Religiosidade de Clara Nunes é retratada em alegoria da Portela
Por Nathália Marsal
Sob as bênçãos dos orixás, o carro “Conto de Areia” passou pela Avenida, nesta segunda-feira, para mostrar a religiosidade afro-brasileira de Clara Nunes, uma das características marcantes da homenageada da Portela.
Trazendo Oxalá como destaque principal, a alegoria contou ainda com integrantes vestidos de Yawos – filhos de santo no Candomblé já iniciados na religião mas que ainda não completaram o período de 7 anos da iniciação – ao redor.
Há 18 anos na escola de Madureira, Joel Rochas, de 56 anos, afirma que é um carro muito representativo pois há diversos orixás ali sendo contemplados.

“Nossa religião há muito tempo vem sendo ferida pelas pessoas. Representar essa parte do enredo é importante para que a tolerância das pessoas floresça e a gente consiga mostrar nossa fé e religiosidade”.
Outra integrante do carro, Monaliza Marques, de 26 anos, escolheu desfilar este ano pela primeira vez devido ao enredo e a homenagem à Clara Nunes.
“O samba está apaixonante”.
Último setor do Salgueiro pede justiça como solução para a corrupção no Brasil
Por Lucas Gomes
Após citar em seu desfile diversas características que permeiam a fé no Orixá Xangô, o “justiceiro da nação Nagô” proclamado na letra do samba do Acadêmicos do Salgueiro, a agremiação trouxe na parte final do seu desfile alguns exemplos de impunidade frequente para casos de corrupção nos dias atuais. O desenvolvimento mais crítico do enredo no quinto apresentou a lavagem de dinheiro, barões que enriqueceram com o dinheiro do povo e o andamento vagaroso da justiça no Brasil.
A ala lavagem de dinheiro trazia alusão a uma máquina de lavar com notas de dólar penduradas, criticando a prática ilícita e fazendo referência à “limpeza” de dinheiro sujo de negociata e corrupção. Aline Amaral, componente da ala em seu segundo ano de Salgueiro, falou da importância de denunciar a prática que tem se tornado comum no país.
“Acho que a ala Lavagem de Dinheiro mostra a situação que hoje nós estamos vivendo no país, entre outras coisas. Desfilar no Salgueiro, para mim, já é uma emoção muito grande, não tenho com explicar. E é essa parte final do enredo é um alerta para a população sobre corrupção.”
Já na ala “Quem rouba pouco é ladrão, quem rouba muito é barão”, a crítica esteve presente na falta de ética na administração pública, na qual governantes utilizam do poder para enriquecimento ilícito. A fantasia faz alusão aos políticos da República Velha que usavam de chantagem e troca de favores para se manterem no poder, os chamados Barões.
A catarinense Sibila da Silva, veio de Joinville para desfilar no Salgueiro, se sentiu honrada em dessa crítica que julga tão importante.
“Essa crítica que o Salgueiro está fazendo aos barões que enriquecem às custas do povo é correta. O que não é certo é o que foi feito por eles, né? Eu acho justo nós trazermos isso para a Avenida e mostrar para eles que estava errado, tentar mudar essa história.”
Ainda na parte final de seu Desfile sobre Xangô, o Salgueiro citou os agentes da justiça e os magistrados, pedindo que pratiquem o desprendimento de interesses em seus julgamentos. Na ala “Data Vênia”, a crítica foi para a morosidade dos processos judiciais. Na fantasia, a tradicional beca, com o martelo de juiz e a balança – símbolo da justiça – eram exibidas nas costas da vestimenta.
O também estreante no desfile do Salgueiro Renato da Silva pediu mais transparência para combater a corrupção no país.
“Eu acho que nós temos que pedir mais transparência nas investigações, combater a corrupção. Essa fantasia é a justiça e a balança equilibrada representa a neutralidade da Justiça, sem tender para nenhum dos lados. É como deveria ser, mas infelizmente nem sempre é, né? É uma cobrança à nossa Justiça também”.
Antes do último carro, alguns integrantes da velha-guarda vieram no chão na ala Supremo Ministros de Xangô que representavam os 12 Obás de Xangô, os mestres e o livre arbítrio.
Sandro Compositor, com 10 anos de desfile pela escola, agradeceu a homenagem à velha-guarda.
“Para gente está sendo muito legal. Estamos muito honrados da nossa fantasia ser de juízes.
Vila Isabel renova com intérprete e carnavalesco
A Unidos de Vila Isabel anuncia a renovação de dois profissionais importantíssimos para o grande desfile de 2019. O carnavalesco Edson Pereira e o intérprete Tinga estão garantidos no time que defenderá a escola no Carnaval 2020. O presidente da agremiação, Fernando Fernandes, falou sobre a dupla.“Essa era uma obrigação nossa! Queremos aqui sempre os melhores. Ambos dispensam apresentações. O Tinga é da casa, a voz da Vila Isabel. Continuará fazendo história conosco e somando. O Edson fez um trabalho magistral. O nível de fantasias e alegorias da Vila foi estupendo, um grande trabalho. Vai ficar e criar ainda mais identificação com a escola”, afirmou.
CUBANGO VENCE O PRÊMIO ESTRELA DO CARNAVAL 2019 COMO DESFILE DO ANO DA SÉRIE A
Dobradinha de Niterói no Estrela do Carnaval. A Viradouro venceu na categoria Desfile do Ano no Grupo Especial e o Cubango repetiu a dose na Série A. A verde e branco conquistou ainda mais dois prêmios: conjunto de fantasias e harmonia. A festa de premiação será no dia 14 de abril na quadra da Unidos da Tijuca.
A Estácio levou o maior número de prêmios. A escola conquistou quatro categorias: comissão de frente, conjunto de alegorias, bateria e ala das baianas.

Daniel Silva, do Império da Tijuca, levou o prêmio como melhor intérprete da Série A. O casal Vinicius e Jéssica ganharam na categoria Mestre-Sala e Porta-Bandeira.

Veja abaixo a premiação completa:
Desfile do Ano: Cubango
Bateria: Estácio
Comissão de Frente: Estácio
Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Vinicius e Jéssica (UNIDOS DE PADRE MIGUEL)
Samba-Enredo: CUBANGO
Intérprete: Daniel Silva (IMPÉRIO DA TIJUCA)
Conjunto de Alegorias: ESTÁCIO
Conjunto de Fantasias: CUBANGO
Baianas: ESTÁCIO
Harmonia: CUBANGO
Categorias especiais (Série A e Especial)
Originalidade: Comissão de frente da Grande Rio
Revelação do Carnaval 2019: Mestre Fafá (GRANDE RIO)

