O site CARNAVALESCO ouviu todas parcerias finalistas. Abaixo, você confere a entrevista com a parceria de Porkinho, Felipe Filósofo, Kiko Ribeiro, Daniel Pereira, Willian Maricá, Dr. Jairo, Wilson Bizzar, Devid Gonçalves, Heber Matias Neto, Bertolo.
Marcelo Bertollo: “É perceptível que, entre os finalistas, se trata do samba mais inovador em todos os aspectos. É diferenciado tanto em estrutura da letra, construção de rimas e narrativa, leitura do enredo, quanto em melodia e harmonia. Fizemos um samba fora da métrica tradicional, sem excesso de informações e que bebe na fonte da musicalidade baiana. A melodia é imprevisível. Para se ter uma ideia, o nosso samba não tem a costumeira virada da bateria para entrar na segunda parte do samba. A bateria acaba tendo que tocar fora do padrão porque o samba é fora do padrão. Nos últimos anos o samba tem voltado a ser o protagonista, conduzindo agremiações a títulos e colocações relevantes, pois têm surgido grandes sambas fora da caixa, que fogem da estética convencional. Buscamos trazer essa tendência para a Porto da Pedra também, visando romper com o modelo de samba ‘closed caption’ e jingle de sinopse”.
Qual o diferencial do enredo da Porto da Pedra para o Carnaval 2020?
Marcelo Bertollo: “É um enredo de grande abrangência, que permite ao compositor inserir outros aspectos e temas pertinentes ao nosso cotidiano sem ferir a sinopse. Nós trouxemos junto ao enredo a pauta do empoderamento da mulher, a crítica à cultura do ódio e da violência e um banho de axé da religiosidade de matriz africana. Tudo isso em sintonia absoluta com a proposta original do enredo”.
O que a parceria está preparando para a grande final?
Marcelo Bertollo: “Nosso orçamento está extremamente limitado. Fomos para a final com uma torcida organizada menor que a de outras parcerias. Sabemos que a festa em si faz parte do jogo. Gostaríamos de ter condições materiais para levar uma torcida maior, fazer churrasco e cerveja fartos para ensaiar a torcida, colocar chuva de prata e ornamentações que dessem mais peso à nossa apresentação. Dificilmente vamos conseguir igualar a festa de outras parcerias mais estruturadas, ainda que estejamos correndo atrás para reduzir a diferença nesse aspecto. Então nosso maior trunfo tem sido e seguirá sendo o samba. Vamos tentar vencer pela qualidade da obra”.
O site CARNAVALESCO ouviu todas parcerias finalistas. Abaixo, você confere a entrevista com a parceria de Fernando Macaco, Jarrão, Pablo Russo, Carlinhos Viradouro, Ricardo Neves, Raphael Richaid, Bebeto Maneiro, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Ludson Areia e Carlos Soares
Fernando Macaco: “Todos nós que estamos na final nos consideramos merecedores da vitória. O samba da nossa parceria, se for do entendimento da direção da escola escolher, acredito piamente que a Porto da Pedra estará bem servida de samba na avenida no ano que vem”.
Qual o diferencial do enredo da Porto da Pedra para o Carnaval 2020?
Fernando Macaco: “Acredito que por falar da Bahia, que já deu enredos muito ricos. Por isso tivemos sambas muito bem elaborados. Ainda mais falando de baianas, as grandes mães do samba. Acredito que foi um grande acerto da nossa agremiação apostar nesse tema”.
O que a parceria está preparando para a grande final?
Fernando Macaco: “Todas as finais de nossa parceria fazemos uma festa à parte, as parcerias são livres para promover o espetáculo que desejam. Acredito que todas farão uma apresentação muito bonita, com surpresas, mas aí não posso contar senão deixa de ser surpresa”.
O site CARNAVALESCO ouviu todas parcerias finalistas. Abaixo, você confere a entrevista com a parceria de Bira, Claudinho Guimarães, Márcio Rangel, Alexandre Villela, Adelyr, Bruno Soares, Rafael Raçudo, Eric Costa, Cláudio Mattos, Gustavo Soares, Marco Moreno e Oscar Bessa.
