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Samba dos Gaviões da Fiel levanta arquibancada mesmo de manhã e comissão de frente impressiona

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Por Matheus Mattos. Fotos: Magaiver Fernandes

Gaviões Desfile2019 40Mesmo com o dia amanhecendo, o público permaneceu em peso nas arquibancadas e interagiu com o canto constantemente proporcionado pela qualidade do samba. A escola de samba Gaviões da Fiel trouxe uma reedição de 1994, através do enredo: “a saliva do santo e o veneno da serpente”, porém com leitura nova e detalhes diferentes da original. Clima arrepiante da largada, interação da arquibancada, coreografia surpreendente da comissão de frente e ritmo da bateria foram os destaques positivos. Queda no domínio do quesito evolução foram um dos pontos negativos.

Comissão de Frente

Gaviões Desfile2019 17Coreografada pelo Edgar Júnior, a comissão de frente contou a história do surgimento do tabaco através de uma lenda lúdica. Santo Antão, devoto de Cristo, teria dedicado sua vida a levar a mensagem religiosa por todo norte da África. O Santo se deparou então com uma cobra debilitada, fraca, e a pegou pra cuidar. Restabelecida, a cobra o traiu e picou seu braco. Santo Antão se livrou da serpente, chupou o veneno do local da ferida e cuspiu no solo infértil, surgindo assim ramos de tabaco. A comissão de frente foi um grande destaque da escola, sendo considerada até uma das que melhor passou no grupo especial. O tripé representou uma grande escultura do Santo Antão, tendo interação de um componente fantasiado de cobra e mordendo o braço. Momentos marcantes, como o aparecimento de Cristo e da cobra, e a batalha entre anjo e demônio, impressionou o quesito, que surpreendia a cada instante.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Gaviões Desfile2019 31O primeiro casal, Wagner Lima e Adriana Mondjan, representou o “Encontro de Cristão do deserto e Muçulmanos da África”. Contam os árabes que após o episódio de Santo Antão, o profeta Maomé passou naquele mesmo local e se deparou com os ramos de tabaco. A dupla trouxe esse encontro de cristãos com muçulmanos. A dupla efetuou uma apresentação bem espontânea e destreza em cada movimento. Ambos trouxeram um figurino suntuoso, de cores Vermelho e dourado, sem exageros no gigantismo. O mestre – sala adotou uma postura no qual ele praticamente deslisasse no bailado, sem preder o sorriso presente durante toda passagem.

Harmonia

Gaviões Desfile2019 26O canto da escola foi empolgante e forte. Os componentes contaram com a ajuda direta dos foliões nas arquibancadas, quem além de cantar, também movimentavam os braços imitando quem desfilava. O apagão feito pela bateria foi bem correspondido e destacou positivamente o quesito.

Evolução

Gaviões Desfile2019 81Segura nos quesitos inicias, como comissão de frente e casal, a escola pecou em algumas partes no andar. Diferente dos ensaios técnicos, a entrada no recuo foi um drama, isso porque a ala da frente não esperou o movimento total da bateria, deixando buraco e fazendo as alas correrem pra preencher o vazio, ato visto no minuto 30. Após isso “padrão” imposto no começo do desfile não foi mais notado, e a variação de velocidade era visível. Um destaque positivo ficou por conta da ala coreografada que trazia mulheres fantasiadas de cobra. As palmas durante o segundo refrão foi feito por toda a escola, demonstrando boa organização e sincronismo com andamento do samba. A falta do sincronismo no quesito voltou a ser notado com mais intensidade no minuto 40, especificamente em frente ao recuo. Os passos no refrão principal deu a sensação de escola mais leve e solta.

Alegorias

Gaviões Desfile2019 76O geral das alegorias dos Gaviões foi satisfatório, esculturas bem acabadas, e plástica com fácil interpretação e dentro do enredo, apenas com alguns detalhes prejudiciais em acabamento.

O abre-alas surpreendeu pela grande escultura da cobra, onde seu corpo atravessava toda a alegoria. A figura do Gavião veio logo acima, e com o som animal. O elemento trabalhou com base na cor dourada, dando mais ênfase à proposta árabe do setor.

