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Leonardo Bessa é o novo intérprete da Renascer de Jacarepaguá

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Tucuruvi Desfile2019 3Em 2020, o Carro de Som Cerol Fininho terá um novo comandante. E para essa função tão importante, o Presidente Antônio Carlos Salomão escalou um nome de peso: Leonardo Bessa.

Cantor e Produtor Musical, Bessa iniciou sua trajetória no samba na Escola Mirim Alegria da Passarela e depois na Aprendizes do Salgueiro. Em 2004, foi o intérprete oficial do Arranco do Engenho de Dentro. De 2006 a 2009 esteve à frente do microfone oficial da São Clemente e de 2011 a 2018 liderou o carro de som do Salgueiro. Em 2019, o intérprete fez sua estreia no carnaval de São Paulo, pela Acadêmicos do Tucuruvi, escola na qual continuará o trabalho no carnaval de 2020. Bessa possui 2 prêmios Sambanet, 2 prêmios Jorge Lafond, e 1 prêmio da AESERJ, como melhor intérprete. Paralelamente à maratona como intérprete, Bessa é o produtor dos CD’s do Grupo de Acesso, desde 2003.

“Voltar ao carnaval do Rio de Janeiro é uma alegria imensa. Estar em uma escola jovem e com a tradição de belos e marcantes sambas como a Renascer é uma honra para mim. Quero agradecer a confiança do Presidente Salomão, Tatiana Melo e do Presidente Jamil, da Tucuruvi, por ter me liberado. Que todos da escola possam me receber com o mesmo carinho que eu tenho por eles. Sou Renascer e fim de papo… Tá bom??? Vai ser bom à “Bessa”!”, finaliza o intérprete.

Liga-RJ diz que Renascer de Jacarepaguá é décima escola a compor nova entidade

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1DA0DE64 5458 4E4A 8BFE D79BD63CFBD7A Liga-RJ, que disputa o controle da Série A com a Lierj, comunicou nesta sexta-feira que a Renascer de Jacarepaguá é a décima agremiação do acesso a assinar a documentação de filiação à nova entidade. O anúncio foi feito através de uma nota oficial.

“A diretoria da Liga-RJ, Liga Independente do Grupo A do Rio de Janeiro, informa que a caminhada das escolas de samba da divisão de acesso do carnaval carioca em busca de mais transparência e organização ganhou mais força durante esta semana. Inicialmente sem manifestar posicionamento, o G.R.E.S. Renascer de Jacarepaguá se juntou às outras nove agremiações filiadas à nossa liga.

O presidente da Renascer de Jacarepaguá, Antônio Carlos Salomão, assinou a documentação que filiou a agremiação Vermelha e Branca à Liga-RJ. Agora já são dez as agremiações que se filiaram à nova liga que terá a missão de representar as entidades que fazem a festa do Maior Espetáculo da Terra nas noites de sexta-feira e sábado de carnaval.

Enquanto os rumos do carnaval do Rio de Janeiro são selados em processo judicial, o corpo das escolas filiadas à Liga-RJ segue ganhando força e nas próximas semanas, mais escolas estarão assinando documentação para, enfim, darmos seguimento ao calendário de trabalhos rumo ao Carnaval 2020.”

João Vítor Araújo vê Tuiuti como salto na carreira e fala em ‘estreia’ no Grupo Especial

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Tuiuti05João Vítor Araújo voltará a desenvolver um carnaval na elite do carnaval carioca depois de cinco ano de sua primeira chance, em 2015 na Viradouro. Embora não seja uma estreia de fato, o artista revela em entrevista ao site CARNAVALESCO que essa oportunidade dada pelo Tuiuti é como se fosse sua primeira no Grupo Especial.

“É um salto na minha carreira. Sou humilde em reconhecer que estou começando. A cada ano adquiro minha maturidade. Considero essa minha grande estreia no Grupo Especial. A escola quis contar com o meu trabalho. Isso não tem preço. É uma grande reestreia”

O carnavalesco, que realizou os dois últimos carnavais da Unidos de Padre Miguel, considera fundamental iniciar o processo de trabalho no barracão o mais cedo possível. Por isso essa foi uma das iniciativas da escola que o fez aceitar a proposta de ser o carnavalesco do Tuiuti.

joao vitor tuiuti“O que me deixou mais feliz é algo que falo sempre: começar o trabalho cedo é fundamental. Quando o presidente Renato Thor me pediu isso eu agradeci. O último carnaval foi muito desgastante para mim, mas não me importo. Quero honrar esse compromisso”, destacou.

