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Lierj estreita laços com governo do estado e presidente sonha com Cidade do Samba 2

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    Lierj01O presidente da Lierj, Wallace Palhares, recebeu nesta sexta-feira, ao lado do diretor de operações da entidade, Leandro Azevedo, o assessor de economia criativa do carnaval da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Firmino, para que eles conhecessem a dura realidade dos barracões da Série A. A comitiva visitou os galpões onde estão a Porto da Pedra e a Santa Cruz e também o da Renascer de Jacarepaguá. Havia a expectativa também da presença do secretário da pasta, Ruan Lira, mas sua agenda impossibilitou sua presença, que foi marcada previamente para a semana que vem.

    Firmino, que é filho de Candonga, uma das mais emblemáticas personalidades do carnaval, que dá nome ao segundo recuo de bateria no Sambódromo, destacou a importância de estreitar de laços entre o carnaval e o governo, salientando que o poder público é quem tem demonstrado interesse nas demandas das agremiações.

    Lierj02“Fui orientado pelo governador a permanecer no quadro estadual para atuar dentro da economia criativa do carnaval dentro da secretaria de Cultura. Importante deixar claro que o estado está sendo proativo, batendo na porta das escolas de samba, mostrando seu interesse sem ter sido necessariamente solicitado. Essa questão dos barracões me causa uma certa tristeza. Se falarmos em termos dos números que o carnaval proporciona para a sociedade, você ver barracões nesse estado é paradoxal. Estamos falando em R$ 3 bilhões de receitas e o investimento é de R$ R$ 70 milhões. Qual negócio do mundo tem essa vertente?”, opinou.

    Wallace Palhares deixou claro no encontro que a demanda emergencial da Série A, acima da questão da subvenção, é tirar do papel o projeto da Cidade do Samba 2. Hoje as agremiações que desfilam na sexta e sábado de carnaval constroem seus desfiles em condições absolutamente insalubres.

    Lierj03“Importante também salientar que além da procura da Lierj, existe um interesse muito grande do governo do estado, buscando soluções, diariamente. Hoje nosso maior problema é a falta de barracões, além da verba em si. Diferente do estado, a prefeitura não nos procurou. Última informação que tivemos foi que o prefeito não daria absolutamente nada para eventos que fariam venda de ingressos. Essa informação eu vi na mídia, não foi nem pessoalmente. A Cidade do Samba 2 seria um marco para as escolas do Acesso. Já dá para sonhar e muitas coisas estão sendo postas em prática. Depositamos totais esperanças no governo do estado”, ressaltou.

    Lierj inova e sambas-enredo 2020 serão lançados no canal oficial da Som Livre no youtube

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      3A6BB566 097D 45D6 8E35 D708B6417C1CA Lierj fechou uma parceria com a gravadora Som Livre para lançamento de um projeto inovador no Carnaval do Rio de Janeiro. Para divulgação dos sambas-enredo 2020, serão gravados vídeos em formato de show com participação dos segmentos das agremiações e os produtos serão lançados no canal oficial da Som Livre na plataforma youtube.
      – A proposta surgiu da própria Som Livre, através do Marcelo Lopo e do Alexandre Sarthou, sendo bem aceita pelo nosso presidente Wallace, inclusive acreditamos que isso vai colocar os nossos sambas-enredo no mesmo patamar de produção e visibilidade dos principais artistas do país – contou Cícero Costa, Diretor de Carnaval da Lierj.
      O CD físico continuará sendo disponibilizado, porém o produto principal será o vídeo, que ganhará repercussão internacional ao lado dos principais artistas da Som Livre e poderão ser acessados dos quatro cantos do mundo por apaixonados pelo Maior Espetáculo da Terra.

      Alberto João: ‘Crise no carnaval diminui eventos das escolas de samba’

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        Governador do DF revela emoção com enredo da Vila e defende a política: ‘Muda a vida das pessoas’

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        vila enredo 2020 43A Vila Isabel terá em um componente especial um dos mais emocionados com o seu desfile em 2020, quando a escola apresenta o enredo ‘Gigante Pela Própria Natureza – Jaçanã e um Índio Chamado Brasil’, que nada mais é que uma homenagem à capital do Brasil, a cidade Brasília. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, ressalta sua origem nordestina e confessa admiração por Martinho da Vila, o presidente de honra da escola.

