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Presidente do Cubango explica que decidiu seguir na escola e enfrentar os desafios do Carnaval 2020

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Vice-campeã da Série A em 2019 o Cubango viveu uma semana tensa com o pedido de afastamento da escola feito pelo presidente Rogério Belisário. Ele alegou “algumas divergências internas”, mas após receber pedidos de integrantes da verde e branco ele afirmou que seguirá no comando.

“Decidi que vou continuar o trabalho que iniciei na agremiação para levar o nosso Cubango ao campeonato em 2020. Nós temos muito trabalho pela frente. O resultado deste ano é fruto de um trabalho sério, comprometido, por muitas vezes cansativo, mas cheio de amor e dedicação. Queremos fazer sempre o melhor e é por isso que quero dizer a todos que não sairei do posto em que a comunidade me colocou”, declarou Rogério Belisário.

Neste domingo, a partir das 20h, o Cubango realiza seu ensaio de quadra.

Compositor da Viradouro revela bastidores do ‘ensaboa’ e acredita que samba será o hit do carnaval

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Independente da escola campeã, todo carnaval tem aquele samba que deixa uma marca. Muitas vezes essa obra é mais lembrada que outras que foram campeãs. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, um dos compositores da Viradouro, Dadinho revela sua expectativa para que o samba da vermelha e branca em 2020 seja um desses exemplos.

“O ensaboa mãe eu acredito que será o grande hit desse carnaval. Curioso que muitas pessoas vem me perguntar como surgiu o termo, como se fosse uma grande sacada nossa. Foi uma situação meio que automática. O enredo fala das ganhadeiras e quando passa pelo aspecto de que elas lavam roupa no rio, veio de imediata o ensaboa para depois quarar, que é secar a roupa”, confessa Dadinho.

Depois de anos afastado da Viradouro, o compositor decidiu voltar a disputar na vermelha e branca. Sem falsa modéstia, ele ressalta que a parceria formada é muito forte e pretende obter novas vitórias.

“Nosso grupo é muito coeso, muito unido. Eu sinceramente acho difícil a gente perder um samba na escola. Passei uns anos afastado, mas agora eu estou de volta para ficar. Eu sou da escola. A hora do anúncio foi muito tensa, pois eu percebi que entraram acordes de um outro samba, mas depois veio o nosso. Foi uma emoção muito grande”, disse.

Dadinho falou ainda da safra em geral do Grupo Especial e o que pretende fazer com o prêmio ganho na disputa da Viradouro.

“Eu acho que o momento que nosso país está vivendo não permite extravagâncias. Por isso, eu vou poupar a minha parte do prêmio. Tenho ouvido os sambas das outras escolas. Eu acredito muito no nosso samba, como falei, acho que será o hit desse carnaval e a Viradouro vem para disputar o campeonato. Mas gosto muito do samba da Mocidade também”, ressaltou.

Ranking dos sambas mais ouvidos: Mocidade lidera com mais de 64 mil audições

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O site CARNAVALESCO divulga a terceira lista dos sambas-enredo mais ouvidos do Grupo Especial para o Carnaval de 2020. A contagem segue o link de cada samba. A próxima lista será divulgada no dia 08 de novembro.

1 – Mocidade: 64.002 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

2 – Mangueira: 54.379 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

3 – Beija-Flor: 45.909 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

4 – Paraíso do Tuiuti: 40.658 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

5 – Salgueiro: 37.094 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

6 – Portela: 33.278 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

7 – Viradouro: 31.963 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

8 – Grande Rio: 29.783 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

9 – Vila Isabel: 23.776 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

10 – São Clemente: 22.879 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

11 – Unidos da Tijuca: 21.078 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

12 – União da Ilha: 17.426 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

13 – Estácio de Sá: 11.364 audições (CLIQUE AQUI PARA OUVIR O SAMBA)

Sambódromo passa para o governo Witzel ainda em novembro

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    Em decisão acertada entre o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e o governador Wilson Witzel, o Sambódromo da Marquês de Sapucaí passará a ser gerido pelo poder estadual a partir do dia 8 de novembro, quando será assinado o acordo. A partir dessa data, a Prefeitura seguirá apenas no comando do Setor 11 e a Riotur cumprirá o papel da administração do carnaval, como determina a lei.

