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Galeria de fotos: final de samba da Unidos de Padre Miguel

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Parceria de Samir Trindade vence na ginga a disputa de samba na Unidos de Padre Miguel

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Por Alberto João, Eduardo Fonseca e Lucas Santos. Fotos: Allan Duffes

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A parceria de Samir Trindade, JR Beija-Flor, Ribeirinho, Guto Biral, Davi Show Serrinho, Ricardo da G. Braga, Dilson PS Medeiros e Rômulo Presidente teve que ter muita ginga para vencer a disputa de samba-enredo da Unidos de Padre Miguel, na noite desta sexta-feira e madrugada de sábado, na Vila Vintém. No ano que vem, o carnavalesco Fábio Ricardo apresentará o enredo “Ginga” e a agremiação será a sexta a desfilar no sábado de carnaval pela Série A.

“Vitória muito importante por conta das parceiras que estavam aqui hoje. Conseguimos sair vitoriosos com esse samba que emocionou a todos de Padre Miguel desde o início. Escolhemos um personagem para contar a história deste samba. O Negro, o capoeira”, disse o compositor Samir Trindade, que conquistou seu terceiro triunfo na UPM. Ele já tinha vencido em 2016 e 2017.

* VEJA AQUI GALERIA DE FOTOS DA FINAL

“Esse é muito especial, porque é quarta vitória aqui. Ganhei em 2017 e 2018. Ano passado saí daqui muito triste, mas ganhamos esse ano”, comemorou o compositor Ribeirinho.

“A emoção não dá pra descrever, estou muito feliz. Primeira vez em final na Padre Miguel, primeira vitória”, comentou o compositor Guto Biral.

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‘Unidos de Padre Miguel faz desfile para ganhar’, diz diretor 

Cícero Costa, diretor de carnaval da UPM, revelou ao site CARNAVALESCO que a escola prepara um grande projeto para 2020.

“Nosso projeto está sendo feito maliciosamente. Vamos procurar fazer o que está no papel. Claro que sempre com uma carta na manga. A UPM é uma escola de comunidade. Vamos levar quatro carros e entre 1700 e 1800 componentes”.

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Respeitando a importância da Imperatriz Leopoldinense, Cícero comentou como será desfilar após a escola de Ramos.

“A disputa será na pista. Respeitando as 13 escolas do grupo, a Unidos faz desfile para ganhar. Para a escola é um combustível a mais desfilar após a Imperatriz. É o que vou passar para meus componentes”.

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Estreante na Unidos de Padre Miguel, o carnavalesco Fábio Ricardo volta a trabalhar em 2020 no carnaval do Rio e disse que estar na UPM e na Série A não faz diferença para o Grupo Especial.

“Independente de Série A ou Especial o mais importante é fazer o que você ama e fazer bem feito. A Unidos de Padre Miguel tem batido na trave nos últimos anos, mas eu não consigo enxergar como uma responsabilidade maior para o meu trabalho. O que eu sinto é o meu prazer de fazer o meu trabalho. Sendo no Grupo de Acesso ou no Especial eu já tenho muito tempo de carnaval, já acompanhei muitas escolas de samba e muitos amigos e colegas. É difícil, mas o carnaval tem que sair. Com criatividade sai. Nem que seja de papel”.

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Perguntado sobre a missão de competir com a Imperatriz Leopoldinense, Fabinho elogiou a concorrente.

“Uma forte concorrente como a Unidos de Padre Miguel também é”.

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Também estreando na Unidos de Padre Miguel, o intérprete Diego Nicolau já está totalmente adaptado com a comunidade.

“A comunidade aqui é muito atuante. Se você demonstrar amor pelo que eles amam, vão te admirar também. Eu trabalho onde for com muita verdade e vontade de acertar. Aqui não é diferente. Eles me dão uma estrutura muito grande. Eu só tenho que me aprimorar para fazer um grande trabalho. A Unidos de Padre Miguel é uma das, senão a mais esperada da Série A. Vem fazendo grandes desfiles. Para min é importantíssimo. É uma responsabilidade muito grande”, afirmou.

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A dupla de mestre-sala e porta-bandeira, Vinicius e Jéssica, carrega grande experiência na escola e em desfiles da Série A. Ao CARNAVALESCO, eles falaram da avaliação dos jurados em 2019.

