Penúltima agremiação a gravar a faixa do CD, o Águia de Ouro trouxe o característico hino para o alusivo e um ritmo de bateria seguro, buscando a valorização do samba-enredo. Mestre Juca da Batucada da Pompeia, em entrevista ao CARNAVALESCO, elogiou estrutura para as gravações e revelou que característica da bateria não está na complexidade das bossas.
“É uma estrutura maravilhosa, a rapaziada da técnica também, um pessoal capacitado. A cada ano o CD do Carnaval está ficando melhor, todas as baterias colocando a sua cara. Acho que esse ano vai ser o melhor, e a cada ano vai melhorar. A gente gravou no 146 BPM (batidas por minuto) e as nossas bossas sempre são feitas na melodia do samba. Elas são simples, com chamada de repinique, retorno de primeira e segunda. A gente não faz bossa com retorno em contratempo porque achamos que é correr um risco desnecessário”.
O samba do Águia foi cantando com muita força pelo coral, justificando os bons resultados em harmonia. A dupla de intérpretes, Douglinhas e Tinga, estive presente e desempenhou o papel sem atrasos. Douglinhas, que também ajudou na animação do coral, também elogiou a estrutura das gravações.
“A gente sempre vem com uma expectativa muito boa pra fazer a gravação. Eu fiquei muito satisfeito com a estrutura que a Liga proporcionou pro carnaval de São Paulo, cada ano que passa a gente nota que está ficando cada vez melhor. A gente fica muito feliz porque viemos lá de trás, de mil novecentos e pouco (risos), e fazer parte desse momento é uma alegria imensa. A gente cantou o samba em Dó sustenido e andamento de 146”.
Os Gaviões da Fiel gravaram a faixa da escola no CD oficial do Carnaval 2020 com empolgação e valorização do canto do coral. Os componentes trouxeram balões em preto e branco nas mãos, contribuindo visualmente durante as coreografias.
A bateria Ritimão trouxe um ritmo característico da escola, valorizando o samba e desenhos dentro da melodia. A batucada não gravou com os xequeres, mas a faixa conta com o som do timbal. Ao CARNAVALESCO, mestre Ciro Gomes contou sobre impressão e afirmou que trecho do refrão será bem valorizado.
“A impressão foi a melhor possível. A gente esperava realmente isso, valorizamos a melodia do samba é o ponto alto samba que é o ‘Canta Gaviões’. Podem esperar que esse trecho vai dar o que falar no carnaval. A gente gravou no andamento 142 BPM (batidas por minuto), fizemos uma introdução, bossa do refrão do meio e o apagão no final. Coisa simples, um arroz com feijão bom ensaiado, e achamos o resultado bem bacana”.
O cantor Ernesto Teixeira adotou uma postura segura e orientou o coral durante a gravação, junto aos diretores da escola. O intérprete revelou que tom do samba foi diminuído em comparação ao da eliminatória.
“Mais um grande trabalho da organização da Liga e a Gaviões da Fiel veio aqui fazer o seu papel, mostrando um pouquinho daquilo que a gente vai apresentar pro carnaval de 2020. O samba é muito bom, o astral também acima de tudo. 50 anos é pra brigar pelo título. O andamento foi 142, alusivo 94, o tom do samba foi Fa sustenido. O concorrente era Sol, mas era a Grazzi que cantava, uma voz feminina. A gente trouxe mais pra baixo mas com o mesmo brilho”.
A Beija-Flor define nesta quinta o hino oficial para o Carnaval 2020, quando a escola apresenta o enredo ‘Se essa rua fosse minha’, dos carnavalescos Alexandre Louzada e Cid Carvalho. A reportagem do CARNAVALESCO conversou com os grandes artistas da grande final, os compositores, sobre a expectativa pela memorável noite na quadra da azul e branca nilopolitana.
Júnior Trindade, um assíduo frequentador de finais na escola, elenca para o site os pontos de destaque do samba 05 e tece elogios ao enredo que a escola preparou para o desfile do ano que vem.
