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Entrevistão com Serginho do Porto, cantor da Estácio: ‘o carnaval de São Paulo pode superar o do Rio’

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Serginho do Porto é um dos mais experientes intérpretes do carnaval. Com 25 anos de carreira e passagens por gigantes do carnaval do Rio de Janeiro e São Paulo, ele conversou com o CARNAVALESCO pra a série ‘Entrevistão’. Ex-vice-presidente do Águia de Ouro, ele alerta que o carnaval de São Paulo pode superar o do Rio de Janeiro. Diz ainda que os desfiles de 2009, pela Estácio e de 1998, pela Unidos da Tijuca, foram as maiores injustiças que ele viveu no carnaval.

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Qual o melhor samba que você cantou na Estácio?

“Eu cantei alguns sambas marcantes aqui. Cachoeira de Macacu em 2003 foi muito forte. O carnaval não era muito bom mas a comunidade estava aguerrida. Em 2002 a homenagem ao jornal O Dia, debaixo de chuva. O Cristo Negro em 2019 não posso deixar de citar. E a Chita Bacana em 2009 que para mim foi uma das maiores injustiças que vivi”.

Como surgiu seu grito de guerra?

“Todos sabem que sou cria da Ponte. Tanto que virei na última alegoria deles no desfile desse ano. Toda vez que a Ponte subia de grupo eu dizia ‘eu gosto assim, agora é pra valer’. Em 1983 estávamos no Especial e acabou caindo. Mas acabamos ficando. Em 1984 acabamos rebaixados. Em 1985 homenageamos o próprio samba. Desde essa época acabou ficando como uma marca minha”.

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O que você sentiu quando cantou o samba da Tijuca sobre o Vasco? E o que sente quando ouve a torcida cantar nos jogos?

“No desfile da Tijuca quando comecei a cantar o alusivo, a arquibancada toda começou a cantar ‘Vasco’. Fiquei muito emocionado. Mas aprendi com os grandes intérpretes a manter a frieza nesses momentos. A nossa responsabilidade é imensa. Éramos apenas eu e mais três cantando a avenida toda. Ali foi outra injustiça”.

Aquele desfile foi penalizado injustamente?

“A Tijuca desfilou linda, todo mundo cantando. Não entendo aquele rebaixamento. Talvez, o enredo, dividido entre o homem e o clube”.

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Hoje, como você analisa o trio de cantores formado pelo Salgueiro?

“Foi muito importante para a minha carreira. Foi um período glorioso. Cantar ao lado do Quinho me ensinou muito. É um ídolo de qualquer cantor. E o Leonardo tocou comigo, um profissional grandioso. Ali unimos a fome com a vontade de comer. O que sempre gostei de fazer foi cantar. E foi o que eu fiz ali. Eram três cantores”.

Por que saiu do Salgueiro? 

“Foi uma decisão em conjunto. Todo trabalho que tinha sido feito já havia seu patamar maior. Eu achava melhor respirar outros ares, não era mais o que eu queria. A escola também compreendeu isso e a vida seguiu”.

O que você pensa sobre a presença de cantores mulheres no carro de som e assumindo o posto de principal?

“Eu tenho duas meninas maravilhosas aqui. A Tati, além de cantar com a gente, ela faz dublagem, ninguém sabe que é ela ali. Acho que para cantar na frente, como foi Eliana de Lima, Dinorá da Bahia, Samanta, que cantou comigo em São Paulo, mas é preciso um entendimento se for mais de um. Vejo como muito proveitoso a voz feminina. Isso só valoriza o samba”.

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Você comandou a Águia de Ouro e hoje São Paulo virou referência. Acredita ser possível passar o Rio?

“Pode sim. E vou falar a você: é extremamente organizado. Uma semana antes do carnaval os carros estão todos na baia. O Rio é muito mais turístico, em São Paulo é mais comunitário, as pessoas choram. Fui muito feliz de fazer parte do Águia de Ouro. Torço para que a escola ganhe um título. Em 2013 batemos na trave”.

E o que é melhor em São Paulo do que no Rio?

“Primeiro, todos os grupos possuem barracão. Segundo, as alegorias saem com uma semana de antecedência. Sabemos que aqui não temos espaço. A infraestrutura em São Paulo é muito melhor. Como carioca e sambista me entristeço muito com a gestão do prefeito, que desdenha das escolas e do carnaval. O carnaval é um patrimônio. Isso aqui se enche de turistas. Temos agremiações gigantes. Isso tudo faz com que o nosso desfile seja o maior espetáculo da terra. São Paulo tem mais estrutura”.

Série Barracões da Série A 2020: Saravá, Vovó! Para vencer demanda, Rocinha reverencia Maria Conga

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Por Diogo Sampaio

Após viver carnavais complicados, nos quais amargou por dois anos consecutivos a décima primeira colocação, a Rocinha está disposta a vencer toda e qualquer demanda, para conseguir dar a volta por cima, em busca de reencontrar o caminho dos bons resultados. Para isso, a tricolor de São Conrado recorreu à história de Maria da Conceição e, através de seu desfile em 2020, exaltará aquela que no plano espiritual se consagrou como Vovó Maria Conga de Aruanda, líder da linha dos pretos velhos de Iemanjá.

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O enredo, intitulado “A guerreira negra que dominou dois mundos”, conta com a assinatura do estreante Marcus Paulo. Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, o artista revelou que a ideia de homenagear Maria Conga surgiu durante o processo de pesquisa para o desfile da Unidos da Tijuca do ano passado, que teve como tema central o pão.

