Início Site Página 1850

Tijuca 2019: bateria ao vivo no desfile

0

Imperatriz 2019: arrancada do samba no desfile

0

Imperatriz 2019: bateria ao vivo no desfile

0

Beija-Flor apresenta enredo de forma confusa e faz desfile burocrático

0

Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Beija Flor desfile2019 163A Beija-Flor de Nilópolis foi a quinta agremiação a desfilar na primeira noite do Grupo Especial 2019. A azul e branca ainda sonha com o bicampeonato, depois de conquistar o título no ano passado. Entretanto a chance de uma nova conquista é remota, principalmente, devido ao projeto plástico apresentado na avenida. A estratégia de defender os 70 anos da escola na avenida não deu certo e a temática não passou clareza através de alas e carros. Burocrática no canto, a escola viu as apresentações do casal Claudinho e Selminha e da comissão de frente serem os momentos de maior interação com o público no desfile.

Comissão de Frente

Beija Flor desfile2019 085Era dia de Natal quando foi fundado há 70 anos atrás, o que viria a se tornar a Beija-Flor de Nilópolis. Surgia naquela tarde, um bloco que ainda não possuía nome, até que Dona Eulália, mãe dos ritmistas fundadores, ao ver que se aproximavam beija-flores de uma árvore, sugeriu dar o nome de “Beija-Flor” ao bloco.

Beija Flor desfile2019 087A partir da fundação da Beija-Flor, nasceu a inspiração temática da Comissão de Frente, levando em consideração que toda narrativa feita por um animal ou ser da natureza que ganhe características psicológicas ou comportamentais humanas narra uma fábula, o coreógrafo Marcelo Misailidis utilizou a fábula ‘O carnaval dos animais’ para criar a concepção da comissão. A apresentação teve seu ponto alto na reunião bichos com direito a instrumentos. O elemento alegórico que virava uma árvore de Natal possuía engrenagens à mostra e também exibia a troca de roupas dos componentes.

Mestre- Sala e Porta-Bandeira

Beija Flor desfile2019 028O casal de beija-flores encantados – ele, o narrador-personagem, ela, a ave consagrada soberana – cruzou a pista bailando e rodopiando pelos ares, conduzindo o Pavilhão e apresentando essa viagem fabulosa de exaltação aos 70 anos de história da agremiação nilopolitana. Claudinho e Selminha enfrentaram o vento na primeira cabine, o que causou quase o enrolar da bandeira. Na segunda cabine Claudinho não conseguiu pegar corretamente o pavilhão depois de oferecido pela porta-bandeira. Outro problema foi a pista molhada. Eles optaram por desfilar no lado oposto da cabine, pois estava seco.

Harmonia

Beija Flor desfile2019 064Depois do sacode dado no desfile de 2018, a comunidade da Beija-Flor passou burocrática pela avenida esta noite. Técnica, cantou o samba, mas sem o brilho que já conseguira outrora.A situação já havia sido detectada no ensaio técnico. Não significa não houve canto, mas em um comparativo pode perder pontos.

Samba-Enredo

Beija Flor desfile2019 035A controversa obra nilopolitana, fruto da junção de duas obras na final, funcionou bem na Sapucaí. Impulsionado como sempre pelo onipresente Neguinho da Beija-Flor o samba passou bem pela pista de desfiles, gerando nas alas um padrão constante e linear de canto.

Evolução

Beija Flor desfile2019 107A Beija-Flor parece ter escrito o manual de evolução, tamanha sua competência no quesito. Entretanto no desfile deste ano a escola enfrentou diversos problemas no quesito. A começar por uma correria iniciada no módulo 3 que não se explica pois a escola concluiu sua apresentação três minutos antes do tempo máximo permitido. Um buraco logo antes dos ritmistas entrarem no recuo também pode ser notado, e no campo de visão do jurado. Uma técnica de desfile irregular.

Enredo

Beija Flor desfile2019 124Alas bem alinhadas com os setores. Cada setor abordava, através de uma fábula, os enredos da Beija-Flor. Entretanto o fio condutor adotado, as fábulas de Esopo, causaram bastante confusão na proposta da escola. Além disso os carros, onde estavam representadas essas fábulas não tinham qualquer comunicação com as alas e o enredo desta forma teve sua compreensão dificultada.

