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União da Ilha ensaia presença de pagode no meio da bateria e Laíla cria novo modelo de treino na rua

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Quem conhece o trabalho de Laíla sabe que ele é um sambista inquieto e que busca criar coisas novas, mesmo que possa errar ou acertar. Para o Carnaval da União da Ilha em 2020 não será diferente. O experiente diretor junto dos mestres Keko e Marcelo vão bolar um pagode em plena Marquês de Sapucaí no meio da bateria com banjos, surdos e pandeiros.

Para isso, a escola realizou seu primeiro ensaio de rua nesta quarta-feira, com uma configuração completamente diferente daquela que nos acostumamos a ver. Primeiro a escola foi toda montada ao contrário, dentro da quadra e na rua foi “virada”. Segundo não havia carro de som, apenas um pequeno referencial de voz. Os transtornos harmônicos que as mudanças causaram aos componentes foram nítidos, mas Laíla esclareceu que tudo está sob controle e em seu radar.

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“Botei o som baixo para servir de pequena guia. A escola cantou o tempo inteiro. Houve atravessamento no final em função de não haver sonorização no final. Mas eu estou tranquilo. Te garanto que vai ter pagode na avenida. Estamos fazendo os ajustes. Mas em três momentos do nosso desfile iremos fazer. Ainda teremos mais três ensaios na rua para realizar outros testes. Faremos no lado do Cacuia também”, explicou Laíla.

Harmonia

Quando se faz um ensaio sem carro de som há o risco do canto se perder em determinados trechos distantes da bateria. É por isso que o desfile acontece com toda a avenida sonorizada. Para verificar a quantas anda o canto do componente, a Ilha optou apenas por um pequeno referencial de voz, o que acarretou grande atravessamento de canto no final da escola. As alas chegavam a parar de cantar e recomeçavam.

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Bateria

O trabalho de Keko e Marcelo é louvável. Para buscar o diferencial daquilo que foi apresentado em 2019 a escola pensou em um pagode em plena bateria. Algo ousado e difícil de se realizar. Os 36 integrantes do pagode se posicionam à frente dos ritmistas quando estes saem do recuo. Após uma paradinha a bateria para completamente e o samba é sustentado pela levada do pagode. Foram duas passadas inteiras do samba. Após isso a bateria se abre e o grupo passa por dentro dos ritmistas. A inovação não impediu que a Baterilha ensaiasse suas bossas e convenções mesmo sem carro de som.

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“Estamos em fase de testes e o ensaio na rua foi para isso. Realizamos um treinamento apenas com o canto da comunidade sem carro de som. Estamos em fase de ajustes. Teremos mais quatro ensaios para isso. Com relação ao pagode que vamos fazer primeiro nós pensamos em criar algo diferente pois o nível das baterias está muito elevado e assim estamos buscando sair um pouco do lugar comum. Será um ‘pagofunk’. A bateria fará uma paradinha funk, vai parar e em seguida entre um pagodinho com 12 banjos, 12 tantãs e 12 pandeiros”, disse mestre Marcelo.

Evolução

Também foi afetada com o ensaio diferente. Primeiro que o trecho da rua utilizado era muito estreito, no lado oposto ao que a escola ensaia tradicionalmente. Com uma quantidade imensa de populares na rua a mobilidade dos componentes ficou limitada. Além disso foram mais de duas horas de ensaio com a escola ficando bastante tempo parada.

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Samba-Enredo

Teve bom rendimento no ensaio, sustentado por um pequeno sistema de som. Os componentes cantaram bem a obra mesmo com o desafio de pouco escutar a bateria em determinados pontos. A escola cantou principalmente o refrão com bastante força.

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Comissão de Frente

Comandada pelo coreógrafo Leandro Azevedo veio puxando a escola, realizando movimentos coreografados que podem ser os oficiais de desfile. O grupo trajava uma roupa preta e também cantou o samba todo o tempo.

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Estácio de Sá retorna aos ensaios comerciais nesta sexta-feira

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A Estácio de Sá faz nesta sexta-feira, a partir das 22h30 o seu primeiro ensaio show de 2020. O evento conta com a participação de todos componentes do carro de som, passistas, velha guarda, ala de baianas, compositores e todos demais seguimentos que compõe a escola.