        “A Vila Isabel não sabe o presente que está dando à nossa cidade. Como todo brasileiro sou um grande fã de Martinho da Vila. Sou um nordestino, amante da cultura popular e do samba carioca”, derrete-se.

        vila enredo 2020 11Em seu desfile a Vila Isabel procurará evitar as polêmicas que envolvem a cidade, principalmente no aspecto político, já que todas as decisões do futuro do país acontecem na cidade. O governador diz respeitar o pensamento de quem não gosta de política mas alerta que só através dela o progresso da nação é possível.

        “Tudo que eu li da sinopse demonstra um belíssimo trabalho do Edson. Brasília não foi só um sonho de JK e Dom Bosco. A cidade representa a integração do sul com o sudeste. É a grande mãe de leite que derrama progresso para o restante do país. Sei que tem muita gente que não gosta de política, mas é somente através dela que se muda a vida das pessoas”, defende.

        Ainda de acordo com o governador, Brasília representa o sonho do progresso para todo o povo brasileiro. Ibaneis considera que a homenagem da Vila Isabel é uma ode à força da nação.

        “Vir na Vila Isabel é uma alegria muito grande. É um momento ímpar na vida dos brasilienses. Os brasileiros têm em Brasília a sua capital. O povo desse país estará muito bem representado nesse grande carnaval”.

        São Clemente 2020: samba da parceria de Eugênio Leal

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        Compositor: Eugênio Leal

        Participação Especial: Guilherme Salgueiro, Geovani Mello e Matheus Viug

        Intérpretes: Nino Smith, Sandra Portella e Geovani Mello

        EU NÃO SOU BURRO PRA ESCOLHER O LADO ERRADO!
        EU, NÃO SENHOR!
        EM OURO PRETO DÁ ORGULHO O PASSADO!
        MAS, PELO AMOR…
        CHEGA DE SACANAGEM!
        NO PAÍS DA MALANDRAGEM
        ONDE A REGRA É “SE DAR BEM”
        A ESPERTEZA SE APROVEITA DA INOCÊNCIA
        DESAFIA A CIÊNCIA PORQUE FALTA EDUCAÇÃO!
        E NUMA TERRA ONDE SE PLANTA IGNORÂNCIA
        VAI MORRENDO A ESPERANÇA…
        BROTA PILANTRA, VENDEDOR DE ILUSÃO!

        QUER COMPRAR UM LOTE NA LUA?
        A ESCRITURA “TÁ NA MÃO” JÁ CARIMBEI!
        VOU TRAZER A PESSOA AMADA, LOTERIA PREMIADA!
        “É VERDADE ESSE BILETE” TÁ OK?

        O CONTO DO “VIGÁRIO OFICIAL”
        SUCESSO NA CORRIDA ELEITORAL
        FARDADO OU DE BISPO, “MORÔ”?
        ABUSA DESSE POVO SOFREDOR
        AGORA ESTÁ NA REDE SOCIAL
        ESPALHANDO O QUE NUNCA, NINGUÉM, VIU
        VIRALIZA SEM VERGONHA, COM ROBÔ
        E ACHA QUE ENGANA O BRASIL:
        FAKE NEWS, FAKE NEWS, FAKE NEWS!

        VIGARISTA!
        TEM UM MONTE POR AÍ
        DO PLANALTO À SAPUCAÍ!
        TÁ LIGADO, MEU IRMÃO?
        SÓ SE VENCE COM TRABALHO
        DEIXA DE SER OTÁRIO!

        Diretoria da Lierj participa de encontro com Secretário de Cultura na quadra da Santa Cruz

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          B6D718E0 DC52 4450 9F7E AAF036F773DFNa tarde da última quarta-feira, 14, o presidente da Lierj, Wallace Palhares, participou de um encontro com o Secretário Estadual de Cultura e Economia Criativa, Ruan Lira, que aconteceu na quadra da Acadêmicos de Santa Cruz, para discutirem soluções para o fortalecimento do carnaval dos grupos de acesso, não só da Marquês de Sapucaí, como também na Intendente Magalhães.

