Título do enredo: “ELOS DA ETERNIDADE”
Carnavalesco: Lucas Milato
1. A PROPOSTA
Para o carnaval de 2020, o G.R.E.S. Unidos da Ponte terá como temática central a eternidade. Propomos uma reflexão sobre a relação da humanidade com a eternidade para nortear todo o desenvolvimento dessa mágica aventura.
2. O OBJETIVO
Pretendemos, a partir dessa reflexão, fazer com que o sambista desperte para as questões referentes ao samba e à sua manutenção. Passamos hoje por uma situação bastante delicada, em que o elo que nos une corre um grande risco de se romper.
E a nossa eternidade, sambistas, é o samba! É o resultado de um trabalho de união; da junção dos elos que construímos nesse delirante acontecimento que chamamos de carnaval!
A cada samba cantado, a cada sambista eternizado, acrescenta-se um novo elo na corrente. E nesse momento, a velha guarda é o ponto de conexão entre o passado e o futuro que agora se configura. Agora é o momento de aprender e compreender, de guardar em nossa memória o legado que eles carregam e deixá-lo tomar conta de nós. Afinal, eu repito: a nossa eternidade é o samba!
O samba é a síntese da dor, da alegria, da tristeza e do amor. O samba sou eu, é você, somos nós. Eterniza, Ponte! E faça o samba renascer, resistir e transcender!
3. A SINOPSE
O início.
Às vezes, paro no tempo pensando sobre aquilo que não vivi. Como eu queria que os meus versos conseguissem explicar como cheguei até aqui.
Imagine só, um partido alto que tivesse o dom de remontar ao dia em que nada existia, nem mesmo as cinzas da quarta-feira. Imagino que teria sido como preencher um compasso vazio, em que o universo é a primeira melodia e a vida, um acorde. Depois de muitos arranjos, tocou-se o acorde da existência humana. Ainda meio descompassada, meio sem ritmo, com um planeta azul inteiro para compor e harmonizar.
Tudo parecia tão grande, tão maior que escultura de alegoria, que a exuberância da natureza fazia o ser humano sentir-se pequenino ao reconhecer tamanha grandeza.
A imensidão do céu sempre foi a morada dos deuses. Quem não gostaria de tocá-la? Divino era desejar estar perto dos astros, glorificados por refletirem o que poderia ser eterno.
O desejo.
Queria eu ser como um Deus, para poder tocar minha viola sem me preocupar com o desafino da morte. Mas não sei qual o preço que se paga. Vários e meros mortais desejaram descobrir.
Teriam eles conseguido saborear um banquete no Olimpo? Ou provar do poderoso elixir? Nem que eu venda a alma para o coisa ruim, um dia eu chego lá. Nessas bandas, já vi gente fazer coisas muito piores.
Ouvi dizer que se eu bebesse da água de uma tal fonte, as minhas pernas voltariam a aguentar meu corpo junto com meu samba. Eu jamais teria medo do espelho se quebrar.
Ai, que saudade dos tempos de menino.
Eternizando-se.
Ê… a vida voa…
Vai-se o corpo, mas a saudade é sentinela da memória. O corpo vai, mas o legado fica e faz o nome reverberar no tempo.
A lembrança é feito muralha ou cidade que resiste a eras.Ainda consigo enxergar os olhos do criador no sorriso da criatura, pois a arte é a verdadeira máquina do tempo.
Vivemos nossas epopeias para que as próximas gerações possam achar, no presente, um espaço para o passado.
Hoje, mesmo que alguns ainda sonhem colocar em prática tudo o que foi dito até agora, outros compreenderam que a eternidade é uma conexão, um laço dado entre os sentimentos humanos, que acontece pela importância daquilo que fazemos e não do que somos.
Eternizados.
O velho terno continua em seu lugar no armário. Está surrado e ainda molhado do pranto de tantos carnavais.
No peito, o coração bate mais acelerado, quando ouço o soar do repique.
Os tempos são outros, mas trago para a avenida as mesmas oferendas.
Se eles verão a Deus, peço que falem para Ele que se meu corpo é só carne, a minha alma é só samba.
Assim, terei certeza de ter alcançado a eternidade quando, lá do firmamento, ouvir meu refrão ecoar no samba de esquenta dessa avenida. Estarei no mais brasileiro dos Olimpos, junto aos deuses do nosso ritmo popular, afinal, um velho sambista sabe que o pedido final é refeitoa cada elo que criamos com o novo e que cada despedida é um sonho, onde todos vocês fizeram e continuarão fazendo meu sonhar.
Com carinho, a eterna poesia de um baluarte.
Pesquisa e Desenvolvimento: Lucas Milato e João Francisco Dantas
Texto: Lucas Milato, João Francisco Dantas e Leandro Thomaz
4. SETORIZAÇÃO
1º Setor
No primeiro setor, trataremos da descoberta do conceito da eternidade pelo ser humano. Nesse processo, passamos pela compreensão da relação entre o caos e o cosmos, como modelo do raciocínio humano. Dentro do cosmos começam a ganhar forma, na mente humana, os planetas, as estrelas, os elementos naturais que, por durarem mais que a vida humana, fazem nascer o conceito da eternidade. Mais pra frente, esses elementos são mitologizados e viram deuses imortais.
2º Setor
No segundo setor, apresentaremos os modos que os seres humanos imaginaram para alcançar a eternidade. Serão apresentados: a ambrosia, a comida exclusiva dos deuses gregos que era dada por eles aos que consideravam dignos de se eternizarem; o elixir da longa vida, buscado incansavelmente pelos alquimistas, em conjunto com a pedra filosofal, por suas propriedades curativas e eternizadoras; o pacto com o diabo, que, registrado em várias mitologias, demonstrava o desespero em viver para sempre; e a fonte da juventude, procurada incessantemente em vários locais do mundo.
3º Setor
Neste setor, os seres humanos já perceberam que não existem fórmulas mágicas para conseguirem a eternidade. Os métodos teriam que ser outros. Portanto, se o que sobreviveu ao tempo foi o legado, então era a isso que deveriam se dedicar. Primeiro, os nomes humanos foram sendo reverberados pelas grandes obras que fizeram: pintores, escultores, escritores, artistas em geral. Depois, perceberam que os locais tinham seus nomes eternizados, pelas histórias que foram vividas neles e pela ideia de longevidade que eles passavam: Egito, Roma, China, Índia… foi então que perceberam que o que deixavam para a posteridade era o que os eternizavam.
4º Setor
No último setor, a eternidade já é encarada como um laço. Nele, são exaltados nomes que deixaram para a humanidade um legado que ampliou ainda mais a compreensão do cosmos. Mas, também, são exaltados nomes que ampliaram a compreensão do cosmos do samba. Em nossa perspectiva, trataremos a comunidade do samba como um universo que precisa ser cuidado. E, dentro dessa ideia, acreditamos que a Velha Guarda é a detentora do saber necessário a ser aprendido para a manutenção do samba, como ponto de conexão entre o passado e o futuro que agora se configura.


Morreu neste sábado no Rio de Janeiro uma das mulheres mais importantes da cultura brasileira. Tia Maria do Jongo, baluarte do Império Serrano, era a maior referência do Jongo da Serrinha, manifestação cultural significativa na região do morro da Serrinha, onde nasceu a verde e branca.






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