Com cenário que remete ao sistema bancário, terceiro carro da Imperatriz faz crítica à ganância do ser humano
Por Juliana Cardoso
A Imperatriz Leopoldinense apresentou na madrugada desta segunda uma crítica sobre a relação do homem com a moeda de troca que rege todas as relações no mundo. O irreverente enredo “Me dá um dinheiro aí” narrou a história da “grana” e seu papel na sociedade, assim como os diversos tipos de ambição que cercam o ser humano. O terceiro carro da escola, “Sistema Bancário”, representou os processos que ocorrem dentro de bancos, exibindo um bom acabamento.
A alegoria reuniu símbolos do ambiente bancário, como os caixas-fortes, as taxas e os juros e as barras de ouro. A parte da frente do carro foi adornada com uma estampa de cédulas, enfeitadas com detalhes prateados. Nas laterais, o dourado predominou, remetendo ao ouro, e valores em forma de porcentagem também foram colocados nessa área. Na traseira, existia a parede de um banco quebrada, na qual ratos, simbolizando ladrões, tentavam acessar para roubar o dinheiro.
Elianai de Souza, que desfilou como destaque na terceira alegoria da escola, julga importante a crítica que a Imperatriz fez sobre ganância. No entanto, ele também acredita que a ganância é indissociável do ser humano.
“Acho que essa é uma característica inerente ao ser humano e deve ser bem aproveitada. Sabendo dosar, a ganância pode ser proveitosa e trazer benefícios. Tudo depende de como a usamos”, disse.
A crítica à ambição se estendeu por toda a escola. Alas representaram várias faces do tema e como o dinheiro é visto pela sociedade. Os componentes disseram ser importante esta abordagem.
Robson Paiva, integrante da escola, refletiu:
“Infelizmente o dinheiro é tudo, mas os erros que rodeiam a cega busca por ele não são justificáveis”.
A Imperatriz foi a sexta escola a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial.
Beija-Flor de Nilópolis leva fábula ‘A cigarra e a formiga’ para a Sapucaí
Por Larissa Rocha

Com o enredo “Quem não viu, vai ver… As fábulas do Beija-Flor”, a escola de Nilópolis foi a quinta a entrar na Avenida na noite deste domingo. A agremiação contou sua própria história por meio de seus próprios enredos, entre eles os históricos: “Ratos e Urubus larguem minha fantasia” e de 1989, “O povo conta a sua história: saco vazio não para em pé, a mão que faz a guerra faz a paz”, de 2003.
O quarto carro da escola trouxe personalidades que foram enredos da Beija-Flor ao longo dos 70 anos de história. Nomeado de “A cigarra e a Formiga”, a alegoria faz um paralelo entre o trabalho das formigas da fábula com o ofício das personalidades homenageadas, que também construíram carreira dedicando-se ao trabalho.
Com uma iluminação impecável, a alegoria lembrava uma floresta, e todos os destaques eram mulheres com fantasias de borboletas.

Vanuza Santiago, destaque do carro, mora no Japão há 28 anos e diz que é uma honra vir em uma alegoria como essa.
“Eu desfilo na Beija-Flor há 20 anos e estar nesse carro tão importante, com esse enredo e com esse tema, significa muito para mim. Espero o ano inteiro por isso. Ver a escola, estar junto já é um sonho realizado anualmente”, conta.
No meio da alegoria, um palco que traz a filha do presidente de honra Anísio David, Micaela David, e as amigas. Elas estavam representando as formigas da fábula e durante o desfile, apresentaram uma coreografia.