Gaviões Desfile2019 96A segunda alegoria trouxe detalhes luxuoso e minuciosos nas laterais. Na terceira o que cativou foi a imagem do São Jorge em cima da lua. Já na quarta pode ser visto uma maior interação humana, porém o carro demonstrou falta de acabamento na parte de cima do local que representava o cabaré, ferro foi ser visto. A última alegoria foi a surpresa do carnavalesco, contrariando a proposta de encerramento do desfile de 1994, ele defendeu que cada é dono dos seus atos, por isso a imagem do juiz. Um cérebro também foi visto, que significou que a mente humana tende a ter vícios, como o de fumar.

Bateria

Gaviões Desfile2019 56A batucada inovou com a montagem. Adotada também Mocidade Alegre, os leves vieram atrás, e a linha de frente era formada por cuícas, seguida pela cozinha. Após o recuo o posicionamento voltou ao normal. A bateria não realizou muitas bossas, mas arranjos dos timbales e xequeres foi efetuado em toda passagem do samba. Um destaque emocionante ficou por conta da roupa dos diretores e mestre, a imagem do diretor Wilsinho, que faleceu durante o ensaio da escola, esteve estampada no figurino.

Samba-enredo

Gaviões Desfile2019 12O samba funcionou muito bem, sendo considerados o que mais empolgou a arquibancada em comparação a todos os desfiles do grupo especial. O time de cordas realizaram arranjos pontuais no segundo refrão, enriquecendo a melodia clássica da canção. O intérprete Ernesto Teixeira demonstrou que a idade não é empecilho, e também se destacou.

Enredo

Gaviões Desfile2019 106Os Gaviões da Fiel reeditaram um enredo de 1994, que contou a história do tabaco, erva do cigarro. A escola começou contando o surgimento através de uma lenda antiga, toda a importância que o tabaco tem pra história também esteve presente no desfile, como o uso de remédio pela rainha Carolina de Médici. A escola também abordou os costumes e manias que o uso do cigarro traz, e finalizou com uma sátira, diferente do desfile de 25 anos atrás.

Gaviões Desfile2019 73Fantasias

As fantasias dos Gaviões da Fiel foram satisfatória, sem nenhum problema aparente. O primeiro setor trouxe uma estética árabe muito forte, além da representações que tema pedia. As alas foram bem desenhadas, deram a sensação de leveza mas sem perder a suntuosidade.

Outros destaques

Gaviões Desfile2019 60Na contramão da maioria das escolas que colocam suas crianças em alegorias, os Gaviões destinaram um espaço no chão só para os pequenos sambistas, ala que contou também com uma menina cadeirante logo à frente. A Velha-Guarda, que também desfilou na avenida, mostrou muita animação, e até sambavam quando o público os aplaudia. A ala de convidados foi um ponto bastante curioso, isso porque eles vieram em grande número e foi eles que mais cantaram o samba, porém os convidados não podem ser julgados.

Galeria de Fotos do desfile da Gaviões da Fiel no Carnaval 2019

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Qual escola fez o melhor desfile da Série A em 2019?

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    A equipe do site CARNAVALESCO quer ouvir sua opinião. O prazo para votar vai até quarta, às 16h.

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    Leonardo Bruno: ‘O segundo dia de desfiles da Série A em 2019’

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      Por Leonardo Bruno

      leo brunoA terceira alegoria da Cubango passava à minha frente. Nessa hora, a boca que segundos antes gritava “Gira laguidibá / Giram saias e guias” deixou de cantar o samba, embasbacado que fiquei com a beleza do carro “Sala dos milagres”. Ainda não tinha me recomposto da estupefação – e portanto não tinha voltado a cantar “Ko si oba kan ôôôô / Ofi Olorum ôôôô” – quando chega uma mensagem no celular, de um amigo que via o desfile alguns setores atrás. “Que pena, o terceiro carro tá todo apagado. A escola pode perder o título aí!”. Ignorei meu amigo e voltei a olhar pra pista – e finalmente retornei ao estado normal, cantando “Vou buscar pra mim / A força do seu axé”…

      Pobre do carnaval que pode tirar o título de uma escola porque as luzes de seu carro não acenderam. Confesso que não sei precisar ao certo quando o desfile virou uma competição entre eletricistas, mas o fato é que hoje em dia lâmpada virou quesito. Ora, se algum jurado descontar décimos da alegoria mais bonita do carnaval porque ela não acendeu, azar é o do jurado, que não entendeu nada sobre sua função na festa. Me dê o endereço do cidadão que eu mando um carregamento de pilhas Duracell para lá.

