Paulo Barros faz melhor desfile plástico da carreira e coloca Viradouro na rota do título
Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes
Diversos versos do samba-enredo da Unidos do Viradouro servem para ilustrar o desfile da agremiação na noite deste domingo de carnaval no Sambódromo. Mas nenhum deles seja tão definitivo quanto ‘o brilho no olhar voltou’. A vermelha e branca de Niterói deixou a avenida nos braços do povo e o carnavalesco Paulo Barros realizou seguramente o seu melhor projeto em termos de alegorias e fantasias da carreira. Somado a isso uma atuação irretocável do chão da escola, impulsionado pelo intérprete Zé Paulo e a bateria Furacão Vermelho e Branco. Fatores que colocam a escola, mesmo sendo apenas a segunda a desfilar na primeira noite, no caminho do título do Grupo Especial. A Viradouro apresentou o enredo ‘Viraviradouro’ e terminou o desfile em 75 minutos.
Comissão de Frente
A comissão de frente foi o prólogo que revelava ao público o início do enredo e o livro mágico Viraviradouro. O neto saia da casa da vovó e, já dominado pela curiosidade, voltava a ser criança, para tentar descobrir os mistérios que o animaram na infância. Vovó trazia então ‘O Livro Secreto dos Encantos’, e o menino, curioso, tentava tirar de suas mãos. Surgiam impetuosos cavalheiros, capazes de enfrentar qualquer perigo, para defender a paz, a justiça e o amor, e procuravam proteger a relíquia. Mas era tarde.
A criança rouba o livro e abre. Em um instante, a magia estava no ar. O grupo era então cercado por bruxas, que aparecem de todos os lados, e vovó é transformada em uma delas. A apresentação conseguiu em um primeiro momento cativar o público durante todo o show e depois resumir o enredo de maneira sucinta. Embora, a peruca do personagem que fazia uma das bruxas tenha caído no primeiro módulo, a comissão foi uma das melhores já realizadas pelo coreógrafo Alex Neoral.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Julinho e Rute representavam a princesa e seu príncipe. Eternos personagens dos mais conhecidos contos de fadas, eles apresentaram a Viradouro, bailando na Sapucaí. A fantasia do casal era lúdica e toda em faisões brancos com pedrarias em prata. Experiente, a dupla passou com perfeição em todos os módulos de julgamento.
Harmonia
Um show da comunidade de Niterói na Marquês de Sapucaí. Nenhuma fantasia teoricamente mais volumosa atrapalhou o canto dos componentes, que passaram por toda a Marquês de Sapucaí gritando o samba-enredo, injustamente criticado por tantos no pré-carnaval. O bom rendimento também foi devido ao carro de som comandado por Zé Paulo, muito mais comedido que nos últimos anos em relação a cacos, mas mantendo o seu grande talento, e, acima de tudo, interpretando o samba-enredo. Os dois últimos setores da escola foram os que mais brilharam passando pela avenida cantando muito forte. Tanto que até frequentadores de frisas e camarotes cantaram junto.
Samba-Enredo
Bastante criticado no período pré-carnavalesco, o samba-enredo provou que este tipo de julgamento não possui qualquer valor fora da avenida. O rendimento da obra serviu ao grande desfile realizado pela agremiação. Diversos aspectos da composição impulsionaram o canto da comunidade e ajudaram a embalar a apresentação da escola.
Evolução
Beirou a perfeição. O início foi bastante forte, com alas brincando todo o tempo, evoluindo soltas e com muita movimentação. Entretanto, houve uma desnecessária acelerada no passo a partir do segundo recuo de bateria. Tanto que para evitar um término de desfile muito rápido a escola precisou reduzir este andamento. Irregularidade no último módulo que pode representar na perda de décimo no quesito, que pode ser descartado se nos demais módulos houver a nota máxima.
Enredo
Certamente uma das três maiores apresentações de um enredo do carnavalesco Paulo Barros. Quem o acompanha desde o início da carreira se lembrou de seus melhores momentos na Unidos da Tijuca. A história foi estruturada a partir de cinco setores muito bem defendidos. Na abertura o desfile mostrava o desvendar do livro secreto com as apresentações da comissão de frente, o casal e uma ala repleta de personagens marcantes da infância de todo mundo.
