Por Vinicius Vasconcelos. Fotos: Toninho Ribeiro
Qual o limite entre o que pode virar tema de carnaval e o que não deve passar pela avenida? A vice-campeã em 2018, Independente de Boa Vista, tenta conquistar o pentacampeonato mostrando que um enredo pode ser bem resolvido na passarela desde que possua início, meio e fim. Intitulado de “Entre rodovias e fronteiras… Honras e glórias. PRF 90 anos dos Anjos do Asfalto”, o tema desenvolvido pelo carnavalesco Robson Goulart é uma homenagem aos noventa anos de história da Polícia Rodoviária Federal.
A equipe do site CARNAVALESCO abre a série de matérias dos barracões de Vitória e conversa com o artista que retorna a escola depois de três anos. Robson confessou que primeiro momento se assustou com a proposta que foi levada pelo presidente. Mas depois de muita pesquisa aceitou o desafio.
“Eu tinha alguns enredos guardados, mas em conversa com o presidente ele me trouxe essa proposta. Em primeiro momento todos podem achar que é um tema que não dá samba, comigo também foi assim. Muita pesquisa foi feita e a história foi construída até surgir a sinopse. Confesso que até eu ter esse enredo em minhas mãos não acreditava que tudo poderia virar desfile. Hoje acredito que sim. Fiquei com muito pé atrás, pedi ajuda, li muito e no final deu um samba belíssimo”.
Ciente das críticas e julgamentos prévios desde a divulgação do enredo, o artista dispensa o pensamento de que será um simples desfile. Segundo ele a Boa Vista prepara um carnaval grandioso. A começar pelo abre-alas da escola que possui 27 metros.
“Iremos com um enredo diferenciado. Está sendo muito esperado e muitas críticas chegaram até nós, positivas e negativas. Muitos disseram que falar da PRF não tem nada a ver com carnaval, pois eu digo a esses que esperem um carnaval alegre e descontraído contando a história da corporação. São diversos projetos sociais desenvolvidos por eles, será um outro lado da PRF. A escola está colorida, alegre, com um samba empolgante e vamos fazer o máximo para abrilhantar ainda mais o carnaval capixaba”, explicou.
Com passagens executando trabalho de figurinista pela Caprichosos, Mocidade Independente e Inocentes, Robson explica que o problema financeiro existe em grande parte das escolas e que o carnavalesco tem que saber lidar com as adversidades.
“Já trabalhei no Rio de Janeiro e sinto um pouco a diferença financeira. É complicado e difícil por carnaval na rua aqui. Quando idealizamos um projeto queremos extrair dele o que tem de melhor. Devido a pouca verba muita coisa acaba ficando pra trás. Criamos e recriamos em cima durante todo o processo de construção do desfile. Tem materiais que custam caro e infelizmente não conseguimos usar e optamos pelo material mais em conta que reproduz um efeito similar. Tento adaptar meu projeto o máximo possível as condições da escola. Não podemos deixar a desejar porque é um desfile, tem uma comunidade em volta que acredita no trabalho. Posso não usar material luxuoso mas a maneira de fazer e o carinho fazem toda a diferença”, completou o carnavalesco.
A Independente de Boa Vista será a quinta a escola a passar pelo Sambão do povo em busca do quinto título para a comunidade de Cariacica.
Entenda o desfile
Setor 1: A história da corporação. Como surgiu, quais foram os primeiros policiais, os baluartes que fizeram história entre as rodovias.
Setor 2: Homenagem a todas as séries de televisão e filmes que possuem polícia rodoviária envolvida. Focando no filme “O vigilante Rodoviário”, de 1962. Novelas que também tiveram a PRF envolvida.
Setor 3: Reeducação no trânsito. A importância do pedestre atravessar na faixa, os perigos que motoristas e pedestres correm quando alguém tenta dirigir e falar no celular ao mesmo tempo, o não uso do cinto de segurança, álcool e bebida.
Setor 4: Homenagem a um dos primeiros rodoviários chamado Turquinho. Um dos mais importantes da corporação. Através dele a PRF escolheu sua padroeira Nossa Senhora das Medalhas. Segundo as histórias, uma moeda foi encontrada por ele cujo a imagem era uma santa que se tornou a padroeira. O setor enfatiza todos os romeiros que usam as rodovias com apoio da polícia federal.
