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Dragões da Real apresenta enredo com clareza e faz desfile tecnicamente perfeito no Anhembi

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Dragoes Desfile2019 86De acordo com a proposta de seu enredo, a Dragões da Real foi um relógio esta noite no Sambódromo, quando foi a segunda a se apresentar pela segunda noite de desfiles do Grupo Especial. Além de ter sido o enredo mais claramente apresentado na avenida até então, a apresentação foi tecnicamente perfeita dentro do quesitos que estão em julgamento. Tanto que a escola precisou de 59 minutos, seis a menos que o tempo máximo, para encerrar sem qualquer dificuldade o seu desfile. Está credenciada na disputa do título.

Comissão de Frente

Dragoes Desfile2019 17A Dragões da Real apresentou na sua comissão de frente a magia de uma máquina do tempo capaz de transportar em tempo real personagens de diferentes épocas, de modo a deslumbrar os olhos de quem assiste e a convidar a reflexão sobre a transformação do homem ao longo do tempo. Para tanto, a escola convidou a observar a escala evolutiva desde os primatas, perpassando por uma família de neandertais, que curiosos desbravavam a máquina do tempo, transformando-se em homo sapiens modernos pintados de brasilidade. Representantes brasileiros, pertencentes à sociedade contemporânea, reconheciam os heróis que marcaram o tempo. Desse modo, eles deslumbravam os gols de Pelé, a maestria de Ayrton Senna, as conquistas de Guga e os saltos de Daiane dos Santos. E o tempo não parando, os personagens seguiam na sua experiência cujo espaço é o limite, representado por um astronauta, que no topo da máquina do tempo revelava-se um primata, como um retorno ao primitivismo e o desejo de seguir além, pois nada será como antes, tudo na vida há de se transformar. Foi a comissão mais interativa do Grupo Especial até o momento, de fácil leitura e muito lúdica na apresentação dos personagem. A fantasia que exaltava o uniforme verde e amarelo poderia estar mais carnavalizada.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Dragoes Desfile2019 26O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Dragões, por meio de seu bailado, representou a relação entre o sol e a lua, que são considerados os pais de cronos, donos de um amor infinito, força de um ciclo eterno. A porta-bandeira apresentou sua saia com plumas e faisões negros, além de diversos cristais nobres e outras pedrarias que compuseram a fantasia. A simbologia da lua esteve presente em sua saia. O mestre-sala, representando o sol, trajou um macacão em placas acrílicas na cor dourada com detalhes em penas de rabo de galo e cristais nobres. A apresentação se deu sem falhas nas três torres de julgamento e a indumentária foi uma das mais bonitas a passar pelo Anhembi, bastante tradicional e cheia de faisões.

Harmonia

Dragoes Desfile2019 32A harmonia apresentada pela Dragões foi o tempo todo extremamente técnica. As alas não deixaram de cantar o samba, embora não o tenham feito com um volume que outras escolas fazem. Entretanto esse não pode ser um aspecto passível de punição, uma vez que o canto esteve o tempo todo presente, em destaque nas do quarto setor da agremiação.

Enredo

Dragoes Desfile2019 53Em seu enredo, a Dragões da Real, abraçou-se a um delírio criativo e a licença poética, apresentando o tempo como principal temática na avenida. Uma jornada que se propôs a nos levar aos nossos antepassados, permitindo o desbravar com o templo de cronos, deus do tempo e guardião do destino da humanidade, que transpassou pela inquieta mente humana que se lançou ao desafio de fatiar o tempo, pela tentativa de controlá-lo através de instrumentos e técnicas, ao ímpeto de viajar pelos mistérios do passado e futuro, pelas conspirações dos tempos modernos até chegar à noite deste sábado de carnaval, 02 de março de 2019. O enredo foi o mais bem apresentado do Grupo Especial até aqui. Alas com fantasias de fácil leitura e muito bem acabadas. Alegorias que resumiam bem cada setor apresentado. Destaque absoluto para o último setor que fazia alusão a uma odisseia de 65 minutos, nada mais que o próprio desfile da Dragões. Extremo bom gosto e ótima compreensão.