No primeiro setor foram mostrados os encantadores, como Zeus, o gênio da lâmpada e a fada madrinha. A partir do segundo setor a história trazia os encantados, com histórias de contos de fadas, como de príncipes e princesas. O setor foi encerrado com a lúdica alegoria da Bela e a Fera. Os amaldiçoados vieram a partir do terceiro setor, onde veio a bateria. Na quarta parte do desfile as criaturas da noite e definitivamente o setor ‘Das cinzas voltar, nas cinzas vencer’. Este último setor foi o único que não teve um desenvolvimento claro como os demais.
Fantasias

O conjunto de fantasias apresentado pela Viradouro, mesmo ainda restando muitas escolas a se apresentar, deve certamente ser um dos destaques do ano. Além da excelência no uso de materiais, algo que Paulo Barros nunca tinha feito com tanta perfeição, foi percebida sua marca registrada, a excelente leitura dos figurinos. A primeira ala da escola com os personagens de contos de fadas foi o destaque do primeiro setor. Merecem menção as alas 6 (poção mágica – baianas), 7 (demônio), 9 (príncipes e princesas), 12 (Alice no país das maravilhas), 14 (lumiére), 17 (toque de midas – passistas), 18 (mago Merlin – bateria) e 20 (pirata). Outro ponto de destaque foi a presença de maquiagem em diversas alas, que não se desmancharam na chuva.
Alegorias
Um conjunto alegórico que foi o melhor da carreira de Paulo Barros no aspecto do acabamento. Além disso, cada carro trazia um ponto de interatividade com o público. No abre-alas os livros se movimentavam e deles saíam personagens que desciam da alegoria. No segundo carro, das bruxas, elas ‘voavam’ no topo do carro. No quarto carro, o melhor do conjunto, as composições mudavam de rosto através de máscaras de látex. Mas o ponto alto do desfile em termos de comunicação com o público foi sem dúvida a quinta alegoria, do motoqueiro maluco. Ele saía do carro, as alas se abriam para ele passar, e ele ia até o carro 4. Um momento de muitos aplausos. Pena que não tinha o tradicional fogo, que foi vetado pelos Bombeiros. A alegoria da fênix encerrou o desfile com o pássaro e uma bandeira da Viradouro no seu bico.
Outros Destaques

A bateria de mestre Ciça repetiu a paradinha do ensaio técnico, quando os ritmistas se abaixavam, exceto o naipe de tamborins, e depois se levantavam. O público delirou neste momento. O mestre fez algo que não está acostumado, veio fantasiado, de Mago Merlin. Todos os julgadores do terceiro módulo aplaudiram de pé a passagem da Viradouro. Viviane Araújo, rainha de bateria do Salgueiro, era uma das mais entusiasmadas com o desfile e vibrou com a passagem da escola de um camarote.
Viradouro apresenta desfile de fácil leitura e faz componentes e foliões voltarem à infância
Por Nathália Marsal
A Unidos do Viradouro foi direto ao ponto sobre seu objetivo com o enredo “Vira Viradouro”: voltar ao Sábado das Campeãs e relembrar os tempos áureos. E demonstrou isso em cada setor da escola trazendo uma pegada leve, atraindo o folião e os integrantes pela emoção e fácil leitura da apresentação, como uma grande contação de história.
Como no Abre-Alas que trouxe uma grande estante de livros de onde bruxas contam histórias e despertam lembranças. Em seguida, elas ressurgem no segundo carro da agremiação “Bruxas” com muita desenvoltura de detalhes.

Mas foi o segundo setor, “Encantados”, que mais chamou atenção com alas e carros inspirados em contos que já passaram pela casa de muitos brasileiros: “Cinderela e o Príncipe Encantado”, “Soldadinho de Chumbo”, “Alice no País das Maravilhas” e “Lumiére”.
Carla Elethério ficou maravilhada com as alegorias. Há 21 anos na escola, ela acredita que o enredo tem poder para fortalecer a agremiação de Niterói.