          Estiveram presentes também na reunião, o Vice-Presidente da Lierj e Presidente da Porto da Pedra, Fábio Montibelo, o Diretor de Carnaval da Lierj e diretor da Unidos de Padre Miguel, Cícero Costa, o presidente da Acadêmicos de Santa Cruz, Moysés Coutinho ‘Zezo’, o Presidente do Acadêmicos do Sossego, Hugo Júnior, a gestora da Renascer de Jacarepaguá, Tatiana Melo, além do Presidente e Vice da Liesb, Clayton Ferreira e Oberdan Rodrigues ‘Bira’.
          89EC760F 1315 4664 A7B8 EDE2B40C99B0– Só temos a agradecer ao Secretário Ruan Lira, que tem dado total abertura e apoio ao carnaval, sobretudo à parceria com a Série A. O Ruan tem sido de fundamental importância para que as escolas do acesso sejam valorizadas e fortalecidas para o bem da nossa principal manifestação cultural – destacou Wallace Palhares, presidente da Lierj.
          Durante o encontro, o Secretário Ruan Lira destacou a importância do carnaval, não só para a cultura, mas para a geração de emprego e renda para todo o estado. Ruan já havia recebido, em seu gabinete, a direção da Lierj e da Liesb, e fez questão de destacar que vai visitar outras quadras das escolas de samba do Rio de Janeiro.

          Estudo da sinopse: Porto da Pedra 2020

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          Nome do enredo: O que é que a baiana tem? Do Bonfim à Sapucaí
          Nome da carnavalesca: Annik Salmon

          Porto da Pedra 2020: matriarcado e ancestralidade na experiência afrodiaspórica brasileira

          logo portodapedra2020O G.R.E.S Unidos do Porto da Pedra viaja à Bahia e retorna ao Rio de Janeiro
          para narrar as tramas e segredos de uma das figuras mais emblemáticas do imaginário
          popular brasileiro: a baiana. Em uma primeira leitura, o título nos remete ao clássico da
          MPB “O que é que a baiana tem?” de autoria de Dorival Caymmi que seria imortalizado
          na voz de Carmen Miranda. Todavia, a sinopse do enredo de 2020 da escola de samba
          gonçalense vai além e apresenta uma imersão no percurso histórico da construção social
          da personagem na experiência afrodiaspórica brasileira: do cais do Porto de Salvador
          onde aportaram escravizadas nos tumbeiros; aos ganhos nas ruas de Salvador com a
          culinária ancestral presente em seus tabuleiros; a busca por oportunidades na nova
          capital do país e fundação do samba na Pequena África; da religiosidade presente nos
          festejos cariocas dedicados aos santos católicos; até ao templo do samba, onde dão um
          banho de cheiro, abrem os caminhos e depois giram suas saias pela manutenção das
          raízes negras dos desfiles das agremiações carnavalescas.

          O texto de autoria do historiador Alex Varela possui o caráter descritivo como
          principal e conduz o leitor para o entendimento do enredo em alguns aspectos
          fundamentais: a ideia de diáspora não só como deslocamento forçado de povos, mas
          também como a conformação de novas identidades em trânsito; ancestralidade como
          saber advindo da memória oral e espiritual que conduz para a salvaguarda das tradições
          e perpetuação da cultura; e o matriarcado africano que mostra o papel da mulher negra
          como eixo de sustentação familiar. Pelo escrito, há um foco nos aspectos religiosos, da
          culinária, da dança e canto que permeiam os costumes das baianas. Contudo, de maneira
          não tão evidente, salienta-se a luta e resistência como outra possibilidade a ser
          considerada no desenvolvimento da narrativa de carnaval, afinal um dos papéis das
          baianas era “defender a agremiação das violências que sofriam” nos primórdios dos
          desfiles das escolas de samba.