“Nós tivemos o problema da chuva, enfrentamos a pista molhada. Assim que entramos a chuva deu uma trégua pra gente. Apesar de ainda ter bastante poça na avenida, conseguimos fazer um belo desfile”, avaliou a porta-bandeira.

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“A nossa avaliação sobre o desfile de 2019 é bem rigorosa. Foi um atípico. Em reunião na quadra, junto da diretoria revimos todos os erros da escola de ponta a ponta para que em 2020 possamos fazer melhor”, completou o mestre-sala.

O casal elogiou o trabalho do carnavalesco Fábio Ricardo e fez mistério sobre a fantasia para 2020.

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“É um cara bem flexível. Tem bastante empatia”, afirmou Vinicius. “Nos deixou bem à vontade”, emendou Jéssica.

Bateria vai representar a capoeira em 2020

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, mestre Dinho fez um balanço do Carnaval 2019 e falou o que pode vir para o desfile de 2020.

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“Foi um carnaval que para gente de Padre Miguel não deixou muita saudade, não deixou grandes lembranças. A chuva atrapalhou muito o nosso desempenho. O que ficou foi a nossa recuperação, a nossa determinação, a nossa garra. Para 2020 é apresentar o que a gente preparou para 2019, mostrar toda a recuperação do carnaval passado e ir rumo ao título com garra e vontade”.

Mestre Dinho revelou que a bateria da UPM terá 250 ritmistas em 2020 e representará a capoeira.

Boi vermelho no pavilhão

Em seu tradicional show antes das apresentações dos sambas concorrentes, a Unidos de Padre Miguel brindou o público com um belo espetáculo. O ápice foi quando o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinicius e Jéssica, com as fantasias utilizadas no desfile
de 2019, receberam a bandeira da agremiação com a nova logomarca. A partir de agora, a UPM estampará em seu novo pavilhão, o boi vermelho, um dos primeiros símbolos da agremiação quando foi fundada, em 1957.

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“A Unidos jamais perdeu suas raízes. Tanto que nosso terceiro casal vinha com o pavilhão do Boi Vermelho. Agora estamos resgatando esse pavilhão que representa a comunidade. Ela conhece a escola como Boi Vermelho.

Como foram as apresentações dos sambas finalistas

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O primeiro samba da parceria de Eli Penteado levou um bom número de torcedores para quadra. Antes do início, eles já cantavam o samba. Quando a parceria abriu o samba o clima esquentou na quadra. Porém, apesar de um ótimo início, a obra foi perdendo força durante as passadas.

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Segundo samba da noite a parceria de Thiago Vaz contou com um palco forte com Igor Vianna e Gilsinho na condução do samba. A dupla impulsionou o rendimento da obra que teve um ótimo rendimento, mas que não mexeu com os segmentos da Boi Vermelho de Padre Miguel.

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Wander Pires comandou o samba da parceria de Jefinho Rodrigues. Cria da Vintém, o cantor da Mocidade deu show habitual na apresentação. Do lado de fora da quadra muitos fogos na abertura. O cantor forte da torcida conseguiu competir com o som vindo do palco.

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A parceria de Samir Trindade foi a quarta a se apresentar. Zé Paulo, com extrema categoria, comandou as duas primeiras passadas sem bateria, cantando sozinho e apresentando a obra de forma perfeita. Performance de um dos maiores cantores da atualidade do carnaval carioca. A exibição prendeu atenção do público e mostrou que mesmo não sendo favorita, não poderia ser descartada da briga pela vitória.

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Tinga, o Mister Final, comandou o sacode da parceria de Claudio Russo. O intérprete domina como poucos essa fase de disputa de samba. A obra tomou conta de toda quadra. Uma grande apresentação e que deixou no ar todas credenciais de quem a vitória que estava perto. Na hora do resultado, ela acabou não acontecendo.

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Última parceria a se apresentar a turma de Leonardo D’ Vincci cumpriu bem seu papel na decisão da UPM. Thiago Britto comandou bem o palco. A torcida veio animada e conseguiu chamar atenção do público, mesmo após o grande sacode da parceria de Claudio Russo.

Vídeo: o anúncio do cancelamento da final do Império da Tijuca

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Por Philipe Rabello

Com problema de alvará na quadra, PM obriga Império da Tijuca a cancelar final de samba

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Por Guilherme Ayupp e Phelipe Rabello

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O que era para ser uma noite de festa e alegria para a comunidade do Império da Tijuca, virou um grande pesadelo. A escola precisou cancelar a sua final de samba que acontecia na quadra da Alegria da Zona Sul, próxima à praça da Apoteose. A Polícia Militar ordenou a interrupção do evento por falta de alvará. Sem acordo com a corporação, o presidente Tê anunciou o cancelamento da final aos presentes.

