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Liesa não paga multa e MP vai cobrar com juros

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    A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) não pagou a multa de R$ 750 mil pelo rompimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que a Liga tinha com o Ministério Público e que proibia a virada de mesa. Na semana passada, os presidentes das escolas de samba decidiram manter a Imperatriz Leopoldinense e virar a mesa pelo terceiro carnaval consecutivo.

    O Ministério Público informou que o advogado da Imperatriz Leopoldinense tentou em vão reverter a multa. O procurador explicou que a Liesa terá que pagar a multa com juros e pode ter seus bens confiscados.

    Laíla pede que Jorge Castanheira reveja decisão de renunciar à presidência da Liesa

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      Tijuca desfile2019 031O diretor de carnaval da União da Ilha, Laíla, falou sobre a crise política na Liesa, que promoveu mais uma virada de mesa no Grupo Especial e está na mira do Ministério Público. O dirigente fez um apelo ao presidente Jorge Castanheira, depois que ele renunciou à presidência da entidade.

      “Pedimos ao Jorginho que revogue essa decisão, que volte atrás. Quero que as pessoas se lembrem que antes dele a Liga devia jornaleiro e padaria. Sempre foi homem de confiança e o talento e capacidade do Jorginho não podem ser discutidos. Não joguemos fora o pouco que nos resta. Vamos pedir a Deus e aos companheiros das escolas que se lembrem da importância do Jorginho no caminhar da Liesa”, disse a Laíla em entrevista à Rádio Tupi.

      Embora defenda a permanência de Jorge Castanheira na Liesa, Laíla evitou críticas ao mandatários do carnaval, incluindo o presidente da Imperatriz, Luiz Pacheco Drumond, beneficiado pela atual virada de mesa.

      “Sabemos do peso de quem votou contra a permanência da Imperatriz. São pessoas que sempre colaboraram e fizeram muito pelo pelo carnaval. Sr. Luiz é fundador da Liga e teve a infelicidade de fazer um mal desfile esse ano. Se nos últimos dois anos houve esse processo de virada de mesa, não iriam deixá-lo agora desamparado. A conduta dele sempre foi leal e responsável”, defendeu Laíla.

      STJ condena Liesa a pagar R$ 70 milhões e ameaça realização dos desfiles de 2020

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        sambodromoNa mira do Ministério Público por ter virado a mesa no Grupo Especial pelo terceiro ano consecutivo, a Liesa sofreu um novo e pesado revés jurídico de acordo com informação do site ‘O Antagonista’. O Supremo Tribunal de Justiça condenou a entidade a pagar ao cofres da Prefeitura do Rio de Janeiro, a quantia de R$ 70 milhões.

        A decisão se deu de forma unânime pelos ministros do STJ devido à contratação da Liesa pela prefeitura no Carnaval 1995, sem licitação, causando prejuízo aos cofres públicos, segundo a decisão. O valor inicial a ser pago seria de R$ 4,8 milhões, mas corrigido pela inflação alcança agora os R$ 70 milhões.

        “Tendo como uma das motivações o fato de (o governo local) ter outorgado à Liesa o direito de apropriar-se de grande parte do conteúdo econômico das festividades do Sambódromo, com uma distribuição de receita desproporcional”, diz a sentença do STJ.

        Desde 1995, segundo o STJ, a Liesa é contratada a realizar os desfiles sem licitação. Na gestão do prefeito Eduardo Paes, entretanto, houve a convocação de licitação, mas ninguém se interessou em participar.

        Imperatriz solicita reunião com MP, mas prazo para pagamento de multa esgota-se na segunda

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        Imperatriz desfile2019 006O presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luiz Pacheco Drumond, solicitou junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro uma reunião sobre a virada de mesa que salvou a agremiação de Ramos do rebaixamento no Carnaval 2019. Segundo informação veiculada pela TV Globo, o MP ainda não respondeu à verde e branca se aceitará o encontro.

        Enquanto isso a Liesa tem até a próxima segunda-feira para efetuar o pagamento da multa de R$ 750 mil pelo descumprimento do termo de ajustamento de conduta (Tac) firmado com o MP em 2018, garantindo o cumprimento do regulamento. Se não realizar o pagamento, a entidade terá os bens penhorados.