          A sinopse evidencia, através de sua divisão em setores, como possivelmente
          serão apresentadas as questões visuais. Por outro lado, a preocupação com a descrição
          de cada prato presente nos tabuleiros assim como cada item presente no ritual de
          lavagem da Marquês de Sapucaí sugere que não somente se atentarão para as
          visualidades, mas para toda uma experiência sensorial com foco no olfato. “Muita água
          de cheiro, arruda, aroeira, flores e defumador para espantar o mau agouro e fazer com
          que tudo corra bem”.

          Na apresentação das mais diversas facetas que compõem o imaginário social
          acerca das baianas, a relação entre sagrado e profano sobressalta como discurso. Na rua, na missa, no terreiro, na procissão e na avenida. Coexistir. Diálogos possíveis.
          Atravessamentos. É interessante perceber que, mesmo vindo do município berço da
          umbanda fluminense, a Porto da Pedra não possui uma tradição de realização de desfiles
          com temática afro brasileira. Mas, pelo segundo ano seguido, segue nos caminhos da
          negritude entre a Bahia e o Rio de Janeiro. Se, em 2019, o sabor era Pitanga para o ano
          seguinte muita pimenta e dendê estarão no cardápio do cortejo do tigre. Diante dos
          recentes ataques que os cultos de origem afro-brasileira tem recebido na região
          metropolitana do Rio de Janeiro, esse desfile pode servir como um estandarte em defesa
          dos seus ritos, práticas e costumes. Além disso, ao trazer luz para a oralidade, é um
          registro imagético que contribui com a discussão de representatividade e protagonismo
          da população negra brasileira.

          O enredo apresenta-se em um cenário onde as escolas estão valorizando cada
          vez mais o desenvolvimento de discursos. Narrativas que possam ganhar o debate do
          espaço público. E, por esse aspecto, possui potência para transpor-se do ambiente das
          escolas de samba, sobretudo nos aspectos relacionados ao racismo religioso que
          permeiam o fazer-se das personagens. Por outro lado, é uma importante homenagem
          para baluartes em sua maioria anônimas para o universo do carnaval e que serão
          protagonistas nesse desfile. Mais do que uma obrigatoriedade, a ala de baianas estará
          em metalinguagem; enunciando sobre si. Um desafio para o desenvolvimento do
          enredo: aprofundar-se nas capilaridades, onde elas fazem parte do todo, mas não percam
          a dimensão de que são as estrelas da homenagem da agremiação gonçalense para todas
          as baianas brasileiras.

          Deseja-se que o tigre de São Gonçalo pise forte na avenida. E que o primeiro
          trabalho solo da carnavalesca Annik Salmon seja guiado pela força das yabás. Preparem
          seus balangandãs que a Porto da Pedra vai pedir axé e lavar a Sapucaí! Bom carnaval!

          Autor: Victor Hugo Raposo – [email protected]
          Licenciando em Ciências Sociais – UFF
          Membro efetivo do OBCAR/UFRJ
          Leitor orientador: Mauro Cordeiro
          Doutorando em Sociologia e Antropologia – IFCS/UFRJ
          Instagram: observatoriodecarnaval_ufrj

          Depois de dez anos, Liesa voltará a produzir CD do Grupo Especial apenas em estúdio

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            A Liesa decidiu mudar o formato da produção do CD do Grupo Especial. Depois de 10 anos realizando gravações de bases de bateria e coro ao vivo na Cidade do Samba, para o Carnaval 2020 o álbum será produzido exclusivamente em estúdio.

            A primeira vez que o CD foi produzido no formato ao vivo foi em 2010. Sempre com gravações na Cidade do Samba, abertas ao público, viraram autênticos eventos na Fábrica de Sonhos. O modelo dividia opiniões. De um lado aqueles que defendiam que tecnicamente a gravação ficava comprometida, de outro aqueles que apontavam a espontaneidade e o calor das comunidades como diferenciais do projeto.

            O site CARNAVALESCO apurou que as próprias escolas já desejavam uma mudança no modelo de produção. As gravações na Cidade do Samba representavam um gasto para as agremiações, que precisavam investir em transporte e alimentação para seus componentes.