“Nosso samba tem nome e sobrenome. Beija Flor de Nilópolis. Buscamos os sambas da escola como referência e fizemos uma obra com o DNA nilopolitano. É impossível ouvir nosso samba e não dizer, ‘isso é Beija-Flor’. Essa obra nos toca em vários trechos: ‘Lá vou eu nessa roda gigante, nilopolitano eterno aprendiz…’, é uma referência às voltas da vida, aos caminhos que nos levam a aprender sempre e tirar das cicatrizes, força pra novos objetivos. ‘Não esqueço meu passado nem por onde eu andei’, como esquecer o passado? As glórias? As lágrimas? É uma conexão com as lembranças. ‘Ogunhê, meu protetor na avenida até o fim, no asfalto pra vencer, Maior é o Beija Flor…’, maior é e sempre será o Beija Flor. O enredo que fala de caminhos. Nele é possível fazer uma viagem pelas ruas e veredas, aos caminhos feitos pela humanidade e os caminhos dos corações, em especial os nilopolitanos. Sem dúvida a magia vai se revelar e mais uma estrela vamos alcançar”.
Júlio Assis, um dos poetas do time do samba 01, esmiúça a parte predileta da composição de sua parceria e declara o seu amor pela escola através do samba que fizeram para essa disputa.
“Compomos a poesia de um nilopolitano que vive, sonha e tem fé na vida que leva, passa pelos caminhos físicos e espirituais sem temer nada e ninguém, mas sempre respeitando a todos e no fim de tudo, tem orgulho de levar o beija-flor no peito. A nossa escola precisa de um samba aguerrido como o da nossa parceria. Entendemos que teremos o resultado tão esperado, com a nossa obra. ‘Me vejo em teu caminho, nessa imensidão azul do teu amor. E às vezes perdido, eu me encontro em suas asas Beija-Flor.’ Gostamos muito desse trecho, pois ele representa exatamente o tamanho do amor que nossa escola tem com cada componente da nossa comunidade e como esse amor é recíproco. Muitas vezes, mesmo com muitos problemas particulares, encontramos lá, em nossos ensaios, um acolhimento sem igual por parte da Beija-Flor. É sempre incrível estar lá. É um enredo belíssimo. Bem simples no título, mas muito complexo no seu desenvolvimento. É a especialidade da nossa escola, desenvolvimento de enredos complexos. Nesse em especial achamos que o diferencial será a forma de abordagem de todos os caminhos percorridos na vida. Esses caminhos, não são somente ruas e avenidas. A Beija-Flor vai surpreender, com toda certeza, ao abordar todos os caminhos q a vida nos leva”, esclarece.
Jorge Velloso, presidente da ala de compositores da Beija-Flor, encara mais uma decisão. Unido à parceria bicampeã pela escola, conta os pontos positivos de seu samba e do enredo da Beija-Flor.
“É um samba completo com uma letra de fácil entendimento sobre o enredo, com uma melodia para cima, que vai nos ajudar muito principalmente por sermos a última escola a desfilar fechando o carnaval. Gosto do trecho ‘Quem Chega De Rumos A Fora, Se Achega À Gente Sambista, Aflora Um Festival De Prata Em Plena Pista’, esse trecho remete à Marquês De Sapucaí. Por aqui a cada ano quando chega o carnaval, chegam milhares de turistas, amantes da festa, componentes, espectadores pra ver, ouvir a Deusa da Passarela e se juntar a nós em um grande festival de prata em plena pista. Gosto muito desse trecho embora tenha outros que muito me emocionem. Nosso enredo é inédito, vai falar sobre as ruas mundo à fora. Acredito na proposta e no desenvolvimento do enredo pela escola. Estou muito confiante e feliz”, destacou.
Estácio de Sá – Existência e temporalidade na experiência do ser Pedra
Nome do enredo: Pedra
Nome da carnavalesca: Rosa Magalhães
Para o carnaval de 2020, a pedra deixa sua posição de objeto e passa a ser a
protagonista da narrativa carnavalesca da comunidade do morro de São Carlos. O G.R.E.S.