        Como Jorge Castanheira renunciou ao posto de presidente da Liesa, por discordar da decisão de oito escolas em não rebaixar apenas a Imperatriz, o vice-presidente Zacarias Siqueira de Oliveira é o responsável legal pela entidade.

        Fábio Fabato: ‘Carnaval e virada de mesa: tensão do chão em conflito’

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          Por Fábio Fabato

          Mangueira Desfile2019 145O carnaval é filho da disputa. Não apenas a que termina com o sonhado “dez, nota dez”, ou naqueles décimos perdidos, gritados por Jorge Perlingeiro no calor da quarta derradeira. Ele é fruto, desde os primórdios, das tensões que envolvem a ocupação de espaço público e a sanha domesticadora das elites. O enlace do Jogo do Bicho com o samba emerge do conflito na rua e pela rua. Marginalizados, ambos encontraram no abraço sincero ou interesseiro uma forma de sobrevivência à atmosfera de repressão que vinha de cima. Por vezes, partindo pro pau. Noutras, em afagos de mutualismo descarado. Assim, decolaram. Ora, as agremiações nasceram, fundamentalmente, em áreas periféricas e, ocupadas por “benfeitores”, se permitiram a relação de troca em meio ao voo em cego dos segredos de existir. Não à toa o porquê de perdurarem, a despeito de titubeios aqui e acolá de era em era. Nesse mesmo passo a passo no compasso, a contravenção amealhou moeda-prestígio, garantida em status e cifras.

          No meio da década de 70, sob a liderança de Castor de Andrade, os bicheiros decidiram que valia muito mais a divisão de regiões de mando do que o bangue-bangue urbano por controle de pontos. Mudaram o próprio Rio de Janeiro e a sua dinâmica social. Não foi coincidência, portanto, que, a partir de 1976, três escolas impulsionadas pelo dinheiro da banca alcançassem vitórias seguidas. Primeiro, a Beija-Flor (1976, 1977, 1978), liderada por Aniz Abraão David, o Anísio. Depois, a Mocidade (1979), quando Castor já arriscava uns desajeitados passinhos de algo assemelhado a samba à frente dos ritmistas de Padre Miguel. Por fim, a Imperatriz Leopoldinense (1980 e 1981), sob a tutela de Luiz Pacheco Drumond. Além do trio, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, ligado à Vila Isabel, também começou a se destacar na chefia da brincadeira séria.

          Portela Desfile2019 132Consolidado o mapa de influência sobre o estado, outra ofensiva. Em 1985, insatisfeitos com as decisões da Associação das Escolas, os bicheiros fundaram a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba). Em ata e nas falas à imprensa da época, os homens não fizeram nem sombra de rodeio sobre as intenções: profissionalizar os desfiles e garantir o interesse das agremiações. Trocando em miúdos, queriam tête-à-tête com os palácios, negociar contratos, sair melhor na fita e na tela da tevê, no meio desse povo. Por algum tempo, verdade seja dita, até valeu o que estava escrito. Do fim dos 80 até 1993, ano em que a cúpula da contravenção foi presa numa só canetada pela juíza Denise Frossard, as escolas de samba, na esteira da televisão aberta absolutamente hegemônica, experimentaram popularidade e divulgação históricas. O Long Play de 1989, por exemplo, chegou a atingir R$ 1,2 milhão de cópias vendidas, patamar para pódio e coroa de louros, ao lado do disco natalino do Rei Roberto.

          Com a morte (natural) de Castor, em 1997 – estava jogando biriba com amigos e sofreu um ataque cardíaco –, a guerra pelo controle dos pontos do Bicho e máquinas de caça níquel voltou às manchetes. Em paralelo, o modelo de financiamento dos desfiles seguiu sem grandes mudanças (apenas aumentou o aporte do poder público a partir da gestão do falecido ex-prefeito Luiz Paulo Conde, mas os patronos até deixaram de garantir o investimento outrora certo). A Sapucaí, então, passou a incentivar um festival de enredos patrocinados de cunho duvidoso, o que expôs as vísceras da falta de sustentabilidade do negócio: as escolas não conseguiam injeção perene, apenas recursos para carnavais específicos, e sempre com o sacrifício dos temas. Ou seja, prefeitos/governadores esbanjadores em busca de promoção para cidades/estados e o carnamarketing sugaram tudo o que puderam de uma manifestação longeva também em razão dos laços de pertencimento e signos identitários robustos.