            O álbum do Grupo Especial é um dos produtos mais tradicionais do mercado fonográfico brasileiro. Produzido ininterruptamente desde 1968, resiste à crise do mercado de CDs e é sempre um dos mais comercializados no período entre dezembro e janeiro.

            Com homenagem a seus 90 anos de história, Vai-Vai apresenta enredo e Chico Spinoza para 2020

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            Vai VaiO Vai-Vai vai contar no desfile de 2020 a sua própria história na avenida. O enredo ‘Vai-Vai, de corpo e álamo’ é uma homenagem à trajetória da maior campeã do carnaval paulistano, que pela primeira vez em sua história desfilará no Grupo de Acesso. O carnavalesco Chico Spinoza está de volta à alvinegra do Bixiga.

            Spinoza conquistou três campeonatos pelo Vai-Vai. O bi em 1998 e 1999 e em 2008 o terceiro troféu. Além disso, desenvolveu os carnavais de 1997 e 2007 na escola da Bella Vista. Esta é a quinta passagem do carnavalesco pela escola.

            Leia a sinopse do enredo do Vai-Vai para o Carnaval 2020:

            JUSTIFICATIVA

            Cartola no coco e camisa listrada, calça alinhada, cigarro de palha e tamborim.

            O Criolé surgiu a imagem e semelhança de outros tantos crioulos, descendente dos melhores brincantes de rua. Ele é um símbolo, uma identidade, caricatura do próprio sambista da saracura, aquele que personifica a escola ao vestir-se de suas cores – o preto e branco – um pouco de cada um dos que leva o VAI-VAI dentro do coração, um pouco de cada sambista, de cada escola de samba que faz parte deste mítico universo.

            Sua criação, no início dos anos 70, foi idealizada quando a folia paulistana era finalmente reconhecida pelas autoridades e – agora não mais marginalizada – importava sob influência carioca o modelo de ESCOLA DE SAMBA para ocupar o lugar dos blocos de embalo e grandes cordões.

            Neste processo havia inúmeros desafios, dentre eles – e talvez o maior de todos – estava preservar as características marcantes de nossa agremiação. Nosso malandro urbano, então, seria o marco desta passagem, a comunhão entre o ontem e o amanhã.

            Como testemunho participe, ele esteve no meio de nós, a frente, ao alto, em nossas alegrias e dissabores, nas epopeias de avenida e nos ensaios que antecediam os desfiles, nas letras do samba, no comando dos enredos, no corpo e na alma de cada folião.

            Nestas “Bodas de Álamo” é ele quem vem contar os triunfos, as grandes vitórias de nosso povo, justamente por serem estas vitórias as que nos fizeram os maiores campeões do carnaval paulistano. Outra vez, ele riscará o chão com seus passos mágicos e espalhará a energia capaz de dar vida até as mais distantes recordações.

            SINOPSE

            “…lembranças eu tenho da saracura, saudades tenho do nosso cordão…”.
            Em andança por estas mesmas ruas, agora tomadas pelos arranha-céus, me vem à mente estes versos imortais. Não sei precisar ao certo quando foi a primeira vez que os ouvi, ainda que tenha a estranha certeza de sempre ter os conhecido.

            O que sei é que minha história por essas cercanias começa muitos anos atrás, quando, sob influência da folia carioca, o Temido Cordão – de episódios memoráveis – adormeceu para dar origem a gloriosa Escola de Samba Vai-Vai.

            Do Velho Bixiga – de seus cortiços e casarios – partiram rumo ao novo cenário os mais nobres brincantes: os príncipes batuqueiros e damas meninas, reis negros e rainhas baianas, com toda a tradição de uma corte popular.

            Os feitos deste povo, dessa nossa nação, seriam imortalizados agora como estrelas – como nas mitologias antigas – e comporiam sob a proteção da coroa e dos ramos de café, a maior dentre todas as constelações.

            Para elas, as joias de nossas conquistas, damos o nome de Álamo, aquilo que nos consagra como vitoriosos, as virtudes que nos colocam “acima dos fortes”.