Ficha técnica:
Enredo: Entre rodovias e fronteiras… Honras e glórias. PRF 90 anos dos Anjos do Asfalto
Presidente: Emerson Xumbrega
Carnavalesco: Robson Goulart
Diretor de carnaval: Iscley Nascimento
Diretor de harmonia: Anderson Binao
Intérprete: Emerson Xumbrega
Compositores do samba-enredo: Ciraninho, Myngal, Emerson Xumbrega, Bid do Cavaco e Flavinho
Mestre de bateria: Gustavo Mascarenhas
Rainha de bateria: Fabíola Monteiro
Coreógrafo comissão de frente: Márcia Cruz
Alas: 18
Alegorias: 4
Tripés: 1
Componentes: 1600
Baianas: Fronteiras nas rodovias
Bateria: Heróis da Polícia Rodoviária Federal
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: As estradas da paz


“Nós tínhamos uma outra proposta de enredo que foi engavetada a pedido do patrocinador. A escola queria trabalhar novamente com uma linha irreverente e eu tinha três linhas de pesquisa nesse aspecto. O sorriso era uma delas e agradou a todos da diretoria. Fui descobrindo a partir da pesquisa que era realmente a cara da escola, principalmente porque em 84 no primeiro ano em que a MUG começou a disputar carnaval, o enredo era “No Reino Onde Chorar é Proibido”. Com esse gancho viemos fazendo a história da humanidade através dos sorrisos de forma lúdica. Passamos pela diabolização do sorriso, o riso como forma de comunicação e o sorriso irreverente com relação ao grande circo brasil trazendo o trabalhador que segue rindo meio em tantas adversidades”.
“O público que gosta de ver a MUG passando pela avenida está acostumado e sempre espera pelas cores do pavilhão estarem em foco durante todo o desfile. Esse ano optamos por uma forma diferente de construção de carnaval. Trazemos mais colorido e só desvendamos as cores da agremiação no último carro homenageando o ano de 1984”.
“Em meus 20 anos de avenida tive dificuldade por todas as escolas por onde passei. Não tinha estrutura nem condições financeiras. Mas desde 2018 quando cheguei na MUG a diretoria me deu o maior respaldo. A pressão para trazer o bicampeonato existe mas eu senti ainda mais forte quando cheguei. Pelo passado recente da escola com outro carnavalesco que saiu muito vitorioso. Esse ano estou bem confiante no bicampeonato, as dificuldades existem sempre, mas conseguimos manter 100% do projeto inicial que foi criado”, finalizou.
Setor 1: O mergulho no universo do sorriso lúdico. Com abordagem a alguns personagens do Tim Burton como Alice no país das maravilhas.
Com o carnaval praticamente pronto desde o fim do ano passado, Paulo Barros não perde aquela tensão tradicional às vésperas do desfile. De volta à Viradouro, o artista com mais conquistas nos últimos anos, recebeu a reportagem do CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’. Firme convicto nas respostas, reconhece falhas nas últimas comissões de frente que criou, acha os enredos com cunho político e social oportunistas e declara que não pretende deixar a Viradouro.
“Eu não considero que eu tenha mudado absolutamente nada. Tenho convicção de que eu adquiri novos ensinamentos, tendo conhecimento. A vida nos traz exatamente isso, ir agregando ano após ano, coisas que deram errado e você vai acertando. Traduzo minha trajetória como um eterno aprendizado. Infeliz daquele que acha que sabe tudo. O carnaval é um processo realizado por uma equipe, que é esmiuçado durante o ano e se concretiza ali no dia”.
“Eu estou ficando velho. Tive a oportunidade de usar esse espaço, que é morto para construção de carro alegórico. Essa sala já existia e construir carros aqui ficaria inviável. Aproveitei pois isso facilita a solução. No terceiro andar é um sobe e desce o tempo todo. A coisa fica mais tranquila”.