“Ano passado, estava doente na época do desfile e não pude participar. Esse enredo vai trazer a magia para Avenida. Quem me viu chorar vai me ver sorrir. Está tudo bonito”, defende a foliã, que chegou às 15h para fazer maquiagem da ala “Pirata”, em referência ao filme “Piratas do Caribe”.
Aline Brazão acredita que o enredo tem a ver com o momento da escola e afirma que é preciso ter esperança, assim como temos quando lemos um conto.
“É realmente um renascimento, uma maneira de resgatar o que ficou escondido, o que ficou na infância. Precisamos acreditar que é possível. Vamos perdendo a inocência, a ingenuidade e perdendo a esperança. A Viradouro vai renascer das cinzas. As fantasias estão com uma linguagem boa de entender, o samba enredo está maravilhoso e tenho certeza que a arquibancada e quem estiver assistindo em casa vai saber mesmo sem conhecer a escola”, afirma a niteroiense que desfila há dez anos na escola.
O desejo de Aline estava há poucos metros de distância dela, representado pelo sexto carro “A Fênix e o Renascer das Cinzas”, que finalizou o desfile esbanjando alegria e esperança.
Carro “Bruxas”: corajosos, desfilantes da Viradouro voam a 10 metros de altura no desfile da vermelha e branca de Niterói
Por Nathália Marsal
Sombrio e cheio de efeitos, o segundo carro do Unidos do Viradouro, “Bruxas”, cruzou a Avenida fazendo dez bruxinhas voarem nesta primeira noite de desfiles do Grupo Especial. A preparação para subir os 10 metros de altura começou às 16h30, com a maquiagem. Por volta das 20h30, os componentes subiram na estrutura, na qual aguardaram até a hora do desfile, por volta de 23h. Para isso, nada de alimentos pesados ou bebida alcoólica antes do desfile. Há até componentes que que use fralda descartável para evitar a descida do carro.
Os ensaios começaram em novembro e aconteciam duas vezes por semana. O desempenho e a segurança em cima do carro fluiu tanto que a ala, que antes não tinha coreografia, ganhou uma.
A busca para achar bruxinhas ideais para a alegoria começou em julho de 2018, quando abriram as inscrições com um único pré-requisito: ter coragem para encarar a altura e fazer a escola voar para o Sábado das Campeãs.
Michele Campinos, monitora que faz parte da equipe dos coreógrafos Roberta Nogueira e Marcelo Sandryni desde 2009, conta que algumas selecionadas já trabalharam com o carnavalesco Paulo Barros, no carro Gulliver, da Portela, em 2016. Na alegoria, que mulheres escalavam um carro de 18 metros de altura.
Os componentes deste tipo de carro alegórico são pessoas comuns e, geralmente, apaixonadas por esportes radicais. É o caso de Caroline Almeida, de 24 anos, que desfila pela primeira vez na Viradouro encarando o desafio de ser uma das dez bruxas.
“Eu não tenho medo de altura então não é difícil subir. Estou adorando participar de um carro de Paulo Barros, sou muito fã do trabalho dele”, conta a jovem.
Império Serrano abre Grupo Especial com inovação do casal e esbarra em diversos quesitos com problemas
Por Geissa Evaristo. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes
Primeira escola de samba a desfilar no domingo de carnaval pelo Grupo Especial com o enredo ‘o que é, o que é?’, de autoria do carnavalesco Paulo Menezes, o Império Serrano contava com o enorme desafio de cantar em forma de samba-enredo o sucesso de Gonzaguinha da MPB “O que é, o que é?” como hino imperiano para 2019, além de superar a crise já anunciada no período pré-carnavalesco. Brigando para permanecer no grupo de elite do carnaval carioca, a verde e branco da Serrinha sofreu com o temporal que atingiu a sua concentração. A Liesa precisou atrasar em 45 minutos o início dos desfiles.