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Serviço: Uma Noite no Berço do Samba

Atrações: Elenco show da Estácio de Sá e bateria medalha de ouro
Data: 17 de janeiro, sexta-feira
Valor: R$ 30,00 (venda somente na hora do evento na bilheteria da quadra)
Horário: 22h30
Classificação: 18 anos
Local: Quadra da Estácio (Av. Salvador de Sá, 206 – Cidade Nova)
Informações: (21) 2504-2883 ou (21) 99159-0402

Feijoada Pré-carnavalesca da Mangueira no Vila Galé Rio

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O clima já é de carnaval no Rio de Janeiro e a Estação Primeira de Mangueira, atual campeão do carnaval carioca, que é o maior espetáculo de céu aberto do mundo, quer mais é mostrar pra essa gente que o samba é lá em Mangueira.

Em mais uma parceria vitoriosa, a Verde e Rosa apresenta a Feijoada Pré-carnavalesca da Mangueira, que acontece dia 18 de janeiro, no Hotel Vila Galé Rio, na Lapa. Além da culinária de excelência, com buffet completo de feijoada, acompanhamentos, massas, grelhados, saladas e sobremesas, a diversão está garantida pelo som dos tamborins da Estação Primeira e o rufar do seu tambor. A abertura será do grupo Só Damas, que prepara a tarde para o show da Bateria da Mangueira. Presença VIP da rainha de bateria Evelyn Bastos, da Comissão de Frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira Squel Jorgea e Matheus Olivério.

Não fique de fora! Para garantir seu lugar nessa festa com conforto, as vendas antecipadas já estão abertas através do link: https://www.sympla.com.br/feijoada-pre-carnavalesca-da-mangueira__753776

SERVIÇO

Feijoada Pré-carnavalesca da Mangueira
Data: 18 de janeiro
Horário: De 12:30h às 16h
Local: Hotel Vila Galé Rio
Endereço: Rua do Riachuelo, 124 – Lapa
Valor: R$ 120,00 (Buffet completo. Bebidas e taxa de serviço não inclusas)
Haverá venda de ingresso no dia do evento, diretamente no hotel.
Aceitamos todos os cartões de débito e crédito.
Crianças até 12 anos pagam meia.
Sujeito a lotação.
Mais informações: 21 2460-4500 | [email protected]

Gaviões da Fiel constroem carnaval inovador para regulamento de São Paulo e com muita movimentação

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O site CARNAVALESCO inicia as visitas nos barracões das escolas do Grupo Especial do carnaval de São Paulo com uma estreia que provoca muita expectativa. A dupla de carnavalescos, Paulo Barros e Paulo Menezes, promete muita ousadia e inovação para o Sambódromo do Anhembi. Menezes recebeu a equipe do site no barracão dos Gaviões da Fiel pra falar sobre enredo de 2020, cronogramas, adaptação ao regulamento e outros assuntos importantes para o planejamento.

O enredo da agremiação alvinegra exalta o amor, intitulado como: “Um não sei que, que nasce não sei onde, vem não sei como e explode não sei porquê”. Paulo Menezes explica resumidamente o tema.

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“A gente vai falar sobre o amor, sobre as diversas formas de amar, sobre as maneiras do homem demonstrar o sentimento. Faremos um apanhando dos grandes amores da história, dos grandes amores da literatura, dos grandes amores das artes. Enfim, a gente mostra todos os grandes amores da história, mas mostramos também que amar não é só isso. Você pode amar ideais, conquistas, tem diversas maneiras de demonstrar seu amor. Quando você luta pelo que você acredita, é também uma forma de amar. Nós mostramos isso no nosso enredo, inclusive o amor do torcedor pela escola, pela torcida. É um apanhado das diversas formas de amar”.

Paulo também revela que ideia se concretizou após conhecer a quadra e os componentes dos Gaviões da Fiel.

“A gente tinha várias ideias, mas não tínhamos vindo pra cá ainda. Quando chegamos, vimos que eles se tratam como um ‘bando de loucos’, e fomos ver que loucura era essa. E era justamente o amor, e aí decidimos o que a gente ia falar”.

O carnavalesco também comenta sobre as diferenças entre Rio e São Paulo, e expõe similaridade.

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“O carnaval do Rio de Janeiro premia a criatividade, o de São Paulo já não, mas isso não impede que você não conquiste as pessoas através da interação. A gente não sabe como isso é recebido pelos jurados. Não premiar vai até a página dois”, afirma Menezes, que acrescenta: “As pessoas falavam pra gente que o carnaval de São Paulo era frio, diferente do Rio de Janeiro por ser mais caloroso. O comportamento e a maneira de enxergarem é diferente, mas isso não quer dizer que seja tão diferente assim. Eu trabalhei em diversas escolas de torcidas fortes, Portela, Mocidade, Império Serrano, União da Ilha, e uma coisa que todas ela tem é a paixão, e isso a gente encontrou aqui também”.

