Baianas do Salgueiro homenageiam Iemanjá
Por Larissa Rocha
Com o enredo exaltando Xangô, o rei da justiça, O Acadêmicos do Salgueiro entrou na Avenida pediu pelo fim da impunidade. Na ala 23ª ala, as baianas louvavam Iemanjá. A roupa usada fazia homenagem à alegoria da Orixá criada por Arlindo Rodrigues no carnaval de 1969. Na época, a imagem de Iemanjá cruzou a Marquês de Sapucaí sentada sobre rosas.
Na ala, intitulada “Iemanjá – “Nega baiana…És a Rainha da Beleza Universal”, as damas do Salgueiro atravessaram o Sambódromo com uma fantasia deslumbrante, de tecido metálico, lame e organza. O espelho na mão e as conchas metalizadas na roupa ajudavam a compor o figurino.
Alexandre Neto, diretor da ala das baianas, se emocionou ao falar da ala que homenageou Iemanjá:
“Ela é a mãe da cabeça de todos, então é uma representatividade muito bonita para as baianas. Elas são as mães do samba, e hoje, durante o desfile, foram também as mães da cabeça da escola”, afirmou.
A baiana Juciara do Nascimento Santos já esteve afastada do desfile por 21 anos, mas o coração salgueirense não permitiu tanta distância, e ela voltou. Juciara, que já perdeu uma gravidez de gêmeos enquanto assistia o Salgueiro na Avenida, diz que o coração dispara quando ouve a bateria da escola. Ela não esconde a devoção e comoção ao falar de Iemanjá.
“Iemanjá, para mim, é tudo: é Iyá-Ori, mãe das cabeças, mãe de Xangô…Então, pela minha religião, ela é tudo na nossa vida, e desejo que ela molde as cabeças das pessoas para o bem, e não para o mal. Hoje em dia temos muita guerra, mas não foi com isso que Deus e os orixás nos presentearam. Pelo contrário. Eles nos deram a paz, e nós precisamos levar a vida com união e perseverança”, disse.
Cátia Ribeiro, que desfila há 15 anos na ala das baianas do Salgueiro, também relatou um pouco da satisfação de representar a Orixá:
“É uma energia muito linda! Tenho certeza que vou entrar na Avenida chorando. Primeiro, pela emoção do desfile; segundo, por vir representando Iemanjá que é uma sensação boa demais, é um presente de Deus”, disse, agradecida.
‘Chão salgueirense’ entoa samba com força e, ao lado de casal, se destaca no desfile da Academia do Samba
Por Antonio Junior. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes
Em um ano de dificuldade e muitos problemas internos, a comunidade do Salgueiro mostrou no desfile deste domingo de carnaval, na Marquês de Sapucaí, toda a força de seu chão. Os componentes da Academia do Samba cantaram com muito empenho o samba-enredo da agremiação, um dos mais bem avaliados do pré-carnaval, e deram a identidade salgueirense ao desfile da Vermelha e Branca. Além do quesito Harmonia e do bom rendimento do samba, o casal Sidclei e Marcela deu um show a parte e ao lado da comissão de frente da Academia também se destacou, mostrando totais condições de alcançar as notas desejadas na avaliação dos julgadores.
Alguns quesitos, porém, não mantiveram o bom desempenho dos citados anteriormente. A evolução da escola no trecho final do desfile foi comprometida com oscilações quanto ao andamento. E, o conjunto visual, especialmente o quesito Alegorias e Adereços pode ser descontado por problemas de acabamento.
Comissão de frente
Comandada por Sérgio Lobato, a comissão de frente salgueirense representou a benção do orixá e levou para a Avenida o sincretismo religioso. Utilizando um gigantesco elemento alegórico, o quesito fez apresentações seguras nas quatro cabines julgadoras. Dividida em três momentos, a coreografia apresentava São Jerônimo em um primeiro momento, abençoando o começo de desfile da agremiação. Na parte traseira do elemento, formava-se a pedreira de Xangô, abrindo os caminhos e interagindo com seis componentes camuflados na estrutura.