“Significa muito estar nesse carro que representa tantas pessoas importantes para mim e para a escola, é muito gratificante. Estou ensaiando a coreografia há muito tempo, é diferente do que eu sempre faço e espero que dê tudo certo”, disse a componente antes de pisar na Avenida.
Beija-Flor apresenta enredo de forma confusa e faz desfile burocrático
Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes
A Beija-Flor de Nilópolis foi a quinta agremiação a desfilar na primeira noite do Grupo Especial 2019. A azul e branca ainda sonha com o bicampeonato, depois de conquistar o título no ano passado. Entretanto a chance de uma nova conquista é remota, principalmente, devido ao projeto plástico apresentado na avenida. A estratégia de defender os 70 anos da escola na avenida não deu certo e a temática não passou clareza através de alas e carros. Burocrática no canto, a escola viu as apresentações do casal Claudinho e Selminha e da comissão de frente serem os momentos de maior interação com o público no desfile.
Comissão de Frente
Era dia de Natal quando foi fundado há 70 anos atrás, o que viria a se tornar a Beija-Flor de Nilópolis. Surgia naquela tarde, um bloco que ainda não possuía nome, até que Dona Eulália, mãe dos ritmistas fundadores, ao ver que se aproximavam beija-flores de uma árvore, sugeriu dar o nome de “Beija-Flor” ao bloco.
A partir da fundação da Beija-Flor, nasceu a inspiração temática da Comissão de Frente, levando em consideração que toda narrativa feita por um animal ou ser da natureza que ganhe características psicológicas ou comportamentais humanas narra uma fábula, o coreógrafo Marcelo Misailidis utilizou a fábula ‘O carnaval dos animais’ para criar a concepção da comissão. A apresentação teve seu ponto alto na reunião bichos com direito a instrumentos. O elemento alegórico que virava uma árvore de Natal possuía engrenagens à mostra e também exibia a troca de roupas dos componentes.
Mestre- Sala e Porta-Bandeira
O casal de beija-flores encantados – ele, o narrador-personagem, ela, a ave consagrada soberana – cruzou a pista bailando e rodopiando pelos ares, conduzindo o Pavilhão e apresentando essa viagem fabulosa de exaltação aos 70 anos de história da agremiação nilopolitana. Claudinho e Selminha enfrentaram o vento na primeira cabine, o que causou quase o enrolar da bandeira. Na segunda cabine Claudinho não conseguiu pegar corretamente o pavilhão depois de oferecido pela porta-bandeira. Outro problema foi a pista molhada. Eles optaram por desfilar no lado oposto da cabine, pois estava seco.
Harmonia
Depois do sacode dado no desfile de 2018, a comunidade da Beija-Flor passou burocrática pela avenida esta noite. Técnica, cantou o samba, mas sem o brilho que já conseguira outrora.A situação já havia sido detectada no ensaio técnico. Não significa não houve canto, mas em um comparativo pode perder pontos.
Samba-Enredo
A controversa obra nilopolitana, fruto da junção de duas obras na final, funcionou bem na Sapucaí. Impulsionado como sempre pelo onipresente Neguinho da Beija-Flor o samba passou bem pela pista de desfiles, gerando nas alas um padrão constante e linear de canto.
Evolução
A Beija-Flor parece ter escrito o manual de evolução, tamanha sua competência no quesito. Entretanto no desfile deste ano a escola enfrentou diversos problemas no quesito. A começar por uma correria iniciada no módulo 3 que não se explica pois a escola concluiu sua apresentação três minutos antes do tempo máximo permitido. Um buraco logo antes dos ritmistas entrarem no recuo também pode ser notado, e no campo de visão do jurado. Uma técnica de desfile irregular.
Enredo
Alas bem alinhadas com os setores. Cada setor abordava, através de uma fábula, os enredos da Beija-Flor. Entretanto o fio condutor adotado, as fábulas de Esopo, causaram bastante confusão na proposta da escola. Além disso os carros, onde estavam representadas essas fábulas não tinham qualquer comunicação com as alas e o enredo desta forma teve sua compreensão dificultada.
Fantasias
Conjunto de fantasias superior ao apresentado ano passado. Os figurinos estavam muito bem feitos, volumosos, com a utilização de bastante materiais. A Beija-Flor dividiu os enredos de sua história as alas do desfile. Para tornar a narrativa coerente subdividiu os setores por temas de enredos: brasileiros, afros, críticos e etc. A quarta ala tinha problemas de acabamento com uma maquiagem que se desfazia conforme os componentes suavam. No mesmo setor a ala de baianas e a sexta ala chamaram atenção ao relembrarem os desfiles de 1998 e 1999. Pinah, histórico destaque da escola, passou pelo terceiro módulo de julgamento sem o chapéu da fantasia.
Alegorias
Seguindo o que foi feito em 2018, a Beija-Flor trouxe para a avenida um conceito de alegorias mais interativas, como movimentos que mudavam o formato dos carros. Mais bem acabados que os de 2018, os carros entretanto não ajudaram a contar bem o enredo.Faltou uma maior relação entre carros e fantasias.
Outros Destaques
Claudia Raia veio na segunda alegoria e ora se apresentava no chão, ora subia no carro. Neguinho da Beija-Flor reviveu o desfile de 2018 ao esquentar com o samba campeão do ano passado. O intérprete foi a personalidade mais requisitada para fotos de toda a escola. A homenagem a Laíla aconteceu, mas foi discreta. Uma foto do ex-diretor de carnaval da escola veio na saia do abre-alas, junto com outros indivíduos que ajudaram a construir a história da Beija-Flor.
Baianas da Beija-Flor revivem ‘o mundo místico dos Caruanas’, na Sapucaí
Por Nathália Marsal

As baianas da Beija-Flor de Nilópolis passaram pela Sapucaí na noite deste domingo com a responsabilidade de representar o enredo “O mundo místico dos Caruanas nas águas do Patu-Anu”, de 1998, que rendeu o troféu de campeã à escola. Em 2019, a agremiação decidiu contar seus 70 anos de existência através de seus próprios carnavais.
Carla Valéria Santos, de 54 anos, que fez sua estreia na Beija-Flor, justamente em 1998, não esquece a emoção vivida naquela época.
“Uma emoção que não sei explicar. Arrepiei demais em ouvir a voz do Neguinho pela primeira vez e até hoje é assim”, relatou a componente, que contou ainda que a fantasia de hoje mudou um pouco em relação àquele ano.
“A de 1998 representava um jarro de cerâmica, a de hoje, lembra o desfile daquele período com as cores e através do chapéu de beija-flor, símbolo da escola.”
Ainda em relação a mudanças de 1998 para os dias atuais as componentes apontam principalmente a estrutura. Ananízia Rocha, de 79 anos, que está há 30 na ala de baianas diz que o peso aumentou.
“Antes eram mais leves. Agora tem que ter muito equilíbrio para desfilar, mas eu não quero largar isso, não”, afirma Ananízia, uma das mais antigas na ala que elegeu o desfile sobre Roberto Carlos, como seu preferido. Ela passou o aprendizado para a filha Solange da Silva, de 58 anos, que entrou ainda criança na escola.