    A entrada do governo Witzel no comando do Sambódromo facilitará a relação com as escolas de samba e a realização de mais atividades durante o ano inteiro na Passarela do Samba. Para isso, o governo estadual repassará o valor de R$ 8,1 milhões, antecipado por Crivella, para realização das obras estruturais na Sapucaí. A verba será dada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

    Estudo da sinopse: Mangueira 2020

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    LITURGIA(S) INCULTURADA(S): O VERDE E ROSA NA HOMILIA CONTEMPORÂNEA

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    Nome do enredo: A verdade vos fará livre
    Nome do carnavalesco: Leandro Vieira

    O G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira trará ao carnaval 2020 mais um enredo dito
    crítico. E qual enredo não é? Ou melhor, qual enredo preferiu não ser? Partindo disso, a
    agremiação coloca em voga aspectos da vida contemporânea permeados pelas passagens do personagem principal no desenrolar do texto mestre. Diferente de 2019, o enredo utiliza
    apenas um único ícone narrativo onipresente em todos os momentos da sinopse. E pasmem, não é qualquer figura! É justamente aquele que inspirou diversos estudos sobre Iconologia: Jesus Cristo. Através das narrativas cristãs, o carnavalesco Leandro Vieira propõe no enredo uma série de reflexões sobre os assuntos do hoje. O filho de Deus insurge aqui no Rio de Janeiro e bota o/a sambista para pensar. Amamos o próximo como a nós mesmos?

    Neste momento, gostaria que você leitor(a) pudesse voltar no tempo. Carnaval 2017.
    Mangueira. Escultura na Sapucaí. O frente-verso mudava. Oxalá. Jesus. Você se lembra
    disso? Se não lembra, ou não sabia, acredito que valha a pena dar uma procurada. É ditado
    popular, “uma imagem vale mais que mil palavras”. Essa imagem foi um dos marcos
    carnavalescos daquele ano. Tão polêmica e polemizada – afinal a mídia vive de notícias – que a dimensão e a potência que esta escultura ocasionou no carnaval carioca foi de performance ímpar, fazendo com que a Mangueira abdicasse de levá-la novamente ao desfile das campeãs. Abdicar é uma palavra interessante neste sentido. As reportagens jornalísticas da época comentaram sobre a influência da Arquidiocese na tomada da decisão. Penso em censura. Em tempos de intolerância religiosa, acredito que não problematizá-la seja danoso àqueles que são silenciados. Afinal a casa grande não abrirá as portas da senzala por altruísmo. Quebremos grilhões!

    Pois bem, leitor(a). O enredo para 2020 tem a mesma grandeza de impacto. Se ontem foi uma escultura, amanhã será uma escola inteira. O texto mestre não informa de maneira nítida como a escola poderá ser setorizada ao longo do desfile. Entretanto, alguns momentos são marcantes na narrativa apresentada: a figura de Cristo, a filosofia humanista por ele apresentada, a hipocrisia religiosa, como Jesus percebe o hoje, o morro da Mangueira e o próprio Carnaval. Ao contextualizar o Salvador na vivência do agora, Leandro propõe pensarmos em como as liturgias/filosofias, sobretudo cristãs, foram, e continuam sendo, distorcidas ao longo dos tempos. Basta ler a sinopse e veremos que amor está em caixa alta.

