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Beija-Flor segue com oito sambas na disputa

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beijaflor2020A Beija-Flor de Nilópolis realiza nesta quinta-feira, dia 29 de agosto, a partir das 21h, mais uma eliminatória de samba para o Carnaval 2020. São oito parcerias vivas na disputa. Elas sobem ao palco da Deusa da Passarela logo depois do grande show que os segmentos da azul e branca fazem toda a semana. A entrada é franca para a comunidade até às 21h, após este horário o ingresso custa R$ 10. A quadra da agremiação fica na Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025, em Nilópolis. O enredo da escola para o carnaval é ‘’Se essa rua fosse minha’’. O tema será desenvolvido pelos carnavalescos Cid Carvalho e Alexandre Louzada. A agremiação será a última a desfilar na segunda-feira de folia.

Confira os sambas classificados:

SAMBA 07 – SERGINHO AGUIAR, DR. ROGÉRIO, RONALDO NUNES, KAKÁ CALMÃO, MÁRCIO FRANÇA, CARLINHOS OUSADIA

SAMBA 20 – AMENDOIM DO SAMBA, JÚLIO PRIMAVERA, M. SILVA, ZÉ CARLOS D´BEL, PEU E NASCIMENTO

SAMBA 11 – ALENCAR DE OLIVEIRA, ROGÉRIO DA MATA, ANDRÉ FULGAZ, CAROL MENDONÇA,TUINHO FÓRMULA 1 E CRISTIANO RAMOS

SAMBA 05 – JR BEIJA-FLOR, JUNIOR TRINDADE E THIAGO ALVES

SAMBA 39 – MARCELO GUIMARÃES, SIDNEY DE PILARES, RIBEIRINHO, WALNEY ROCHA, MILTON MONTENEGRO E DOMINGOS OS

SAMBA 01 – MAGAL CLAREOU, DIOGO ROSA, JULIO ASSIS, JEAN COSTA, DARIO JR E THIAGO SOARES

SAMBA 26 – LUCAS GRINGO

SAMBA 134 – J. VELLOSO, KIRRAZINHO, MARQUINHOS BEIJA-FLOR, LEO DO PISO, THÉO M. NETTO E DIMENOR BEIJA-FLOR

Enredos para 2020 – parte 1: O olhar brasileiro marca excelentes enredos em meio à crise

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    Por Leonardo Antan

    sambodromo

    Agosto. Aos poucos, as engrenagens das escolas de samba vão girando e preparando o terreiro do que se desenha para nossa festa em 2020. Nos últimos anos, acontecimentos para lá de conturbados vêm marcando o pré-carnaval das mais diferentes maneiras, e revelando uma forte crise institucional na nossa folia. Durante os últimos meses, não foi diferente. Houve virada de mesa – que por si só não era lá nenhuma novidade -, e também ainda desvirada de mesa, um fato inédito na década. Em meio a renuncias e a discussões, como será que nossas agremiações podem se reinventar e voltar a participar do cotidiano brasileiro?

    A famigerada “crise” come solta em diversas esferas, mas, ainda assim, entre as frestas, nossas escolas re-existem, como sempre foi. Contudo, verdade seja dita novamente: se na estrutura e nos acordos por debaixo de mesas desviradas a festa cambaleia e afasta um público maior a ser alcançado; na pista, o samba ressurge e ganha novos e deliciosos contornos. Nos preparativos para a chegada de uma nova década, nas viradas dessa vida,
    os carnavalescos assumem mais uma vez o protagonismo da discussão e da mudança de rumos, no chão riscado por Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues desde a década de 1960.

    A última metade dos anos 2010 marcou uma virada de geração no comando artístico da festa. E com o já bicampeão Leandro Viera abrindo as alas desse desfile, um conjunto de artistas surgiu como esperança para a renovação da festa e o abrandamento de previsões apocalípticas. Na crise financeira que esvaziou o pote dos patrocínios, as escolas de samba se reinventam. O cenário ainda é potencializado por um renascimento robusto de grandes composições dos sambas-enredos para fazer inveja a qualquer antologia do século passado.