Bira: “A nossa parceria tem uma história de amor com a Porto da Pedra. Sempre entramos na disputa com o objetivo claro de fazer o melhor samba para nossa escola, pois sabemos que esse quesito influencia diretamente vários outros quesitos, tais como bateria, evolução e harmonia, por exemplo. Assim, durante a construção de nossa obra, além de pesquisar detalhadamente o enredo e buscar encontrar soluções poéticas e melódicas para retratar a história a ser contada na avenida, já pensamos também, por exemplo, nas possibilidades de bossas e paradinhas que o Mestre Pablo gosta, em como nossa comunidade se sente mais confortável para cantar, etc. Nossa história com a escola nos permite ter essa sensibilidade ao criar letra e melodia. Nosso samba traz o resgate histórico da importância das mães baianas, que colocaram nas ruas a resistência dos terreiros, ofertando, em seus tabuleiros, os sagrados sabores das comidas de seus orixás. Temos um refrão do meio que retrata de maneira muito bonita esse encontro maravilhoso entre o povo baiano e o povo do Rio de Janeiro, encontro esse que se deu nos quintais onde o samba nasceu, como na casa da Tia Ciata. Nossa obra retrata, ainda, a importância dessas maravilhosas mulheres na construção de uma afetividade que uniu religiões de matrizes diferentes, mas que conseguiram entender a beleza que existe na diferença. As taieiras eram mulheres de destaque nas procissões católicas e mostravam, ao cantar e encantar, que as festas sempre ficam mais ricas e belas quando a união e o respeito às diferenças estão presentes. E nosso samba faz esse pedido: que as mães baianas continuem derramando abô por essa terra, limpando e livrando de todo mal nossas vidas e conduzindo a Porto da Pedra”
Qual o diferencial do enredo da Porto da Pedra para o Carnaval 2020?
“A direção da Porto da Pedra, mais uma vez, acertou em cheio na escolha do enredo. Já fizemos um grande Carnaval em 2019 ao homenagear essa figura maravilhosa que é Antônio Pitanga, uma referência para todo artista negro brasileiro, por sua força, resistência e representatividade. Agora, com o enredo “O que é que a baiana tem, do Bonfim à Sapucaí”, nossa escola homenageia essas mulheres maravilhosas, tão respeitadas e queridas no mundo do samba e que possuem papel de destaque na cultura brasileira. Será muito bonito mostrar sua história de resistência e força, lembrando ao mundo que, além de terem mantido vivas as tradições de seus ancestrais, foi nos quintais dos terreiros da mães baianas que o nosso samba nasceu, com a união perfeita do povo baiano com o povo do Rio de Janeiro. Essas mulheres maravilhosas, que tratam a todos nós como filhos, há longa data ajudam a limpar nossos caminhos, derramando abô por essas terras, tanto na Lavagem do Bonfim quanto na Lavagem da Sapucaí. Que a luz das mães baianas conduzam o Tigre de São Gonçalo “a lavar a alma na Avenida.”
O que a parceria está preparando para a grande final?
“Como sempre, teremos uma comunidade cantando com muita alegria nosso samba, que vem sendo brilhantemente defendido pela nossa equipe de intérpretes, capitaneados pelos talentosos Evandro Malandro e Grazzi Brasil. A Parceria 13 promete fazer a quadra ficar ainda mais alegre e luminosa do que nas nossas últimas apresentações, que foram arrebatadoras. E, obviamente, nossa apresentação será um verdadeiro banho de abô, que trará muito axé para todos os presentes”.
A Unidos do Porto da Pedra será a primeira agremiação, dentre aquelas que realizam disputas de samba, a definir o seu hino oficial para o Carnaval 2020. A vermelha e branca realiza neste sábado em sua quadra a grande final da disputa, iniciada ainda no mês de julho. A escola apresenta no Sambódromo o enredo ‘O que é que a baiana tem? Do Bonfim à Sapucaí’. O desenvolvimento é da carnavalesca Annik Salmon.
Cinco parcerias (de seis inscritas) chegam à grande decisão na Porto da Pedra. Para o diretor de carnaval, Júnior Cabeça, as cinco parcerias estão na final por possuírem muita qualidade.
“Havia a expectativa inicial em nosso planejamento de fazer a final com quatro sambas, como é a tradição da escola. Mas a semifinal foi muito equilibrada e o nível das seis apresentações muito alto. Por isso não conseguimos cortar duas obras e vamos com cinco na final. A escola está bastante indecisa. A decisão ficará mesmo para a hora”, aponta Cabeça em entrevista ao site CARNAVALESCO.