O entrosamento dos cantores Leléu e Anderson Paz junto da bateria Sinfônica do Samba, sob a regência de mestre Gilmar, conseguiu fazer o samba ter um bom funcionamento ao longo dos 73 minutos de desfile. O ponto negativo ficou por conta das apresentações do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Na tentativa de inovar, a dupla se apresentou do alto de uma plataforma e sofreu com o vento, tendo sua execução prejudicada nas cabines de julgadores.O acabamento das alegorias, além da simplicidade das fantasias, também não colaboraram para um espetáculo à altura da história da agremiação, campeã nove vezes no Grupo Especial.
Comissão de Frente
Coreografados por Claudia Motta, os integrantes da comissão de frente do Império Serrano contaram com duas crianças entre os componentes do quesito. A coreografia apresentada foi com base na letra da música de Gonzaguinha, com bastante teatralização e movimentos bem coordenados durante as apresentações. O grupo apresentou “Nascer ou Renascer? Eis a questão” do alto de um tripé. Vestidos de mendigos deixaram a reflexão de que as crianças que nos ensinam a ficarmos mais puros e que, apesar de tudo, a vida é bonita, é bonita e é bonita.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal de mestre-sala e porta-bandeira teve dificuldade no primeiro módulo, apresentando-se no mesmo elemento cenográfico da comissão de frente. A dupla subia em um “elevador”, ao entrar na plataforma a porta-bandeira teve dificuldades. O bailado foi executado com um certo temor por Verônica Lima. Aos poucos a plataforma subiu e quanto mais alto, mais o vento castigou o casal. No meio da apresentação para o primeiro módulo a dupla pareceu ter a segurança necessária, mas no final a bandeira enrolou pela primeira vez, voltou rapidamente a desembolar. Na despedida quando o carro já estava andando a bandeira enrolou mais uma vez ficando embolada por mais tempo do que da primeira. Frente ao segundo módulo, a bandeira voltou a enrolar.
O problema aconteceu também uma vez no terceiro e no quarto novamente. Vestidos de “A vida é energia”, o figurino continha luzes e chamava bastante atenção. Verônica e Diogo são experientes e estão entre os melhores casais do Especial e não precisam passar pela situação de desfilar e dançar em cima de uma plataforma suspensa. Ambos teriam mais tranquilidade para exibir todo o talento que possuem no solo sagrado da Sapucaí.
Samba-Enredo
A polêmica e as preocupações de que de maneira estrutural o Império Serrano não tinha um samba-enredo, precisando transformar um clássico da MPB em uma obra a ser cantada na avenida pode ser mal interpretada pelos jurados, porém, de maneira até surpreendente, a composição se comportou muito bem, conduzida pela dupla Anderson Paz e Leléu. O destaque, é claro, fica por conta do refrão principal da canção. O trecho de melodia mais “trepada”, quando o samba chega na parte “Você diz que é luta e prazer/ Ele diz que a vida é viver/ Ela diz que melhor é morrer/ Pois amada não é/ E o verbo é sofrer” teve também bom desempenho, porém se tratando de Império Serrano o canto poderia ter sido bem mais forte.
Evolução
A escola evoluiu sem problemas de lentidão ou correria no desfile, ou seja, não houve oscilações de andamento, porém os espaçamentos entre alas não foi perfeito. Em muitos momentos foram vistas alas entrando em outras alas ou alas espaçadas demais para a ala da frente. Vale destacar que o componente do Império Serrano, no entanto, brincou solto na pista. A escola finalizou seu desfile com 53 minutos.
Harmonia
A música de Gonzaguinha é de total conhecimento público e não seria diferente com o componente do Império Serrano. O samba, que sofreu bastante crítica pela adaptação, mostrou-se valente e foi bem cantado pela comunidade imperiana, mas poderia ter sido mais forte principalmente entre as últimas alas da Avenida. A obra, por não se tratar de um samba-enredo de fato, estruturalmente falando, teve um andamento hoje raramente usado em desfiles e também contribuiu com um maior apelo popular de quem estava assistindo.