    Pois muito que bem. Já que é praticamente chover no molhado dizer como o novo time de carnavalescos que dominou o Grupo Especial nos últimos carnavais também trouxe uma renovação temática e estética para festa, vamos aos fatos. E, para isso, esmiuçar algumas propostas para os enredos do ano que vem!

    Resgate crítico em preto e amarelo: “O Conto do Vigário”

    Uma das primeiras escolas a lançar o enredo para o próximo carnaval foi a São Clemente. Quem segue no comando da preta e amarela é Jorge Silveira, indo ao seu terceiro desfile na casa. A trajetória do artista, que foi uma aposta da escola, marca mais um capítulo de um arco que vem se desenhando desde o início desse casamento em 2018. Depois de receber o legado de Rosa Magalhães e apostar em um enredo clássico e, posteriormente, de resgatar a identidade crítica da agremiação da zona sul com uma inspirada reedição do
    clássico “O samba sambou” Jorge parece remarcar um projeto de renascimento completo da identidade crítica e social da São Clemente.

    O enredo “O Conto do Vigário” parte do lendário conto por trás da origem do termo para pensar a história da enganação e da pilantragem nas terras tupiniquins, não deixando faltar comentários ácidos ao momento atual do país e das famigeradas fake news. Em tempos em que a crítica social ganha carnaval, faz muito bem a escola e a visão de Jorge ao recuperar o estilo marcante de umas grandes protagonistas dos enredos políticos que marcaram os anos 1980. Resta saber se os jurados esquecerão finalmente que bandeira não é critério a ser avaliado.

    A esperada “Elza Deusa Soares”

    Pulando para o barracão do lado na Cidade do Samba, o clima é menos de continuidade e mais de novidade nas bandas de Padre Miguel. Após gravar seu nome na história da Paraíso do Tuiuti, dando à agremiação uma personalidade junto ao grande público, Jack Vasconcellos assumiu a batuta criativa da Mocidade Independente, já com a grande missão de materializar o esperado enredo em homenagem a Elza Soares.

    Para assinar a sinopse que resume a narrativa, o biógrafo da verde e branco Fábio Fabato foi convocado e soube temperar a história da artista com sua narrativa envolvente e emocionante. O resultado do casamento entre um dos grandes artistas do carnaval da atualidade e o escritor e jornalista independente não poderia ser diferente, gerando uma das mais belas sinopses da safra. Entre contar a história de vida da homenageada e atualizar seu legado às discussões contemporâneas de raça e gêneros, eles não fizeram
    concessões. De maneira poética e forte, a trajetória de luta de Elza serve de pano de fundo para que Jack possa mergulhar no estilo crítico que o consagrou.

    Tratando-se de enredo, não custa ressaltar o quanto o carnavalesco é um dos maiores no que diz respeito ao quesito nos últimos anos, com temas redondos e bem alinhados. Então, já podemos esperar uma grande aula de como desenvolver uma boa narrativa na Avenida.

    História para recomeçar:”O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião”

    Saindo do criador para a criatura, a Paraíso do Tuiuti não se deixou cambalear com a saída do grande nome que a catapultou ao protagonismo da festa. Seguindo a ordem do renovar é preciso, escolheu a dedo um desses artistas que tem mostrado serviço nos últimos anos. Depois de duas assinaturas na Unidos de Padre Miguel, João Vitor Araújo assume a escola
    para seu segundo carnaval no grupo especial.

    É bem verdade que em um contexto bem mais favorável do que a complicada passagem da Viradouro no grupo, em 2015. Com “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião’ a narrativa mostra a inteligência do artista ao unir seu estilo mais clássico com a herança crítica deixada por Jack na azul e amarela. A sinopse desenvolvida pelo grande enredista João Gustavo Melo mescla as figuras de São Sebastião e o rei Dom Sebastião de Portugal, em uma linha objetiva e correta, reservando seu momento final para falar do Rio de Janeiro sob um olhar crítico. Sem grandes invencionices, uma flecha certeira para a escola que busca se reafirmar no grupo em novas condições.