É tradição em finais na Porto da Pedra o anúncio só acontecer com o dia claro. Portanto somente será conhecido o hino oficial para 2020 já na manhã deste domingo. Cada samba terá 20 minutos para se apresentar, o que deve dar de 9 a 10 passadas no palco, dependendo da minutagem de cada parceria.
Antes da disputa em si a Porto da Pedra promoverá o show com seus segmentos, que relembrarão os clássicos sambas da trajetória da escola. O Tigre de São Gonçalo desfilou no Grupo Especial entre 1996 e 1998, em 2000 e de 2002 a 2012. Nos últimos dois carnavais brigou pelo título da Série A terminando na terceira colocação. A Porto da Pedra será a quarta a desfilar na sexta-feira de carnaval da Série A em 2020.
SERVIÇO:
Final de Samba-Enredo Porto da Pedra
3/8 (sábado), a partir das 22h
Quadra da Porto da Pedra (Rua João Silva 84, Porto da Pedra, São Gonçalo). Telefone: (021) 2606-8623
Até 00h entrada gratuita, após R$ 10
Apresentações: 20 minutos para cada parceria
Resultado: 05h da manhã de domingo (04/08)
O Paraíso Tuiuti abriu sua quadra na noite desta sexta-feira para a apresentação oficial de seu samba-enredo para o Carnaval 2020. A obra foi divulgada em julho com exclusividade pelo site CARNAVALESCO, mas a agremiação preparou um evento com a participação de Viradouro e Mancha Verde como convidadas. * OUÇA AQUI O SAMBA PARA 2020
Depois de encantar o mundo do carnaval com um desfile arrebatador em 2018, a azul e amarela de São Cristóvão acabou cometendo erros na gestão de seu desfile de 2019, o que a fez deixar o grupo das escolas que desfilam nas campeãs. Por isso, o objetivo da agremiação é corrigir os erros e recuperar o potencial de dois anos atrás para voltar a desfilar no sábado. Este será o quarto desfile seguido da escola entre as grandes escolas do Grupo Especial.
O presidente Renato Thor, completando 20 anos como comandante da escola, estava visivelmente emocionado e extasiado com o samba do ano que vem. O dirigente disse acreditar que a energia vai trazer um ótimo resultado para a escola, explicou a opção pela ordem de desfile e elogiou as novas contratações do Tuiuti para o Carnaval 2020.
“A energia que estou sentido não consigo explicar. Lá na frente vocês vão ver o resultado. Essa escola está sentindo uma vibração muito grande, que o desfecho tem que ser o título. Acredito que duas ou três escolas do Especial vão seguir a nossa ideia de encomenda, é um palpite. Sobre a ordem de desfile, primeiro atuamos em prol do carnaval. Antes de ser presidente eu sou sambista. Também fui pensando no meu patuá. Fomos a quarta de domingo em 2018. À respeito das contratações, o Schall é um dos melhores diretores de carnaval da atualidade e o Nino do Milênio é um grande intérprete”, explicou Thor.
Celsinho Mody e Nino do Milênio repetem dupla de 2018
O intérprete Nino do Milênio acertou sua volta para o Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2020 e desta forma reeditará sua parceria com Celsinho Mody, já que eles também cantaram juntos em 2018, ano do vice-campeonato da escola. Nino falou sobre a amizade que construiu com o paulistano desde aquela ocasião.
“Eu e Celsinho construímos uma amizade muito bacana desde 2018, é um cara que eu admiro bastante. Sobre nossa parceria, desta vez será melhor ainda pois estamos iniciando juntos, o que não ocorreu daquela vez. Celsinho chegou já para a gravação do CD da Liesa. Tenho certeza que será melhor que 2018, com a expectativa de dessa vez sairmos campeões”, disse Nino.
Celsinho brincou sobre a parceria com Nino e avaliou que se for melhor que da última vez, o título virá, uma vez que em 2018 a escola foi vice-campeã. O cantor avaliou o assédio de outras escolas, mas afirmou que permanece feliz no Paraíso do Tuiuti.
“Concordo com o meu amigo Nino. Se ele falou que vai dar mais certo que da última vez, seremos campeões, mas em 2018 fomos vices. É muita felicidade viver esse momento que estou vivendo. Já vou para o meu terceiro carnaval aqui no Rio de Janeiro e eu nunca imaginei que fosse receber essa oportunidade. Enquanto o casamento tiver bom eu vou seguir aqui. A escola está feliz comigo e eu com eles. Quero que o Tuiuti seja campeão comigo cantando. Mais um grande samba da nossa escola, como vocês podem atestar”.