Estácio de Sá apresenta o enredo “Pedra”, construído pela carnavalesca Rosa Magalhães, a
fim de discutir questões como a existência no tempo e como a vida – seja a da pedra, seja a humana – é constituída por embates e conflitos. Em sua sinopse, a carnavalesca nos apresenta alguns recortes da história do Brasil ligados à exploração de pedras, principalmente em serras; ao entendimento místico das pedras por nossos antepassados; e dados mais poéticos e subjetivos sobre as rochas, que atravessam os citados anteriormente.
A maior tensão observada nas pedras que o enredo da Estácio coloca em nosso
caminho é entre o existir e o desaparecer. Tensão essa que também pode ser percebida no
universo das escolas de samba e, sistematicamente, em nossos universos íntimos. Existir no Grupo Especial e não desaparecer do imaginário do sambista é um dos maiores objetivos de toda agremiação. Para isso, dão enfoque ao pertencimento às suas comunidades e edificam o afeto de seus componentes por meio de sambas que evocam essa relação, como por exemplo o próprio samba exaltação da escola do São Carlos: “O meu coração se abriu em flor / Tu és o pavilhão do amor!”. A Estácio, em seu retorno ao grupo especial, e no profundo desejo de permanecer, busca inspiração no que é ser pedra – existir em sua grandiosa experiência histórica e resistir nos embates contemporâneos. A perseverança diária pela continuidade do ser e do habitar norteia uma sinopse que, ao final, questiona a permanência do estado da nossa morada, a pedra que nos abriga – o planeta Terra.
O texto de Magalhães é um cristal que encontramos em nosso caminho e que precisa
ser tocado, percebido e mesmo quebrado, para revelar os mistérios que guarda em seu
interior. A narrativa é desenvolvida por recortes de lugares e de situações, é caracterizada por suas rupturas que não almejam um discurso linear ou canônico. A autora fragmenta a história oficial e escolhe aqueles cascalhos que melhor se encaixam em sua ficção para, enfim, criar um mostruário de pedras – poéticas e históricas. A sinopse, neste caso, cumpre sua função de apresentar o enredo que será desenvolvido na avenida e ao invés de deixar as respostas evidentes no texto, deixa apenas perguntas e incertezas. Magalhães nos mostra o caminho, nos mostra as pedras, mas deixa para nós a tarefa de sentar frente a frente com a pedra e conversar com ela, descobrir sua história, seus segredos e seus ensinamentos.
Penso que a frase da sinopse “A beleza sólida desse material é a essência de nosso
planeta” é uma ferramenta primordial no trabalho de entender a construção de Rosa Magalhães. Independente se preciosas ou não, as pedras guardam em si a história do lugar em que habitamos. Estar diante de uma pedra é testemunhar uma presença secular, um ser que existe em sua constante metamorfose há milhares de anos. É um gesto de muita prepotência do ser humano estar com uma pedra e não reconhecer nela a essência do habitar a Terra. É possível dizer que o desfile da Estácio de Sá apresentará a todo momento o diálogo entre a sensibilidade da pedra e o seu uso comercial, esgarçado pela exploração humana. A maneira como nos relacionamos com as pedras foi modificada devido às diferentes percepções que os indivíduos tiveram ao longo do tempo. Quando Magalhães fala sobre a Serra dos Carajás, essa alteração fica bem evidente. A princípio, o solo pedregoso era a fonte da vida humana, o lugar de onde vínhamos. Com a chegada da visão colonizadora, o solo passa a ser uma rica fonte de produtos a serem explorados no mercado financeiro. A pedra foi desencantada pela ganância.