Vídeo: Tê anuncia cancelamento da final

O dirigente falou à reportagem do CARNAVALESCO sobre o problema. Tê demonstrou toda sua contrariedade à medida da polícia, alegou não saber que a quadra precisasse de um alvará, afinal outras eliminatórias aconteceram no espaço e disse que vai pedir ao presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, a cessão de sua quadra para realizar a final, provavelmente na próxima sexta.

”Vieram perguntar se tinha autorização, eu falei que estava tendo samba aqui há mais de dois meses. Ele está exigindo o alvará, por que isso não aconteceu bem antes? Agora é marcar pra outra data, para a gente poder fazer uma outra final, pois está difícil, o tenente ficou irredutível. Ele era o oficial do dia do quarto batalhão. A gente já tentou fazer vários contatos, mas uma hora dessa ninguém atende, telefone desligado. Ele ameaçou me levar pra delegacia se eu não acabasse com o evento. Demos uma satisfação ao povo e vamos marcar uma outra data pra fazer uma grande final. Poderia ter sido na Tijuca, o presidente Horta tinha me oferecido a quadra, mas como a gente tava muito próximo ao barracão, o Marquinho já tinha liberado a quadra, resolvi fazer aqui, mas também não sabia que não tinha licença aqui. A nossa preferência é até sexta-feira. A gente já tem gravação marcada, então vamos tentar remarcar pra outra semana. Na quadra da Tijuca é outra jurisdição, outro batalhão, acho que a Tijuca não tem problema com isso, eles fazem vários eventos lá. A PM cismou e botou autoridade acima de tudo dentro da razão dela e resolveram cancelar”, disse consternado o presidente.

Com data estipulada para a entrega das obras da Série A até no máximo a próxima segunda-feira, a Lierj garantiu por meio de nota oficial que não há possibilidade de haver punição à escola pelo atraso inevitável.

“Não haverá punição, pois a Direção de Carnaval da Lierj entende o momento difícil que a agremiação está passando, devido ao fato extraordinário que aconteceu durante a final e aguardará que o Império da Tijuca defina seu samba-enredo em data posterior“, diz a nota.

Seis parcerias prometem disputa acirrada na final de samba da Unidos de Padre Miguel

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UPM

A Vermelha e Branca da Zona Oeste, sexta colocada em 2019, vai definir nesta sexta-feira o samba-enredo para o carnaval 2020, quando apresentará a trajetória histórico-cultural da capoeira como enredo. E a disputa promete ser bastante acirrada, afinal de contas, nada menos que seis obras ainda estão no páreo.

A reportagem do CARNAVALESCO, dando continuidade a cobertura das finais de samba-enredo, conversou com um representante de cada parceria sobre a emoção de chegar a final e em relação a quais argumentos cada compositor tem para definir que sua obra merece se tornar o hino que vai embalar o carnaval da Unidos de Padre Miguel no ano que vem e ajudar a escola a conseguir o acesso ao Grupo Especial.

Hélio Silveira, da parceria 7 de Eli Penteado e Cia, apela para a fé nos orixás e aposta em uma cantiga típica de capoeira presente na obra para contagiar a comunidade e a diretoria da escola.

“Acredito na Vitória com toda força dos nossos orixás.Tivemos o cuidado de construir o samba de acordo com que o carnavalesco da nossa escola nos passou. Fomos aos dois tira dúvidas e chegamos a um consenso e está aí a obra concluída com sucesso. Nossa letra e melodia é muito harmoniosa e expressa toda narrativa da sinopse muito bem desenvolvida. Fazemos uma singela homenagem à nossa torcida Nação Unida de Padre Miguel e fechamos o samba com uma cantiga de roda típica da capoeira que é o nosso ‘gran finale’ “.

Já para Leonardo D’ Vincci da parceria 08, veterano nas finais de samba da escola, chegou a hora do compositor ganhar o direito de uma de suas obras representar a Unidos de Padre Miguel na Sapucaí.

