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Grande Rio mostra o jeitinho brasileiro em desfile com falhas de enredo

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Por Vinicius Vasconcelos. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Grande Rio desfile2019 107Protagonista da última virada de mesa do carnaval, a Acadêmicos do Grande Rio propôs para 2019 um desfile com claras intenções de rir das desgraças cometidas pelo ser humano. Sejam elas intencionais ou não. Elaborado pelo carnavalesco Renato Lage, o enredo “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra”, ferozmente criticado no pré-carnaval, passou pela avenida dividido em cinco setores, 30 alas e seis carros alegóricos no tempo de 1h14.

Grande Rio desfile2019 104A comissão de frente foi o grande destaque da escola caxiense. Numa coreografia moderna e sem elementos cenográficos gigantescos, Hélio e Beth Bejani trouxeram seus bailarinos executando passos que haviam viralizado na internet com youtubers famosos caíram na graça do público. O auge da apresentação foi quando os emojis operados por drones sobrevoaram a passarela. Apesar da criatividade na cabeça da escola, o mesmo não aconteceu no decorrer do desfile que ficou aquém do que se espera da capacidade dos artistas Renato e Márcia Lage. Os quesitos sob responsabilidade dos carnavalescos possuíam problemas de falta de acabamento.

Samba-enredo

Grande Rio desfile2019 001Elaborado pelos compositores André Diniz, Cláudio Russo, Moacyr Luz, Gê Martins, Licinho Júnior e Elias Bililico a obra teve diversos comentários negativos antes do desfile, mas que mesmo assim não abalaram a escola de Caxias. Em seu primeiro ano na escola como cantor oficial, Evandro Mallandro tomou para si a responsabilidade de cativar o público e executou o samba com maestria. Desde os tempos de Renascer o intérprete já vinha se destacando e em sua estreia solo na elite do carnaval não foi diferente. Ainda na concentração o cantor exibiu seu cartão de visitas com sua potência vocal. O trecho “se errei, peço perdão / renasce a Grande Rio” era esbravejado pelo componente como se realmente fosse um pedido de desculpas de cada um que estava desfilando.

Comissão de frente

Grande Rio desfile2019 015Dividida entre quatorze integrantes vestidos de roupa preta com ladrilhos brilhantes e um personagem vestido de Moisés, a coreografia trouxe apenas um pequeno objeto de cena que não impedia a visão de nenhum dos espectadores. Elaborada com alguns passos de funk, os dançarinos se comunicavam com o profeta através do uso de emojis bastante conhecidos no universo das redes sociais. No último momento da coreografia enquanto o profeta manuseava um grande smartphone, a indumentária dos demais dançarinos ficava completa quando eles vestiam as cabeças de emojis e de repente elas sobrevoavam a Sapucaí através de drones, causando um verdadeiro frisson.

Mestre-sala e porta-bandeira

Grande Rio desfile2019 031Dançando juntos pela primeira vez, Daniel Werneck e Taciana Couto vestiam uma fantasia luxuosa e com as cores da escola. Enquanto ele usava faisões verdes e cristais no peito representando o rei do jogo de xadrez, ela tinha em sua fantasia faisões vermelhos com tons mais escuros que causavam um belíssimo efeito visual no momento do giro. A parte de cima da fantasia da porta-bandeira possuía algumas peças do jogo em evidência. Ao redor dos dois os guardiões de casal se vestiam como sentinelas defendendo o casal real. Os passos executados foram feitos com categoria. Na terceira cabine de julgamento houve um deslize do casal. Quando estavam terminando sua coreografia o mestre-sala demorou para segurar a bandeira, mas soube contornar.

Harmonia

Grande Rio desfile2019 037O canto da escola teve seus altos e baixos. Ainda no clima de entrada de avenida, na primeira cabine as alas do setor inicial esbravejavam o samba-enredo. Nas cabines seguintes o canto foi oscilando e em algumas alas se tornou quase nulo como foi visto na décima primeira, a ala dos “Haters”. Logo em seguida na ala dos passistas que representavam “Panapanã” faziam entoavam o samba dando mais força para as demais alas. O canto aumentava consideravelmente nas frases finais dos dois refrões.

Enredo

Grande Rio desfile2019 075Na tentativa de fazer uma abordagem irreverente aos maus hábitos do ser humano, o dedo na ferida foi colocado. A pergunta “Quem nunca?” poderia ser feita em diversas alas como a quinta, que representava “Se beber não dirija”, a oitava que trazia as “Fake News”. Todos que assistiram puderam se enxergar no decorrer do tema e refletir sobre o que tem sido feito. Nesse quesito a proposta foi executada com louvor e mostrou principalmente os erros que são desconsiderados pela população. O último setor com tons brancos predominando não fazia bom casamento com as cores mostradas a frente.