Por fim, após as bênçãos das duas entidades religiosas, a comissão caiu no samba, também utilizando a estrutura do elemento alegórico, e contando com a participação do ator e salgueirense, Eri Johnson. A apresentação arrancou muitos aplausos por onde passou, inclusive de jurados dos quesitos. Únicos pontos a serem observados, são: pelo tamanho do elemento alegórico, quem estava no lado oposto ao dos jurados, não acompanhasse a apresentação. Além disso, dois dos componentes da comissão apresentaram problemas no tecido dourado da parte da frente da fantasia – os mesmos acabaram se desprendendo da estrutura da fantasia, ainda que não comprometessem a apresentação da agremiação.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Um dos carros-chefes da agremiação, Sidclei e Marcela fizeram apresentações tecnicamente perfeitas nos módulos de julgamento. O casal mostrou que, mesmo com as dificuldades do ano, o afastamento momentâneo e a volta recente à rotina de ensaios após a gravidez da porta-bandeira, está em totais condições de gabaritar o quesito. Com muito sincronismo, o casal fez suas apresentações bem próximos um ao outro e mostraram excelente forma. Destaque para Marcela, que mesmo pegando vento considerável e chuva no começo do desfile, mostrou graciosidade e muita técnica na dança.
Harmonia
Outro ponto alto do Salgueiro no desfile, o canto da comunidade se mostrou valente ao longo de todo o desfile. Todas as alas demonstraram conhecimento do samba e cantaram a obra salgueirense de maneira contínua. Embalados pela dupla Emerson Dias e Quinho, os componentes confirmaram uma das principais características da agremiação: o canto forte.
Se outros quesitos podem ter deixado a desejar quanto ao rendimento, esse certamente não foi assim. Em um ano de dificuldades nos bastidores da Academia do Samba que confirmaram certo comprometimento na execução do desfile, os componentes cumpriram seu papel e mostraram a força do canto do Salgueiro.
Enredo
Desenvolvido por Alex de Souza, o enredo salgueirense conseguiu cumprir bem seu papel e foi apresentado com leitura correta e fácil de assimilar. Destaque para o desenvolvimento do primeiro e do último setor – falando sobre a criação do mundo segundo a tradição africana e sobre o Senhor da Justiça, respectivamente. Estes setores se sobressaíram pela facilidade na leitura, especialmente em fantasias.
Evolução
O calcanhar de Aquiles do desfile salgueirense. A escola iniciou seu desfile com um andamento mais cadenciado, mas viu ao longo de sua apresentação pelos mais de 700 metros da Marquês de Sapucaí que precisava apertar um pouco o passo para completar o desfile no tempo definido por regulamento (75 minutos). Especialmente durante a passagem do quarto setor pelo terceiro módulo de julgamento. A ala coreografada por Carlinhos Salgueiro parou para fazer sua apresentação em frente ao módulo 3 e ala anterior acabou seguindo sua trajetória na Avenida.
Um espaçamento considerável abriu logo na sequência ao módulo 3, pegando seu campo de avaliação visual, e se estendeu até após o recuo de bateria. As tias Baianas comandadas por Tia Glorinha, que sucediam a ala coreografada, também precisaram apertar o passo e não puderam evoluir no local com a mesma elegância e desenvoltura do que fizeram no restante da Avenida. A oscilação no andamento do desfile da Vermelha e Branca também se deu nas alas que compunham o último setor da escola, em frente ao módulo 4 de julgamento, o que pode ocasionar descontos na avaliação do quesito.
Samba-enredo
Rendimento do samba do Salgueiro foi bastante satisfatório na Avenida. Emerson e Quinho mostraram entrosamento na interpretação do samba da agremiação e contribuíram bastante, ao lado do carro de som, para o bom desempenho da obra no desfile. Aliás, vale ressaltar: logo dos primeiros versos do samba da Academia, foi possível comprovar na Sapucaí que o público presente conhecia e muito o samba da escola, o que mais teve a aprovação das arquibancadas até o momento do desfile.
Fantasias
O Salgueiro apresentou oscilação no quesito e encontrou dificuldades na manutenção das vestimentas até o final da Avenida. Com um começo mais “pesado” e volumoso, as indumentárias salgueirenses preenchiam toda a pista nos primeiros setores, especialmente com relação a costeiros e cabeças. A mesma qualidade porém não era vista nas partes inferiores das fantasias, algumas delas apenas com conjunto de malhas coloridas por debaixo dos coletes (como foi possível observar nas alas 5 – Oxê – e 6 – Obá de Oyó – da agremiação). A sétima ala (Cágado) mostrou problemas de acabamento, assim como as de número 16 (O Guerreiro Invencível – São Miguel Arcanjo) e 25 (Lavagem de Dinheiro – que usou muito algodão para a retratação da fantasia, mas apresentou falhas de execução). O trecho final do desfile salgueirense destoou do começo mais luxuoso, até pela proposta mais leve apresentada, mas a execução no restante das alas foi bem feita.