“Somos todos músicos, fruto desse chão! Participamos de duas finais e ainda não vencemos. É chegado o momento, somos resistência.O berço nos faz sonhar erguer o pavilhão. Assim como diz o trecho do nosso samba ‘Resistência é meu nome. Desde o Cais carrego a Dor’. Um enredo bem elaborado pelo carnavalesco Fábio Ricardo, amo a cultura popular brasileira”

Jefinho Rodrigues, um dos compositores do samba 11, aposta em conquistar o coração da comunidade para sair com a vitória e lembra da importância do enredo para o momento que a sociedade atravessa.

“Falando em relação a parte melódica, nossa parceria conseguiu atingir o coração da comunidade, pois traz a verdadeira emoção e alegria pro canto da escola, se alinhando perfeitamente com nossa bateria. A letra consegue alcançar o objetivo proposto pelo nosso artista mostrando a “ginga” desde suas origens. Além do grande valor cultural, o tema é também bastante pertinente aos dias atuais, onde nossa sociedade vem buscando combater todo tipo de preconceito”.

Samir Trindade, do samba 05, acredita que sua obra pode impressionar por seguir o modelo melódico presente durante as rodas de capoeira. Ele ressalta a forte emoção que acredita que o samba vai trazer à comunidade de Padre Miguel.

“A nossa parceria é a que tem mais o espírito da capoeira tanto na letra e principalmente na melodia. Nosso samba conseguiu captar o espírito do enredo. Se você escutar o nosso samba na quadra parece que você está em um roda de capoeira”.

Já para o compositor Thiago Meiners da parceria 13 de Thiago Vaz e Cia, o refrão principal do samba é o diferencial da obra.

“Eu acredito muito na força do nosso samba como um todo, principalmente no nosso refrão principal que é muito forte e empolgante, ‘Entra na roda, vem jogar camará’. Acho que tem todas as qualidades que possam embalar a Unidos a um grande desfile. E o enredo foi um dos motivos que fizeram nossa parceria decidir entrar nessa disputa. É sempre importante falar de cultura brasileira.

Cláudio Russo da parceira 10, vai viver uma sexta-feira de muita emoção já que também tem samba inscrito na final do Império da Tijuca com o anúncio em horário parecido. Para o compositor sua obra representa o trabalho de um grupo de sambistas já vencedor em disputas na Padre Miguel que conhece as necessidades da agremiação.

“Estamos numa disputa muito difícil, com grandes sambas, grandes compositores, muitos campeões. Mas eu acho que o nosso samba tem a alma da capoeira. A gente o tempo todo não foge do enredo, o samba fala o tempo todo desse movimento tão bonito que veio de Angola. E, é uma parceria que já rendeu grandes frutos pra escola: Ariano Suassuna, Ossain, Eldorado submerso. Uma parceria que conhece a escola”.

Compositores finalistas no Império da Tijuca aguardam ansiosos grande decisão

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Responsável por encerrar o desfile das escolas da Série A em 2020, o Império da Tijuca já vive a expectativa por conhecer a obra que vai embalar seu carnaval no ano que vem. No grupo, o Império da Tijuca será uma das primeiras escolas a definir o samba-enredo de 2020, que vai ajudar a Verde e Branca do Morro da Formiga a contar a história de Evandro dos Santos, semianalfabeto, pedreiro e retirante conhecido como o “Homem Livro” ou “Carteiro Literário” que já viajou o país, transvestido em escritas e fragmentos de grandes literatos do Brasil, pregando o saber na distribuição de livros retirados do lixo.

A reportagem do CARNAVALESCO conversou com cada uma das quatro parcerias que vive a ansiedade pela final desta sexta-feira sobre as razões pelas quais cada uma acredita que possa vencer.

O compositor Diego Nicolau, intérprete da Unidos de Padre Miguel que já emprestou sua voz para obras de diversas parcerias espalhadas pelas escolas do Rio de Janeiro, hoje um dos compositores da parceria 2, joga a responsabilidade de escolha para a direção do Império da Tijuca e prefere valorizar o sentimento de fazer um samba que será entoado na Avenida.

“Acho que todo e qualquer compositor merece ter sua obra na avenida e isso é uma escolha da agremiação. Eles conhecem bem o projeto de carnaval e vão saber decidir e a nós resta fazer uma bonita festa para valorizar a escola e a ala dos compositores. O enredo desse ano é bem atual e sinaliza uma preocupação em valorizar a educação como saída para um país melhor, uma “escola” de samba dando as mãos à educação pra seguir na luta por um Brasil menos desigual”.