Por outro lado, um dos grandes feitos do enredo de Magalhães é colocar a pedra como
sinônimo de permanência do tempo. Ela inicia a sinopse com essa proposta de representação e ao longo do texto podemos capturar esse conceito nos fatos narrados. As pedras são portadoras de memórias e têm muito a nos dizer. Assim como as que foram extraídas em Minas Gerais no século XVIII são a materialidade da devastação do nosso território, as pedras portuguesas que pisamos pelo Rio de Janeiro presenciam décadas de injustiças sociais. Além disso, é interessante pensar o enredo da Estácio de Sá como um disparador para reflexões sobre os pequenos detalhes da vida, para observar as marcas das miudezas e ouvir o que a mística da natureza tem para nos dizer. Os elementos são ressignificados de acordo com a perspectiva adotada para os observá-los. Rosa Magalhães nos apresenta, no mínimo, duas maneiras de se relacionar com as pedras e nos deixa a possibilidade de escolher como iremos nos comportar diante de uma, da próxima vez que tivermos a oportunidade. A carnavalesca não oferece resposta. Ela provoca, atiça e se retira. Deixa o leitor-sambista com suas próprias conclusões. Todo caminho é habitado por pedras e cada indivíduo escolhe se conectar ou não a elas.
O texto de Rosa Magalhães nos dá poucas certezas sobre elementos visuais (fantasias
e alegorias) que poderão ser vistos na avenida. Não dá para afirmar uma setorização, mas é possível esperar um setor que fale sobre a exploração mineral em Minas Gerais e outro que aborde o assunto na região da Serra dos Carajás. Também é possível arriscar que o desfile trará um setor que fale apenas sobre a atividade mineradora em Parauapebas e sobre como ela fomentou uma amálgama de pessoas vindas de todas as regiões do país. O setor de encerramento do desfile é uma incógnita que será respondida apenas no domingo de carnaval. Penso que Rosa traduzirá o recado das pedras em um final potente e incisivo.
O enredo apresentado por Rosa Magalhães é importante não só para o carnaval, mas
também para outros âmbitos de nossa sociedade. Quem dera se a percepção e o gesto afetivo de Rosa alcançasse ao menos boa parte da população brasileira e a fizesse refletir sobre a maneira como temos tratado as pedras. Mas, infelizmente, se não se tem dado atenção nem mesmo às pedras, quem dirá à poesia, à arte e ao outro que sofre ao nosso lado carente de um olhar atento e generoso. Vivemos em uma temporalidade integrada que não é percebida. Mas as pedras sentem. As pedras já presenciaram tanta coisa nesse pequeno fragmento do universo e continuarão aqui quando tudo – talvez – voltar ao que era antes. Nosso planeta é pedra – ele sente, registra e retribui.
À Estácio de Sá e à Rosa Magalhães fica o desejo de um ótimo carnaval permeado
pela sabedoria ancestral das pedras que constituem o caminho da folia. Espero que a
comunidade da agremiação possa existir em seu canto mais alto até quando somente as
pedras puderem ouvir.
Autor: Cleiton França de Almeida – [email protected]
Graduando em Artes Visuais – Escultura (EBA/UFRJ)
Coordenador Geral/OBCAR/UFRJ
Leitor orientador: Tiago Freitas
Doutorando em Linguística/UFRJ e
Doutorando em História da Arte/UERJ
Instagram: observatoriodecarnaval_ufrj
A Portela definiu os três sambas que estão classificados para a final para o Carnaval 2020. A decisão acontece na sexta-feira, dia 11 de outubro. Abaixo, você pode ouvir as três parcerias finalistas.
A União da Ilha definiu os quatro sambas que estão classificados para a final para o Carnaval 2020. A decisão acontece no sábado, dia 12 de outubro. Abaixo, você pode ouvir as quatro parcerias finalistas.
Primeira escola a gravar no último sábado (6), a Pérola Negra foi a que mais sofreu com o sol e o calor na tenda. Mesmo com a adversidade, a escola desempenhou um ótimo papel e contagiou o clima da gravação.