      O carro que representava a sala de promessas era uma síntese do enredo da Cubango, com suas centenas de fotos, fitas, braços e pernas pendurados, numa miscelânea de elementos propositalmente desordenados, cenário de impacto só comparável ao do manto do Bispo do Rosário visto no ano passado – curiosamente, ambas as alegorias traziam registros dos trabalhadores do barracão integrados à obra. A cena que passava à minha frente era tão bonita que eu nem reparei, veja só, na ausência de luz, até ser alertado pelo inconveniente whatsapp, o que prova que a iluminação não fez a menor falta – e que é hora de bloquear certas amizades.

      “Sala dos milagres” é o exemplo mais bem acabado da criatividade dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. Num ano em que mais da metade das escolas da Série A trouxeram temas religiosos, precisamos esperar o último desfile para ver a abordagem mais criativa da fé popular. O enredo sobre objetos de devoção era simples e sofisticado ao mesmo tempo, com o requinte de trazer em sua abertura o Babalotim cantado há 40 anos em desfile de agradável memória para os cubanguenses.

      A Cubango pode não ser campeã do carnaval – Estácio e Império da Tijuca fizeram desfiles corretos, a Renascer foi uma agradável surpresa. Mas, ao final da noite, o público saiu da Passarela do Samba com a certeza de ter testemunhado o nascimento de dois grandes artistas. Haddad e Bora já tinham mostrado seu talento antes, na Sossego e na própria Cubango. Mas esse desfile os coloca entre os grandes de sua geração, credenciados a estrear no Grupo Especial em 2020. O frescor trazido pela dupla reside na associação de suas inegáveis qualidades artísticas a um conhecimento profundo sobre carnaval. Eles não querem apenas fazer obras interessantes do ponto de vista estético, mas se comunicar com o sambista, já que estudam a festa e se embrenham nas características de suas agremiações. O desfile da Cubango dialogava com outras artes, com referências a Adriana Varejão, Zé Celso Martinez Corrêa, Helio Eichbauer e J. Borges, mas nunca deixou de ser escola de samba em sua melhor concepção.

      Aliás, esse pode ser considerado um aspecto que une a nova geração de carnavalescos: uma compreensão do que o carnaval significa para seu povo. Uma festa capaz de produzir Leandros, Jacks, Gabriéis e Boras em tão pouco tempo mostra uma capacidade de renovação fantástica – e sinaliza que está indo pelo caminho certo, ao mesmo nesse quesito.

      O desfile da Cubango foi o ponto alto da noite de sábado, mas não ofuscou outros momentos belíssimos que passaram diante de nossos olhos. Se eu pudesse, por exemplo, entraria para nunca mais sair daquele primeiro setor do desfile da Renascer de Jacarepaguá, que trouxe os orixás, com fantasias belíssimas e uma paleta de cores de fazer inveja a Romero Britto (enredo da escola sete anos atrás). Ou poderia ficar um dia inteiro assistindo à dança de Cintya Santos, porta-bandeira da Porto da Pedra, um furacão em vermelho e branco – cores que também vestiram a escultura de Ismael Silva, no último carro da Estácio, lindamente curvado em respeito ao Cristo Negro.

      O carnaval nos proporciona esses momentos maravilhosos, como ver o maior homenageado da noite, Antonio Pitanga, deixando a Avenida e pegando tranquilamente o seu metrô para voltar para casa. Ou testemunhar um espectador perguntando quem é a mestra de bateria da Porto da Pedra, ao avistar Mestre Pablo fantasiado de… Benedita da Silva!

      Assim como pode ser emocionante, a Sapucaí também nos reserva situações no mínimo estranhas – e aqui nem estou me referindo ao enredo sobre a batata. A comissão de frente da Estácio de Sá era de um sofrimento inigualável, com açoites, martírios, crucificações e outras desgraças, a ponto de parecer desrespeito o componente que sambava feliz ali perto, cantando o samba – como pode estar tão serelepe com uma pessoa sofrendo tanto ao lado?

