Por Diogo Cesar Sampaio
Carnavalesco campeão do carnaval 2019, Leandro Vieira é um dos nomes de maior destaque entre os artistas da nova geração. Por isso, é comum circularem especulações envolvendo uma possível mudança sua de escola, além de surgirem propostas de outras coirmãs para tê-lo entre os seus quadros. E após os últimos desfiles e o resultado da apuração, cresceu o burburinho acerca de uma saída da verde e rosa e uma provável ida para a Mocidade Independente de Padre Miguel. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, Leandro respondeu sobre os boatos e falou do que depende a sua permanência, ou não, na Mangueira:
“Todo ano existem boatos de que eu vou para algum lugar, e eu continuo na Mangueira. São só boatos. Eu pretendo permanecer, mas dependendo de outras questões que não estão envolvidas comigo. A Mangueira vai passar por um processo eleitoral, e esse processo eleitoral depende de acertos, depende de acordos, que fazem parte da estrutura política da Mangueira. Se a situação ganhar, e as coisas permanecerem da maneira que estão, acho que a chance de eu permanecer é grande”.
Em seu quinto trabalho, sendo o quarto na Mangueira e no Grupo Especial, este é o segundo título de Leandro Vieira na carreira. Com um enredo mais crítico e politizado do que em seu primeiro campeonato, Leandro comentou com a reportagem do site CARNAVALESCO, se é possível considerar a atual conquista maior que a de 2016, devido ao atual contexto político e social do Brasil.
“Toda vitória é importante. Toda vitória contribui para o fortalecimento da história da Mangueira, para o fortalecimento da comunidade. Não tem vitória mais importante que a outra. Existem vitórias importantes. O peso de ganhar esse segundo título é o peso de dar continuidade a uma trajetória vitoriosa. A Mangueira me reconhece com um carnavalesco vitorioso, e isso é o principal”.
Leandro Vieira também foi indagado sobre as suas propostas de enredos críticos nos seus dois últimos trabalhos, o que foi aprofundado em 2019 e contemplado com o título. Os enredos desse viés viraram uma tendência no carnaval, desde 2018. Entretanto, não são unanimidade. Há quem considere esse tipo de proposta oportunista. E Leandro foi breve em sua resposta a este de opinião, e afirmou somente achar “que essas pessoas estão enganadas”.


A Viradouro voltou ao Grupo Especial com muita força em 2019. A escola, que levou para a Avenida o enredo “Viraviradouro”, ousou em sua passagem e chegou ao segundo lugar. Na bateria, uma surpresa. Mestre Ciça desfilou pela Marquês irreconhecível, vestido como Merlin. A fantasia do mago, que domina a arte dos encantamentos e das profecias, surpreendeu a todos.
“As coirmãs do Grupo Especial tomaram um susto com a gente. Por pouco não conquistamos o campeonato. Mesmo assim eu acho uma grande vitória estar no segundo lugar e poder desfilar duas vezes”.
Matheus Olivério e Squel Jorgea são um casal de mestre-sala e porta-bandeira que possuem um entrosamento que vai além dos limites dos ensaios. É mais uma questão de linhagem. Matheus, apesar de mais novo, é tio de Squel. Ambos carregam o sangue de Xangô da Mangueira, pai de Olivério, que é considerado por muitos como o maior diretor de harmonia de todos os tempos.
“Trabalho, foco, determinação e fé. Para ser mestre-sala e porta-bandeira de uma escola como essa tem que ter noção do tamanho que essa escola é. E quando você entende essa dimensão, você tira forças de onde não tem”.
“Não sei dizer pra você a razão. Eu só sei sentir, chorar, se eu pudesse eu começaria a ensaiar amanhã. Porque representar essa comunidade envolve uma responsabilidade muito grande”.
Uma dupla marcante no carnaval do Salgueiro foi Emerson Dias e Quinho. Os dois ainda não conversaram com a administração da escola sobre a permanência para o próximo ano, mas manifestaram o interesse em seguir na Academia.
“Funcionou muito bem neste carnaval, ainda não conversamos por uma questão de tempo, mas deverá se manter, veremos na terça-feira. A dupla é um show para o Salgueiro”, disse o presidente salgueirense.
“Nós somos campeões do carnaval. O André Vaz assumiu e tava tudo no ferro. Um carnaval grandioso e cravamos o 5º lugar e estamos muito felizes”, afirmou.
Após o terceiro lugar obtido no desfile de 2019, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos de Vila Isabel, Raphael Rodrigues e Denadir Garcia tem a comemorar mais que a classificação e os 40 pontos obtidos no julgamento. Depois de um desfile complicado ano passado, onde a indumentária fez a dupla perder muitos pontos, a redenção veio com a pontuação máxima.
Mesmo assim a renovação ainda não está confirmada com a escola para 2020. Denadir falou à reportagem do CARNAVALESCO sobre os aprendizados de 2018 e que ainda haverá uma conversa com a agremiação para tratar do tema.
Raphael Rodrigues concorda com a parceira de dança e complementa que o que foi feito em 2018 com relação à indumentária deles foi uma covardia, referindo-se às placas de led, responsáveis pelas notas baixas do ano passado.
Uma das grandes referências para a volta da Portela no desfile das campeãs, o casal Marlon Lamar e Lucinha Nobre ainda não têm certeza se vão continuar na Azul e Branca de Madureira em 2020. Claro, o carinho pela escola é grande e o desejo de permanecer também. Mas, as eleições, que serão realizadas ainda este ano, estão gerando a dúvida.
“Eu preservo sempre um carinho muito grande pela escola, apesar de não ter nascido no Rio, eu sou portelense e vou sempre guardar um desejo muito grande de desfilar por essas escola. E Deus sabe de tudo”.
Marlon é ainda mais taxativo quando ao agradecimento ao trabalho realizado pela diretoria.