Já a compositora Valéria Amorim da parceria número 4, prefere destacar a ligação do enredo com a vocação do Império da Tijuca para apresentar temas com enfoque na cultura e busca do conhecimento.

“Realizamos um trabalho de união, exaltando e valorizando a educação e a importância do Império da Tijuca no mundo do samba, pois é a única escola de samba educativa. Mas também, pensando no carnaval e em um desfile empolgante que deixará uma mensagem importante para todos os presentes na Marquês de Sapucaí. E, este enredo foi um presente especial para a nossa escola e para os Educadores do Brasil. Meu trecho preferido é o que diz ‘Escola de Samba educativa, meu Império é forte é raiz, nasci sou do Morro da Formiga, quimeras de um eterno aprendiz’ “.

Para um dos criadores do samba 3, Eduardo Katata, é até difícil falar o que mais gosta no samba porque todo o pai acha o filho bonito, então, o compositor prefere ressaltar a química entre a obra e a comunidade que ele diz ter observado.

“O nosso filho nunca é feio. Mas no contexto geral, nosso samba está sendo bem aceito pela comunidade. A escola está cantando nosso samba. O meu trecho preferido é o ‘meu império da Tijuca tem o quê? Real saber, faz acontecer! Num tsunami de amor, muito axé, seja o que Deus quiser’. E o enredo é um enredo legal. Falar de educação é sempre uma coisa boa”.

Cláudio Russo, compositor convidado do samba 5, afirma que a grande emoção é trabalhar com compositores já tradicionais do concurso de sambas do Império da Tijuca em uma obra que, segundo ele, traduz a alma do trabalho imaginado pelo carnavalesco.

“Eu acho que a nossa parceria já tem uma história no Império da Tijuca. Na verdade, eu sou convidado desta parceria, o Jayme e o Gilmar já tem uma história por aí e o nosso samba, eu acho que conseguiu traduzir a alma do enredo e o que o carnavalesco quis. Os educadores, o homem livro. A força transformadora que a educação pode ter no ser humano, principalmente nas crianças. Aliamos uma melodia forte, uma melodia bonita, mas com uma mensagem ainda mais forte ainda, pela educação, pela ideia dos grandes educadores e pensadores e traduzindo isso de uma forma bonita”.

A grande final de samba-enredo no Império da Tijuca vai acontecer nesta sexta-feira (06) na quadra da Alegria da Zona Sul, Rua Frei Caneca, 211-233, no Centro do Rio a partir das 22h.

Integrantes da academia pensam o carnaval em seminário

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    Os desfiles das escolas de samba já há muito tempo alcançaram um patamar que não os limita a apenas uma festa. São manifestações culturais que estão inseridas na história do país, desta forma como qualquer objeto é alvo de estudos desenvolvidos por centros acadêmicos.

    Pensando nisso, o Observatório de Carnaval (OBCAR), grupo de estudos filiado ao Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, promoveu nesta quinta-feira um seminário para a apresentação de produções acadêmicas voltadas para aspectos da folia. O evento aconteceu no Centro de Artes Calouste Gulbenkian e contou que a participação de quatro pesquisadores que falaram para uma plateia em geral formada por estudantes interessados em produzir pesquisas sobre o carnaval.

    Viviane Martins, ex porta-bandeira e atualmente coreógrafa do casal da Cubango, falou sobre sua monografia em Educação Física que contextualizou todos os fatores que interferem no bailado de um casal de mestre-sala e porta-bandeira. Durante a palestra, a pesquisadora relembrou de forma descontraída as dificuldades no início da carreira na Sapucaí, e como se sente mais tranquila hoje com a nova função como coreógrafa ao qual tem se dedicado nos últimos anos.

    “Quando era mais nova não queria ser porta-bandeira pois não era do mundo do samba e não aguentava diretor de carnaval ou dirigente sendo grosso comigo, ou a rotina estressante e a responsabilidade. Depois me acostumei. Hoje para mim é muito mais fácil. A minha posição é mais respeitada, o que eu peço pra escola é visto de uma forma mais técnica do que quando é o casal que pede. Também nesse tempo eu aprendi a levar tudo de forma mais leve”.