      Mas nada foi tão esquisito na noite de sábado quanto o esquenta do Império da Tijuca. O puxador começou a cantar “Exagerado”, e eu pulei da cadeira. Sim, você não leu errado, a Sapucaí cantou neste 3 de março de 2019 que “adora um amor inventado”. Depois do susto, passei a especular sobre a relação entre Cazuza e a escola ou o enredo sobre o Vale do Café. Será que Cazuza era tijucano, mas dizia ser do Leblon para esconder sua origem? Será que chegou a dar uns rolês pelo Morro da Formiga? Ou era fã de café, bebida preferida para acompanhar a marguerita na Pizzaria Guanabara, daí a conexão com o enredo? Achando as opções anteriores pouco críveis, procurei no roteiro do desfile, para ver se achava uma fantasia “Segredos de liquidificador” ou uma alegoria “Brasil, mostra a tua cara”, que me ajudasse a matar a charada. Nada! Recorri então ao oráculo Google, aquele que tudo sabe. E lá veio a justificativa: a mãe de Cazuza nasceu em Vassouras, e o cantor passou muitas férias lá. Ah… Tá explicado! Mas aposto que nem Cazuza aprovaria essa heresia. Se é pra cantar a música de um “Angenor” na Passarela do Samba, garanto que o roqueiro ia pedir alguma do seu xará (e ídolo) Cartola. Sem exagero.

      Leonardo Antan: análise dos enredos nos dois dias da Série A 2019

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        Análises das baterias no segundo dia de desfiles da Série A em 2019

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          Cubango alia bom gosto na plástica com canto forte da comunidade e faz desfile para brigar pelo título

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          Por Fiel Matola. Fotos: Allan Duffes 

          Cubango Desfile2019 091Contando sobre a alma das coisas, o Cubango tocou a alma dos presentes na Sapucaí, depois de um carnaval muito bem visto aos olhos da mídia especializada em 2018, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da escola, apresentaram uma proposta que rendeu um excelente desfile, beirando à perfeição. Com o enredo “Igbá Cubango – a alma das coisas e a arte dos milagres”, a Verde e Branco de Niterói finalizou os desfiles da Série A como uma das grandes favoritas. O espectador do desfile viu em cada ala, objetos do dia a dia da fé brasileira, o que fez com que o enredo ficasse claro. Além de ser conduzido por um carro de som bom, o samba emocionou o componente e conseguiu fazer com que eles evoluíssem com garra e alegria. A agremiação de Niterói iniciou seu desfile às 03:25 e finalizou com 54 minutos, os quesitos foram muito bem apresentados, exceto por coisas pontuais, estes que serão detalhados na análise abaixo.

          Comissão de Frente

          Cubango Desfile2019 014Coreografado por Sérgio Lobato, a comissão de frente representou “Pedaços de sonho”. A indumentária foi o problema da comissão, uma leve chuva caiu no Sambódromo, o que fez a pista ficar escorregadia, o sapato dos componentes escorregavam muito, um integrante chegou a deslizar no módulo 1, foi então que decidiu-se por desfilar a partir dali sem os calçados, mas alguns pés ficaram à amostra e outros não, o tecido verde claro ficou sujo por conta do chão molhado. Com quinze componentes todos homens, representando os devotos de São Lázaro, este que estava representado em uma imagem em um andor carregado pelos integrantes. Nessa romaria sincrética, “os peregrinos” carregaram “pedaços de sonho”: objetos que parecem desconectados, prenhes de devoção, unidos, os pedaços adquiriram o formato humano, além de um coração que destacou no boneco formado.

          Mestre-sala e Porta-bandeira

          Cubango Desfile2019 025Diego Falcão e Patrícia Cunha, vieram representando “A Alma de um Pavilhão”, as fantasias nas cores da escola representara a alma do mais importante objeto de qualquer desfile de escola de samba: o Pavilhão, bandeira que exibe, desfraldada, um símbolo, uma história, memórias e identidades. As fantasias, nas cores da agremiação, evocaram as nobres raízes africanas do solo onde a Mais Querida de Niterói floresceu. A concepção das roupas foi inspirada no grafismo Bakuba se misturando aos traços desenvolvidos pela figurinista Ruth E. Carter para o filme “Pantera Negra”. A cabeça de Diego Falcão foi inspirada em esculturas africanas de Exu. Com uma dança dentro do samba e com movimentos bem leves, Patrícia Cunha apresentou força em sua expressão facial, cantando muito o samba e mostrando alma na dança, já Diego fez uma dança tradicional também com passos mais lentos, dentro do ritmo do samba.