Evolução

Dragoes Desfile2019 66Passando extremamente técnica pela pista, a Dragões nem precisou de usar uma hora do tempo para passar sem qualquer tipo de problema pelo Anhembi. As fantasias, embora bastante volumosas, não atrapalharam a evolução dos componentes, que se não foi um sacode, foi extremamente correta.

Samba-Enredo

Dragoes Desfile2019 10O rendimento do samba poderia ter sido melhor. Não houve comunicação com o público, embora a obra tenha atendido à proposta apresentada na avenida. Renê Sobral teve boa atuação e o conduziu com segurança, mas viveu dias mais inspirados no Anhembi. A obra não aconteceu nos 59 minutos de desfile da Dragões.

Fantasias

Dragoes Desfile2019 55A ala de baianas veio representando um relógio de pêndulos no segundo setor do desfile. Os passistas desfilaram com a fantasia ‘O coração em compasso acelerado’. O figurino da bateria se chamava ‘O ritmo do tempo’. O conjunto demonstrou todo o talento do carnavalesco Mauro Quintaes, se destacando a primeira ala do desfile, com plumas vermelhas e relógios enormes. Uma das mais criativas fantasias foi a que mostrava a contagem regressiva, com pierrôs e colombinas segurando estandartes com números de 10 a 0. Um show de criatividade e bom gosto de Quintaes.

Alegorias

Dragoes Desfile2019 85O carro abre-alas da Dragões da Real representava o Templo de Chronos. A segunda alegoria do desfile, fechando o setor chamava-se ‘Contando o Tempo’. ‘Viajando tempo, o domínio de ir e vir’ veio na sequência fechando o terceiro setor do desfile. ‘O homem e a escravidão dos tempos modernos’ era o nome do quarto carro do desfile da tricolor. ‘Tempo-Eternidade: nossos 65 minutos’ foi o carro que fechou o desfile da Dragões no Anhembi. A última alegoria foi o grande destaque do conjunto, com uma leitura. Divertida, trazia além da contagem regressiva para o fim do desfile, um rei momo “chateado” segurando um cronômetro com o tempo de 65 minutos, demonstrando que o desfile estava no fim.

Bateria

Dragoes Desfile2019 43Representando o ritmo do tempo dentro da proposta do enredo, a bateria passou fazendo poucas bossas optando pela manutenção do ritmo. Os ritmistas demonstraram bom entrosamento com o intérprete Renê Sobral e possibilitaram um bom canto para os componentes.

Outros Destaques

A ala de baianas trazia uma fantasia nas cores da escola com detalhes e ouro e relógios na saia das senhoras da Dragões. A fantasia da rainha Simone Sampaio arrancou aplausos no público, pois tinha uma asa acionada pela própria. Chamada de ‘O tempo voa’ foi um dos pontos altos da passagem da bateria. Foi o desfile mais rápido do Grupo Especial até o momento, demonstrando sua total eficiência.

“Se fere a minha existência, serei resistência”. Forte nas redes sociais, expressão tem destaque em desfile da Sossego

Por Lucas Gomes

Em um desfile que prezou por reforçar a importância de se acolher todas os tipos de crença, o Acadêmicos do Sossego apresentou a ala “Povo de Axé” na parte final de sua passagem pela Sapucaí. Com a intenção de fazer do desfile um clamor pela liberdade religiosa, a fantasia da ala fez alusão à expressão “Se fere a minha existência, serei resistência”, contando com a presença de baluartes da escola.

sossego desfile2019 28Além da ala, figuras ilustres da agremiação também desfilaram no carro “Não Destrua Meu Terreiro”, a última a passar pela Sapucaí no primeiro dia de desfiles da Série A. Caracterizados com vestuários típicos das religiões de matriz africana, reforçaram a proposta da Sossego de valorização das crenças de origem afro e de combate à intolerância religiosa.

Para Jane da Silva, que participou de seu 45º carnaval pela escola, a proposta da agremiação foi apresentar um desfile que contribuísse para conscientização acerca da problemática.

“Católicos e evangélicos dificilmente aceitam as religiões de matriz. Para mim, Deus é um só. Além disso, o nosso Brasil é um país de maioria negra, temos, portanto, que respeitar as religiões de matriz africana. Então acho que fiéis de todas as crenças têm de ser unir, e viemos para o desfile com esta intenção. Acredito que este seja um dos significados de ser resistência”, refletiu.