Carnavalesco promete inovação e movimentação nas alegorias

Se analisar os desfiles de cada carnavalesco da escola, nota-se muita criatividade, ousadia e inovação. Paulo Barros, por exemplo, já trouxe componentes da comissão de frente que trocavam de roupas num ato para parecer mágica, motoqueiro fantasma, e muita movimentação humana nos carros alegóricos. Paulo Menezes revela desfile fora dos moldes paulistas e garante aprovação do público.

“O carnaval de São Paulo não está acostumado a ver tanta movimentação no desfile, e esse ano vai ter. Agora, a gente não sabe como o público vai reagir a isso, mas acho que vai ser um diferencial, as pessoas vão gostar. Não tem como prever, é o resultado da avenida na hora, mas estamos confiando muito nisso”.

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A trajetória da dupla é bastante lembrada ao sambista que imagina o desfile dos Gaviões, e espera grandiosidade similar. Questionado sobre como enxerga a expectativa, Paulo desvia, foca na qualidade do carnaval e desmente projeto nos moldes do Rio de Janeiro.

“A nossa expectativa é de fazer um grande carnaval, o que vier depois é lucro. É claro que são os 50 anos da escola, a gente quer muito dar de presente o título, mas são muitos fatores que influenciam e não depende só da gente. Lógico que estamos trabalhando pra isso, e o resultado é lá na avenida na hora do desfile. A gente procurou não fazer um carnaval igual do Rio de Janeiro, mas um carnaval dentro dos moldes de São Paulo. Não adianta fazer algo que é bom pro Rio, e pode não ser bom aqui. Já estamos bem adaptados. A gente estudou muito o regulamento, o comportamento do jurado, a maneira que ele julga”.

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Os carnavalescos da agremiação sempre seguem a recomendação básica da escola de não usar o verde no desfile. Por ser uma escola de torcida, e remeter ao rival, eles mantêm tal pensamento. Paulo garante que pedido não atrapalhou planejamento.

“Foi só uma recomendação e que não atrapalhou a gente em nada. Quando começamos a desenhar e pintar os projetos, a gente sabia que não podia usar. Não sentimos falta porque a nossa cabeça já estava direcionada a isso. O combinado não sai caro”.

Paulo Menezes conta ao CARNAVALESCO que se mudou pra São Paulo, e com isso pode acompanhar o dia a dia do barracão.

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“O boi só engordar com o olho do dono. A gente tá correndo pra poder terminar tudo tranquilamente. É um carnaval que está tranquilo, mas a gente não pode descansar. O Paulo Barro está longe, no Rio, mas eu estou aqui, todo dia no barracão. Eu nunca costumo calcular porcentagem, às vezes o trabalho emperra porque são muitas novidades pra eles, trabalhos diferentes, mas também tem horas que o trabalho flui”.

Lembrando o último carnaval dos Gaviões da Fiel, ganhador do prêmio Estrela do Carnaval em 2019, a escola levantou as arquibancadas durante grande parte do desfile. Questionado sobre força da torcida, Paulo valoriza a animação que contagia os desfilantes.

“Os componentes podem influenciar a arquibancada, da mesma forma que o público pode influenciar o desfile. Já desfilei pra concreto, já desfilei pro público vibrando e pra arquibancada fria. Quando se tem uma arquibancada vibrante, o componente automaticamente se anima e devolve pra arquibancada. Eles influenciam muito mais a gente do que vice-versa”.

Outro ponto de bastante destaque de 2019, e que carrega um onda de expectativa, é a comissão de frente coreografada pelo Edgar Júnior.

“Nós conversamos muito com o Edgar. Não adianta criarmos coisas e só entregar pro coreógrafo, tem que ter uma atenção, é o primeiro quesito da escola. Pra escola que quer ganhar, a comissão precisa ter a certeza do que está fazendo, estar ciente do que pode dar certo e errado. A gente conversa muito com o Edgar, até pra não jogar ele na arena com os leões. Tudo é conversado pra não acontecer exatamente isso”.

Ordem de desfile

A escola optou por não revelar montagem da escola e divisão de setores. Assim como a questão das fotos, vetadas pela diretoria.