Evolução

Grande Rio desfile2019 115A proposta de desfilar mais solta funcionou. Fora do modo robotizado que tem ocorrido em alguns desfiles de escola de samba, a escola optou por dar liberdade ao componente que brincou carnaval da maneira mais alegre possível. Nem mesmo as alas coreografadas ficaram completamente presas e tinham seu momento de respiro para desfilar liberdade.

Fantasias

Grande Rio desfile2019 132Apesar da fácil leitura nas 30 alas divididas em cinco setores, o acabamento das fantasias ficaram um pouco a desejar. Na quarta ala, que representava os “Motoboys”, diversos componentes estavam sem o objeto que servia como farol da motocicleta quebrado e/ou faltando na roupa. A ideia inicial do carnavalesco foi respeitada mas a concepção não seguiu a mesma linha. Tendo em vista que o trabalho de barracão pode interferir positiva ou negativamente no quesito. Algumas outras alas como a “O universo ao seu alcance”, estava com os objetos do costeiro caindo.

Alegorias

Grande Rio desfile2019 149A proposta de carros com visual mais aberto e com leitura de fácil entendimento foi mantida por Renato Lage. Até o quarto setor da escola havia fácil leitura, mas o quinto e sexto não condiziam com o restante. A ideia de trazer Einstein no quinto carro fez com que o enredo entrasse num sistema solar que não aparentava corresponder com a proposta inicial de desfile da escola. O sexto carro “Nada será como antes” encerrava o desfile com uma mistura de branco e prata deixou a desejar no acabamento.

Bateria

Grande Rio desfile2019 064Também estreante na noite, mestre Fafá e seus 270 ritmistas souberam dosar no uso de bossas e fizeram algumas pontuais para levantar a obra no momento certo. No trecho final antes do refrão principal havia uma paradinha que animava o desfilante que tinha responsabilidade de responder o samba-enredo sem deixar atravessar.

Outros destaques

Grande Rio desfile2019 063Carregado de beldades o desfile da Grande Rio contou com a presença de nomes como Carla Diaz com uma fantasia ousada intitulada de “Pare e olhe”. A ex mulher do cantor Wesley Safadão, Mileide Mihaile também esteve presente e chamou atenção pelo decote utilizado. Com uma fantasia vermelha repleta de faisões, a rainha de bateria Juliana Paes distribuiu sorrisos e muito samba no pé.

Salgueiro transforma Sapucaí em passeata contra discriminação

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Por Larissa Rocha

Salgueiro desfile2019 094O Acadêmicos do Salgueiro foi a quarta escola a cruzar a Marquês de Sapucaí neste domingo de desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Xangô”, que faz tributo ao patrono espiritual da agremiação. A última ala, nomeada “Que a Justiça seja Feita – Ativistas”, fechou o desfile fazendo dele uma passeata contra a discriminação das minorias. Os componentes, exibindo bandeiras contra o preconceito, vestiam branco, com adereços que os distinguiam entre mãe e pai de santo, índios e feministas.

Para Júlio Esquischittini, diretor de Harmonia do Salgueiro, o tema já deveria ter ocupado a Avenida há muito tempo.

“É a cultura do Salgueiro abordar temas afro, e esse já estava guardado há muito tempo. Todo mundo esperava que viéssemos na última ala com mais um tema afro, mas esse é um tema atual. Foi uma grande surpresa”, disse.

 

Vestida de candomblecista, Bianca Andrade, feminista declarada, achou o enredo muito oportuno, e se sente muito lisonjeada de estar participando de uma ala militante:
“Atualmente vivemos um momento de preconceito explícito. Nossa realidade é essa e foi contra isso que viemos lutando no desfile. Xangô, que é o orixá dá justiça, fará com que esse preconceito todo acabe’’, contou.

SalgueiroO estreante no Salgueiro Adilio Salucci, que mora na Flórida há seis anos, acredita que o tema da ala é fundamental para a reflexão. Para ele, é desta forma que se faz mudança.

“Tudo é gradativo, tudo leva um tempo, nada é instantâneo. Então trazer isso para a Avenida é muito importante. Em passos pequenos, conscientizaremos a população. Isso é a mudança”, disse, empolgado.

O desfilante Luiz Ferreira, complementa. Para ele, participar do espetáculo quando se tem consciência política faz toda a diferença.

“Estamos em um mundo, especificamente em uma cidade na qual há situações em que precisamos realmente nos unir para tratar de alguns temas. Onde o povo estiver, é válido estarmos unidos para fazer algo de bom para a sociedade”, refletiu.

Grande Rio faz críticas ao uso excessivo das redes sociais

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Por Karina Figueiredo

 

Grande Rio desfile2019 132Muita gente passa grande parte do dia ligada às redes sociais, deixando de lado o contato pessoal. Essa foi uma das críticas trazidas pela Grande no terceiro carro, “Deu ruim na rede!”, que falou ainda dos ‘pecados’ cometidos nas redes sociais. A alegoria trazia o símbolo do Wi-Fi, botões que lembram um teclado de computador e edifícios com antenas parabólicas. Além disso, tinha ainda várias fitas cruzadas que poderiam ser interpretadas como ‘gato net’ ou pessoas que estão presas à rede.