O enredo escolhido para o Carnaval 2020 terá sua sinopse apresentada nesta segunda-feira, 13 de maio. Mas João já adianta ao CARNAVALESCO que, embora já tivesse o tema em seus arquivos, a escolha foi um exercício de convencimento do presidente depois de uma série de coincidências ‘sebastianas’.

“É um enredo diferente daqueles que a Tuiuti apresentou nos últimos carnavais. Eu já tinha esse enredo guardado e não sabia que São Sebastião era padroeiro da Tuiuti. O presidente tinha me pedido um enredo afro. Eu fiz o trabalho de convencimento. Era muita coincidência eu já ter esse enredo e no dia 20 janeiro, no dia que São Sebastião foi flechado o rei Dom Sebastião nasceu. É um sinal. Abraçamos essa oportunidade. Para quem não sabe o rei se chama Sebastião por causa do santo”, finaliza.

Carnavalescos da Grande Rio afirmam que enredo da escola terá personalidade deles

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carnavalescos cubango2019A Grande Rio apostou no talento e na criatividade dos jovens Leonardo Bora e Gabriel Haddad para voltar às primeiras colocações em 2020 e quem sabe sonhar com o sonhado campeonato. Com enredos controversos nos últimos carnavais a escola deve voltar a trazer temáticas que rendam desfiles ricos no aspecto cultural. Pelo menos é essa a intenção dos novos artistas da escola.

Leonardo Bora afirma em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO que o enredo ainda não foi definido mas que o tema terá o carimbo artístico da dupla.

“Não teria como ser diferente. Quando fomos procurados pela Grande Rio eles nos pediram para que fôssemos aquilo que sempre fomos enquanto artistas. Estamos ainda fechando o enredo, fazendo reuniões, apresentamos três propostas para a escola e em breve vamos anunciar o enredo escolhido”, adianta Leonardo.

Gabriel Haddad complementa o raciocínio do parceiro e disse que ao fechar com a Grande Rio eles não poderiam cair na armadilha de desenvolver enredos sem densidade cultural na estreia deles no Grupo Especial.

“Não estaríamos sendo nós. Eu confesso que recebi com surpresa o interesse da escola, pois não esperava que fosse assim tão rápido. Foram quatro reuniões até decidirmos fechar com a escola. Seria uma armadilha perigosa desenvolvermos uma temática diferente do nosso estilo de desfile, pois poderíamos acabar errando no nosso ano de estreia. O enredo terá a nossa cara”, destaca,

Carnavalescos que trabalharam na Série A em 2019 relatam bastidores e dramas de trabalhar no grupo

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OBCAR07

O Observatório de Carnaval da UFRJ promoveu nesta quarta-feira na Faculdade de Letras um debate com alguns carnavalescos que fizeram carnavais de destaque na Série A este ano. A mesa sobre o processo de criação nos desfiles do grupo fez parte da I Jornada Acadêmica de pesquisas em carnaval. O debate foi mediado por Cleiton Almeida (EBA/UFRJ), um dos coordenadores gerais do OBCAR. Participaram da conversa Tarcísio Zanon, campeão da Série A em 2019 com a Estácio, João Vítor Araújo, que terminou na sexta colocação com a Unidos de Padre Miguel, Leonardo Bora e Gabriel Haddad, vice-campeões com a Cubango, e Jaime Cezário, que terminou na terceira colocação com a Porto da Pedra.

Embora, a maior parte dos convidados não integre mais a Série A, eles falaram das lutas e dos bastidores para colocar uma escola na avenida pelo grupo de acesso. Tarcísio Zanon revela que é fundamental a observação dos desfiles do Especial para fazer uma triagem de esculturas que podem ser reaproveitadas no ano seguinte nas escolas do grupo.

OBCAR06“Primeiro partimos para uma pesquisa densa dentro do barracão. É preciso olhar tudo que você tem, em termos de estruturas e almoxarifado. O carnavalesco do Acesso assiste o desfile do Especial e já pensa naquilo que vê na avenida e como pode transformar. São medidas que barateiam o carnaval. O desfile do acesso vive uma crise sem precedentes e não adianta o carnavalesco aloprar. Carnaval bom é aquele que fica pronto”, explica.

João Vítor Araújo corrobora com a tese do colega e complementa dizendo que apesar da dificuldade de se trabalhar nos barracões da Série A, quando o projeto dá certo na avenida a sensação é extremamente prazerosa.