    Pisa forte, Grande Rio! “Tata Londirá: o Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias”

    Indo para a vizinha de porta da agremiação de São Cristóvão no complexo de barracões carioca, a Acadêmicos do Grande Rio respira novos e inspirados ares ao lançar na elite a premiada dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora (vulgo Boraddad), após dois grandes trabalhados assinados na Acadêmicos do Cubango. A chegada mais do que inesperada dos dois mudou radicalmente os olhares tortos, já corriqueiros, à tricolor de Caxias. O fato se confirmou com o lançamento do enredo “Tata Londirá: o Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias”, uma homenagem ao líder religioso Joãosinho da Gomeia.

    O baiano radicado na cidade natal da escola era tema aguardado por alguns componentes e ganhou um olhar apurado desses dois artistas talentosos. Mergulhando na cultura cabocla, baiana, afro-brasileira, modernista e carnavalesca, a sinopse oferece um bem-temperado e denso caldeirão de referências a ser explorado, com uma estrutura que deixa cristalinos os setores do desfile a serem desenvolvidos. O enredo marca a imersão no fundamento das religiões de matriz africana e na vida cultural e artística do país no século XX.

    Assim, como nos outros enredos já comentados, a homenagem também ganha contornos críticos e sociais ao louvar uma figura negra, marginalizada e LGBT da nossa história, dando a isso seu caráter político intrínseco. É uma virada histórica para a reconstrução da identidade da Grande Rio, que tão bem cantou enredos afro-brasileiros na década de 1990, e se firma como detentora de um dos grandes enredos do ano. Axé!

    Aos finalmente da primeira parte, voltamos em breve!

    Não aleatoriamente, quatros enredos que investigam múltiplas faces do
    Brasil e são assinados por grandes artistas do carnaval nos últimos anos foram os escolhidos para o início das nossas análises por aqui. Mostrando que, entre crises, os saberes da festa vêm se renovando na contramão dos poderes estabelecidos e alcançando novos públicos para nossas escolas. Quer saber mais? Durante as próximas semanas, voltamos para tentar desvendar os demais enredos que as escolas estão preparando para o ano que vem. Não perca!

    Arthur Franco canta o samba da Imperatriz no Carnaval 2020

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    Na noite deste sábado, durante o Salgueiro Convida, a Imperatriz Leopoldinense cantou o samba-enredo que apresentará no Carnaval 2020. Abaixo, você confere o vídeo com o cantor Arthur Franco.

    Fotos: Salgueiro Convida com Imperatriz e Grande Rio

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    Espaço Favela homenageará o grande cantor e compositor Nelson Sargento no Rock in Rio

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      neson rock

      Um evento que extrapola a música e oferece experiências do início ao fim. São 14 horas de entretenimento na veia e conteúdos que vão além do esperado pelos visitantes. Um desses casos é a homenagem que Roberto Medina, presidente do evento, anunciou nesta sexta-feira. Junto a novidade que é a chegada do Espaço Favela, nesta edição, o Rock in Rio terá mais um momento emblemático e que promete emocionar a todos: Nelson Sargento subirá ao palco e participará da roda de samba Festa da Raça.

      O multitalento Nelson Sargento – compositor, cantor, pesquisador da música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor -, participa da Roda de Samba Festa da Raça, marcada para o dia 03 de outubro. O artista cantará quatro clássicos do seu repertório com os nove participantes que compõem a roda.

      “Ter Nelson Sargento no nosso palco é um prestígio e prazer imensurável. Estamos estreando com este espaço no festival e temos certeza que será um daqueles momentos memoráveis. Nelson conviveu com artistas fundamentais na construção do samba e representa toda a tradição da cultura popular. A integração desta lenda com uma roda de samba que está trilhando sua estrada é, sem dúvida, uma oportunidade única de troca de experiência. E o público estará lá, testemunhando um grande show da música popular brasileira”, garante Roberto Medina, lembrando que “não tínhamos como ter Espaço Favela e não ter Nelson Sargento em uma roda. Afinal, ele é verde e rosa, mas acima de tudo é carioca e brasileiro”.

      Além da sua presença no palco, Nelson Sargento que também é artista plástico, terá 14 de seus quadros expostos no backstage do Espaço Favela, colocando o espaço como uma galeria de arte. O músico desenvolveu esta atividade graças ao conhecimento obtido na profissão de pintor de paredes, que exerceu por vários anos.