          Salgueiro Campeas2019 099Veio, então, a crise econômica e todos os apoiadores de ocasião sumiram. Veio, ainda, a eleição de Marcelo Crivella, que não se esforçou para compreender a base ancestral de um grêmio de samba: trata-se de um bem público – e que merece atenção pública (!) – porque versa, ritualisticamente, sobre a nossa formação miscigenada. E tome de corte de verbas! O fato é que jamais foi decodificado o impacto do investimento governamental na festa. Talvez, sequer saibam a joia rara que manipulamos sem lapidar: são R$ 4 bi (dados da Riotur) movimentados, anualmente, na cidade. Nosso delírio de virarmos uma Suécia tropical é tangível nos famosos quatro dias de Momo – há renda extra, amor livre, os índices de violência diminuem. Um festejo-divã que dialoga com nosso DNA e no qual processamos questões para seguirmos ano adentro. Mas se falta sensibilidade à Prefeitura, as escolas passaram longe do dever de casa quando os patrocínios cantaram para subir: encapsuladas em feudos e romântica visão da ilicitude, não se reinventaram. Sim, todo coletivo que louva homens com problemas judiciais repele apoio empresarial e se banha de estigmas. Eis as múltiplas camadas no processo de hecatombe de um velho modelo…

          A partir das quedas de braço por hegemonia, e em meio ao formato ultrapassado, a segunda década deste século não deixou de apresentar novos personagens à Avenida. O policial militar Marcos Falcon, inocentado pela CPI das Milícias, mas que mantinha sabida autoridade territorial na Zona Norte, teve passagem meteórica nesse roteiro. Alçado à condição de mito da Portela como vice-presidente, resgatou a capacidade competitiva da Azul-e-Branco, maior vencedora da folia carioca. Foi eleito oficialmente presidente da agremiação com amplo apoio, inclusive, dos bicheiros, em 2016. Logo depois, lançou-se candidatou a vereador. Em 26 de setembro do mesmo ano, durante reunião no comitê de campanha, um saraivada de tiros de fuzil interrompeu suas ousadas pretensões foliãs e políticas. O assassinato nunca foi esclarecido.

          Beija Flor desfile2019 131Com os decanos do patronato ostentando avançadas idades e cabelos ralos nos RGs, seus filhos e netos também ganharam espaço e passaram a agentes de peso nas tensões naturais que envolvem o palco de asfalto. Gabriel David, filho de Anísio, é conselheiro da Beija-Flor. A presidência da Viradouro está a cargo de Marcelo Calil Filho, neto de Antônio Petrus Kalil, o Turcão, falecido no começo do ano. Luizinho Guimarães, sucessor do Capitão Guimarães, ocupa a cadeira de vice-presidente da Vila Isabel. Além de muito jovens, outro ponto em comum: todos se posicionaram contra a virada de mesa que manteve a Imperatriz Leopoldinense no Grupo Especial. Nem o peso de Luizinho Drumond do outro lado, ex-presidente da Liesa a quem alguns deles chamam de “tio”, foi suficiente para sensibilizá-los. Os votos, claramente, expuseram o duelo acerca da liderança do carnaval, considerada arcaica pela nova geração.

          Do lado oposto do front, oito dirigentes, alguns até pouco tempo atrás relegados ao “Baixo Clero” momesco, conseguiram quebrar pela terceira vez seguida a regra do rebaixamento, desunir a banca e implodir o que já estava desmoralizado junto à opinião pública – afinal – a liga é consagrada como uma caixa preta de decisões controversas a portas lacradas. Como concordar que as guerras na sede da entidade representante das ditas “coirmãs”, protagonistas de espetáculo ocorrido em equipamento público, ignorem solenemente princípios republicanos? O fato é que, para além da batalha em si, a decisão de preservação à Verde-e-Branco de Ramos sinaliza mais um ingrediente: a crise também no Grupo de Acesso, espelho direto da violência cotidiana por territórios que assola o Rio. Ante a mudança de comando no antigo “segundo grupo” e a fundação até mesmo de uma liga paralela, além da presença de agremiações fincadas em comunidades cujas ações do tráfico e da milícia já resvalam no batuque, a Imperatriz preferiu se agarrar numa carta de apoio rubricada por oito escolas para continuar a bater bola num campo onde, pelo menos, conhece os seus pares e regras sem regras.