OBCAR05“Eu tenho a ideia e procuro investigar se algo que esteve no Especial casa com minha ideia. As próprias escolas do acesso possuem um grande acervo de esculturas que pegam nas outras escolas. É como montar um quebra-cabeças. Você vai juntando peças e seu carnaval vai nascendo. Por outro lado você precisa de um apoio da direção da escola, pessoas que respeitam sua arte e sua ideia. É difícil, isso não dá para negar, mas é muito prazeroso quando você vê tudo pronto na avenida do jeito que você planejou”, apontou.

Leonardo Bora joga luz na crise financeira pela qual todas as escolas da Série A atravessam, o que segundo ele, praticamente inviabiliza a contratação de mão de obra qualificada, forçando os carnavalescos a literalmente botarem a mão na massa no barracão.

“Mão de obra qualificada no carnaval custa muito caro. Fazer carnaval no acesso é uma escola e tanto. Não vou glamourizar o precário, mas é possível extrair desse cenário uma linha estética. A Série A é um carnaval mais artesanal. Eu particularmente sou mais minucioso e detalhista. Nessa longa trajetória no acesso passamos por experiências que testam o tempo todo o projeto. Eu gosto muito do discurso narrativo, por ter vindo da literatura”, destacou em sua explanação.

Parceiro de Bora agora na Grande Rio, Gabriel Haddad, que possui vasta experiência como auxiliar de diversos carnavalescos de renome, ressalta que os figurinos das fantasias são a maior fatia no orçamento de carnaval em um barracão. Segundo ele explica é difícil fazer reciclagem pois o componente nem sempre devolve a fantasia.

OBCAR03“Os maiores gastos da escola de samba são com as fantasias. Primeiro porque você possui pouco controle dos figurinos após os desfiles. Na Cubango buscamos investir na forma e na cor. Apostamos em mais costura, reduzindo ferragens e plumas. O carnavalesco que faz Série A precisa ter muita sensibilidade e perspicácia para fazer mudanças no projeto o tempo inteiro. O desperdício no carnaval é gigantesco. Do primeiro para o segundo ano na Cubango guardamos muita coisa e isso é uma forma de resignificar o seu próprio trabalho. Mas para isso acontecer é preciso ter liberdade”, alerta.

Com a experiência de quase três décadas de carnaval Jaime Cezário falou sobre os enredos. O artista e arquiteto disse que existem enredos mais apropriados para o acesso que criam praticamente uma receita de sucesso, como vem ocorrendo em seus carnavais recentes na Porto da Pedra.

OBCAR02“Vejo a temática como fundamental para o sucesso de um desfile no acesso. Não adianta o carnavalesco criar algo que não case com a realidade do grupo e da própria escola. Em meu primeiro carnaval no Engenho da Rainha fiz enredo infantil. O carnavalesco precisa criar e encontrar soluções onde não tem”, finaliza.

Mocidade renova o contrato de mestre Dudu

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76B1516D 4A41 4C99 9248 0FC668C43E1FA Mocidade Independente de Padre Miguel anunciou nesta terça-feira, 07, a renovação de contrato do mestre Dudu, da bateria Não Existe Mais Quente. O ritmista completará o quinto carnaval à frente da bateria mais famosa do Brasil.

Antes de se tornar mestre, Dudu cresceu na escola. Filho de um dos maiores mestres da história da Mocidade, Coé, Dudu chegou a compor a super direção de bateria da escola anos atrás. Em 2016 recebeu a oportunidade de conduzir sozinho a bateria. Com um forte trabalho de base e renovação Dudu vem resgatando o tradicional é inconfundível ritmo independente.

Júnior Schall comunica desligamento da Portela

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01F2488D 521A 4081 A0AA 758DF3B0A6B0Depois de uma parceria de dois carnavais na Portela, o integrante da comissão de carnaval da agremiação, Júnior Schall, comunicou nesta terça-feira que está deixando a azul e branca. O anúncio foi feito através de uma postagem em uma rede social.

“Hoje encerro um vôo ímpar!
Hoje ao abraçar o Pres. Luis Carlos Magalhães, um grande amigo, um homem gigante e os meus irmãos Fábio Pavão e Higor Machado, eu, de coração, pedi que esse ato se multiplicasse por todos os amigos e amigas que a Portela me ofertou! Não tenho como ilustrar nome por nome e nem medir a extensão da gratidão por ter apreendido tanto, por ter compartilhado um tesouro de saberes e um universo de emoções genuínas!
O abraço de hoje é para expressar todo o carinho fraterno que tenho por aqueles que me permitiram voar tão alto e num céu de tantas e brilhantes estrelas.