Sérgio Henrique, que já desfila há 42 anos pela Sossego, reflete de maneira semelhante ao criticar os ataques físicos sofridos por templos de umbanda por todo o Brasil.

“O desfile da Sossego é uma forma de resistência a essa violência religiosa que temos visto. É católico brigando com evangélico, que briga com o umbandista. É terreiro sendo atacado e destruído…Não pode isso! É preciso respeitar todas as religiões. Hoje, nós viemos pedir paz na avenida”.

Mas a presença de baluartes da agremiação não foi o único destaque da alegoria. A representação da cantora e deputada Leci Brandão também chamou a atenção. A política já afirmou ter sofrido ataques de intolerância por ser a favor e projeto de lei que proíbe a utilização de animais em rituais religiosos.

“Eu acho que o carnaval dá possibilidades para que você enxergue as coisas de uma outra forma. Porque, quando você carrega um fio de conta no espeço, automaticamente você é criminalizado pela sociedade por ser seguidor de uma religião de matriz africana. E quando você desfila, mostra que não há diferença. diferença. A escola cruzou a avenida sinalizando que não se pode haver intolerância religiosa, já que o importante é a fé”, disse Erick César, que desfilou representando a deputada Leci.

Unidos de Bangu surpreende e faz desfile compacto, mas falha na leitura do enredo e de acabamento

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Por Geissa Evaristo

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A Unidos de Bangu teve pelo segundo ano consecutivo a missão de abrir os desfiles da Série A, deste sábado, porém dessa vez a agremiação da Zona Oeste surpreendeu e fez um desfile compacto e organizado, mas pecou em enredo e no acabamento das alegorias. A escola contou com a estreia do carnavalesco Alex de Oliveira apresentando o enredo “Do ventre da terra, raízes para o mundo”. A vermelho e branco esqueceu de vez o desfile do ano passado que lhe rendeu o penúltimo lugar.

Comissão de Frente

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A comissão de frente da dupla estreante na Série A, Luiz Carlos e Natasha Lima apresentou “Da terra, a força e a fé do povo Inca” trazendo o cenário dos agricultores Incas cultivadores de batatas e a impressionante devoção aos deuses que culmina com a Inti-Raymi, a Festa do Deus Sol). O grupo coreográfico fez apresentação correta nas quatro cabines. A maquiagem corporal dos bailarinos deu um efeito todo especial, mas não empolgou em frente a nenhum módulo de julgadores. O personagem pivô teve um contratempo com a parte debaixo da sua fantasia que feita de algodão, despencou um pedaço durante a apresentação frente à última cabine.

Mestre-sala e Porta-bandeira

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Anderson Abreu e Elisa Xavier, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação também estreou na função. A dupla até o último carnaval formava o segundo casal, o que não contava pontos. A curiosidade fica por conta de que sempre dançaram juntos na profissão. Após o desfile, a porta-bandeira foi pedida em casamento pelo mestre-sala. Já na estreia apresentando a fantasia “Devoção ao Tesouro Inca”, que representava as joias do chão do Peru ancestral misturadas às pepitas de ouro, complementando a comissão de frente, a dupla não foi bem em frente ao primeiro módulo de julgadores. Em alguns momentos pareciam confusos em que passos iriam executar. A porta-bandeira deu uma volta a mais enquanto o mestre-sala estava parado para receber o pavilhão. Frente aos demais módulos no entanto, a dupla se recuperou e fez uma apresentação mais tranquila. No quarto módulo, porém, uma pluma da saia da porta-bandeira descolou ficando no chão durante a execução do bailado do casal.

Harmonia

Bangu Desfile2019 071O trio de intérpretes Daniel Collete, Tem Tem Jr e Luis Oliveira teve a missão de conduzir o samba-enredo na Avenida. Como pelo regulamento da Série A subdivide o quesito em harmonia do carro de som e canto da comunidade, a escola de samba contou com uma boa condução do trio, porém o samba não empolgou os componentes que pouco cantaram a obra na Avenida.