“A história do pão conhecida é muito branca, vamos dizer assim, e eu queria falar sobre algum expoente negro. Encontrei João de Mattos, um padeiro que ensinava a profissão para outros negros. Procurando mais sobre ele, apareceu, não sei o porquê, o nome da heroína de Magé: Maria Conga, uma heroína negra. Aquilo me despertou. A gente está acostumado a ver ‘Trago seu amor em três dias, ligue para vovó Maria Conga’ na rua, mas ela não é só isso. Maria Conga foi uma pessoa que realmente viveu: uma princesa, filha de reis do Congo, que foi escravizada e trazida aqui para o Brasil, separada de sua família. Achei que eu deveria contar essa história linda, de uma mulher brava, negra, para todo mundo saber. Assim como eu não sabia, a maioria das pessoas também não sabe. Então é mais um enredo informativo e educativo. Essa foi a minha ideia”, relatou.

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Apesar de nunca ter sido enredo anteriormente, Maria Conga já foi citada e cantada por diversas escolas no carnaval. Entretanto, para Marcus Paulo, isso não tira o brilho e a importância, tanto do tema, quanto da personagem.

“O diferente é essa história, dessa heroína, uma mulher que naquela época conseguiu fundar um quilombo, mesmo ameaçada de morte. A trajetória dessa guerreira tem que ser contada para todo mundo. E eu vou muito contra essa história de que já se fez muito enredo afro. Se você colocar, na ponta do lápis, a quantidade de afro que já foi feita, em relação a quantidade dos enredos variados, vai constatar que é pouquíssima. O carnaval é um dos únicos locais nesse país preconceituoso em que a cultura negra é celebrada, é falada. Então, eu defendo que tem que ter mais enredo afro, negro sim. A história do nossos pares, a história dos heróis negros, tem que ser mais contadas no carnaval, que é o único espaço que permite contar essa história livremente”, manifestou Marcus.

Por conta do enredo sobre Maria Conga, a escola chegou a ser procurada pela Prefeitura de Magé, município da Região Metropolitana do Rio, com uma proposta de patrocínio. Porém, há menos de um mês para o desfile, a verba de ajuda não teria chegado, segundo o carnavalesco da agremiação.

“Em 1988, no centenário da abolição da escravatura no país, Maria Conga foi declarada heroína da cidade de Magé. Por esse motivo, a Secretaria de Cultura de lá se interessou pelo enredo e propôs ajudar a Rocinha, com algum aporte financeiro, que acho que ainda não chegou, mas vai deve chegar alguma coisa sim”, assegurou.

Dupla jornada e o choque de realidade

Marcus Paulo concilia os trabalhos no barracão da Rocinha com suas atividades na Unidos da Tijuca, onde é integrante da comissão de carnaval desde a sua primeira formação, feita para o desfile de 2015. Com larga experiência no Grupo Especial, está é a primeira vez em que o artista trabalha fora da elite da festa.

“Comecei no Grupo Especial e nunca tinha passado pelos grupos de Acesso. Só na Unidos da Tijuca tenho 15 carnavais, sendo seis deles como carnavalesco. Para mim, essa jornada dupla está sendo bem cansativa, mas muito prazerosa. Hoje eu admiro muito mais os carnavalescos da Série A do que o admirava ontem. Aqui, descobri que o mínimo que eles conseguem levar para Marquês de Sapucaí é com muito esforço, com muita dedicação, porque ninguém olha para essas escolas. Elas são jogadas na rua, não tem verba, não tem subvenção. Os presidentes ficam correndo de um lado para o outro tentando colocar a escola pronta na Avenida. A falta de repasse de verba faz com que as escolas, muitas vezes, não possam nem dar roupa para sua própria comunidade… Tudo é com muito sacrifício e isso está me ganhando. O carnavalesco, na Série A, não tem grandes equipes e não tem grandes profissionais para assessorar o trabalho dele. Os aderecistas são pessoas simples, as equipes são enxutas e a escola acredita muito na arte do carnavalesco, na mão dele para fazer”, avaliou Marcus.

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De acordo com o artista, as dificuldades financeiras e estruturais do grupo o estão fazendo crescer como profissional. “Esse choque de realidade que estou tendo está mexendo comigo, me tirando do lugar comum e fazendo me balançar. A dificuldade que eu achava que tinha no Grupo Especial, pela falta de repasse de verba, é mínima em vista do que eu estou vendo e vivendo aqui na Série A. Isso faz com que nossa criatividade fique à flor da pele mesmo. A gente tem que pensar diariamente em soluções, como o uso de materiais muito alternativos, para apresentar um trabalho que, pelo menos, seja aceitável na Marquês de Sapucaí. Algo legal de visual, mas com o mínimo de recurso”, relatou.

Outra novidade para o artista é o fato de assinar um carnaval sozinho. Segundo Marcus Paulo, o desfile da Rocinha em 2020 será a oportunidade do público conhecer melhor seu trabalho.

“Comissão de carnaval, seja em qualquer escola, ela esconde as pessoas que fazem parte dela. Agora, meu nome descolou e estão vendo minha imagem. O público vai poder conferir a minha assinatura no carnaval, e não a da Unidos da Tijuca. O que posso dizer, é que as pessoas vão poder perceber um toque moderno. Acredito que vai chamar muita atenção também a volumetria. Minha formação de origem é o designer, sou mestrando na área pela Escola de Belas-Artes, então primo muito pela forma e pelas cores”, adiantou.