    Destaco dois momentos do texto que podem dar pano pra manga no desfile. O primeiro deles é justamente a ressignificação morfológica de Jesus. Quem foi à missa sabe que
    experimentamos o corpo de Cristo. E qual corpo ele tem? A pantomima ritualística cria todo
    um gestual antropofágico de apropriação. Tomo para mim o corpo daquele incubido de nos
    salvar. E neste exato momento a sinopse aponta a um Jesus plural. Jesuis. Sim, eu inventei
    esse “i” pra reforçar que são vários. Leandro informa que há extensão do corpo santo, que
    abarca todxs. Independentemente de cor, credo, classe social, afetividade, gênero, idade,
    tamanho, desejo, sonho e, até mesmo, os corpos que o refutam, que o negam. Há, portanto, na construção do desfile a instauração de um salvador horizontal cuja mão é estendida indiscriminadamente.

    O segundo momento a ser destacado na sinopse é a questão para própria vivência da
    comunidade mangueirense. O local do morro da Mangueira é cenário pensado como parte
    essencial nesta nova passagem de Cristo pela Terra. Um Cristo brasilizado, que sobe o morro, vê a bala perdida, vê os poderes paralelos, vê o descaso governamental e vê sua própria escultura de costas pros que estão marginalizados. Estão, de fato, à margem da imagem de Cristo. Mas com toda certeza este mesmo Jesus consegue ver outras nuances de Mangueira, cujos tons nem sempre são valorizados. Afinal é ele quem tem o poder de ressignificar a mazela em sorriso, dando força aos fracos.

    E é neste momento, já pro final da sinopse, e, provavelmente, no final do desfile, que o
    desfile carnavalesco fala de si em metalinguagem; colocando o período em que o Rei Momo
    ganha a chave da cidade em cerimônia solene – ou ao menos deveria ser – para dar abertura aos trabalhos de encantaria. O carnavalesco pensa este momento como aquele em que ocorrem subversões de papéis, mudanças de protagonismos. E agora eu te pergunto, quais protagonismos são aceitos no dia a dia?

    O texto mestre dá aberturas a pensar novamente a construção de um carnaval que coloca o microfone na mão de quem não teve oportunidades de cantar. Assim como já feito em 2019, culminando no campeonato, a agremiação se coloca como marco no processo crítico e revisionista dos engendramentos sociais. Acredito que o legado de “Marias, Mahins,
    Marielles, malês” possa ser uma faca de dois gumes. Se por um lado pode catapultar o
    frenesi popular e instaurar o torpor e a torção da massa rumo a um bicampeonato, por outro pode criar um horizonte de expectativas perigoso. Afinal, superar um campeonato e um samba já antológico não é tarefa simples. Quais cores iremos ver? Quais símbolos iremos identificar?

    De todo modo, Leandro e todo o corpo artístico da agremiação vêm nos mostrando seus
    empenhos na construção de desfiles marcantes. Para além de desfiles técnicos impecáveis na rigorosidade dos quesitos, Mangueira vem realizando carnavais do povo e paro o povo. Nada de burocracias e monotonismos. A comunidade retomou seu vigor dos tempos áureos e foi à luta, querendo taças e taças. Sendo assim, não se pode esperar pouca coisa da atual campeã do carnaval carioca. Peguem suas fantasias que ela vem! “Me leva que eu vou, sonho meu. Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu.”

    Autor: Rennan Carmo – [email protected]
    Graduando em História da Arte (EBA/UFRJ)
    Membro efetivo do OBCAR
    Leitor orientador: Cleiton Almeida – leitor crítico
    Graduando em Artes Visuais – Escultura (EBA/UFRJ)
    Instagram: @observatoriodecarnaval_ufrj

    Cante com a São Clemente: samba-enredo para o Carnaval 2020

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    O site CARNAVALESCO segue a série de vídeos ‘Cante com a escola’. A quinta escola é a São Clemente. A escola apresentará em 2020 o enredo “O Conto do Vigário”. A proposta dessa nova série do site é trazer o samba-enredo com os componentes cantando, sem percussão e cordas, apenas no gogó e palma da mão. Segunda-feira é a vez da Viradouro.