“É uma estratégia minha e do Paulo Barros. A gente não gosta de abrir totalmente o enredo”, afirma Paulo Menezes.

Entrevistão com mestre Ricardinho: ‘Novos mestres estão contribuindo com conhecimento musical’

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Por Victor Amancio

No seu décimo terceiro ano como mestre de bateria do Paraíso do Tuiuti, sendo o sétimo seguido, o mestre Ricardinho que chegou à escola em 1998 como ritmista coloca a bateria Supersom em um patamar de grandeza perto das tradicionais escolas de samba. São 19 notas dez em 24 disputadas, tendo um aproveitamento de 80%. O mestre do Paraíso do Tuiuti conversa com a reportagem do CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’.

Após tantos anos de Tuiuti e experiência em diversas baterias como ritmista e mestre o que o carnaval mudou na sua vida?

Ricardinho: “Não mudou muita coisa, pois eu nunca vivi de carnaval e continuo não vivendo. Hoje, o Tuiuti por estar no Grupo Especial tem condições de oferecer condições melhores do que quando estávamos no Acesso, mas ainda assim eu não consigo viver disso. Tenho minha profissão, sou professor de matemática, de fevereiro a dezembro trabalho dentro da sala de aula todos os dias às 7h. É uma luta nos meses próximos ao carnaval. Eu digo que o Tuiuti, principalmente, pois é uma escola que eu acompanho há mais de 20 anos, evoluiu muito. Quando eu cheguei na escola em 1998 não tínhamos nem teto e hoje temos uma estrutura representa bem a escola”.

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Qual a importância do presidente Thor na sua vida como mestre de bateria?

Ricardinho: “Foi o cara que me deu a primeira oportunidade em 2003 quando se tornou presidente, eu era ritmista dele, desfilei com ele de 1999 a 2001. Quando ele voltou em 2003 quando ele chegou à presidência eu pedi a ele uma oportunidade e ele achou que valia a pena investir, graças ao trabalho que eu já tinha desenvolvido no samba, na Unidos da Tijuca, e criamos um vínculo e já vou para o décimo terceiro ano a frente da bateria, com algumas interrupções”.

Como professor de matemática o que você leva do carnaval para sala de aula e da sala de aula para o carnaval?

Ricardinho: “Da sala de aula para o carnaval eu levo principalmente a questão da didática, a questão de passar as coisas para os ritmistas, pela experiência que eu tenho em ensinar e me fazer ser entendido. Da sala de aula para o carnaval é mais fácil para mim, no sentido contrário, eu acho que levo a balbúrdia, a desorganização de uma bateria. São 250 pessoas que pensam diferentes, cada um querendo uma coisa de um jeito ou quer uma coisa. Administrar todas essas pessoas, de diferentes classes sociais e gêneros é um pouco difícil, as vezes encontro dificuldade, mas tento sempre ser o mais compreensivo possível”.

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Como ritmista qual mestre foi sua maior referência? Por que?

Ricardinho: “Eu sou de 1976, tenho 43 anos hoje, mestres que eu tenho como referência são os que eu consegui assistir pela televisão na época que me apaixonei pelas escolas de samba. Então posso dizer que são o mestre Mug, da Vila Isabel, que hoje eu conheço pessoalmente; o Ciça, que eu vi pela Estácio em 1989 e fiquei alucinado; Odilon, na União da Ilha na década de 90 também me fascinou; mestre Paulão, da União da Ilha; mestre Paulinho, da Caprichosos de Pilares. São os principais, e eu fico feliz em ter tido a chance de disputar nota com alguns deles, como o Ciça que está em atividade e hoje é um paizão, um padrinho”.

Apesar de ser novo, você é uma realidade como mestre de bateria. Qual sua opinião sobre a garotada que está chegando no comando das baterias?

Ricardinho: “Eu sou muito humilde nessa questão de ser uma realidade, eu tenho uma experiência razoavelmente grande, estou indo para o quarto ano no Grupo Especial, mas eu acho que não sou eu quem tenho que achar isso. Eu faço o meu trabalho para garantir o meu espaço. Sobre os garotos que estão chegando eu vejo muita qualidade, mas ser mestre não é somente ter qualidade técnica, muito mais do que saber tocar bem ou fazer bossa elaborada. Ser mestre é saber fazer política, saber apresentar a bateria para um jurado, esses são os aspectos. O que eu falo para essa rapaziada nova que está chegando é que eles venham com força e disposição mas sempre respeitando os mais velhos”.