Fantasias

Beija Flor desfile2019 151Conjunto de fantasias superior ao apresentado ano passado. Os figurinos estavam muito bem feitos, volumosos, com a utilização de bastante materiais. A Beija-Flor dividiu os enredos de sua história as alas do desfile. Para tornar a narrativa coerente subdividiu os setores por temas de enredos: brasileiros, afros, críticos e etc. A quarta ala tinha problemas de acabamento com uma maquiagem que se desfazia conforme os componentes suavam. No mesmo setor a ala de baianas e a sexta ala chamaram atenção ao relembrarem os desfiles de 1998 e 1999. Pinah, histórico destaque da escola, passou pelo terceiro módulo de julgamento sem o chapéu da fantasia.

Alegorias

Beija Flor desfile2019 131Seguindo o que foi feito em 2018, a Beija-Flor trouxe para a avenida um conceito de alegorias mais interativas, como movimentos que mudavam o formato dos carros. Mais bem acabados que os de 2018, os carros entretanto não ajudaram a contar bem o enredo.Faltou uma maior relação entre carros e fantasias.

Outros Destaques

Beija Flor desfile2019 055Claudia Raia veio na segunda alegoria e ora se apresentava no chão, ora subia no carro. Neguinho da Beija-Flor reviveu o desfile de 2018 ao esquentar com o samba campeão do ano passado. O intérprete foi a personalidade mais requisitada para fotos de toda a escola. A homenagem a Laíla aconteceu, mas foi discreta. Uma foto do ex-diretor de carnaval da escola veio na saia do abre-alas, junto com outros indivíduos que ajudaram a construir a história da Beija-Flor.

Baianas da Beija-Flor revivem ‘o mundo místico dos Caruanas’, na Sapucaí

0

Por Nathália Marsal

baianasbeija

As baianas da Beija-Flor de Nilópolis passaram pela Sapucaí na noite deste domingo com a responsabilidade de representar o enredo “O mundo místico dos Caruanas nas águas do Patu-Anu”, de 1998, que rendeu o troféu de campeã à escola. Em 2019, a agremiação decidiu contar seus 70 anos de existência através de seus próprios carnavais.

Carla Valéria Santos, de 54 anos, que fez sua estreia na Beija-Flor,  justamente em 1998, não esquece a emoção vivida naquela época.

“Uma emoção que não sei explicar. Arrepiei demais em ouvir a voz do Neguinho pela primeira vez e até hoje é assim”, relatou a componente, que contou ainda que a fantasia de hoje mudou um pouco em relação àquele ano.

“A de 1998 representava um jarro de cerâmica, a de hoje, lembra o desfile daquele período com as cores e através do chapéu de beija-flor, símbolo da escola.”

Ainda em relação a mudanças de 1998 para os dias atuais as componentes apontam principalmente a estrutura. Ananízia Rocha, de 79 anos, que está há 30 na ala de baianas diz que o peso aumentou.

“Antes eram mais leves. Agora tem que ter muito equilíbrio para desfilar, mas eu não quero largar isso, não”, afirma Ananízia, uma das mais antigas na ala que elegeu o desfile sobre  Roberto Carlos, como seu preferido. Ela passou o aprendizado para a filha Solange da Silva, de 58 anos, que entrou ainda criança na escola.

Beija-Flor 2019: galeria de fotos do desfile

0

Baianas do Salgueiro homenageiam Iemanjá

1

Por Larissa Rocha

Salgueiro desfile2019 147Com o enredo exaltando Xangô, o rei da justiça, O Acadêmicos do Salgueiro entrou na Avenida pediu pelo fim da impunidade. Na ala 23ª ala, as baianas louvavam Iemanjá. A roupa usada fazia homenagem à alegoria da Orixá criada por Arlindo Rodrigues no carnaval de 1969. Na época, a imagem de Iemanjá cruzou a Marquês de Sapucaí sentada sobre rosas.

Na ala, intitulada “Iemanjá – “Nega baiana…És a Rainha da Beleza Universal”, as damas do Salgueiro atravessaram o Sambódromo com uma fantasia deslumbrante, de tecido metálico, lame e organza. O espelho na mão e as conchas metalizadas na roupa ajudavam a compor o figurino.

Alexandre Neto, diretor da ala das baianas, se emocionou ao falar da ala que homenageou Iemanjá:

“Ela é a mãe da cabeça de todos, então é uma representatividade muito bonita para as baianas. Elas são as mães do samba, e hoje, durante o desfile, foram também as mães da cabeça da escola”, afirmou.