          Se caísse, creem alguns sambistas, poderia até desidratar, dada a incerteza sobre a voz mais potente num cenário de conexões em reconfiguração. As assinaturas do tapetão contrariaram três representantes do Alto (ou Altíssimo!) Clero – Capitão Guimarães, Anísio e o, agora, ex-presidente da Liesa, Jorge Castanheira – titãs do métier, e que nem andavam tão alinhados, apesar de, atual e unanimemente, preocupados com um certo e constante “verniz” legitimador para o histórico obscuro do poder ali manifestado. Com a renúncia de Castanheira, a assembleia da segunda-feira (03/06) já representa o maior quiproquó no conclave, desde a fundação. Hoje, até mesmo outra liga e um grupo fechado no andar de cima são cogitados – ou seja – sem descenso e tampouco simpático às investidas de novas bandeiras. Seja por não querer se emaranhar com os métodos recém-desenhados no Acesso, seja apenas para evidenciar incompetência e a necessidade de urgente mudança na jurássica administração sem lisura e credibilidade, a plenária da Liesa foi a própria materialização da alma da festa, seu samba de uma nota só: tensão para domínio de força e geográfico.

          Mocidade Campeas2019 040Três dias após a fissura no clube, a Prefeitura aproveitou o desgoverno para veicular um criminoso anúncio na televisão em que ataca a liga e a TV Globo, mas com o evidente intuito de justificar um cerol definitivo na verba depositada para os embalos de fevereiro ou março. A propaganda opõe o carnaval ao orçamento de educação e proclama, de forma demagógica, que é preciso uma “escolha prioritária”. Curiosamente, o prefeito – evangélico – não apresentou o retorno financeiro que os quatro dias embalados por batuques de origem africana proporcionam à metrópole-balneário forjada em misturas. Bastaria uma consulta à Riotur, sequer citada na peça. De novo… Disputa (!) – sempre ela – por espaço e narrativa. E sem mocinhos.

          Nada mais brasileiro, nada mais metafórico que aconteça – justamente – na ópera popular das confusões que vestem fevereiro. O nosso samba, minha gente, também é isso aí.

          Fábio Fabato é jornalista, escritor e comentarista de carnaval

          Prefeitura do Rio lança vídeo em que ataca Liesa, TV e financiamento do carnaval

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            Se não pagar multa por virada em 48h, Liesa será acionada judicialmente pelo MP, diz jornalista

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              Imperatriz desfile2019 154A terceira virada de mesa consecutiva do Grupo Especial custará aos cofres da Liesa R$ 750 mil. O Ministério Público, que havia feito um acordo com a entidade para evitar a estratégia, intimou a entidade a pagar a multa pelo descumprimento do termo de ajustamento de conduta (Tac). O prazo para efetuar o pagamento é de 48h. A informação foi divulgada pelo jornalista Edmilson Ávila.

              Se isso não for feito, o Ministério Público vai entrar na Justiça. Em 2018, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, assinou um acordo com o Ministério Público se comprometendo a não interferir no rebaixamento das escolas, como previsto no regulamento do desfile de 2019. A quebra do regulamento já tinha acontecido nos desfiles de 2017 e 2018, segundo o MP, lesando o consumidor que pagou ingresso para ver um campeonato que teve disputadas alteradas.

              Vice-presidente da Vila Isabel apoia Jorge Castanheira mas não descarta nova liga: ‘É uma possibilidade’

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              Vila Isabel Campeas2019 001Após a terceira virada de mesa consecutiva no Grupo Especial, o presidente da Liesa Jorge Castanheira tomou a medida de renunciar ao cargo que ocupa desde 2007. Uma das escolas que se posicionou contra mais um golpe no regulamento foi a Unidos de Vila Isabel. O vice-presidente da escola, Luiz Guimarães, elogiou a postura de Castanheira e declarou seu apoio ao dirigente.