‘Podem esperar uma Rocinha com arte’, diz Marcus Paulo

Para o site CARNAVALESCO, Marcus contou que utilizou, em grande escala, de materiais de origem vegetal na construção do carnaval da Rocinha para 2020. Segundo o artista, alternativas como a palha e o bambu foram aplicadas na confecção, tanto de fantasias, como de alegorias.

“Estou usando nas fantasias muita palha, folha de carnaúba, barba de bode, que é um tipo de mato também, capins desidratados e coloridos, além das penas artificiais. Não usamos nenhuma pluma, que é um item importado, cotado em dólar… Esse ano até mesmo no grupo especial, na Unidos da Tijuca, a gente está evitando, que dirá na Série A. Já nas alegorias, temos um carro todo revestido de bambu, que é uma vegetação característica do entorno do Quilombo de Maria Conga, que a própria fundou em Magé e onde, até hoje, a composição é majoritariamente negra e pobre. Tive essa sacada de trazer essa ambientação para alegoria, o que está me dando um resultado visual maravilhoso, uma instalação artística muito interessante”, declarou.

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Segundo o profissional, o desfile contará com bastantes esculturas nas alegorias e muito volume. Haverá ainda a aposta em alguns efeitos, na parte luminotécnica e de movimentações oriundas do Festival de Parintins.

“Quando eu cheguei aqui, me assustei com as estruturas dos carros da Rocinha. Os chassis são bem grandes, parecem até de Grupo Especial. Ao que parece, um carro já foi da Mocidade, outro do Salgueiro… Então, não precisei mexer muito em estrutura base. Na parte de iluminação, a gente está fazendo uma coisa mais cênica, mais teatral, aquela iluminação focada, bem planejada. Temos também carros com movimentos de Parintins, as pinturas de arte estão ficando fantásticas. As pessoas podem esperar uma Rocinha com arte”, garantiu.

Para que nem tudo termine em cinzas…

Além dos desafios habituais da Série A, Marcus Paulo ainda terá de enfrentar um em específico: elevar as notas dos quesitos plásticos da Rocinha. A agremiação não alcança uma nota máxima no quesito alegorias e adereços desde o carnaval 2017.

“Meu primeiro trabalho quando eu assumi a Rocinha foi assistir os desfiles anteriores da escola. Depois do carnaval feito pelo João Vitor (Araújo, carnavalesco), sobre o Viriato Ferreira, a escola veio em uma grande decadência plástica. Não julgando o trabalho dos artistas, longe de mim isso, mas analisando as notas da Rocinha nesses últimos anos, vi que tinha muitas falhas. Levei isso para minha primeira conversa com o presidente, com o diretor de carnaval e com os seguimentos da escola. A gente tem que melhorar essas notas. Pensando nisso, acabei criando fantasias em que o volume e a forma chamem mais atenção do que o material que está sendo usado em si, não primando pelo uso do material caro para chocar ninguém ou para ser uma peça de ostentação minha. Estou criando as formas para que o jurado e o público entendam o que está sendo dito, usando da criatividade para que a obra seja bem compreendida, bem avaliada, justamente para não cometer os mesmos erros penalizados no passado”, alegou o artista.

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Samba sob encomenda

A Rocinha optou por encomendar o samba-enredo. Apesar de declarar preferência pelo modelo de disputa, o carnavalesco Marcus Paulo disse ver vantagens em se trabalhar com a obra encomendada.

“Sou um cara apaixonado por samba-enredo desde criança e vou confessar que não é muito a minha o samba encomendado. Particularmente, sou pela disputa ainda. Mas a vantagem do samba encomendado é que, na disputa, você não pode opinar. O compositor te leva a primeira vez, você diz o que pode e que não pode, mas não fala de melodia, de métrica… Você não pode opinar na obra dele para modificar, só pode opinar no que está certo ou errado dentro do enredo. Já no samba encomendado não, você pode opinar em tudo: pode falar da melodia, se gostou ou não gostou… Porque o cara vai e volta várias vezes. Ele vai te entregar a obra do jeito que você quer realmente, do jeito que você está pensando. O próprio compositor mesmo, ele viu que não deu certo, pode mudar. Na disputa, por regulamento, ele não pode mudar nada. Depois que ele entregou o escrito da letra, o arquivo com gravação, tem que ir daquele jeito. Na encomenda, o compositor pode mexer o tempo inteiro, para que ele entregue uma obra que agrade o carnavalesco, que agrade o presidente e até o gosto pessoal dele próprio. Alguns compositores me disseram que, na disputa, tem um determinado estilo de samba que você sabe que vai ganhar, enquanto outros estilos dificilmente. Então, na encomenda, eles podem fazer o samba da forma que eles querem, que eles acham bonito, e apresentar para o carnavalesco. Essa é a vantagem. Porém, eu ainda sou pela disputa”, destacou Marcus.

Entenda o desfile

Segundo agremiação a desfilar na sexta-feira de carnaval, a Rocinha irá para Avenida com uma média de 1500 componentes, espalhados por 17 alas. Além disso, contará com três alegorias, sendo o abre-alas acoplado, e um elemento cenográfico na comissão de frente. A apresentação será divida em três setores, como detalha o carnavalesco Marcus Paulo:

Setor 1: “O primeiro setor é o Reino do Congo. A gente começa na Costa do Congo, na África, onde Maria Conga era uma princesa, que nasce em uma tribo, filha de reis do Congo. No dia do seu batismo, ela foi escravizada, trazida para o Brasil e separada de sua família”.