Alegorias
Outro quesito que o desfile salgueirense poderia ter tido rendimento melhor. Com o abre-alas muito bem executado, o segundo carro chamou a atenção pelo colorido e sua imponência. Porém, a alegoria apresentou falhas de acabamento, especialmente no tecido laranja lateral que compunha o animal de destaque na alegoria. Os carros 3 e 4 da escola apresentaram problemas de ordem de iluminação que, se entendidos pelos jurados como problemáticos quanto a interpretação da alegoria, pode acarretar desconto de décimos importantes para a agremiação.
Bateria
Comandada por Guilherme e Gustavo, a Furiosa pode se dizer que jogou para a escola. Apresentando as bossas que o pré-carnaval já conhecia do período de ensaios técnicos na rua e no Sambódromo, os ritmistas representaram Ojuobá, sacerdote do culto a Xangô, apresentando saudação ao orixá. As paradinhas arrancaram aplausos do público na Sapucaí, que também se encantou com a presença de Viviane Araújo, a rainha das rainhas.
A 18ª ala da agremiação é outro ponto que merece destaque no desfile salgueirense. Representando “O Sucessor de Pedro – e os populares”, a ala retratou o líder da Igreja Católica em seu papamóvel cercado de fiéis. O ator Ailton Graça representou o pontífice e foi muito aplaudido durante sua passagem pela Sapucaí.
Em busca de seu décimo título no carnaval, o Salgueiro encerrou deu desfile com 75 minutos – tempo máximo permitido pelo regulamento.
Grande Rio mostra o jeitinho brasileiro em desfile com falhas de enredo
Por Vinicius Vasconcelos. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes
Protagonista da última virada de mesa do carnaval, a Acadêmicos do Grande Rio propôs para 2019 um desfile com claras intenções de rir das desgraças cometidas pelo ser humano. Sejam elas intencionais ou não. Elaborado pelo carnavalesco Renato Lage, o enredo “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra”, ferozmente criticado no pré-carnaval, passou pela avenida dividido em cinco setores, 30 alas e seis carros alegóricos no tempo de 1h14.
A comissão de frente foi o grande destaque da escola caxiense. Numa coreografia moderna e sem elementos cenográficos gigantescos, Hélio e Beth Bejani trouxeram seus bailarinos executando passos que haviam viralizado na internet com youtubers famosos caíram na graça do público. O auge da apresentação foi quando os emojis operados por drones sobrevoaram a passarela. Apesar da criatividade na cabeça da escola, o mesmo não aconteceu no decorrer do desfile que ficou aquém do que se espera da capacidade dos artistas Renato e Márcia Lage. Os quesitos sob responsabilidade dos carnavalescos possuíam problemas de falta de acabamento.
Samba-enredo
Elaborado pelos compositores André Diniz, Cláudio Russo, Moacyr Luz, Gê Martins, Licinho Júnior e Elias Bililico a obra teve diversos comentários negativos antes do desfile, mas que mesmo assim não abalaram a escola de Caxias. Em seu primeiro ano na escola como cantor oficial, Evandro Mallandro tomou para si a responsabilidade de cativar o público e executou o samba com maestria. Desde os tempos de Renascer o intérprete já vinha se destacando e em sua estreia solo na elite do carnaval não foi diferente. Ainda na concentração o cantor exibiu seu cartão de visitas com sua potência vocal. O trecho “se errei, peço perdão / renasce a Grande Rio” era esbravejado pelo componente como se realmente fosse um pedido de desculpas de cada um que estava desfilando.
Comissão de frente
Dividida entre quatorze integrantes vestidos de roupa preta com ladrilhos brilhantes e um personagem vestido de Moisés, a coreografia trouxe apenas um pequeno objeto de cena que não impedia a visão de nenhum dos espectadores. Elaborada com alguns passos de funk, os dançarinos se comunicavam com o profeta através do uso de emojis bastante conhecidos no universo das redes sociais. No último momento da coreografia enquanto o profeta manuseava um grande smartphone, a indumentária dos demais dançarinos ficava completa quando eles vestiam as cabeças de emojis e de repente elas sobrevoavam a Sapucaí através de drones, causando um verdadeiro frisson.
Mestre-sala e porta-bandeira
Dançando juntos pela primeira vez, Daniel Werneck e Taciana Couto vestiam uma fantasia luxuosa e com as cores da escola. Enquanto ele usava faisões verdes e cristais no peito representando o rei do jogo de xadrez, ela tinha em sua fantasia faisões vermelhos com tons mais escuros que causavam um belíssimo efeito visual no momento do giro. A parte de cima da fantasia da porta-bandeira possuía algumas peças do jogo em evidência. Ao redor dos dois os guardiões de casal se vestiam como sentinelas defendendo o casal real. Os passos executados foram feitos com categoria. Na terceira cabine de julgamento houve um deslize do casal. Quando estavam terminando sua coreografia o mestre-sala demorou para segurar a bandeira, mas soube contornar.