A Bateria Swing da Mada ousou nas bossas durante o samba e alusivo. A batucada optou por paradinhas entre naipes e variação de arranjos de caixa na virada pra segunda estrofe. Em conversa ao CARNAVALESCO, o Mestre Fernando Neninho comentou sobre sensação ao gravar e revelou pressão dentro de casa com ausência de bossas. * VEJA AQUI AS FOTOS DA GRAVAÇÃO
“Terceiro ano consecutivo a bateria do Pérola gravando ao vivo. Nos primeiros anos tive que trazer o resultado pra escola, e conseguimos graças a Deus, até então que subimos. Agora o trabalho está ficando da forma que a gente sempre imaginou, num ambiente que a gente já estava acostumando. Gravamos da maneira que imaginamos e foi bem bacana. O andamento nosso é 144, e a nossa característica é paradinha e bossa. Se não fazer, eu tenho uma pressão dentro de casa, meu pai me cobra. Fizemos uma bossa em homenagem a povo cigano também e uma paradinha no final só pra gente mostrar nossa característica, trabalhada no contratempo, os naipes conversando”.
O intérprete Daniel Collete esteve presente nas orientações ao coral, contribuindo para a animação dos componentes. O cantor contou como foi a impressão após o processo de gravação.
“Foi sensacional. A comunidade daquele jeito, a diretoria vem resgatando a comunidade do Pérola Negra. O pessoal se entregou muito, são 11 horas da manhã num sol pra cada um, mas todos cantaram com alegria, foi show de bola. O tom foi cantando em Sol menor”.
A Unidos de Vila Isabel apresentou neste sábado os protótipos das fantasias para o carnaval de 2020. O evento, fechado para comunidade, convidados, e segmentos serviu também ainda de apresentação oficial para o samba-enredo do próximo carnaval. Em novo modelo de disputa, a obra assinada pelos compositores Cláudio Russo, Chico Alves e Júlio Alves irá contar o enredo “Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil”, de autoria do carnavalesco Edson Pereira.
No que depender do conjunto de fantasias, a Vila Isabel tem tudo para repetir o impacto causado em 2019. Produzidas pelo carnavalesco Edson Pereira, as roupas voltam a esbanjar opulência, requinte, grandiosidade e dessa vez ganhando também um ar um pouco mais simples em algumas alas. Não faltará no carnaval da Unidos de Vila Isabel: plumas, penas de pavão e também muita criatividade.
As fantasias passearam por todas as regiões do Brasil. No primeiro setor predominou a temática indígena. Fantasiadas originalmente de bananas, as baianas da Unidos da Vila Isabel estarão logo no início do desfile. A pintura corporal também completará os figurinos desse setor.
Já no terceiro setor aparecem as cores da escola. A ala 9 “Gente Irmã Suada do Litoral” difere de estética apresentada e apresenta um figurino mais descontraído. Banhistas com isopor, boia, protetor solar e boia representam os cariocas.
Não faltará leitura nas fantasias criadas pelo carnavalesco. Muito colorido. Em outra ala até uma bacia plástica virou composição do figurino, mostrando que nem só de luxo, porém sempre com muito bom gosto.
“A intenção era criar fantasias com o mesmo volume do ano passado, mas com custo menor. A gente sabe que estamos vivendo um momento muito difícil de crise não só no carnaval, mas no país inteiro, então acho importante ter essa consciência”, disse Edson Pereira, que também falou sobre a escolha do samba de 2020.
“A Vila vinha sofrendo alguns anos com sambas que não eram o que o povo esperava. Esse ano nós abrimos uma disputa diferente e o motivo foi somente porque o tempo não favorecia a uma disputa tradicional e mais longa. De 19 sambas vimos que 13 eram maravilhosos, mas esse apaixonou toda a diretoria”.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, Wilsinho Alves, diretor de carnaval, revelou novidades da escola visando o desfile de 2020.
“Os ensaios de quadra já iniciam no dia 17 de outubro e na última semana de novembro vamos pra rua. A Vila vai desfilar com cinco alegorias e o abre-alas terá três acoplamentos, gigantesco assim como no ano passado. Teremos um ou dois tripés”, disse Wilsinho, que também comentou sobre a obra escolhida.