    O pesquisador Leonardo Antan, colunista do CARNAVALESCO, explicou um pouco de seu trabalho que valorizou a história de Luiz Fernando Reis, carnavalesco de uma estética e temática mais marginal em relação a hegemônica que se formou até os dias atuais. Segundo Leonardo, Luiz era mais adepto da crítica política e deveria ser mais valorizado e lembrado por suas contribuições ao carnaval principalmente no tom crítico que algumas escolas têm aderido nos últimos anos. Antan ao ser perguntado sobre quem hoje poderia ser comparado com Luiz Fernando Reis, teve dificuldade para encontrar algum profissional com os traços do crítico carnavalesco.

    “Muito difícil apontar um carnavalesco conceitual como Luiz Fernando. Adoro o Leandro Vieira mas sua estética está mais ligada ao hegemônico, ainda que a significação seja dada de.forma diferente. Talvez mais ou menos o Jack Vasconcellos, nas fantasias, suas soluções. O problema é que hoje quem faz muito diferente e perde, não faz mais”.

    Durante os 40 minutos de conversa, Leonardo apontou a formação do carnaval que conhecemos hoje a partir dos trabalhos de Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona e também explicou sua tese ainda em processo de finalização sobre o desfile de Xica da Silva de 1967 do Salgueiro. Leonardo foi taxativo em relação a importância daquele carnaval.

    “Xica da Silva pra mim é o mais importante desfile do carnaval. Consolida o carnaval como o espetáculo. Consolida a estética que hoje conhecemos e a forma do carnaval atual como um todo através da reunião de elementos como teatralização, alegorias e narrativa única. Inclusive, a forma como a Xica da Silva foi vista por aqui é definida neste desfile e inspira outras obras como o filme de Cacá Diegues”.

    O terceiro a apresentar suas contribuições acadêmicas foi Vinícius Natal. Neto da famosa compositora da Vila Isabel Ivanizia e cria do bairro de Noel, Vinícius no passado já coordenou o departamento de cultura da agremiação. Em sua tese sobre os cenógrafos da cidade tocou em um tema difícil e polêmico: a escassez de carnavalescos negros comandando escolas dos grupos que desfilam na Sapucaí. Na pesquisa, Vinícius relembrou heranças européias que elitizaram algumas posições dentro das escola de samba.

    “O modo de fazer visual é tão cristalizado que não se muda a questão visual do carnaval e nem os seus atores. Porque um aderecista não pode ser formado pela escola para ser carnavalesco? Eu sempre me perguntei. São casos raros. Hoje, nos grupos que desfilam na Marquês de Sapucaí, excluindo a Intendente, são poucos os negros que são carnavalescos. Aliás isso acontece nos carnavalescos e nos outros espaços da escola por onde passa o dinheiro”.

    Já o pesquisador João Gustavo Melo pretende estabelecer uma relação entre o carnaval e uma outra grande manifestação cultural brasileira: O festival de Parintins. Jornalista de formação, com pesquisas no passado voltadas para a origem dos destaques de escolas de samba, João Gustavo trabalhou na Vila Isabel no último carnaval e utilizou a agremiação como estudo de caso com profissionais que viveram como ele a experiência de trabalhar no Carnaval do Rio e no Festival dos Bois. João ajudou a produzir uma das alegorias do Boi Caprichoso e acompanhou de perto o espetáculo amazonense. Gustavo, no entanto, em sua pesquisa, ainda em andamento, vem encontrando mais diferenças do que semelhanças entre as duas manifestações culturais.

    “A gente vai com a cabeça do carnaval e algumas coisas a gente se assusta. Hoje, por exemplo, eles não usam madeira, só nos pisos. É um trabalho mais prático. Mas muito deficiente em acabamento para os nossos olhos do Rio de Janeiro. No espetáculo, não tem como você ver o boi com os olhos de ‘paisagem’. É um Maracanã gritando gol durante duas horas e meia”.

    O Observatório de Carnaval vai continuar promovendo encontros acadêmicos de pesquisadores com trabalhos prestados para o mundo da folia. O intuito é incentivar jovens graduandos, mestrandos e doutorandos a usar aspectos do carnaval como objeto de suas teses. Em breve a coordenação vai divulgar os próximos encontros.

    Império da Tijuca escolhe samba para 2020 nesta sexta-feira

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    Quatro parcerias ainda estão concorrendo ao posto de hino oficial do Império da Tijuca para o carnaval 2020, quando a escola buscará o retorno ao Grupo Especial, encerrando os desfiles da Série A já na manhã de domingo. A final acontece nesta sexta-feira na quadra da Alegria da Zona Sul a partir das 22h. Na data, também será conhecida a “Musa Imperial”, concurso que escolhe uma representante da comunidade para ser musa da agremiação.