Harmonia
O canto da escola teve seus altos e baixos. Ainda no clima de entrada de avenida, na primeira cabine as alas do setor inicial esbravejavam o samba-enredo. Nas cabines seguintes o canto foi oscilando e em algumas alas se tornou quase nulo como foi visto na décima primeira, a ala dos “Haters”. Logo em seguida na ala dos passistas que representavam “Panapanã” faziam entoavam o samba dando mais força para as demais alas. O canto aumentava consideravelmente nas frases finais dos dois refrões.
Enredo
Na tentativa de fazer uma abordagem irreverente aos maus hábitos do ser humano, o dedo na ferida foi colocado. A pergunta “Quem nunca?” poderia ser feita em diversas alas como a quinta, que representava “Se beber não dirija”, a oitava que trazia as “Fake News”. Todos que assistiram puderam se enxergar no decorrer do tema e refletir sobre o que tem sido feito. Nesse quesito a proposta foi executada com louvor e mostrou principalmente os erros que são desconsiderados pela população. O último setor com tons brancos predominando não fazia bom casamento com as cores mostradas a frente.
Evolução
A proposta de desfilar mais solta funcionou. Fora do modo robotizado que tem ocorrido em alguns desfiles de escola de samba, a escola optou por dar liberdade ao componente que brincou carnaval da maneira mais alegre possível. Nem mesmo as alas coreografadas ficaram completamente presas e tinham seu momento de respiro para desfilar liberdade.
Fantasias
Apesar da fácil leitura nas 30 alas divididas em cinco setores, o acabamento das fantasias ficaram um pouco a desejar. Na quarta ala, que representava os “Motoboys”, diversos componentes estavam sem o objeto que servia como farol da motocicleta quebrado e/ou faltando na roupa. A ideia inicial do carnavalesco foi respeitada mas a concepção não seguiu a mesma linha. Tendo em vista que o trabalho de barracão pode interferir positiva ou negativamente no quesito. Algumas outras alas como a “O universo ao seu alcance”, estava com os objetos do costeiro caindo.
Alegorias
A proposta de carros com visual mais aberto e com leitura de fácil entendimento foi mantida por Renato Lage. Até o quarto setor da escola havia fácil leitura, mas o quinto e sexto não condiziam com o restante. A ideia de trazer Einstein no quinto carro fez com que o enredo entrasse num sistema solar que não aparentava corresponder com a proposta inicial de desfile da escola. O sexto carro “Nada será como antes” encerrava o desfile com uma mistura de branco e prata deixou a desejar no acabamento.
Bateria
Também estreante na noite, mestre Fafá e seus 270 ritmistas souberam dosar no uso de bossas e fizeram algumas pontuais para levantar a obra no momento certo. No trecho final antes do refrão principal havia uma paradinha que animava o desfilante que tinha responsabilidade de responder o samba-enredo sem deixar atravessar.
Outros destaques
Carregado de beldades o desfile da Grande Rio contou com a presença de nomes como Carla Diaz com uma fantasia ousada intitulada de “Pare e olhe”. A ex mulher do cantor Wesley Safadão, Mileide Mihaile também esteve presente e chamou atenção pelo decote utilizado. Com uma fantasia vermelha repleta de faisões, a rainha de bateria Juliana Paes distribuiu sorrisos e muito samba no pé.
Salgueiro transforma Sapucaí em passeata contra discriminação
Por Larissa Rocha
O Acadêmicos do Salgueiro foi a quarta escola a cruzar a Marquês de Sapucaí neste domingo de desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Xangô”, que faz tributo ao patrono espiritual da agremiação. A última ala, nomeada “Que a Justiça seja Feita – Ativistas”, fechou o desfile fazendo dele uma passeata contra a discriminação das minorias. Os componentes, exibindo bandeiras contra o preconceito, vestiam branco, com adereços que os distinguiam entre mãe e pai de santo, índios e feministas.
Para Júlio Esquischittini, diretor de Harmonia do Salgueiro, o tema já deveria ter ocupado a Avenida há muito tempo.
“É a cultura do Salgueiro abordar temas afro, e esse já estava guardado há muito tempo. Todo mundo esperava que viéssemos na última ala com mais um tema afro, mas esse é um tema atual. Foi uma grande surpresa”, disse.