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    É a hora de conhecer a obra da São Clemente (compositores: Marcelo Adnet, André Carvalho, Pedro Machado, Gustavo Albuquerque, Gabriel Machado, Camilo Jorge, Luiz Carlos França e Raphael Candela). Veja no vídeo abaixo.

    Juju Salimeni revela fantasia e comenta sobre boa receptividade da X-9 Paulistana

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    Em seu terceiro desfile na X-9 Paulistana, Juju Salimeni vem atendendo os requisitos de uma rainha de bateria, principalmente na questão da presença nas atividades da escola. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, ela garante que postura adotada envolve sentimento. (Fotos: Felipe Araújo)

    “Eu fui musa há muitos anos em outras escolas, mas a X-9 foi a primeira que eu vim como
    rainha. É completamente diferente, uma responsabilidade muito maior, são vários
    compromissos durante o ano, e a escola espera isso de uma rainha. Eu faço isso com muito
    gosto, sempre procuro estar presente, e acho que essa parceria deu tão certo por isso, e
    espero que continue até eu ficar velhinha”.

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    Sobre a chegada na agremiação, Juju revela boa receptividade e cita que a escola é do bairro em que nasceu e mora.

    “Estou indo pro meu quarto ou terceiro ano na escola, me sinto tão em casa que até perdi a conta (risos). Desde o começo eu sempre fui bem recebida, principalmente, por ser uma
    escola da minha região, eu moro na Zona Norte, nasci e cresci aqui”.

    Durante entrevista, Juju Salimeni revelou também o tema e o significado de sua fantasia para o desfile de 2020.

    “Estava conversando com o carnavalesco pra gente alinhar isso mesmo. A bateria vai vir
    representando Parintins, e eu devo vir com alguma coisa com relação as rainhas de lá. Será uma fantasia indígena”.

    No último carnaval, a X-9 Paulistana homenageou o cantor e compositor Alindo Cruz. O desfile emocionou muitos sambistas, principalmente ao vê-lo na última alegoria. A rainha cita emoção e diz que homenagem foi a altura.

    “Foi um tema maravilhoso, num momento perfeito pra fazer essa homenagem para uma
    pessoa tão importante no samba. Foi lindo, o desfile foi emocionante para todos os
    participantes do começo ao fim, a família toda presente. Acho que conseguimos
    uma homenagem a altura do Arlindo”.

    A X-9 Paulistana será a última escola desfilar na noite de sexta, dia 21 de fevereiro de 2020. A agremiação traz o enredo “Batuques para um rei coroado”, desenvolvido pelo carnavalesco Pedro Alexandre Magoo.

    Estudo da sinopse: Unidos de Bangu 2020

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    Bangu: Memórias de um Griô – A diáspora africana por entre a crônica no decurso de uma viagem atemporal

    Unidos de Bangu 2020

    Nome do Enredo: Memórias de um Griô: a diáspora africana numa idade nada moderna
    e muito menos contemporânea
    Nome do carnavalesco: Bruno Rocha
    Nome do autor da sinopse: Tiago Freitas

    O Grêmio Recreativo Escola de Samba Unido de Bangu em 2020 vem contar os anais
    dos povos Africanxs, mais especificamente do povo Congolês a partir de seu surgimento no olhar de um nativo. O primeiro habitante contador de histórias, um Griô. Esse ancestral se vê presente durante toda a formação do continente africano, desde a gênese do próprio continente até a chegada da colonização europeia. Preserva em sua memória a história, tornando-se assim, guardião do Congo. O personagem central viu Manicongo, o rei, ter seu coração corrompido e comercializar seus irmãos de pele, lançando sofrimento e dor a bordo de navios tumbeiros. O griô é o espectador e testemunha de todos os acontecimentos visto que, sempre esteve presente trazendo em suas lembranças a transmissão do conhecimento para futuras gerações. Percorrendo esse trâmite chega à diáspora africana essa transladação dos corpos negrxs, assistido em forma de tortura pelo griô, explorando o período que auxiliou na formação das bases sociais atuais.

