a gente
pisa no chão, a forma que a roupa funciona no corpo. Deu pra gente vê que a equipe está
preparada, condicionamento físico está em dia, é continuar no foco. O Vai-Vai tem essa energia, parece que quando vem na chuva a escola vem mais forte, a chuva desperta um guerreiro mais forte”, contou Chris Brasil.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal oficial, Pingo e Paula, esbanjou simpatia e sincronismo. A dupla optou por ensaiar com a fantasia do desfile de 2018, toda dourada onde a porta-bandeira traz um coração na fantasia e o mestre-sala com uma pomba, simbolizando Paz e Amor. O estilo de dança de
ambos é com passos mais clássicos e com muita alegria.
“Sempre temos que melhorar, mas fizemos um desfile compacto. Se Deus quiser no desfile
vamos superar as nossas dificuldades e trazer o campeonato pra Bela Vista”, comentou o mestre-sala.

“Foi ótimo, a gente passou no tempo esperado, as apresentações das cabines foram perfeitas. Foi melhor do que os últimos que a gente, e na avenida vai ser ainda melhor”, completou a porta-bandeira.
Evolução
A escola conta com muitas bem alas coreografadas, e o efeito quando junta todas é bem
positivo para a entidade da Saracura. A direção de harmonia optou por um andamento mais cadenciado, constante e sem aceleração.
“A escola mais uma vez mostra o seu poder de superação, muita chuva, muita dificuldade para o componente chegar. Mas estou muito contente com o resultado, ainda tem 10 dias para o carnaval e a escola está ficando pronta. O ápice é no dia e a gente está aguardo pro desfile, o melhor está por vir. A escola está no estágio que ela queria. Passamos na avenida no 57 minutos”, frisou Lourival, diretor de carnaval.

Bateria
A bateria Pegada de Macaco, comandada pelos mestres Tadeu e Beto, entra no recuo de uma forma diferenciada. Os ritmistas ficam de frente à torre 04, e se movimentam de costas. A batucada foi mais cautelosa em relação as bossas, realizando poucos apagões e paradinhas.
Samba-Enredo
O samba-enredo do Vai-Vai carrega uma importância para o povo negro, facilmente encontrada ao ver a evolução dos sambistas. O refrão é explosivo e gera um pico no cantar do folião, influenciando também no próprio quesito de harmonia. A intérprete Grazzi Brasil demonstrou bom sincronismo com a ala musical durante o tempo em que ficou no recuo.
Harmonia
Os componente do Vai-Vai mostram boa uniformidade e empolgação durante a passagem da escola. O cantar da agremiação é constante e nivelado, quesito que não aparenta ser uma dificuldade para o desfile.
Outros Destaques
Dentro de um cenário onde as escolas colocam a ala das crianças presas em alegorias, a agremiação alvinegra vai na contramão e reserva um espaço no chão aos jovens sambistas. O número de crianças e a felicidade deles fizeram com que se destacassem no último ensaio técnico.
Tom Maior: Andamento seguro e bossas em pontos estratégicos marcam desempenho da bateria
Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo

A forte chuva que atingiu a escola anterior amenizou no ensaio da Tom Maior, porém alguns componentes continuaram sofrendo com a pista molhada. No último técnico, a agremiação ainda mostra que existem erros a serem corrigidos, principalmente no quesito de evolução. Com um andamento seguro e bossas estratégicas, a bateria Tom 30 foi o destaque da noite.
Comissão de Frente
A ala trouxe bailarinos com diversidade de cores. Foi notado, principalmente em frente ao
setor B, falta de sincronismo por parte de alguns integrantes.
Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal Jairo Silva e Simone Gomes bailou de forma mais lenta e cautelosa. A porta-bandeira sentiu desconforto com a sandália ainda em frente ao Setor A, optando por dançar descalça. A dupla veio com uma roupa mais leve e de cor branca.
Evolução
Foi notado pontos dentro das alas com falta de organização. Os componentes se distraiam e ocasionavam buracos. Logo em frente a primeira arquibancada, não houve uniformidade ao andar e foi notado o efeito sanfona, principalmente no terceiro e quarto setor.
Bateria
Comandada pelo Mestre Carlão, a bateria soltou paradinhas em lugares estratégicos e valorizou a sustentação do canto da agremiação. Por conta da chuva, a afinação das marcações foi prejudicada, mas logo corrigida pelos diretores.
Harmonia
Ainda nota-se pontos a serem melhorados no quesito. Algumas alas cantam menos que as
outras, e a uniformidade não é vista.
Samba-enredo
O intérprete Bruno Ribas manteve o alto nível em comparação ao desfile de 2018 e os últimos ensaios. A ala musical se mostrou bem entrosada, inclusive nos arranjos do time de cordas.

Outros Destaques
A Tom Maior optou por trazer um tripé logo atrás da comissão de frente. A ala das passistas, assim como no primeiro ensaio técnico, se destacaram pelo número de sambistas, homens e mulheres, e a coreografia durante diversos trechos do samba.