Vestida de candomblecista, Bianca Andrade, feminista declarada, achou o enredo muito oportuno, e se sente muito lisonjeada de estar participando de uma ala militante:
“Atualmente vivemos um momento de preconceito explícito. Nossa realidade é essa e foi contra isso que viemos lutando no desfile. Xangô, que é o orixá dá justiça, fará com que esse preconceito todo acabe’’, contou.
O estreante no Salgueiro Adilio Salucci, que mora na Flórida há seis anos, acredita que o tema da ala é fundamental para a reflexão. Para ele, é desta forma que se faz mudança.
“Tudo é gradativo, tudo leva um tempo, nada é instantâneo. Então trazer isso para a Avenida é muito importante. Em passos pequenos, conscientizaremos a população. Isso é a mudança”, disse, empolgado.
O desfilante Luiz Ferreira, complementa. Para ele, participar do espetáculo quando se tem consciência política faz toda a diferença.
“Estamos em um mundo, especificamente em uma cidade na qual há situações em que precisamos realmente nos unir para tratar de alguns temas. Onde o povo estiver, é válido estarmos unidos para fazer algo de bom para a sociedade”, refletiu.
Grande Rio faz críticas ao uso excessivo das redes sociais
Por Karina Figueiredo
Muita gente passa grande parte do dia ligada às redes sociais, deixando de lado o contato pessoal. Essa foi uma das críticas trazidas pela Grande no terceiro carro, “Deu ruim na rede!”, que falou ainda dos ‘pecados’ cometidos nas redes sociais. A alegoria trazia o símbolo do Wi-Fi, botões que lembram um teclado de computador e edifícios com antenas parabólicas. Além disso, tinha ainda várias fitas cruzadas que poderiam ser interpretadas como ‘gato net’ ou pessoas que estão presas à rede.
Participar de redes sociais como Facebook e Instagram, atualmente, é quase uma obrigação. Sem perceber, somos seduzidos pela exposição ou por curtidas nos compartilhamentos, depois começam os problemas, pois criar uma figura pública e não manter um comportamento ético pode ocasionar sérios problemas. “Tudo na rede social e na rede da vida nós acabamos nos enrolando, devido à falta de educação que impera nesses espaços”, afirma Thiago Monteiro, diretor de carnaval da agremiação.
Quem nunca errou que atire a primeira pedra! A acadêmicos do Grande Rio, levou para a Avenida questões que falam sobre a conduta do ser humano no cotidiano, por isso, a equipe do site CARNAVALESCO foi conversar com componentes da escola para saber quais os erros já cometeram e que ainda comentem no dia a dia. Nathalia Araújo, que desfila pelo segundo ano na agremiação, tenta se policiar para não misturar redes sociais com trânsito.
“Sou bem cautelosa no uso das redes sociais e no trânsito pois é algo que distrai muito e não é uma combinação que dá certo, principalmente o uso de aparelhos eletrônicos”, opina.
Na alegoria, os símbolos dos smiles, a internet e o vício no celular faziam um alerta e mostrava como as pessoas têm interagido mais com as redes do que com outras pessoas.
“Precisamos conviver mais com as pessoas do que com rede social. Eu não gosto do vício em aparelhos eletrônicos ou deixar de fazer outras coisas para ficar na internet. Por outro lado, reconheço que a conexão possibilita o encontro com outras pessoas e aproxima os que estão longe”, aponta a componente.
Outra componente da agremiação, Caroline Alfradique fala sobre a falta de proximidade das pessoas, que muitas vezes preferem interagir pelos aplicativos de mensagem instantânea do que pessoalmente.

“O carro retrata os emojis, as redes sociais e a comunicação que está sendo feita agora. As pessoas usam tanto os aplicativos que um abraço, por exemplo, quase não acontece, agora as pessoas se comunicam o tempo inteiro pelo WhatsApp. Elas pensam que isso aproxima, mas na verdade está afastando. A felicidade falsa também é muito grande nas redes sociais. Mas existe a possibilidade de reencontrar os amigos e saber sobre a vida deles também”, ponderou a componente que desfila há cinco anos na escola de Caxias.
Ao contrário das outras componentes, Daniele Toledo contou que se identificou muito como carro porque chega a fazer uso excessivo das redes sociais.
“Me identifiquei com o tema porque utilizo muito a rede social e a proposta do carro é falar de todas as pessoas que utilizam demais as redes e dar dicas de como cuidar da privacidade”, confessou.