Por conta de um outro voo, numa outra casa, numa nova jornada profissional, me despeço da Majestade do samba imensamente mais rico, honrado e certo de que a Portela é uma Escola que pulsa os mais poderosos belos e sentimentos, que carrega no olhar de cada apaixonada componente, o real amor pela Escola.
Obrigado pela permissão do vôo!
Obrigado pela possibilidade de enxergar tão longe!
Obrigado a Águia…eterna e verdadeira Guerreira!
Que venham outros vôos…
Respeito e admiração!”

Jr. Schall

Laíla admite conversa com União da Ilha e outras três escolas e pretende levar Fran Sérgio se chegar a acordo

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Por Guilherme Ayupp e Matheus Emanuel

tijuca ensaio quadra 2019 40Desde que assumiu publicamente que não permaneceria na Unidos da Tijuca, o experiente Laíla vem sendo disputado por pelo menos quatro escolas de samba para o ano que vem. O sambista conversou com a reportagem do CARNAVALESCO e admitiu avançadas tratativas com a União da Ilha, mas São Clemente, Imperatriz e Estácio de Sá também estão na jogada.

“Não irei mentir para vocês. Eu me sentei sim com o presidente Djalma Falcão e coloquei para ele as minhas condições. Todos sabem do meu carinho pela Ilha pois é o bairro onde moro e acho que a escola precisa voltar a ser o que sempre foi. Mas não tenho nada acertado. Conversei com a São Clemente também, pois sou amigo do Renatinho há muitos anos. A Imperatriz e a Estácio também me procuraram”, explicou Laíla.

A reportagem do CARNAVALESCO apurou que a principal condição para que Laíla feche com uma escola é levar consigo o carnavalesco Fran Sérgio, que trabalha há muitos anos com ele desde a época da Beija-Flor. Laíla confirma esse desejo.

“O Fran é um garoto que eu lancei lá na Beija-Flor e fomos campeões em diversos anos, por isso não acho correto deixá-lo ao Deus dará. Para onde eu for eu vou levá-lo”, afirma.

Outra condição para que Laíla feche com uma nova escola é total carta branca para o desenvolvimento do projeto.

“Eu nunca mais faço nenhum tipo de trabalho onde eu não me reporte apenas ao presidente da escola. Toda vez que fiz trabalhos com algum tipo de interferência não deu certo. Eu não busco dinheiro, busco a união da escola em prol do objetivo principal que deve ser o campeonato”, categorizou.

Podcast do Alexandre Araujo: Escolas de samba e o mundo do futebol

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    O jornalista Alexandre Araujo começa seu podcast no site CARNAVALESCO e na primeira edição aborda a relação das escolas de samba e o mundo do futebol, seja com os clubes ou como os craques brasileiros. Ouça abaixo.

    Leia a sinopse da Porto da Pedra para o Carnaval 2020

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    TÍTULO DO ENREDO: O QUE É QUE A BAIANA TEM? DO BONFIM À SAPUCAÍ

    SINOPSE DO ENREDO

    1º SETOR: DAS “NEGRAS DE GANHO” QUITUTEIRAS ÀS BAIANAS

    Embalados pela poesia, vamos embarcar numa viagem de amor e sedução, rumo à Bahia, terra de encantos mil, onde o coqueiro dá coco, e o sol brilha mais forte.

    Viajando nas malhas do tempo, à Bahia colonial, onde no porto de Salvador atracavam os tumbeiros, trazendo negros e negras das Áfricas, para em terras da América Portuguesa servirem como escravos.
    Pelas ruas daquela cidade de outrora, formadas por becos e vielas, e pelo casario de sobrados, onde moravam sinhô e sinhá com seus escravos, necessários às atividades braçais.

    Os donos de escravos, entretanto, não os utilizavam apenas no serviço doméstico. Para aumentar seus rendimentos, os empregavam como “negros de ganho”. Eles trabalhavam nas ruas, e vendiam de porta em porta todo tipo de mercadoria: aves, verduras, legumes, doces, licores, etc; outros armavam seus tabuleiros em esquinas movimentadas, nas escadarias das igrejas e nas praças, oferecendo aos gritos os artigos à venda.

    logo portodapedra2020Foi nesse tempo passado que as mulheres – escravas ou libertas – preparavam o acarajé e, à noite, com cestos ou tabuleiros na cabeça, saíam a vendê-lo nas ruas da cidade. Ouvia-se o grito apregoado: “acará, acará ajé, acarajé”.