“Eu não considero uma tendência. Foi algo que deu certo ano passado. Algumas escolas estão decidindo enredos dentro de um mesmo conceito, mas cada um é dono de seu nariz. Chegamos à conclusão aqui na Viradouro que precisávamos de uma estratégia de enredo. Fizemos um estudo de possibilidades e a que mais se adequou foi a que escolhemos. Por conta da minha plástica, das características da bateria. O modismo de enredo crítico e social eu vejo como um oportunismo. O povo gosta da lamúria e do sensacionalismo. Cada um tem um direito de fazer a sua escolha. Escolhemos outro caminho”.
“A minha linha de frente será a comissão de frente. Tenho uma dedicação enorme com esse segmento. Minhas últimas comissões não deram certo? Não estou aqui para concordar ou discordar. Cada um tem direito a emitir sua opinião. Tive problemas sérios de entrosamento com os coreógrafos nos meus dois últimos trabalhos. Precisei substituir há poucos dias do desfile e isso obviamente tem um impacto. No ano passado, por exemplo, na Vila Isabel eu tive um problema técnico, o equipamento que fomos buscar não funcionou, no que diz respeito ao que ele deveria fazer e não fez. Precisei fazer adaptações e isso impactou o resultado final. Tive a felicidade de contar com o Alex Neoral, ele foi bastante guerreiro. Esse ano pela primeira vez eu tive praticamente um ano de trabalho. A comissão tem um trabalho totalmente seguro. Se ela vai surpreender é outra coisa. Essas coisas acontecem na hora. Minha ideia e meu olhar é de que promete grandes momentos em nosso desfile”.
“Estou querendo ficar quieto em um lugar. Para você fazer um trabalho sólido você necessita no mínimo de três anos. Isso de ficar trocando de escola não é bom. Se eu pudesse ficaria um tempo maior nas agremiações. Quantos frutos a minha permanência na Unidos da Tijuca me trouxeram? Quando há a troca você tem que começar do zero e é muito ruim. Se eu pudesse escolher, escolheria ficar aqui. Minha última lembrança aqui não foi boa. Mas eu tenho inteligência suficiente para entender que o momento da escola é outro. A essência da Viradouro é que não mudou”.
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Boa notícia para quem acompanha de perto os desfiles da Intendente Magalhães. A Liesb (Liga das Escolas de Samba do Brasil) fechou acordo com a emissora MAX TV RIO, que vai transmitir os desfiles da escolas de samba do Grupo B este ano.
A Liesa realizou, na noite desta segunda-feira, o segundo curso de julgadores para os desfiles do Grupo Especial do Carnaval 2019. A relação sofreu uma alteração em relação ao que foi divulgado há uma semana: por razões particulares, a julgadora FABIANA SOBRAL solicitou dispensa no quesito EVOLUÇÃO, sendo substituída por LUCILA BEAUREPAIRE.
A raça da comunidade nilopolitana é algo bem conhecido por todos que acompanham ensaios e desfiles da azul e branca da Baixada Fluminense. No último domingo, diante da chuva torrencial que caiu na região metropolitana do Rio de Janeiro, essa garra e a vontade de vencer apareceram de novo. Enchendo a Avenida Mirandela com toda a sua pujança, a Beija-Flor não se deixou abater pelo temporal e realizou um grande ensaio.
A vermelho e branco de Niterói fez uma bela homenagem a Bibi Ferreira durante a concentração do ensaio técnico e pegou a todos de surpresa, ninguém esperava a singela lembrança para memória da grande cantora, que faleceu na última quarta feira, vítima de uma parada cardíaca aos 96 anos. Nem mesmo Tina Ferreira, filha única de Bibi, tinha ideia de que sua mãe iria ser lembrada e agraciada.
“Eu não esperava essa homenagem da Viradouro, eu soube hoje dessa homenagem, através do empresário da minha mãe. Nós recebemos a homenagem da Viradouro no velório da minha mãe, foi tão bonito, eles foram lá cantar o samba-enredo de 2003 e foi realmente emocionante. E hoje estou mais emocionada ainda, de estar aqui na Sapucaí, que eu estive junto com ela no desfile. É tão bonita a bandeira da Viradouro com o nome da minha mãe”.
“Eu estou muito cansada e esses dois dias foram muito complicados, mas eu disse eu viria. É o povo fazendo homenagem a minha mãe e minha mãe trabalhou para o povo”.