Cláudio Russo diz que samba de 2020 bebe em referências de 2018 e 2019
Cláudio Russo é o poeta responsável pela obra encomendada do Tuiuti, ao lado de Moacyr Luz, Aníbal, Pier, Júlio Alves e Tricolor. O compositor relata que a composição para o desfile do ano que vem tem referências dos dois últimos sambas apresentados pela escola.
“O primeiro momento do samba tem uma linha mais dramática, o nascimento de Dom Sebastião, ate a batalha de Alcácer-Quibir. Depois trazemos o sebastianismo no Brasil. A segunda é um manifesto de amor ao Rio. A cidade está o tempo toda flechada. Se Deus quiser vamos tirar essas flechas e seguir o nosso caminho de paz”.
Um dos mais talentosos compositores do carnaval, Cláudio afirma que o segredo para um bom samba passa obrigatoriamente pelo texto do enredo.
“Se existir um segredo, é dedicação. Não existe samba bom sem enredo bom. Agradeço aos parceiros, o Moacyr e à escola que está confiando na gente pelo terceiro ano seguido. Eu gosto de todo o samba, pois São Sebastião merece ser reverenciado. Gosto muito do refrão que fala do morro do Tuiuti. Esse samba tem um pouco de 2018 e um pouco de 2019”, complementa.
Enredo vai apelar ao padroeiro pelo Rio de Janeiro
O carnavalesco João Vitor Araújo era um dos mais entusiasmados na quadra do Paraíso do Tuiuti. Apesar do lançamento do samba na internet ter acontecido faz pouco tempo o artista já tinha a letra toda na ponta da língua. João falou ao CARNAVALESCO que o samba é um presente.
“O samba pegou na veia, o morro do Tuiuti. É um grande presente para mim. O bom foi que tivemos um tempo razoável para sentar com os compositores, tem o algo a mais. O compositor não pode ficar apenas preso à sinopse. O artista tem a missão de pensar o carnaval. Mas pode acontecer de o poeta mudar a sua ideia também. Isso não tem preço”, elogiou.
Sobre o enredo, João Vitor explicou que a história vai atravessar os séculos e desembocar no Rio atual, onde todos os cariocas clamam pela ajuda do padroeiro São Sebastião para se livrar de suas mazelas.
“Um ano de enredos maravilhosos, apesar do massacre que estamos sofrendo da prefeitura. O nosso enredo começa no século XVI e vai até 2020. O Rio pede socorro, apela ao seu padroeiro para superar todas as suas mazelas. Esse será o Tuiuti em 2020”.
Mestre Ricardinho pretende aumentar ritmistas na bateria
Depois de mais uma vez garantir os 30 pontos no quesito, o mestre Ricardinho da bateria Supersom tem a intenção de aumentar o número de ritmistas para 2020. A excelência do trabalho vem causando muitos pedidos de ritmistas para desfilar, mas o mestre vai antes conversar com o presidente Renato Thor sobre a possibilidade de aumentar.
“Só falta convencer um jurado, os demais tem nos dado a nota. Vamos trabalhar para agradar esse que ainda não se convenceu. Nosso andamento vai seguir na pegada entre 146 e 148. Vou conversar ainda com o presidente sobre possibilidades de aumentar o número de ritmistas, mas preciso saber as condições da escola primeiro. A estrutura de trabalho segue a mesma dos últimos anos”.
O experiente ritmista disse que o samba deve novamente contagiar o público da Marquês de Sapucaí. Ricardinho destaca o refrão principal como o mais impactante da composição.
“Outra pedrada graças a Deus. Vamos brincar na avenida em 2020 se Deus quiser. Dificilmente gosto de uma obra de primeira. Acho que o nosso refrão debaixo vai contagiar a avenida”.
Direção de carnaval já conhece ‘formato’ do desfile
Depois de falhas estruturais atrapalharem o desfile de 2019, o Tuiuti contratou um dos profissionais mais conceituados em barracão do carnaval carioca. Júnior Schall relata à reportagem do CARNAVALESCO o que já vem sendo feito no barracão da escola na Cidade do Samba.
“Esse ponto do estudo é fundamental e o presidente Thor bateu comigo quando da minha contratação. Estamos adiantados na projeção dos carros. O formato do seu desfile é muito importante. A comunicação entre criação e direção precisa ser perfeita. O presidente nos pede e nos cobra isso. Sabemos hoje o formato de nosso desfile em todos os seus setores: alegorias, alas, harmonia”, explica.