A baiana Juciara do Nascimento Santos já esteve afastada do desfile por 21 anos, mas o coração salgueirense não permitiu tanta distância, e ela voltou. Juciara, que já perdeu uma gravidez de gêmeos enquanto assistia o Salgueiro na Avenida, diz que o coração dispara quando ouve a bateria da escola. Ela não esconde a devoção e comoção ao falar de Iemanjá.

salgueiro 2“Iemanjá, para mim, é tudo: é Iyá-Ori, mãe das cabeças, mãe de Xangô…Então, pela minha religião, ela é tudo na nossa vida, e desejo que ela molde as cabeças das pessoas para o bem, e não para o mal. Hoje em dia temos muita guerra, mas não foi com isso que Deus e os orixás nos presentearam. Pelo contrário. Eles nos deram a paz, e nós precisamos levar a vida com união e perseverança”, disse.

Cátia Ribeiro, que desfila há 15 anos na ala das baianas do Salgueiro, também relatou um pouco da satisfação de representar a Orixá:

“É uma energia muito linda! Tenho certeza que vou entrar na Avenida chorando. Primeiro, pela emoção do desfile; segundo, por vir representando Iemanjá que é uma sensação boa demais, é um presente de Deus”, disse, agradecida.

‘Chão salgueirense’ entoa samba com força e, ao lado de casal, se destaca no desfile da Academia do Samba

0

Por Antonio Junior. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Salgueiro desfile2019 129Em um ano de dificuldade e muitos problemas internos, a comunidade do Salgueiro mostrou no desfile deste domingo de carnaval, na Marquês de Sapucaí, toda a força de seu chão. Os componentes da Academia do Samba cantaram com muito empenho o samba-enredo da agremiação, um dos mais bem avaliados do pré-carnaval, e deram a identidade salgueirense ao desfile da Vermelha e Branca. Além do quesito Harmonia e do bom rendimento do samba, o casal Sidclei e Marcela deu um show a parte e ao lado da comissão de frente da Academia também se destacou, mostrando totais condições de alcançar as notas desejadas na avaliação dos julgadores.

Salgueiro desfile2019 122Alguns quesitos, porém, não mantiveram o bom desempenho dos citados anteriormente. A evolução da escola no trecho final do desfile foi comprometida com oscilações quanto ao andamento. E, o conjunto visual, especialmente o quesito Alegorias e Adereços pode ser descontado por problemas de acabamento.

Comissão de frente

Salgueiro desfile2019 017Comandada por Sérgio Lobato, a comissão de frente salgueirense representou a benção do orixá e levou para a Avenida o sincretismo religioso. Utilizando um gigantesco elemento alegórico, o quesito fez apresentações seguras nas quatro cabines julgadoras. Dividida em três momentos, a coreografia apresentava São Jerônimo em um primeiro momento, abençoando o começo de desfile da agremiação. Na parte traseira do elemento, formava-se a pedreira de Xangô, abrindo os caminhos e interagindo com seis componentes camuflados na estrutura.

Salgueiro desfile2019 018Por fim, após as bênçãos das duas entidades religiosas, a comissão caiu no samba, também utilizando a estrutura do elemento alegórico, e contando com a participação do ator e salgueirense, Eri Johnson. A apresentação arrancou muitos aplausos por onde passou, inclusive de jurados dos quesitos. Únicos pontos a serem observados, são: pelo tamanho do elemento alegórico, quem estava no lado oposto ao dos jurados, não acompanhasse a apresentação. Além disso, dois dos componentes da comissão apresentaram problemas no tecido dourado da parte da frente da fantasia – os mesmos acabaram se desprendendo da estrutura da fantasia, ainda que não comprometessem a apresentação da agremiação.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Salgueiro desfile2019 029Um dos carros-chefes da agremiação, Sidclei e Marcela fizeram apresentações tecnicamente perfeitas nos módulos de julgamento. O casal mostrou que, mesmo com as dificuldades do ano, o afastamento momentâneo e a volta recente à rotina de ensaios após a gravidez da porta-bandeira, está em totais condições de gabaritar o quesito. Com muito sincronismo, o casal fez suas apresentações bem próximos um ao outro e mostraram excelente forma. Destaque para Marcela, que mesmo pegando vento considerável e chuva no começo do desfile, mostrou graciosidade e muita técnica na dança.