      “Ter o mestre Nelson Sargento é uma honra. Quando Roberto (Medina) me pediu isso, me senti como se estivesse dando ao público o melhor de todos os presentes. E, explorar seus talentos, ou seja, ir além da música, é um grande ganho não só para o Rock in Rio, mas especialmente para quem estiver lá conosco. Uma oportunidade ímpar para a troca de conhecimento”, afirma Zé Ricardo, diretor musical do Espaço Favela e do Palco Sunset.

      Nelson Sargento fala sobre a importância de levar a bandeira do samba ao evento.

      “Tenho o privilégio de dizer que conheci o mundo através da arte, dos quintais e terreiros Brasil afora aos palcos do Japão. Para mim, disseminar a mensagem e a cultura do samba que aprendi em Mangueira é uma missão de vida, que carrego com muito orgulho e disposição. Agora, aos 95 anos, tenho o prazer de plantar a semente do Samba no Rock in Rio, um dos maiores celeiros musicais do mundo. E, podem esperar, depois que nosso samba ecoar na Cidade do Rock, ele nunca mais sairá de lá”, afirma o bamba.

      Sobre a Roda de Samba Festa da Raça

      Formada em 2015, o grupo tem nove participantes que compõem e tocam juntos pelo Rio de Janeiro. Os músicos do projeto são de famosas rodas de samba carioca, como Cacique de Ramos, Alforria, Samba do Trabalhador, Renascença, Trapiche Gamboa e entre outros. A Festa da Raça é feita por Makley Matos do Morro do Jucuruquara (ES), Mingo Silva do Morro da Engenhoca (Niterói), Thiago Misamply do Morro do Escondidinho, Luciano Bom Cabelo do Morro do Andaraí, Pipa Vieira do Morro do Turano, Álvaro Santos da favela do Catiri, Alison Martins, Marcelinho Correia e João Martins.

      O nome do grupo marca o encontro desses instrumentistas que fazem samba inédito, autoral e das escolas que os formaram como músicos. Segundo eles, a felicidade está presente no trabalho, e o nome “Festa” descreve o sentimento de tocar para o público.

      Estudo da sinopse: Grande Rio 2020

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      Nome do enredo: Tata-Londirá – o canto do caboclo no quilombo de Caxias.
      Nomes dos carnavalescos: Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

      grio2020

      PERTENCIMENTO CAXIENSE: O CANTO DO CABOCLO NO QUILOMBO DE CAXIAS É O ANÚNCIO DO REENCONTRO DA GRANDE RIO COM A PRÓPRIA IDENTIDADE

      Para o carnaval 2020, a tricolor de Duque de Caxias olha para si mesma, a fim de entender o porquê de não ter botado ainda a mão na taça de campeã do Carnaval. Para tanto, evoca o canto de um dos seus filhos mais ilustres: Joãozinho da Gomeia – sim, aquele mesmo já
      citado no refrão do meio de 2008, cujo enredo era Duque de Caxias, o caminho do progresso, o retrato do Brasil. Agora, no entanto, o líder da falange caxiense será a alma de uma narrativa que tende a tocar em algumas feridas que custam a serem cicatrizadas no corpo do Brasil caboclo. Joãozinho da Gomeia, ora, era homossexual, negro, nordestino e candomblecista. Falar de João Alves de Torres Filhos, o Rei do Candomblé, é dizer, portanto, um basta à homofobia, ao racismo, à xenofobia e, sobretudo, à intolerância religiosa.

      Debruçado ao texto-mestre produzido por Gabriel Haddad, Leonardo Bora e Vinicius Natal,
      percebe-se que a vida de Tata Londirá, alcunha dada a ele pela tradição do Candomblé de
      Angola, será dividida nos seguintes momentos: evocação dos caboclos, principalmente o
      Pedra Preta, o qual se manifestava em João; a infância em Inhambupe, no interior da Bahia; a ida a Salvador, para ser iniciado pelo Pai Jubiabá; a “navegação” em direção ao Rio de Janeiro e, posteriormente, a fundação do terreiro da Nova Gomeia em Caxias; o João artista-influente, seja bailarino, seja artesão, seja folião; e, por fim, o Rei do Candomblé, a parte pelo todo caxiense, pedindo respeito aos cultos afro-ameríndio brasileiros.