Setor 2: “O segundo setor a gente já pega ela escravizada, na cidade de Magé, onde depois do trabalho escravo, ela ganha a sua libertação. E mesmo liberta, ela continua lutando para libertar seus pares e por direitos, pois descobre que mesmo o negro sendo liberto não tem direito nenhum. Geralmente, estes eram jogados na rua e muitos voltavam para escravidão, porque não tinham o quê fazer ou como sobreviverem. Por conta dessa luta, foi perseguida, ameaçada de morte e a partir daí funda o seu quilombo, que está lá até hoje. O primeiro quilombo da Baixada Fluminense reconhecido. E é nesse quilombo que ela falece”.

Setor 3: “Nosso terceiro setor é quando ela vai para o Reino das Almas e é recebida por Oxalá, coroada por Zambi, para se tornar a Vovó Maria Conga. Ela recebe a linha dos pretos velhos de Iemanjá. À exemplo do seu trabalho na Terra, em vida, continua no Reino das Almas, com essa liderança, cuidando da gente, nos recebendo, nos acalentando e nos curando. Uma missão delegada por Zambi, que é o Deus maior. Esse é o final do nosso desfile”.

Marlon Lamar analisa os casais da Mancha Verde, Tom Maior, Barroca, Mocidade Alegre e Vila Maria

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Por Marlon Lamar

O mestre-sala da Portela, Marlon Lamar, pelo segundo ano consecutivo analisa para o site CARNAVALESCO os casais de São Paulo, em suas apresentações nos ensaios técnicos realizados no Sambódromo do Anhembi. Confira abaixo o que ele viu no primeiro treino de cada agremiação.

MANCHA VERDE

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Grande casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mancha Verde. Ambos com imensa experiência treinaram fantasiados, inclusive, “bela fantasia” desenvolvida por Fernando Magalhães. Marcelo é um mais antigos em atividade, dono de muitas notas 10, defende o pavilhão da Mancha com seu jeito peculiar, sempre elegante, muito centrado em manter a tradição de deixar a porta-bandeira brilhar e a protege. Adriana Gomes, uma das maiores bailarinas deste ritmo, é de fato um diferencial no quesito. Consegue mesclar sua força de expressão com a leveza de um giro. Não se consegue ver a troca dos pés, sempre elegante e com expressão corporal única. O casal seguiu o quesito que rege o carnaval de São Paulo, uma apresentação sem muitos riscos, com horário e anti-horário muito bem realizados. O cortejo bem apresentado, com um riscado de menor intensidade. Ele, em alguns momentos, perdia sua expressão facial, principalmente, na hora da criação com as pernas, quando fixava o olhar para o chão e novamente quando cantava o samba, ficando com uma imagem mais séria. O casal acabou sofrendo um pouco com o vento. A porta-bandeira se sentiu bem incomodada com a fantasia, tento que parar em vários momentos sua apresentação para que pudesse se recompor. O mesmo ocorreu com seu parceiro de dança. Tecnicamente foi um casal prejudicado por estes fatores, porém inevitável não descrever que estamos falando da atual dupla campeã do carnaval. Todos estes pontos com certeza vão ser consertados para mais um ano garantirem as notas 10 para a escola que defendem.

TOM MAIOR

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O gabaritado casal da Tom Maior, Jairo e Simone, fez no dia 31 de janeiro seu ensaio técnico. Com a bela fantasia de 2019, eles transmitiram toda a leveza e classe com o pavilhão de uma escola de samba. Com um dos sorrisos mais belo do carnaval paulistano, a porta-bandeira passou como uma pluma na pista, uma evolução mais contida, porém de exímio bom gosto. Optou por retornar aquelas damas que jamais se curvava ou saia da postura ostentando um símbolo maior de uma agremiação em seus braços. Hoje, novamente pude perceber como ambos são mágicos, possuem uma luz que não se vê mais com facilidade, o samba evoluiu e seus quesitos tiveram que se adaptar, e ver um casal que luta para manter sua identidade perante a tanta mudança se torna um colírio para os amantes do quesito. Jairo, um verdadeiro lorde com um sorriso de orelha a orelha, manteve intacto sua função de proteger e enaltecer sua porta-bandeira. No meio do desfile começou a chover e ela acabou tendo alguns imprevistos. Com uma coreografia de menor impacto visual, eles mantiveram a base de seguir com o regulamento embaixo dos braços. Horários e anti-horários muito bem executados, com o riscado bem elaborado por parte do mestre-sala, sempre acompanhados de um belo controle corporal. Em alguns momentos, a porta-bandeira teve dificuldade para manter o pavilhão desfraldado devido ao vento e a chuva. Mas conseguiu contornar a situação. Seu companheiro foi muito bem do inicio ao fim, sempre muito atento e prestativo para com sua dama. Fez jus ao papel que o mesmo defende. Que ambos repitam esta mágica forma de dançar que tanto engrandeceu o quesito e fez com que pessoas como eu se tornassem mestre-sala. Tenho certeza que teremos muitos resultados positivos para este casal em 2020.