Harmonia

Salgueiro desfile2019 001Outro ponto alto do Salgueiro no desfile, o canto da comunidade se mostrou valente ao longo de todo o desfile. Todas as alas demonstraram conhecimento do samba e cantaram a obra salgueirense de maneira contínua. Embalados pela dupla Emerson Dias e Quinho, os componentes confirmaram uma das principais características da agremiação: o canto forte.

Salgueiro desfile2019 002Se outros quesitos podem ter deixado a desejar quanto ao rendimento, esse certamente não foi assim. Em um ano de dificuldades nos bastidores da Academia do Samba que confirmaram certo comprometimento na execução do desfile, os componentes cumpriram seu papel e mostraram a força do canto do Salgueiro.

Enredo

Salgueiro desfile2019 157Desenvolvido por Alex de Souza, o enredo salgueirense conseguiu cumprir bem seu papel e foi apresentado com leitura correta e fácil de assimilar. Destaque para o desenvolvimento do primeiro e do último setor – falando sobre a criação do mundo segundo a tradição africana e sobre o Senhor da Justiça, respectivamente. Estes setores se sobressaíram pela facilidade na leitura, especialmente em fantasias.

Evolução

Salgueiro desfile2019 146O calcanhar de Aquiles do desfile salgueirense. A escola iniciou seu desfile com um andamento mais cadenciado, mas viu ao longo de sua apresentação pelos mais de 700 metros da Marquês de Sapucaí que precisava apertar um pouco o passo para completar o desfile no tempo definido por regulamento (75 minutos). Especialmente durante a passagem do quarto setor pelo terceiro módulo de julgamento. A ala coreografada por Carlinhos Salgueiro parou para fazer sua apresentação em frente ao módulo 3 e ala anterior acabou seguindo sua trajetória na Avenida.

Salgueiro desfile2019 139Um espaçamento considerável abriu logo na sequência ao módulo 3, pegando seu campo de avaliação visual, e se estendeu até após o recuo de bateria. As tias Baianas comandadas por Tia Glorinha, que sucediam a ala coreografada, também precisaram apertar o passo e não puderam evoluir no local com a mesma elegância e desenvoltura do que fizeram no restante da Avenida. A oscilação no andamento do desfile da Vermelha e Branca também se deu nas alas que compunham o último setor da escola, em frente ao módulo 4 de julgamento, o que pode ocasionar descontos na avaliação do quesito.

Samba-enredo

Salgueiro desfile2019 052Rendimento do samba do Salgueiro foi bastante satisfatório na Avenida. Emerson e Quinho mostraram entrosamento na interpretação do samba da agremiação e contribuíram bastante, ao lado do carro de som, para o bom desempenho da obra no desfile. Aliás, vale ressaltar: logo dos primeiros versos do samba da Academia, foi possível comprovar na Sapucaí que o público presente conhecia e muito o samba da escola, o que mais teve a aprovação das arquibancadas até o momento do desfile.

Fantasias

Salgueiro desfile2019 120O Salgueiro apresentou oscilação no quesito e encontrou dificuldades na manutenção das vestimentas até o final da Avenida. Com um começo mais “pesado” e volumoso, as indumentárias salgueirenses preenchiam toda a pista nos primeiros setores, especialmente com relação a costeiros e cabeças. A mesma qualidade porém não era vista nas partes inferiores das fantasias, algumas delas apenas com conjunto de malhas coloridas por debaixo dos coletes (como foi possível observar nas alas 5 – Oxê – e 6 – Obá de Oyó – da agremiação). A sétima ala (Cágado) mostrou problemas de acabamento, assim como as de número 16 (O Guerreiro Invencível – São Miguel Arcanjo) e 25 (Lavagem de Dinheiro – que usou muito algodão para a retratação da fantasia, mas apresentou falhas de execução). O trecho final do desfile salgueirense destoou do começo mais luxuoso, até pela proposta mais leve apresentada, mas a execução no restante das alas foi bem feita.