    Em relação ao processo de escolhas dos sambas, cada parceria terá 25 minutos para se apresentar, tendo duas passadas sem a bateria, 15 minutos de apresentação completa, e outras duas passadas para a torcida de forma que se possa sentir o canto do samba. A expectativa é de que o anúncio da obra campeã aconteça por volta das 5h da manhã. Estão em disputa as parcerias de Diego Nicolau, Eduardo Katata, Valéria Amorim e Cláudio Russo.

    O diretor de carnaval da Verde e Branca do Morro da Formiga, Luan Teles, comentou a safra de sambas desse ano.

    “A gente está meio acostumado com a linha afro, e por isso, a gente acaba esperando sambas mais fortes, sendo que para o enredo que nós temos esse ano pede um samba mais leve. Já que nós somos a última escola a desfilar precisamos de um samba bem pra frente, bem empolgante, para não ter problema na evolução da escola. Temos quatro sambas bons para a final nesta linha e infelizmente só podemos escolher um, será o que for melhor para a escola em relação a enredo e animação”.

    Guilherme Estevão, carnavalesco que assinará seu primeiro carnaval em 2020, explicou que a maioria das obras está totalmente dentro do enredo e que apenas algumas, caso saiam vencedoras, terão de receber pequenas modificações.

    “A final, com estes quatro sambas, apresenta obras com quatro leituras diferentes do enredo. O que mostra que este enredo consegue possibilitar a multiplicidade de interpretações. Acho que teremos uma final muito disputada justamente pela pluralidade dos sambas. Temos sambas mais animados, mais melodiosos, outros com letras mais rebuscadas. Quase todos estão muito corretos. Um ou outro que caso ganhe, a gente faz algum ajuste, mas no geral estou satisfeito”.

    O diretor de carnaval Luan Teles apresentou os fatores que em sua opinião são determinantes para uma obra sair vencedora.

    “O samba campeão precisa estar dentro da linha do enredo, e precisa ser um samba que faça com que a gente consiga mostrar para o público tudo que a gente vai apresentar lá na Avenida no dia e que seja aquele samba que quando estiver na penúltima escola e a torcida pensar em ir embora, logo lembrar que tem que ficar porque vem o Império da Tijuca com aquele samba bem para frente”.

    Escola já iniciou trabalhos de barracão e de ateliê

    Em 2020, Guilherme Estevão de apenas 24 anos vai fazer sua estreia comandando o carnaval de uma agremiação. Guilherme acumula passagens como desenhista e projetista pela Porto da Pedra, Renascer de Jacarepaguá e Sossego. Animado, Guilherme adiantou para a reportagem do CARNAVALESCO que o Império da Tijuca já iniciou os trabalhos para o desfile do ano que vem, apesar das dificuldades financeiras e aproveitou para elogiar a organização da escola.

    “Felizmente o Império da Tijuca tem uma diretoria que luta muito para botar o carnaval grandioso na rua. A gente já está em um processo de reprodução das alas. Os protótipos já foram finalizados. Brevemente, eles serão apresentados para comunidade. Nós já temos dois carros em processo finalizado de ferragem, já no início de madeira e escultura. Estamos com o cronograma em dia apesar das muitas dificuldades. Não significa que o Império está tranquilo, mas estamos trabalhando para manter sempre o cronograma em dia, pois isso é um respeito com a comunidade que vai desfilar”

    Serviço:
    Final de Samba-Enredo e do Concurso Musa Imperial
    Data: 06/09/2019
    Horário: 22h
    Local: Quadra da Alegria da Zona Sul – Rua Frei Caneca 211-233 – Catumbi
    Classificação Livre

    Unidos de Padre Miguel realiza grande festa nesta sexta-feira para escolher samba de 2020

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    Com seis parcerias ainda sonhando em se tornar o hino oficial da escola na Sapucaí, a Unidos de Padre Miguel realiza nesta sexta-feira a final do concurso de sambas-enredo que começou inicialmente com oito obras. O diretor de carnaval Cícero Costa atribui ao alto nível das composições o motivo para realizar uma final com seis sambas.