“Foi uma unanimidade entre a diretoria e estou muito feliz. É um samba que tem tudo pra ser antológico e é um samba que com certeza vai funcionar na nossa comunidade”.
Um dos autores do samba da Vila Isabel para o Carnaval 2020, o compositor Cláudio Russo falou sobre a conquista e o modelo adotado pela escola.
“Achei o modelo muito legal até porque nós não tivemos gastos excessivos. Trouxemos o Chico Alves que tem um nome no samba de raiz e tinha vontade de vir pro lado do samba-enredo e deu muito certo. Eu sou muito letrista, ele também é. Casamos muito bem com a ajuda do Júlio Alves. Ficou uma construção bem feita, sem lugar comum, sem clichê e uma melodia mais tradicional, respeitando as características da Vila”, explicou Russo.
Estreante em disputa de samba, o compositor Chico Alves vibrou com a vitória na Vila Isabel. “Não sou compositor de samba-enredo. Sou um compositor. A gente só acerta a forma de fazer. Minha estreia foi com o pé direito à convite e sedução do Cláudio Russo. Eu não sou desse universo do carnaval. Ver essa turma cantando inflamada a sua música é algo novo e bom demais”.
Fernando Fernandes, presidente da Vila Isabel, é um dos dirigentes mais conscientes na organização de um desfile. Ao CARNAVALESCO, ele falou do trabalho para o Carnaval 2020.
“A Vila Isabel é uma escola organizada. A escola se preparou para essa crise, que era uma tragédia anunciada. O carnaval de 2020 será superior ao desse ano. Estamos bem estruturados e com um equipe bem forte, para desenvolver um grande trabalho. A Vila Isabel inovou e fez uma disputa com o menor custo para o compositor. Foi um atrativo para trazer mais compositores e, consequentemente, termos um grande samba”, comentou o presidente, que disse ser “conversa” a informação que a Vila Isabel receberia um apoio de R$ 5 milhões para falar de Brasília.
Revelação e sucesso comprovado em 2019, mestre Macaco Branco segue no comando da bateria da Vila. Ao CARNAVALESCO, ele analisou o desfile passado e revelou o que pode vir no futuro.
“Foi um desfile fantástico e eu pude contribuir para a escola fazer um grande desfile. Foi um trabalho que a gente vinha fazendo a bastante tempo com a bateria: um trabalho de resgate, que, graças a Deus, a gente está conseguindo chegar próximo àquele ritmo de Vila Isabel. Eu sou muito feliz por ter essa bateria e ter uma média de 200 ritmistas por ensaio. Isso é sinal de que o nosso trabalho vem dando certo. Agora, é só a gente aprimorar e vamos para Avenida com 275 ritmistas”.
Em mais um ano juntos, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael e Denadir, é garantia de nota 40 para Vila Isabel. Ao CARNAVALESCO, a dupla analisou o desfile de 2019 e contou novidades de 2020.
“Foi um desfile maravilhoso, mas a gente sempre quer mais. Também queremos fazer um bom espetáculo para os jurados e para o público. Nós fizemos uma brincadeira com os guardiões. A nossa coreógrafa deu a ideia de brincar com a participação deles. E acabou sendo uma sacada muito legal e que deu certo. Já estamos trabalhando desde junho para que o desfile seja mais bonito que o desse ano”, citou a porta-bandeira.
“É aquela história: tirar 40 é difícil, só que mais difícil ainda é manter. Resolvemos triplicar o nosso trabalho para tentarmos manter a nota. A gente já tem algumas coisas em mente para 2020, que agora, é só colocar dentro de samba e ver o que dá certo. Lemos a sinopse, começamos a estudar o enredo e agora, com o samba, a gente vai trabalhar para tudo dar certo”, completou o mestre-sala.
O Salgueiro definiu os três sambas que estão classificados para a final para o Carnaval 2020. A decisão acontece na próxima sexta-feira, dia 11 de outubro. Abaixo, você pode ouvir as três parcerias finalistas.