          Samba

          Cubango Desfile2019 081Os compositores Samir Trindade, Sardinha, Diego Nicolau e cia, podem ficar tranquilos, pois o samba fez bem o seu papel, ter palavras africanas não foi problema para a comunidade que já está acostumada com sambas do tipo. Destaque para o refrão do meio que teve uma linha melódica muito bem desenvolvida e foi bem cantado.

          Harmonia

          Cubango Desfile2019 061A comunidade foi o ponto alto da noite, eles se esbaldaram de alegria embalado por um excelente carro de som, com uma ótima performance do intérprete Thiago Brito. Emoção foi algo que se viu na comunidade, desde às baianas até a bateria, com muita força em seu canto, contagiando o público presente, que também entrou na onda e cantou junto com os componentes. Foi tão transcendental o desfile que é difícil escolher uma única ala, isso seria injusto porque a apresentação foi além das expectativas.

          Evolução

          Cubango Desfile2019 041A direção de harmonia fez um bom trabalho, a escola fluiu como deve ser. Com alegria e empolgação o componente brincou, a ala das baianas e a ala “Balangandãs” foram destaques positivos, assim como o samba no pé dos passistas. Sem buracos, correria ou qualquer problema que possa tirar pontos da escola foi notado.

          Enredo

          Cubango Desfile2019 027Com o enredo “Igbá Cubango – A Alma das Coisas e a Arte dos Milagres”, os carnavalescos dividiram a escola em quatros setores, o primeiro intitulado de “Igbá Cubango”, o terreiro da escola, foi lembrado os 40 anos do desfile Afoxé da agremiação, que deu o tetracampeonato à ela no carnaval de Niterói, além de cabaças, objetos utilizados para guardar os segredos e fundamentos e elementos sagrados dos orixás que regem a Cubango.

          Cubango Desfile2019 032No segundo setor, sob o nome “De Pedir Proteção”, cada ala expressou um objeto de proteção, como: Muiraquitãs, Carrancas, Ebós, balangandãs, relíquias, etc. No terceiro setor foi falado dos devotos propriamente ditos, sob nome “De Pagar Promessas” cada fantasia das alas nesse setor apresentou um local do Brasil que possui a tradição de peregrinação dos devotos. Guararapes, Juazeiro, Penha, Congonhas, Bom Jesus da Lapa, são exemplos mostrados. O último setor foi “Da promessa que é Dívida: Salve-se Quem Puder”, trouxe objetos que não necessariamente cumprem as promessas, são os falsos objetos que viram dívidas, comercializados a preços exorbitantes para explorar a fé alheia.

          Alegorias e adereços

          Cubango Desfile2019 054O conjunto de alegorias da Cubango foi de excelência e imponência, tratando claramente o enredo, o público ao olhar para as alegorias com certeza lembrou de algum objeto representativo em sua vida, ou alguma história de fé, o abre-alas trouxe em sua parte da frente uma escultura, a figura de Babalotim, o “ídolo menino” cantado no antológico enredo de 1979, “Afoxé”, que deu à escola um inédito pentacampeonato no carnaval de Niterói, e que foi reeditado em 2009 (quando o Cubango foi campeão do Grupo de Acesso B).

          Cubango Desfile2019 057Na segunda parte, além de elementos presentes no primeiro setor, observa-se um conjunto de máscaras – as dianteiras, inspiradas em pinturas rituais africanas. A segunda alegoria representou “Altar Brasileiro” com anjos rodeados na saia do carro e mistura ostensórios com tabuleiros, frutos tropicais com joias de ouro e prata, flores e folhas com fitas do Bonfim. A Terceira alegoria representava uma “Sala de Milagres” com imagens e memórias, teve um problema em sua iluminação, o que pode tirar décimo da escola, vale ressaltar que parte das fotos que compunha a decoração do carro foram doadas por componentes da Cubango. A última alegoria, “Acendo a Vela, peço proteção”, veio com representações de velas, ofertas, a escultura do Cristo Redentor, a bandeira de Abdias do Nascimento e obras de Glauco Rodrigues, finalizando o conjunto muito bem acabado e bem feito.