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O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Verde e Rosa de São Paulo fez sua estreia no ensaio técnico. Em seu primeiro ano defendendo um pavilhão no grupo de elite o mestre-sala Igor Sena se mostrou seguro perante toda a apresentação, com uma bela postura e expressão corporal e cumpriu com os quesitos pontuados dentro do critério de julgamento que rege o carnaval paulistano. Sua dama Lenita Magrini foi um show a parte, sua leveza, elegância, sobriedade e tranquilidade em cada movimento foram notados, flutuou durante o percurso no Sambódromo do Anhembi. Com uma perfumaria impecável e controle sobre o pavilhão mesmo diante do vento. Ela retorna ao carnaval de São Paulo afirmando seu destaque entre as novatas do quesito. O casal cumpriu com todos os pontos solicitados. Elaboraram uma coreografia muito bem desenhada, com destaque para ambos, utilizando todo o espaço da pista, não apenas ficando em cima da faixa amarela do meio e brincando com o publico presente, Vale ressaltar o belo desenho dos minuetos apresentados. No ato do horário e anti-horário da porta-bandeira, o mestre-sala se distanciou em demasia da sua parceira em alguns momentos, causando uma quebra na harmonia da apresentação. Outro ponto curioso é que a porta-bandeira, em quase todo término do giro, acaba fazendo uma perfumaria, e, em alguns momentos, faz em direção ao mestre-sala. Ocasionando uma visão de que ela daria a mão ao mesmo e ele não atendeu ao pedido. Detalhes que aos olhos mais atentos de um julgador poderia ocasionar uma visão de falta de sincronismo. Na minha concepção é de imensa a possibilidade de conquista do resultado positivo com prêmios e nota máxima.

MOCIDADE ALEGRE

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O casal passou junto pela primeira vez em um ensaio técnico oficial pela Morada do Samba. Uilian e Karina deixaram seus recados. Com uma apresentação intensa, muito bem coreografada e com um bom desempenho, foram pontos fortes da tricolor paulista. O mestre-sala mostrou que está em uma grande crescente e vem fazendo seu trabalho de casa, aperfeiçoou seus movimentos, trouxe um riscado mais leve, mostrando sua evolução e se mantendo a altura de sua porta-bandeira. Ela com toda sua elegância, diferente do passado, intensificou o seu giro, transformando sua apresentação ainda mais imponente. A coreografia de exímio bom gosto deu espaço para se notar toda a graciosidade e leveza dos movimentos propostos pelos mesmos. A finalização foi algo que me chamou a atenção, já que todos foram muito bem coordenados e executados, ambos se mostrando cientes de tudo que estava acontecendo. Uma observação importante: Durante o percurso na pista, o casal se manteve um do lado esquerdo e o outro do lado direito, repetindo em vários momentos um leque coreográfico, que por sinal de muito bom gosto, tendo a mesma finalização. Faltando uma maior movimentação para o lado direito e esquerdo subsequente a troca que ambos poderiam realizar. Contudo, nada que tire a imensa possibilidade de brilharem e garantir todas notas 10 para a agremiação do bairro do Limão.

VILA MARIA

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Mais um casal que se formou para o desfile 2020. Brunno Mathias e Tatiana dos Santos estrearam em um ensaio técnico oficial pela Unidos de Vila Maria. Com uma velocidade e intensidade notável, transmitiram o prazer e amor em defender o pavilhão. A coreografia proposta foi baseada no regulamento que rege o quesito em São Paulo. Muito bem elaborada e de muito bom gosto, com minuetos bem executados no início, meio e fim, utilizando todo o espaço, não se restringindo ao meio da pista. Com alguns deslizes técnicos, como o pavilhão enrolar em momentos durante a pista e em frente ao módulo de julgamento, a porta-bandeira teve dificuldade em suas finalizações com o vento que estava  bem intenso no momento de sua apresentação. O mestre-sala foi crescendo ao decorrer do desfile, mostrando um bom repertório, os braços sempre bem postos, com um riscado com maior clareza e de um leque de finalizações. Em alguns momentos destoava de sua dama, se mostrando um pouco “afobado” tendo como finalização giros no próprio eixo com uma velocidade maior que sua porta-bandeira, tirando assim a graciosidade do casal e até mesmo o sincronismo. O gavião “cortejo” era um dos momentos que o mestre-sala se distanciava muito, quebrando novamente o dinamismo coreográfico e o romantismo do par. O casal terminou seu ensaio com uma evolução aparente e que demonstra uma grande possibilidade de acertarem estes problemas técnicos pautados. Vale ressaltar que é preciso descrever a força que ambos possuíram, principalmente, a porta-bandeira por se manter firme diante do vento forte. Acredito na evolução que já se foi apresentada pelos mesmos do início da parceria, gerando a colheita do resultado positivo na apuração que tanto merecem.

Audiência sobre obras no Sambódromo nesta quinta na 1ª Vara da Fazenda Pública

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    A 1ª Vara da Fazenda Pública do Rio convocou para esta quinta-feira, a realização de uma audiência especial para tratar das obras de segurança do Sambódromo.

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    Marquês de Sapucaí. Foto: Riotur

    No encontro, a Riotur terá de comprovar o cumprimento das exigências feitas pelo Ministério Público e Corpo de Bombeiros para obter a liberação do alvará definitivo da passarela do samba. A audiência acontece às 13h.