Além da condução do barracão, Schall pontua ser fundamental trabalhar com prazos confortáveis para que o projeto seja bem executado. Para isso, segundo o dirigente a antecipação do início dos trabalhos é primordial.
“O ganho dos ensaios mais cedo é muito grande. O carnaval precisa ter uma antecedência de projeto. Dessa forma você consegue se condicionar melhor. O presidente Thor concorda com isso e faz uma diferença brutal no processo. Estamos fechando a agenda de ensaios, realizando os recadastramentos de segmentos. Os protótipos já estão prontos e em algumas semanas iniciaremos nossos ensaios”.
Júnior Schall acredita que a qualidade da obra do Tuiuti para o Carnaval 2020 passa pelo reconhecido talento dos poetas para quem a escola novamente encomendou o samba e um texto claro do carnavalesco João Vítor Araújo.
“Ensaiamos bastante o samba desde o seu lançamento na internet. Mas todo samba é uma construção contínua. À medida que o tempo passa aprendemos a cantar melhor e mais forte. Parabéns aos compositores e ao João pela construção de um texto que possibilitou um samba com essa qualidade. Nos serve perfeitamente para o desfile”, concluiu.
Casal com ‘sangue nos olhos’
Marlon Flores e Danielle Nascimento repetem a parceria pelo terceiro ano no Tuiuti. Depois de 40 pontos na estreia a dupla deixou escapar dois décimos no julgamento de 2019. Segundo a porta-bandeira Danielle Nascimento, somente com sangue nos olhos eles conseguirão voltar a alcançar a pontuação máxima.
“Em 2019 vimos tudo que podemos melhorar. Em 2020 teremos sangue nos olhos novamente. A escola está imbuída daquele espírito de 2018. Já vimos o desenho de nossa fantasia, não vou contar para não estragar a surpresa. A comunidade do Tuiutri nos acolheu muito bem, é uma felicidade extrema trabalhar com o Marlon. É um grande amigo. Estamos muito satisfeitos um com o outro”.
Com o enredo ‘O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião’ o Paraíso do Tuiuti será a quarta escola a desfilar no domingo de carnaval do Grupo Especial em 2020. A escola terminou na 8ª posição em 2019.
Final feliz em Ramos. Após intensas manifestações da comunidade com apoio de diversas personalidades do mundo do samba, o presidente da Imperatriz, Luizinho Drumond, desistiu de renunciar. Com isso a convocação de uma assembleia geral para a escolha do novo mandatário torna-se sem efeito. O pleito aconteceria nesta terça-feira.
Após a confirmação do rebaixamento da Imperatriz o presidente renunciou ao cargo. Entretanto a comunidade e componentes da escola realizaram um contundente manifesto pela permanência de Luizinho na porta da quadra da escola em Ramos, no domingo, 28 de julho. O ato sensibilizou Luizinho e ele desistiu da renúncia.
A direção da Vila Isabel informou ao site CARNAVALESCO que terá um modelo inédito no Rio de Janeiro para a escolha do samba-enredo do Carnaval 2020. A agremiação escolherá a obra que irá para Avenida no ano que vem em cima das gravações em CDs feitas pelos compositores. Antes, a escola estava pensando em encomendar a obra.
Porém, a disputa não será totalmente aberta. Segundo a assessoria de imprensa da escola, o presidente da Vila fez convite para sete compositores consagrados e todos aceitaram participar. Eles vão formar sete parcerias com número ilimitado de compositores (nomes não foram divulgados) para fazerem sambas concorrentes para azul e branco do bairro de Noel. Além deles, apenas três parcerias da ala de compositores da escola vão participar (o critério de formação das parcerias será informado pela escola aos compositores que pertencem a ala). No dia 10 de setembro todos entregam seus sambas e haverá uma comissão da escola que vai selecionar três obras e no dia 28 de setembro será apresentado o samba escolhido.
“É uma inovação. O compositor só terá o custo de fazer a gravação. Não haverá disputa na quadra, apenas na final. Vamos receber todos os CDs no dia 10 de setembro e no dia 28 do mesmo mês vamos revelar o samba campeão. Faremos no dia também a festa de protótipos das nossas fantasias”, disse ao CARNAVALESCO o presidente da Vila Isabel, Fernando Fernandes.