            E para alçá-las, no passo do tempo que corria em direção ao novo horizonte, nossos sambistas levaram consigo aquilo que havia de mais genuíno em essência: força e galhardia inigualáveis, uma energia capaz de seduzir os olhos e arrebatar os corações. O preto e o branco, solitários, encontraram outras cores e pintaram a aquarela de nosso renascimento. Ao som de acordes fascinantes, nossos bambas embarcaram no carrossel de enredos fantasiosos, emergidos da imaginação.

            Éramos agora os babalaôs do eterno amanhecer, os guerreiros do céu e da terra, os arlequins e colombinas de um país verde e amarelo, gente que apostava na alegria pra mudar a vida e queria fazer de todos os dias um inesquecível carnaval.

            Por vezes, demos a volta no mundo, na roda viva do cotidiano, como personagens de nossa própria história, com nossos pequenos e grandes milagres, nossas nuances e nossa fé.

            E quando sonhar foi preciso, fizemos de sonho a nossa odisseia e seguimos rumo ao marco do século, a virada do milênio que trazia à humanidade tantas expectativas, temores e reflexões. O ouro de tolo e os questionamentos sobre o valor da vida, despontaram pela noite feito um clarão, através da nossa vibração; um alento boêmio para o dia-a-dia de um povo combalido que só via no samba o caminho para transformar a tristeza em euforia!

            Tomamos a imagem e semelhança de quem fora capaz de reconstruir sua própria existência – no oriente de sua trajetória – para enfrentar as profecias mais sombrias e adentrar a nova era com a certeza de que, se não era possível mudar o passado, dependia de nós reescrever o futuro, éramos a própria esperança.

            E nossa ascensão definitiva seria embalada pelas fagulhas cintilantes deste novo tempo. A luz da paz, com o calor emanado das mãos unidas, daria um toque de consciência e traria a cena uma nação tomada pela cegueira, um transe que nem o farol de seu lábaro de estrelas fora capaz de despertar.

            Nosso grito acordou então os filhos desta pátria abandonada, na trilha das clássicas melodias, num ato de inebriada comoção. Na transversal do tempo contra todos os adventos, reverberou a emoção, a apoteose das massas. Como manda a tradição, a velha máxima, o povo foi a voz divina da nossa consagração.

            É através deste coro – do canto que ecoa em prece de nossas ruas – de nossa gente, que nos encontramos outra vez em estado de graça, no ponto mais alto de nossa jornada, no apogeu. Somos assim, gente que faz da queda o motivo da superação.

            Esse é o nosso jeito de chorar sorrindo, de celebrar o ser, o existir e o resistir. O VAI-VAI de Corpo e Álamo*, alma e calor no asfalto, como diz o nosso exaltação.

            Roda de samba Quintal da Portela agita Oswaldo Cruz e Madureira nesta sexta-feira

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            Portela Fiejoada Julho001A quadra da maior campeã do carnaval carioca vai receber mais uma edição da roda de samba Quintal da Portela nesta sexta-feira (16), a partir das 19h. Serginho Procópio, cavaquinista da Velha Guarda Show, e Luciano Bom Cabelo serão os anfitriões do evento, que terá, ainda, as presenças de Arifan, Bruno Lima, Vitor Alves, Paulo Henrique Mocidade, Fernando Procópio, Ju Procópio e outros convidados.

            O repertório vai homenagear bambas como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Almir Guineto, Jorge Aragão, Cleber Augusto, Reinaldo, Sombrinha, Luiz Carlos da Vila e Dona Ivone Lara. Pérolas do baú portelense e canções de novos compositores são outros destaques do roteiro.

            O público poderá, ainda, conferir artesanato e barracas de petiscos. O evento tem entrada franca até as 21h.

            Serviço:

            Roda de samba Quintal da Portela
            Data: Sexta-feira, 16 de agosto
            Horário: A partir das 19h
            Local: Quadra da Portela
            Endereço: Rua Clara Nunes 81, Madureira
            Classificação: 18 anos
            Informações: (21) 3256-9411

            Ingressos:
            Entrada franca até 21h
            Depois: R$ 10