Hoje, poucos falam mais a bateria da Tijuca com mestre Celinho era uma das melhores, mas suava por notas máximas. O que faltava?

Ricardinho: “Sinceramente, eu não sei pois a bateria se apresentou muito bem. Desfilei com Celinho de 1999 à 2005. Em 2 anos, 1999, 2001 tiramos a nota máxima, mas tirando o ano de 2002, que foi um ano que a fantasia dificultou a execução da bateria, tivemos boas notas, chegando perto da nota máxima. Podia ser má vontade do jurado em não dar a nota máxima e às vezes pela falta de expressividade do Celinho, que é uma pessoa muito tímida, em dizer assim “olha aqui a minha bateria”, pois ele tinha, a bateria era um esculacho. Mas é apenas uma especulação. O Celinho é uma referência, um grande amigo que pude fazer, encontro ele de vez em quando pela rua e sempre é um prazer estar com ele”.

Paradinha ou coreografia o que você prefere e o motivo?

Ricardinho: “Entre os dois eu prefiro o ritmo, a bateria está lá para sustentar o samba, o andamento. Paradinha e coreografias são complementos. Paradinha é para o ritmista dar uma descansada, 10, 15 segundos para pegar um gás de novo. Coreografia é complemento para mexer com arquibancada. Tem ano que cai bem e tem ano que o samba não permite fazer muita coisa. O ano de 2016 aqui foi o auge, no ano que subimos, viemos com várias coreografias e o público respondia mas não é a tônica do nosso trabalho”.

A realidade agora nas baterias é o que mestre precisa conhecer mesmo e não ser apenas autodidata?

Ricardinho: “Ritmo tem que conhecer, sem dúvida, conhecimento musical tem muito mestre que não conhecem e isso é uma coisa que essa nova geração está trazendo. Muitos mestres novos sabem ler partitura e tem esse conhecimento musical que eu, particularmente, não tenho. Eu entendo de afinação, consigo detectar um erro e onde acontece. Os mestres antigos não tem essa característica, mas hoje essa galera nova tem essa virtude e eu acredito que seja uma contribuição deles, pois quanto mais pudermos tornar o trabalho mais técnico, mais evoluído, é melhor para o carnaval. Não diria que não ter esse conhecimento me faz falta”.

Se pudesse o que gostaria de mudar no julgamento do quesito e como faria?

Ricardinho: “É muito difícil, o julgamento é muito subjetivo, por exemplo: esse ano um jurado elogiou a afinação da bateria do Tuiuti, disse que estava boa e a bateria estava com peso. O jurado do módulo seguinte tirou ponto e dentre as justificativas era que a bateria estava com pouco peso. É um critério muito subjetivo. Para mim deveria ser algo mais técnico como: na minha frente no minuto X a bateria fez uma paradinha e sobrou um tamborim. Se fosse assim, não teríamos o que discutir. O critério do “eu acho”, acaba sendo muito subjetivo. Os mestres não gostam desse tipo de justificativa, que não parece ser uma coisa plausível, e sim para tirar ponto pela bandeira da escola. Essa é minha opinião. Julgar é muito complicado, máximo respeito aos jurados e vamos trabalhar para agradar”.

Em que patamar você coloca a bateria do Tuiuti atualmente? E o que ainda pensa em melhorar para esse ano ou os próximos?

É difícil de falar do próprio trabalho, de 2014 pra cá, que foi quando eu voltei para escola depois de 4 anos, eu peguei uma bateria e hoje temos uma outra bateria. Eu acho que a bateria do Tuiuti não se apresenta mal, temos uma bateria completa, com corpo. Tudo é fruto de um trabalho, são 19 notas máximas em 24 disputadas e temos que continuar buscando, nosso aproveitamento está em 80% e um trabalho desse de jeito nenhum pode ser considerado ruim. Dessas 5 notas que não foram 10, 3 foram no ano de 2017, quando a escola subiu, e a gente sabe que tem a questão da escola que sobe ser visada a perder nota. A bateria hoje, eu acredito e escuto por ai, é respeitada no carnaval. E para melhorar é corrigir sempre o que não está tão bom, mas o trabalho em si está sendo instituído desde 2014″.

