Por Larissa Rocha
O Acadêmicos do Salgueiro foi a quarta escola a cruzar a Marquês de Sapucaí neste domingo de desfiles do Grupo Especial, com o enredo “Xangô”, que faz tributo ao patrono espiritual da agremiação. A última ala, nomeada “Que a Justiça seja Feita – Ativistas”, fechou o desfile fazendo dele uma passeata contra a discriminação das minorias. Os componentes, exibindo bandeiras contra o preconceito, vestiam branco, com adereços que os distinguiam entre mãe e pai de santo, índios e feministas.
Para Júlio Esquischittini, diretor de Harmonia do Salgueiro, o tema já deveria ter ocupado a Avenida há muito tempo.
“É a cultura do Salgueiro abordar temas afro, e esse já estava guardado há muito tempo. Todo mundo esperava que viéssemos na última ala com mais um tema afro, mas esse é um tema atual. Foi uma grande surpresa”, disse.
Vestida de candomblecista, Bianca Andrade, feminista declarada, achou o enredo muito oportuno, e se sente muito lisonjeada de estar participando de uma ala militante:
“Atualmente vivemos um momento de preconceito explícito. Nossa realidade é essa e foi contra isso que viemos lutando no desfile. Xangô, que é o orixá dá justiça, fará com que esse preconceito todo acabe’’, contou.
O estreante no Salgueiro Adilio Salucci, que mora na Flórida há seis anos, acredita que o tema da ala é fundamental para a reflexão. Para ele, é desta forma que se faz mudança.
“Tudo é gradativo, tudo leva um tempo, nada é instantâneo. Então trazer isso para a Avenida é muito importante. Em passos pequenos, conscientizaremos a população. Isso é a mudança”, disse, empolgado.
O desfilante Luiz Ferreira, complementa. Para ele, participar do espetáculo quando se tem consciência política faz toda a diferença.
“Estamos em um mundo, especificamente em uma cidade na qual há situações em que precisamos realmente nos unir para tratar de alguns temas. Onde o povo estiver, é válido estarmos unidos para fazer algo de bom para a sociedade”, refletiu.


Muita gente passa grande parte do dia ligada às redes sociais, deixando de lado o contato pessoal. Essa foi uma das críticas trazidas pela Grande no terceiro carro, “Deu ruim na rede!”, que falou ainda dos ‘pecados’ cometidos nas redes sociais. A alegoria trazia o símbolo do Wi-Fi, botões que lembram um teclado de computador e edifícios com antenas parabólicas. Além disso, tinha ainda várias fitas cruzadas que poderiam ser interpretadas como ‘gato net’ ou pessoas que estão presas à rede.
O Acadêmicos do Grande Rio levou para a Avenida, nesta primeira noite de desfiles do Grupo Especial, o polêmico enredo “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra”. A escola falou sobre os deslizes do ser humano, maus hábitos e até mesmo das viradas de mesa que acontecem no Carnaval Carioca. A segunda alegoria representou a falta de educação no trânsito e impressionou com os detalhes e acabamento impecável.