    Vídeos e fotos: Unidos da Tijuca faz apresentação com Lexa para RJTV

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    Bailinho da Portela recebe Fanfarra Black Clube, Só Damas e Tabajara do Samba nesta quinta

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    A terceira edição do Bailinho da Portela vai agitar o Espaço Marzipan, na Cinelândia, nesta quinta-feira, a partir das 18h, com apresentação da Fanfarra Black Clube, roda de samba e bateria da Portela. Com formato inovador e ares de happy hour, o evento resgata os míticos carnavais de salão do Rio, além de oferecer uma experiência única sobre a cultura carioca.

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    Formada em 2014, a Fanfarra Black Clube, conhecida pelo naipe variado de instrumentos de sopro e percussão, promete sacudir o público com repertório amplo, sempre em ritmo de carnaval, passando por Tim Maia, Amy Winehouse, Pharrell Williams, Jorge Ben Jor, Marvin Gaye e outros ícones. A performance contará, ainda, com a participação da cantora Bruna Barros.

    O grupo Só Damas, composto só por mulheres, homenageia Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Leci Brandão, Clara Nunes e outras estrelas do samba e da MPB na abertura da festa, dividindo espaço com o DJ João Rodrigo, revelação da noite carioca.

    Ritmistas e passistas da Portela vão encerrar a festa em grande estilo, ao som de sambas-enredos antológicos da Azul e Branco. O destaque maior do repertório será “Guajupiá, Terra Sem Males”, com o qual a agremiação de Oswaldo Cruz e Madureira disputará o 23º título de sua história.

    Outro grande momento será entrega das faixas de musos do Bailinho para o músico e agitador cultural Tarcísio Cisão e a atriz Karen Julia. Para dar ainda mais charme ao evento, o público terá glitter, purpurina e maquiagem gratuitamente num estande exclusivo, com a presença de maquiadores profissionais. Tudo isso num belíssimo salão art déco da década de 1940. E o melhor: torcedores com camisa da Portela e pessoas fantasiadas pagam apenas R$ 25. O Espaço Marzipan fica na Avenida Rio Branco, 251, 3º andar, Cinelândia (ao lado do metrô).

    Serviço:
    Bailinho da Portela
    Data: Quinta-feira, dia 6 de fevereiro
    Horário: das 18h à meia-noite
    Local: Espaço Marzipan
    Endereço: Avenida Rio Branco, 251, 3º andar, Cinelândia (perto da saída Santa Luzia do metrô e em frente ao Cine Odeon)
    Entrada: R$ 25 (lista amiga, pessoas fantasiadas e torcedores com camisa da Portela) / R$ 35 (público em geral). Os nomes para a lista amiga devem ser enviados para o direct do Instagram @bailinhodaportela.

    Vendas pela internet: www.sympla.com.br

    Classificação: 18 anos
    Informações:
    (21) 99521-0017
    (21) 97953-7120

    Lá no futuro! Bianca Monteiro revela desejo de passar coroa de rainha de bateria para menina da comunidade

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    Por Lucas Santos

    Estreante em 2017 como rainha da bateria no ano em que a Portela quebrou um jejum de mais de 30 anos sem títulos, Bianca Monteiro é cria da comunidade de Oswaldo Cruz e Madureira. A frente da Tabajara do Samba, a rainha brilhou fantasiada de índia vestida com uma malha trazendo em alguns pontos o azul da escola.

    Bianca Monteiro falou à reportagem do CARNAVALESCO sobre a responsabilidade de defender um pavilhão tão tradicional do carnaval carioca e sobre o trabalho realizado na escola.

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    “A gente está falando da escola que tem mais títulos, uma escola respeitada e amada, todo lugar que eu passei nesse ano eu fui cumprimentada por isso, pois em todo lugar há um portelense. Então representar uma instituição como a Portela, a Tabajara do Samba, a emoção eu não consigo nem expor em uma palavra. Eu sou da comunidade, a gente vem fazendo um trabalho gradativo, recentemente fizemos uma reforma na sala de bateria em prol do melhor da Tabajara, do mestre Nilo e dos 40 pontos e eu vou ficar até quanto tiver que ficar, até quando estiver contribuindo”.

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    Ao ser perguntada se há algum preconceito dentro do carnaval com rainhas de comunidade por não trazer patrocínio, Bianca tratou de ressaltar alguns requisitos importantes para a função que são independentes da origem de quem ocupa.

    “Eu acho que cada escola tem uma tradição, tem uma forma de ver. Pelo o que eu ouvi falar, a Portela já não tinha uma rainha de comunidade há muito tempo e eu cheguei já sendo campeã do carnaval. Mas eu acho que independente de quem está ali na frente, você tem que amar, você tem que entender o chão e respeitar cada ritmistas porque eu convivo com eles quase todos os dias e eu vejo a luta e nem sempre eles são valorizados da melhor maneira possível no mundo do samba sendo de uma importância tão grande para o carnaval”.

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    Apesar de não limitar a escolha das rainha a gente dá comunidade, Bianca expressou o desejo de ser substituída por alguém com uma história parecida com a sua.

    “Claro que eu vou querer passar a minha coroa para uma menina da comunidade. Eu vejo os olhares de admiração das crianças. Eu nunca tive uma rainha de bateria que olhasse por mim e eu acho que por isso o meu trabalho aumenta mais. A minha missão é maior quando eu penso no futuro dessas crianças”.

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    Assim como pretende inspirar jovens da comunidade a buscar seu sonhos, Bianca revela que também se inspirou em rainhas que foram formadas em comunidades voltadas para o samba.