Carnavalescos vão poder participar do curso dos julgadores na Liesa

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    Por Gabriella Souza

    O presidente da Liesa revelou que os cursos dos julgadores do Grupo Especial para o Carnaval 2020 acontecerá nos dias 27 de janeiro e 3 de fevereiro. A previsão é que a Liga divulgue a relação dos nomes no dia 22 de janeiro.

    “Já fiz o estudo preliminar e o contato com os julgadores. Coloquei os nomes para escolas. Estamos reduzindo o corpo de julgadores de 54 para 45. Esse ano os carnavalescos vão poder vir nos seus quesitos relacionados, como Enredo, Alegorias, Fantasias, Comissão de Frente e Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Será no primeiro dia com os cinco quesitos”.

    Por falta de recursos e tempo, Liesa já trabalha com a ideia apenas do teste de som e luz do Sambódromo

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      Por Gabriella Souza

      Em reunião plenária na noite desta quarta-feira, na sede da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), os presidentes das 13 escolas de samba do Grupo Especial debateram questões referentes aos preparativos para os desfiles de 2020. O presidente Jorge Castanheira explicou que a possibilidade dos ensaios técnicos serem realizados no Sambódromo é remota, devido a falta de liberação de recursos financeiros, as obras na Avenida e o tempo curto para o calendário.

      “Não ter ensaio técnico é muito ruim. É importante para as escolas e como divulgação. Porém, a gente tem que entender que não temos recursos e o Sambódromo passa por obras. Pelo que está se desenhando vai ser muito difícil a gente conseguir viabilizar os ensaios. Podemos captar perto de 3,5 milhões para os ensaios técnicos, mas se captarmos e não fizermos será um prejuízo muito grande para empresas. A Riotur está prevendo liberar o Sambódromo para os ensaios no dia 10 de fevereiro e não daria tempo para viabilizar os ensaios técnicos. Estamos avaliando se será possível ou não fazer o teste de som e luz do Sambódromo, além da lavagem da Avenida, no dia 16 de fevereiro com a Mangueira, que ganhou o título em 2019. Não estamos descartando os ensaios, estamos aguardando o governador voltar de férias para ver se conseguiremos os recursos para escolas, através das empresas por meio da Lei do ICMS, e, se teremos também recursos para os ensaios técnicos, através da Lei Rouanet. Está tudo muito em cima da hora”, afirmou o presidente da Liga.

      Carnavalescos vão poder participar do curso de jurados na Liga

      Jorge Castanheira citou que a ausência de apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro afetou o cronograma das escolas de samba e impactará em dívidas para os próximos anos.

      “O momento é muito delicado para as escolas de samba no recurso financeiro. A falta dos R$ 500 mil para cada escola que vinha da Prefeitura do Rio e a indefinição do apoio por parte do Estado está deixando todos com nervos à flor da pele”.

      O presidente da Liesa revelou que os cursos dos julgadores acontecerá nos dias 27 de janeiro e 3 de fevereiro. “Esse ano os carnavalescos vão poder vir nos seus quesitos relacionados, como Enredo, Alegorias, Fantasias, Comissão de Frente e Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira”.

      Realizada, Lexa vibra com chegada ao Especial como rainha de bateria da Unidos da Tijuca

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      A cantora Lexa vai estar a frente da Pura Cadência, da Unidos da Tijuca, no Carnaval 2020. Com o nome em bastante destaque no momento, principalmente, na música carioca com sucessos como “sapequinha”, “Posso ser” e “Para de marra”, engana-se quem pensa que o mundo do samba é uma novidade para a artista. Lexa foi rainha da Unidos de Bangu em 2018 e 2019. A cantora falou à reportagem do CARNAVALESCO sobre o sentimento da estreia na escola do Borel.

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      “Realização, acho que a palavra é realização, uma grande alegria. Eu fui rainha do Grupo de Acesso por dois anos e agora estou no Especial”, disse Lexa.

      Nos ensaios de quadra, a cantora chega a cantar o samba exaltação da Tijuca e tocar tamborim por alguns minutos, lembrando como gosta de fazer uma outra rainha, Viviane Araújo. Porém, ao ser perguntada sobre a inspiração para o cargo, Lexa citou o nome de outro ícone do carnaval carioca.

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      “Eu com certeza me inspiro na Luma de Oliveira. Porque ela pra mim é a rainha das rainhas. Ela é simplesmente maravilhosa”.

      Simpática, a cantora sorri para todo mundo e interage com os segmentos da agremiação.