    Com harmonização ao trecho do enredo “memórias de um Griô”, atenta-se, que o texto
    redigido por Tiago Freitas possui a característica de ser de tipologia narrativa, onde é
    notória a presença de um personagem central, que relata com um método historiográfico
    discorrendo através da memória captada na forma de oralidade. Memória essa, que
    apesar de no texto situar o leitor ao mesmo tempo histórico, estende a uma reflexão de
    um período tão antigo e distante que acaba se tornando atemporal.

    Essa figura expõe toda a história de forma cronológica e orienta o leitor a magnitude da
    preservação da história e principalmente da memória. No qual esse encaminhamento, encarrilha em receios e inquieta o legente a constatar que o sofrimento do negrx
    Congolês foi muito além de quando já escravizadxs, mas, tem seu início nessa diáspora
    migratória forçada.

    No texto é descrita a presença de atividades econômicas predominantes pelos congoleses, demonstra a força do comércio local e sua moeda central, uma concha denominada nzimbu (conhecida atualmente/popularmente como búzio). Essas atividades são substituídas pelo comércio da pele quando o reino do congo recebe a chegada dos portugueses, que atracam na região e carregam para a povoação com apoio do senhor dos congoleses, as lágrimas e o sofrimento para habitantes de uma civilização, que um dia, foi fortemente estruturada.

    O tráfico negreiro era uma atividade lucrativa que fazia parte do mercantilismo e ajudava no processo inicial de capitais. Infectos navios tumbeiros cruzavam os oceanos e executava uma imigração forçada de um contingente expressivo de negrxs, que foram vendidos e arrancados de suas terras na condição de povos escravizadxs. Muitos deles não sobrevivendo a esse deslocamento. E quem chegava, era negociado através de escambos.

    O enredo evidencia uma África muito mais anciã, portanto, nele ocorre à descrição desde os primórdios na gênese africana. O surgimento do continente e dos habitantes, chegando às civilizações e nobreza daquele reino. Na qual, antes da colonização, existia um povo com sua própria cultura e costumes. Deste modo, o papel do griô se torna essencial para desmistificar a existência lesiva histórico-cultural do africano unicamente dominado. História essa, que ignora e desvaloriza as fascinantes e profícuas nobrezas que aquele continente possuía antes da invasão portuguesa.

    Através do texto da vermelha e branca de Bangu, fragmentam-se a crônica em elementos visuais fortes como: o aparecimento do continente Africano através da Savana (bioma) com sua fauna e flora; alguns componentes, tal como, os tecidos e metais descrevendo os artigos de venda que representavam o comércio daquele povo e principalmente a representação de navios negreiros e uma possível apresentação de porões desses navios. O texto nos sugere a presença de elementos visuais básicos como os movimentos que rastreiam emoções dolorosas de africanos amontoados e acorrentados destinados a serem mercadorias em um lugar onde nem as línguas faladas reconheciam.

    No carnaval contemporâneo analisam-se vestígios de enredos críticos e de cunhos sociais. A Unidos de Bangu não negligência esse conceito e aplica um desfecho durante sua sinopse quando faz prece a Kindembu. A escola traz o reflexo do escravismo aos dias de hoje, um capítulo dessa história contada que deixou marcas sociais em práticas segregacionistas e excludentes baseadas em um racismo cordial. O texto apresenta uma onda migratória forçada, que possibilitou a formação de uma comunidade afetiva ao longo do país. Essa conexão pode ser encontrada na batucada de tamborins, nos versos de um samba, no desfile da agremiação mais antiga da Zona Oeste.

    Avante Unidos de Bangu, brilhe neste carnaval e batucai por todos os negrxs!