    “Sempre amei a Raíssa dá Beija Flor, porque a Raíssa é uma pessoa maravilhosa. A Evelyn da Mangueira por seu uma pessoa guerreira e lutar, realmente sair do morro e ter seu pensamento e opinião e colocar em prática. Sempre importante ter pessoas que defendem a nossa raça. Mas eu acho que todas tem que ser respeitadas porque todas fazem um trabalho bem feito, e no final de tudo nós temos que nos unir. Eu quero continuar fazendo esse trabalho e espero que outras escolas possam perceber a importância de valorizar a prata da casa”.

    Ouça ao vivo a Rádio Mania

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      Série Barracões: Mostrando a força das mulheres, Mocidade Alegre homenageia as orixás femininas

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      Por Gustavo Lima

      A reportagem do CARNAVALESCO visitou a quadra da Mocidade Alegre e entrevistou Edson Pereira, um dos profissionais que integra a comissão de carnaval da agremiação. A escola irá para a avenida com o enredo “O canto das Yabás”, uma homenagem às orixás femininas.

      “Quando eu cheguei na escola pra fazer o carnaval, me pediram para que eu fizesse um carnaval sobre as mulheres, e essa espinha dorsal eu encontrei pra falar não só da mulher negra, mas da mulher de uma forma geral, porque acredito que a mulher é a forma mais sublime da manifestação da vida, partindo do princípio que elas nos dão a vida. Falando de vida, de esperança, de atitude de mulher guerreira e orixá, não poderíamos deixar de falar de uma escola que é administrada por uma mulher guerreira e forte como a Solange é, como foi assim durante muito tempo pela irmã dela, que sonhou com esse enredo também. Então, eu acho que é o momento propício não só pra Mocidade, mas pelo momento que a gente está vivendo da valorização da mulher”.

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      O carnavalesco também revelou que o enredo é um projeto antigo da escola e resolveu acatar o tema.

      “Foi proposto pela escola e eu abracei a ideia. Não acredito em enredo ruim, acredito que pode ser uma condução errada, mas a gente está apostando muito nesse tema, porque eu tenho certeza que não vai ser só mais um enredo, vai nos ensinar muito e nos trazer muita coisa pra gente refletir e acredito que será um grande carnaval da Mocidade”.

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      Como não foi um enredo de ideia do carnavalesco, talvez a pesquisa para desenvolver os itens do desfile seja mais árdua, ainda mais pelo fato de Edson Pereira ocupar o cargo de carnavalesco oficial da Unidos de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, e ter que se dividir entre as duas escolas. Porém a agremiação conta com uma comissão de carnaval, o que não sobrecarrega muito e facilita todo esse processo.

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      “A pesquisa é algo que a gente faz em primeiro plano, quando nós definimos o enredo. Nesse momento já está bem encaminhado, e nós fomos buscar subsídios para trazer boas imagens e mexer com a emoção do carnaval da Mocidade, porque eu acho que carnaval tem esse comprometimento com a interação da nossa cultura. Não tem que ser só bonito, ele deve passar uma mensagem, e é essa mensagem que nós estamos em busca”.

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      Para unir a visão dos jurados, público e telespectadores, não é uma tarefa fácil, mas Edson declara que para esse “problema” ser sanado, busca sempre o melhor, mesmo sabendo que não irá agradar a todos.

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      “A gente nunca vai conseguir agradar deuses e troianos, e o que é a gente faz é sempre tentar elaborar o melhor, mas o mais importante é fazer um trabalho com verdade e sentimento, e dessa forma você consegue atingir o máximo do seu trabalho. Tudo bem que o carnaval é direcionado hoje para uma disputa, onde existe o julgamento dos jurados, mas eu acho que quando a gente faz com verdade e emoção, trazendo o melhor pra nossa cultura, que fez chegar como o maior espetáculo da terra, e eu falo não só do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil, a gente consegue fazer o melhor se fizer com verdade”.

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      A Mocidade Alegre sempre quando escolhe temas com religiões afros, desenvolve bons desfiles, vide 2016, que conseguiu a 3ª colocação, e 2012, que se sagrou campeã com o enredo “Ojuobá”, uma homenagem à Jorge Amado, considerado por muitos o maior enredo e melhor desfile da história da agremiação. Tal fato, consequentemente gera uma pressão para o desenvolvimento desse desfile, mas Edson Pereira encara isso com tranquilidade.

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      “Eu não sinto pressão, porque eu sou um trabalhador do carnaval, quem conhece a minha história no carnaval, sabe que eu enfrento desafios e eu acho que esse é um desafio que eu me propus. Fazer o carnaval da Mocidade pra mim, hoje, não é só uma experiência profissional, é também uma experiência que eu vou agregar valores na minha vida profissional e muito mais. Então não é só um desafio, é muito mais do que isso, é um aprendizado”.

      Trabalho da presidente Solange vem sendo fundamental para o desfile de 2020

      Edson também comentou sobre o andamento do barracão, disse estar praticamente tudo pronto e destacou o ótimo trabalho feito pela presidente Solange Bichara, de sempre estar presente para que tudo aconteça.