O prêmio será de R$ 100 mil para parceria campeã, mais R$ 20 mil se a escola for para o sábado das campeãs e mais R$ 20 mil se a escola gabaritar o quesito Samba-Enredo.
O enredo da escola para o Carnaval 2020 é “Gigante pela própria natureza: Jaçanã e um índio chamado Brasil”. A Vila Isabel será a segunda a desfilar na segunda-feira de carnaval.
‘‘Em nome do Pai e da Virgem Maria”,
Te rezo e te benzo com o sentimento mais puro.Rogo a graça da bondade,
Peço compreensão, isso não é bruxaria não.
Velha parteira como muitos diziam,
Não me queime viva, pois nada de mim você sabia.Pajé libertador, Preto Velho, sábio senhor,
Espírito puro, carregado de amor.
É preciso acreditar nas orações. É preciso ter fé!
Senão a oração não tem valia não.
Meu conhecimento vem da mistura das crenças, das tradições e religiosidade.
Minha herança é europeia, indígena e africana de verdade.
Senhora rezadeira de muita brasilidade.
Trago rezas e benzeções para aliviar seus desconfortos físicos e do coração.
Quebro e desligo de toda e qualquer maldição, feitiço e sedução.
Sinta o cheiro das ervas, de incenso e de defumador.
Sou também raizeira, sim senhor.
Tenho nas mãos objetos simbólicos como arruda, terço, ramos de folhas, crucifixos e vela.
Tenho na fala, no gesto, e nos olhos fechados, o dom de curar o irmão.
De amenizar as mazelas!
A Deus rogo que te cure de espinhela caída, mau olhado e ventre virado.
Corto cobreiro bravo. Corto cabeça e corto o rabo.
Te rezo no meu humilde altar.
Que Cristo te olhe e te proteja em teu caminhar.
Vai Renascer das graças, na fé de Maria, na palavra que corta inveja,
Maldade e feitiçaria.
Em minha passagem como a Pomba da paz nessa terra,
Que encaixe a alegria desse instante.
Glória a Deus! O mal se desfez e a luz Renasceu!
No mundo pintado, sonhado,
Dedicado, feito de Fantasia e Fé,
Na Avenida, que Deus te deu.
‘EU QUE TE BENZO, DEUS QUE TE CURA.’
Texto e Desenvolvimento: Ney Junior e Claudio Rocha.
“Em nome das três palavras da Santíssima Trindade,
Meus irmãos, tá feito o pedido.
Peço que seja firmado com Deus, nosso Senhor Jesus Cristo.
Até segunda ordem daquele Pai, enquanto meu aparelho na terra viver, tô junto com todos os nossos irmãos. Em nome de Jesus.
Deus é quem abençoa. Deus dá paz, dá harmonia, dá conforto para que sejamos todos felizes.
Peço a Deus por todos, em nome de Jesus”.
(Cabloco Pena Branca)
Dona Odília, “Engenheiro Paulo de Frontin – Rezadeira”, 2012
JUSTIFICATIVA:
Quebranto, cobreiro, espinhela caída, erisipela, vento virado.
Quem quer que percorra os povos das pequenas cidades do interior ou mesmo das periferias das grandes cidades, vai se deparar, em um momento ou outro, com alguns desses nomes que fazem parte de um mundo mágico-religioso, povoado de rezas, crenças, simpatias e benzeções. Uma mãe quando diz ‘Eu Te Amo’ para o filho, isso é um bem dizer.
A “BÊNÇÃO” na liturgia vem de ‘Bene-dicere’ (em Grego, Eu-loguéo) e significa: ‘Falar bem de, desejar algo bom a alguém, louvar, abençoar’. O benzimento é um costume antigo que significa tornar algo bento ou abençoado, mas é muito mais que isso. É um ato de fé!
Então, se deixe levar pela magia e espiritualidade aflorada das benzedeiras dessa terra chamada Brasil.
A Renascer de Jacarepaguá trás a energia e o encantamento desse universo mágico religioso.
O Benzedor, benzedeira ou benzedeiro, rezador e até mesmo raizeiro, como são conhecidos, fazem parte da cultura popular e da história, são também patrimônio imaterial.