Enredo
O Império Serrano se propôs a levantar várias perguntas acerca do que seria a vida com o seu enredo de 2019, sob a criação do carnavalesco Paulo Menezes, responsável pelo inesquecível carnaval de 2006 ” O Império do Divino”. Com o carnaval 2019 o Império Serrano abordou uma reflexão sobre a vida e o viver, o que as pessoas pensam sobre isso e como se comportam diante dela. De onde viemos e se vamos para algum lugar. Dividido em seis setores, o enredo abordou: a visão pela ciência, a visão religiosa, a visão humana, a dicotomia e a maneira que o homem se comporta para o bem e para o mal, finalizando com uma homenagem a Dona Ivone Lara, falecida no ano passado. Uma das mulheres mais importantes da história do samba.

Fantasias
Com um conjunto de fantasias aquém do que se espera para uma agremiação do Grupo Especial, a escola apresentou problemas já na primeira ala. As bolinhas que se acendiam, assim como a decoração do abre alas, passaram com muitas apagadas. Na segunda ala alguns componentes não traziam o resplendor com a pomba, uma referência a Oxalá.
A musa frente a segunda alegoria não calçava sapatos. Na ala 13 “Seria a vida uma ilusão”, o adereço da cabeça estava caindo. A ala de passistas não se apresentou com calçados uniformes. Foram observados vários tipos de calçados na cor prata, visivelmente um improviso. Na ala 19, novamente problemas de acabamento, as bolinhas da decoração estavam soltando e caindo. Na ala das crianças, que desfilou feliz, cantando o samba e sambando muito, alguns estavam sem o chapéu e na ala de baianas, logo atrás, saias rasgadas, descosturando e as placas decorativas descolando.
Alegorias
O tripé pede passagem que trazia o nome da escola iluminado, apagou em parte das letras ainda no primeiro módulo de julgadores e seguiu apagado até o final. No abre-alas “Ela é a batida de um coração” a decoração das fantasias das composições e do próprio carro estavam algumas apagadas e algumas acesas. A segunda alegoria “É o sopro do criador” trazia a maior escultura apresentada pela escola. Para fala da religião, a alegoria remeteu ao afresco de Michelangelo ” A criação de Adão” onde Deus, com um toque do seu dedo, cria e dá vida ao primeiro homem. A partir da terceira alegoria o carnavalesco altera as cores da escola até então mais escuras nesse setor e traz uma palheta mais clara. A quinta alegoria “Eu fico com a pureza da resposta das crianças” passou completamente apagada e a sexta e última alegoria fez uma homenagem a Dona Ivone Lara através do departamento feminino da agremiação.
Bateria
Com um andamento mais cadenciado, a bateria contribui positivamente para o desfile da Verde e Branca da Serrinha. Com breques que convidavam o componente e o público a cantar, a Sinfônica de mestre Gilmar contagiou os presentes. A rainha Quitéria Chagas brilhou e se comportou como uma verdadeira rainha apresentando a bateria frente aos módulos de julgadores. Vale destacar o figurino dos ritmistas “Seria a vida uma guerra?”, que vestidos de militares formavam um belo visual.
Abre-alas da Cubango revive destaque do enredo de 1979 da escola
Por Karina Figueiredo
O bom filho à casa torna. O carro abre-alas do Acadêmicos do Cubango, “Igbá Cubango: Aos Pés do Morro Fiz o Meu Terreiro” levou à Avenida uma homenagem à escultura de Babalotim, que foi destaque do enredo da escola em 1979. Na segunda noite de desfiles da Série A, a imagem foi apresentada como técnica para espantar todos os males do mundo no contexto de um enredo sobre a história dos objetos de devoção que conectam os seres humanos tudo que consideram santo e sagrado.
Em uma passagem pela Avenida que contou a forte presença de amuletos da sorte, a Cubango, com o seu abre-alas, exibiu a valorização de oferendas, máscaras e outros objetos sagrados. No primeiro chassi da alegoria, já se podia ver a escultura do Babalotim, que representa as crianças nigerianas do livro “Do outro lado”, de Cesar Fraga, Ana Gonçalves e Maurício Barros de Castro.