Enredo

Bangu Desfile2019 116Com a proposta de trazer para a Avenida as histórias e curiosidades de um dos alimentos mais consumidos do mundo, o enredo da escola sobre a batata foi divido em 4 setores com cerca de 1800 componentes distribuídos em 15 alas e 4 alegorias. Como o enredo foi desenvolvido dentro das curiosidades do tema, só era possível a leitura acompanhando quase sempre o guia Roteiro dos Desfiles, distribuído gratuitamente na Marquês de Sapucaí. A proposta do carnavalesco de ter a batata como fio condutor e comparar a versatilidade do alimento com a do próprio povo brasileiro pode perder décimos por ausências de elementos e na montagem da escola, como: ausência do casal de reis frente a 1ª ala da escola, informado no roteiro de desfiles. Mais musas do que o informado frente ao abre-alas, ausência de destaque de chão na frente da 15ª ala e inclusão de musas na frente da 18ª ala e do 4º carro alegórico.

Evolução

Bangu Desfile2019 083A evolução da escola só contou com um buraco frente ao abre-alas na quarta cabine, buraco este que as musas que desfilaram à frente retornaram para tentar preencher o espaço, o que não é permitido. As alas também não preencheram toda a extensão da pista de desfiles, ficando mais centralizadas no meio da pista. Importante destacar que a escola não correu, nem acelerou em nenhum momento, dando um andamento confortável para o componentes desfilar.

Samba-enredo

Bangu Desfile2019 084Com samba assinado por uma parceria formada por compositores consagrados em outras escolas, casos de Samir Trindade e Neyzinho do Cavaco, tricampeões da Portela, a obra não empolgou e pode ter prejudicado o quesito Harmonia. Eram poucos os componentes que desfilaram o tempo inteiro cantando o samba-enredo da agremiação que também não contou com a comunicação do público.

Fantasias

Bangu Desfile2019 098As fantasias da escola não eram luxuosas. Assim como a maioria das agremiações do grupo, o conjunto de fantasias foi simples. Foram apresentados problemas de calçados com o muso frente ao abre-alas que estava descalço e com as composições do abre-alas que estavam com a mesma fantasia, mas com sapatos diferentes. As composições da lateral direita da terceira alegoria também estavam descalças. No carro abre-alas a última componente da lateral direita estava com o sutiã do biquíni diferente das demais composições do carro. O grupo de musas frente ao carro 3 estava sem a parte de cima da fantasia e cada uma foi com a sua parte de cima diferente, visivelmente improvisada.

Alegorias

Bangu Desfile2019 045Nas alegorias, o segundo carro alegórico “A grande fome” o carnavalesco abusou da criatividade e decorou a alegoria com caixotes de feira, no entanto na lateral direita nos fundos a grade de madeira da varanda do segundo andar estava solta, além de uma casinha apenas nas ferragens. Na quarta e última alegoria “Batata: símbolo de união e paz”, a mão da escultura estava quebrada, faltando dedos em uma e com falhas de acabamento na outra.

Bateria

Bangu Desfile2019 061Mestre Léo Capoeira pelo segundo ano à frente do Caldeirão da Zona Oeste deixou uma excelente impressão da bateria que levantou a Sapucaí ainda fria para a segunda noite de desfiles com o tempo chuvoso. Léo adequou a bateria no toque de caixas, fazendo a batida em cima. À frente da bateria, a cantora Lexa exibia samba no pé e levantou o público em sua passagem. Mestres Lolo, Bereco e Caliquinho apresentaram a bateria.

Renascer 2019: arrancada do samba no desfile

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Renascer 2019: bateria ao vivo no desfile

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Galeria de Fotos do desfile da Águia de Ouro no Carnaval 2019

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Bangu 2019: galeria de fotos do desfile

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Sem Crivella, Sossego entra na avenida com imagem de Eduardo Paes no último carro

Por Lucas Gomes

sossego desfile2019 30Às vésperas do carnaval, a polêmica sobre apresentar uma escultura semelhante ao prefeito Marcelo Crivella em referência a Exu, marcou os preparativos para o desfile do Acadêmicos do Sossego. A escola, no entanto, optou por não levar a atração para a avenida. A imagem de Eduardo Paes, antecessor do atual gestor do município do Rio de Janeiro e conhecido pela sempre presença nos desfiles da Sapucaí e pelo habitual apoio à LIESA durante sua administração, substituiu a suposta escultura no carro “Não Destrua Meu Terreiro”.