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      “Ja conversei com as passistas ali na Camorim, pedi licença a elas para entrar nessa comunidade tão forte, aguerrida que é a Unidos da Tijuca. Aprendi a tocar tamborim em escolas do Grupo de Acesso B quando era mais jovem. A essa Unidos da Tijuca, eu peço licença à velha guarda, licença às baianas”.

      Por fim, Lexa também revelou que já está em sintonia com mestre Casão e com a “Pura Cadência”.

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      “Já estou ‘pegando a manha’. O mestre Casagrande é sensacional e a bateria é maravilhosa de um forma única. E eu já estou aprendendo todas as paradinhas agora”.

      Bastidores do desfile com Cristo negro da Estácio de Sá viram documentário

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      O desfile campeão da Estácio de Sá no Carnaval 2019 que deu o título para escola virou documentário. A obra é dividida em dez partes nomeadas de forma ora afetiva ora informativa para refletir fases e circunstâncias relacionadas à composição do desfile – da escolha do tema a detalhes da pesquisa, da criação das coreografias à definição do enredo (A fé que emerge das águas) e ao significado do carnaval para os integrantes e a comunidade. O lançamento será no dia 24 de janeiro, às 20h, na quadra da escola.

      O documentário

      As entrevistas com presidente, coreógrafo, comissão de frente e outros participantes são intercaladas por um passeio divertido pelo Rio de Janeiro, pelo galpão da escola e pela comunidade, feito pelo apresentador Ludwik Tapia, uma das estrelas do Panamá envolvidas no tributo carnavalesco.

      “A intenção é mostrar o que há por trás, o que não é glamoroso. O trabalho em equipe, a inclusão social, a geração de empregos, as pessoas que fazem o carnaval. Fomos ao barracão, à comunidade, às ruas”, observa o produtor Henrique de Oliveira.

      O documentário transpira representatividade nos depoimentos e na conexão do samba-enredo com o tema e a vida real dos integrantes. E renova a reflexão sobre os temas sociais fervorosos despejados pela escola na avenida, como o racismo, a partir dos relatos de quem atuou para irradiar a essência do samba-enredo.

      “A crucificação do Cristo negro remete ao negro brasileiro escravizado, que passa martírio e romarias o tempo todo, tendo que provar que é bom. Quando ele vê a cena, se vê crucificado”, diz o ator Evandro Machado, intérprete do personagem na comissão de frente.

      A imagens captadas em meio a alegorias, ensaios de rua e a vida diária dos moradores do Morro de São Carlos, berço da Estácio, acentuam a percepção sobre o espírito comunitário das escolas e a força da tradição carnavalesca.

      ‘Samba Didático’: Paraíso do Tuiuti contará a história do Santo e do Rei Sebastião

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      Por Gabriella Souza

      Tom histórico e religioso é que o Paraíso do Tuiuti representará a trajetória de Dom Sebastião, rei de Portugal no século XVI e de São Sebastião, padroeiro e defensor da cidade do Rio de Janeiro e da escola, a relação do Rei com o Santo é expressa na data de nascimento do Rei que é a mesma do dia em que o Santo foi flechado, 20 de janeiro. Trazendo também a história de ambos em relação com a da cidade do Rio. O Tuiuti irá mesclar devoção, história e a toda a mística desses dois personagens, criadas pelo povo brasileiro, precisamente no Maranhão onde rezam lendas sobre Sebastião. Representará, assim, o sebastianismo como a ponte de esperança do povo brasileiro perante sua dura realidade.

      O enredo “O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião” tem a assinatura do carnavalesco João Vitor Araújo. O jovem carnavalesco é um dos principais nomes da nova geração e já obteve títulos no Acesso. Ainda mais, João é o único carnavalesco negro a assinar sozinho um enredo do Grupo Especial. Já a obra que irá representar a São Clemente na Avenida é dos compositores Anibal, Julio Alves, Claudio Russo, Moacyr Luz, Píer e Tricolor.

      O site CARNAVALESCO dando continuidade à série de reportagens intitulada “Samba Didático” entrevistou o compositor Claudio Russo e o pesquisador da escola João Gustavo Melo para saber mais sobre os significados e as representações por trás de alguns versos e expressões presentes no samba da azul e amarelo de São Cristóvão.

      ‘O IMPERADOR MENINO’

      “Representa o sonho do povo português, personificado em Dom Sebastião, de reviver o apogeu dos antepassados e ser o centro do império mundial cristão” conta o pesquisador João Gustavo Melo.