A benzedeira nos serviu como inspiração para mostrarmos essa manifestação da pluralidade espiritual que vai do louvor aos cultos de feitiçaria. Passa pela prática indígena e seus rituais. Pelas bênçãos do Preto Velho e as energias do Passe. Entraremos na magia das ervas, dos objetos catalisadores, do benzimento. E até as casas com seus altares domésticos, que traduzem perfeitamente a sua fé, com arranjos estéticos que misturam as imagens de santos católicos, das entidades de umbanda, dos orixás do candomblé, fotografias pessoais, ex-votos que fazem com que a energia que mora no espaço desse altar seja sagrado.
Eu sou uma espécie de farsa encenada
Uma piada recontada em que a graça chegou ao fim
Mas que muitos ainda cismam em continuar a sorrir.
Sou a palavra refeita, marota e travessa
Tão louca quanto os delírios que contaram sobre mim.
Eu já fui parte do imaginário numa quimera medieval
De Paraíso a Eldorado através de lendas me chamaram.
Há quem ainda acredite nas frases que descreviam
De forma impactante exuberâncias, delírios e encantamentos
Do que eu reservava.
Entre aves que eram anjos a selvagens sem vergonha
Pergunto-me,meu nascimento, quando se deu?
Fui batizado à mercê da sorte ou da morte
Dos que tanto me cobiçaram, seja em nome da fé ou de um rei.
Por outras vezes, fui o ideal de riqueza
Sendo enfim, a solução mais pobre para os problemas nobres.
Mas ao me reconhecerem de fato e descreverem em longas páginas
Que nada de valioso se viu ao aportarem em mim
Me tornei apenas a terra avistada
Que alguém um dia “descobriu” e que por anos não quis mais saber.
Sou aquele conto arremedado de sonhos e quimeras
A chance de toda gente crescer, onde se plantando tudo daria
Mas fui explorado, saqueado, acrescido, garimpando…
Poderia ter sido um sonho, mas a realidade ainda me dói demais
Sou a terra que aprisionava quem sonhava com a liberdade.
Fui a terra dos tolos que vieram em busca do reluzente vil metal.
Como um santuário de beleza, riqueza e prosperidade
Assim fui vendido, exportado, divulgado e enaltecido.
Passei séculos testemunhando os contos que contavam por aí
Nacionalizando vigaristas e trapaceiros
Naturalizando mentiras e meias verdades
E validando um jeitinho que parece não ter mais conserto.
Muitos são os contos, desde a colônia até a independência
Passando pelo sonho de liberdade que se realizou.(Será?!)
Sou uma espécie de coisa pública nascida de golpes em golpes
Em que uma nova era prometida sempre camufla o que já é antigo
No moderno jeito de se fazer política.
Aliás, a política sozinha é um conto infinito de possibilidades
Que minha gente não cansa de profanar e reinventar
Caindo no conto de requentadas promessas que lhes convém.
Vi o homem criar e recriar o modelo do que eu me tornaria.
E ainda assim continuo a ser aquele imaginário delirante
Com ares de novidade e renovação que algum ufanista descreveu.
Sou também um bom conto para o povo de Vigário.
Lá, ele testemunha a realidade de duras mazelas que saltam à face
Refutando as imagens estampadas no cartão postal
Onde os corações de mães ainda se solidarizam
Em busca de alento, respostas, justiça!
E que são apenas representantes de tantas outras realidades
Que contrariam quem diz ser um conto a desigualdade social.
Porém, o mais interessante, o conto por vezes delirante
É o que se constrói sobre um fio de esperança
Em que se haveria uma chance remota de eu dar certo
Seja por sorte ou por viver à espera de alguém a me guiar
E que, milagrosamente, nos salvaria.
Mas sem deixar de ser a caricatura do inzoneiro mulato
Aquele que pousa à sombra do coqueiro
Recordando o paraíso de outrora.
Sou a terra das palmeiras, das rasteiras
Das mil maneiras de enganar e de se dar bem.
E neste auto engano me pinto em aquarela
Me retrato através da beleza da minha gente e do meu som
Em que até o vigarista mais esperto é capaz de acreditar.
É isso aí meu povo!
Se o conto do vigário é uma mentira que gera nos outros
A crença em uma verdade legítima
Sou a materialização perfeita daquilo em que se faz acreditar.
Sou o Brasil! Esse grande conto
Contado e atualizado, constantemente!
E hoje, no palco da fantasia, no delírio da alegria
Em que dizem ser possível esquecer
O que faz na minha gente tanto mal
Cá estou eu a fazer parte de mais um conto do seu carnaval.
Enredo: Rodrigo Almeida
Pesquisa e texto: Anderclébio Macêdo