Participar de redes sociais como Facebook e Instagram, atualmente, é quase uma obrigação. Sem perceber, somos seduzidos pela exposição ou por curtidas nos compartilhamentos, depois começam os problemas, pois criar uma figura pública e não manter um comportamento ético pode ocasionar sérios problemas. “Tudo na rede social e na rede da vida nós acabamos nos enrolando, devido à falta de educação que impera nesses espaços”, afirma Thiago Monteiro, diretor de carnaval da agremiação.

Quem nunca errou que atire a primeira pedra! A acadêmicos do Grande Rio, levou para a Avenida questões que falam sobre a conduta do ser humano no cotidiano, por isso, a equipe do site CARNAVALESCO  foi conversar com componentes da escola para saber quais os erros já cometeram e que ainda comentem no dia a dia. Nathalia Araújo, que desfila pelo segundo ano na agremiação, tenta se policiar para não misturar redes sociais com trânsito.

“Sou bem cautelosa no uso das redes sociais e no trânsito pois é algo que distrai muito e não é uma combinação que dá certo, principalmente o uso de aparelhos eletrônicos”, opina.

Na alegoria, os símbolos dos smiles, a internet e o vício no celular faziam um alerta e mostrava como as pessoas têm interagido mais com as redes do que com outras pessoas.

“Precisamos conviver mais com as pessoas do que com rede social. Eu não gosto do vício em aparelhos eletrônicos ou deixar de fazer outras coisas para ficar na internet. Por outro lado, reconheço que a conexão possibilita o encontro com outras pessoas e aproxima os que estão longe”, aponta a componente.

Outra componente da agremiação, Caroline Alfradique fala sobre a falta de proximidade das pessoas, que muitas vezes preferem interagir pelos aplicativos de mensagem instantânea do que pessoalmente.

emoji

“O carro retrata os emojis, as redes sociais e a comunicação que está sendo feita agora. As pessoas usam tanto os aplicativos que um abraço, por exemplo, quase não acontece, agora as pessoas se comunicam o tempo inteiro pelo WhatsApp. Elas pensam que isso aproxima, mas na verdade está afastando. A felicidade falsa também é muito grande nas redes sociais. Mas existe a possibilidade de reencontrar os amigos e saber sobre a vida deles também”, ponderou a componente que desfila há cinco anos na escola de Caxias.

Ao contrário das outras componentes, Daniele Toledo contou que se identificou muito como carro porque chega a fazer uso excessivo das redes sociais.

“Me identifiquei com o tema porque utilizo muito a rede social e a proposta do carro é falar de todas as pessoas que utilizam demais as redes e dar dicas de como cuidar da privacidade”, confessou.

Eugênio Leal analisa o desfile da Beija-Flor

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Desrespeito no trânsito é o tema do segundo carro da Grande Rio

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Por Juliana Cardoso

grande Rio Carro 2O Acadêmicos do Grande Rio levou para a Avenida, nesta primeira noite de desfiles do Grupo Especial, o polêmico enredo “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra”. A escola falou sobre os deslizes do ser humano, maus hábitos e até mesmo das viradas de mesa que acontecem no Carnaval Carioca. A segunda alegoria representou a falta de educação no trânsito e impressionou com os detalhes e acabamento impecável.

O carro, intitulado pela escola como “Perda Total”, chamou a atenção para o prejuízo causado pelos maus hábitos de condutores, resultando em danos na vida pública e privada. A alegoria teve uma diferente concepção em sua estrutura, na qual veículos quebrados – simulados em tamanho real -, vias e placas se misturavam por toda a sua extensão. Na dianteira, um ônibus estava acoplado e carregava componentes como motorista e passageiros, além de um vendedor ambulante de balas.

A união de vários elementos, montados muitas vezes propositalmente de qualquer forma sobre a alegoria, remeteu ao caos de um gigantesco acidente de trânsito e que tais acontecimentos são, em sua maioria, causados por condutores irresponsáveis.

Para Valmir Araújo, componente da agremiação, “A educação no trânsito é muito importante e deveria existir nas escolas, desde o Ensino Fundamental. O respeito às leis é muito importante. É necessário que aprendamos ainda quando crianças”.

Grande Rio desfile2019 048

O diretor de Alas Carlos Silvano completou que toda a escola trouxe uma bela proposta ao abordar estas falhas. Além disso, ele disparou:

“A educação, tema de um dos setores da escola, está em falta em várias camadas da sociedade, e a Grande Rio faz um alerta a isso”.

A tricolor de Caxias foi a quarta escola a entrar na Avenida na primeira noite de desfiles do Grupo Especial.