    Herdeiras dos “ganhos”, as baianas de tabuleiro, baianas de rua, baianas de acarajé ou simplesmente baianas, segundo o costume regional, preservam receituários ancestrais africanos. As baianas de acarajé tornam públicos cardápios sagrados, geralmente desenvolvidos nos terreiros. No universo do candomblé, o acarajé é comida sagrada e ritual, ofertada aos orixás, principalmente a Xangô (Alafin, rei de Oyó) e a sua mulher, a rainha Oiá (Iansã), mas também a Obá e aos Erês, nos cultos daquela religião.
    E o que que tem no tabuleiro? Tem abará, vatapá, bolinho-de-estudante, cocada preta, cocada branca, mingau, passarinha (baço bovino frito), pé-de-moleque, doce de tamarindo, lelê (bolo de milho), queijada e o acarajé. É o que a baiana tem!

    De saias rodadas, batas de algodão, panos da costa, turbantes, fios de contas e outros adereços como colares com as cores dos seus orixás, pulseiras e balangandãs, lá estão as Baianas de Tabuleiro pelos “cantos” da cidade de Salvador vendendo seus quitutes, sob a proteção de Santa Bárbara.

    E, lá estão as nossas quituteiras nas festas de largo, festas religiosas que se constituem de atividades rituais que articulam e relacionam universos simbólicos do catolicismo oficial e do candomblé. Exemplo maior a da Igreja do Senhor Bom Jesus do Bonfim. Novenas, celebração de missa, procissão pelas ruas da capital baiana, barraquinhas, brincadeiras, música, danças, comidas e bebidas, e pela lavagem das escadarias. A tradicional lavagem das escadarias reúne cerca de duzentas baianas para esfregar os degraus com vassouras de palha e derramar sobre eles um líquido perfumado.

    Porto da Pedra Desfile2019 0372º SETOR: A DIÁSPORA BAIANA E A “PEQUENA ÁFRICA” DO RIO DE JANEIRO

    Da Bahia, espaço vivo dessa mistura de tradições culturais, da confluência da cultura branca com a negra, saiu, já na segunda metade do século XIX, uma leva de baianos que foram tentar a vida no Rio de Janeiro. A Abolição incrementaria ainda mais o fluxo migratório, fundando-se praticamente uma pequena diáspora baiana na capital do país. Assim, sob a proteção da bandeira branca de Oxalá, chegavam ao porto carioca, nos porões dos navios, negros baianos livres, que vinham buscar um lugar para morar, uma forma de trabalho, e cultuar os orixás.

    Surge, então, na zona portuária, mais precisamente nos bairros da Gamboa e Saúde, a “Pequena África”, nome criado por Heitor dos Prazeres para designar o trecho da cidade compreendido entre a área do cais do porto e a Cidade Nova, em torno da Praça Onze.

    Ficou muito conhecida no Rio de Janeiro a casa da “tia” Ciata, um verdadeiro centro cultural. Lá aconteciam rodas de samba, música, capoeira, rezas, rituais, almoços e muitas festas. As festas dos orixás e os batuques do samba ecoavam livremente.

    Ciata compunha o grupo das tias baianas que eram os esteios da comunidade negra, rainhas negras da “Pequena África”. Ela tinha sólidos conhecimentos religiosos e culinários. Doceira, começara a trabalhar em casa e a vender nas ruas, sempre paramentada com suas roupas de baiana. Ela, junto com outras tias baianas da sua geração, faz parte da tradição “carioca” das baianas quituteiras, que após colocar os doces no altar de acordo com o orixá homenageado no dia, seguiam para os seus pontos de venda.

    Foi na casa da “tia” Ciata que nasceu “Pelo Telefone”, composição de Donga, considerada o nosso primeiro samba, gravado em 1917.

    Mas a cultura negra não ficou só restrita à casa da “tia” Ciata. Eram comuns as festas das igrejas, notadamente a Festa da Penha. Quando começou, essa festa era liderada pelos portugueses, e essencialmente religiosa. Mas, com o passar do tempo, os negros baianos foram chegando. Começaram a surgir barracas de comida das baianas onde se vendia vatapá, acarajé, caruru. Nessas barracas, as rodas de samba e capoeira eram outro atrativo. O concurso das músicas carnavalescas acontecia li mesmo, de viva voz, na Festa da Penha.