Alegorias

Salgueiro desfile2019 150Outro quesito que o desfile salgueirense poderia ter tido rendimento melhor. Com o abre-alas muito bem executado, o segundo carro chamou a atenção pelo colorido e sua imponência. Porém, a alegoria apresentou falhas de acabamento, especialmente no tecido laranja lateral que compunha o animal de destaque na alegoria. Os carros 3 e 4 da escola apresentaram problemas de ordem de iluminação que, se entendidos pelos jurados como problemáticos quanto a interpretação da alegoria, pode acarretar desconto de décimos importantes para a agremiação.

Bateria

Salgueiro desfile2019 049Comandada por Guilherme e Gustavo, a Furiosa pode se dizer que jogou para a escola. Apresentando as bossas que o pré-carnaval já conhecia do período de ensaios técnicos na rua e no Sambódromo, os ritmistas representaram Ojuobá, sacerdote do culto a Xangô, apresentando saudação ao orixá. As paradinhas arrancaram aplausos do público na Sapucaí, que também se encantou com a presença de Viviane Araújo, a rainha das rainhas.

Salgueiro desfile2019 048A 18ª ala da agremiação é outro ponto que merece destaque no desfile salgueirense. Representando “O Sucessor de Pedro – e os populares”, a ala retratou o líder da Igreja Católica em seu papamóvel cercado de fiéis. O ator Ailton Graça representou o pontífice e foi muito aplaudido durante sua passagem pela Sapucaí.

Em busca de seu décimo título no carnaval, o Salgueiro encerrou deu desfile com 75 minutos – tempo máximo permitido pelo regulamento.

Salgueiro 2019: galeria de fotos do desfile

0

Grande Rio mostra o jeitinho brasileiro em desfile com falhas de enredo

0

Por Vinicius Vasconcelos. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Grande Rio desfile2019 107Protagonista da última virada de mesa do carnaval, a Acadêmicos do Grande Rio propôs para 2019 um desfile com claras intenções de rir das desgraças cometidas pelo ser humano. Sejam elas intencionais ou não. Elaborado pelo carnavalesco Renato Lage, o enredo “Quem nunca…? Que atire a primeira pedra”, ferozmente criticado no pré-carnaval, passou pela avenida dividido em cinco setores, 30 alas e seis carros alegóricos no tempo de 1h14.

Grande Rio desfile2019 104A comissão de frente foi o grande destaque da escola caxiense. Numa coreografia moderna e sem elementos cenográficos gigantescos, Hélio e Beth Bejani trouxeram seus bailarinos executando passos que haviam viralizado na internet com youtubers famosos caíram na graça do público. O auge da apresentação foi quando os emojis operados por drones sobrevoaram a passarela. Apesar da criatividade na cabeça da escola, o mesmo não aconteceu no decorrer do desfile que ficou aquém do que se espera da capacidade dos artistas Renato e Márcia Lage. Os quesitos sob responsabilidade dos carnavalescos possuíam problemas de falta de acabamento.

Samba-enredo

Grande Rio desfile2019 001Elaborado pelos compositores André Diniz, Cláudio Russo, Moacyr Luz, Gê Martins, Licinho Júnior e Elias Bililico a obra teve diversos comentários negativos antes do desfile, mas que mesmo assim não abalaram a escola de Caxias. Em seu primeiro ano na escola como cantor oficial, Evandro Mallandro tomou para si a responsabilidade de cativar o público e executou o samba com maestria. Desde os tempos de Renascer o intérprete já vinha se destacando e em sua estreia solo na elite do carnaval não foi diferente. Ainda na concentração o cantor exibiu seu cartão de visitas com sua potência vocal. O trecho “se errei, peço perdão / renasce a Grande Rio” era esbravejado pelo componente como se realmente fosse um pedido de desculpas de cada um que estava desfilando.

Comissão de frente

Grande Rio desfile2019 015Dividida entre quatorze integrantes vestidos de roupa preta com ladrilhos brilhantes e um personagem vestido de Moisés, a coreografia trouxe apenas um pequeno objeto de cena que não impedia a visão de nenhum dos espectadores. Elaborada com alguns passos de funk, os dançarinos se comunicavam com o profeta através do uso de emojis bastante conhecidos no universo das redes sociais. No último momento da coreografia enquanto o profeta manuseava um grande smartphone, a indumentária dos demais dançarinos ficava completa quando eles vestiam as cabeças de emojis e de repente elas sobrevoavam a Sapucaí através de drones, causando um verdadeiro frisson.