A decisão da escola dividiu as opiniões dos componentes da última alegoria, que além de levar a imagem de Paes, também cruzou a avenida com uma escultura de uma mãe de santo chorosa.

sossego desfile2019 28“Eu não concordo. A escultura era uma entidade de umbanda que abre o caminho às pessoas. O Exu dá o caminho. Ele é o caminho. Mas se fizeram alusão a algum político, não me cabe comentar. Mas se havia algum risco de processo, acho que a escola agiu corretamente em optar por não apresentar a escultura”, disse Luis Besuche, que desfile pela agremiação há 35 anos.

Já Augusto Monteiro, um dos fundadores da agremiação e também um dos responsáveis por trazer a escola para o Rio de Janeiro, em 1996, afirmou não ter concordado com a crítica ao prefeito. Por outro lado, entende que a censura também não é o melhor caminho.

“Eu não traria a imagem. Mas não pode medo, e sim por respeito. Então agradeço por não terem feito essa comparação com o prefeito Marcelo Crivella. Mas se a decisão foi tomada por medo de processo, então não acho que deveriam ter censurado a imagem, porque carnaval é crítica, é irreverência. Além de tudo, é um direito de quem dirige a escola”, opinou ele, que desfilou na frente do carro alegórico, no chão.

Entre os destaques dos desfilantes da alegoria, Glória Dilogunhede também comentou a polêmica e lembrou o desrespeito que o carnaval vem sofrendo pelo poder público.

“Na verdade, o carro não seria o Crivella, mas sim um diabo que viria um pouco parecido com ele. No entanto, houve este problema, e o carro não desfilou. Em função disso, a alegoria acabou sendo modificada. Ao mesmo tempo em que o enredo falou de intolerância religiosa, foi vítima da mesma prática”, refletiu Dilogunhede.

Carro Saramandaia encerra desfile da UPM em homenagem a Dias Gomes

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Por Larissa Rocha

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Já passavam das 3 horas da manhã quando o quarto e último carro da Unidos de Padre Miguel, quinta escola a desfilar na noite desta sexta-feira, entrava na Avenida para encerrar a homenagem a Dias Gomes, um dos maiores autores brasileiros, cujas obras estão até hoje nas nossas memórias.

Intitulado “Na apoteose do absurdo, viva santo Dias” o grandioso carro composto por galos, muitas cores e Dona Redonda já dizia a que veio, era a vez de falar de uma das obras mais lúdicas de Dias Gomes, Saramandaia, que brilhou na teledramaturgia em 1976 e ganhou um remake em 2013. Na trama, a cidade de Bole-bole encontra-se em meio a uma discussão sobre a mudança de nome para Saramandaia, proposta pelos mudancistas. Os tradicionalistas, por outro lado, querem manter o nome.

No carro, cidadãos bole-bolenses como Lobos e Donas Redondas se misturavam a artistas, familiares e amigos de Dias Gomes. Enquanto esperava para subir no carro, Luiz Felipe Borges, marido de Renata Dias Gomes, neta do escritor, se emocionou ao falar sobre o autor.

“Saramandaia foi uma das obras mais importantes dele, e não poderia faltar no desfile. A escola está linda, o João entende a obra do Dias e conseguiu unir isso tudo, está incrível!”, contou.

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Lauro Piuma, ator e componente do carro, diz que a alegoria representou o realismo fantástico de Dias Gomes.

“O carro mostrou tudo o que a arte e o mundo lúdico dele representa para nós artistas, a cultura popular brasileira está presente aqui”, apontou.

André Souza, que desfila na UPM há 28 anos, considera a homenagem ao romancista muito justa.

“Ele foi um autor muito importante, por isso devemos homenageá-lo, esse carro acrescenta muito ao desfile, lembro bastante da novela e do sucesso que fez na época, ele merece tudo isso”, celebrou.

Eugênio Leal analisa o desfile da Águia de Ouro

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