          Fantasias

          Cubango Desfile2019 111Na mesma linha das alegorias, as fantasias vieram luxuosas, de fácil assimilação, dando tranquilidade para o componente desfilar e com detalhes muito bem feitos, o conjunto fez seu papel no desfile da Verde e Branco. No primeiro setor destacamos a ala das Baianas representando “Igbá Ori”, no segundo setor “Carrancas”, “Balangandãs” , no terceiro a ala “Festa da Penha” era uma das que tinha mais fácil assimilação.Já o último setor, veio com fantasias mais divertidas, com tons críticos como “Vassouras de varrer o diabo” e “Piratas da fé e garrafinhas d’água”.

          Cubango Desfile2019 069

          Cubango Desfile2019 077Bateria

          Com uma paradinha no refrão central a bateria “Ritmo Folgado” comandada pelo Mestre Demétrius levantou a Sapucaí em cada módulo que se apresentou.

          Outros destaques

          A rainha de Bateria Maryanne Hipólito que mostrou samba no pé, próximo ao módulo quatro de julgamento foi até um fã na frisa e entregou uma peça da fantasia dela, ela disse “É da minha fantasia”, sem nem perceber ela estava demonstrando em um ato o enredo de sua escola, aquele objeto para o fã criou uma representatividade tamanha, ‘a alma das coisas”.

          Bangu leva para Avenida a famosa receita do Croquette de Luís XVI

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          Por Karina Figueiredo

          Bangu Desfile2019 099

          A Unidos de Bangu levou para Avenida a receita do Croquette de Batata de Luís XVI, descrita no livro “TacuinumdèEccellentissimi”, de Alex RevelliSorini e Susana Cutini. O prato foi criado durante uma grandiosa festa no castelo do rei e representado na Sapucaí no terceiro carro alegórico.

          O Croquette surgiu quase que sem querer. Na ocasião, o cozinheiro oficial do castelo só tinha dois ingredientes para fazer o banquete: queijo e batatas, surgiu aí o prato que cairia no gosto da realeza e dos súditos. “Foi assim que o cozinheiro criou a massa conhecida como o corquette, explicou a coreógrafa Luciana Iedris, que desfilou pela primeira vez na escola.

          A partir daí, a população começou a copiar o prato. Com isso, o legume passou a ser reconhecido na sociedade feudal que passou a incorporar na alimentação do cotidiano. Outro grande destaque da época foi o Baile das Batatas, quando a Rainha Maria Antonieta usou flores de batata na cabeça e o rei que pôs na lapela, em protesto contra o preconceito, no evento o “Croquette” foi oferecido. Esses episódios históricos puderam ser observados na terceira alegoria da escola.

          Bangu Desfile2019 102

          O carro também apresentou imagens do croquette que percorriam as bordas do carro. Projetada para dividir os cenários da época, a grande estrutura montada representou alguns ambientes: a cozinha com os cozinheiros malucos que prepararam os salgados; o povo feudal que copiou os atos da Nobreza; e as mulheres que utilizavam flores nos seus adereços. Todos dividiam o mesmo espaço que era dividido por paredes ou degraus.

          Com um requinte nobre e delicado, a escola representou a parte histórica da introdução da batata na sociedade. Até hoje, as marcas estão presentes na cultura brasileira.

          “Esse carro representa o baile de época e mostra como tudo começou”, explica Claudia Galvão que acompanhou os alunos de Vassouras que estavam na alegoria. A festa serviu para popularizar a batata que, no início era muito preservada por Luís XVI, após o grande baile, isso tudo mudou e o ingrediente faz parte de diversos pratos a ponto de conquistar todas as classes sociais.

          Com conjunto plástico irregular, Vila Maria faz desfile leve embalada por Wander Pires

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          VilaMaria Desfile2019 23A Unidos de Vila Maria foi a sexta escola a desfilar na segunda noite de apresentações do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi. E desde a arrancada da escola o intérprete Wander Pires desfilhou sua impressionante categoria na condução do samba-enredo da escola. Sem dúvida foi o maior destaque do desfile da escola, provando ser um dos maiores intérpretes da história do carnaval. O conjunto visual esteve irregular com algumas alas bem bonitas e outras não seguindo o mesmo padrão. O mesmo se aplica às alegorias.