      Incorporada, além de evocar o caboclo Pedra Preta de João, a Grande Rio clama, ainda, a
      outras divindades que ao lado do Rei do Candomblé estavam, como a Odé e a Oyá, orìşás do Candomblé de Ketu, do tronco yorubá; a Mutalambô e a Kaiango, minkisi – palavra de
      origem kimbundu que significa o plural de nkisi, divindade – do Candomblé de Angola, do
      tronco banto. Tanto os orìşás quanto os minkisi, por sinal, co-ocorrem no texto-mestre da
      Escola de Caxias; de modo, no entanto, há não haver uma análise distintiva e precisa para
      entender as idiossincrasias entre esses grupos étnico-culturais. A menção a Odé e a
      Mutalambô, a princípio, estão simultaneamente presentes no setor que retrata a chegada de João ao Rio de Janeiro e a fundação da Nova Gomeia em Caxias, após partir de Salvador por ser “perseguido pelas suas crenças” vem à mente, dessa forma, o ofá, arco e flecha do santo, para vencer os algozes que queriam o silenciar. A menção a Oyá e a Kaiango, por sua vez, estão presentes no setor em que a Escola reclama o respeito; vem à mente, dessa forma, o afefé, os ventos das santas, que varrem a intolerância e espalham a mensagem que ecoa do quilombo caxiense; “explodem num grito de pertencimento”. Não se pode esquecer, ainda, que as confluências entre orìşá, caboclo e nkisi existem no texto-mestre porque assim o era no axé da Gomeia. No barracão de João, tanto Angola quanto Ketu eram tocados indiferentemente, assim como o culto ao panteão-caboclo. A casa era, portanto, nagô-banto.

      A heterogeneidade de Gomeia, também, quando se joga luz sobre o texto-mestre da Grande Rio, está presente. O Rei do Candomblé não era só visto como subversivo e não merecedor do sacerdócio devido “às suas visões libertárias” enquanto culto, mas também por ser folião e artista. Essas faces que constituem Joãozinho desfilarão, sim, na Avenida. Ora, não há contradição nenhuma entre João babalorisá e João vedete do Teatro de Revista, desfilante do Império Serrano, em Heróis da Liberdade, de 1969, e da Imperatriz Leopoldinense, em Oropa, França e Bahia, de 1970, e bailarino afro do Municipal ao lado de Mercedes Baptista. É o mesmo João. É, ora, um João humano, de carne e osso, homem comum, que se respeitava e respeitava o seu papel social enquanto sacerdote, uma vez que pedia sempre licença aos seus santos para gozar da liberdade nas artes que tanto amava; respeitando o sistema de ewós, impedimentos, preceitos da religião. Muito mais, pedia respeito, sempre, a sua crença e a seu povo. João não tinha papas na língua. João alfinetava, sua voz era verbo, era canhão. João trazia em sua essência os fluxos de Kaiango; disruptivo. Cada um, portanto, na visão de Tata Londirá podia ser o que quiser, não havia dubiedade nisso, contanto que se respeitasse os preceitos religiosos.

      Do texto-mestre, vale observar, ainda, as frequentes referências a sambas da Grande Rio, na tentativa de resgatar a identidade caxiense; momento de rememoração. Essa noção de resgate aparece com a citação direta de versos do samba de Águas claras para um Rei Negro, de 1992. Em seguida, há uma paráfrase, logo no início do primeiro período do setor que descreve a infância de Joãozinho da Gomeia, do samba No mundo da Lua, de 1993. Há, ainda, uma referência implícita, no setor em que se discute João das Torres Filho enquanto persona influente; ora, ao ter amizade com Assis Chateaubriand, o Chatô. Isso faz, de certa forma, reverberar o enredo caxiense de 1998, Ei! Ei! Ei! Chatô é nosso rei!; outra majestade da Tricolor de Caxias. Há, por último, uma citação direta ao samba de Os santos que a África não viu, de 1994, rememorando o último enredo sobre negritude da Grande Rio. A metalinguagem, nesse sentido, é necessária, uma vez que falar de Joãozinho da Gomeia é falar de si própria, fazendo reverberar por meios das suas memórias a história do povo caxiense.