      ‘UM SEBASTIÃO NÃO FALHA’

      “Dom Sebastião nasceu no dia do santo que lhe emprestou o nome e o mesmo se dá com a cidade do Rio de Janeiro. Fatores que são intrinsecamente ligados, a essência de nosso enredo. Nos permite dizer que um Sebastião não falha, seja ele Santo, rei ou a cidade maravilhosa”. explica Claudio Russo.

      ‘CABOCLO ENCANTADO’

      “Diz-se que na Casa das Minas, templo da encantaria ‘Mina Jejê’ em São Luís do Maranhão, que Dom Sebastião baixa na forma de um caboclo”, diz Claudio Russo.

      ‘TOURO COROADO’

      “Este verso conta a lenda de que na praia dos Lençóis, no Maranhão, Dom Sebastião teria a forma de um majestoso touro negro coroado, a ser desencantado se alguém cravar uma espada na estrela sobre a testa do místico animal”, explica João Gustavo Melo.

      ‘ATÉ MUDOU O FADO’

      “Aqui nós usamos do simbolismo do ritmo, tão português, para dizer que vindo para águas e terras do Brasil a crença na volta do Rei muda de tom e forma. Que por conta da mudança do Fado, agora são outros batuques”, destaca Claudio Russo.

      ‘PEDRA BONITA PÔS O SANTO NO ALTAR’

      “Relembra o massacre da Pedra Bonita, localidade pernambucana na qual foi formada uma comunidade de seguidores que acreditavam no retorno de Dom Sebastião. Tal crença, levada ao limite da morte e da loucura, fez com que a memória de Dom Sebastião o fizesse reviver como um santo em um altar imaginário. Os moradores do povoado foram mortos pelo governo central brasileiro, que não admitiu a formação de um estado paralelo em pleno sertão nordestino”, explica João Gustavo Melo.

      ‘RIO, DO PEITO FLECHADO’

      “Faz uma louvação à cidade nascida a flecha e fogo, o Rio de Janeiro, fundada por Estácio de Sá em 1565, sob o reinado de Dom Sebastião. Em 20 de janeiro de 1567, dia consagrado ao Santo e aniversário do Rei, deu-se a sangrenta batalha de Uruçumirim, na qual Estácio de Sá foi atingido por uma flecha envenenada em confronto direto com os Tamoios. A cidade forjada na violência hoje atira “flechas perdidas” contra o próprio povo”.

      ‘SANGROU A TERRA, ONDE A PAZ CHOROU A GUERRA’

      “O verso traduz poeticamente o derramamento de sangue ocorrido nas comunidades sebastianistas no sertão nordestino no Século XIX. Os principais focos dessa resistência foram a Serra do Rodeador e na Pedra do Reino, em Pernambuco e em Canudos, na Bahia. Em todos esses povoados, acreditava-se na volta de Dom Sebastião para libertar o povo da miséria. Em todas elas, o governo brasileiro derramou o sangue dos que acreditavam em um destino melhor”, conta João Gustavo Melo.

      ‘RIO-BATUQUEIRO’

      “A cidade que desvia das flechas perdidas se apega aos santos e toca os tambores nos terreiros para atrair energias positivas”, destaca João Gustavo Melo.

      ‘OXOSSI, ORIXÁ DAS COISAS BELAS’

      “Nos terreiros do Rio de Janeiro, Oxóssi é louvado como divindade correspondente a São Sebastião. Oxóssi é o orixá das coisas belas, como a arte, a dança, a música e a escultura”, diz Claudio Russo.

      ‘ORFEUS TOCAM LIRAS NA FAVELA’

      “A resistência a tudo isso que vivemos, todas atrocidades cometidas contra a população está na arte, está em casa, na favela que respira música, dança, sentimentos de orfeus”, explica Claudio Russo.

      ‘A CIDADE DAS MAZELAS’

      “Representa o contraste entre as mazelas vividas nas comunidades cariocas e a produção musical e artística que explode em criatividade nas favelas da cidade fundada no reinado de Dom Sebastião e abençoada pelo padroeiro São Sebastião”, conta João Gustavo Melo.

      ‘NO ALTO DO TERREIRÃO’

      “Todo 20 de janeiro o paraíso do Tuiuti, saúda o seu padroeiro, subindo o morro desde o alto do terreirão até o Cruzeiro. Salve São Sebastião”,  conta Claudio Russo.