Já no segundo chassi, um conjunto de máscaras foi exibido: as dianteiras, inspiradas em pinturas africanas; e elevadas, em reproduções de desenhos de Carybé, um pintor, jornalista e historiador argentino naturalizado brasileiro. As imagens escolhidas para a decoração do carro misturavam grafismos do povo Kuba , conglomerado de reinos entre o Congo e Angola, fotografias do Museu Afro Brasil, em São Paulo; e as obras do artista Laolu Senbanjo, que recria as pinturas corporais nigerianas com as tintas da arte contemporânea.
O diretor-geral de Harmonia da escola, Daniel Katar, comentou sobre o carro e revelou que, apesar de alguns ajustes na versão apresentada em 1979, a ideia principal se manteve.
“O menino Babalotim é uma homenagem que relembra um grande Carnaval que a escola fez e ganhou em Niterói, fato que marcou a nossa história. No caso do desfile deste ano, contamos com a presença de grande parte da vela guarda que também se apresentou em 1979. O abre-alas é o maior carro da escola com uma estética africana, acoplado com 35 metros e considerado um dos carros primores”, disse, orgulhoso.
E um dos carnavalescos da agremiação, Leonardo Bora, complementou:
“O primeiro carro da Cubango exalta as raízes da escola, que já tem um nome de origem africana e está localizada no Morro do Abacaxi, o morro que se orgulha dessas raízes quilombolas. Esta relação com o Afoxé, um samba enredo pentacampeão na escola, pode proporcionar outras vitórias para a nossa verde e branco de Niterói”.
Cubango leva para a Avenida alegoria feita com doações de componentes
Por Karina Figueiredo

A Acadêmicos do Cubango levou para a Avenida um carro feito com doações de amuletos e objetos religiosos dos próprios componentes. Intitulado “Sala dos Milagres”, a alegoria tentou expressar a emoção que o espaço de devoção, conhecido na Igreja Católica, causa nos visitantes. É costume na Igreja Católica levar para a “Sala dos Milagres” imagens de graças alcançadas, o que podia ser visto na composição da alegoria. O intuito do carro era mostrar momentos considerados importantes para os componentes e fatos que marcaram o carnaval de 2018 da própria escola, conforme explicou o diretor geral de harmonia, Daniel Katar
“É um carro que tem objetos pessoais da escola, fotos, agradecimentos e o carnaval de 2018 volta com essa mesma estética porque ficou uma lembrança muito boa do desfile do ano passado. Foi um desfile apoteótico e muito bacana, por isso voltamos com esse tema”, declarou Katar.
Luiz Roldin, componente da escola, tentou explicar os objetos trazidos no carro.
“Esses personagens e decorações representam os ex-votos de diversas parte o país, que recebiam presentes do fiéis ao alcançar uma graça. Pedido de cabeças, braços, pescoço e tudo que é pedido aos santos foi colocado, assim como os símbolos para representar a Romaria onde os membros levam os seus ex-votos na mão. Na parte de baixo, são as pedintes através de casas para pedir uma moradia, ou seja, cada um para pedir o seu milagre”, explica o componente.

As fitas do Senhor do Bonfim, também ilustravam o carro e falavam sobre a fé que os devotos tinham nos santos. A escola recebeu doações da comunidade como fotografias e algumas peças para compor a alegoria. Algumas partes do corpo humano foram produzidas com pano e boa parte da alegoria era composta por materiais leves e reaproveitáveis. Os personagens representaram as figuras do interior do país como os cangaceiros e a população do Nordeste.
Não foi só o carro que emocionou e prestou homenagem às crenças e religiosidade do povo brasileiro. O samba também reforçou o poder dos santos para virar a página triste da escola, conforme contou Thales Nunes, um dos compositores do samba.
“Nós fazemos uma homenagem ao enredo do ano passado sobre o coração bordado ao Divino Rei, foi um renascer da Cubango, aonde a nova direção assume e, a nossa parceria confia grandemente nos novos dirigentes. Dentro do samba deixamos uma homenagem a esse enredo que passou, porque ele mostra a virada da escola. Esse enredo vai brigar pelo título, esteticamente falando, por falar do Bispo do Rosário e outros temas”, opina o compositor.