      Quando, enfim, a Grande Rio despontar na Avenida, a Passarela se tingirá de verde, vermelho e branco, as cores da Escola e, coincidentemente, dos caboclos. Se João é rei, cada caxiense realeza o é. Durante o desfile, tantos corpos e vozes serão um só para contar a história do Rei do Candomblé, que ressignificou seu corpo, ora homem comum, ora sacerdote, ora vedete. A Grande Rio vai incorporar! A Grande Rio vai resistir! A Grande Rio vai vencer demanda! A Grande Rio, ora, vai se encontrar consigo mesma e, quem sabe, alcançar aquilo que tanto deseja nos seus mais de trinta anos: o campeonato. Solta o grito da garganta, Grande Rio!

      Autor: Mateus Almeida do Pranto – [email protected]
      Letras-Literaturas (Licenciatura)/UFRJ
      Coordenador de Projetos Acadêmicos/OBCAR/UFRJ
      Instagram: observatoriodecarnaval_ufrj
      Leitor orientador: Rennan Carmo – [email protected]
      História da Arte – Escola de Belas Artes/UFRJ

      Papo De Redação #09: Especial União da Ilha

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      Mister Final’, Tinga cita dedicação ao trabalho para justificar sucesso em disputas de samba

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      convida170819 101Campeão, duas vezes pela Vila Isabel e uma pela Tijuca no Grupo Especial do Rio, Tinga pode se considerado um vencedor também nas finais de samba. O intérprete já colocou sua voz a serviço de muitas parcerias que tiveram suas obras entoadas em carnavais de diversas escolas na Sapucaí. Humilde, Tinga atrela esse perfil campeão à dedicação ao trabalho que desenvolve em todas as suas atividades e também admite um pouco de sorte.

      “Acho bom. É porque a gente se preocupa sempre em fazer um trabalho legal, a gente se entrega no trabalho, se entrega naquilo que a gente está fazendo. Não é só o dinheiro, é o amor que a gente tem pelo samba. E, é, também, trabalhar com os melhores compositores e ter também um pouquinho de sorte. Aquele negócio de estar sempre no lugar certo, na hora certa”.

      Sem opinar sobre o modelo de disputa de samba escolhido pela Vila Isabel para 2020, a escola chegou até mesmo a pensar em encomendar a obra, Tinga afirma que não existe receita para fazer um grande samba e acredita que os concursos de samba são importantes para dar opções de qualidade para a escolha.

      “Não existe modelo do samba. O samba tem que ser bem interpretado, tem que ser funcional para a escola evoluir. Acho que o samba tem que funcionar para a Comunidade, para a escola fazer um grande desfile. A encomendação eu não sou muito a favor não. Porque se o compositor não acertar no samba, é o samba que vai ser na Avenida. A disputa de samba faz com que apareçam outros sambas. Até, muitas vezes, daquele compositor que a gente não tá nem esperando e ele consegue fazer um samba que surpreende”.

      Com grande carinho da comunidade e apontado como um cantor que tem por característica “motivar” os componentes, Tinga fala da responsabilidade que tem como intérprete ao interferir diretamente no desempenho da escola dentro da nota de harmonia.

      “Acho importante isso (interação com os componentes). Muitas vezes a nossa nota é dada em harmonia. E às vezes não fica bem clara para as pessoas. Às vezes parece que a gente não tem quesito, mas se acontece um erro nosso, a gente é descontado e vem justificado na harmonia”.

      A Vila Isabel vai apresentar o samba escolhido pela escola para o carnaval 2020 em uma grande festa que inicialmente está marcada para o dia 28 de Setembro na quadra da agremiação no bairro de Noel.

      União Da Ilha 2020 – Samba Da Parceria De Tuninho Z10

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      Compositores: Tuninho Z10, Aldir Senna, Wilson Mineiro, David Rei Da Cesta, Alfredo Junior, João Paulo, Frank.