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      “A gente está trabalhando desde muito cedo e nosso carnaval eu posso dizer que está 90% pronto e os últimos 10% vão ser feitos nas últimas semanas. É um trabalho satisfatório, a Solange é uma guerreira, é uma pessoa que não se cansa, que está ali constantemente fazendo que as coisas aconteçam, porque o carnaval não é feito por uma pessoa só. A gente é um cérebro, uma pessoa só e dirigimos tudo isso, mas depende de uma série de questões para que tudo isso aconteça e seja eficaz, e a Solange é uma peça fundamental nisso tudo, por isso a mulher de frente, presente nesse projeto, e que talvez seja a mulher mais presente nesse enredo. Hoje o barracão da Mocidade é pleno, tranquilo, temos nossos prazos todos em dia e o cronograma está encaixando tudo de forma correta. Então eu acho que vai ser tudo dentro do que a gente espera”.

      Conheça o desfile:

      SETOR 1 – CLAMOR A OLORUM
      “A gente vem com a proposta de que a mulher foi escolhida pra salvar o mundo, de todo esse caos que nós vivemos, não só o caos de destruição à natureza, mas também a autodestruição do homem. Então, as yabás pedem a Olorum para que ele permita que
      elas influenciem a humanidade, e elas criam a primeira Yaô, que é designada pra salvar o mundo e transformá-lo em uma nova morada, então a gente entra na avenida com esse clamor a Olorum, que será um abre-alas bem grande, estaremos com mais ou menos 45 metros por 15 de altura, com muito movimento”.

      SETOR 2 – IEMANJÁ
      Na segunda alegoria a gente fala da mãe de todas, que é Iemanjá. O mundo submarino, submerso de Iemanjá, que é a mãe de todas as cabeças, a mãe maior, que vai pedir a Olorum pra que conceda a permissão pra salvar o novo mundo.

      SETOR 3 – O SABER DE NANÃ
      Na terceira alegoria a gente traz o conhecimento e a sabedoria de Nanã, que é a renovação. Quando as pessoas falam que Nanã seria a morte no estigmatismo africano, a morte nada mais é do que a renovação, conhecimento e sabedoria.

      SETOR 4 – A IMPORTÂNCIA DAS YABÁS
      “Na penúltima alegoria eu trago o que seria a junção de todos esses elementos que são representados por essas mulheres, ou seja, Iansã, Oxum e todas as yabás vão estar representadas nesta grande mandala que permite o movimento do universo e que faz o mundo girar”.

      SETOR 5 – A NOVA MORADA DO SAMBA
      “E a gente fecha com o clamor da nova morada, quando essa menina se transforma em uma grande mulher, que salva o universo e transforma em uma grande morada, que também é a nossa Morada do Samba”.

      Consulado da Portela de São Paulo lança livro infantil sobre história da escola de samba carioca

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      Uma galerinha muito animada chega à Academia do Samba Natalino José do Nascimento, sede de uma das maiores instituições de cultura popular do país, a escola de samba Portela. Maravilhados e curiosos para saber mais sobre aquele ambiente mágico, a turma se encontra com Mestre Monarco que faz um passeio cheio de sabores e história enquanto responde todas as dúvidas.

      Capa livro Vamos Falar da Portela

      Esse é o mote de Vamos Falar da Portela, um livro dirigido ao público infantil que será lançado no dia 8 de fevereiro na Biblioteca do Parque Villa-Lobos, zona oeste de São Paulo, a partir de 15h. Escrito por Paulo Toledo e Carlos Tatta, o projeto é um sonho antigo do Consulado da Portela de São Paulo que agora está se tornando real.

      “Graças ao apoio das pessoas conseguimos realizar mais esse projeto. O livro foi feito de forma totalmente colaborativa e será distribuído de forma gratuita às crianças por onde o Consulado passar”, informa Toledo, que é presidente do Consulado da Portela na capital paulista.

      O Consulado é uma representação da escola de samba carioca para atuar como difusor da cultura do samba em geral e da história da azul e branco de Madureira bem como de seu repertório musical, que figura entre as obras mais relevantes do samba com nomes como Paulo da Portela, Zé Keti, Candeia, Monarco, Casquinha e Paulinho da Viola.

      Segundo o autor Carlos Tatta, é uma honra participar de um projeto tão importante. “O Consulado da Portela mostra nessa obra que a escola de Oswaldo Cruz precisa ser conhecida por todos, independentemente da idade”, afirma.

      Primeira representação da Portela a ser formada, em 2015, o Consulado em São Paulo, tem investido nos últimos anos em ações educativas para disseminar o repertório dos grandes baluartes da escola, em projetos como o Geração Portela, que dá aula de percussão e samba a jovens de Paraisópolis, e o Portela Em Canto, uma parceria com a Estação Casa Amarela de Caçapava, no Vale do Paraíba.

      “Nosso objetivo é mostrar a relevante produção cultural e musical da Portela de todas as formas possíveis”, justifica Paulo Toledo. “Para isso, mostrar nossa história para as novas gerações é fundamental”, resume.

      No dia do lançamento, que será realizado no espaço cedido pela SP Leituras, dentro do Parque Villa-Lobos, haverá uma exibição dos jovens do Geração Portela e tarde de autógrafos pelos autores.

      LANÇAMENTO DO LIVRO VAMOS FALAR DA PORTELA

      Serviço

      Tarde de autógrafos e apresentação musical do projeto Geração Portela

      Quando: 8 de fevereiro , das 15h às 18h
      Onde: Biblioteca Parque Villa-Lobos

      Endereço: Av. Queiroz Filho, 1205, Alto de Pinheiros (Parque Villa-Lobos)