              “Externamos nosso apoio incondicional à postura e decisão do presidente Jorginho, figura ímpar que tanto faz e briga por nossa causa, não merece passar por isso,agora é o momento de aguardar as cenas dos próximos capítulos”, declarou Luís em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO.

              O jovem dirigente não se furtou a comentar sobre o futuro do carnaval, depois que o racha entre as escolas ficou evidente com a decisão de oito escolas a favor e cinco contra a virada de mesa. Embora considere prematura a criação de uma nova liga, Guimarães não descarta.

              “É um tema complexo pois não é do dia para noite, leva tempo, ter uma sede, criar estatuto, caixa para movimentar, entre outras coisas,mas é uma possibilidade”, resumiu o vice-presidente da Vila.

              Através de suas redes sociais a Unidos de Vila Isabel fez um posicionamento contrário à virada de mesa, por intermédio de uma nota oficial. No comunicado a escola destaca o repúdio à virada de mesa que salvou a Imperatriz e reitera o apoio à decisão de Jorge Castanheira de renunciar ao cargo.

              Presidente da Imperatriz quis fugir da Série A por não ter confiança na administração

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                Ainda na Praça da Apoteose, na quarta-feira de cinzas, após a apuração de 2019 que rebaixou a Imperatriz Leopoldinense, o presidente da escola, Luiz Pacheco Drumond, falou em alto e bom som que não teria problema nenhum em desfilar no Grupo de Acesso. Porém, na reunião plenária de segunda-feira, que decidiu pela virada de mesa, e a manutenção da verde e branco, Luizinho voltou atrás e o motivo é único: falta de confiança na administração do Grupo de Acesso.

                Nos bastidores do carnaval, a maior preocupação está no futuro da Série A. Após milhares de confusões desde a Associação, passando pela Lesga e a Lierj o clima de desconfiança voltou a surgir na principal divisão de acesso ao Grupo Especial. A maioria dos presidentes da Série A colocou em xeque a antiga gestão, reclamando da falta de transparência, inclusive, na prestação de contas, venda de ingressos e até de resultados.

                Do outro lado, o novo comando trouxe para Luizinho Drumond a preocupação de desfilar na Série A e demorar para sair de lá, por não saber como será feita a escolha dos jurados, se haverá divulgação das justificativa das notas, e, acima de tudo, pela participação de um grupo de pessoas no controle de diversas agremiações.

                Ao anunciar sua renúncia da Liesa, Jorge Castanheira mencionou que a decisão das oito escolas e de Luizinho Drumond foi “alegando dificuldades gerais do Grupo de Acesso e aquela parte toda”.

                Procurada pelo site CARNAVALESCO, a nova direção da Lierj disse que “nada tem a ver com o que aconteceu na Liesa”.

                “Particularmente, acredito que a virada já iria acontecer, inclusive, a Imperatriz nunca compareceu às reuniões da Lierj, independente da presidência da Liga. Tive relação com as agremiações da Liesb enquanto a Sossego, escola que eu presidia, desfilava na Intendente Magalhães. Hoje nosso trabalho é voltado para a Série A e nada vai tirar no foco e determinação, não podemos ser usados como justificativa de nada. A Lierj prima pela democracia entre as escolas de samba”, afirmou o presidente Wallace Palhares.

                ‘Fissura’ aberta em 2017 se rompe com nova virada de mesa e Liesa afunda na pior crise de sua história

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                  plenaria liesa

                  Fundada em um momento de crise profunda no carnaval, em 1985, a Liesa é reconhecida como a entidade que organizou o desfile das escolas de samba e o transformou na potência turística e cultural mais representativa do Brasil. Entretanto, se aproximando dos 35 anos de fundação, a entidade enfrenta a mais profunda crise de sua história.

                  O que começou com uma fissura passível de ser corrigida acabou se agravando e o rompimento definitivo da paz na entidade se deu com a renúncia do presidente Jorge Castanheira, que comandava a entidade de maneira ininterrupta desde 2007. O presidente vinha sofrendo seguidas derrotas políticas dentro da Liga desde 2017, o ano onde a crise que eclodiu agora teve seu início.