    “Este enredo nos proporcionou grandes obras. Todos os sambas inscritos retratam bem nosso enredo. Estamos muito felizes com a safra que a ‘Ginga’ nos trouxe. Os compositores entenderam muito bem a ideia de nosso carnavalesco e independente de quem ganhar, teremos um grande samba na avenida em 2020”.

    Ainda no páreo estão as parceiras de Samir Trindade, Thiago Vaz, Jefinho Rodrigues, Cláudio Russo, Eli Penteado e Leonardo D’ Vincci. Cícero elogiou a safra e faz votos que o sucesso das obras cumine no objetivo principal da agremiação que é subir ao Grupo Especial.

    “A Unidos de Padre Miguel está trabalhando muito forte para que o ano de 2020 seja finalmente ‘o nosso ano’. Não estamos medindo esforços para que possamos conquistar este título. Acertamos nossa equipe, temos um grande enredo e hoje iremos escolher um grande samba. Somos privilegiados, qualquer um dos seis vai nos representar muito bem na avenida. Estamos focados e tenho certeza que teremos um samba grandioso e que nossa comunidade vai abraçar”.

    Para definir o vencedor, a escola permitirá que cada parceria se apresente com seis passadas do samba-enredo, duas sem a bateria e quatro com os ritmistas. Antes, por volta de meia noite haverá apresentação dos segmentos da escola. Ainda não há uma perspectiva oficial em relação ao horário de divulgação do samba campeão, porém, realizando uma estimativa com o tempo de apresentação de cada parceria e do restante da programação do evento é possível estimar que o vencedor não será declarado antes das 4h.

    O diretor de carnaval Cícero Costa falou um pouco do que em sua opinião é necessário para uma obra se tornar campeã.

    O diretor de carnaval Cícero Costa falou um pouco do que em sua opinião é necessário para uma obra se tornar campeã.

    “Acho que um fator importante é ter a pegada da Unidos de Padre Miguel. Estamos buscando um samba que além de contar perfeitamente o nosso enredo, seja a cara de nossa escola, que seja forte assim como os grandes sambas que a escola vem levando para a avenida nos últimos anos. Um samba que empolgue não só nossa comunidade, mas todos os amantes do carnaval”.

    Serviço

    Final de Samba-Enredo
    Data 06/09/2019
    Horário: 22h
    Local: Quadra da Unidos de Padre Miguel– Rua Mesquita número 8 – Padre Miguel

    Estácio de Sá 2020 – samba da parceria de Marinho

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    Compositores: Marinho e José Neto

    HOJE A ESTÁCIO TRAZ A PEDRA
    TODA GRACIOSA E COISA E TAL
    O GRANDE MESTRE JÁ DIZIA
    QUE A NOSSA BATERIA
    ENLOUQUECE ESTA CIDADE

    HOJE A ESTÁCIO TRAZ A PEDRA
    DESDE O TEMPO DOS NOSSOS ANCESTRAIS
    TODO MUNDO JÁ SABIA
    QUE EU SOU VERMELHO E BRANCO
    E VOU BRILHAR NO CARNAVAL

    LÁ VOU EU…
    LÁ VOU EU
    PELAS MONTANHAS DE MINAS GERAIS
    ENCONTRAR O MEU TESOURO
    VOU EM BUSCA DE OURO
    PEDRAS PRECIOSAS E METAIS
    MINÉRIO É A RIQUEZA DESTE CHÃO
    É A HISTÓRIA DE MINAS GERAIS
    A PEDRA QUE O POETA SEMPRE VIA
    ESCRITORES ESCREVIAM
    NÃO HÁ MAIS.

    AMETISTA, A PEDRA DA SAÚDE
    AGUA MARINHA PARA SUA JUVENTUDE
    ESMERALDA, UNIVERSO E AMOR
    OFERENDA NA PEDRA PARA XANGÔ
    TURMALINA ENERGIA E MUITA FÉ
    DIAMANTE DESEJO DA MULHER

    A LENDA DIZ QUE OS ÍNDIOS CARAJÁS
    NASCIAM DA PEDRA, MEU IRMÃO!
    GARIMPO E TRABALHO O ANO INTEIRO
    É O POVO BRASILEIRO
    DA LUA A NOSSA TERRA É AZUL
    PRESERVE QUE A VIDA CONTINUA

    A PEDRA DA LUA
    VIRA POESIA
    NO SAMBA NA SAPUCAÍ