    Autora: Iara Quirino – [email protected]
    Licenciatura em Ciências Biológicas//UFRJ
    Membro Efetivo do OBCAR/UFRJ
    Leitor orientador: Rennan Carmo – [email protected]
    História da Arte – EBA/UFRJ
    Instagram: observatoriodecarnaval_ufrj

     

    Conheça o samba-enredo do Império da Tijuca para o Carnaval 2020

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    Compositores: Diego Nicolau, Tinga, Pixulé, Braguinha, James Bernardes, Jota e Tem Tem JR
    Participação especial: Fabio-Gigi
    Intérprete: Daniel Silva

    Eu sou a luz no breu
    A transformação, o conhecimento
    Páginas que enchem de esperança
    Mudança escrita no tempo
    Vento leva meu desejo de bravura
    Quero ser a armadura da leitura e do saber
    Mesmo andarilho, estandarte
    Retirante da arte , a quimera em você

    Pelo rio navega, mero aprendiz
    É a fé que me leva pelo meu país
    Construindo exemplo, o milagre contemplo
    Porque ainda é tempo de final feliz
    (É tempo de final feliz)

    Nativa ciência
    No livro é Deusa da inteligência
    Em narrativas, emoções
    Pequenas tiras entre praças e canções
    O samba é sabedoria
    No Morro da Formiga, minha inspiração
    Enredo bordado no verde do meu pavilhão
    Império…
    Tantas vezes fui seu companheiro
    Hoje Fiel escudeiro no sonho por mais educação

    Vamos dar as mãos, seguirmos na luta
    Brilha a coroa, Isso é Império da Tijuca!
    Já clareou um novo dia, Minha arma é poesia

    Referência nos últimos anos em samba-enredo, compositores do Tuiuti ressaltam sinopse do enredo

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    A estratégia do samba-enredo encomendado deu muito certo e conquistou os componentes do Paraíso do Tuiuti. Para o Carnaval 2020, a escola apostou novamente no modelo e contou com um time renomado de compositores para produzir a sua obra: Moacyr Luz, Cláudio Russo, Aníbal, Pier, Júlio Alves e Tricolor. Ao site CARNAVALESCO, eles falaram que o grande diferencial foi a ótima sinopse feita pelo carnavalesco João Vítor Araujo, que esse ano substitui Jack Vasconcelos.

    Moacyr Luz revelou que os compositores receberam bastante liberdade da diretoria para realizar o trabalho.

    “A tendência para o futuro do samba encomendado é que o carnavalesco se aproxime do compositor. Isso ainda não aconteceu muito. Fizemos mais com a sinopse, mas sempre mostrando para o presidente, aliás, nunca houve interferência”, disse o músico.

    Cláudio Russo elogiou o trabalho do carnavalesco e ressaltou a importância de uma boa sinopse para o trabalho dos compositores.

    “A gente foi pela sinopse. O texto (feito pelo jornalista João Gustavo Melo) é muito bom. Acho que não há nenhum grande distúrbio. Depois foi aprovado pela direção da escola que mostrou para o carnavalesco. As vezes uma sinopse que o compositor não se identificou muito pode ser que vá para o outro lado. Mas nesse samba graças a Deus não foi o caso”.

    Moacyr Luz também comentou a decisão de algumas escolas de optarem pelo caminho da encomenda de samba.

    “Eu acho que talvez aconteça um equilíbrio maior. A disputa estava ficando desleal em forma financeira. Aquele que conseguia botar o bloco na rua com mais dinheiro acabava ganhando em relação às vezes ao melhor samba que a parceria tinha menos recurso. Uma hora chega o bom senso, as vezes quando você quer mudar, exagera um pouco na mudança, depois baixa um pouco a bola”.

    Sobre o samba, Cláudio Russo contou a parte que mais gostou da obra.

    “A gente fez com muito cuidado, muito capricho, temos uma história muito bonita na Tuiuti. E o enredo é muito bom. Um Rio de janeiro que precisa muito dessa ajuda divina. E nós gostamos do samba todo e em especial o refrão final ‘No morro do Tuiuti, No alto do terreirão’. Vai ser um refrão que vai marcar”.