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Baianas da São Clemente se apresentam com crítica às escolas que pedem componentes emprestadas para montar a ala

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Por Nathália Marsal

Sao Clemente Desfile2019 124

O aviso “Promoção imperdível: aluga-se baiana” na fantasia das baianas da São Clemente parecia mesmo fazer uma oferta de mercado. Afinal, diversas mulheres que estavam ali hoje com a sua saia rodada já desfilaram ou vão desfilar em outras escolas neste carnaval. Acompanhando o enredo “E o Samba Sambou”, uma reedição do de 1990, ala das baianas trouxe uma crítica às escolas que não têm mulheres suficientes e precisam trazer muitas de outras agremiações.

Clemilda Maria de Souza, de 63 anos, começou a maratona com diferentes roupas de baiana na sexta-feira, com a Acadêmicos da Rocinha. Depois, rodou com a Imperatriz e São Clemente. Ela ainda rodará sua saia na última escola a cruzar a Avenida nesta segunda-feira, a Mocidade Independente de Padre Miguel. Na terça, será a vez da Lins de Imperial, na Intendente Magalhães. Apesar da lista de desfiles, Clemilda torce mesmo para a Unidos de Vila Isabel, mas, por conta dos horários de ensaio, não conseguiu desfilar na sua favorita.

“A gente não recebe nada, vai por amor. Eu era passista, mas hoje não tenho mais condições. Então, há 15 anos, escolhi brincar de baiana. Só precisamos ser mais valorizadas, pois carregamos muito peso, e as presidências só sabem cobrar”, contou.

São Clemente 3Gabriela Lopes, de 26 anos, sai pela Preta e Amarela da Zona Sul há dois anos, mas é sua primeira vez na ala das baianas da escola. A vontade de ser uma das mulheres de saia rodada começou na União do Parque Curicica, aos 15 anos. Gabriela se destaca pela idade já que muitas baianas são idosas.

“Falta uma atenção voltada para as baianas nos ensaios. Usamos fantasias que pesam mais de dez quilos. Precisam pensar mais nesse peso, na nossa saúde. Já vi muitas desistirem de entrar na Avenida por isso”, afirmou.

Baiana desde os 18 anos, Luzia Alves, de 73, desfila desde 2009 pela São Clemente, mas já passou pela Imperatriz Leopoldinense, Salgueiro, Mangueira e Paraíso do Tuiuti. Ela começou a se arrumar às 19h e só vai parar depois do desfile da Paraíso do Tuiuti, no qual também pretende desfilar.

“Enquanto der para brincar, a gente vai. A maioria aqui é emprestada. A baiana é a alma da escola. Nós não ganhamos nada, mas a escola perde ponto se não formos ao desfile”.

A ala das baianas é uma obrigatoriedade das agremiações, que devem levar para a Avenida, pelo menos, 70 mulheres, valendo ponto para a escola.

Pavão da São Clemente é uma crítica à vaidade que cerca os bastidores do Carnaval Carioca

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Por Juliana Cardoso

São Clemente 4Primeira escola a pisar na Marquês de Sapucaí nesta segunda, a São Clemente reeditou seu enredo de 1990. Alfinetando o grande mercado em que o Carnaval Carioca se tornou, a agremiação passou pela Avenida com alegorias e fantasias irreverentes. O quarto carro, chamado “Carnavalescos e Destaques”, retratou a grande vaidade que permeia os integrantes da festa popular.

A alegoria tinha como figura central um enorme pavão multicolorido, rodeado por componentes em cima de uma escadaria, que usavam fantasias nas cores do arco-íris e seguravam grandes leques. Nas laterais, um camarim foi retratado, com penteadeiras iluminadas e integrantes da escola vestidos e maquiados exageradamente. Na parte superior, um ringue de luta representou a disputa de egos de personalidades ligadas ao evento, como musas e rainhas de bateria.

“Esse carro representa a pura verdade dos bastidores do carnaval, onde um quer ser melhor que o outro. Virou um verdadeiro pavão, quanto mais enfeites e exagero, melhor! A crítica foi bem-feita pela São Clemente. Jorge e Thiago, responsáveis pelo carro, elaboraram belos adereços. Eu também participei da decoração”, disse Lucas Alves, que estava no carro.

São Clemente 5Para André Lucas, que também desfilou na alegoria, a ideia foi diferente, e o tema foi acertado pela São Clemente. “A proximidade do tema com a realidade é perfeita”, concluiu.

A escola abriu o segundo dia de desfiles do Grupo Especial e levou para a Avenida a reedição do enredo “E o Samba Sambou”.

Eugênio Leal analisa o desfile da Vila Isabel

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Vila Isabel 2019: arrancada do samba no desfile

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Vila Isabel 2019: bateria ao vivo no desfile

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São Clemente 2019: arrancada do samba no desfile

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São Clemente 2019: bateria ao vivo no desfile

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Em repúdio ao racismo, desfilantes da Tijuca interpretam na Avenida a dor das vítimas do tráfico negreiro

Por Nathália Marsal

Tijuca desfile2019 141Um carro da Unidos da Tijuca não festejou nem esbanjou alegria durante o desfile do enredo “Cada Macaco no seu Galho. Ó, Meu Pai, me dê o Pão que eu não Morro de Fome!” na Avenida, na madrugada de domingo. E não foi por falta de entusiasmo ou paixão pela escola. A terceira alegoria a entrar no Sambódromo, “O Pão que o Diabo Amassou”, trouxe 80 negros interpretando a viagem forçada de muitos de seus antepassados em um navio negreiro.

O carro, considerado forte e impactante, mostra cenas de agressão e privação da liberdade vividas por negros escravizados. Apesar de feliz por seu primeiro desfile na Unidos da Tijuca, Mariane Rodrigues, de 23 anos, não festejou em cima da estrutura.

“Não temos festejo porque somos escravizados durante todo o desfile. É um navio negreiro, e sofremos o tempo todo. Me toca por ser negra e carregar essa dor que hoje chega por meio do preconceito na escola e no trabalho. Me dói saber que estamos representando algo que não acontece só de forma teatralizada, mas também na vida real”.

Tijuca desfile2019 136Na apresentação, os integrantes do carro se juntaram aos que estavam no chão, na ala “João de Mattos, O Padeiro Alforriado”, que contou a história do escravo alforriado que ensinava a arte de fazer pão a negros escravizados. Ele ainda lutava pela liberdade dos negros, imprimindo cartas de alforria falsas – chegar a formar um grupo de 160 pessoas. Foram três meses de ensaio. Entre as cenas chocantes, a de europeus mutilando negros retirados a força de suas casas na África.

Para Patrícia Valéria, de 42 anos, a apresentação é importante para manter viva a história e não cair no esquecimento para que não se repita novamente.

“É um enredo que fala do alimento do espírito não só do corpo e da fé de um modo geral. Estamos representando o sofrimento dos escravos no navio negreiro. Muitas pessoas morreram nessa travessia. É um lamento por essas pessoas”, afirmou.

Eugênio Leal analisa o desfile da São Clemente

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Ao vivo da Sapucaí: arrancada e bateria das escolas que desfilaram no domingo pelo Grupo Especial

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    Tijuca desfile2019 059UNIDOS DA TIJUCA

    IMPERATRIZ

    BEIJA-FLOR

    Salgueiro desfile2019 049SALGUEIRO

    GRANDE RIO

    VIRADOURO

    IMPÉRIO SERRANO