Mestre-sala e porta-bandeira

Grande Rio desfile2019 031Dançando juntos pela primeira vez, Daniel Werneck e Taciana Couto vestiam uma fantasia luxuosa e com as cores da escola. Enquanto ele usava faisões verdes e cristais no peito representando o rei do jogo de xadrez, ela tinha em sua fantasia faisões vermelhos com tons mais escuros que causavam um belíssimo efeito visual no momento do giro. A parte de cima da fantasia da porta-bandeira possuía algumas peças do jogo em evidência. Ao redor dos dois os guardiões de casal se vestiam como sentinelas defendendo o casal real. Os passos executados foram feitos com categoria. Na terceira cabine de julgamento houve um deslize do casal. Quando estavam terminando sua coreografia o mestre-sala demorou para segurar a bandeira, mas soube contornar.

Harmonia

Grande Rio desfile2019 037O canto da escola teve seus altos e baixos. Ainda no clima de entrada de avenida, na primeira cabine as alas do setor inicial esbravejavam o samba-enredo. Nas cabines seguintes o canto foi oscilando e em algumas alas se tornou quase nulo como foi visto na décima primeira, a ala dos “Haters”. Logo em seguida na ala dos passistas que representavam “Panapanã” faziam entoavam o samba dando mais força para as demais alas. O canto aumentava consideravelmente nas frases finais dos dois refrões.

Enredo

Grande Rio desfile2019 075Na tentativa de fazer uma abordagem irreverente aos maus hábitos do ser humano, o dedo na ferida foi colocado. A pergunta “Quem nunca?” poderia ser feita em diversas alas como a quinta, que representava “Se beber não dirija”, a oitava que trazia as “Fake News”. Todos que assistiram puderam se enxergar no decorrer do tema e refletir sobre o que tem sido feito. Nesse quesito a proposta foi executada com louvor e mostrou principalmente os erros que são desconsiderados pela população. O último setor com tons brancos predominando não fazia bom casamento com as cores mostradas a frente.

Evolução

Grande Rio desfile2019 115A proposta de desfilar mais solta funcionou. Fora do modo robotizado que tem ocorrido em alguns desfiles de escola de samba, a escola optou por dar liberdade ao componente que brincou carnaval da maneira mais alegre possível. Nem mesmo as alas coreografadas ficaram completamente presas e tinham seu momento de respiro para desfilar liberdade.

Fantasias

Grande Rio desfile2019 132Apesar da fácil leitura nas 30 alas divididas em cinco setores, o acabamento das fantasias ficaram um pouco a desejar. Na quarta ala, que representava os “Motoboys”, diversos componentes estavam sem o objeto que servia como farol da motocicleta quebrado e/ou faltando na roupa. A ideia inicial do carnavalesco foi respeitada mas a concepção não seguiu a mesma linha. Tendo em vista que o trabalho de barracão pode interferir positiva ou negativamente no quesito. Algumas outras alas como a “O universo ao seu alcance”, estava com os objetos do costeiro caindo.

Alegorias

Grande Rio desfile2019 149A proposta de carros com visual mais aberto e com leitura de fácil entendimento foi mantida por Renato Lage. Até o quarto setor da escola havia fácil leitura, mas o quinto e sexto não condiziam com o restante. A ideia de trazer Einstein no quinto carro fez com que o enredo entrasse num sistema solar que não aparentava corresponder com a proposta inicial de desfile da escola. O sexto carro “Nada será como antes” encerrava o desfile com uma mistura de branco e prata deixou a desejar no acabamento.

Bateria

Grande Rio desfile2019 064Também estreante na noite, mestre Fafá e seus 270 ritmistas souberam dosar no uso de bossas e fizeram algumas pontuais para levantar a obra no momento certo. No trecho final antes do refrão principal havia uma paradinha que animava o desfilante que tinha responsabilidade de responder o samba-enredo sem deixar atravessar.

Outros destaques

Grande Rio desfile2019 063Carregado de beldades o desfile da Grande Rio contou com a presença de nomes como Carla Diaz com uma fantasia ousada intitulada de “Pare e olhe”. A ex mulher do cantor Wesley Safadão, Mileide Mihaile também esteve presente e chamou atenção pelo decote utilizado. Com uma fantasia vermelha repleta de faisões, a rainha de bateria Juliana Paes distribuiu sorrisos e muito samba no pé.