          Comissão de Frente

          VilaMaria Desfile2019 21A Comissão de Frente da Unidos de Vila Maria representou os guardiões do Portal do Sol (metade pássaro, metade homem) e em sua apresentação seus componentes apresentaram uma lenda peruana relacionada ao grande pássaro, o Condor. Nesta apresentação, os componentes apresentaram movimentos coreográficos e teatralizados. Foi um dos figurinos mais interessantes do Grupo Especial esse ano, todo em tons em preto e prata e com uma maquiagem no rosto. O tripé trazia o condor citado no enredo que em um dado momento se escondia atrás da escultura de um índio.

          Mestre-Sala e Porta-Bandeira

          VilaMaria Desfile2019 27O casal de mestre-sala e porta-bandeira personificou em sua fantasia as lágrimas Ínti. Laís e Everson Sena definitivamente viraram a página do acidente do ano passado, quando não puderam ser julgados após a queda de parte saia da porta-bandeira. Foi uma apresentação marcante, tecnicamente perfeita e com uma simbologia presente. O clima de entrosamento entre os dois foi perceptível ao longo da passagem deles pelo Anhembi.

          Harmonia 

          VilaMaria Desfile2019 36As primeiras alas do desfile passaram cantando forte a obra. Entretanto o canto não manteve a mesma fluência a partir da ala imediatamente à frente da segunda alegoria. A diferença de tonalidade no chão da escola foi perceptível quando essa ala cruzou a avenida. Embora as alas subsequentes não tenham repetido o desempenho do primeiro setor o canto voltou a aparecer a partir do segundo setor da escola, mas de uma maneira inconstante. Algumas alas cantaram mais que outras.

          Enredo

          VilaMaria Desfile2019 41A proposta não se desenvolveu de forma clara na avenida. Faltou leitura na maior parte das fantasias e o entendimento ficou prejudicado. Alegorias com muita informação prejudicaram também que a proposta obtivesse uma realização bem feita pela escola.

          Evolução

          VilaMaria Desfile2019 55Depois dos problemas enfrentados no desfile do ano passado a evolução da Vila Maria fluiu com muita alegria na avenida. As alas estavam livres para brincar e assim o fizeram. Com isso o andamento de desfile fluiu sem nenhuma dificuldade.

          Samba-Enredo

          Criticada no período pré-carnavalesco a obra teve excelente rendimento no Anhembi impulsionada por dois fatores preponderantes. A impressionante manutenção do andamento da bateria e uma antológica atuação de Wander Pires. Alas passaram cantando o samba sem precisarem ser cobradas pelos harmonias. Alguns deles inclusive gritavam o samba nas laterais da escola.

          Fantasias

          VilaMaria Desfile2019 32Conjunto irregular. Algumas alas, principalmente no primeiro setor, muito bem feitas e acabadas. Mas outras com o uso de materiais muito simples que não surtiram o efeito esperado na avenida. Aquelas que estavam bem produzidas eram volumosas, com esplendores e criavam um belo efeito na avenida.

          Alegorias

          VilaMaria Desfile2019 86Tal qual as fantasias, houve uma irregularidade no conjunto. O carro mais bonito e bem acabado era o quarto. Na terceira alegoria, haviam destaques na parte de trás da alegoria sem os devidos chapéus que compunham a fantasia de composições, como outros tinham. Isso pode acarretar na perda de pontos no quesito. Em outra alegoria crianças trajavam shorts e camisas da escola, sem qualquer decoração ou carnavalização.

          Bateria

          VilaMaria Desfile2019 10Uma atuação brilhante da Cadência da Vila, como é conhecida a bateria da Vila mais famosa. Manutenção do ritmo e andamento o tempo todo em grande entrosamento com o intérprete Wander Pires. O estilo da bateria se casa perfeitamente com o perfil melódico de canto de Wander. As bossas foram muito bem executadas.

          Outros Destaques

          VilaMaria Desfile2019 4No início desfile uma salva de fogos empolgou o público e pediu passagem para a apresentação da Vila Maria. A escola que tanto sofreu com um desfile extremamente complicado ano passado, se mostrou solta e feliz, o que contribui para um dos desfiles mais leves do Grupo Especial em 2019. O encerramento da escola foi pra cima, com um grande show da torcida nas arquibancadas lançando sinalizadores nas cores da escola.

          Galeria de Fotos do desfile da Vila Maria no Carnaval 2019

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