                  Após os caóticos desfiles daquele ano, Jorginho rechaçou a possibilidade de não haver rebaixamento. Entretanto, as escolas determinaram em reunião plenária de emergência que ninguém seria rebaixada. A estratégia visava salvar principalmente a Unidos da Tijuca, que teve um grave acidente em uma alegoria e temia o descenso. Com a abertura das notas, porém, a última colocada foi a Paraíso do Tuiuti, que também sofreu com um acidente, que causou a morte da jornalista Liza Carioca. Na ocasião apenas a Mocidade foi contra a virada.

                  O carnaval que não terminou reservaria mais uma bomba e nova derrota política para Jorge Castanheira. Por um erro da Liesa o livro abre-alas do desfile da Mocidade não foi fornecido com uma errata enviada pela escola dentro do prazo regulamentar. Um julgador de enredo tirou um décimo da escola, que lhe custou o título. A escola recorreu e exigiu a divisão do título com a Portela. Através de um parecer jurídico a entidade afirmara não ser possível haver tal divisão. ‘Soberana’, a plenária rasgou o regulamento e determinou o empate. Castanheira era mais uma vez contrariado.

                  ‘Por que a culpa recai sobre a Liesa se quem vota são as escolas?’

                  Sofrendo seguidas derrotas internas à sua revelia, Jorge Castanheira relutava em abrir mão do cargo de presidente e foi reeleito para mais um mandato depois do Carnaval 2018. Nova virada de mesa acontece sem a sua aprovação. A Grande Rio é rebaixada na apuração e consegue em mais uma plenária obscura evitar o seu desfile na Série A, além do Império Serrano. O presidente Helinho Oliveira debocha do resultado e afirma que “quem tem amigo não morre pagão”.

                  Um presidente do Grupo Especial que pediu para manter sua identidade sob sigilo saiu em defesa da gestão Castanheira e ressaltou que a Liesa não pode ser culpada por articulações sob as quais não possui controle.

                  “Jorge Castanheira conhece cada processo do carnaval. É um abnegado que se dedica diuturnamente. Por que somente a Liesa responde por essas viradas de mesa, se quem decidem são as escolas? Elas são as responsáveis”, disse.

                  Plenária escancarou rachas e clima pesado na entidade

                  A plenária que decidiu pelo não rebaixamento da Imperatriz foi extremamente tensa e pesada. A reportagem do CARNAVALESCO apurou que presidentes trocaram farpas e acusações quando o tema foi posto para discussão. Ao sair para falar com a imprensa, Jorge Castanheira comunicou sua renúncia e alegou que o motivo para salvar a Imperatriz seriam os problemas com a nova gestão da Série A.

                  O resultado expõe uma perda de poder inimaginável bem pouco tempo atrás. Anísio Abrahão David, presidente entre 1985 e 1987, e Capitão Guimarães, presidente entre 1987 e 1993 e entre 2001 e 2007, são dois dos grandes beneméritos mais poderosos da Liesa, ao lado de Luizinho Drumond e de Castor de Andrade, o primeiro presidente da entidade, morto em 1998.

                  Tanto Guimarães quanto Anísio foram contra a atual virada. Mesmo assim o desejo deles não foi acatado e oito agremiações optaram por virar a mesa. São Clemente, União da Ilha, Paraíso do Tuiuti, Mocidade, Grande Rio, Estácio de Sá, Salgueiro e Unidos da Tijuca votaram de maneira favorável. Desde a fundação da Liga, em 1985, o grupo formado por essas escolas obteve 11 títulos.

                  Do outro lado marcas gigantescas do carnaval não conseguiram convencer as demais a evitar uma nova página sombria na história da entidade. Somadas, Viradouro, Vila Isabel, Mangueira, Portela e Beija-Flor levaram 20 campeonatos desde que a Liesa foi fundada.

                  As disputas de poder não são novidade no carnaval. Elas existem desde os primórdios da festa, muito antes da criação da Liesa. Em várias fases do desfile rupturas aconteceram e ligas foram criadas e dissolvidas ao sabor de quem detinha o controle. A mais recente é a mais profunda da história da Liesa e culmina com a renúncia de seu mais longevo presidente. O modelo de desfile que a entidade consagrou teria ruído definitivamente?