      Intérpretes: Ito Melodia, Wantuir De Oliveira, Arthur Franco

      SOU A PORTA VOZ DE TODA MASSA
      RETRATO A ALMA PURA DESSA GENTE
      PERDIDA NESSA GRANDE ENCRUZILHADA
      VAGANDO NA RUA, BUSCANDO SAÍDA
      ENTRE BECOS E VIELAS
      VIVE COM DIGNIDADE O DIA-A-DIA DA FAVELA
      ME DIZ SENHOR, O QUE VIRÁ?
      O QUÊ SERÁ DO AMANHA?
      A DESIGUALDADE FAZ PESAR A CRUZ
      ME ASSOLAM O PRECONCEITO E A DISCRIMINAÇÃO
      A GANÂNCIA É CHIBATA, O PODER QUE DESACATA
      PELA VIL CORRUPÇÃO

      POVO FESTEIRO… TRABALHADOR
      NÃO FOGE DA LUTA É SONHADOR
      LEVANTA A CABEÇA… DÁ VOLTA POR CIMA
      SACODE A POEIRA, NÃO DESAMINA

      A MINORIA QUE NÃO SABE O QUE É SOFRER
      DESPREZA A CIDADANIA
      É SOFRER RENEGA O TALENTO, DIZIMA A ESPERANÇA
      SÃO JORGE ME GUIA, NA FÉ DOS MEUS SONHOS
      MEU DEUS! TU ÉS A LUZ, A NOSSA DIRETRIZ
      QUE SEUS REBENTOS TENHAM ONDE MORAR
      EU SO QUERO E SER FELIZ…
      MUITO FELIZ O SAMBA É ACALANTO PRO MEU CORAÇÃO
      EU HEI DE VER O SOL BRILHAR
      TRAZENDO PAZ E UNIÃO

      TENHO ORGULHO DESSE MEU LUGAR
      DO CHÃO QUE BROTA ALEGRIA
      AMOR DE VERDADE
      SOU COMUNIDADE GUERREIRA DA MINHA ILHA

      União Da Ilha 2020 – Samba Da Parceria De Nino Smith

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      Compositores: Nino Smith,kadinho da Ilha, Bruno Revelação,Alexandre Reis,Giovane Mello, Tuninho, Celinho de Minas e Jandira da Conceição (in memorian)

      Intérpretes: Nino Smith, kadinho da Ilha, Bruno Revelação, Giovane Mello e Alexandre Reis

      MINHA ILHA TEM DENDÊ… TEM DENDÊ
      SARAVÁ OGUM ME GUIA… O!
      SALVE A FÉ, É MADRUGADA
      SORTE LANÇANDA NA ENCRUZA DA FOLIA

      TODO SAMBA TEM UMA MISSÃO
      CADA VERSO TRAZ ENSINAMENTO
      SE A QUEDA MOSTRA A LIÇÃO
      VOU CANTAR A REDENÇÃO
      NO RAIAR DE UM NOVO TEMPO
      EIS A RECEITA PRA CURAR TODO LAMENTO
      BOTA O SORRISO E UMA PITADA DE AMOR
      UMA PORÇÃO DA ESPERANÇA DO TRABALHADOR

      DEIXA APURAR A MAGIA
      SERVE NOSSA POESIA
      MATA ESSA FOME DE ALEGRIA

      (E CLAMA)
      DOUTOR… AH SEU DOUTOR
      OLHAI PROS BECOS E VIELAS
      MARÉS, RIBEIRAS E FAVELAS
      PRAS MARIAS E JOSÉS

      SENHOR, OH MEU SENHOR
      NOS LIVRAI DA VIOLÊNCIA
      DESPERTAI A CONSCIÊNCIA
      SALVE TODOS QUE PUDER

      O AMANHÃ HÁ DE BRILHAR
      É HOJE O DIA DE TRANSFORMAR
      DEPENDE DE NÓS… DA NOSSA VOZ
      A NOSSA UNIÃO VENCER OS NÓS
      DIGNIDADE É DIREITO NÃO É UM FAVOR
      MINHA MORADA É O MORRO
      EXIJO RESPEITO, DEVIDO VALOR
      FICO NOS BRAÇOS DO POVO
      MAIS PERTO DO CRIADOR