    Porto da Pedra Desfile2019 0353º SETOR: AS TAIEIRAS E AS PROCISSÕES RELIGIOSAS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

    Para além dessa forte tradição negra na cidade do Rio de Janeiro, as procissões católicas sempre enriqueceram o imaginário popular.

    A carnavalização das procissões religiosas no Rio de Janeiro é um fato. Nas procissões de Corpus Christi, de São Benedito e na do Santíssimo Sacramento, puxavam o cortejo, mulheres negras com trajes alvíssimos e colares de prata, as chamadas taieiras. Elas tinham uma dança específica que consistia num leve movimento com braços arcados e pés marcando o ritmo, saíam à frente do andor de São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e do pálio onde o bispo conduzia o Santíssimo Sacramento.

    Nas festas no terreiro, as taieiras cantavam. Já na igreja, a seguir a missa, antes de formar a procissão, a dança era geral no adro da igreja e, ali, junto ao movimento dos braços e a batida dos pés, se juntava um balançar de ancas que o padre fingia não ver.

    O posicionamento das taieiras na organização do cortejo, em qualquer procissão, visto com os olhos de hoje, era como se fosse a ala de baianas de uma escola de samba. Não só pela elegância e o ar majestoso das integrantes, como pela presença hierática, própria da ascendência nobre.

    Porto da Pedra Desfile2019 0274º SETOR: AS ALAS DE BAIANAS DAS ESCOLAS DE SAMBA E A LAVAGEM DA MARQUÊS DE SAPUCAÍ

    Quando as escolas de samba foram fundadas, no fim da década de vinte do século XX, as baianas também foram incorporadas às novas organizações. Elas formavam os coros de vozes e influíam na escolha dos melhores sambas cantados nas quadras de ensaios.

    No princípio, os homens saíam fantasiados de baianas nas escolas de samba. As baianas vinham formadas nas laterais e tinham a incumbência de defender a agremiação das violências que sofriam. Quando deixaram de sair nas laterais das escolas, formaram uma ala e continuaram participando rotineiramente dos desfiles. A ala das baianas hoje é exclusivamente feminina.

    A roupa clássica da ala das baianas de uma escola de samba compõe-se de torso, bata, pano da costa e saia rodada. Contudo, a capacidade criativa dos carnavalescos é ilimitada. Na Marquês de Sapucai, já vimos baianas com as mais inusitadas fantasias como borboletas, estátuas da liberdade, chinesas, entre outras.

    Na semana que antecede o desfile das Escolas de Samba, acontece a tradicional lavagem da Marquês de Sapucaí, abrindo os caminhos para os desfiles oficiais. As baianas de todas as agremiações são convidadas a participar do ritual. Muita água de cheiro, arruda, aroeira, flores e defumador para espantar o mau agouro e fazer com que tudo corra bem. O cortejo passa com a participação de baianas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, velha guarda, destaques e representantes das escolas de samba mirins.

    E, seguindo o caminho do ato da lavagem, numa festa que mistura todas as religiões, raças e costumes, o Tigre, símbolo maior da Unidos do Porto da Pedra, se auto-proclama o arauto dessa homenagem. E, num ato de amor, convoca a todas as baianas das diversas agremiações cariocas para juntos darem as mãos, empenhar suas bandeiras, e celebrarem as “mães” do samba. È um ato de luta contra qualquer manifestação de intolerância.

    Alex Varela (historiador)

    Bibliografia:

    ARAÙJO, Hiram. Carnaval. Seis Milênios de História. Rio de Janeiro: GRYPHUS, 2003.

    COSTA, Haroldo. Política e Religiões no Carnaval. São Paulo: Irmãos Vitale, 2007.

    Dossiê IPHAN. Ofício das Baianas de Acarajé. Brasília, DF : Iphan, 2007.

    GASPAR, Lúcia. Baianas de Acarajé. Pesquisa Escolar Online. Recife, Fundação Joaquim Nabuco. Disponível em: HTTP: //Basílio.fundai.org.br/pesquisaescola. Acessado no dia 13/04/2019.

    FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

    MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Dep. Geral de Doc. e Inf. Cultural, Divisão de Editoração, 1995.

    VELLOSO, Monica. Que Cara Tem o Brasil? As Maneiras de Pensar e Sentir o Nosso País. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.